
#Reflexão: Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José (28 de dezembro)
A Igreja celebra a Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, neste domingo (28). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Eclo 3,3-7.14-17a
Salmo: 127(128),1-2.3.4-5 (R. cf.1)
2ª Leitura: Cl 3,12-21
Evangelho: Mt 2,13-15.19-23
CELEBRAÇÃO DA SAGRADA FAMÍLIA
O Evangelho deste último final de semana de 2025 nos fala de uma família guiada por um sonho. Hoje, à distância de milênios, vemos que a figura mais importante daquelas noites não era Herodes, o Grande, nem seu filho Arquelau, mas um homem silencioso e corajoso, concreto e sonhador: José. Um pobre homem desarmado que é mais forte do que qualquer Herodes. E o que José faz? Ele sonha, mantém sua família unida e parte em sua jornada.
Mateus no seu Evangelho da solenidade da Sagrada Família nos apresenta três ações importantes: seguir um sonho, ir e proteger. Três verbos decisivos para cada família e para cada indivíduo e o destino do mundo. Sonhar é o primeiro verbo que povoa a vida daqueles que não se contentam com o mundo como ele é. Um grão de sonho, caído nas duras engrenagens da história é suficiente para mudar seu curso. José, em seu sonho, não vê imagens, ele ouve palavras; é um sonho de palavras. Isso é o que nos é concedido; todos nós temos o Evangelho que habita em nós com seu sonho de novos céus e uma nova terra. No Evangelho da infância de Mateus, José sonha quatro vezes (o justo sonha o sonho de Deus), mas a cada vez, o anjo traz um anúncio parcial, uma breve profecia, breve demais; contudo, ao partir repetidamente, José não espera ter todo o horizonte claro diante de si, mas apenas uma luz suficiente para o primeiro passo, para iniciar a caminhada, coragem suficiente para a primeira noite, força suficiente para começar.
Ir é a segunda ação. O que Deus indica, porém, é muito pouco; ele indica a direção para onde fugir, mas apenas a direção; então deve vir a liberdade e a inteligência do homem, a criatividade e a determinação de José. Cabe a nós estudar as escolhas, as estratégias, os itinerários, os descansos, medir o esforço. O Senhor nunca oferece um manual de regras completo para a vida com os seus desafios; Deus acende os objetivos e o coração, depois confia em na liberdade e na inteligência de cada um.
O terceiro verbo é guardar, levar consigo, abraçar, proteger. Temos a história de um pai, uma mãe e um filho: o destino do mundo é decidido dentro de uma família. Dentro do afeto e do abraço amoroso das vidas, na coragem humilde de cada um, de muitos e de infinitas criaturas em amor e silêncio. “A tarefa suprema de cada vida é proteger vidas com a própria vida” (Elias Canetti), sem contar as dificuldades e sem acumular arrependimentos.
Assim, se vê o Evangelho de Deus a todo momento quando um homem e uma mulher assumem a responsabilidade pela vida de seus filhos; cada homem e cada mulher que caminham juntos, perseguindo seus sonhos, assim é o Evangelho de Deus. É a Palavra de Deus que acompanha nossa jornada sempre; é a graça de Deus que sempre começa e recomeça no rosto daqueles que me amam (Ermes Ronchi).
A Sagrada Família que celebramos neste final de semana não teve um início de vida diferente como de tantas famílias neste mundo: desafios, riscos, medos, insegurança, perseguição, falta de comodidade, imposição dos poderosos etc. Maria e José com o Menino Jesus não viveram ou encenaram uma fantasia; viveram intensamente todos os momentos, todos os riscos e todas as ausências. Jesus não se encarnou em uma realidade ideal e perfeita de conto de fadas. Não! A encarnação de Jesus foi na mais pura e real realidade humana!
Deus não escolheu vir a este mundo passando pelo ventre de uma mulher, como se Maria fosse somente um lugar casual e sem nenhuma importância. Deus escolheu começar uma realidade profundamente humana, por isso, o Criador escolheu duas pessoas que se amavam; que estavam vivendo uma profunda experiência de amor, doação e sonhos como qualquer outro casal.
José era profundamente enamorado de Maria e ela profundamente enamorada de José. O verbo para “se fazer carne” passou por esta relação tão cara a nós que é a relação de amor em uma família; relação de duas pessoas que se amam. Sabemos muito bem que o mal e o bem que recebemos de nossa família, isso permanece conosco por toda a vida. Esta herança familiar que temos de nossos pais nos primeiros anos de nossa vida, marcam positiva ou negativamente, a nossa história. Elas não determinam, mas influenciam o nosso modo de ser no mundo (diálogo, compreensão, respeito, companheirismo).
