
#Reflexão: Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida (12 de outubro)
A Igreja celebra neste domingo a Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida (12). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Est 5,1b-2;7,2b-3
Salmo: 44(45),11-12a.12b-13.14-15a.15b-16 (R. 11.12a)
2ª Leitura: Ap 12,1.5.13a.15-16a
Evangelho: Jo 2,1-11 (Bodas de Caná)
NOSSA SENHORA APARECIDA
O primeiro chamado de Maria foi de ser mãe, mãe do Salvador. Deus a fez especial, única e a mais santa. Para ser a mãe de Deus era necessário que fosse, não a mais divina, não! Mas, que fosse a mais humana entre os homens e as mulheres.
A jovem Maria tinha que ser a melhor criatura, “cheia de graça” para poder gerar sem o pior da realidade humana que é o pecado. Ela é sem pecado, para que a graça de Deus fosse plena nela, e assim gerar na mais profunda realidade humana e divina, o Salvador Jesus;
Maria é a mais digna e perfeita criatura – ela sem ser Deus – foi o único ser que trouxe em seu ventre, Deus, que gerou todo o universo. Dentro de Maria, nos nove meses, o Salvador foi formado na sua segunda natureza: a realidade humana. Assim, era necessário que o Redentor da humanidade tivesse o melhor entre todas as mulheres e os homens da terra;
Mas, se tudo foi grandioso em seu significado; tudo se mostrou simples e humilde em sua realização. Maria não se encheu de si, não viveu em um palácio e nem pediu um tratamento especial. Continuou sendo a simples e humilde jovem de Nazaré juntamente com seu justo marido, São José.
Os dias e os meses transcorreram normais e singelos como de qualquer outra família nas terras da Galileia. Deus escolheu uma simples família para poder experimentar o sentido profundo que deve acontecer em todas as famílias: cada pessoa deve ser o maior tesouro e a maior riqueza um para o outro. Tudo é transitório (tudo passa), somente as pessoas devem permanecer para sempre ao nosso lado e depois em nossos corações e lembranças.
Segundo a Sagrada Escritura, a vocação de Maria como mãe de Deus não se encerrou com a maioridade do filho Jesus. Ela também fez a caminhada como discípula e aprendeu a entrar na lógica do filho que ensinou com Palavras e com a sua vida que o sentido único de nossa existência é doar-se completamente ao próximo. O sentido perfeito do amor, nunca é sozinho, exclusivo e egoísta, mas somente tem sentido quando é doado, esvaziado em uma entrega constante e sem limites.
Uma sociedade que alimenta o egoísmo como forma de ser feliz, terá tudo, menos a felicidades. Jesus foi plenamente feliz, pois viveu até o fim, partilhando e doando o melhor de si para os outros.
Mas a vocação de Maria tem um novo recomeço aos pés da Cruz. Lá onde aparentemente tudo de ruim acontecia; onde o mal parecia triunfar, Jesus em um último gesto, ainda se preocupando com a humanidade. Já tinha deixado uma vida de exemplo e testemunho que o amor é a única solução para sermos felizes neste mundo, mas um amor que faz o bem e que se doa completamente; já tinha deixa ensinamentos e mostrado um caminho que todos devemos percorrer, seguindo-O como Mestre e Pastor.
No alto da cruz, em meio a dores e sofrimento, entrega o que ainda tinha consigo, que tinha levado até o último momento: suas palavras são de perdão para todos e, depois, faz uma última entrega. Algumas pessoas acompanharam o Mestre Jesus naquele momento: Mulheres, amigo e sua mãe. “Vendo sua mãe”, assim introduz São João para nos apresentar a última entrega de Cristo. Nosso Senhor não tem um olhar de revolta ou de ódio, mas vê sua mãe… certamente, foi o primeiro rosto que viu ao vir a este mundo.
Ao lado da mãe de Jesus esteva o seu discípulo amado. Os dois já unidos diante da entrega do Salvador; juntos enfrentavam os momentos de sofrimento de Jesus. Jesus pensa nos dois e sela uma nova realidade entre sua mãe e seu discípulo, o mais estimado. Há uma ordem e ao mesmo tempo um pedido: Que a Mãe, também Mulher das dores e sofrimentos, acolhesse seus discípulos, como filhos: “eis aí teu filho”; A mesma ordem é dada ao discípulo: “eis aí a tua mãe”. Nasce aos pés da cruz, como ordem de Jesus, uma nova família.
Maria, a mãe de Cristo, tornasse a Mãe de todos os discípulos de Jesus. Ela que foi uma presença constante na vida do Mestre, deverá ser mãe também de todos que aceitassem Jesus.
Nossa Senhora como chamamos, não interferiu na missão de Jesus, mas certamente, foi uma presença importante, serena e confiante de que tudo é da vontade de Deus.
Maria foi a primeira a nos ensinar em como devemos viver nossa vocação:
- Estar sempre em sintonia com Deus seja na Palavra ou na oração;
- Ouvir e sentir a voz de Deus que nos fala de tantos modos: na Bíblia, nas orações, em cada pessoa, em nossas celebrações… Ouvir e confiar;
- Por fim, se colocar no serviço, cumprindo a missão;
A mãe de Jesus é a mais presente, sem ser o principal; silenciosa, fala de Jesus nos pequenos gestos de mãe e depois, de discípula. Escuta e faz a vontade do Pai.
Ester na 1ª leitura é a rainha que também quer o bem do seu povo; Maria é a rainha do céu como nos diz a 2ª leitura, cercada de todas as forças deste mundo, mas que se preocupa com o bem de todos, até mesmo da simples falta de vinho em um casamento.
Ela é a mãe que continua presente em sua Igreja que caminha na história cumprindo a missão de levar Jesus a todos os povos. É a mãe que se apresenta com as feições de cada povo em todos os tempos, como se fez sentir presente para os humildes pescadores do Vale do Paraíba que no seu cotidiano, experimentaram os milagres de Deus.
Em Aparecida tudo começou com os pequenos, com os simples e os pobres para se tornar uma presença constante na vida de todos os brasileiros de fé católica. Uma mãe que continua zelando pelos discípulos de Jesus, cumprindo sua vocação e missão de Mãe de todos que buscam testemunhar o amor e misericórdia de Deus. Que a Mãe Aparecida nos ajude em nossa missão de discípulos de Jesus, cumprindo nossa vocação de filhos e filhas de Deus que somos desde o nosso batismo, mas também de semeadores da paz e da misericórdia que nos ensinou nosso Mestre Jesus.

