#TodaVidaImporta: Igreja reza pelas 500 mil vítimas do Coronavírus

Com o mote de que “Toda vida importa“, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza no próximo sábado, 19 de junho, um dia de sensibilização e orações em memória dos mortos pelo novo coronavírus. Com a previsão de o país atingir 500 mil mortes no próximo sábado, a Conferência escolheu a data para manifestar solidariedade, esperança e consolo.

Redes sociais

Durante a reunião do Conselho Permanente da CNBB, realizada nesta quarta e quinta-feira, 16 e 17 de junho, a iniciativa foi apresentada aos bispos. A proposta é que os prelados utilizem a identidade visual da ação como foto de perfil nas redes sociais, bem como a hastag #todavidaimporta nas publicações. Outra sugestão é que os sinos das Igrejas toquem às 15h de sábado.

Missa

No mesmo horário, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, preside a Santa Missa na intenção das 500 mil vítimas da Covid-19 no Brasil. A celebração será no Santuário Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG), com transmissão pelas redes sociais da CNBB e por emissoras de TV de inspiração católica, como TV Horizonte, TV Pai Eterno, Rádio e Rede Imaculada e TV Nazaré.

Oração

A CNBB também vai oferecer um vídeo de oração pelos 500 mil mortos na pandemia. Composta pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, a oração será narrada pelo jornalista Silvonei José, que atua em Vatican News. A sugestão é que as emissoras de TV utilizem o material ao final dos telejornais, como uma homenagem aos que se foram ou em outros programas. O vídeo também será distribuído nas redes sociais da CNBB e rádios católicas.

A oração lembra dos irmãos e irmãs que morreram em decorrência da pandemia do novo coronavírus, “muitas sem o mínimo necessário para o tratamento digno como ser humano”. O pedido é que Deus Pai acolha esses filhos e filhas e conceda-lhes a paz eterna. A prece também é que o povo brasileiro possa trabalhar por solidariedade, acolhimento, partilha, compreensão e resiliência. “Que a saudade seja estímulo à fraternidade!

E que a fé seja o sustento de nossa esperança!”.

 

 

Com informações da CNBB


#Reflexão: 12º Domingo do Tempo Comum (Ano B – 20 de junho)

A Igreja celebra neste domingo (20), o 12º domingo do tempo comum. O padre Dirlei Abércio da Rosa nos ajuda a refletir e rezar a liturgia deste dia.

Leituras:

1ª Leitura - Jó 38,1.8-11

Salmo - Sl 106,23-24.25-26.28-29.30-31 (R. 1b)

2ª Leitura - 2Cor 5,14-17

Evangelho - Mc 4,35-41

A FÉ EM JESUS QUE ACALMA O MAR

As leituras deste 12º domingo nos colocam em meio à tempestade e o medo. Como Jó e os discípulos de Jesus, também nós nos vemos atingidos por um mal que se abateu sobre todos nós: a Pandemia.

Jó encontra-se no meio de uma tempestade que representa seus problemas e angústias diante de Deus. Não obstante sua fé e sua confiança, ele se encontrava miserável (havia perdido tudo) e estava com uma doença que matava aos poucos. Ele não conseguia entender o porquê de tudo aquilo que estava passando, pois ele sempre foi fiel a Deus. Jó não se revolta, mas pergunta qual o sentido e a resposta para tantos sofrimentos.

Deus pede a Jó que tivesse confiança e fé, pois somente Ele tem poder sobre todas as coisas do mundo e sobre cada pessoa seja quando está bem quanto está com problema. Assim, Jó escolhe confiar nos desígnios de Deus, mesmo sem compreender tudo que estava acontecendo. No final, ele foi recompensado por Deus.

No Evangelho, tudo também acontece em meio a uma tempestade. Jesus tinha escolhido seus discípulos, já havia realizado alguns milagres, curas e exorcismos. No início da noite, Jesus decide ir com os apóstolos para o outro lado do lago, lá ficava a terra dos pagãos.

Aqueles homens eram pescadores acostumados com barcos e tempestades, mas aquele fim de tarde, tudo foi diferente. Marcos nos conta com detalhes que “eles tinham levado Jesus” e Ele se acomodou “na popa do barco e dormia sobre uma almofada”. Era onde ficava o leme que guiava o barco. Jesus dormia tranquilamente, mas ao seu lado tudo estava agitado por uma tempestade. Durante as noites escurecidas é que nascem os maiores medos e as perguntas mais difíceis sobre a presença de Deus. Jesus confiava na capacidade daqueles pescadores de conduzir o barco, mas eles não expressavam a mesma confiança naquele que estava dentro da embarcação. Jesus nos lembra Jonas que dormia tranquilo no ventre do barco enquanto o mar estava em meio a uma terrível tempestade. O profeta também confiava em Deus.

Os apóstolos estavam ainda no início do seu apostolado, é certo. Acreditavam em Jesus e confiavam Nele, mas enquanto tudo estava caminhando bem e sem “tempestades”. Ao iniciarem a viagem onde eles teriam que conduzir a barca para outros lugares e em terras de gente que não tinha a mesma crença que eles, tudo se apresentou desafiante e até desesperador. Mas, o mesmo Jesus estava com eles. Era preciso começar a prepará-los para o tempo em que teriam que remar movidos pela fé na presença de Cristo.

A tranquilidade de Jesus é vista pelos discípulos como um descaso. Nosso Senhor é “acusado” de abandonar os discípulos em meio à tempestade. Mas não é assim! Ele confiava nos apóstolos em fazer o que sempre faziam; os apóstolos é que tinham se esquecido de quem eram Jesus.

Os apóstolos deveriam fixar-se em Jesus: Ele estava ali com eles! Muitas vezes, nós preferimos olhar as tempestades, nos deixarmos amedrontar pelos ventos fortes, pelo mal que aparenta querer afundar nossa barca, mas não deve ser assim: Jesus está conosco! Ele prometeu permanecer conosco até o final dos tempos e nada pode ser maior que Jesus!

Colocar-se em missão, viver a vontade de Jesus e procurar “transportá-lo” aos outros, as tempestades serão inevitáveis, os desafios imensos, os problemas e perseguições constantes, mas jamais devemos nos esquecer de que Jesus está sempre ao nosso lado. Somos nós que devemos conduzir nosso barco, mas é Jesus quem nos protege e nos guia.

