
#Reflexão: 5° Domingo da Quaresma (22 de março)
A Igreja celebra o 5° domingo da Quaresma, neste domingo (22). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Ez 37,12-14
Salmo: 129(130),1-2.3-4ab.5-6.7-8 (R. cf. 7)
2ª Leitura: Rm 8,8-11
Evangelho: Jo 11,1-45 ou mais breve 11,3-7.17.20-27.33b-45
Ressurreição de Lázaro: Da vida para a Vida
Estamos encerrando o tempo da Quaresma. Neste último domingo, temos o terceiro texto do Evangelho de João (Jo 11) que trata da resposta que Jesus nos dá sobre a nossa última realidade neste mundo: a morte. Para Jesus, também será o derradeiro sinal público. Em seguida, tem unção em Betânia e os preparativos para a Ceia de Jesus com os discípulos (Jo 12).
Na história de Lázaro, Jesus não se mostra solidário somente com aquela família, Ele nos revela que a nossa fé e a nossa esperança devem ir além de toda e qualquer realidade humana até mesmo da morte. Um Evangelho forte e profundamente humano que nos mostra Jesus sofrendo conosco: Ele chora, grita forte, chama para a vida! Várias vezes somos informados sobre aqueles que choram, inclusive Jesus.
A família que é descrita pelo evangelista João é composta por pessoas que são muito mais do que amigos de Jesus. Naquela casa há somente irmãos (Lázaro, Marta e Maria), não há nenhum outro grau de superioridade ou inferioridade. São descritos como muito íntimos de Jesus e que tiveram fortes experiências com o Senhor (ungir e enxugar os pés) e todos são lembrados como pessoas que as quais Jesus amava, dando especial destaque o amor de Jesus para com Lázaro. Muitos estavam na casa para chorar a morte de Lázaro, ele era uma pessoa querida por muitos que estavam ali para manifestar seu carinho pelas irmãs.
Este grande milagre é o último sinal no Evangelho de São João (são sete ao todo) antes de Jesus encerrar sua vida em Jerusalém. Por isto é uma história onde se cruzam morte e vida com profundos sentimentos com expressões claras de amor e amizade. No fundo, esta família representa todos os cristãos e suas comunidades.
Betânia ficava na região da Judeia e lá a situação estava cada vez mais dramática para o lado de Jesus. Os judeus já tinham decido matá-Lo. Os discípulos, inicialmente, entenderam a decisão de Jesus de não ir até a Judeia, isto quando Ele recebeu a notícia do grave estado de Lázaro: para os discípulos era uma forma de se distanciar do perigo. Mas, depois de dois dias, Jesus muda de ideia e resolve ir ao encontro do amigo que, talvez, já estivesse morrido. Para Tomé não tinha mais nada para fazer, mas o discípulo é solidário com seu Mestre tendo, no entanto, um pensamento negativo e fixado na morte certa que todos iriam encontrar. Para Tomé, aqueles lados da Judeia, a morte imperava e não havia mais esperanças.
Dentro do vilarejo de Betânia, predominava o choro e a mentalidade da derrota diante da morte. Jesus provoca a saída de todos: primeiro de Marta, depois de Maria, dos judeus e, por fim, de Lázaro. Jesus não adere a esta realidade e quer propor algo que vai além. De pouco em pouco, Ele consegue atrair todos para fora daquela visão de vida, lamento e tristeza que a morte traz consigo.
Lázaro era alguém especial. Todos o amavam e todos choraram por ele. A dor da morte que experimentavam obscureceu os sentimentos de todos. Marta vai ao encontro de Jesus, mas para reprovar a “ausência” do Mestre no momento em que mais precisavam. Mas, Jesus tinha alertado os discípulos que a morte não teria a última palavra sobre o amigo Lázaro. Da mesma forma, Jesus dissera sobre a cegueira daquele homem que ele curou: não era um castigo, mas para manifestar a glória de Deus.
Marta sai para se encontrar com Jesus, não o cumprimenta e nem lhe saúda, mas critica o aparente descaso para com o seu irmão: “Se tivesse estado aqui, meu irmão não teria morrido!”. Ela pensava que Jesus, ao saber da notícia, viria correndo para operar mais um milagre. Marta e depois Maria queriam ensinar Jesus como deveria agir, principalmente com os amigos especiais. Marta esperava que toda a ligação que todos tinham com Jesus (fé, amizade, amor e carinho), Lázaro poderia ter tido o privilégio de um destino diferente de outras pessoas.
