#Reflexão: 14° domingo do Tempo Comum (06 de julho)

4 de julho de 2025

A Igreja celebra o 14° domingo do Tempo Comum, neste domingo (06). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 66,10-14
Salmo: 65(66),1-3a.4-5.6-7a.16.20 (R. 1)
2ª Leitura: Gl 6,14-18
Evangelho: Lc 10,1-12.17-20 ou mais breve 23,1-49

Acesse aqui as leituras.

Missionários da paz e do amor de Deus (72 discípulos)

Os textos do AT nos apresentam muitas imagens de Deus. Os profetas e escritores sagrados procuraram descrever alguns aspectos de Deus, muitas vezes, a partir da sua própria experiência humana e cotidiana, por isso algumas descrições de Deus têm muito mais de humano do que de divino: um Deus da guerra, da vingança, do terror etc. É com Jesus que temos realmente um perfeito retrato de Deus, revelação maior de como realmente é nosso Deus que Nosso Senhor nos ensinou a chamar de Pai. Jesus é o rosto de Deus no homem perfeito.

Mas, algumas passagens nos livros do AT nos chamam atenção pela forma ousada de descrever Deus, fugindo dos padrões de poder, força e medo. Isaías no texto deste domingo nos espanta mostrando-nos um Deus que podemos descrever como uma MÃE. Que cuida de todos não com poder divino, mas comparando com uma mãe cheia de carinho e dedicação para com seu filho. A ligação que nosso Deus Mãe possui para com o seu povo é o mesmo que liga profundamente uma mãe que doa seu leite para alimentar seu filho, momento mágico e suprime de mais puro afeto e amor. O povo que leu este trecho do profeta precisava desta mensagem profunda que o nosso Deus muito mais do que poder, Ele é cuidado; muito mais do que força, Ele é amor de mãe. 

Não existe força humana mais profunda que o amor de mãe que muito mais que gerar uma vida, se preciso for, entrega sua vida pelos seus filhos e filhas. Dar-se plenamente para o seu filho é um exemplo daquilo que Jesus realizou plenamente em sua vida. Primeiro nos elevando a todos indistintamente a categoria de filhos e filhas de Deus que nos ensina a chamar de Pai e depois doa o seu próprio sangue para nos salvar. Jesus nos ensina o caminho e resgata em nós a certeza que nosso Deus Pai e Mãe nos acolhe sempre em seus braços, nos dá vida e nada neste mundo pode nos separar Dele.

A experiência da comunhão e confiança com Deus, Jesus convida os discípulos a fazerem o mesmo conforme o Evangelho de Lucas deste domingo. Para o terceiro evangelista, os enviados foram muitos: 72 discípulos, muito mais que os 12 apóstolos, núcleo principal do grupo de seguidores do Senhor (Lucas diz: “O Senhor enviou outros setenta”), o número, talvez, esteja ligado a Moisés que reuniu 70 anciãos no deserto (Nm 11,16-25). Lucas se inspirando em Moisés, vê que a missão não poderia se reduzir aos 12 apóstolos, mas é uma obrigação universal, de todos os cristãos. Missão que a Igreja, depois do Pentecoste, executa através de alguns apóstolos e, especialmente, com Paulo. O Mestre Jesus os envia em uma missão desafiadora, cheia de perigos e insegurança como ovelhas em meio a lobos. Ele tem consciência dos desafios, mas muito maior é o amor e o amparo que Deus nos dá quando nos colocamos em missão. Nada e ninguém podem ser maiores que o amor assistente de Deus.

