
#Reflexão: Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor (20 de abril)
A Igreja celebra o neste domingo a Páscoa do Senhor (20). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: At 10,34a.37-43
Salmo: 117(118),1-2.16ab-17.22-23 (R. 24)
2ª Leitura: Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,6b-8
Evangelho: Jo 20,1-9
CRISTO RESSUSCITOU!
A Páscoa foi – segundo os evangelhos e textos do Novo Testamento – um dia cheio de experiências que começou já antes do sol nascer com as mulheres e termina com a comunidade dos apóstolos reunida. Foi um dia em que todos foram surpreendidos com experiências de fé de pessoas próximas de Jesus que foram compartilhando e anunciamos: “Cristo ressuscitou!”.
Pedro na 1ª leitura nos diz que Jesus ressuscitado apareceu a pessoas que tinham uma forte ligação de fé e de amor. A Ressurreição não é uma revanche ou vingança como conhecemos bem entre nós. Cristo ressuscitado não foi se exibir vivo para aqueles que o assassinaram, porque a ressurreição não é um voltar ao corpo material conforme nosso corpo que ainda temos hoje.
A Páscoa é uma experiência de fé e de amor que foi crescendo e atingindo todos. Primeiro, as pessoas que conviveram com Jesus; depois todos aqueles que foram conhecendo o imenso amor de Cristo Jesus por todos nós.
Iniciamos nosso dia de Páscoa recordando os primeiros momentos da Páscoa de Jesus com a visita das mulheres ao túmulo de Jesus. O relato da Ressurreição de Jesus no Evangelho de João traz a experiência solitária de Maria de Madalena. Nesta passagem temos alguns pontos importantes para a nossa fé em Cristo Ressuscitado. O “túmulo vazio” representa uma grande ausência e um imenso vazio. A ressurreição não veio preencher algo material que foi perdido ou destruído, mas é algo imenso que não pode mais ficar em um local ou momento da história. É algo que vai além daquelas pessoas e daquele lugar na Terra Santa.
O relato da Páscoa de Jesus inicia ainda com as cores da morte e da decepção dos discípulos. Também o sábado ficou para traz e tudo tem início no primeiro dia da semana: o domingo. São as mulheres entre os seguidores de Jesus que “se rebelam” e não se contentam com a última cena que viram aos pés da cruz. Ademais, amar e crer estão profundamente ligados: nós verdadeiramente acreditamos quando amamos. Madalena queria ainda chorar diante do túmulo de Jesus. A dor da perda ainda era imensa e sem solução. Mas, ela procura um morto e vencido pela morte, seus olhos não conseguem – inicialmente – perceber o novo que estava acontecendo.
Os seus olhos estavam à procura de um morto, mas Madalena se depara com um túmulo vazio. Tudo inicia ter um ritmo diferente e agitado: Ela corre do túmulo e, depois, os discípulos também correm para ver o sepulcro de Jesus. Ela transmite a primeira mensagem da Páscoa: o túmulo está vazio e falta um corpo na lista dos mortos.
A corrida dos discípulos é descrita como uma competição entre o ver e o acreditar. O discípulo descrito como “amado de Jesus” chega primeiro, mas respeita aquele que foi escolhido como “primeiro apóstolo”. Os dois veem o sepulcro e constatam os detalhes que revelavam algo novo e inexplicável. Madalena e o discípulo amado nos dão a dica mais importante para se acreditar: amar. O amor aproxima pessoas, mais que ideias ou fatos.
Temos três momentos do “ver” nesta passagem: Madalena somente vê, constata que falta o corpo. É o ver mais frio e direto; Discípulo Amado, não entra por isso, enxerga um pouco mais que Madalena, vê que há panos no chão (falta somente o corpo); Pedro entra no túmulo e vê com mais detalhe: “Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte”. Mas, ninguém conseguiu ir além daquilo que estava à frente deles. A Páscoa de Jesus não depende das nossas conclusões, mas é uma revelação que vem de Deus. Conforme vimos no texto do Evangelho que lemos em São Lucas.
Jesus se aproximou e caminhou com os dois discípulos de Emaús. Deus sempre se aproxima, viajante dos séculos e dos dias, e move toda a nossa história. Anda conosco sempre, não para corrigir nossa passos ou ditar o Seu ritmo. Ele não comanda nenhum passo, mas toma o nosso passo. Nada obriga. Entra no ritmo de caminhada do nosso momento. Jesus caminheiro chega aos dois viajantes, olha para eles os vê tristes e diminui a velocidade: pergunta quais eram os seus discursos? E eles contam a Jesus a sua história: uma ilusão destruída no sangue e no alto de um monte. Eles o seguiram, o amavam. Dizem: “nós esperávamos que ele fosse”. É a única vez nos Evangelhos que aparece este termo, mas apenas como arrependimento e nostalgia, enquanto sabemos que esperança é “o presente do futuro” (Santo Tomas).
Na boca dos discípulos aparece como um arrependimento pelas expectativas não realizadas em Jesus. Por isso, eles não conseguiram reconhecer que Jesus que havia “virado de cabeça para baixo” tudo que se conhecia até o momento. E Jesus com paciência fez como no começo, lá na Galileia: fala, confronta, ensina, e discute longas horas a fio pela estrada. Uma vez em Emaús, Jesus, ele mostra que quer “ir além”. Como um sem-teto, um Deus migrante que não se fixa e nem pertence a ninguém para ser de todos. Então nasceram palavras que se tornaram encantando.
Uma de nossas orações mais bonitas: “Fica conosco, Senhor!”, porque é noite. Eles estão com fome de conversa e de companhia em casa. Eles o convidam a ficar, de uma maneira tão delicada que quase são eles para pedir hospitalidade. Deus não está simplesmente em todo lugar, Ele está realmente na casa onde O deixam entrar e ficar. Na estrada, todos são mais livres; na casa, todos são mais íntimos e verdadeiros.
A história agora está reunida em torno do perfume de pão na mesa, feita para reunir muitos ao seu redor, para serem cercados de cada lado por pessoas que se amam. Eles o reconheceram no partir do pão. Eles reconheceram isso não porque era um gesto exclusivo e inconfundível de Jesus, cada pai de família fazia isso e eles devem ter repetido isso inúmeras vezes, mas tudo tem um profundo significado quando viram Jesus fazer para expressar seu amor por eles e pelo povo.
Na noite de Quinta-feira Santa, Jesus havia feito uma coisa sem precedentes, Ele havia se dado como um corpo de pão: “Tomai e comei, isto é o meu corpo”. Eles o reconheceram porque partir, repartir e entregar contém o segredo do Evangelho: Deus é o pão que é entregue e mata a fome de todo homem que busca caminhar neste mundo. É Pão do Céu que ajuda no caminho pro céu. A Eucaristia é o grande milagre: não somos nós que existimos para Deus é Deus que vive em nós (Ermes Ronchi).
A Páscoa de Jesus não muda o derradeiro destino da realidade humana: a morte. Jesus ao escolher enfrentar este inimigo da humanidade, Ele completa a sua missão de Pastor de todos os homens e mulheres. Era necessário também guiar a todos por este último caminho que percorremos neste mundo. Mas, Jesus vai além de simplesmente sofrer e morrer na cruz: Ele abre uma nova via e ensina a todos que até a morte pode ser vencida por todos aqueles que acreditarem Nele e viverem o que Ele mesmo ensinou: o amor total doação

