#Reflexão: 21° domingo do Tempo Comum (24 de agosto)

21 de agosto de 2025

A Igreja celebra o 21° domingo do Tempo Comum, neste domingo (24). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 66,18-21
Salmo: 116(117),1.2 (R. Mc 16,15)
2ª Leitura: Hb 12,5-7.11-13
Evangelho: Lc 13,22-30

Acesse aqui as leituras.

PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

Domingo passado refletimos o mistério final da vida de Maria, Mãe de Jesus que acreditamos que será, de algum modo, também o mesmo final para todos nós. As leituras da liturgia deste domingo, retomando a meditação do Evangelho de Lucas, trazem duas imagens da misericórdia e da justiça de Deus

O profeta Isaías (1ª leitura) nos mostra um Deus que é como um Pai bondoso que deseja reunir seus filhos e filhas para experimentar sua glória e amor. A partir desta convivência, esses filhos e filhas são convidados a anunciar a todas as nações a grandeza e os prodígios de nosso Deus. Para o profeta, a cidade de Jerusalém e o Templo reconstruídos deveriam se tornar o centro de todas as graças e glórias de Deus neste mundo.

Já o autor da carta aos Hebreus (2ª leitura) nos mostra uma imagem que poucos aceitam de Deus. Ele é um Pai bondoso, paciencioso e que “nunca se cansa de nos perdoar” (como nos dizia o saudoso Papa Francesco), mas também é um Pai que quer o melhor para seus filhos e filhas e por isso corrige a todos quando erram. Muitos acreditam e querem um Deus que é um Pai bondoso que aceita tudo de seus filhos e filhas, que jamais reclama e que ainda se sujeita a todos os caprichos dos filhos. Sem perceber que devem ter limites em suas vidas, tais filhos passarão por inúmeras contradições e frustrações. Quem ama, também diz “não!”, “não pode!” etc.

Este particular da educação dos filhos, o autor da carta aos Hebreus aplica também a Deus que é sempre Pai bondoso como Jesus nos ensina, mas também corrige. Ninguém quando recebe uma correção, aprecia isto no momento, mas depois de um tempo, quase sempre, até agradece pela correção recebida. No entanto, Jesus nos mostra a imagem de Deus Pai como alguém que quer sempre o bem de seus filhos e que respeita suas decisões. A correção, quase sempre, vem pelas próprias escolhas feitas quando são erradas: a vida mesma já corrige o que não é bom e nem certo (como na parábola do Pai Misericordioso e seus dois filhos).

Jesus nos ensina que nosso Pai não aprecia ver seus filhos e filhas passarem por sofrimento e dor, mas, muitas vezes, para se descobrir a beleza e a grandeza do amor de Deus, Ele permite e respeita as nossas escolhas. Nosso Deus jamais castiga um filho por vingança e somente para vê-lo sofrer, mas isso acontece quase sempre por causa de nossas escolhas. E exatamente porque nos ama, Ele nos respeita, mesmo quando fazemos escolhas incorretas. 

Jesus no Evangelho fala de dois banquetes em duas festas diferentes, mas somente uma delas é aquela que devemos buscar participar em nossa vida. Nosso Senhor encontrava percorrendo a estrada que terminava em Jerusalém, cidade onde Jesus terminou sua vida no sofrimento da cruz para depois ressurgir vitorioso. Segundo Lucas, enquanto Jesus caminhava uma pessoa lançou uma pergunta que em seu conteúdo já possui parte da resposta: “São poucos que se salvam?” Tal pessoa já tinha percebido que a estrada para a salvação não é algo fácil e nem tranquilo. Na pergunta, a pessoa já antecipa que são “poucos”; Jesus na resposta afirma que são “muitos” que se esforçam.

Jesus não procura aliviar a resposta: “Procurai entrar pela porta estreita, porque muitos vão tentar e não conseguirão entrar”. O caminho que somos convidados a percorrer termina em uma porta, mas ela é apertada e difícil de atravessar. Essa porta é o próprio Senhor Jesus e o seu ensinamento. Existem muitas outras portas que levam a muitos e diversos lugares, mas somente uma e de difícil acesso leva a salvação: Jesus Cristo. Ele mesmo assim, nos diz que é a porta (Jo 10,9) por onde todos devem passar, bem como Ele é o próprio caminho (Jo 14,6).