Os apóstolos se deixando abater pela tempestade ao acordarem Jesus, chamam Sua atenção reprovando a sua aparente indiferença. Nosso Senhor, primeiro, acalma o mar e a tempestade com o mesmo gesto e palavras que expulsou demônios e curou as pessoas: Jesus é o mesmo sempre! Mas, também chama atenção dos discípulos: por que estais com medo? Por que não tendes fé? Para Jesus, o contrário da fé não é a descrença, mas o medo de que Jesus não é o mesmo de sempre; que a pessoa está sozinha.

A Pandemia atual nos jogou neste mar de inseguranças e medos, mas Jesus está sempre conosco! Está sempre presente, mas do seu modo! Ele não intervém e não fará nada no nosso lugar, mas conosco.

Os discípulos esperavam que Ele, novamente, agisse e resolvesse tudo (como depois ele fez). Eles cobram de Jesus por não agir, demonstrando uma fé muito frágil e fraca: bastou um mar agitado para se esquecerem de quem era o Mestre Jesus. Cristo não nos protege do medo, mas nos protege no medo; Não nos tira dos desafios, mas nos protege nos desafios. Um grande desafio para os discípulos e para nós é acreditar que Jesus sempre está presente mesmo que não mais se sente sua presença física. Ele nunca nos abandona, mesmo quando não se veem mais milagres e prodígios. Eles ainda acreditavam que Jesus, sozinho, teria que resolver tudo como sempre. Jesus sempre pode fazer isto, mas Ele nos dá forças nos braços para enfrentar as ondas; nos fortalecer na luta para o barco não virar; iluminar nossa visão para encontrar terra firme. Queremos muitas vezes desistir de lutar, mas Ele será sempre a nossa energia e perseverança. Ele quer agir em nós e sempre conosco!

Senhor Jesus, que nossa fé nos torne pessoas novas e nos fortaleça diante das tempestades e dos desafios. Seja nosso guia em nosso barco e ilumine sempre nossa jornada a terra firme dos seus braços!

 

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Pastoral emite orientações para catequese infantojuvenil

A Pastoral de animação Bíblico Catequética da arquidiocese de Pouso Alegre emitiu no último dia 14 de junho algumas orientações sobre a catequese infantil para o ano de 2021. Tais orientações procuram se inspirar nos Documentos da Igreja, na comunhão com o Regional Leste II da CNBB, na consulta a especialistas e autoridades competentes, além é claro, da partilha das coordenações setoriais de catequese.

"Como todos sabemos, a pandemia que ainda vivemos, trouxe e trará muitas consequências à vida pastoral da nossa Igreja. O futuro incerto trás receios e inseguranças. O itinerário catequético das nossas comunidades foi afetado diretamente e, ainda estamos tentando aprender a RE-COMEÇAR em meios aos percalços deste caminho", traz a carta.

Seguem as reflexões apresentadas pela Pastoral:

1) As atividades catequéticas presenciais, ainda não foram liberadas em nossa arquidiocese. Lembramos que esta se encontra na quarta fase do plano de retomada das atividades pastorais da arquidiocese e, ainda não avançamos a esta fase;

2) Vale lembrar que a família do catequizando é (ou ao menos deveria ser), o lugar primeiro e privilegiado de catequese. Este é o momento para que os pais assumam o protagonismo catequético dos seus filhos(as); inclusive incentivando e levando-os às nossas celebrações presenciais que procuram obedecer aos protocolos sanitários. Entendemos que a catequese não pode ser “terceirizada”; infelizmente há muitos pais/responsáveis que negligenciam sua responsabilidade;

3) Contudo, várias comunidades conseguem realizar encontros no formato online. Queremos lembrar que esses encontros, de certa forma, podem ser “validados” como encontros catequéticos. Porém, esta modalidade traz consigo certas dificuldades como:

  • 3.1) Nem todos os catequistas e catequizandos tem acesso fácil a internet e a celulares ou computadores (lembremos aqui principalmente nossos irmãos e irmãs da área rural de difícil acesso e/ou grandes distâncias da área urbana);
  • 3.2) Diferentemente da escola, a catequese não privilegia somente o CONTEÚDO DADO, mas para nós é importante o contato, os símbolos, a experiência em si do encontro catequético que, como se sabe, não é “despejar” conteúdos da fé, realizar “provas” e ser aprovado aos sacramentos, mas fazer um caminho de proximidade e intimidade com o Senhor;
  • 3.3) Há também a problemática referente ao tempo excessivo em frente as telas (celulares, computadores e demais) já proporcionada pelo alto número de atividades escolares; não é difícil encontrar crianças, adolescentes e jovens estressados, exaustos e com síndromes psíquicas (ansiedade, tristeza excessiva, vazio, medo, etc);
  • 3.4) E, diante desta realidade também nos surge a questão: até que ponto nossos catequizandos estão aproveitando desses encontros no formato online? (logicamente há experiências positivas e inspiradoras), mas acreditamos que esta modalidade ainda é “seletiva” e em parte duvidosa no que diz respeito ao comprometimento;

4) Como já foi orientado às coordenações setoriais, a Catequese Arquidiocesana SUGERE “não abrir novas turmas de catequese” até que se tenha uma segurança para os encontros presenciais;

5) É preciso orientar aos fiéis que a idade do catequizando não é a mais importante para o processo, mas sim o caminhar realizado ao encontro do Senhor e que os sacramentos são uma “consequência” e não um fim propriamente dito deste itinerário (aos moldes escolares de diplomação e conclusão de curso);

6) As celebrações da 1a Eucaristia das crianças já foram e/ou estão sendo realizadas segundo as orientações da arquidiocese no plano de retomada e as condições de cada paróquia. As crismas ainda estão suspensas até orientação do senhor arcebispo;

7) A Catequese Arquidiocesana está ciente dos inúmeros passos que deverá dar frente a projetos como: ministério do catequista (concedido pelo Papa Francisco), estudo do Diretório para a Catequese (2020), elaboração do Diretório Arquidiocesano de Catequese, reformulação das coordenações setoriais de catequese e coordenação arquidiocesana etc. Pedimos que a Luz de Deus no guie neste processo;

8) Sugere-se às equipes paroquiais de catequese que se aproveite este momento para a formação do grupo de catequistas (como for possível), a fim de que se mantenham motivados, instruídos e, assim que nos for possível, possamos retomar nossa caminhada catequética que nos é tão cara;

9) Nossa Arquidiocese está no caminho sinodal. E, como sabemos, sínodo significa CAMINHAR JUNTOS. É preciso abraçar esta causa. A catequese arquidiocesana quer fazer este caminho unida ao nosso pastor Dom Majella, aos senhores padres e aos cristãos leigos e leigas. Desejamos estar em plena comunhão uns com os outros e com nossa Igreja Particular. Fora desta comunhão, entende-se que o caminhar é perigoso e sombrio.

