Participantes apresentam os relatórios dos círculos menores com propostas para o documento final
Depois de se reunirem em 12 círculos menores, os participantes do Sínodo para Amazônia entregaram seus relatórios com as propostas para o documento final que será entregue ao Papa Francisco. Esses documentos não são conclusivos, serão discutidos ao longo da próxima semana até o fim dos trabalhos no dia 26 de outubro. O momento dos círculos menores foi a oportunidade de os participantes formarem pequenos grupos de aprofundamento, nos quais os padres sinodais foram subdivididos para discutir temáticas específicas.
Veja, abaixo, algumas das propostas:
Diálogo ecumênico e reconhecimento que a Igreja não é uma ONG
A Igreja tem a tarefa de acompanhar o trabalho dos defensores dos direitos humanos, muitas vezes criminalizados pelas autoridades públicas. Ao mesmo tempo, deve evitar ser confundida com uma ONG. Esse risco, junto com o de se apresentar sob um disfarce puramente ritualístico, muitas vezes causa a saída de tantos fiéis, que buscam respostas para sua sede de espiritualidade, para seitas religiosas ou outras confissões. O pedido é para prosseguir o diálogo ecumênico e inter-religioso.
Ministerialidade, leigos e rejeição ao clericalismo
Reforçou-se a importância de um ministério de presença, que evite todo clericalismo. Nesse sentido, é encorajada a atuação mais presente dos leigos. Em quase todos os círculos menores, o pedido vem para aprofundar o significado de “Igreja Ministerial”, que é uma Igreja onde responsabilidade e compromisso dos leigos coexistem. Por exemplo, um círculo propõe que ministérios equivalentes sejam dados a homens e mulheres, evitando, contudo, o risco de clericalizar os leigos. Em nível geral, propõe uma reflexão cuidadosa sobre os ministérios da Palavra, para que sejam bem-vindas as mulheres, religiosas ou leigas, devidamente treinadas e preparadas.
Sacerdócio e a proposta dos padres casados na Amazônia (viri probati)
Nessa temática, as perspectivas diferem entre um grupo de trabalho e outro. Foi salientado que o valor do celibato, um presente a ser oferecido às comunidades indígenas, não está em questão. Um dos círculos, de língua italiana, alerta contra o risco de que esse valor seja enfraquecido ou que a introdução de viri probati possa enfraquecer a missão missionária da Igreja Universal a serviço das comunidades mais distantes. A maioria dos relatórios, principalmente os de língua espanhola e portuguesa, visando uma Igreja “de presença” ao invés de “visita”, expressou-se favorável a conferir o presbitério a homens casados, de boa reputação, preferencialmente nativos, escolhidos das comunidades de origem, mas em condições específicas. Ressalta-se que esses sacerdotes não devem ser considerados de segunda ou terceira categoria, mas como verdadeiras vocações sacerdotais. Solicitou-se não se esquecer do drama das muitas populações que atualmente recebem os sacramentos na Amazônia uma ou duas vezes por ano; também foi pedido que se fortalecesse nas comunidades locais a conscientização de que não apenas a Eucaristia, mas também a Palavra representam um alimento espiritual para os fiéis.
Crise vocacional e formação sacerdotal
Considerando a amplitude do território amazônico e a escassez de ministros, foi levantada a hipótese de criação de um fundo regional para a sustentabilidade da evangelização. Além disso, o círculo de língua italiana expressou “perplexidade” sobre “a falta de reflexão sobre as causas que levaram à proposta de superar o celibato sacerdotal de alguma forma, como expresso pelo Concílio Vaticano II e pelo subsequente magistério”. Ao mesmo tempo, espera-se uma formação permanente no ministério destinada ao sacerdote para Cristo e exorta-se o envio de missionários à Amazônia que atualmente exercem o ministério sacerdotal na parte norte do mundo. Em face da crise vocacional, os círculos menores observam uma diminuição substancial na presença de religiosos na Amazônia e pedem uma renovação da vida religiosa, que, sob o ímpeto da Confederação Latino-Americana de Religiosos, CLAR, promovida com ardor, principalmente no que diz respeito à vida contemplativa.
Os olhos também se concentraram na formação dos leigos: é integral e não apenas doutrinal, baseada na doutrina social da Igreja e leva à experiência e encontro com o Ressuscitado. Ao mesmo tempo, propõe-se fortalecer a formação de padres: não é apenas acadêmica, deve ocorrer nos territórios amazônicos e prever experiências concretas da Igreja em saída, ao lado dos que sofrem, nas prisões ou nos hospitais. Também foi pedido o estabelecimento de seminários indígenas onde a teologia local pudesse ser estudada e aprofundada.
Mulher e diaconato
O tema das mulheres está presente várias vezes com a intenção de reconhecer o grande valor oferecido pela presença feminina em seu serviço específico à Igreja na Amazônia. Solicita-se garantir, por exemplo, no local de trabalho, o respeito pelos direitos da mulher e a superação de qualquer tipo de estereótipo. O pedido para prestar atenção à questão do diaconado para mulheres na perspectiva do Vaticano II surgiu na maioria dos círculos menores, considerando que muitas funções desse ministério já são realizadas por mulheres na região. Em mais de uma intervenção, no entanto, foi sugerido que o assunto deveria ser estudado em outra assembleia de bispos, na qual as mulheres pudessem ter poder de voto.
