#Reflexão: 5º domingo do Tempo Comum (08 de fevereiro)

4 de fevereiro de 2026

A Igreja celebra o 5º domingo do tempo comum neste domingo (08). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 58,7-10
Salmo: 111(112),4-5.6-7.8a.9 (R. 4a.3b)
2ª Leitura: 1Cor 2,1-5
Evangelho: Mt 5,13-16

Acesse aqui as leituras.

CARIDADE QUE BRILHA E DÁ SABER AO MUNDO.

Domingo passado ouvidos os primeiros ensinamentos do grande Sermão da Montanha de Jesus. As Bem-aventuras não são somente conselhos para os discípulos e o povo, mas o próprio estilo de vida de Jesus. A vida de Nosso Senhor é a melhor forma de entendermos cada frase desta primeira instrução para todos que querem segui-Lo. No Evangelho deste domingo e nos próximos, Jesus continua instruindo a todos. 

As duas comparações escolhidas por Jesus retratam situações que todos conheciam muito bem e reproduziam o cotidiano das pessoas dentro de casa e nas cidades. Mas, Jesus amplia o significado de cada símbolo. Ele diz que todos devem ser como o “sal” e como a “luz”, mas com uma missão que é universal, de fato, afirma Jesus: “… sal da terra” e “…luz do mundo”. Assim, Cristo parte daquilo que se conhecia, mas transpõe para uma ação que abrange todas as pessoas: O sal era usado basicamente dentro de casa, mas Jesus convida a dar sabor em toda a terra; a luz que iluminava as casas que juntas formavam uma cidade, Jesus convoca para iluminar toda a terra.

Naquele tempo, o SAL era o principal tempero para dar sabor aos alimentos e refeições. Jesus explica que é próprio da natureza do sal dar sabor em tudo onde ele é colocado. Não é uma escolha ou uma realidade casual, mas é algo da essência do sal dar um gosto especial aos pratos. O convite de Jesus é para que cada um viva aquilo que já faz parte de nossa natureza humana: somos e estamos presentes neste mundo para dar qualidade e sentido a tudo que nos rodeia, como o sal nos alimentos.

O sal não tem sentido em si mesmo, mas somente quando se dissolve misturado em uma comida. Sua existência encontra-se em transformar e dar sabor às refeições. No entanto, sabemos que tudo possui uma medida certa e correta para cada coisa. Na quantidade justa, o sal (como outros temperos) “transforma” os alimentos em pratos deliciosos.

Jesus, no entanto, lembra que não viver esta missão é como perder o sentido essencial da existência: para mais nada serve! Quem deixa de dar sabor à vida das pessoas, transforma-se em algo que não tem utilidade e valor: é despejado e jogado fora e será pisado como terra sem valor. Essas palavras de Jesus devem ter espantado a todos, pois nenhum sal que é realmente sal jamais deixará de perder sua propriedade de dar sabor aos alimentos.

A segunda comparação que Jesus utiliza assemelha-se a primeira, mas com algumas particularidades significativas. A LUZ da lamparina assinalada por Jesus era conhecida por todos. Nosso Senhor lembra que ela fazia parte da vida diária das famílias em suas casas e juntas criavam a claridade das cidades (certamente, não havia iluminação pública como conhecemos hoje). Mas, Jesus fala de uma “luz especial”, pois ela possui a capacidade e a missão de iluminar todo o mundo. As lâmpadas acesas ao entardecer nas casas iluminavam o ambiente, um pouco ao seu redor e se transformavam em um grande farol na noite como eram as cidades.

Da mesma forma que o sal, uma lâmpada para cumprir sua missão precisam viver iluminando os outros. De pouco serve o sal em um saco e escondido em um depósito, como também pouca utilidade possui uma lâmpada acesa, mas escondida debaixo de um “caixote” que era um pequeno recipiente usado para medir os grãos de alimento. Assim, colocar sua lâmpada debaixo deste caixa é procurar ajustá-la a sua medida e comodidade pessoal. Mas, Jesus lembra que é próprio da vocação da lâmpada iluminar tudo ao seu redor. Escondê-la para si é a mesma coisa que sufocar um dom que possui a capacidade de fazer o bem a tantas outras pessoas.