O itinerário catequético de nossas comunidades sempre foi marcado por grandes desafios, mas isto nunca nos impediu de caminhar na alegria de anunciar o evangelho de Jesus, pois esta é a vocação do catequista: anunciar, anunciar e anunciar. “O encontro com o Messias (Jo 1,35-51), no mundo contemporâneo, é possível. Mas precisa ser proposto de maneira a cativar mais as pessoas, para que se possa fazer a experiência impactante da verdadeira adesão a Jesus” (IVC, doc. 107, n.54).

 


Confira a mensagem do papa para o Dia Mundial dos Pobres

Para a quinta edição do Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado no próximo dia 14 de novembro, o Papa Francisco apresentou a sua mensagem que tem como tema “Sempre tereis pobres entre vós”, trecho extraído do Evangelho de São Marcos.

Na mensagem, o Papa afirma que os pobres de qualquer condição e latitude evangelizam-nos, porque permitem descobrir de modo sempre novo os traços mais genuínos do rosto do Pai: “Eles têm muito para nos ensinar”.

Confira os principais pontos da mensagem:

Descobrir Cristo neles

Além de participar do sensus fidei, nas suas próprias dores, Francisco afirma que os pobres conhecem Cristo sofredor. “É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles. A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas, e a colocá-los no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles. O nosso compromisso não consiste exclusivamente em ações ou em programas de promoção e assistência; aquilo que o Espírito põe em movimento não é um excesso de ativismo, mas primariamente uma atenção prestada ao outro, considerando-o como um só consigo mesmo. Esta atenção amiga é o início duma verdadeira preocupação pela sua pessoa e, a partir dela, desejo de procurar efetivamente o seu bem» (Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 198-199)”.

Jesus não só está do lado dos pobres, mas também partilha com eles a mesma sorte

No texto, Francisco diz que os pobres não são pessoas externas à comunidade, mas irmãos e irmãs cujo sofrimento se partilha, para abrandar o seu mal e a marginalização, a fim de lhes ser devolvida a dignidade perdida e garantida a necessária inclusão social. “Aliás sabe-se que um gesto de beneficência pressupõe um benfeitor e um beneficiado, enquanto a partilha gera fraternidade. A esmola é ocasional, ao passo que a partilha é duradoura. A primeira corre o risco de gratificar quem a dá e humilhar quem a recebe, enquanto a segunda reforça a solidariedade e cria as premissas necessárias para se alcançar a justiça. Enfim os crentes, quando querem ver Jesus em pessoa e tocá-Lo com a mão, sabem aonde dirigir-se: os pobres são sacramento de Cristo, representam a sua pessoa e apontam para Ele”.

Convertei-vos e acreditai no Evangelho

O Papa salienta, na mensagem, que precisamos de aderir com plena convicção ao convite do Senhor: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho (Mc 1, 15). Esta conversão consiste, primeiro, em abrir o nosso coração para reconhecer as múltiplas expressões de pobreza e, depois, em manifestar o Reino de Deus através dum estilo de vida coerente com a fé que professamos. Com frequência, os pobres são considerados como pessoas aparte, como uma categoria que requer um serviço caritativo especial. Seguir Jesus comporta uma mudança de mentalidade a esse propósito, ou seja, acolher o desafio da partilha e da comparticipação. Tornar-se seu discípulo implica a opção de não acumular tesouros na terra, que dão a ilusão duma segurança em realidade frágil e efémera; ao contrário, requer disponibilidade para se libertar de todos os vínculos que impedem de alcançar a verdadeira felicidade e bem-aventurança, para reconhecer aquilo que é duradouro e que nada e ninguém pode destruir (cf. Mt 6, 19-20)”.

Sempre tereis pobres entre vós

Francisco afirma que o título da mensagem é um convite a não perder jamais de vista a oportunidade que se nos oferece para fazer o bem. “Como pano de fundo, pode-se vislumbrar o antigo mandamento bíblico: «Se houver junto de ti um indigente entre os teus irmãos (…), não endurecerás o teu coração e não fecharás a tua mão ao irmão necessitado. Abre-lhe a tua mão, empresta-lhe sob penhor, de acordo com a sua necessidade, aquilo que lhe faltar. (…) Deves dar-lhe, sem que o teu coração fique pesaroso; porque, em recompensa disso, o Senhor, teu Deus, te abençoará em todas as empresas das tuas mãos. Sem dúvida, nunca faltarão pobres na terra» (Dt 15, 7-8.10-11). E no mesmo cumprimento de onda se coloca o apóstolo Paulo, quando exorta os cristãos das suas comunidades a socorrer os pobres da primeira comunidade de Jerusalém e a fazê-lo «sem tristeza nem constrangimento, pois Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9, 7). Não se trata de serenar a nossa consciência dando qualquer esmola, mas antes contrastar a cultura da indiferença e da injustiça com que se olha os pobres”.

Os pobres estão no meio de nós

Francisco faz votos de que o Dia Mundial dos Pobres, chegado já à sua quinta celebração, possa radicar-se cada vez mais nas Igrejas locais e abrir-se a um movimento de evangelização que, em primeira instância, encontre os pobres lá onde estão. “Não podemos ficar à espera que batam à nossa porta; é urgente ir ter com eles às suas casas, aos hospitais e casas de assistência, à estrada e aos cantos escuros onde, por vezes, se escondem, aos centros de refúgio e de acolhimento… É importante compreender como se sentem, o que estão a passar e quais os desejos que têm no coração”, diz.

“Os pobres estão no meio de nós. Como seria evangélico, se pudéssemos dizer com toda a verdade: também nós somos pobres, porque só assim conseguiríamos realmente reconhecê-los e fazê-los tornar-se parte da nossa vida e instrumento de salvação”, finaliza.