Igreja que caminha do lado dos pobres e contra todas as formas de violência
Um imperativo para a Igreja é ouvir o clamor dos povos e da terra; não fique calado, fique do lado dos pobres para não cometer erros e dizer “basta de violência”. A realidade violenta na Amazônia tem várias faces: violência em prisões superlotadas; abuso e exploração sexual; violação dos direitos dos povos indígenas; assassinato de defensores territoriais; tráfico de drogas; extermínio da população jovem; tráfico de pessoas; cultura do feminicídio e machista; genocídio, biopirataria, etnocídio e todos os males a serem combatidos porque matam a cultura e o espírito. Condena-se a violação sistemática relacionada ao desmatamento, que é clara. Alguns grupos destacaram a conexão entre abuso contra os mais fracos e abuso contra a natureza. Entre as várias emergências destacadas, foi dado amplo espaço ao tema da crise climática.
Novo caminho sinodal e universal
As propostas foram unânimes em expressar a esperança de que um novo caminho sinodal se desenvolva na Amazônia e que, a partir da assembleia de bispos no Vaticano, exista uma ardente paixão missionária própria de uma verdadeira Igreja em saída. A esperança é que a forma de viver na Amazônia se encontre com a experiência das bem-aventuranças: de fato, à luz da Palavra de Deus, ela atinge sua plena realização. Nas propostas, os participantes destacam: o Sínodo para Amazônia não é apenas regional, mas universal, porque o que acontece na Amazônia preocupa o mundo inteiro.
Observatório Eclesial Internacional de Direitos Humanos
São os nativos que pagam o preço mais alto com suas vidas, porque não são assistidos, não são protegidos em seus territórios. É por isso que mais de um círculo menor pediu a criação de um Observatório Internacional de Direitos Humanos, acreditando que a defesa dos povos e da natureza deve ser prerrogativas da ação eclesial e pastoral. Também foi sugerido que as paróquias criem espaços que promovam segurança a crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis. O direito à vida de todos é reafirmado desde a concepção até a morte natural.
Diálogo intercultural e inculturação
Os círculos menores pedem para se consolidar uma teologia e um cuidado pastoral com um rosto indígena. O diálogo intercultural e a inculturação não são antitéticos. A tarefa da Igreja não é decidir pelo povo amazônico ou assumir uma posição de conquista, mas acompanhar, caminhar junto em uma perspectiva sinodal de diálogo e escuta. Por exemplo, a proposta de introduzir um “Rito Amazônico”, que permita desenvolver-se sob o aspecto espiritual, teológico, litúrgico e disciplinar a riqueza singular da Igreja Católica na região, está avançada. Conforme explicado em um dos relatórios, “símbolos e gestos das culturas locais podem ser valorizados na liturgia da Igreja na Amazônia, preservando a unidade substancial do rito romano, uma vez que a Igreja não deseja impor uma rígida uniformidade naquilo que não afeta a fé” .
Também é sugerida a promoção do conhecimento da Bíblia, favorecendo sua tradução para os idiomas locais. Nessa perspectiva, foi proposta a criação de um Conselho Eclesial da Igreja Amazônica, uma estrutura eclesiástica ligada a Celam, Repam e às Conferências Episcopais dos países amazônicos. “A cosmovisão amazônica – afirma-se em um dos relatórios – tem muito a ensinar ao mundo ocidental dominado pela tecnologia, muitas vezes a serviço da idolatria do dinheiro”. Os povos amazônicos consideram seu território sagrado: deve-se incentivar uma reflexão sobre o valor espiritual do bioma, a biodiversidade e o direito à terra. Por outro lado, a proclamação do Evangelho e a originalidade da vitória de Cristo sobre a morte, respeitando a cultura dos povos, devem ser consideradas um elemento essencial para abraçar e entender a cosmovisão amazônica.
Missionário e martírio
O missionário é chamado a despir-se da mentalidade colonial, superar os preconceitos étnicos, respeitar os costumes, rituais e crenças. As manifestações com as quais os povos expressam a fé são apreciadas, acompanhadas e promovidas. Sugeriu-se a criação de um Observatório Social Pastoral Amazônico, em coordenação do Celam, com as comissões de justiça e paz das dioceses e a Repam. Luzes e sombras devem ser reconhecidas na história da Igreja na Amazônia. É preciso fazer uma distinção entre a Igreja “indigenista”, que considera os nativos como receptores passivos da pastoral e a Igreja “indígena” que os inclui como protagonistas de sua própria experiência de fé, segundo o princípio “Salvar a Amazônia com a Amazônia”. Também é importante valorizar o exemplo luminoso dado por muitos missionários e mártires que deram a vida na Amazônia por causa do evangelho. Um dos círculos propõe incentivar os processos de beatificação dos mártires da Amazônia.
Migração, juventude e cidades
As populações em isolamento voluntário não são esquecidas. Segundo as propostas devem ser acompanhadas pelo trabalho de equipes missionárias itinerantes. Espaço também para o tema da imigração, especialmente de jovens. Hoje 80% da população amazônica está nas cidades. Fenômeno que frequentemente afeta negativamente na perda de identidade cultural, marginalização social, desintegração ou desestabilização familiar. A evangelização de centros urbanos está se tornando cada vez mais urgente, mas o cuidado pastoral deve se adaptar às circunstâncias sem esquecer as favelas, os subúrbios e as realidades rurais. Há também uma necessidade urgente de um ministério para jovens renovado. Na frente pedagógica, pede-se à Igreja que promova decisivamente a educação intercultural bilíngue e incentive uma aliança de redes universitárias especializadas em ciências da Amazônia e no ensino superior intercultural para os povos indígenas.
