
#Reflexão: Solenidade do Domingo de Pentecostes (08 de junho)
A Igreja celebra neste domingo a Solenidade do Domingo de Pentecostes (08). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: At 2,1-11c
Salmo: 103(104),1ab.24ac.29bc-30.31.34 (R. cf. 30)
2ª Leitura: 1Cor 12,3b-7.12-13 ou, à escolha: Rm 8,8-173
Evangelho: Jo 20,19-23 ou, à escolha: Jo 14,15-16.23b-26
PENTECOSTES
Neste domingo festejamos a solenidade de Pentecostes. É a celebração da vinda do Espírito Santo sobre todos os discípulos, sobre a Igreja de Jesus. Lucas nos Atos dos Apóstolos (1a leitura) usa diversos sinais e imagens para contar este grande evento para todos nós.
Desde o início do Domingo da Páscoa, vimos que todas as experiências que os discípulos tiveram com Jesus ressuscitado não foram suficientes para eliminar os temores em relação a tudo que Jesus sofreu, principalmente, sobre sua morte. As manifestações de Jesus não conseguiram cancelar as dúvidas sobre a presença de Cristo Ressuscitado entre eles. Era necessário algo mais profundo e transformador. Era necessário algo que ligasse a Páscoa (vida nova de Jesus) a realidade mais profunda dos discípulos: suas próprias vida. Sem o Espírito Santo, tudo seria somente uma história da vida de Jesus, algo que teria somente se limitado ao Mestre que seguiram. O Espírito Santo teve a missão de transforma de dentro para fora; de ideias para anúncios; de informações sobre Jesus em testemunho de vida.
A missão de Jesus neste mundo não terminou com a sua ascensão (subida) aos céus. Tudo que Ele realizou em um lugar definido e em momento da história não podia permanecer restrito e limitado a poucas pessoas. A redenção operada por Jesus (com sua morte e ressurreição), mas principalmente o seu projeto de amor para com toda humanidade, tudo deveria ser proclamado a todas as pessoas em todos os tempos. Assim, Jesus muda o seu modo de agir e operar neste mundo. Passa a se fazer presente na história através da sua Igreja. Jesus já tinha mencionado o que significa o Espírito Santo. Ele é o Paráclito (aquele que está ao lado como defensor), o Consolador e o Advogado na vida de cada pessoa que O recebe. Em outras palavras, o Espírito Santo é o próprio amor de Deus presente em nossas vidas. Lucas procura narrar aquele momento usando vários sinais para mostrar que foi mais uma grande manifestação de Deus neste mundo; mais uma revelação especial que deve ser recordada pra sempre.
O evangelista Lucas conta que da parte dos discípulos tudo estava preparado: estavam juntos e reunidos. O “Espírito Santo vem do céu” não é fruto de qualquer esforço dos apóstolos, mas foi dado por Deus. Os sinais apresentados no texto sagrado (som, vento impetuoso, tremor, línguas de fogo…) recordam as grandes revelações e manifestações de Deus no AT: o Pentecostes é a definitiva manifestação de Deus que completa a missão de Jesus. Ele é gratuito e desce sobre todos indiscriminadamente. O Espírito Santo é dom de Deus para sua Igreja que é formada por cada pessoa batizada, assim, todos têm o mesmo dom e por isto o mesmo valor dentro da Igreja de Cristo.
O Espírito Santo impulsiona todos a falar e a se manifestar. É o próprio Espírito de Deus que anima cada um para o louvor e para a ação de graças, com preces e um novo modo de rezar. Ele age em quem proclama o próprio Jesus Cristo e também atua em quem escuta. Lucas nos diz que muitos ouviram os apóstolos e discípulos que rezavam e proclamavam as maravilhas de Deus e mesmo sendo de países diferentes, ouviam em suas línguas o mesmo anúncio da Boa Notícia de Deus para todos.
No dia Pentecostes, a Igreja de Cristo começa sua missão: anunciar aquilo que recebeu de Jesus com a ajuda do Espírito Santo. A primeira manifestação de Deus através dos apóstolos após a descida do Espírito Santo indica outra grande característica da Igreja de Jesus: a unidade na diversidade. As línguas de fogo do céu que repousaram sobre todos, soltaram as línguas dos apóstolos para anunciar e proclamar a Jesus, e todos escutam em suas próprias línguas. Cada pessoa no Cenáculo recebeu o mesmo Espírito Santo, ninguém ficou de fora. Cada pessoa na Igreja possui o mesmo Espírito Santo que também possui aquele que está no mais alto grau de responsabilidade: o Papa tem a mesma Força do Alto que o mais simples entre os fiéis.
O Espírito vindo do alto impele a todos para sair e falar de Jesus. Esta é uma característica do Paráclito Santo: arrastar os filhos e filhas da Igreja para sair e evangelizar. É Espírito que não suporta pessoas fechadas e com medo, pois o Espírito Santo de Deus é livre e semeia liberdade nos corações de todos. Interessante é que ainda hoje tem aqueles que querem “voltar para o Cenáculo” e fechar as portas para o mundo.
