#Reflexão: Festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de Setembro)

11 de setembro de 2025

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A Igreja celebra a festa da exaltação da Santa Cruz, neste domingo (14). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Nm 21,4b-9
Salmo: 77(78),1-2.34-35.36-37.38 (R. cf. 7c)
2ª Leitura: Fl 2,6-11
Evangelho: Jo 3,13-17 ou mais breve 15,1-10

Acesse aqui as leituras.

FESTA DA EXALTAÇÃO DA CRUZ

            Neste final de semana, dia 14 de setembro, a Igreja recorda a “Cruz de Cristo” e celebra sua exaltação. Aparentemente, é algo estranho, pois sofrimento e dor são coisas que não nos agradam. As pessoas querem desesperadamente fugir de qualquer coisa que traga renúncia e sacrifício; diante da dor e do sofrimento, as pessoas, no fundo, não querem respostas e explicações, mas somente não sofrer mais e nem sentir dor.

Muitas religiões modernas preferem pregar o sucesso nesta vida, prometem vitórias, milagres em abundância, a superação dos sofrimentos, cura de doenças, grandeza e riqueza para esta vida, enfim, pregam um Deus do milagre e do poder sobre tudo e todos. Renúncias, sacrifícios, penitências soam nos dias atuais como “coisas do passado”. Diante de certos discursos sobre dor e sofrimento, humilhação e morte, são muitos que procuram repetir o comportamento de Pedro que procura persuadir Jesus quando ele anunciou como seria o seu fim, após sofrimento e humilhação: “Deus não permita que isto aconteça” (Mt 16,22).

A Cruz ainda assusta a humanidade, pois ela é ainda atual. Jesus ao se encarnar na realidade humana, Ele quis assumir todos os aspectos da nossa humanidade: as coisas boas como o aconchego de uma família, a beleza de ter um pai e uma mãe, amizade, partilha de dons etc.; mas, Jesus abraçou também tudo o que há de mais triste em nossa realidade: dor, sofrimento, humilhações, decepções, injustiça e por fim, a morte. Ninguém ficou fora do amor de Deus derramado sobre a humanidade no sangue de Cristo versado sobre a Cruz.

            A festa de hoje não quer exaltar a dor e nem o sofrimento, muito menos a aparente derrota de Cristo por parte do império romano, pois tudo isto que é ruim, Deus não quer para ninguém, nem planejou para Jesus e nem deseja para nenhum de seus filhos e filhas; mas, tudo isto de negativo da humanidade, também precisava de uma resposta e da luz divina por parte de Jesus.

No Evangelho deste domingo, temos o diálogo de Jesus com Nicodemos. Ele era um fariseu que procura Jesus de noite. Na conversa, Cristo ilumina sua vida propondo uma luz que vem do céu: Deus tem um amor imenso pela humanidade. Jesus recorda o símbolo da serpente que Moisés levantou no deserto. Ele fez a serpente segundo a vontade de Deus para livrar os hebreus da morte. Segundo o texto sagrado, o povo tinha se cansado do maná e também reclamava pela falta de água. Mesmo com tantos sinais da presença divina, o povo se pôs contra Moisés e Deus. Naquele tempo como hoje, quando falta fé e confiança, os sinais não bastam e nem a providência divina é suficiente: as pessoas recebem muito, mas querem sempre mais! Por causa do pecado de todos, muitos morreram por causa da picada das serpentes. Assim, aquele objeto feito por Moisés de metal e levantado em uma haste foi capaz de salvar os hebreus da morte: bastava olhar, pedir e acreditar. Um ídolo a serviço da salvação de todos. Jesus afirma que quando o Filho do Homem for exaltado fará muito mais: proporcionará a salvação para toda a humanidade. No deserto foi uma serpente de bronze que foi canal de cura da morte para o povo, Jesus na cruz é o novo instrumento de salvação para a humanidade.

