#Reflexão: 3º domingo do Tempo Comum (25 de janeiro)

21 de janeiro de 2026

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A Igreja celebra o 3º domingo do tempo comum neste domingo (25). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 8,23b-9,3 ou At 9,1-22
Salmo: 26(27),1.4.13-14 (R. 1a.1c)
2ª Leitura: 1Cor 1,10-13.17
Evangelho: Mt 4,12-23

Acesse aqui as leituras.

JESUS, LUZ DO MUNDO, ESCOLHE SEUS OS DISCÍPULOS

            Jesus depois do Batismo de João e da consagração recebida de Deus Pai, inicia definitivamente a sua missão. Foi o momento de deixar pra traz: terra, casa, familiares, parentes, amigos e partir sem nada do mundo e pleno de Deus. Mais do que motivações humanas e históricas, Jesus procurou responder ao chamado de Deus Pai, mesmo diante de sinais evidentes de perigo e desafios: João tinha sido preso. A perseguição e a prisão de João, o precursor, em nada alterou a decisão de Jesus de começar o Reino de Deus neste mundo.

Livre de tudo e de todos, Jesus anuncia a Boa Nova do Reino, próximo de Cafarnaum, ao redor do lago de Genezaré (chamado de “Mar da Galileia”). A região da Galileia não era uma região de boa fama naquele tempo e a cidade de Nazaré, totalmente desconhecida na história do AT. Galileia era considerada terra de pagãos mesmo ainda sendo território do povo de Deus. Os judeus piedosos (fariseus) lá de Jerusalém na Judeia desprezavam ainda mais as terras de Zabulon e Neftali, pois eram consideradas “periferia” da terra de Israel, território de gente impura e pecadora. Na primeira leitura, Isaías menciona aquela região de “terra da escuridão”, mas que um dia terá uma presença de alegria e luz de Deus.

Jesus decidiu iniciar sua missão naquela terra sem esperança, marginalizada por séculos e ultrajada pelos religiosos de Jerusalém. A luz anunciada por Isaías precisava iluminar lá onde as trevas e o desprezo humano eram mais fortes e onde a ausência de esperança era mais sentida. O lugar de prestígio e fama era a cidade Santa de Jerusalém onde encontravam-se: o Templo sagrado, os religiosos e os sacerdotes que representavam o que de mais santo e puro se conhecia. Jesus inicia pelos últimos, os impuros e tidos como pecadores da periferia da terra do povo de Deus.

O anúncio inicial de Jesus retoma a pregação de João Batista: “convertei-vos, pois o reino dos céus está próximo” (Mt 3,2.17). Na terra marcada por rejeição, de gente marginalizada e humilhada por uma história triste do passado, era necessário deixar tudo isto para traz e abraçar o “novo” da Boa Nova trazido por Jesus, um novo Reino não mais humano e terrível, mas o “Reino dos céus”. Os reis e os impérios costumavam impor com a força e a espada a sua presença, não havia liberdade e nem adesão, mas submissão; Jesus propõe a conversão e a penitência como meio de acesso. A Luz de Deus e o seu reino só podem existir em um coração livre e purificado das sombras do pecado. É um reino novo, sem limites e sem um território, sem definições étnicas e sem preconceito; um reino onde a arma principal são a fé e a esperança. Um tempo novo, um reino novo que acontece não em um lugar ou tempo, mas dentro de cada pessoa.

Jesus afirma que o Reino de Deus por Ele anunciado “está próximo”, ao alcance de todos, não em Jerusalém e no Santuário Santo da cidade que estavam longe de todos da Galileia, mas no coração de cada um. Conversão é mudança interna, nos princípios e nos valores; é mudar de direção, mais do que deixar “pecados” é direcionar sua vida para Deus.

Um tempo novo com novos valores como, em seguida, Mateus nos apresenta com o chamado dos primeiros discípulos. Tal pensamento deve ser permanente entre nós: o Reino de Deus está sempre perto. Não pertence a uma pessoa, mas está próximo de todos; ninguém tem posse, mas permanece ao alcance de todos em todos os tempos, pois ele tem seu início e morada em cada coração que busca a Deus.

A missão era grande e Jesus sabia que deveria ser eternizada na história humana. Ele daria o pontapé inicial, mas tudo deveria continuar presente na realidade de todos os homens e mulheres. Segundo o evangelista Mateus, Jesus já no início de sua evangelização procurou definir o seu grupo de discípulos. Ele pessoalmente chamou cada um que livremente fez o que Ele, Jesus, já havia feito: eles deixaram tudo e todos para escolher viver ao lado do Mestre e Senhor Jesus.

O chamado foi feito a pescadores, irmãos e gente simples. Jesus vai ao encontro (caminha) e vê, é o modo novo do agir de Deus cheio de misericórdia. Os dois primeiros discípulos, Pedro e André, deixam o seu ofício e instrumentos de trabalho (barcos e redes) para seguir Jesus com uma nova promessa onde suas habilidades seriam remodeladas segundo a proposta do Reino dos Céus: passariam a ser pescadores de pessoas. Para isso, era necessário se colocar atrás do Mestre e reaprender a arte de pescar.