Jesus tinha se colocado como Pastor à frente de todos, agora o discípulo vai à frente do Mestre, mas para conduzir outros ao Senhor. O centro é sempre o mesmo: o Mestre Jesus. Dele parte tudo e todos devem se convergir para Ele. O missionário do Senhor é chamado a fazer a experiência da grandeza de Deus já em como se colocar a serviço de Deus. Deve ir sem nenhum sinal de poder, grandeza, segurança e riqueza, pois o maior tesouro que pode dar se encontra na Palavra que ele é chamado a anunciar. Nada pode ser obstáculo para Jesus chegar até as pessoas: coisas materiais e nem o próprio discípulo. Jesus é o centro de tudo e deve ser inclusive no anúncio, por isso, o missionário não se torna especial, mas somente a sua mensagem; ele é como um entre muitos, por isso, come e bebe aquilo que todos comem e bebem. A principal preocupação é com aquilo que ninguém ainda conhecia e precisava receber: A Palavra de Jesus. O discípulo é chamado a deixar tudo desde mundo para que o mundo recebe tudo de bom. Para o missionário, os valores e os contravalores não devem ter importância: roupas, riquezas, tipo de casa e nem apegos: às pessoas, prestígio e nem o ódio. Nada de ruim deve ser levado para frente, nem a poeira das sandálias. Tudo deve ficar para traz: as coisas boas que o mundo pode oferecer (alimento, conforto, prestígio…) e também as atitudes negativas que possuem o mesmo poder de segurar as pessoas: rejeição, ódio, vingança. 

O tesouro a ser conduzido encontra-se no coração e na vida do discípulo. Sua mensagem principal é de paz, mesmo que o mundo ao redor seja de  lobos, o missionário deve ser semeador da Boa Nova. Ele não é dono de nada, nem da Palavra e nem da obra, apenas instrumento de Deus. Não somos nós que temos que fazer algo, mas sim deixar Deus fazer algo através de nós. Mas, antes é preciso que a Palavra esteja viva em cada missionário. Por isso, Jesus envia de dois em dois. No costume antigo, era para que a mensagem tivesse a confirmação do companheiro, mas no grupo missionário de Jesus este costume ganha um valor especial. Os dois são chamados a testemunhar já na vida de desapego e confiança plena em Deus, aquilo que anunciam. A comunhão e a paz que anunciavam, os discípulos são chamados a mostrar visivelmente entre eles. Assim, a mensagem e a Palavra de Jesus tornam-se vida, pois iniciam em pessoas que a vivem e não somente anunciam. 

Chama-nos atenção da exigência clara e mais exigente da parte de Jesus: envia seus discípulos entre lobos. Fundamental que sigam como modelo de vida, o próprio Jesus. Estarão sempre cercados por todos tipos de pessoas e uma boa parte, serão como lobos nas palavras e no comportamento, mas os discípulos não devem se comportar da mesma forma. Como Jesus, devem semear a paz sempre e não responder o mal com o mal, violência com a violência.

São Paulo soube viver plenamente essa missão que os discípulos de Jesus começam a experimentar. Anunciar com convicção e vida, aquilo que carrega muito mais no coração do que na boca: Que Jesus deve ser o centro da vida de todos. Tudo deve convergir para o Senhor, por isso, tudo se torna relativo – segundo Paulo – diante de Jesus: leis judaicas, poder do mundo, riqueza e o prazer das coisas materiais. Tudo deve se tornar relativo para que Deus se torne absoluto em nós. Esta é a verdadeira paz que o mundo necessita e que não possui, pois muitos ainda estão agarrados a coisas intermediárias e sem valor. O homem possui um coração imenso que nada deste mundo pode preenchê-lo, somente Deus.

Os discípulos partem enviados por Jesus e a Ele retornam. A alegria foi contagiante, pois ofereceram tudo que tinham com as mãos e os bolsos vazios; deram o melhor que podiam, semearam a paz e plantaram a comunhão e o amor com o testemunho. São forças divinas ao alcance de todos e que nem o mal pode resistir. Mas, ainda tinha ficado um pequeno resto do brilho das coisas desta terra: o poder. Demonstraram certa ilusão em achar que tinham feito algo até mesmo contra o mal; pura ilusão, pois o poder sempre esteve com Deus que age através do missionário. Jesus encerra seu ensinamento esclarecendo que todos devem se alegrar, pois têm seus nomes escritos junto de Deus. Este é o prêmio melhor é irrevogável, a felicidade principal, pois está no céu. 

O mundo de hoje precisa de pessoas que compartilhem com a vida, a paz que somente Deus pode dar, mas para isso, é preciso ter a mesma paz, fazer a experiência do amor de Deus e, por fim, anunciar a todos neste mundo. A messe (a obra) é de Deus, mas sem nós e nossa disponibilidade, o mundo sempre ficará correndo atrás do que é passageiro e dificilmente encontrará o que é eterno.

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