No diálogo com Marta, nós conhecemos o verdadeiro sentido da Vida que Jesus veio nos trazer: É algo que vai além da vida biológica e desta realidade humana, pois é a Vida Eterna. Na conversa com Jesus, Marta revela a crença que todos os judeus possuíam: a “ressurreição no último dia”, mas uma ressurreição para esta vida (este mundo). Como vemos na 1ª leitura do profeta Ezequiel. Mas, Nosso Senhor insiste que a Vida que Ele propõe é algo muito maior. Jesus insiste com Marta que “Ele é a ressurreição e a vida”.
Assim, crer em Jesus não significa ter o dom de “não morrer”, mas possuir uma vida concedida por Jesus que a morte biológica (física) não pode jamais cancelar: “… aquele que crê em mim não morrerá jamais!”. Jesus não diz que quem acredita Nele ressurgirá com a mesma vida, mas já possui uma Vida que não morre. É a Vida Eterna conquistada por Jesus que a morte física não consegue mais destruir. São Paulo na 2a leitura nos lembra que o Espírito Santo que habita em nós, nenhuma morte biológica jamais poderá destruí-lo.
Quando Maria se aproxima e se encontra com Jesus, ela se joga aos seus pés, também censura Seu amigo pela sua ausência, mas Nosso Senhor, desta vez, resolve entrar no sofrimento de todos. João por duas vezes menciona que Ele se emocionou profundamente e se deixou contagiar pela dor e pela emoção de todos. Ao chegar onde estava Lázaro, todos sabiam que já se tratava de um defunto e não mais de uma pessoa. Nada mais se podia fazer diante daquela realidade onde já “cheirava morte” (é Marta quem alerta Jesus sobre isto) e não existia mais nenhum sinal de vida. Tudo já pertencia ao passado e uma pedra colocada no sepulcro selava e encerrava a história de Lázaro. Mas, Jesus pede para retirá-la. Todos têm dificuldade de acreditar nas palavras de Jesus. Mas, Ele exorta Marta que é necessário “crer” para “ver” a Glória de Deus (não o contrário que sempre pediam os opositores de Jesus).
Para João, Jesus é o Senhor da vida, por isso, o evangelista usa uma imagem de exaltação ao chamar Lázaro do sepulcro. Nosso Senhor “grita com voz forte” para anunciar a vida. E “aquele que tinha estado morto” retorna à vida. Neste caso, não se trata da mesma Ressurreição que Jesus inaugura após vencer a morte, mas de um reavivamento. O amigo de Jesus retorna para essa vida biológica com toda a realidade que bem conhecemos. João descreve que Lázaro sai envolve em faixas: como uma criança, um novo nascimento.
Três verbos são ditos por Jesus e são importantes para nós cristãos. “Vem pra fora!” É a voz de Jesus que nos ajuda a vencer a morte biológica, pois quem crê em Jesus tem a Verdadeira Vida que permanece mesmo após a morte física. É Ele quem nos chama! Outros verbos são direcionados pra nós: “Desatai-o” e “deixai-o ir”. Aqueles que morrem em Cristo são livres deste mundo e caminham para Jesus, pois Ele é a voz que nos chama para a Vida Verdadeira com Deus Pai. Para nós, os nossos irmãos que já partiram não nos pertencem mais, estão em boas mãos e eles nos esperam (desatai-os, deixai-os). Distanciam-se de nossos olhos, mas nós os carregamos em nossos corações; e eles nos aguardam, pois, um dia nos reencontraremos todos juntos com Cristo.
Nesta passagem vemos Jesus em sua maior expressão como pessoa humana: Ele chora e emociona por seus amigos; grita e se comove diante do sofrimento de todos. Quando se ama, o ser humano cumpre gestos divinos; quando ama, Deus o faz com gestos tão humano. É o amor que gera tudo e vai além da morte (E. Ronchi).
Lázaro teve sua vida biológica devolvida e tornou-se um sinal de que, realmente, Jesus pode vencer até mesmo a morte. Mas, Lázaro, um dia, morreu novamente, mas com uma experiência certa de que, quem o amou e chorou por ele em sua vida terrena, agora o espera, desta vez não mais neste mundo, mas junto com Deus. Esta também e a nossa fé e a nossa esperança.