Segundo Jesus, há uma graduação na missão de ser luz. Ele orienta que a lâmpada deve, em primeiro lugar, brilhar em sua casa. A primeira missão daquele que é discípulo de Jesus é iluminar aqueles que estão mais próximos. Cada um deve ter a sua luz, não para si (não esconder debaixo de um caixote), mas para aqueles que estão na mesma casa. Pode acontecer que, aqueles que estão debaixo do mesmo teto não aceitem a luz (cada um se escondendo debaixo de seu “caixote” pessoal), mesmo assim, não se deve esconder a sua luz para os seus. Somente depois, cada um deve “brilhar diante dos homens”.

A luz das lâmpadas encanta os olhos e dá segurança àqueles que se encontram na escuridão da noite. Jesus convoca a todos a viverem a vocação de cada um, encantando os olhos das pessoas. Mas, é fundamental recordar que não é a pessoa que deve brilhar, mas a lâmpada de sua fé. Devemos ser como velas acesas que na noite, nem são notadas, mas somente suas chamas acesas. Jesus fala de “boas obras” que devem apontar para Deus. Iluminar conforme Jesus nos ensina com “boas obras” é uma forma de conduzir as pessoas ao louvor a Deus. Da mesma forma que a luz de uma lâmpada se destaca na escuridão da noite, do mesmo jeito o nosso testemunho deve levar às pessoas a perceber a presença de Deus em suas vidas. 

Não somos chamados a buscar visibilidade, mas sim a identidade de quem somos chamados a ser. A vela não se preocupa em iluminar: ela simplesmente queima e, ao queimar, ilumina. A identidade não pode permanecer oculta, mesmo que não faça nada para se fazer ver. Ninguém dá o que não tem: o que você é fala mais alto do que o que você diz. Nós, na realidade, não somos luz, mas uma lâmpada que, quando acesa, emite luz. Assim, emitimos luz somente quando iluminados por Cristo, pelo fogo do seu amor. Jesus, colocado no candelabro da Cruz para iluminar o mundo, nos pede que sejamos também como Ele luz no mundo (Ermes Ronchi).

O profeta Isaías na primeira leitura nos lembra do grande efeito positivo em nossas próprias vidas quando fazemos o bem aos outros. O alimento repartido, a acolhida daqueles que estão desabrigados e sem o que vestir se transformam em luz da aurora na vida de quem vive dessa forma. A justiça feita aos outros aproxima a pessoa de Deus e Ele vem sempre ao seu encontro. O coração que produz boas obras sempre será mais facilmente escutado por Deus. Isaías recorda ainda que para haver a luz é necessário, em primeiro lugar, fazer caridade (acolher os sem-teto, vestir aqueles que não têm nada…) e alerta da necessidade de também limpar (cancelar) de nossas vidas tudo aquilo que é fonte de trevas e escuridão. A graça da luz de Deus depende também de nós, de nossas ações e de nossas prioridades. Algo semelhante, nós ouvimos de Paulo na 2a leitura, ele encontrou pessoas o que tinham “luzes próprias” (cheias de si mesmas e orgulhosas de seus dons), mas ele procurou mostrar e dar sabor a vida de todos com aquilo que ele possuía de mais precioso: Jesus Cristo. Nada escondeu ou submeteu a sua medida e razão. Paulo anunciou Jesus crucificado! A luz daquelas pessoas orgulhosas em um momento cessou de brilhar, mas a luz de Jesus continuou contagiando os corações de todos.

Tanto o sal como também a luz possuem algo em especial, eles dão sentido, sabor e iluminam se consumindo. O sal se dissolve completamente nos alimentos e a chama que produz a luz consome o óleo da lâmpada. No fundo, o sal que devemos ser, nada mais é que o próprio Jesus que dá sabor a nossa vida; a luz que devemos ser na vida de tantos, é o próprio Jesus que dá sentido a nossa existência. Ser sal e ser luz não devem ser uma simples ação ou uma atividade corriqueira, mas o próprio modo de vida de Jesus.

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