O texto apresenta, aparentemente, duas portas em circunstâncias diferentes, mas na realidade se trata sempre da mesma porta. Na primeira cena, a porta é apresentada como estreita e poucos conseguem entrar, apesar de tentarem. Neste grupo que não consegue entrar, algo os impede que eles passem pela porta. A qualificação de “estreita” para a porta revela algo exigente e purificador, mas não impossível ou inatingível. Tal porta permanece sempre aberta, mas poucos conseguirão atravessá-la, pois é necessário se abaixar, ter um coração humilde e encontrar-se livre das coisas do mundo. É difícil não porque Deus assim deseja, mas porque muitos não se encontram dignos de atravessá-la. “Porta estreita” revela a necessidade de cada um se adaptar as exigências do Reino para atravessá-la. As condições são colocadas por Deus e são exigentes, e não o contrário: cada um estabelece suas condições de salvação. Sendo “estreita” exige que a pessoa deixe pra traz tudo que traz consigo senão não consegue atravessá-la, as coisas e riquezas deste mundo tornam-se um obstáculo e peso que impedem passar pela porta, quem não consegue abandoná-los, não conseguirá entrar no Reino.

Na segunda cena a porta é fechada. Mas, quem são aqueles que permanecerão fora quando ela for fechada? Segundo Jesus, não serão aqueles que identificamos como inimigos e perseguidores da fé cristã (esses nem chegarão perto da porta), mas na parábola contada por Jesus são pessoas que se sentiam íntimas de Deus e reconheciam sua divindade. Eles dirão: “Senhor, abre-nos a porta”. Não basta reconhecer Deus com Senhor, para ser realmente conhecido por Deus, é preciso fazer o que Jesus fez e viver como Ele viveu tomando a cruz a cada dia. O interessante é que Jesus no fala que eles apresentarão alguns indícios de intimidade e familiaridade que tiveram com Deus: “Comemos juntos… escutamos suas pregações…”. Não basta receber somente de Deus as coisas boas da vida (comer e beber) e nem somente escutar sua palavra (escutar pregações) é fundamental viver e praticar tudo isso. 

Na resposta de Jesus, Ele afirma duas vezes: “Não vos conheço…” e “não sei de onde vocês vieram”. Dependendo da vida que a pessoa leva, mesmo reconhecendo quem é Deus e fazendo algo ligado a fé, isso somente, não será suficiente para ter garantido o acesso pela porta. É preciso se tornar conhecido por nosso Deus, vivendo e praticar o que Jesus ensinou. Somente o caminho percorrido por Jesus, é que conduz ao Pai. Por isso, enquanto se caminha a mesma estrada de Jesus é que nos tornamos conhecido de Deus. Segundo Jesus, muitos porque fizeram outra estrada acabam que se tornando desconhecidos de Deus, não porque Deus Pai assim deseja, mas porque esses assim escolheram: fazer o caminho a seu modo quase sempre sem Deus. 

Nesta segunda cena, mostra que ela estava sempre aberta, mas chegará um momento que será fechada. Jesus revela que esta porta, apesar de ser difícil (estreita) conduz a um grande banquete onde inúmeras pessoas de todos os cantos da terra poderão participar. Dramática essa cena: muitos distantes e até desconhecidos entrarão, e muitos que se apresentaram como de perto e íntimos, ficarão de fora. O acesso é exigente, mas o final de tudo termina em uma grande festa. 

A festa um dia prosseguirá com todos aqueles que atravessaram a porta, mas o acesso não será mais possível para todos. Na imagem de Jesus, será em um horário muito tarde (o Senhor da parábola se levantará para fechar a porta), pois o acesso à salvação neste mundo também, um dia, chegará ao seu limite.

Aqueles que são excluídos lembram que Jesus esteve em suas casas (comemos e bebemos juntos em nossa casa), mas era necessário que cada um saísse e viesse à “casa do Senhor”. O ensinamento de Jesus precisa ser acolhido como uma prática e mudança de vida. Não basta ouvir, conhecer e até estar próximo do Senhor, é necessário fazer mais do que isto: passar pela porta estreita e entrar em sua casa, isto é, assumir seu projeto de vida. 

A porta que é Jesus nos conduz a uma festa e um banquete onde há espaço para muitas pessoas, mas somente aquelas que percorreram o mesmo caminho de Nosso Senhor, que buscaram também compartilhar a vida como Jesus ensinou, somente esses poderão passar pela porta e fazer parte do verdadeiro banquete e da festa que nunca se acaba, pois aqueles que vivem como Jesus na contramão da lógica do mundo e por isso são os últimos aqui, esses serão os primeiros e os únicos na grande festa do céu. 

Faça o download da reflexão em pdf.