Leia a mensagem na íntegra aqui

 

Foto de capa: Vatican News


#Artigo: Igreja e sociedade, um diálogo possível

Pe. Paulo Adolfo Simões
Presbítero da arquidiocese de Pouso Alegre
Secretário executivo do Centro Nacional de Fé e Política “Dom Helder Camara” – CEFEP / CNBB

 

É possível um diálogo entre Igreja e sociedade? Essa pergunta logo aparece quando tratamos desse assunto. E a resposta é uma só: é tão possível quanto necessário para que a Igreja continue sendo cristã. Afinal, Jesus Cristo, sendo Deus, foi um homem de diálogo, e de diálogo amplo. Nunca se furtou a conversar, no sentido mais profundo do termo, seja com quem tinha um pensamento próximo ao seu, como seus familiares, seus seguidores ou com seus admiradores mais críticos, dentre eles os fariseus. Entretanto, Jesus foi mais longe, dialogou também com os opositores mais ferrenhos do seu projeto de Reino de Deus, como os mestres da lei, os saduceus e os herodianos. Dialogou mesmo com aquelas e aqueles com os quais sua religião, a judaica, proibia conversar: samaritanos e estrangeiros. Enfim, Jesus foi homem - Deus do diálogo. Como, aliás, não poderia deixar de ser, uma vez que, segundo o discípulo amado e evangelista João, Ele é a Palavra de Deus feita carne. Foi através dele que a Trindade dialogante criou o universo e estabeleceu, de diversas formas, diálogo com a obra criada (Hb 1,1).

A arquidiocese de Pouso Alegre, conduzida pela sabedoria de Dom Majella, vive seu primeiro processo de Sínodo. Ao mesmo tempo em que o Papa Francisco propõe para a Igreja toda um sínodo sobre sinodalidade e para a América Latina e o Caribe uma Assembleia Eclesial. O Papa, de forma surpreendente, mudou recentemente o processo do sínodo sobre a sinodalidade tornando-o mais profundo, mais abrangente e mais dialogante, privilegiando sobretudo a escuta.

O caminho sinodal tem a marca fundamental de ser dialogal, de dar voz a todas e a todos. A Igreja que se põe em sínodo põe-se numa experiência na qual todas as vozes deverão ser ouvidas e acolhidas. O sínodo abre um caminho fraterno e fraternal, que supera o caminho da autoridade e que seja patriarcal. Segue o modelo que Jesus em relação à Lei Judaica, à qual diz dar pleno cumprimento (Mt 5.17-19).

O Papa Francisco, quando propõe uma Igreja mais sinodal, entra na senda do Concílio Vaticano II. Esse 21º Concílio Ecumênico, convocado por São João XXIII, selou definitivamente a amizade da Igreja com a modernidade e a sociedade contemporânea. Em sua constituição Pastoral “Alegria e Esperança”, ou “Gaudium et Spes”, afirma, logo no seu início: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as ansiedades dos homens desta época, especialmente aqueles que são pobres ou de alguma forma aflitos, estas são as alegrias e esperanças, as tristezas e ansiedades dos seguidores de Cristo”. Desta forma, os padres conciliares selam o diálogo iniciado sob Leão XIII, há 130 anos, com a primeira encíclica social, a Rerum Novarum, presenteada à Igreja no ano de 1891. Com a Rerum Novarum, a Igreja Católica retomou o diálogo com a sociedade em chave de olhar atencioso e de amorosidade para com os mais pequenos e empobrecidos dessa sociedade. Ou seja, a Igreja coloca no centro os pobres, como Jesus o fizera em sua caminhada. Com isso, afirmo que a experiência de uma Igreja dialogal, à exemplo do próprio Jesus, seu único mestre e Senhor, segue nos últimos tempos três grandes passos: a Rerum Novarum – as realidades novas das operárias e operários, o Concílio Ecumênico Vaticano II e o pontificado do Papa Francisco.

Em sua última encíclica, a Fratelli Tutti - um marco do ensino social dos papas - Francisco afirma que a Igreja deve dialogar em três âmbitos externos a si mesma: com os governos, com a sociedade e a cultura e, por fim, com as outras Igrejas e com as outras religiões. O Concílio Vaticano II lançou as bases para esse diálogo em tempos de modernidade. Se com a Gaudium et Spes propõe o diálogo com a sociedade tendo um olhar atencioso aos empobrecidos, com o Decreto Unitatis Reintegratio assumiu o diálogo com as outras Igrejas Cristãs e com a Declaração Nostra Aetate, propõe o caminho dialogal com as outras religiões. Na sequência do Concílio, todos os papas têm dado consequências a esses documentos, promovendo e incentivando amplo diálogo eclesial, que tem frutificado fartamente.

O que move a Igreja a dialogar com os diversos âmbitos ou aspectos da sociedade é o mesmo motivo que moveu Jesus: a proposta de Reino de Deus como uma experiência de amizade do criador com a criação. Desta forma o diálogo da Igreja com a sociedade quer ser um caminhar juntos na amizade, uma amizade de amor eficaz (FT). Um caminhar que amadurece no diálogo e na afeição de um pelo outro. Um caminhar maduro que permite fazer algumas paradas juntos para tomar uma água, um ar fresco ou mesmo um lanche. Mas nessa parada se reconhece ao outro caminheiro o direito de escolher do que vai se alimentar, ou mesmo a sombra em que se quer ficar e até se quer ir um pouco mais e esperar na próxima parada. Um caminhar que respeita o ritmo do caminhante, o desejo de falar ou simplesmente se calar...

 

 

Foto de capa: 4 de fevereiro de 2019, em Abu Dhabi, quando papa Francisco e o Grão Imame de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, assinaram o Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da convivência comum


Padres reúnem-se virtualmente para uma manhã de espiritualidade

Os padres da arquidiocese de Pouso Alegre se reuniram virtualmente na manhã desta sexta-feira (11) para um momento de espiritualidade e oração. Neste dia em que a Igreja celebra o Sagrado Coração de Jesus, Ela também pede que se reze pela santificação do clero. Esse momento foi conduzido pelo pároco da Paróquia Santo Antônio, em Piranguçu, padre Douglas Aparecido M. R. dos Santos. 

Na acolhida aos padres, Dom José Luiz Majella Delgado-C.Ss.R. recordou o sentido e objetivo desse momento.

“Hoje somos colocados na presença do Senhor para renovar a memória do nosso encontro com Ele, renovar aquele primeiro chamado que todos nós trazemos no nossos corações. Queremos dar um novo vigor na nossa missão de servir o Povo de Deus na arquidiocese de Pouso Alegre. Essa situação de pandemia tem dificultado nossa vida, podendo dar lugar ao cansaço e ao desanimo, abrindo espaço a um deserto interior da aridez. E esse tempo pode envolver nossa vida sacerdotal na sombra da tristeza, principalmente quando estamos exercendo o ministério nas ações litúrgicas e nos deparamos com nossas igrejas quase que totalmente vazias, isso nos inquieta e nos deixa triste. Permanecer retirados com o Senhor. Possamos nos lembrar que somos responsáveis pela santificação do meu irmão no sacerdócio. Lembremos de motivar o Povo de Deus para que eles rezem por nós, rezem pela nossa santificação. Assim eles sentirão que o caminho de santificação é para todos, não apenas para alguns”. 

