#Reflexão: 2° Domingo da Quaresma (16 de março)

13 de março de 2025

A Igreja celebra o 2° domingo da Quaresma, neste domingo (16). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Gn 15,5-12.17-18
Salmo: 26(27),1.7-8.9abc.13.14 (R. 1a)
2ª Leitura: Fl 3,17-4,1 ou mais breve 3,20-4,1
Evangelho: Lc 9,28b-36

Acesse aqui as leituras.

TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS CRISTO

Domingo passado, recordamos Jesus que no deserto venceu o mal que tentou desviá-Lo do projeto de Deus. O diabo esperou o “momento certo” para tentar Jesus como mais força e artimanhas: quando Ele sentiu fraqueza e fome. As fraquezas humanas podem ser a chance que o mal espera para também nos conduzir para longe de Deus.

Neste 2º domingo Quaresma, o Evangelho nos conduz a outro lugar onde vemos a manifestação da glória de Deus: o monte da transfiguração. No deserto, o diabo tentou semear trevas no projeto de comunhão entre Jesus e Deus Pai; o tentador no alto da montanha mostrou glória e poder deste mundo, mas para obter, Jesus tinha que adorar o diabo. Agora em outro monte, a luz de Deus resplandece com toda sua beleza (conforme Pedro exclama), mas luz que vem do alto e de Deus. No deserto, aprendemos com Jesus, que mesmo sobre forte tentação, o caminho para vencermos o mal encontra-se na Palavra de Deus; no monte da transfiguração, Jesus antecipa não somente sua glória – pois é Deus -, mas também aquilo que é nossa esperança para cada um de nós.

A transfiguração no monte Tabor é um fato marcante e narrado nos três primeiros Evangelhos (cf. ainda 2Pd 1,16-18). Nos evangelhos sinóticos, encontra-se logo após a pergunta de Jesus sobre o que o povo estava dizendo quem Ele era; em seguida, há o relato da profissão de fé de Pedro que reconhece Jesus como Messias (o Cristo). Jesus se apressa em anunciar como Ele será Messias com o 1º anúncio da Paixão. Pedro tenta persuadi-lo do contrário. “Seis dias depois”, temos a passagem da transfiguração.

Lucas nos informa que tudo aconteceu em mais um momento de oração de Jesus. Mas, diferentemente de outras ocasiões, Jesus quis rezar tendo três discípulos como testemunhas. Certamente, Pedro, Tiago e João ainda estavam tentando entender o que Jesus tinha acabado de anunciar antes da transfiguração: sua paixão, morte e ressurreição que iriam acontecer na cidade de Jerusalém. O Mestre Jesus quis antecipar seu trágico fim a todos para que ninguém se iludisse com nenhuma ideia errada em relação a Ele.

A oração tem um poder especial de transformar as pessoas. Coloca em nossos corações um pouco do céu. Semeia dentro de cada um, um desejo por aquilo que é eterno. A oração transforma a pessoa naquilo que ela crê e espera. Lucas nos diz que “enquanto Jesus rezava” aconteceu uma grande transformação. Descobrimos que é possível, nossa realidade humana, em sua realidade mais pura e sincera ser transformada com a luz de Deus. Não vimos o rosto de Deus, mas o nosso rosto (em Jesus) ser transformado; não vimos como é o céu, mas descobrimos que nossa realidade humana (nas vestes de Jesus) pode ser inundada com a luz de Deus.

E ele foi transfigurado diante dos olhos deles”. Nenhum detalhe é relatado além de que as roupas de Jesus ficaram brilhantes. A luz é tão excessiva que não se limita ao corpo, mas se espalha para fora, inundando de luz tudo ao seu redor. As roupas e o rosto de Jesus são a escrita, ou melhor, a caligrafia do coração de Deus. Pois, não nos interessa um Deus que só ilumina a si mesmo e não ilumina e faz florescer o humano (Ermes Ronchi).