Proteção da Criação e dimensão ecológica
A dimensão ecológica é central nos círculos menores, onde é reiterado que a Criação é uma obra-prima de Deus, que toda a criação está relacionada. Pede-se para não se esquecer que “uma verdadeira conversão ecológica começa na família e passa de uma conversão pessoal para um encontro com Jesus”. A partir dessa premissa, é imperativo abordar as questões mais práticas, como mudanças climáticas e emissões de CO2. Um estilo de vida mais sóbrio é incentivado e a proteção de bens preciosos incomparáveis, como a água, um direito humano fundamental que, se privatizado ou contaminado, corre o risco de comprometer a vida de comunidades inteiras. Destaca-se também o valor das plantas medicinais, bem como o desenvolvimento de projetos sustentáveis, por meio de cursos que levam ao conhecimento dos segredos e sacralidades da natureza segundo a visão amazônica. Alguns círculos propõem desenvolver projetos de reflorestamento no âmbito de escolas de treinamento em técnicas agrícolas.
Pecado ecológico e a promoção de uma economia solidária
Há a dupla proposta de inserir o tema da ecologia integral nas diretrizes das Conferências Episcopais e de incluir na Teologia Moral o respeito pela Casa Comum e os pecados ecológicos, também por meio de uma revisão dos manuais e rituais do Sacramento da Penitência. A humanidade está caminhando para o reconhecimento da natureza como sujeito da lei. “A visão antropocêntrica utilitária é obsoleta e o homem não pode mais sujeitar os recursos da natureza a uma exploração ilimitada que põe em perigo a própria humanidade”. É necessário contemplar a imensa coleção de formas de vida do planeta em relação umas às outras, promovendo também um modelo de economia solidária e estabelecendo um ministério para o cuidado da Casa Comum.
Sínodo na Amazônia e comunicação
Finalmente, alguns relatórios deram espaço ao tópico da mídia. As redes de comunicação católica são incentivadas a colocar a Amazônia no centro das atenções, a divulgar boas notícias e a denunciar todos os tipos de agressão à mãe terra e a anunciar a verdade. Também foi proposto o uso de redes sociais, web rádio, web TV e comunicação via rádio a fim de disseminar as conclusões deste Sínodo. A esperança é que o Sínodo, com a força do “rio Amazonas”, transborde com os muitos dons e ideias oferecidos à reflexão dos padres sinodais e que, a partir dessa experiência de caminhar juntos, novos caminhos possam surgir para a evangelização e a ecologia integral.
Província Eclesiástica emite Carta ao Povo de Deus
Durante a 5ª Assembleia Pastoral da Províncial Eclesiástica de Pouso Alegre, realizada entre os dias 14 e 16 de outubro, os bispos das dioceses de Campanha, Guaxupé e Pouso Alegre, os coordenadores de pastorais e de setores, secretários de pastorais e assessores eclesiásticos do setor juventude emitiram uma mensagem a todos os fiéis. Essa carta quer estimular a todos na perseverança pastoral e unidade da Igreja.
"Sentimos a necessidade de fazer ressoar as palavras do Papa Francisco ao iniciar os trabalhos da Assembleia Especial do Sínodo para a Amazônia: “Viemos para contemplar, entender, servir os povos. E fazemos isso seguindo um caminho do sínodo, fazemos no sínodo, não em mesas redondas, não em conferências e discussões posteriores: fazemos no sínodo, porque um sínodo não é um parlamento, não é um salão, não está demonstrando quem tem mais poder na mídia e com mais poder na rede, para impor qualquer ideia ou plano", diz a carta.
Leia a mensagem na íntegra:
PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA DE POUSO ALEGRE - MG
ARQUIDIOCESE DE POUSO ALEGRE
DIOCESE DA CAMPANHA
DIOCESE DE GUAXUPÉ
Nós, bispos, padres coordenadores e secretárias de pastoral, vigários forâneos, coordenadores de setores e assessores eclesiásticos do Setor Juventude das dioceses de Pouso Alegre, Campanha e Guaxupé, nos reunimos no 5º Encontro Provincial de Animação Pastoral, em Poços de Caldas (MG), nos dias 14 a 16 de outubro de 2019. O encontro deste ano valoriza duas temáticas relevantes para a evangelização na atualidade: o Setor Juventude e o Sínodo para a Amazônia.
Iluminadas pelo Sínodo da Juventude, ocorrido em 2018, nossas realidades diocesanas têm buscado ter um olhar de acompanhamento aos seguimentos juvenis em suas diversas identidades, respeitando-as e lutando por uma maior comunhão entre elas, mediante um trabalho árduo do Setor Juventude. Conscientes dos muitos desafios desta evangelização específica e da importância da mesma para a Igreja, buscamos pistas para dar continuidade a este trabalho.
Sentimos a necessidade de fazer ressoar as palavras do Papa Francisco ao iniciar os trabalhos da Assembleia Especial do Sínodo para a Amazônia: “Viemos para contemplar, entender, servir os povos. E fazemos isso seguindo um caminho do sínodo, fazemos no sínodo, não em mesas redondas, não em conferências e discussões posteriores: fazemos no sínodo, porque um sínodo não é um parlamento, não é um salão, não está demonstrando quem tem mais poder na mídia e com mais poder na rede, para impor qualquer ideia ou plano. (...) O Sínodo está caminhando junto sob a inspiração e orientação do Espírito Santo. O Espírito Santo é o ator principal do sínodo”.
Exortamos os fiéis de nossas comunidades a se informar e a acolher, sem temor, o Sínodo dos Bispos como lugar de comunhão e colegialidade com o legítimo sucessor de Pedro e com os bispos. Recomendamos que conheçam melhor a Igreja presente na região Pan-Amazônica e seus desafios, refletindo as propostas sinodais e os novos caminhos que surgirão do Sínodo. Bebamos em fontes de água pura e aguardemos, com alegria e esperança, as conclusões da Assembleia Especial e seus encaminhamentos.
