
#Reflexão: Festa da Dedicação da Basílica do Latrão (Catedral de Roma) (09 de novembro)
A Igreja celebra neste domingo a Festa da Dedicação da Basílica do Latrão (Catedral de Roma) (09). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Ez 47,1-2.8-9.12
Salmo: 45(46),2-3.5-6.8-9 (R. 5)
2ª Leitura: 1 Cor 3,9c-11.16-17
Evangelho: Jo 2,13-22
Festa da dedicação da Basílica de São João de Latrão (2025)
A igreja de Latrão foi a primeira construída no Ocidente após a permissão concedida por Constantino aos cristãos de, livremente, professarem a sua fé. Este imperador conquistou Roma em 312 d.C. com seu exército onde havia muitos cristãos. Antes de conseguir seu intento, Constantino viu um sinal no céu que era semelhante a uma cruz, o mesmo sinal que os cristãos do seu exército traziam consigo. Após sua vitória, o imperador permitiu que os cristãos professassem publicamente sua fé, como as outras religiões já faziam. Até aquela dada, os cristãos eram perseguidos e se reunião nas casas e catacumbas (cemitérios subterrâneos).
Constantino no mesmo ano, doou ao Papa Melquíades (foi papa de 311-314) um terreno que pertencia a sua família onde foi construída a igreja de Latrão (nome do local) e em 324 foi consagrada pelo Papa Silvestre como igreja de São Salvador, depois no século XII foi dedicada a São João Batista.
Esta igreja é muito importante para a fé cristã, pois foi a primeira construção pública como templo cristão. Foi certamente uma igreja menor em relação à Basílica que hoje se encontra no mesmo local, mas naquela igreja de Latrão, os cristãos puderam publicamente se reunir e celebrar sua fé sem medo. A Basílica de Latrão passou a ser a sede oficial do Papa até 1.300 e lá foram realizados 250 Concílios, inclusive 5 concílios ecumênicos, que ajudaram a esclarecer e a definir a fé cristã. Foi destruída, incendiada e invadida em tempos de guerra, mas em 1.726 foi refeita pelo Papa Bento XIII e ganhou o esplendor que se pode ainda hoje.
As leituras escolhidas para celebrar e recordar essa primeira igreja cristã construída no Ocidente, retrata muito bom a importância do Templo para quem celebra sua fé.
O profeta Ezequiel viveu em uma época em que o 1º Templo de Salomão estava por ser destruído. Os assírios tentaram e depois os babilônicos conseguiram invadir a cidade de Jerusalém, saquear e destruir o Templo (no ano 586 a.C.). Mas, o profeta tem uma bela visão, vê o Templo como um local de bênção de Deus. Sabemos que nenhum local no mundo pode conter e muito menos aprisionar toda a grandeza de Deus, mas o Templo consagrado a Deus era um local especial de sua manifestação. Deus precisa de “meios” para fazer chegar suas graças aos homens. A imagem apresentada por Ezequiel retrata bem isto: do Templo saem rios que banham os quatro cantos da terra e todos que deles beberem sua água serão curados e sanados em seus males, homens e animais. As folhas das árvores que tiveram suas raízes neles, servirão para curar os males e doenças. É uma imagem profética do grande dom que os judeus tinham em seu meio, mas que não valorizavam, desprezavam e por fim, acabaram perdendo. Praticamente, a mesma imagem, encontramos no Apocalipse, mas no local do Templo, o autor João fala que haverá no local: Deus e o Cordeiro que é Jesus (cf. Ap 21,22; 22,1-5).
Mas, depois de muitos anos destruído, o Templo de Jerusalém foi reconstruído (515 a.C.) e os judeus passaram a ter um grande zelo por ele. A vida do judeu passou a girar em torno de preceitos e normas para que o fiel pudesse se encontrar o mais santo que fosse possível para oferecer seus sacrifícios no Templo de Jerusalém.
No tempo de Jesus, infelizmente, o Templo se encontrava novamente em situação de exploração e mal-uso. Dentro dele, as normas de santidade e de exclusividade eram rígidas e severas. Havia lugar que somente o povo judeu podia permanecer, outro exclusivo para os homens, outro reservado somente para os sacerdotes e para o sacrifício e o mais santo de todos que somente alguns podiam entrar duas vezes por ano e escolhido, exclusivamente, para tal função (cf. Lc 1,5-25), era o Santo dos Santos. Mas, ao redor destra grande construção (Santuário) a religião judaica permitia quase tudo.
O Templo passou a ser uma forma de enriquecimento de poucos, manipulação e exploração da vida das pessoas. Jesus no Evangelho de hoje tinha visto esta situação de comércio que o Templo tinha se tornado. Ele cumpre uma ação profética de expulsar todos os comerciantes que tinham instalado ao seu redor bancas, de trocas de moedas, por animais.
Naquele tempo, a forma principal que um judeu tinha de praticar a religião no Templo era através de sacrifícios e oferendas. O Templo foi de pouco em pouco deixando de ser local de oração e preces para se tornar um local de sacrifícios. As duas ações sempre foram realizadas no Templo, mas naquela época de Jesus, quase tudo que o fiel judeu fazia no Templo era realizado com dinheiro, oferendas e sacrifícios.
O Templo era um lugar santo e somente aquilo que era considerado santo e perfeito podia ser usado lá dentro. Os animais tinham que ser perfeitos: sem quebraduras, bem de saúde, sevados e sem manchas. Para uma pessoa simples e que morava longe era quase que impossível trazer um animal em “condições dignas” para ser oferecido no Templo. Os pobres que não tinham condições de oferecer bezerros ou cabritos (e nem possuíam animais) podiam oferecer rolinhas ou pombinhos (Lc 2,24). Dessa forma, vinham de longe e traziam dinheiro e ao redor do Templo compravam estes animais para o sacrifício. Os sacerdotes e sumo sacerdotes responsáveis pelo Santuário com o tempo foram permitindo comerciantes instalarem suas bancas na área próxima do local sagrado e certamente mediante a paga de qualquer valor.
Jesus vendo tudo isto, fez um chicote e expulsou todos da explanada que era a área próxima do Santuário Sagrado. O gesto de Jesus foi de zelo pela casa do Senhor que tinha se tornado um local de comércio e exploração dos pobres (mesa dos pombos). O Senhor não era contra o Templo, pelo contrário queria chamar a atenção com seu gesto que a religião não pode ser instrumento de exploração da fé das pessoas. O Templo devia ser realmente a “Casa de Deus”, as pessoas deviam se sentir acolhidas e abençoadas com se fossem em suas próprias casas.
Os cristãos não tiveram nenhuma igreja como Templo até a igreja de Latrão em 324 e assim, por quase três séculos a fé era vivida e celebrada nas casas e em família. O cristão é o principal templo de Deus que passa a morar nele a partir do Batismo (2ª leitura). Mas, como família cristã e de irmãos na fé as igrejas são o sinal visível da igreja invisível que somos todos nós. Se os irmãos se sentem família quando estão juntos, eles devem se sentir e se reunir para celebrar sua fé nas igrejas, capelas e em suas casas. Como no Templo de Jerusalém, também em nossas igrejas, Deus nos reserva graças especiais e únicas que são a força para a nossa caminhada de fé: graças, bênção e os sacramentos, particularmente a Eucaristia, manifestação e presença viva de nosso Deus.
Para ver o interior da Basílica de São João de Latrão, visite o endereço clicando aqui.

