ARQUIDIOCESE
de Pouso Alegre

Caminho de Nhá Chica poderá fortalecer turismo religioso no Sul de Minas - por José Valmei Bueno e Camila Ferreira


Inconfidentes, conhecida como a Capital Nacional do Crochê, será o ponto de partida do ‘Caminho de Nhá Chica’, uma rota de peregrinação com trajeto de 250 km. O destino é o Santuário da Imaculada Conceição de Nhá Chica, em Baependi.

Uma caminhada inaugural marcará o início da rota no dia 14 de junho, dia dedicado à Beata Nhá Chica, quando os peregrinos partirão da Igreja Matriz de Inconfidentes até o marco zero do caminho: a capela Nhá Chica, construída na zona rural do município. Uma missa será celebrada no local pelo pároco Antônio Brentegani, inaugurando oficialmente a rota de peregrinação.

No dia seguinte, 15 de junho, cerca de 13 peregrinos percorrerão, pela primeira vez, a rota traçada em homenagem à Beata. “Esperamos que as pessoas possam usufruir desse caminho como forma de desenvolver a espiritualidade. É também um trabalho para desenvolver o turismo religioso”, conta Eraldo Sarapu, um dos idealizadores da rota.

Trajeto

Quem se aventurar a percorrer o Caminho de Nhá Chica poderá entrar em contato com as paisagens de 14 municípios do Sul de Minas, pertencentes à Arquidiocese de Pouso Alegre e à Diocese da Campanha, que integram a rota: Inconfidentes, Borda da Mata, Congonhal, Espírito Santo do Dourado, Silvianópolis, Careaçu, Heliodora, Natércia, Conceição das Pedras, Cristina, Carmo de Minas, Soledade de Minas, Caxambu e Baependi.

O caminho foi demarcado com placas de sinalização, assim como foi feita parceria com as pousadas que estão no caminho que poderá ser percorrido a pé ou de bike.

Um dos municípios pelos quais os peregrinos passarão é Cristina. A prefeitura daquele município mobilizou os donos de pousadas e moradores dos bairros rurais, às margens do caminho, para dar apoio aos visitantes. Segundo o secretário de Turismo e Cultura do município de Cristina, Rafael Rezek, 3 reuniões foram feitas para preparar a cidade para o turismo religioso que o “Caminho de Nhá Chica” poderá alavancar. “É uma tendência mundial. Esse tipo de turismo atrai um público que consome de forma sustentável”, disse Rezek, enfatizando que a cidade está se preparando para receber mais turistas a partir desta inciativa. “A prefeitura está fazendo a sinalização do caminho e as pousadas já se cadastraram para receberem os peregrinos”, contou o gestor.

O “marco zero” do caminho

Logo após a beatificação de Nhá Chica, em 2013, surgiu a ideia de construir uma capela em honra à Beata, em Inconfidentes. A homenagem se materializou em julho de 2017, no Bairro Romas, zona rural do município. Não por acaso, a capela foi erguida no quilômetro 230 do Caminho da Fé, rota religiosa que inspirou os criadores do trajeto que homenageia a santa de Baependi.

A construção resultou de um mutirão da família "Roma", esforço que deu forma a uma arquitetura rústica, pensada assim para reproduzir a antigas casas de Minas Gerais. No dia 20 de julho de 2017, a capela recebeu as bênçãos do pároco de Inconfidentes, padre Antônio Brentegani. A época, o religioso ressaltou a simplicidade de Nhá Chica e a nova possibilidade aberta aos peregrinos com a construção da capela: “Aqui os peregrinos vão rezar e conhecer melhor a vida e as virtudes desta mulher simples”, considerou.

Hoje, a capela é um ponto importante de oração e apoio aos peregrinos do Caminho da Fé.

Mas a devoção por Nhá Chica levou os fiéis a projetarem um novo passo. Durante a primeira missa na capela, em 2018, surgiu a ideia de criar o trajeto religioso dedicado a ela. Desde então, o grupo se organizou em Inconfidentes para concretizar o projeto, o que finalmente aconteceu neste mês de junho.

Turismo de Fé

De acordo com a Associação dos Amigos do Caminho da Fé, somente em 2018, 10 mil peregrinos passaram por Inconfidentes, com destino ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no Estado de São Paulo. Esses grupos ajudam a movimentar pousadas, restaurantes, usando as estruturas do Município e comércio local, o que movimenta a economia da cidade.

“Além de reforçar a fé, esses grupos contribuem muito para a economia do Município, pois dormem na cidade, ficam em nossas pousadas, jantam em nossos restaurantes e compram em nosso comércio. Também são divulgadores do nosso Município, levando o nome de Inconfidentes por meio dos registros fotográficos e imagens que ficam em suas memórias, seja pelas belas paisagens ou pelos atrativos turísticos, como nossas árvores de crochê”, destacou a chefe do Setor de Cultura e Turismo, Camila Ferreira.  

 

 

 

Publicado no dia 11/06/2019