Manifestamos nossa obediência filial e fraternal ao Santo Padre, renovamos nossa comunhão com ele e com os bispos reunidos no Sínodo e nossa fidelidade ao Magistério da Igreja.
Suplicamos à Virgem Maria, Senhora Aparecida, e ao jovem patrono da Ecologia, São Francisco de Assis, que intercedam pelo caminho que estamos percorrendo juntos (synhodòs) como Igreja em saída no Sul de Minas.
Cum Petro et sub Petro.
(Com Pedro e sob Pedro)
Poços de Caldas, 16 de outubro de 2019.
Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R
Arcebispo de Pouso Alegre
Dom Pedro Cunha Cruz
Bispo da Campanha
Dom José Lanza Neto
Bispo de Guaxupé
Sínodo para a Amazônia e juventude são temas de reflexão em assembleia pastoral provincial
Terminou nesta quarta-feira (16) o 5° Encontro Provincial de Animação Pastoral da Província Eclesiástica de Pouso Alegre. O encontro teve início no dia 14 e ocorreu em Poços de Caldas. Participaram os bispos das três dioceses do sul de Minas Gerais (Campanha, Guaxupé e Pouso Alegre), os padres coordenadores de pastoral e vigários forâneos, as secretárias de pastoral e os padres assessores do Setor Juventude.

Participantes pela Arquidiocese de Pouso Alegre
Entre os objetivos do encontro estiveram a partilha da caminhada pastoral, o desenvolvimento de ações comuns para a evangelização e a convivência fraterna. O encontro deste ano valorizou duas temáticas em pauta na evangelização atualmente: o Sínodo para a Amazônia e a Juventude.
A abertura oficial ocorreu com uma celebração eucarística na Basílica Nossa Senhora da Saúde.
Os trabalhos tiveram início com uma reflexão sobre o Sínodo da Amazônia, coordenada pelo padre José Augusto da Silva, professor da Faculdade Católica de Pouso Alegre. O assessor citou o itinerário eclesial que culminou na realização do Sínodo para a Amazônia, com destaque às conferências do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) e ao trabalho da Rede Pan-Amazônica (Repam).
Os participantes puderam se aprofundar na análise do Instrumento de Trabalho do Sínodo e debater sobre os principais assuntos que envolvem a evangelização da Amazônia e as implicações que tudo isso gera para a Igreja no sul de Minas Gerais.
Na segunda parte do encontro, o padre Vinícius Pereira Silva, assessor da Juventude da Diocese de Guaxupé, apresentou as perspectivas de trabalho pastoral para o Setor Diocesano da Juventude. O padre lembrou a responsabilidade eclesial de toda a comunidade na evangelização da juventude, destacando o projeto IDE da Comissão Episcopal para a Juventude.
Além da exposição do processo de desenvolvimento pastoral do Setor Juventude, os participantes, divididos em diocese, tiveram um momento de partilha sobre as atividades do Setor Diocesano da Juventude de cada uma delas.
Província Eclesiástica realiza encontro de animação pastoral

A Província Eclesiástica de Pouso Alegre, que abrange as dioceses de Campanha, Guaxupé e Pouso Alegre, realiza entre os dias 14 e 16 de outubro o 5ª Encontro de Animação Pastoral. O encontor ocorrem em Poços de Caldas e aborda duas temáticas: o Sínodo para a Amazônia e sua relação com o Sul de Minas e a temática sobre a Juventude e sua ação evangelizadora.
Pela arquidiocese de Pouso Alegre participam o arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., e o coordenador de pastoral, padre Mauro Ricardo de Freitas, e os coordenadores dos setores pastorais, padre Leandro Edevaldo, padre Edson Aparecido da Silva, padre Dirlei Abércio da Rosa, padre Paulo Roberto de Andrade, padre Marcos Vinícius da Silva, padre Lucimar Pereira Goulart, padre Clemildes de Paiva, Cônego Simão Cirineo, padre Marcos Eduardo Caliari e a secretária de pastoral, Lucimara do Carmo.
Santa Dulce dos pobres: a fé faz milagres quando saímos de nós mesmos
Irmã Dulce é santa. A celebração litúrgica com o rito da canonização reuniu cerca de 50 mil pessoas na Praça São Pedro. Com o “Anjo bom da Bahia”, foram canonizados também João Henrique Newman, Josefina Vannini, Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, e Margarida Bays.
A cerimônia teve início com o rito da canonização: o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Becciu, acompanhado dos postuladores, foi o Santo Padre e pediu que se procedesse à canonização dos beatos.
O Cardeal apresentou brevemente a biografia de cada um deles, que foram então declarados santos. Seguiu a ladainha dos santos e o Pontífice leu a fórmula de canonização.
O prefeito da Congregação, sempre acompanhado dos postulares, agradeceu ao Santo Padre e o coral entoou o canto do Glória.
Invocar
Na homilia, o Papa Francisco comentou o Evangelho deste 28º Domingo do Tempo Comum, que narra a cura de 12 leprosos.
"A tua fé te salvou" (Lc 17, 19): este é o ponto de chegada do Evangelho de hoje, que nos mostra o caminho da fé. Neste percurso, afirmou o Papa, vemos três etapas cumpridas pelos leprosos curados, que invocam, caminham e agradecem.