A segunda dupla de irmãos, Tiago e João, também era de pescadores e os dois trabalhavam com seu pai; o anúncio foi semelhante e a resposta igual aquela de Pedro e André: deixaram as redes, as barcas e o pai. Eram mais jovens que os primeiros, tinham ainda o privilégio da presença e do exemplo do pai que trabalhava e normalmente ensinava o ofício aos filhos. O convite de Jesus foi, no entanto, mais forte e a resposta mais exigente ao ponto de deixarem pra traz os sonhos da profissão, o convívio da família e até a presença do pai. Zebedeu pai tinha sido mestre de Tiago e João seus filhos, agora Jesus se apresenta como novo Mestre em uma nova missão.

Intrigante estes primeiros passos de Jesus e com os discípulos. Eles tinham tudo já arranjado e definido em suas vidas: barcos, redes, profissão, pai e até empregados (pequena cooperativa de pescadores) e Jesus não lhes oferece nada a mais e maior que eles tinham; Jesus não ofereceu nada deste mundo (riqueza, prestígio, poder…), e eles, mesmo assim, deixaram tudo. Segundo Mateus, Jesus não tinha feito nada ainda (milagres, sermões, prodígios…), no entanto, os primeiros quatro discípulos encontraram no Mestre Jesus algo que tocou suas vidas e seus sentimentos mais profundos para trocarem tudo somente por uma convivência e um proposta de repensar o que faziam, pois, “de fato eram pescadores”.

O Reino de Deus se inicia com um duplo convite de Jesus: mudança interna (penitência e conversão) e atitudes externas (abandonar família para constituir nova família com novo Mestre). O primeiro pedido é algo que toca as convicções e os princípios; o segundo, redireciona as atitudes e a ação. Jesus não pediu àqueles homens algo impossível e difícil, mas convidou-os para que colocassem seus dons (eram pescadores) a serviço do Reino de Deus (pescadores de pessoas); foram chamados a aprender a nova arte de viver um projeto novo não mais limitado a uma profissão, ao convívio familiar e a uma terra, mas sem limites e fronteiras. Deixam pra atrás a gostosa convivência familiar com os pais e a respeitada profissão de pescadores para responder ao chamado de Jesus. A missão era muito grande e desafiante que exigiu uma adesão total e a tempo pleno. Os fariseus tinham discípulos por um tempo, Jesus por toda a vida.

Muito tinha que ser feito, muitos lugares eles deveriam percorrer, muitos ouvidos e corações precisavam receber o convite para participar deste novo Reino não mais humano, mas divino e eterno. Jesus percorreu aldeias, sinagogas, vilas e casas anunciando o início de um novo tempo de Luz na humanidade. Esta é a marca do Reino de Deus: ir ao encontro das pessoas, oferecer projeto de vida, de liberdade, de respeito e de vida nova. Os discípulos deveriam primeiro aprender a caminhar com o Mestre para depois continuar a Sua missão. Ser discípulo é a nossa primeira e fundamental identidade: somos cristãos, pois seguimos o Mestre Jesus. Nosso Senhor nos deu a dica, ao escolher discípulos, que a missão deve ser assumida por todos e cada um deve seguir e aceitar Jesus como Mestre em sua vida. Começou com os apóstolos, mas não se limitou a eles.

O Reino dos Céus acontece principalmente nos corações das pessoas, mas foi também da vontade de Jesus que esse Reino tivesse sua maior presença e expressão em sua Igreja. Que mesmo com seus defeitos e limites, ela tem a missão de perpetuar na história a presença de Deus, ser a fonte principal e maior do amor de Deus. Na segunda leitura, Paulo chama atenção que Jesus e o seu anúncio de salvação, sua morte e ressurreição, é que devem ser o centro da vida da Igreja. Paulo exortou a comunidade de Corinto sobre o pecado da divisão interna, as “panelinhas” em torno de pessoas e relembrou a todos aqueles cristãos que, em Deus, não há conflito, divisão ou competição, mas harmonia e paz. O anúncio do Reino de Deus com essas qualidades lembradas por Paulo e tantas outras, precisa acontecer primeiro dentro de nossas comunidades para depois se tornar o sinal mais visível para todos que somente a luz de Jesus tem poder de dissipar do coração e da história humana as trevas do ódio e do pecado.

            Os apóstolos deixaram tudo e colocaram seus dons de pescadores a serviço do Reino.

Deveriam mudar de vida (conversão) para serem pontes que conduzem as pessoas a Deus e ao seu reino. Eles teceram novas redes e assumiram novos barcos com suas palavras e principalmente com seus testemunhos, esses são os novos instrumentos do Reino de Deus que todos nós devemos usar para que novas pessoas possam também fazer parte do Reino que Jesus iniciou neste mundo.

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