Os evangelistas nos dizem que duas pessoas foram vistas conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. São dois personagens com histórias e experiências especiais, inclusive em montanhas e até o fim de vida de cada um foi singular. Lucas é o único evangelista que nos diz que Moisés e Elias conversavam sobre o “êxodo” (morte) de Jesus em Jerusalém. Mesmo na aparência da dor e do sofrimento que foram os últimos dias de Jesus, tudo estava encerrado dentro de um projeto que vai muito além da compreensão de todos.

Os apóstolos se encontravam dormindo quando tudo estava acontecendo próximo deles. Ao perceberam o que tinha acontecido com Jesus e a presença de duas pessoas (Moisés e Elias), então Pedro propôs algo muito simples e plenamente humano: eternizar neste mundo aquele “pedacinho” do céu.

Pedro propôs de construir três tendas com a expressão de admiração: É bom estarmos aqui”. E assim, Jesus teria que deixar de dar prosseguimento em sua missão que o conduziria a Jerusalém, seria uma experiência passageira e exclusiva daqueles dois discípulos. Mas, Jesus veio abrir o acesso da eternidade para toda a humanidade.

Muitas vezes, buscamos e queremos somente as glórias e as luzes que nos consolam em nossa fé, queremos somente subir o monte Tabor e não o monte Calvário. Era necessário descer do pedacinho do céu para que o céu fosse de todos e a luz de Deus inundasse toda a história humana.

Mas, é possível saborear já as alegrias do céu enquanto ainda estamos neste mundo e em meio a nossa caminhada de libertação seguindo aquilo que foi dito da parte de Deus aos apóstolos. Queremos um mundo também envolto na luz de Deus.

Uma nuvem vem, e da nuvem uma Voz, que indica o primeiro passo: escutem-no! O Deus que não tem rosto, tem voz. Jesus é a Voz que se fez Rosto e Corpo. Seus olhos e mãos são a fala visível de Deus. Não é o local que torna possível o acesso às luzes e ao próprio céu, mas a fé em Jesus. O céu se conquista em nosso coração com a nossa fé e para tanto é necessário acreditar que Jesus é o Filho Predileto de Deus Pai, o único e escolhido para nossa libertação e, principalmente, escutá-Lo. Mais do que “ver” e contemplar Jesus é fundamental escutá-Lo!

O diabo no deserto quis contaminar a vontade de Jesus sugerindo que Ele pensasse em si próprio em suas necessidades pessoais e materiais; no monte Tabor, Jesus confirma sua entrega: nada para si, tudo para salvar a humanidade. O tentador quis oferecer glórias e poder deste mundo; no Tabor, Jesus se mostra pleno de poder e glória, mas que vêm de Deus. O mal quis jogar Jesus contra Deus (se tu és filho…), no monte da transfiguração, o próprio Deus Pai se revela confirmando seu amor predileto por Jesus.

Na primeira leitura recordamos a promessa e a aliança de Deus com Abrão. Homem de fé que enfrentou inúmeros obstáculos e mesmo antes de selar aliança com Deus, ele confia plenamente no seu Deus. Jesus no Evangelho nos mostra não uma nova terra neste mundo, mas a promessa maior que é a eternidade com Deus. Para selar a aliança com Abrão, foi necessário sacrificar animais. Na cruz, Deus consuma uma nova aliança com toda humanidade não mais com sangue de animais, mas com o do próprio Filho Jesus.

Paulo na segunda leitura proclama com certa tristeza sobre algumas pessoas que não queriam saber da morte em Cruz de Cristo (ele chama de “inimigos da Cruz”). Mas, Paulo proclama sua fé e esperança em Jesus que “transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso”. Hoje como naquele tempo, muitos preferem anunciar e crer no Jesus do poder e da glória e não o Jesus da partilha, da simplicidade que se mostra solidário a todos nós até na morte. Com sua paixão, Jesus não percorreu um caminho novo, mas o caminho que todos os seres humanos sempre percorreram, mas Ele sofreu e morreu por nós para abrir o caminho que nos conduz ao céu.

Faça o download da reflexão em pdf.