Primeiro, invocar. Assim como hoje, os leprosos sofrem, além pela doença em si, pela exclusão social. No tempo de Jesus, eram considerados impuros e, como tais, deviam estar isolados, separados. Eles invocam Jesus "gritando" e o Senhor ouve o grito de quem está abandonado.
“ Também nós – todos nós – necessitamos de cura, como aqueles leprosos. Precisamos de ser curados da pouca confiança em nós mesmos, na vida, no futuro; curados de muitos medos; dos vícios de que somos escravos; de tantos fechamentos, dependências e apegos: ao jogo, ao dinheiro, à televisão, ao celular, à opinião dos outros. O Senhor liberta e cura o coração, se O invocarmos", disse o papa.
A fé cresce assim, prosseguiu o Papa, com a invocação confiante. “Invoquemos diariamente, com confiança, o nome de Jesus: Deus salva. Repitamo-lo: é oração. A oração é a porta da fé, a oração é o remédio do coração.”

Fotos: VaticanNews
Caminhar
Caminhar é a segunda etapa. Os leprosos são curados não quando estão diante de Jesus, mas depois enquanto caminham.
“ É no caminho da vida que a pessoa é purificada, um caminho frequentemente a subir, porque leva para o alto. A fé requer um caminho, uma saída; faz milagres, se sairmos das nossas cômodas certezas, se deixarmos os nossos portos serenos, os nossos ninhos confortáveis", refletiu.
Outro aspecto ressaltado pelo Papa foi o plural dos verbos: “a fé é caminhar juntos, jamais sozinhos”. Mas, uma vez curados, nove continuam pela sua estrada e apenas um regressa para agradecer. E Jesus então pergunta: "Onde estão os outros nove?".
“Constitui nossa tarefa ocuparmo-nos de quem deixou de caminhar, de quem se extraviou: somos guardiões dos irmãos distantes. Quer crescer na fé? Ocupa-se dum irmão distante.”
Agradecer
Agradecer é a última etapa. Ao leproso curado, Jesus diz: "A tua fé te salvou".
“ Isto diz-nos que o ponto de chegada não é a saúde, não é o estar bem, mas o encontro com Jesus. ”
O ponto culminante do caminho de fé é viver dando graças. O Papa então questionou:
Nós, que temos fé, vivemos os dias como um peso a suportar ou como um louvor a oferecer? Ficamos centrados em nós mesmos à espera de pedir a próxima graça, ou encontramos a nossa alegria em dar graças? Agradecer não é questão de cortesia, de etiqueta, mas questão de fé.
Dizer "obrigado, Senhor", ao acordar, durante o dia, antes de deitar, é antídoto ao envelhecimento do coração.
O motivo pelo qual agradecer hoje são os novos Santos, que caminharam na fé e agora invocamos como intercessores. Três deles, disse o Papa, são freiras, como Irmã Dulce, e mostraram que a vida religiosa é um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo.
Variedade de temas sobre o caminhar juntos integram o segundo resumo do Sínodo
Vários foram os temas abordados no segundo briefing sobre o Sínodo para a Amazônia, realizado na manhã desta terça-feira (08/10), pelos relatores : o cardeal Pedro Ricardo Barreto Jimeno, arcebispo de Huancayo, no Peru, Victoria Lucia Tauli-Corpuz, relatora especial das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas, Moema Maria Marques de Miranda, assessora da REPAM e de “Igrejas e mineração”, no Brasil, Paolo Ruffini e pe. Giacomo Costa.
Não devemos ter medo de opiniões diferentes e são testemunhas disso São Pedro e São Paulo na questão da circuncisão. O cardeal Pedro Ricardo Barreto Jimeno recordou isso, dando uma chave importante para entender profundamente o Sínodo que, como Paolo Ruffini também sublinhou, é um espaço para discernir juntos, em oração, não em discussão. Uma riqueza de opiniões e também de temas destaca o pe. Giacomo Costa, secretário da Comissão de Informação: neste momento passamos de um tema para outro com pronunciamentos de 4 minutos, não há um discurso contínuo.
“Antes de tudo, existe um espaço amplo para o tema da formação de leigos e sacerdotes a fim de nutrir as comunidades eclesiais locais”, disse o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, lembrando que todo padre sinodal expressa seu ponto de vista. Portanto, existem nuances e também posições diferentes em algumas questões como a “viri probati”: todos reconhecem que há uma demanda de sacerdotes em relação à amplitude do território e procura-se uma resposta. No entanto, a questão fundamental é que não haja católicos de primeira e segunda classe, quem pode participar da Eucaristia e quem não é.
O pedido de uma presença permanente e não apenas de visita vem de comunidades onde não há pessoas que possam celebrar a Eucaristia. Basta pensar que em territórios grandes quanto a Itália existem 60-70 sacerdotes, e algumas comunidades veem um sacerdote uma vez por ano e às vezes nem isso. Entre as propostas apresentadas está a dos diáconos locais temporários. Foi enfatizada a necessidade de não cair numa visão funcionalista do sacerdócio. Dentre outros temas: inculturação, Igreja com rosto indígena, ecologia integral, por uma cultura de sustentabilidade contra o extrativismo.
