#Reflexão: 2º domingo do Tempo Comum (18 de janeiro)

14 de janeiro de 2026

A Igreja celebra o 2º domingo do tempo comum neste domingo (18). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 49,3.5-6
Salmo: 39(40),2.4ab.7-8a.8b-9.10 (R. 8a.9a)
2ª Leitura: 1Cor 1,1-3
Evangelho: Jo 1,29-34

Acesse aqui as leituras.

JESUS, CORDEIRO DE DEUS, QUE VEM AO NOSSO ENCONTRO

            A última celebração do tempo litúrgico ligada ao Natal do Senhor foi a solenidade do Batismo do Senhor que celebramos domingo passado. Para marcar o início de sua missão e vida pública, Jesus se deixou batizar por João nas águas do rio Jordão. Nosso Senhor não precisava de nenhum rito de penitência e nem havia pecado para receber o batismo de João Batista, mas naquele ritual provisório, tornou-se público e teve início o tempo novo e uma nova realidade de Deus em meio ao seu povo. No Batismo de Jesus temos a revelação daquilo que acontece em nosso Batismo: nos tornamos filhos e filhas de Deus que se apresenta também como Nosso Pai.

Terminada as festividades do Natal de Jesus, iniciamos o Tempo Comum na Igreja e este ano, vamos caminhar refletindo em nossas celebrações dominicais o Evangelho de São Mateus. No entanto, na celebração deste domingo, temos uma passagem do quarto Evangelho, logo após o Batismo de Jesus em que, João evangelista, recorda o momento posterior ao Batismo quando Jesus vem ao encontro de João Batista. No 4º Evangelho não temos o momento propriamente do Batismo de Jesus.

Na passagem do Evangelho deste domingo quem fala e dá testemunho é somente João Batista. Jesus Cristo é reconhecido e indicado por João como alguém muito especial e profundamente diferente de tudo que se esperava. O Batista não chama Jesus pelo seu nome como tantos outros qualificativos que são usados para se referir a alguém importante e ao Messias como: rei, filho de Davi, Filho de Deus etc. João aponta e testemunha Jesus como sendo “Cordeiro de Deus”.

“Cordeiro” de Deus foi um dos últimos títulos do NT atribuído a Cristo Jesus. Temos 1 vez em Marcos (14,12); 1 vez em Atos (8,32); 1 vez em 1Cor 5,7; 1 vez 1Pd 1,19; 2 vezes em João (1,29. 36) e 31 vezes no Apocalipse.

Jesus vem ao encontro do Batista não com uma fera ou um animal feroz que se impõe e causa medo (como nos grandes impérios da antiguidade), mas como um animal conhecido por todos, pois era usado no Templo durante os sacrifícios, mas João evangelista parece ligar Jesus ao cordeiro usado na libertação do povo de Deus quando ainda todos estavam no Egito (Ex 12,3ss). Jesus vai se encontrar com João (como o faz com cada pessoa), desarmado, que não tira a vida de ninguém, mas que se oferece por todos (como cordeiro); não causa medo, mas é dócil por natureza; que não espanta, mas encanta com sua bondade; que não se impõe, mas se propõe como caminho e pede somente que Ele seja acolhido. O “Cordeiro de Deus vem” e traz muito mais do que perdão, traz a si mesmo. No 4º Evangelho, João Batista demonstra que tinha intuído que Jesus, realmente, não se enquadrava em nenhum esquema de messias e de salvador do seu tempo. Jesus foi algo que nem o Batista mesmo esperava.

Jesus, o Cordeiro, identificado com o animal sacrificial, introduz algo que subverte e revoluciona a face de Deus: não pede mais sacrifícios aos homens, mas sacrifica a si mesmo; Ele não exige a vida de ninguém, Ele oferece a sua; Um Deus que não quebra ninguém, Ele quebra a si mesmo; um Messias que não toma nada, mas dá tudo para suas criaturas (Ermes Ronchi).