Destaque especial que nos conta Lucas é a transformação pessoal de cada um ao receber o Espírito Santo. Tornam-se novas pessoas, mas acima de tudo com uma grande alegria. Além de ouvirem em suas línguas, as pessoas estavam espantadas com a festa que todos faziam a tal ponto de acharem que estavam embriagados. O Espírito Santo é presença de Deus, mas presença de amor e de alegria, por isto, cada fiel deve manifestar-se ao mundo vivendo o Amor de Jesus e com muita alegria.
Outro dom especial concedido pelo Espírito Santo foi a oração. De fato, uma das missões do Espírito de Deus é nos ajudar a rezar, nos colocar em comunhão com o nosso Deus e Pai. Apesar de terem línguas diferentes e de serem de países distantes, todos recebem o mesmo dom e as mesmas graças.
Paulo na segunda leitura completa a nossa compreensão sobre o Espírito Santo na Igreja de Jesus. O Espírito de Deus dá a cada cristão dons especiais, mas tais dons nada mais são que partes que compõem a própria Igreja de Cristo. Cada pessoa é preciosa dentro da Igreja, pois tem a missão de compor o corpo de Cristo neste mundo. Assim, um carisma é um dom especial, mas para toda Igreja. Ninguém deve se sentir autônomo (sozinho) da Igreja. A imagem que o apóstolo usa é a do corpo e de seus membros. Cada parte possui sua importância e seu valor e deve realizar tudo com precisão, pois cada membro deve faz tudo não para si próprio, mas para o bem de todo o corpo de Cristo que é a sua Igreja. O Espírito Santo age naqueles que compõem a Igreja de Cristo e, assim cada fiel deve se deixar conduzir pelo Espírito para que toda a Igreja possa manifestar ao mundo o amor de Cristo.
Paulo também acentua a diversidade dos membros diferentes, no entanto, todos compõem a mesma Igreja. Esta é outra característica da Igreja de Jesus neste mundo: é composta por tantas realidades e carismas diversos, mas tudo isto é uma grande riqueza em sua Igreja. A missão do Corpo de Cristo na história não tem limites e fronteiras, nem obstáculo em relação às pessoas e às línguas, pois Ele se adapta e se ajusta a cada cultura e a cada povo para que o Evangelho chegue a todos as gentes.
A Igreja que nasce no dia de Pentecostes possui características bem definidas: é formada pelas mesmas pessoas que caminharam com Jesus que não foram tão fiéis a sua missão, mas com a força do alto, Espírito Santo, foram transformadas: eles de medrosos que eram, passaram a anunciar com coragem e alegria a todo mundo, tudo que tiveram o privilégio de ver, escutar e experimentar junto de Jesus. Outro aspecto que percebemos é o forte caráter comunitário do grupo: passam a fazer tudo como uma grande família (oração, pregação, vida em comum etc.). O Espírito Santo sempre nos conduz a ser cada vez mais Igreja, mas sempre na sua Igreja Por fim, eles se tornam instrumentos nas mãos de Deus. Fazem tudo seguindo a vontade de Deus que procuravam discernir através da oração e comunhão entre todos. Aprendemos que o Espírito sempre nos impele a ser NA IGREJA e nunca EM OUTRA IGREJA. Se antes aos apóstolos seguiam o facinante homem Jesus pelas estradas de Israel, hoje seguimos o Corpo de Jesus que é a sua Igreja.
No Evangelho, São João também recorda o dia em que todos receberam o Espírito Santo. Tudo aconteceu durante um encontro dos apóstolos com Jesus ressuscitado ainda no dia de Páscoa. Nosso Senhor veio, se colocou no meio de todos e confirmou o principal dom da Sua ressurreição: a paz. João nos diz que Jesus lhes mostrou suas mãos e o seu lado ferido. Não queriam ver o rosto, pois para Eles o último momento que ainda traziam do Mestre era de morte no alto da cruz. Jesus confirma para todos ao mostrar as suas mãos e o seu lado que se tratava do mesmo Senhor e Mestre que seguiram pelas estradas da Galileia e da Judeia.
Depois da confirmação que se tratava do mesmo Jesus e do dom da paz, Cristo sopra sobre eles concedendo-lhes o dom do Espírito Santo. Gesto este que recorda Deus Pai criador dando vida ao barro que se transforma em Adão. Com o Espírito de Deus, todos se tornam pessoas novas em Deus, mas tal dom não deve ser acolhido como um privilégio egoísta, mas um dom especial para a missão. De fato, Jesus antes de soprar sobre os apóstolos envia todos para a missão que nasce da vontade de Deus que Jesus cumpriu com toda determinação e que do mesmo modo deverão fazer os apóstolos.
Para São João evangelista, o dia de Pentecostes é marcado como o momento em que todos recebem o dom especial de Deus (O Espírito Santo), mas também o dia em que a Igreja parte em missão. Jesus ainda lembra no Evangelho sobre a importância em relação ao perdão de Deus. Os apóstolos devem ajudar as pessoas a buscarem sua conversão e reconciliação com Deus Pai. São Lucas nos Atos lembra da permanência de Jesus com os seus por 50 dias (Pentecostes) e somente depois, todos são revestidos do Espírito Santo, algo semelhante aos dois Sacramentos de nossa fé: o Batismo e a Confirmação.