Toda a reflexão do padre Douglas foi conduzida sobre a temática da esperança, que constitui a vocação cristã, mas, de modo especial, o ministério presbiteral é o ministério da esperança.  

“A caridade é amor pleno de esperança: profecia do indefectível amor de Deus que anima e sustenta infalivelmente cada amor do próximo. A caridade é o princípio da esperança e flui dela motivada e ativada da vivência de amor a Deus e ao próximo. O nosso ministério presbiteral reconhece que da caridade teologal nasce a caridade eclesial. Assim como a caridade está intrinsecamente ligada à esperança, assim também é a fé. Luz para compreender a esperança. Precisamos ser homens de fé. A esperança constitui a vocação cristã. A nossa esperança não é contingente, mas esperança da vida, esperança da redenção e da beatitude. É a esperança da glória, da ressurreição”.

Segundo ele, o padre oferta a esperança. Não bastam as palavras, mas há a necessidade do testemunho. A esperança tem em Deus o seu princípio, mas a base dessa esperança é o homem. E o padre precisa dar testemunho dessa esperança.

Temos a esperança de Deus e do seu Reino. Nossa vida é marcada por tantos projetos, tantas ideias. O imediatismo ofusca a esperança. O padre vive da esperança, de uma única esperança, que não se liga a desejos periféricos. O padre não vive só de esperança, mas é também um ser de esperança. O ministério precisa ser de esperança. Cristo é a nossa esperança, fonte e meta de toda nossa esperança. Esperamos com a esperança de Cristo. A esperança do padre não provém dele mesmo, mas é fomentada pelo Espírito Santo”.

Leia alguns trechos da reflexão do padre Douglas:

- "Somente na fé podemos reconhecer a promessa e o dom de Deus. Em Cristo, a esperança do homem encontra o Deus da esperança (Rm 15, 13). A esperança cristã é a profecia do ’não ainda’, revelado no já da Páscoa de Cristo para a humanidade, para a Igreja, para o cristão. O padre é alguém que acreditou por primeiro e, por isso mesmo, não se deixa levar pelos sofrimentos do tempo presente, já que busca incansavelmente descobrir os sinais de Deus no mundo".

- "A vida de Jesus é o sinal da grande esperança. A esperança é, verdadeiramente, esperança quando tudo se faz escuridão e o vento sopra contrário. A cruz é a página mais tenebrosa da dor do mundo, mas também a provocação e o desafio mais forte à esperança". 

- "A ressurreição é outra face da cruz: é a resposta de Deus à esperança do crucificado. A ressurreição é o cumprimento da esperança, a sua ratificação, a confirmação que vem do Pai. A cruz não é abandono do crucificado por parte do Pai, mas abandono do crucificado nas mãos do Pai: abandono de amor que o Pai acolhe e transforma em glorificação e redenção". 

- "O padre é solicitado pelo Evangelho e habilitado pela Graça para ser esse homem de esperança. O padre é chamado a ser o sacramento de esperança, sinal legível e eterno, da vida da salvação anunciada com a própria vida: precisamos ser os arautos da fé na realidade que esperamos". 

- "O modo da onipotência de Deus entra na fragilidade do homem, fazendo-a explodir do seu interior com a ressurreição do crucificado. A hora das trevas, vivida na esperança do amor, revela ao mundo a aurora do terceiro dia, o dia do ressuscitado. A cruz faz florir a esperança no deserto da desolação".

- "Esperamos com a esperança da Igreja, que é esperança de todos e para todos. A única esperança faz a unidade de Igreja e a constitui sacramento de esperança: sinal de unidade e de salvação de todo o gênero humano. A esperança é a paixão do possível. A esperança faz de nosso ministério o lugar da fidelidade do Reino". 


#Reflexão: 11º Domingo do Tempo Comum (Ano B - 13 de junho)

A Igreja celebra neste domingo (13), o 11º domingo do tempo comum. O padre Dirlei Abércio da Rosa nos ajuda a refletir e rezar a liturgia deste dia.

Leituras:

Ez 17,22-24 

Sl 91,2-3.13-14.15-16 (R. Cf. 2a)

2ª Leitura - 2Cor 5,6-10

Evangelho - Mc 4,26-34 (A semente e o grão de mostarda)

HOMENS E DEUS TRABALHAM JUNTOS

Neste Domingo, Jesus nos explica a grandeza do Reino de Deus que acontece a partir de coisas simples e em nosso cotidiano. Deus age sempre, mesmo quando erramos, mas nos convida a sermos parceiros em sua obra de transformar este mundo.

O profeta Ezequiel foi chamado por Deus para semear a esperança de Deus em um tempo muito difícil para Israel. O país tinha sido destruído por um povo estrangeiro e muitos tinham morrido. Deus, no entanto, procurou falar através do profeta deixando uma promessa ao seu povo: de transformar sua gente em um cedro grandioso. Israel, um pequeno galho que se transformará em um grande arvoredo no alto da montanha.

Jesus, no Evangelho, esclarece com dois exemplos como é o Reino de Deus. Os exemplos nos dão a ideia da simplicidade e da pequenez das coisas e ao mesmo tempo da força grandiosa que elas escondem e do maravilhoso efeito que produzem.

O Reino possui sua própria força, acontece a partir do nosso dia a dia, dentro de nossas casas, no nosso campo e em nossas famílias. No entanto, Deus precisa de nossa ajuda.

Na primeira parábola, Jesus afirma que “um homem” do campo se põe a semear. O agricultor sabe bem o que toca a ele fazer e procura fazer da melhor forma possível, mas também tem consciência que certas coisas ele não possui nenhum poder e nem sabe explicar como acontecem. Ação conjunta e harmoniosa onde o semeador inicia e termina o processo, mas toda parte principal, ele não possui nenhuma influência.

O Reino de Deus, assim, é algo que se constrói no cotidiano da vida das pessoas. Se o semeador não semeia, nada acontece; se tudo está pronto, mas ele não recolhe, tudo está comprometido. Jesus chama atenção daquilo que o agricultor não tem poder, aquilo que ele não pode influenciar de nenhum modo: todo o processo logo depois do plantio até o grão das espigas. A ação de Deus de implantar seu Reino neste mundo necessita de “agricultores” de sua palavra, que semeiem e saibam esperar; que façam sua parte, mas deem espaço para ação de Deus; que sejam aliados e companheiros, e não opositores e destruidores da Palavra.