Assim, a cruz de Cristo carrega consigo todos os pecados da humanidade, mas também todas as dores e sofrimentos que fazem parte da nossa realidade: para os pecados o perdão, para os sofrimentos o alívio. Nada na vida de Jesus lhe foi imposto até mesmo a morte horrível na cruz; tudo foi assumido e aceito por Nosso Senhor. Ele poderia se livrar de tudo isto, caminhar tranquilo por este mundo até uma morte serena na velhice, mas Ele quis carregar tudo isto de negativo, pensando em nós: morreu na cruz por nós.

Eis a resposta que Cristo dá com sua cruz: que ninguém ficou fora do seu amor. Todos foram carregados com sua cruz que Ele suportou e enfrentou até o extremo da realidade humana. A estrada que conhecemos de cruzes por causa de tantas injustiças, ou por erros de nossa parte, ou ainda por consequência de nossa natureza humana, esse caminho que parecia pertencer somente e exclusivamente a nós, Jesus também percorrer.

A cruz nos assusta ainda hoje, pois nela não vemos nada de divino de Jesus Cristo, mas o nosso próprio retrato e tantos sofrimentos. Foi o gesto extremo daquele que não quis somente ser solidário com os que sofrem, mas percorrer a mesma estrada para iluminar esse aspecto de nossa vida que aparentava inacessível e quase sem Deus. Jesus aceitou também sofrer e carregar sua cruz pensando também naqueles que são desprezados neste mundo porque são doentes, porque sofrem ou são considerados um peso para os outros.

A morte era vista com um triste fim e resultado de um castigo; muitos viam esse destino como uma fatalidade em que tudo encontrava um trágico destino. Jesus ao abraçar a cruz, morrer por nós e depois ressuscitar, nos mostra que nem o sofrimento e nem a morte, podem ser superados abraçando tudo com o amor de Deus: a morte deixou de ser fim e passou a ser somente um meio, uma ponte que liga nossa frágil vida deste mundo com a verdadeira e plena vida do outro lado. A morte foi vencida (não é mais um castigo) e foi derrotada, pois deixou de ser amargura para a realidade humana e uma “porta que fecha” para a nossa caminhada no mundo, com Cristo ela passa a ser uma “porta que se abre” e nos liga com Deus na eternidade.

A cruz sem a ressurreição é uma dor sem fim; a ressurreição sem a cruz é somente um sonho. A ressurreição, a força do amor divino, dá um novo sentido a todo sofrimento, dor e injustiça (representado na cruz) que enfrentamos nesta vida. Por isso, a cruz não é sinal do sofrimento de Deus e nosso, mas da sua imensa misericórdia. Na cruz levantada em alto, Deus sela definitivamente seu amor. É a exaltação de Jesus que deixou tudo de grande e divino para se fazer homem e por nós todos, escolheu morrer na cruz (2ª leitura).

Jesus convida os seus discípulos a fazerem o mesmo: renunciar a si mesmo, tomar cada um sua cruz e segui-Lo. A cruz para Cristo é doação e entrega total de alguém que escolhe seguir Jesus e também se doar até o fim pela humanidade.

Os primeiros cristãos nunca esconderam o fato da morte em cruz de Jesus Cristo. Mesmo sabendo do embaraço que era anunciar alguém que tinha sofrido a pior condenação que o Estado romano impunha ao pior criminoso, todos faziam o que Paulo expressou muito bem em sua carta: “A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que estão sendo salvos, para nós, ela é poder de Deus” (1Cor 1,18), ainda: “Os judeus pedem sinais e os gregos procuram a sabedoria, nós, porém pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos” (1,22-23) e ainda: “Pois resolvi nada saber entre vós a não ser Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado” (1Cor 2,2).

Os cristãos no tempo da perseguição dos romanos não usavam o símbolo da cruz para se lembrar de Jesus, mas outros símbolos (âncora, peixe, pães…). Segundo a história, a mãe de Constantino que era cristã encontrou um pedaço da cruz de Cristo que teria sido preservado no local da crucificação em Jerusalém e o conduziu a Roma. Com a permissão do imperador aos cristãos para o livre culto do cristianismo, a cruz passou a ser o sinal que identificava uma igreja cristã. Esse fato histórico, celebramos na festa de hoje.

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