
#Reflexão: Solenidade da Epifania do Senhor (04 de janeiro)
A Igreja celebra a Solenidade da Epifania do Senhor neste domingo (04). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 60,1-6
Salmo: 71(72),1-2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11)
2ª Leitura: Ef 3,2-3a.5-6
Evangelho: Mt 2,1-12 (Visita dos Magos)
FESTA DA EPIFANIA DO SENHOR
A festa da Epifania (“manifestação”) é grande mensagem que o Evangelho nos apresenta de um Deus Salvador que não tem fronteiras, que pertence a humanidade e que tudo inicia com os simples e os pequenos. Nosso Salvador inspira povos e pessoas de longe, toca o coração de todos transformando-os em caminhantes que buscam com alegria a Deus. Um Deus Salvador que não está fechado em um Templo, mas sim na periferia de uma vilazinha; não mais na grande cidade com o seu magnífico Santuário, mas em uma casa com um recém-nascido. No Natal meditamos um Deus que procura estar entre nós como uma criança; na Epifania, temos pessoas que procuram a Deus.
Nesta solenidade da Epifania, meditamos que o nosso Deus não se encontra nas paredes frias de um Templo ou em páginas de um livro, mas se fez carne e veio habitar entre nós. Os viajantes do Oriente olharam para o céu (como convida Isaías na 1ª leitura) e se colocaram a caminho para encontrar um significado para aquilo que viam, mas não entendiam. Deus sempre procura nos alcançar naquilo que entendemos das coisas, nas pessoas que estão próximas de nós e na realidade em que vivemos.
No Evangelho desta festa da Manifestação de Jesus, Mateus inicia dizendo: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia”. O local confirma a tradição do nascimento em Belém, ideia que será repetida mais vezes, isto para confirmar a forte ligação de Jesus com a tradição sobre o Messias como descendente de Davi, rei ungido em Belém (1Sm 16,1-13).
Em seguida, Mateus introduz a história dos viajantes com “eis que magos”, eles entram na história sem nenhuma ligação com Belém (Davi) e Herodes. Os “magos” eram bem aceitos nas cortes e muitos reis apreciavam suas previsões, por isso, eles não encontraram dificuldade em se aproximar de Herodes.
Os viajantes do Oriente, movidos pelo conhecimento que tinham do céu perceberam que havia uma “estrela diferente no firmamento”. Até onde descobriram, concluíram que valia a pena arriscar e deixar tudo para buscar o “dono” daquela estrela diferente. Aqueles homens do Oriente representam muito bem a nossa caminha de fé e busca de Deus. Eles saíram de longe, se orientaram com o que sabiam, se perderam na caminhada, foram a lugares errados em busca de respostas, mas não desistiram jamais. Abandonaram suas terras em busca de um rei e encontraram um menino; buscaram nos palácios e terminaram a jornada em um local simples (Mateus diz “casa”; Lucas, um local para animais); acharam que tudo estaria resolvido com as pessoas mais importantes da época, mas tudo só teve sentido quando se encontraram com a família de Nazaré.
A ciência que eles tinham os conduziu e os animou em uma longa jornada, mas ela não deu todas as respostas. Chegaram até Jerusalém, pensando que lá teriam uma explicação para tudo, mas obtiveram somente parte da solução. A ciência dos magos os levou até a cidade dos profetas e do Povo de Deus, mas somente conseguiram prosseguir a busca quando tiveram contato com a Palavra de Deus. O evangelista Mateus nos conta que de um lado: a cidade ficou agitada e Herodes ficou com medo; e de outro lado: os magos se encheram de alegria. Os viajantes do Oriente foram um grande instrumento de revelação para os grandes de Jerusalém (Herodes e sacerdotes), mas aqueles homens preferiram ignorar tudo.
Todos os convocados por Herodes (sacerdotes e Escribas) se mostraram entendidos nas Escrituras, mas fechados em suas esperanças. Para os sacerdotes não havia necessidade de novidades e preferiram ficar com Herodes do que seguir os magos. Eles mesmos foram instrumentos de uma Nova Esperança, mas não abraçaram aquilo que leram e conheciam (a Palavra de Deus). Para os homens da religião e da Lei em Jerusalém, eles já tinham o Templo, as festas, os sacrifícios e suas tradições, eles não queriam saber da novidade do menino que atraía pessoas de terras distantes.