Chama-nos atenção nas palavras de Jesus, os detalhes sobre o processo da produção da espiga. Tudo tem o seu tempo e o seu ritmo para acontecer. Se o semeador não confiar e se também não tiver paciência tudo pode se comprometer. A natureza nos ensina isto: tudo tem o seu momento justo para acontecer!

Vivemos em tempo da agitação, dos grandes acontecimentos, do tempo “sem tempo” pra nada. As pessoas estão cada vez mais iludidas que o bom é aquilo que ainda não se tem: o celular novo, carro novo, a roupa nova... Não se tem paciência mais para ninguém (família, amigos, parentes...), nem para as coisas do dia a dia (trânsito, TV, internet....) e nem pra Deus. Hoje em dia, tudo tem sua parcela de tempo e espaço, menos tempo pra Deus. A vida é feita de parcerias e de relações onde cada um tem sua missão. Deus precisa de nós como semeadores; a semente é a sua palavra; o terreno é o mundo e as pessoas.

A segunda parábola completa a anterior. O Reino de Deus, em confronto a muitas coisas neste mundo, é comparado a um grão de mostarda: minúsculo e quase imperceptível, mas quando é semeado e tem oportunidade de crescer, se transforma em uma árvore que acolhe a todos. A força não está na aparência e nem no tamanho, mas na generosidade daquele que se imola como semente e se transforma.

A semente de mostarda como de qualquer outra semente, enquanto permanece um grão jamais se transformará em árvore. O grão de mostarda possui uma imensa força e futuro que vai além da aparência e do seu tamanho. Como na primeira parábola, a semente de mostarda precisa ser semeada com zelo e atenção por parte do semeador e tudo o mais acontecerá. Não existe semente pequena ou grande; não existem gestos e palavras de Deus insignificantes.

No mundo de hoje é crescente a ideia do Deus que tem que fazer tudo: Deus dos grandes prodígios e milagres. Jesus nos convida a sermos parceiros neste seu Reino, pois a força e a grandeza da semente (Palavra de Deus) Ele mesmo nos fornece para transformar este mundo em uma “grande plantação” de Deus onde todos se transformem em espigas cheias de vida. O mundo precisa ser transformador dentro de nós e através de nós como o agricultor da parábola que semeia, mas precisa ter paciência e confiança, pois Deus precisa transformar tudo de dentro pra fora, como a semente que se transforma em um broto, depois espiga e por fim, os frutos.

Para Jesus, o Reino de Deus não é uma realidade superior e longe da realidade humana, mas sim encarnada no chão da nossa vida e no alcance de qualquer pessoa. Saber encontrar o infinito de Deus nas coisas pequenas e simples. Na natureza tudo acontece por simples generosidade; para a terra, produzir fruto não há esforço, o mesmo para a luz iluminar. Nós também devemos aprender a doar o que temos e somos gratuitamente, pois esta é a felicidade que Jesus viveu e nos ensinou.

Tudo pode acontecer se soubermos realizar tudo em parceria com Deus, enquanto caminhamos neste mundo procurando fazer o melhor possível, pois um dia, nós estaremos diante Dele para compartilhar aquilo que construímos de bom no Reino de Jesus. Para muitos, aquele dia será de alegria em descobrir que foi um bom semeador, para outros, será de tristeza em descobrir se só foram obstáculo no Reino de Deus.

Sejamos nós, Senhor, chão que acolhe a Palavra e produz frutos de amor e presença de Deus para alegrar a vida das pessoas que encontrarmos em nossa vida!


Laicato: desafios de conquistar espaços e ser sujeito na sociedade

A 39ª Assembleia Geral Ordinária (AGO) do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) terminou no dia 5 de junho e contou com a participação de 209 cristãos leigos e leigas de todo o país. O recado dado pelo padre Alfredinho, assessor do encontro, de que “os leigos e as leigas devem conquistar os espaços e não aguardar pela concessão destes” foi assumido pelos participantes como desafio para a ação do laicato após a realização da 39ª Assembleia Geral Ordinária do Conselho Nacional do Laicato (CNLB).

Durante três dias, de 3 a 5 de junho, mais de 200 delegados leigos e leigas de todas as regiões do País participaram da Assembleia que debateu o tema “Cristãos leigos e leigas em missão: respondendo aos novos desafios”.

Na coletiva de encerramento, realizada no final da manhã de sábado, 5 de junho, os participantes apresentaram os desafios sobre o agir eclesial-social assumidos pela 39ª AGO do CNLB: “Ser sujeito na sociedade remete à tarefa dos cristãos leigos na atualidade”, disse padre Alfredinho, um dos participantes da coletiva. Ao tratar da divisão que se instalou no Brasil e no mundo, o padre citou os muros erguidos nos diferentes ambientes pela polarização que “impedem o diálogo e a objetividade e nos leva a ver de forma míope e vesga”.

Para o sacerdote, em um mundo de relações polarizadas é crucial o papel dos cristãos leigos e leigas na desconstrução dos muros a fim de que outras formas de posicionamento possam ser percebidas. O padre reconheceu que em muitos lugares, o clero cria dificuldades à atuação dos leigos e defendeu ser necessário “ocupar espaço, não esperar que ele seja concedido e sim conquistá-lo”.

O encontro, caracterizado como um espaço para animar os cristãos leigos e leigas a celebrar sua vocação, missão e protagonismo na Igreja, contou com a participação como delegados com direito a voz e voto os membros do Colegiado Deliberativo, da Presidência, do Conselho Fiscal e do Conselho Econômico; 5 delegados de cada CNLB regional e 3 delegados de cada organização filiada.

Investir em formação contínua

Também participante da coletiva de encerramento, a representante da Comissão Nacional de Formação, Marilza Schina, defendeu que os leigos e as leigas não podem ser vistos apenas como sujeitos para participar dos cursinhos. Segundo ela, é “urgente e necessário” desenvolver um programa de formação continuada que tenha no laicato o seu alvo.

Marilza Shuina destacou que o lugar dos cristãos leigos e leigas é atuar no mundo da política, da economia, da educação e na defesa da Casa Comum. “Que não briguemos para ficar dentro da Igreja e sim para sermos Igreja atuando no mundo”, reforçou.

Os coordenadores destacaram que as avaliações iniciais da 39ª Assembleia do Laicato Brasileiro, realizada no formato on-line, apontam para um resultado histórico. Na modalidade remota, o evento alcançou participantes de muitos lugares e, dessa forma, propiciou ouvir vozes de cristãos leigos e leigas que estavam distantes.

O membro da presidência do CNLB, Aurenir Paiva, disse que as situações adversas provocadas pela pandemia então trazendo muitos aprendizados ao organismo. “Essa assembleia deveria ter sido realizada no ano de 2020, em São Luís (MA). Não foi possível com o avanço da Covid-19 e o agravamento da pandemia no País”, recordou.