Em seu discurso, o cardeal Barreto, que também é vice-presidente da Rede Eclesial Pan- amazônica, recordou que a Igreja se preocupa não somente a partir de agora: “Em 1741, Bento IX escreveu uma carta acompanhando o sofrimento dos povos indígenas, São Pio X escreveu uma Encíclica a favor dos índios para o problema dos caucheros, exploradores de caucciùv. Houve, portanto, muitos mártires, mas também sombras. O anúncio do Evangelho nunca pode ser imposto e o Papa Francisco está convidando a Igreja e o mundo a ouvir”, observou ainda, “enfatizando nesse sentido a importância da figura de São Francisco de Assis e a esperança. Respondendo à pergunta de um jornalista que falou sobre cerca de vinte povos amazônicos que praticam infanticídio, o cardeal Barreto afirmou que nem tudo é flores entre os povos originários, mas que nunca ouviu falar que, neste momento, existam 20 povos amazônicos que praticam infanticídio. Ele ressaltou, no entanto, que toda vida humana é sagrada, e se alguém afirma dentro da Igreja que essas práticas são possíveis, está negando a essência do Evangelho.
Victoria Lucia Tauli-Corpuz, relatora especial da ONU sobre os direitos dos povos indígenas, proveniente das Filipinas, e convidada especial, testemunhou o sofrimento dos povos indígenas. Ela relatou sua experiência nessas regiões e os vários problemas: do mercúrio no sangue das crianças aos lugares onde o rio secou devido a uma represa, até a experiência no Equador de poços de petróleo. Expressou, portanto, a convicção de que a Igreja deve falar ao mundo e que os indígenas devem ser protegidos.
Moema Maria Marques de Miranda, leiga franciscana, falou com vigor sobre as feridas, destacando a oportunidade representada por este Sínodo: um diálogo profundo e a escuta do que provém do cristianismo, da ciência e dos povos indígenas que podem nos ensinar a conviver e defender o planeta, vivendo por milênios na floresta. Portanto, se por um lado, existe um projeto de extração e desmatamento, por outro, delineia-se a possibilidade de um projeto sustentável.
Na parte da tarde, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, ressaltou “em relação à pergunta feita hoje durante o briefing sobre a presença de representantes das Nações Unidas no sínodo”, que “no passado houve dois convidados especiais, especificamente na Assembleia Especial para a África, em 2009”: Rodolphe Adada, ex-representante especial conjunto do secretário-geral das Nações Unidas e presidente da Comissão da União Africana, em Darfur, e Jacques Diouf, diretor-geral do Fundo das Nações para a Alimentação e Agricultura (FAO).
LUTO: Morre dom Serafim, arcebispo emérito de Belo Horizonte
Com informações da arquidiocese de BH -
A arquidiocese de Pouso Alegre se une em oração aos fiéis da Igreja Particular de Belo Horizonte que na manhã desta terça-feira (8) receberam a notícia do falecimento de seu arcebispo emérito, dom Serafim Fernandes de Araújo, com 95 anos de idade.
Em nota oficial, a arquidiocese de BH relembrou a expressão de dom Serafim, "na palma da mão de Deus", para expressar sua esperança na ressurreição.

"O arcebispo dom Walmor e os bispos auxiliares, em oração, estão unidos aos familiares, amigos e fiéis de toda a Arquidiocese de Belo Horizonte para se despedir de dom Serafim. “Na palma da mão de Deus”, expressão tão, bonita, tão marcante, muitas vezes dita, de forma serena, por dom Serafim, é o lugar onde hoje o nosso Arcebispo Emérito descansa. 'O cardeal dom Serafim Fernandes de Araújo é presença admirável no coração do amado povo de Deus. Ao longo de mais de cinquenta anos de dedicação à Arquidiocese de Belo Horizonte, o cardeal deixa um legado de especiais feitos. Sua caminhada missionária fez crescer no coração de cada pessoa, principalmente cristãos católicos de nossa amada Arquidiocese, o amor a Jesus Cristo e à Igreja. Por isso também, no coração de todos estará sempre a gratidão, a admiração e o respeito por dom Serafim'. (Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte)".
Vida dedicada à Igreja
Dom Serafim Fernandes de Araújo nasceu em 13 de agosto de 1924 em Minas Novas (MG). Foi o terceiro arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, sucedendo dom João Resende Costa, no governo da Arquidiocese de Belo Horizonte, em 5 de fevereiro de 1986. Viveu sua infância em Itamarandiba e aos 12 anos de idade foi estudar no Seminário de Diamantina, onde se formou em Humanidades em 1942 e em Filosofia em 1944.
Foi escolhido para ir estudar em Roma, onde fez mestrado em Teologia e Direito Canônico na Pontifícia Universidade Gregoniana. Ordenado padre no dia 12 de março de 1949, na Catedral de São João Latrão, em Roma, retornou ao Brasil em 1951. Foi pároco em Gouveia (MG), onde ficou de 1951 a 1957. Nesse mesmo período, exerceu ministério de capelão da Companhia Industrial de São Roberto. De 1956 a 1957, assumiu o posto de capelão militar do 3º Batalhão Militar da Polícia Militar de Minas Gerais. Também foi diretor de Ensino Religioso da Arquidiocese de Diamantina e professor de Direito Canônico no Seminário Provincial.
Em Curvelo, onde foi pároco em 1957 e cônego de 1958 a 1959, também atuou como professor em várias escolas. Sagrado bispo em 7 de maio de 1959, com apenas 34 anos (foi o mais novo bispo do Brasil), transferiu-se para Belo Horizonte para ser auxiliar de dom João Resende Costa. Assumiu também os cargos de vigário geral, administrador e diretor de Ensino Religioso da Arquidiocese, além de tornar-se professor de Cultura Religiosa da PUC Minas. A partir de 1960, dom Serafim toma posse como reitor da PUC Minas.
Dom Serafim participou do Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965. O Cardeal também viajou para vários países, em visita a universidades, para participar de seminários e congressos sobre educação. Entre 1978 e 1981, foi membro do Conselho Federal de Educação.
