
#Reflexão: Festa do batismo do Senhor (11 de janeiro)
A Igreja celebra a Festa do batismo do Senhor neste domingo (11). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 42,1-4.6-7
Salmo: 28(29),1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R. 11b)
2ª Leitura: At 10,34-38
Evangelho: Mt 3,13-17
FESTA DO BATISMO DE JESUS
Concluindo as celebrações do tempo do Natal, a Igreja celebra hoje a festa do Batismo de Jesus. Uma solenidade marcante na vida de Jesus e também para a nossa vida cristã.
O Batismo de Nosso Senhor ficou na memória dos primeiros discípulos de Jesus e se perpetuou em sua Igreja como o momento que teve início a missão de Jesus. Não foi um rito a mais na vida de Jesus, mas aquele que desencadeou oficialmente o projeto de redenção planejado por Deus. Os três primeiros evangelistas relembram aquele momento marcante como uma verdadeira consagração e confirmação dos céus: definitivamente, o que Jesus estava por iniciar tinha as bênçãos de Deus, não era uma iniciativa isolada e pessoal, mas uma ação divina. O Evangelista São João testemunha que João batizou Jesus no Jordão.
Na primeira leitura, Isaías já tinha profetizado esse momento em seu escrito. O messias, como servo de Deus, é o eleito e tem toda afeição e força de Deus para evangelizar. Consagrado por Deus, age conforme a vontade de Deus com especial atenção aos fracos, doentes e enfraquecidos, não rompe o que está fragilizado, mas cura e resgata as pessoas: abre os olhos aos cegos e liberta os cativos das prisões e aqueles que vivem nas trevas. Segundo Isaías, o ungido do Senhor é alguém convocado, tem a proteção e a presença de Deus para implantar vida no mundo. Jesus é esse servo que vem chamado no dia do seu Batismo de Filho Amado.
A relação entre Jesus e o Pai se manifesta publicamente e visível a todos. Os testemunhos nos Evangelhos narram a presença do Espírito Santo em forma de pomba e a voz que veio dos céus. Pedro (na segunda leitura) relembra o testemunho daqueles que estiveram presentes e afirma que a salvação planejada por Deus a todos os povos teve início no dia do Batismo realizado por João Batista.
O evangelista Mateus dedicou mais palavras para retratar aquele momento especial na vida do Messias Jesus e da Igreja. João Batista teve a missão de preparar a chegada do Messias e além da pregação de jejuns e penitência, convidava a todos para acolher o Enviado de Deus com um coração novo e purificado. Ele convidava a todos a um gesto externo e público de arrependimento e mudança de vida com o rito de Batismo nas águas do Jordão. Não temos nenhum testemunho de como ele batizava, mas sabemos que os judeus tinham o costume de uma espécie de “banho ritual”. Era um rito de purificação antes de algumas funções religiosas, um rito que o judeu repetia com frequência e quando se sentia impuro ou em pecado.
Segundo Mateus, Jesus se colocou em fila como os outros e talvez sem ser reconhecido por ninguém. O gesto é expressivo, pois Aquele que é Santo se iguala aos pecados, se submete a realidade deles, portando a graça da salvação. Era mais um entre muitos. Mas não o foi para João Batista, pois ele conheceu Jesus e sabia que o rito de penitência e arrependimento dos pecados não era adequado ao Messias Jesus uma vez que Ele é Santo Filho de Deus, por isso, protesta antes de batizar Jesus, mas João foi convencido a prosseguir com o Batismo. Jesus e o Pai com o Espírito Santo planejaram aquele momento para todos nós.
O mais importante no Batismo de Jesus realizado por João Batista não foi o rito em si, nem a forma que o Batismo foi realizado. Mateus salta a formalidade do rito e relata o que aconteceu após Jesus ser batizado. Os Céus se abriram, o Espírito Santo em forma de pomba desceu sobre Jesus e uma voz se fez ouvir do alto. O rito em si era simples, mas não as graças de Deus e tudo que se manifestou em Jesus e sobre Ele.
Jesus é confirmado em sua missão de salvador com palavras especiais. É chamado de “meu Filho”: é o Primogênito de Deus presente no mundo e tem sua relação marcada pela forma mais profunda de relação entre as pessoas: comunhão filial. O Pai O chama de Filho não adotivo ou escolhido, mas “meu Filho”. Ao Filho de Deus vem associada uma qualidade especial que revela a maior definição de Deus: Ele é amado. Jesus é Filho de Deus amado. Tudo é realizado no amor. Deus é amor, Jesus é o Amado de Deus Pai. Essa manifestação profunda de quem é Jesus (Filho e Amado) não é circunstancial ou momentânea, mas perene. Deus Pai está com Ele e O acompanha é o que podemos entender com a expressão “… ponho minha afeição”. Em Deus, tudo é perfeito e completo. A afeição de Deus não é um gesto passageiro, mas uma consagração por toda a vida.
O Batismo de Jesus definiu publicamente aquilo que Nosso Senhor sempre foi com Deus, mas era necessário que isso ficasse testemunhado na vida dos discípulos. Se o Batismo de João Batista era um simples rito penitencial, para os cristãos, o Batismo que marca a vida inicial de todos reproduz na vida de cada um a mesma consagração de amor e predileção de Deus.
Em Jesus, Filho primogênito e Amado de Deus Pai, todos nós também recebemos as mesmas graças da filiação e do amor de Deus Pai. O Batismo nos torna filhos e filhas de Deus por adoção e recebemos a mesma atenção e carinho de Deus Pai.
Assim, para nós cristãos, o Batismo jamais pode ser tomado como um rito a ser repetido por mero costume ou envolto em superstições e temores, mas um gesto profundo de fé e um desejo de caminhar sempre em comunhão com Deus. Ao ser batizada, a pessoa recebe as graças de filiação divina, torna-se especial aos olhos de Deus, mas são graças que precisam ser cultivadas e alimentadas por toda a vida. Amor e afeição são gestos que devem ser diários e perenes em nossa vida, como são sempre da parte de Deus.
O Batismo de Jesus marcou o início da missão de redenção deste mundo. A luz e as graças de Deus foram definitivamente enraizadas na história humana, mas ainda há muito que realizar para que todos possam usufruir do amor de Deus. Por isso, o Batismo também deve ser o início da nossa missão como cristãos neste mundo. A evangelização precisa continuar, hoje, através de nossa vida de fé e testemunho do amor de Deus. Jesus precisa continuar sua missão de anunciar a Boa Nova do amor e afeição de Deus em nós e através de cada cristão. Com o Batismo no Jordão, Jesus iniciou publicamente sua missão de anunciar o amor de Deus a todos; e nós, como estamos com a nossa missão de semeadores do amor de Deus que um dia recebemos em nosso batismo?