Na cidade, a “estrela guia” não pode ser mais vista. No palácio do rei, não havia espaço para os sinais de Deus. Nos lugares onde a prepotência daqueles que se sentem os maiores, Deus não pode ser visto. Onde há mentira, não brilha a luz de Deus. Mas, ao saírem da “cidade dos poderosos” daquela época (Herodes e os sacerdotes), a alegria dos magos retornou. Antes viam a estrela somente com seus conhecimentos, ao deixar a Cidade Santa, foram alimentados pela esperança da profecia da Palavra de Deus. Agora a viagem deles estava animada com um novo sentido: estavam no caminho certo e estavam próximos! Os magos estrangeiros de terras pagãs se aproximavam cada vez mais de Jesus; os sacerdotes e a religião oficial, cada vez mais distantes. Antes, a Cidade Santa, Jerusalém, era o centro e o ponto de chegada de todos os peregrinos; agora com Jesus, passa a ser somente instrumento e passagem que conduz ao verdadeiro sentido de toda jornada. Belém, a “menor das cidades” faz sombra a grande cidade do povo de Deus.
Os homens do Oriente perceberam que os sinais de Deus, possuíam um sentido próprio e uma grandeza particular independente daqueles homens do poder. Não deviam mais buscar entres os grandes, mas que deveriam se guiar pelas próprias indicações de Deus. Herodes usa da religião e de seus representantes não para fazer o bem, mas para proveito próprio. Os envia como se fossem seus representantes (quis usar os magos como usou a religião da época), usa de mentiras para continuar produzindo morte e medo.
Ao saírem de Jerusalém, viram a estrela novamente e Mateus diz que “se alegraram”. Antes era um fenômeno de alguém importante. A confirmação da Palavra de Deus acrescentou algo na caminhada: um sentido profundo de felicidades… é a força da Palavra de Deus em nós!
Mas, finalmente, em Belém tudo se revestiu de significado e sentido. Não encontraram nada espantoso ou espetacular, mas somente uma família com um recém-nascido. Os três presentes são simples e significativos: ouro para os reis e para Deus, incenso para divindade e perfume para um grande homem. Os magos tinham se transformado em homens que se guiavam não mais pelas certezas humanas, mas pela fé que tem a sua raiz na Palavra de Deus. Para o mundo era somente uma criança em seus primeiros momentos, para Herodes uma ameaça, para os sacerdotes eram palavras nas Escrituras, mas para os magos era o próprio Deus que rege tudo e todos. Assim, se ajoelharam e o adoraram. O mais importante não foram os presentes (apesar de serem significativos), mas a constante busca e a força de vontade de procurar sempre, mesmo errando e com incertezas. Na caminhada que fizeram tudo foi ganhando sentido e os sinais foram tornando a viagem mais segura e certa. Sem o amadurecimento nos erros, eles não teriam percebido que tudo estava tão fácil de ser encontrado.
Os homens do Oriente representam todas as pessoas de fé que em todos os tempos buscam se encontrar com Jesus e dar uma resposta e sentido em suas vidas. Os magos buscaram e foram movidos por seus desejos, curiosidades e impulsos. Erraram o caminho algumas vezes, mas persistiram. Os sinais de Deus estão ao nosso lado, ao nosso redor e nas pessoas que convivemos. São grandes sinais, mas nas pequenas coisas. Toda salvação e todas as promessas tiveram significado quando encontram o Menino Deus, não no palácio do rei (procuram um rei, encontram um menino); procuram na cidade mais importante, mas a resposta estava em um local simples; não O encontram no Templo de Jerusalém, mas em uma família; procuram entre os maiores, e encontram uma mãe com seu filho; procuram junto a um assassínio de criança (Herodes), mas encontram tudo realizado em um recém-nascido numa manjedoura.
Importante lembrar que os magos eram pessoas fora do ambiente religioso da época; pessoas que buscavam a Deus, mas fora da religião oficial; eram estrangeiros, por isso, estavam fora das promessas (como também os pastores), mas foram eles que acolheram o novo que estava surgindo.
Deus se fez conhecer nos pequenos e nos grandes; aos judeus e aos pagãos; aos simples e ignorantes, mas também aos estudiosos magos do Oriente; aos impuros e excluídos, mas também aos homens da religião; se fez conhecer aos que estão próximos e vizinhos, mas também aqueles que moravam distantes, no Oriente. No Natal renovamos nossa fé que Deus está com a gente (“Deus conosco”), mas também é um Deus pequeno entre nós.
A fé cristã jamais deve esquecer que sua missão é levar Jesus para todas as pessoas em todos os povos, concretizando as Palavras de São Paulo na segunda leitura. Ele nos lembra da alegria da mensagem de Deus que deve ser universal, pois todos os povos estrangeiros – em Jesus e no Batismo – se tornam membros do mesmo corpo que é a Igreja e herdeiros das mesmas promessas de Cristo.
Mateus faz questão de lembrar que Jesus, o recém-nascido, estava com sua mãe: “acharam o menino com Maria, sua mãe” (v.11a). Em seus braços, o Eterno Rei recebe adoração e veneração. Maria é o amparo mais profundo para Jesus e ao mesmo tempo o trono onde o Messias é reconhecido. O destino da mãe e do filho estão selados para sempre!
Feliz Ano Novo de 2026!

