#Reflexão: Comemoração de Todos os Fieis Defuntos (02 de novembro)

29 de outubro de 2025

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A Igreja celebra a comemoração de todos os fieis defuntos, neste domingo (02). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Jó 19,1.23-27a
Salmo: 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)
2ª Leitura: 1Cor 15,20-24a.25-28
Evangelho: Lc 12,35-40

Acesse aqui as leituras.

CELEBRAÇÃO DE FINADOS

Nossa celebração de hoje não é uma solenidade ou festa, mas uma “comemoração” = fazer memória, recordar daqueles que já partiram. Também nos lembrarmos que um dia, nós passaremos pelo mesmo caminho.

A realidade da morte é um dos pontos de nossa vida que atinge a todos: crente e não crentes; pobres e ricos etc. Não é uma questão de escolha, mas de quando. Muitos preferem não pensar nisto e nem falar nada sobre a morte, nem mesmo dizer seu nome. Em muitos casos, se vive como se isso nunca fosse acontecer.

O cristão não procura a morte, mas tem consciência de sua existência e se prepara também para enfrentar. Nosso Mestre é Jesus, Ele também esteve neste mundo, viveu em tudo a nossa condição humana e enfrentou a morte. Nosso Mestre viveu sua vida de forma intensa no amor a Deus e com todas as pessoas que se aproximaram Dele. Jesus não deixou uma solução para fugir da morte (ela continua acompanhando a humanidade), mas uma solução para vencê-la, pois somente o “amor é mais forte que a morte” (Ct 8,6-7). Conscientes da morte como realidade, nossa esperança vai além de nossa existência, está na vida eterna com Deus.

Nossa esperança sobre a vida que permanece além da morte é bem traduzida pelo prefácio da missa: Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada e, desfeita esta morada terrestre, nos é dada uma habitação eterna no céu”.

Finados não é somente o momento de lembrarmos que as pessoas que amamos morreram ou o dia da morte de nossos entes queridos, mas sim de recordar como eles viveram e marcaram nossas vidas. Devemos recordar de nossos falecidos, do amor que deixaram e que permanece em nós: a morte passa, mas o amor permanece.

Não devemos nos deixar guiar somente pela certeza da morte, mas sim, pela certeza que a nossa fé nos dá na ressurreição. Não morre uma vida vivida em Cristo, não se perde quando é Deus que ganha; não se abandona uma pessoa querida que morre, mas se entrega a Deus.

Viemos a este mundo por vontade de Deus; para a casa e o convívio eterno, nos dirigimos… nossa parada final não é o vazio e a frieza da morte, mas os braços calorosos de Deus Pai.

Hoje é momento de colocarmos nossas preces por todos que passaram por nós. Por menor que seja uma vida, toda vida é importante para Deus; todos foram redimidos pela morte de Cristo Jesus.

Fazer memória de nossos falecidos é ter um olhar ao mesmo tempo do passado, recordando daqueles que foram à frente de nós e nos aguardam; mas também é um olhar de esperança para o futuro onde todos nós celebraremos juntos a vida eterna com Deus.

Um dos textos para 1ª leitura da celebração de hoje é tirado do livro das Sabedorias que diz: “A vida dos justos está nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá…. sua saída do mundo foi considerada uma desgraça …. mas eles estão em paz…. no dia do seu julgamento hão de brilhar… vão julgar as nações e dominar os povos”.

Para a 2ª leitura, um texto sugerido é da carta aos Romanos que afirma: “A esperança não decepciona… a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores…. éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho; quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida!”

São textos que nos ajudam a termos em mente que uma vida vivida em comum com Deus e com o próximo é um prenúncio daquilo que acreditamos que será a eternidade com Deus: vence a morte vivendo a vida intensamente com o próximo e com Deus.

A liturgia de hoje não tem lágrimas, porque o que comemoramos não é a morte, mas a ressurreição. A celebração de hoje não fala sobre o fim, mas sobre a vida. Um dos textos para o Evangelho de Finados é de Jo 11,17-27, sobre o lamento de Marta: “Se o Senhor estivesse aqui meu irmão não teria morrido”. Marta tem fé em Jesus, mas ainda tinha uma visão que se encerrava para esta vida e para este mundo: Se Deus existe por que tantas mortes de inocentes?… Mas, Deus está aqui, sim! Sempre! Mas não para nos isentar do futuro comum a todos (a morte), mas para nos dar um sentido de como devemos viver o nosso presente (Ermes Ronchi).

A ferida da perda de alguém nos atinge profundamente porque são pessoas que amamos. Jesus diz em João (6,40): “E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nada daquilo que Ele me deu, mas o ressuscite no último dia” (Jo 6,40). Nada se perderá porque tudo está nas mãos de Jesus e mesmo que uma ausência e uma falta nos pesem, nos dá força saber que esta ausência e esta falta têm os dias contados.

Tudo o que amamos nunca se acaba no nada porque Deus é Amor pleno e total. Jesus, triunfou sobre cada morte, sobre cada dor e amargura.

A ideia da morte é um grande exercício de realidade para todos neste mundo. Para o cristão, o pensamento da morte não é apenas a verdade de que a nossa vida tem um limite; mas, desde que Jesus entrou na história, já não estamos perdidos, mas sim dominados por um bem que não nos abandona nem diante da morte.

Jesus enfrentou a morte por nós e a venceu também por nós. Ele abriu uma estrada para que também pudéssemos atravessar e não ficar no meio do caminho, na escuridão e de um vazio sem esperança.

Por isso, hoje celebramos não apenas uma memória daqueles já falecidos que continuamos amando, mas celebramos nossa esperança de que nada e ninguém que amamos se perdeu.

Não nascemos para a morte, nascemos para a vida, e o nosso destino é a vida eterna e não a morte. E Jesus prometeu nos ajudar nesta travessia como pastor e temos Nossa Senhora que estará sempre ao nosso lado, inclusive na hora de nossa morte.

Jesus nunca prometeu que seus amigos não morreriam. Para Ele, o maior bem não é uma vida longa, uma sobrevivência infinita; o essencial não é “não morrer”, mas sim, viver uma vida de ressuscitado.

O Senhor nos ensina a ter mais medo de uma vida errada (no pecado) do que medo da morte; se deve temer uma vida vazia de amor e de pessoas.

Aqueles que estão com Jesus nesta vida, jamais se perderão após terminarem sua jornada neste mundo. Movidos pelo nosso amor e ainda querendo o bem por aqueles que já foram à frente de nós, rezamos por eles. A missa é a maior oferta de bem para aqueles que já partiram, pois se ainda necessitam de algo para obterem a convivência eterna com Deus, nossos pedidos vão ajudar. Aqueles que já estão com Deus, eles é que intercedem por nós para que perseveremos em nosso caminho de amor deixado por Jesus.

Nossa experiência afirma que tudo vai da vida à morte. A fé cristã declara, pelo contrário, que a existência neste mundo passa da morte para a vida eterna.

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