#Reflexão: Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria (17 de agosto)

12 de agosto de 2025

A Igreja celebra neste domingo a Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria (17). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ap 11,19a;12,1-6a.10ab
Salmo: 44(45),10bc.11.12ab.16 (R. 10b)
2ª Leitura: 1Cor 15,20-27a
Evangelho: Lc 1,39-56 (Cântico de Maria)

Acesse aqui as leituras.

FESTA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA (2025)

Celebramos neste final de semana a Solenidade da Assunção de Maria ao céu. Um dogma de fé que não se limita somente a uma experiência pessoal da Mãe de Jesus, mas é uma expressão importante da nossa fé cristã. Celebramos Maria elevada (assunta) ao céu, pois acreditamos que também nós um dia lá estaremos.

“Virgem, anel de ouro do tempo e da eternidade, tu levas a nossa carne ao paraíso e Deus na nossa carne” (D. M. Turoldo). Anel de ouro, onde o tempo e a eternidade se entrelaçam, onde as fronteiras se cruzam: a carne da mulher no paraíso, a carne de Deus na terra. A Assunção de Maria canta hoje o cântico do valor do corpo. Deus não desperdiça as suas maravilhas, e o corpo humano, tecido de maravilhas, transfigurado, terá o mesmo destino da alma, e Deus ocupará o coração e o corpo “será tudo em todos” (Cl 3,11). Este corpo, tão frágil, tão sublime, tão querido, tão doloroso, sacramento de amor e, por vezes, de violência, no qual sentimos a densidade da alegria, no qual sofremos a profundidade da dor, tornar-se-á, no último dia, uma porta aberta, um limiar escancarado à comunhão, a transparência cristalina, o sacramento do encontro perfeito. Maria é a irmã que partiu; o seu destino é o nosso

“Vi uma mulher vestida de sol, que estava grávida e gritava com dores de parto” (Ap 12,2). Uma bela imagem da Igreja, da humanidade, de Maria, de cada um, um pequeno coração ainda envolto em sombras. Revela a nossa vocação comum: estar na vida, doadores de vida. Ser criaturas do sol, geradoras de vida, e em combate. Contra o mal, o grande dragão vermelho que devora a luz, que se alimenta dos frutos da vida. Ter um coração de luz, enviar ao redor de si apenas sinais de vida e nunca desistir. Porque o futuro do mundo não está grávido de morte, mas de vida. O Evangelho nos diz que “Maria partiu às pressas para a região montanhosa”. Ela é a mulher cuja viagem se faz às pressas, porque o amor é sempre apressado, não tolera demoras; ir, levada pelo futuro que se encarna e se aquece dentro dela. Uma mulher a caminho, sempre figura de exploração interior, uma viagem rumo a um mundo novo, seguindo o caminho de Deus e as esperanças do coração. Uma mulher a caminho rumo aos outros: Maria nunca está sozinha no Evangelho; ela nunca reservou um espaço, por menor que fosse, para si mesma. Ela estende continuamente a mão aos outros, uma criatura de comunhão, um centro de encontros. Uma mulher a caminho de casa em casa, deixando sua casa em Nazaré para Isabel, para os recém-casados em Caná, para Cafarnaum, para o cenáculo em Jerusalém, como se sua casa tivesse se expandido e se aberto, e o círculo de seu coração tivesse se multiplicado. Uma mulher a caminho com alegria, alegria e medo ao mesmo tempo, uma alegria que, ao encontrar Isabel, se torna um abraço e depois um canto. Porque a alegria, como a paz, como o amor, só se experimenta quando compartilhados.

Os dogmas relativos a Maria, muito mais do que um privilégio exclusivo, são indicações existenciais válidas para todo homem e toda mulher. A leitura do Apocalipse indica isso claramente: Vi uma mulher vestida de sol, que estava para dar à luz, e um dragão. O sinal da mulher no céu evoca Santa Maria, mas também toda a humanidade, a Igreja de Deus, cada um de nós, inclusive eu, um pequeno coração ainda vestido de sombras, mas faminto de sol.

A Festa da Assunção nos convida a ter fé no bom e positivo desfecho da história: a terra está grávida de vida e não se deixará levar pela violência; o futuro está ameaçado, mas a beleza e a vitalidade da Mulher são mais fortes que a violência de qualquer dragão.

O Evangelho apresenta a única página em que duas mulheres são protagonistas, sem outra presença senão a do mistério de Deus pulsando em seus ventres.

Em qualquer outra situação onde duas pessoas se encontram, é a pessoa mais velha que recebe as todas as atenções, mas aquele momento foi diferente, pois Maria não era uma pessoa qualquer. No evangelho, Lucas preservou os detalhes daquele encontro entre Isabel e Maria. A mais jovem cumprimenta sua parenta mais velha quando entra em sua casa, mas tão logo Isabel ouviu a voz de Maria, ela ficou cheia do Espírito Santo. Maria cheia de graça, distribui graça a todos; traz não somente em seu coração e no seu ventre o Messias, mas também em sua voz e em todo o seu ser. Tudo em Maria transmite a graça que seu Filho veio trazer para a humanidade. O evangelista ainda afirma que o menino João Batista que estava no ventre de Isabel deu sinais (“estremeceu”) para também indicar que não se tratava de simples pessoas, de fato, Maria já trazia em seu ventre o Salvador. Um bonito sinal para todos nós cristãos: uma criança de seis meses (João Batista) mesmo ainda no ventre de sua mãe, participa da salvação pois é uma pessoa já conhecida por Deus e com uma missão especial na salvação. Toda vida é especial desde os primeiros momentos em que é formada no ventre de uma mãe ela já participa do projeto do Criador, pois já é um filho ou filha de Deus.

No Evangelho, as mães profetizam primeiro. “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre”. A primeira palavra de Isabel, que cumpre e estende o juramento irrevogável de Deus: Deus as abençoou (Gn 1,28) que estende de Maria a cada mulher, a cada criatura. A primeira palavra, o primeiro germe do pensamento, o início de todo diálogo fecundo é quando se sabe dizer ao outro: bendita sejas tu. Ser capaz de pensá-lo e depois proclamar aos que estão próximos, aos que compartilham nosso caminho e nossa casa, aos que carregam um mistério, aos que trazem um abraço: “Bendita és tu”, Deus me abençoa com a tua presença, que eu te abençoe com a minha presença.

“A minha alma engrandece o Senhor”. Mas como pode a pequena criatura engrandecer o seu Criador? Tu tornas Deus grande na medida em que Lhe dedicas tempo e coração. Tu tornas Deus pequeno na medida em que Ele diminui em tua vida. Santa Maria nos ajude a caminhar, ocupados com o futuro do céu que está em nós como um broto de luz. A habitar a terra como Ela, abençoando as criaturas e engrandecendo Deus.

A Assunção é a celebração da nossa migração compartilhada em direção à vida. Somos uma humanidade que sofre, mas em movimento; uma humanidade ferida, caída, mas em movimento; uma humanidade que conhece bem a traição, mas que não desiste, que ama o céu e a terra com a mesma intensidade. (Tradução de meditações de Ermes Ronchi).

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