A 39ª AGO do CNLB, em formato remoto, permitiu realizar uma ampla participação e debate sobre a missão de leigos e leigas na contemporaneidade. Os organizadores trabalham na redação de um documento final cujas palavras façam “arder nossos corações de norte a sul do País”.

A presidente do CNLB do regional Sul 1, Fátima Ferre, defendeu ser necessário os cristãos leigos e leigas ajudarem o povo brasileiro a ter a informação correta em relação à vacina e à vacinação, ao auxílio emergencial e ao Pacto pela Vida e pelo Brasil. Ela também defendeu, frente a uma avalanche de necessitados e da fome no Brasil a partir da pandemia, uma maior atuação dos cristãos leigos e leigas nas políticas públicas e nos conselhos. O Sistema Único de Saúde (SUS) também foi defendido como um conquista pela representante do Sul 1.

A 39ª Assembleia Geral aprofundou assuntos como o Grito dos Excluídos e Excluídas e do Pacto pela Vida e pelo Brasil. O encontro reforçou os compromissos dos cristãos leigos e leigas do Brasil na luta por Terra, Teto e Trabalho; e exigência da vacina contra a Covid-19 como forma de pela defesa da vida, reafirmando também a defesa do Sistema Único de Saúde (SUC) do Brasil e o auxílio emergencial neste tempo da pandemia.

Veja aqui a síntese dos compromissos e encaminhamentos:

Os cristãos leigos e leigas de todo o Brasil deixaram a Assembleia com alguns compromissos assumidos. Por ser uma assembleia de caráter formativo, o evento não teve encaminhamentos quanto a projetos e prazos mas o CNLB assumiu alguns compromissos:

- O compromisso do CNLB em dinamizar o processo de processo da Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe
- A animação do Pacto pela Vida e pelo Brasil.
- Aprovação da Moção de solidariedade aos que lutam contra a instalação de PCHS na Bacia do Rio Taquari

A presidência do organismo anunciou que a 40°Assembleia Geral e Ordinária do CNLB será em São Luiz do Maranhão, Regional Nordeste 5, no feriado de Corpus Christi de 2022.

 

Texto: www.cnbb.org.br


DECRETO de comemoração dos 60 anos de arquidiocese

Na última semana, no dia 3 de junho, o arcebispo metropolitano, Dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., emitiu Decreto de comemoração dos 60 anos de criação da arquidiocese de Pouso Alegre e nomeação da comissão organizadora.

As celebrações terão início no dia 23 de setembro deste ano e vão até 23 de setembro de 2022, data da instalação da arquidiocese (23 de setembro de 1962) pelo papa João XXIII através da bula "Qui tanquam Petrus". 

Em seu decreto, Dom Majella disse que "para esta memorável data, em nossa solicitude pastoral e no caminho Sinodal que percorremos, agradeceremos ao 'Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação' (2Cor.1,3) e, assim, convocamos toda a Igreja Arquidiocesana, que forma o Corpo Místico de Cristo, a se preparar na ação de graças, na oração e na santificação da própria vida, como 'amados de Deus e chamados à santidade' (Rm 1,7)".

Fazem parte da comissão preparatória:
- Pe. José Francisco Ferreira
- Dalva Rangel da Veiga Nery
- Eder do Couto Nora
- Fernando Henrique do Vale
- Giovana Costa Carvalho
- Iracema Kian Dantas
- Lucimara do Carmo Aparecido
- Maria Cristina de Souza Faria
- Suzana Costa Coutinho

 

DECRETO

COMEMORAÇÃO DOS 60 ANOS DE CRIAÇÃO DA ARQUIDIOCESE DE POUSO ALEGRE E
NOMEAÇÃO DA COMISSÃO ORGANIZADORA

Aos que este nosso DECRETO virem, paz e bênçãos no Senhor!

Na alegria que nos é devida, toda a Igreja Particular de Pouso Alegre, numa comunhão de toda a Província Eclesiástica, celebrará em 2022 os 60 anos da instalação da Arquidiocese aos 23.09.1962.

O Beatíssimo Papa João XXIII, de feliz memória, Sucessor do Apóstolo Pedro e Vigário de Cristo na terra, pela Bula “Qui tanquam Petrus” de 14.04.1962, elevou a Diocese de Pouso Alegre, à Sede Metropolitana e Província Eclesiástica das dioceses sufragâneas de Guaxupé e da Campanha, tornando-se o primeiro arcebispo S. Excia. Revma. Dom José d’Ângelo Neto.

Para esta memorável data, em nossa solicitude pastoral e no caminho Sinodal que percorremos, agradeceremos ao “Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação” (2Cor.1,3) e, assim, convocamos toda a Igreja Arquidiocesana, que forma o Corpo Místico de Cristo, a se preparar na ação de graças, na oração e na santificação da própria vida, como “amados de Deus e chamados à santidade” (Rm 1,7).

Para bem darmos graças, D E C R E T A M O S, que de 23 de setembro de 2021 a 23 de setembro de 2022, seja um ano celebrativo e, para coordenar tão expressiva efeméride, nomeamos a Comissão Organizadora integrada pelos seguintes membros: Pe. José Francisco Ferreira, Dalva Rangel da Veiga Nery, Eder do Couto Nora, Fernando Henrique do Vale, Giovana Costa Carvalho, Iracema Kian Dantas, Lucimara do Carmo Aparecido, Maria Cristina de Souza Faria e Suzana Costa Coutinho, com o encargo de elaborar um programa de iniciativas comemorativas a serem promovidas na Arquidiocese de Pouso Alegre para memória do fato, bem como coordenar a realização das atividades programadas neste ano comemorativo.

Pedimos aos Revmos. Presbíteros que levem ao conhecimento de toda a Igreja Particular de Pouso Alegre este “tempo favorável por excelência” (2Cor 6,2) e, que com Maria, a Mãe de Jesus, cantemos “Minha alma engrandece o Senhor” (Lc 1,46) e sob o Guardião São José, Patrono da Igreja, cujo Ano Josefino estamos vivenciando, vejamos realizados os nossos sonhos de “Igreja em comunhão para a missão” e, nos auspícios de São Sebastião, nosso padroeiro, reafirmemos a certeza de que sempre “Ele se aproxima e se põe a caminhar conosco”(cf. Lc.24,15).

Dado e passado na Cúria Metropolitana, nesta Arquiepiscopal cidade de Pouso Alegre, aos 03 de junho, Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, sob o Nosso Sinal e o Selo de Nossas Armas.

