#Reflexão: 2° Domingo da Quaresma (01 de março)

24 de fevereiro de 2026

A Igreja celebra o 2° domingo da Quaresma, neste domingo (01). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Gn 12,1-4a
Salmo: 32(33),4-5.18-19.20.22 (R. cf. 22)
2ª Leitura: 2Tm 1,8b-10
Evangelho: Mt 17,1-9

Acesse aqui as leituras.

JESUS SE TRANSFIGURA DIANTE DOS DISCÍPULOS

No domingo anterior, 1º da Quaresma, fomos conduzidos, juntamente com Jesus, ao deserto. O evangelista Mateus nos informou que Jesus foi levado pelo Espírito Santo e também foi tentado pelo Mal. Vimos a importância da oração e a Palavra de Deus que nos ajudam a vencer todas as tentações, principalmente, quando estamos fracos e debilitados por nossa realidade humana. Sabemos que Jesus é 100% Deus, mas no deserto vimos a sua outra realidade de 100% homem. Ele não venceu o mal usando “seus poderes” divinos (que podia a qualquer momento fazê-lo), mas nos ensinou como também nós (que somos somente 100% humanos) podemos superar as ações do Mal que sempre se aproveita de nossas fraquezas para tentar nos arrastar para longe de Deus. Muitas são as formas de tentação inclusive usando o discurso de “direitos humanos” (de se saciar quando há fome), de “ser famoso” (desafiando até Deus se jogando do Templo) e de garantir neste mundo o seu futuro (ter todos os reinos terrenos). O Mal é astuto e esperto, usa até mesmo a Bíblia para tentar ludibriar Jesus, mas é exatamente na Palavra de Deus que encontramos a força para permanecer com Deus e descobrir a Sua vontade, conforme Jesus nos ensina.

Neste 2º domingo da Quaresma, somos novamente conduzidos, mas desta vez sobre uma montanha, juntamente com três discípulos que Jesus chamou com Ele para juntos rezarem. No alto do monte, descobrimos o lado 100% divino de Jesus que desejou revelar aos seus apóstolos aquilo que todos nós temos como promessa e herança conquistadas para nós por Jesus. A transfiguração é um pouco daquilo que teremos, juntos a Deus, depois desta nossa vida terrena.

Em Mateus, a transfiguração de Jesus ocorre “seis dias depois…” (Mt 17,1a), parece se tratar de 6 dias depois da programação de fé de Pedro “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!”, mas em seguida, Jesus explica como Ele será messias através da sua paixão em Jerusalém, o que deixou Pedro, justamente ele, escandalizado, por isso, o primeiro apóstolo tenta afastar Jesus deste caminho. Nosso Senhor, chama Pedro de “Satanás”, pois queria desviar Jesus de sua missão.

Os apóstolos sempre viram Jesus se ausentar do grupo para rezar. Os momentos de oração que Jesus transcorria durante toda a noite, eram momentos de profunda intimidade e comunhão entre Ele, o Pai e tudo que significa o céu para todos nós. Rezar deve ser o momento em que já experimentamos o amor e a presença de Deus; é falar com Ele, mas principalmente ouvi-Lo.

Jesus decidiu conceder a três de seus discípulos o privilégio de participar deste momento de comunhão neste mundo, entre Ele e Deus Pai. Precisamos, como Jesus, aprender a deixar um pouco a nossa realidade – mas sem abandoná-la completamente – e “subir a montanha”, um local mais especial, para nós, continua sendo nossas igrejas. Em sua oração, Jesus conversa com Moisés e Elias, o primeiro nos deixou os Mandamentos e o segundo a voz dos profetas. Rezar para Nosso Senhor é mergulhar nestas duas fontes fundamentais da fé do Povo de Deus. A oração de Jesus é canal aberto através dos Profetas e dos Mandamentos, onde Deus se faz presente. Toda a tradição da fé do povo de Deus está representada com estes dois personagens do AT, pois Jesus não veio superar ou cancelar nada, mas levar ao seu pleno cumprimento. 

A oração no alto do monte, por um momento, revelou Jesus com todo seu esplendor. Nosso Senhor é plena luz, e não há nada igual neste mundo. A oração para nós deve ser um momento de nos deixarmos inundar com a mesma luz que vem de Deus. No alto da montanha, junto com Jesus, os apóstolos experimentaram um pouco do céu.