Mas, será que a família de Jesus era uma família perfeita, sem problemas, sem dificuldades? O Natal que celebramos responde muito bem, estas e outras questões. Deus Pai que pode tudo, não aliviou a situação do nascimento do seu filho Jesus. Antes do Verbo de Deus assumir toda realidade de sofrimento, sua família teve que assumir o mesmo drama humano de desafios e dificuldades.
O momento em que Jesus veio a este mundo, sob a nosso modo de ver as coisas, foi de uma grande ausência de tudo que podemos dizer necessário para o nascimento de uma criança: comodidade, segurança, ambiente acolhedor, uma casa, um loca digno e limpo para uma bebê recém-nascido…. uma ausência de tudo.
Os textos de Mateus e Lucas que falam da infância de Jesus nos mostram os constantes desafios da família de Nazaré; de viagens; de fugas; de estranhos que reconhecem o Menino Jesus como Messias… Quantas dúvidas, inseguranças e desafios!
Aprendemos que tudo que os dois enfrentaram, Maria e José, somente conseguiram superar porque estavam juntos! Esta era a força daquele casal tão especial: enfrentaram tudo, sempre juntos!
Deus não escolheu um momento político melhor para vir a este mundo; uma noite ideal; nem uma estação do ano melhor; não escolheu uma melhor realidade material (casa, berço, roupas, aplausos…). A única coisa que Deus escolheu como fundamental para Jesus vir ao mundo foram as duas pessoas que se amavam. É o poder do amor que vence tudo!
Esta era a força da Sagrada Família: o amor que os unia entre si e com Deus! Não tinham do lado deles praticamente nada: não tinham nada de riqueza; nem da política; nem da religião da época; nem das pessoas mais importantes; nem da solidariedade das pessoas do lugar… Um tinha o outro em um profundo amor que os uniam entre si e com Deus!
Aprendemos com a Palavra de Deus, sobre a família, que o casamento é tão sagrado quanto o sacerdócio. A família é o lugar onde se aprende o primeiro e mais belo nome de Deus: que Deus é amor. Na família é que se ensina a arte de viver; a arte de dar e receber amor.
Se em uma família falta este amor profundo que é capaz de superar tudo e todos os obstáculos; se falta a convicção que realmente Deus é conosco… a família sempre viverá uma profunda ausência que nenhuma coisa material será capaz de preencher. Podem ter muitas coisas deste mundo, mas nada será maior que Deus e o amor entre eles.
Um dos males dentro de uma família é a sensação que as pessoas estão, vivendo sob o mesmo teto, mas não estão juntas; não vivem o mesmo sonho; o amor em gestos e palavras não existe mais… Em muitos casos, as famílias têm muitas coisas materiais, mas vazias de coisas espirituais. São pessoas estranhas que trocam algumas coisas entre si: alimento, serviços, intimidade etc. Nunca deixe que as pessoas que você ama se sintam sozinhas em sua casa!
Aprendemos com a família de Nazaré que enfrentou constantes desafios que eles encontraram uma força especial mesmo sem ter tudo certo e seguro na vida; Eles tinham a certeza de que não estavam sozinhos! Não existe família perfeita, sem problemas, sem desafios, sem medos e receios diante dos obstáculos… Nem a família de Nazaré tinha tudo sob controle. Deus não aliviou os desafios (com um passe de mágica), mas procurou indicar sempre a melhor saída e estrada a ser percorrida.
No Evangelho de Mateus, vimos a força de Deus que se mostra de uma forma simples. De um lado, havia o temeroso rei Herodes; de outro lado, uma simples e frágil família. Tudo se resolveu e todos se deixaram guiar por um sonho. José sonha, abraça consigo sua família e vai para onde Deus mandou o caminho.
Um imenso desafio (a perseguição de Herodes) e uma solução por vez. É preciso ouvir aquilo que Deus nos diz; para cada desafio, uma palavra; uma luz que ilumina os próximos passos e não toda estrada. É preciso viver cada momento, ouvindo, sonhando, abraçando e cuidado de todos que amamos… assim, Deus guia pela estrada que cada família deve percorrer.
Uma das mensagens do Natal que ouvimos é a definição do Messias Jesus que nasceu em Belém: Ele é Deus Conosco! É um Deus aqui, agora, dentro da minha vida, da minha família. É um Deus que não nos deixa sozinhos. Ele está sempre da nossa parte, caminhando conosco.
Deus não nos deixa sozinho jamais! Mas, precisamos fazer a nossa parte. Ele faz com a gente, mas não faz em nosso lugar. Não esperemos que Deus faça aquilo que podemos fazer – ou melhor – aquilo que devemos fazer para a felicidade de nossa família.
Maria e José acreditaram que realmente Deus estava com eles, não somente em um bebê recém-nascido, Menino Jesus, mas Deus Pai estava sempre com eles. Precisamos ter esta confiança sempre que, não obstante os problemas e dificuldades, Deus está sempre conosco e em nossas famílias!