E eu, Pe. Jésus Andrade Guimaraes, Chanceler do Arcebispado, o subscrevi em 03 vias originais.

Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R.
Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre

PC-CH 048/2021

 


#Reflexão: 10º Domingo do Tempo Comum (Ano B - 6 de junho)

A Igreja celebra neste domingo (6), o 10º domingo do tempo comum. O padre Dirlei Abércio da Rosa nos ajuda a refletir e rezar a liturgia deste dia.

Leituras:
Gn 3, 9-15
Sl 129(130), 1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R.7)
2Cor 4, 13-18-5,1
Mc 3, 20-35 (Jesus em casa ensinando)

ESCUTAR A PALAVRA DE DEUS PARA SE TORNAR DISCÍPULO

Retomando a Tempo Comum, temos o Evangelho de Marcos novamente que meditaremos nos próximos domingos até quase o final de novembro. Estamos no início da vida pública de Jesus e tudo ainda está incerto entre Jesus, seus discípulos, parentes e o povo. Mas, a rivalidade entre Jesus e os principais dirigentes da religião judaica será constante até a sua crucificação.

A 1ª leitura também retrata outro início, mas neste caso, do pecado presente no mundo. Os primeiros versículos da Bíblia nos mostram como Deus criou o mundo e, principalmente, o homem e a mulher: criados a imagem e a semelhança do próprio Criador. Mas, isto não era suficiente para eles, queriam ser iguais a Deus.

A primeira consequência após pecarem foi perceber que os dois estavam nus, isto é, que não tinham nada, nem roupas. Ao ouvir Deus que se aproximava como sempre fazia, eles se esconderam. Os passos de Deus se tornaram “barulhos” e a presença despertava “medo”. Deus não mudou seu modo de ser, o casal sim. A segunda consequência do pecado foi o abismo que se criou entre Deus Criador e os pecadores. Deus se tornara um juiz que pune, castiga e severo no julgamento.

Na realidade, foram os dois que mudaram em relação a Deus. O Criador se aproxima como sempre e oferece oportunidade ao homem para se explicar e pedir perdão. Mas, Adão preferiu jogar a culpa em Eva. Ele é que julga a Deus. O pecador não arrependido sempre procura alguém para jogar sua culpa: foi “a mulher que pusestes ao meu lado”. O erro de tudo estava em Deus e em Eva.

O espaço para o diálogo e a reconciliação é oferecido também a Eva que segue o exemplo do marido: joga a culpa na serpente. Ela afirma que foi “enganada” pela serpente. O mal em nossa vida sempre age desta forma: oferece algo que não pode dar, tudo com intuito de atrair as pessoas ao pecado e assim, romper com a comunhão com Deus. O castigo no relato de Adão e Eva acontece depois que Deus ofereceu condições para eles refazerem e recomeçarem tudo novamente, mas os dois demonstraram que não queriam reconhecer o erro e procuraram justificativas para aquilo que tinham feito. Sem perdão e reconciliação não é possível existir a comunhão. Mas, mesmo diante do pecado de Adão e Eva, a última palavra é de promessa e de Deus: Uma “Mulher” irá vencer e pisar na cabeça da serpente da tentação dos primeiros pais.

No Evangelho de Marcos deste domingo, os principais da religião dos judeus passam a ver Jesus como alguém perigoso, pois não respeitava as normas e as leis do sábado e da pureza. Por outro lado, a fama de Jesus se espalhou e Ele e seus discípulos não tinham nem tempo para comer. A notícia sobre o confronto com os fariseus, as curas que Jesus estava operando e as multidões que corriam até Ele, tudo isto chegou até seus familiares que estavam em Nazaré. Seus familiares ficaram preocupados e para evitar que Jesus fosse morto por seus opositores, eles decidiram levá-lo para longe de Cafarnaum alegando que estava fora de si (louco).

As autoridades religiosas não conseguindo dar uma resposta diante de tanta sabedoria e tantos sinais de Deus como curas, milagres e exorcismos, apelam para o extremo da rejeição: “Ele está possuído por Belzebu (príncipe dos demônios)”. Isto para que o povo deixasse de buscar e seguir a Jesus.

Mas, Jesus demonstrou a incoerência. O mal tem sempre o objetivo de distanciar as pessoas do bem e de Deus. Cristo estava exatamente fazendo o contrário: semeando o bem no meio do povo com palavras e ações. No pecado de Adão e Eva, o casal após o pecado se sentia longe de Deus; Jesus sempre procurou aproximar o povo de Deus. Ademais - como afirma Jesus - o mal é mestre para semear a divisão e fazer o mal e não o bem.

O pecado de Adão e Eva foi de querer se colocar no lugar de Deus. Os escribas queriam fazer a mesma coisa ao se sentirem no direito de afirmar que Jesus agia em nome do Mal e não de Deus. Eles estavam fechados em seus “esquemas religiosos” e cegos em relação ao modo de interpretar a ação de Deus. Para eles: Aqueles que não se “enquadravam” nos seus esquemas, eram julgados como endemoniados.

O erro dos mestres da lei foi de atribuir uma ação de Deus a Satanás (Belzebu), se fechando, assim, completamente a graça de Deus. Este é um pecado contra o Espírito Santo (como diz Jesus) que não tem perdão, pois é a radical renuncia à comunhão com Deus.

Marcos retoma a informação dos parentes de Jesus, colocando que também a “mãe de Jesus” estava entre eles. O detalhe quando eles chegam onde Jesus estava é significativo: eles ficam fora e mandam chamar Jesus. Ao redor de Jesus estava a multidão, Ele ensinava a todos e esses escutavam seus ensinamentos. Jesus cumpria sua principal missão que era formar discípulos (não tanto curar as doenças).

Seus parentes queriam que Ele abandonasse tudo e “saísse” para ir ao encontro deles. Mas, Jesus convida a fazerem o contrário: eles é que deveriam entrar e fazer parte da multidão que estava sendo instruída por Ele. O Evangelho termina sem nos dizer quem aderiu ao convite de Jesus e se tornou “verdadeiramente” parente de Jesus: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Podemos supor que, pelo menos, a sua mãe aderiu ao convite e deixou também Nazaré para ficar ao lado e acompanhar seu filho Jesus, completando a sua missão, não mais somente de mãe, mas também de discípula.

Sejamos nós hoje seus discípulos ouvindo sempre o Mestre Jesus e confiando em suas palavras. Vivendo como pessoas que buscam as coisas do alto e se colocam a serviço do próximo.