Pedro ficou espantado e maravilhado com tudo que viu e disse: “É bom estarmos aqui!”. A oração é, anteciparmos o gosto do céu e já nos sentirmos envolvidos com tudo que é Deus, Nosso Pai. Os apóstolos devem ter sempre perguntado o que acontecia com Jesus quando Ele se retirava para rezar. A oração é se deixar envolver pela “nuvem de Deus” que nos abraça com seu amor e sua presença.

Foi um momento único e espetacular que Jesus quis deixar para seus apóstolos para que eles ensinassem e multiplicassem. Mas, eles ainda não estavam preparados para toda aquela experiência, pois era necessário que Jesus terminasse a Sua missão, pois somente com a Morte e a Ressurreição de Cristo, o acesso ao céu ficaria aberto para toda a humanidade.

As orações de Jesus não foram momentos em que Ele fugia e se escondia do mundo e dos problemas da humanidade. Era necessário ouvir e assimilar de Deus Pai como Ele poderia realizar a Sua missão. Jesus se fortalecia na oração para retomar, em cada momento de sua vida, a estrada da vontade de Deus. Pedro pretendia superar esta fase. Desejava abandonar a dura realidade que tinham deixado e permanecer naquela realidade profundamente agradável que era rezar com Jesus. Pedro propunha a Jesus saltar para a “Glória” sem passar pela “Cruz”.

Pedro estava ainda propondo isso a Jesus, quando se ouviu uma voz vinda do meio da nuvem: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!”. Este é modo de anunciar a presença de Deus no AT. A voz (Deus) comunica como eles podem continuar a experimentar sempre a mesma realidade e ter a mesma satisfação: ouvindo Jesus! 

As palavras de Jesus, principalmente, os seus ensinamentos são as mesmas palavras de Deus Pai. Ele confirma que Jesus é decisivamente o Filho Amado de Deus Pai, aquele que Deus Pai colocou todo o Seu amor. Domingo passado, recordamos as tentações de Jesus que acontecem logo depois do Seu Batismo quando se ouviu, praticamente, as mesmas palavras de Deus Pai. No deserto, o Mal provoca Jesus para tentar, usufruindo da filiação divina (“Se és Filho Deus, mande que estas pedras se transformem em pão… lança-te daqui a baixo…”). Jesus vence as tentações renovando sua fé e confiança em Deus, independentemente, de qualquer prova ou sinal que comprove isso. Não é Deus Pai que se revela, mas Jesus homem Deus que se mostra a todos; não as belezas do céu que brilham, mas o rosto e as veste (sinais humanos) que ganham o esplendor do céu. A transfiguração de Jesus não é somente o céu que “desce” a terra, mas a terra que começa a brilhar como o céu.

“Amor” é uma das palavras que marcam a profunda relação entre Deus e Jesus. A fé não é, senão outra coisa que amar. Não acreditamos em fatos ou meras palavras ou ainda em normas, mas na pessoa de Jesus: o amado por excelência que nos ensina o que é o amor. 

Jesus chamou os três discípulos para saborear na oração um pouco do Paraíso de Deus, mas não podiam ainda permanecer naquele lugar especial, era necessário retornar a missão e cumprir a vontade de Deus Pai. Também Abrão foi chamado por Deus para cumprir uma missão de ser pai de todos aqueles que acreditam no Deus Verdadeiro (1ª leitura). A missão de nosso “pai da fé” implicava em deixar tudo para traz, para abraçar o “novo” que Deus iria lhe mostrar. Fé e oração devem ser para nós como nossas duas pernas neste mundo: com elas caminhamos e percorremos novas terras e subimos as montanhas de Deus, mas sempre buscando cumprir a vontade de Dele, tendo consciência que antes do céu e do paraíso junto de Jesus, também  precisamos enfrentar cruzes e desafios, vencer tentações, mas sempre alimentados com a luz e o amor de Deus Pai, somente assim, conseguiremos terminar bem nossa jornada neste mundo. Portanto, somos chamados a uma vocação especial que é a santidade (2ª leitura), pois somente assim, já antecipamos para este mundo tudo aquilo que é Deus e o céu. 

Faça o download da reflexão em pdf.