ARQUIDIOCESE
de Pouso Alegre

Arquidiocese faz memória dos 60 anos de morte de Dom Octávio - por Pe. Andrey Nicioli


Neste dia 29 de outubro, a Arquidiocese de Pouso Alegre faz memória dos 60 anos da morte de seu terceiro bispo diocesano, dom Octávio Chagas de Miranda. Com o lema "Quem ama na simplicidade, caminha sem medo" (Provérbios 10,9), ele ficou à frente da arquidiocese por 43 anos. 

Nasceu no município de Campinas (SP) no dia 10 de agosto de 1881, mas foi ordenado presbítero em Pouso Alegre em 1903. Nomeado Bispo em 14 de fevereiro de 1916. Sua ordenação episcopal foi celebrada no dia 04 de junho do mesmo ano, tomando posse como 3º Bispo de Pouso Alegre no dia 29 de julho de 1916. Foi de Dom Octávio a decisão de construir a nova Catedral. Faleceu em Pouso Alegre no dia 29 de outubro de 1959, tendo governado a Diocese pelo espaço de 43 anos. Foi o 1º a ser sepultado na cripta da Catedral.

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Segundo o arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., é preciso elevar uma oração de gratidão a Deus pela vida e ministério de dom Octávio e, a seu exemplo, ser ousado e corajoso, fiel ao discipulado e disponível para a missão.

"Em nossa caminha eclesial, somos convidados a fazer memória dos 60 anos da Páscoa de dom Octávio. São notáveis suas realizações, tanto no âmbito pastoral-evangelizador quanto no social, seu nome está perenizado na história da Igreja de Pouso Alegre, como seu grande consolidador", disse. 

O atual arcebispo também recordou alguns dos feitos de seu predecessor, ainda mais que sua vocação nasceu também nesta terra. 

"A caminhada vocacioal de dom Octávio entrelaça-se com a história da arquidiocese de Pouso Alegre: acompanhando o primeiro bispo, dom João Nery, aqui chegou participando efetivamente da organização da nova diocese. Foi aluno do seminário nascente e ordenado sacerdote para o nosso clero, em 1903. Tendo acompanhdo dom Nery para Campinas, transcorridos poucos anos, foi eleito bispo. Após o desmembramento das dioceses de Campanha (1907) e Guaxupé (1916), foi o primeiro bispo a reger a Igreja de Pouso Alegre, com a sua atual configuração geográfica. Durante décadas foi o pastor solícito e inteiramente doado a Deus e à sua Igreja, que anunciou a boa nova do Evangelho e promoveu a vida em todas as suas dimensões. Soube reunir, sob o seu báculo, o clero e o povo fiel, superando as grandes dificuldades que marcaram as primeiras décadas da história diocesana e contribuindo na consolidação da Igreja-viva e consciente de sua missão na edificação do Reino de Deus", concluiu.

Dom Octávio começou seu calvário de sofrimento no ano de 1948, quando começo a sentir os primeiros sintomas do mal de Parkinson. Sem o vigor de antes, perdendo a voz e com outras sequelas, visitadores por ele nomeados passam a substituí-lo nas visitas pastorais. 

Apesar da doença e restringindo a trabalhos dentro da própria cidade de Pouso Alegre, Dom Octávio sempre se fez muito presente. Ele empenhou-se em desenvolver a Ação Católica na Diocese e também as Congregações Marianas, masculina e feminina. Em 6 de maio de 1948, lançou a primeira pedra da nova Catedral. 

O nome de Dom Octávio até chegou a ser cogitado para Campinas, sua terra natal, o que não se concretizou. “Talvez por causa da sua saúde já debilitada, o convite ou aceno da Nunciatura não se confirmou, sendo indicado outro Bispo para Campinas. A desilusão feriu e magoou profundamente o coração de Dom Octávio. Foi quando o mal começou a se agravar ainda mais e em poucos meses, Dom Octávio fisicamente se transformou, acelerando sintomas dos mais diversos: tremedeira, angústia, pavor de tudo, vergonha de se apresentar em público, de pregar etc”. (1981, pág. 144).

Em 1955, Dom Oscar de Oliveira, do clero de Mariana, foi enviado como Bispo Auxiliar para Dom Octávio. Apesar de muitos acreditarem que a chegada do Auxiliar amenizaria a doença, Dom Octávio começou a piorar. Seu cérebro foi se debilitando pouco a pouco, afetando seus sentidos e sua coordenação motora. 

Cônego Carvalhinho assim narrou os últimos momentos de Dom Octávio: 

"O médico assistente, Dr. Jésus Ribeiro Pires, estava sempre junto a seu enfermo. Agora, principalmente postara-se à sua cabeceira, seguindo, desde horas, a sua respiração, controlando pulsação, pressão e todo o sintoma que denunciasse realmente o fim. 

Dr. Jésus Ribeiro Pires foi médico de Dom Octávio, desde que se manifestaram os primeiros sintomas da terrível enfermidade (...) Enquanto conservava sua consciência e o conhecimento exato que se passava em sua volta, ficava contente de ver a seu lado o médico amigo. E isso era sempre manifestado com um sorriso de gratidão e afeto. Já residente em Mariana, onde era Arcebispo, embora continuasse Administrador da ‘Sede Vacante’, Dom Oscar não estava presente quando Dom Octávio morreu.

Afirmou alguém que com ele estava ao chegar a notícia do falecimento de seu colega e amigo, que chorou antes de tomar qualquer providência, como lhe competia. Rodeado de padres e amigos que jamais o abandonaram, tendo à sua cabeceira seu cunhado Eduardinho Gouvêa, sua cunhada Ana Ribeiro de Miranda e o velho amigo de tantos anos, seu irmão preto Mirabeau Ludovico, o venerando Pastor, depois de 44 anos e 4 meses dirigindo a Diocese de Pouso Alegre, entregou sua alma nas mãos de Deus.

A cena foi rápida:...D. Aninha encostou aos seus lábios imóveis o Crucifixo, Mirabeau Ludovico juntou suas mãos, enquanto duas lágrimas de despedida anunciavam o fim. Dr. Jésus abrindo e fechando seus olhos agora sem brilho, confirma:

- ‘Está no céu...’Sim, era o céu, o paraíso dos santos, a morada dos anjos, para onde um novo Querubim da terra carregado de méritos, porque seguiu as bem-aventuranças eternas, ia entrar. E a triste cena terminou: O velho amigo Mirabeau Ludovico fechou os olhos de Dom Octávio, cruzou-lhe as mãos e pronunciou chorando a sua despedida:

- ‘Adeus, meu grande amigo!...’” (1981, págs.149-151)

Era 29 de outubro de 1959

 

 

 

 

 

Publicado no dia 29/10/2019