João Batista continua seu testemunho dizendo que Jesus é alguém muito superior a ele, pois Sua história é maior que a dele (de João Batista). Sua existência coincide com a própria existência de tudo. Jesus é alguém que rompe a compreensão de tudo que conhecemos, pois, sua missão é muito mais do que algo limitado àquele tempo e àquelas pessoas. De fato, na primeira leitura, Isaías fala da missão do “servo escolhido” que deve ir além de Israel: a salvação que deverá realizar deve chegar até os confins do mundo. O profeta diz que é alguém formado por Deus desde sempre para ser luz do mundo.

No momento do Batismo de Jesus, João tinha tido a revelação de quem realmente era Cristo Jesus. Era alguém tão superior como realidade que o Batista afirma duas vezes “eu não o conhecia”. Talvez eles tivessem se encontrado na adolescência e ou na juventude, mas tudo que João sabia sobre Jesus eram coisas simples e sem valor; no Batismo, o céu se abriu e também a mente de João se iluminou em relação a grandeza daquele que ele batizava.

A confirmação vinda do céu (Espírito Santo em forma de pomba e a voz de Deus) foi uma revelação que João jamais conseguiria descobrir: Jesus era alguém muito maior e muito mais importante do que ele imaginava. No 4º Evangelho é João Batista que vê e dá testemunho do que acontece no Batismo de Jesus. Dessa forma, João Batista é muito mais do que aquele que simplesmente batizou Jesus nas águas do Jordão; ele é aquele que primeiro recebeu a revelação do céu e depois fez questão de anunciar apontando Jesus com o Cordeiro de Deus entre nós. O Batista diz: “Aquele que me enviou”. João é instrumento de Deus e cumpri muito bom sua missão de anunciar a chegada do Messias. Na segunda leitura, Paulo também se sente chamado para uma missão.

Diante de Jesus que vem ao seu encontro, João reconhece a diferença até mesmo em relação ao batismo que realizava. O seu era um rito de penitência para os pecados que todos reconheciam e buscavam mudar de vida. João decreta que o Batismo de Cristo é muito mais profundo e salvífico.

João Batista quando aponta e testemunha que Jesus é o Cordeiro de Deus, ele também afirma que Ele “tira o pecado do mundo”. Jesus, como Cordeiro de Deus que se deixa imolar por todos nós (conforme recordamos e celebramos na Semana Santa), cancelou tudo aquilo que impedia nosso acesso a Deus. O sacrifício da Cruz nos libertou do “Pecado” principal (observe que está no singular!) que nos impedia de nos tornarmos filhos e filhas de Deus e de herdarmos o céu como morada (no Batismo, isto tudo nos vem garantido). Por isto, João acrescenta que o Batismo de Cristo Jesus não será o mesmo que o seu, mas “no Espírito Santo”: celebrado uma única só vez e de forma definitiva. Com o Batismo, o cristão passa a ser morada da Trindade e “marcado” pelo Espírito Santo como “propriedade de Deus”.

O Batismo de penitência de João em vista da chegada do messias, encerrou-se com o fim da sua missão. Cumpriu a sua função que era preparar as pessoas, através de um rito penitencial, para acolher o verdadeiro Salvador com o definitivo Batismo conforme a vontade de Deus. Assim, podemos dizer que o Batismo de João limpava o externo, o Batismo de Jesus penetra e transforma dentro de cada pessoa.

O “Pecado” que nos impedia de termos acesso a filiação divina, foi cancelo pelo sangue do Cordeiro, mas permanece a realidade de conversão e de penitência para os nossos pecados individuais que constantemente cometemos. Jesus vence o pecado e nos liberta da morte não da morte física, mas da morte eterna. A Salvação nos foi garantida por Jesus com a sua Paixão, Morte e Ressurreição e tudo recebemos como promessa e dom no dia do nosso Batismo, mas tudo isto precisa ser conservado e cultivado durante a nossa existência neste mundo. É um dom que precisa ser aceito e desenvolvido em uma vida de santidade e constante conversão. Por isto, precisamos ainda de muita penitência e arrependimento, como no tempo de João Batista, para que possamos cada vez nos apresentarmos com mais dignidade diante de Deus.

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