Ministério na Arquidiocese de Belo Horizonte
A posse como arcebispo coadjuntor – com direito à sucessão do arcebispo de Belo Horizonte – ocorreu no dia 31 de março de 1983, no Ginásio do Mineirinho. Em 1986, dom Serafim tomou posse como arcebispo metropolitano, sucedendo dom João Resende Costa.
Nomeado cardeal em 18 de janeiro de 1998. A cerimônia de início do seu percurso como cardeal foi celebrada nos dias 21 e 22 de fevereiro de 1998 pelo Papa João Paulo II. Tornou-se arcebispo emérito de Belo Horizonte em 2004, quando dom Walmor Oliveira de Azevedo assumiu o governo da Arquidiocese de Belo Horizonte.
Papa Francisco abre o Sínodo Pan-Amazônico em Roma
Por: Vatican News - O Papa Francisco na missa celebrada na manhã do último domingo (06/10) na Basílica de São Pedro, fez a abertura da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, evento eclesial que se realizará no Vaticano até o dia 27 deste mês, com o tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. No início da celebração, a longa procissão de entrada com os 185 padres sinodais, 58 do Brasil. Na assembleia, também representantes de comunidades indígenas. A Eucaristia foi concelebrada com os treze novos cardeais, criados no Consistório presidido pelo Santo Padre no sábado à tarde.
Dirigindo-se aos padres sinodais, bispos provenientes não só da região Pan-Amazônica, mas também de outras regiões, Francisco, referindo-se à segunda carta de São Paulo a Timóteo proposta nesta liturgia do XXVII Domingo do Tempo Comum, ressaltou que o apóstolo Paulo, o maior missionário da história da Igreja, ajuda-nos a ‘fazer Sínodo’, a ‘caminhar juntos’; e que “parece dirigido a nós, Pastores ao serviço do povo de Deus, aquilo que escreve a Timóteo”, observou.
Recebemos um dom, para sermos dom, disse o Pontífice, acrescentando:
“Um dom não se compra, não se troca nem se vende: recebe-se e dá-se de prenda. Se nos apropriarmos dele, se nos colocarmos a nós no centro e não deixarmos no centro o dom, passamos de Pastores a funcionários: fazemos do dom uma função, e desaparece a gratuidade; assim acabamos por nos servir a nós mesmos, servindo-nos da Igreja.”
A nossa vida, dom recebido, é para servir, continuou. “Colocamos toda a nossa alegria em servir, porque fomos servidos por Deus: fez-Se nosso servo. Queridos irmãos, sintamo-nos chamados aqui para servir, colocando no centro o dom de Deus”, exortou Francisco.
Para sermos fiéis a este chamado, à nossa missão, enfatizou, “São Paulo lembra-nos que o dom deve ser reaceso. O verbo usado é fascinante: reacender é, literalmente, ‘dar vida a uma fogueira’”, explicou o Papa. “O dom que recebemos é um fogo, é amor ardente a Deus e aos irmãos. O fogo não se alimenta sozinho; morre se não for mantido vivo, apaga-se se a cinza o cobrir.”
Em seguida, o Pontífice fez uma premente exortação aos Pastores a serviço do povo de Deus: “A Igreja não pode de modo algum limitar-se a uma pastoral de “manutenção” para aqueles que já conhecem o Evangelho de Cristo. O ardor missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial. Jesus veio trazer à terra, não a brisa da tarde, mas o fogo. O fogo que reacende o dom é o Espírito Santo, doador dos dons.”
“Muitos irmãos e irmãs na Amazônia carregam cruzes pesadas e aguardam pela consolação libertadora do Evangelho, pela carícia de amor da Igreja. Por eles, com eles, caminhemos juntos”, disse o Papa Francisco na missa de abertura da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, celebrada na manhã deste domingo (06/10) na Basílica de São Pedro
“Reacender o dom no fogo do Espírito é o oposto de deixar as coisas correr sem se fazer nada. E ser fiéis à novidade do Espírito é uma graça que devemos pedir na oração. Ele, que faz novas todas as coisas, nos dê a sua prudência audaciosa; inspire o nosso Sínodo a renovar os caminhos para a Igreja na Amazônia, para que não se apague o fogo da missão.”
O fogo de Deus, como no episódio da sarça ardente, arde mas não consome). É fogo de amor que ilumina, aquece e dá vida; não fogo que alastra e devora. “Quando sem amor nem respeito se devoram povos e culturas, não é o fogo de Deus, mas do mundo. Contudo quantas vezes o dom de Deus foi, não oferecido, mas imposto! Quantas vezes houve colonização em vez de evangelização! Deus nos preserve da ganância dos novos colonialismos. O fogo ateado por interesses que destroem, como o que devastou recentemente a Amazônia, não é o do Evangelho. O fogo de Deus é calor que atrai e congrega em unidade. Alimenta-se com a partilha, não com os lucros.”
Francisco exortou a reacender o dom; receber a prudência audaciosa do Espírito, fiéis à sua novidade, acrescentando que o anúncio do Evangelho é o critério primeiro para a vida da Igreja. Convidando a olhar juntos para Jesus Crucificado, para o seu coração aberto por nós, o Santo Padre concluiu com mais uma exortação: “Muitos irmãos e irmãs na Amazônia carregam cruzes pesadas e aguardam pela consolação libertadora do Evangelho, pela carícia de amor da Igreja. Por eles, com eles, caminhemos juntos”.
Artigo: Igreja em estado permanente de missão
Ao longo dos séculos, a partir da prática e da reflexão teológica, a Igreja compreendeu que ela “é, por sua natureza, missionária” (AG 2). Esta afirmação do decreto conciliar Ad gentes, lembra que a missão tem sua origem em Deus que é Amor que não se contem, que transborda, que se auto comunica.

Passados 50 anos do grande evento conciliar, devemos reconhecer que a consciência da “natureza missionária da Igreja”, apesar de estar sempre presente na reflexão teológica e pastoral, não conseguiu transformar a prática eclesial e, tão pouco, realizar uma verdadeira conversão à missão. A Igreja, Povo de Deus, não se tornou ainda um povo missionário! O Papa Francisco, na Evangelii gaudium, retomou as conclusões de Aparecida quando afirmou que quer uma Igreja “em estado permanente de missão” (DAp 551).
Para reavivar a consciência batismal do Povo de Deus em relação a missão da Igreja, o Papa Francisco convocou e escolheu para o Mês Missionário Extraordinário (MME) o tema “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”. Despertar a consciência da missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral é o objetivo deste mês que está em sintonia com a solicitude pastoral do Papa Bento XV em Maximum Illud e a vitalidade missionária expressada pelo Papa Francisco na Evangelii Gaudium: “A ação missionária é o paradigma de toda obra da Igreja” (EG 15).
A idéia central neste processo de preparação para o MME é inserir dentro da programação ordinária e habitual das Igrejas locais, a temática e o espírito do mês missionário, visando à conversão pastoral missionária.
Será uma ocasião para despertar e animar as comunidades, “de modo que todos os fiéis tenham verdadeiramente a peito o anúncio do Evangelho e a transformação das suas comunidades em realidades missionárias e evangelizadoras; e aumente o amor pela missão, que “é uma paixão por Jesus e, simultaneamente, uma paixão pelo seu povo” (Carta do Papa Francisco ao Cardeal Filoni, 22 de outubro de 2017).
Será, igualmente, uma oportunidade para fortalecer os conselhos missionários na paróquia (COMIPA/GAM), na diocese (COMIDI) e nos regionais (COMIRE), como também dar um novo impulso aos projetos missionários das Igrejas irmãs e além-fronteiras. A feliz coincidência com o sínodo Pan-Amazônico será também ocasião para responder aos grandes desafios pastorais e sociais da missão na Amazônia.
O aspecto extraordinário deste mês está na convocação feita pelo Papa para todas as Igrejas Particulares do mundo. No Brasil, desde 1972 é organizada a Campanha Missionária no mês de outubro para reavivar nossa identidade missionária com abertura a missio ad gentes. As Pontifícias Obras Missionárias no Brasil preparam e enviam para todas as Igrejas particulares: a novena missionária, o cartaz, a oração missionária, o envelope para coleta e os vídeos com testemunhos missionários que neste ano serão veiculados em toda rede católica de rádio e TV.
Cada uma de nossas Arqui/dioceses e prelazias receberam um kit (uma réplica da cruz missionária do 5º Congresso Missionário Americano, bandeira com a logo internacional do MME e uma cópia do guia do Mês Missionário Extraordinário). Trata-se de um material de apoio, com a finalidade de motivar, inspirar e ajudar a celebrar e assumir com paixão missionária, este tempo de graça para nossas Igrejas locais. Que todas estas motivações nos ajudem a colher com alegria o convite do Papa Francisco a um renovado empenho missionário.
Dom Odelir José Magri, MCCJ
Bispo de Chapecó (SC)
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral
para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial
Divulgado o tema para o 54º Dia Mundial das Comunicações
A Sala de Imprensa da Santa Sé divulgou neste sábado, 28, o tema da Mensagem do Papa Francisco para o 54º Dia Mundial das Comunicações, celebrado em 2 de junho: "Para que contes aos teus filhos e aos teus netos. A vida se faz história”.
O tema escolhido é extraído de uma passagem do Livro do Êxodo (10,2): "Para que contes aos teus filhos e aos teus netos. A vida se faz história”.

Com este tema o Papa afirma que a herança da memória é particularmente preciosa na comunicação. Francisco recordou muitas vezes, que não há futuro sem o enraizamento na história vivida. Desta forma, ele nos leva a entender que a memória não deve ser considerada um "corpo estático", mas uma "realidade dinâmica". Através da memória, se dá a transmissão de histórias, esperanças, sonhos e experiências de uma geração à outra.
Este tema do próximo Dia Mundial das Comunicações também nos recorda que toda história nasce da vida, do encontro com o outro. Portanto, a comunicação é chamada a colocar a memória em contato com a vida, mediante a narração.
Para comunicar a força vital do Reino de Deus, Jesus recorreu ao uso de parábolas, deixando aos ouvintes a liberdade de aceitar ou não suas narrações , assim como também de transmiti-las.
A força de uma história é expressa pela capacidade de gerar mudanças. Uma história exemplar, tem uma força transformadora. É o que experimentamos quando nos deparamos, através da história, com a vida dos Santos. Um aspecto que o Santo Padre adotou ao comunicar a "grande riqueza" oferecida pelo testemunho da vida dos mártires.
Mais uma vez, portanto, o Pontífice coloca ao centro da sua reflexão a pessoa com seus relacionamentos e sua capacidade inata de se comunicar.
Por isso, com o tema que escolheu para o próximo Dia Mundial das Comunicações, o Papa pede a todos, sem exceção, para frutificar seu talento: fazer da comunicação um meio para construir pontes, unir e compartilhar a beleza de ser irmãos em um tempo marcado por contraposições e divisões.










