#Reflexão: 11º Domingo do Tempo Comum (Ano B – 13 de junho)

11 de junho de 2021

A Igreja celebra neste domingo (13), o 11º domingo do tempo comum. O padre Dirlei Abércio da Rosa nos ajuda a refletir e rezar a liturgia deste dia.

Leituras:

Ez 17,22-24 

Sl 91,2-3.13-14.15-16 (R. Cf. 2a)

2ª Leitura – 2Cor 5,6-10

Evangelho – Mc 4,26-34 (A semente e o grão de mostarda)

HOMENS E DEUS TRABALHAM JUNTOS

Neste Domingo, Jesus nos explica a grandeza do Reino de Deus que acontece a partir de coisas simples e em nosso cotidiano. Deus age sempre, mesmo quando erramos, mas nos convida a sermos parceiros em sua obra de transformar este mundo.

O profeta Ezequiel foi chamado por Deus para semear a esperança de Deus em um tempo muito difícil para Israel. O país tinha sido destruído por um povo estrangeiro e muitos tinham morrido. Deus, no entanto, procurou falar através do profeta deixando uma promessa ao seu povo: de transformar sua gente em um cedro grandioso. Israel, um pequeno galho que se transformará em um grande arvoredo no alto da montanha.

Jesus, no Evangelho, esclarece com dois exemplos como é o Reino de Deus. Os exemplos nos dão a ideia da simplicidade e da pequenez das coisas e ao mesmo tempo da força grandiosa que elas escondem e do maravilhoso efeito que produzem.

O Reino possui sua própria força, acontece a partir do nosso dia a dia, dentro de nossas casas, no nosso campo e em nossas famílias. No entanto, Deus precisa de nossa ajuda.

Na primeira parábola, Jesus afirma que “um homem” do campo se põe a semear. O agricultor sabe bem o que toca a ele fazer e procura fazer da melhor forma possível, mas também tem consciência que certas coisas ele não possui nenhum poder e nem sabe explicar como acontecem. Ação conjunta e harmoniosa onde o semeador inicia e termina o processo, mas toda parte principal, ele não possui nenhuma influência.

O Reino de Deus, assim, é algo que se constrói no cotidiano da vida das pessoas. Se o semeador não semeia, nada acontece; se tudo está pronto, mas ele não recolhe, tudo está comprometido. Jesus chama atenção daquilo que o agricultor não tem poder, aquilo que ele não pode influenciar de nenhum modo: todo o processo logo depois do plantio até o grão das espigas. A ação de Deus de implantar seu Reino neste mundo necessita de “agricultores” de sua palavra, que semeiem e saibam esperar; que façam sua parte, mas deem espaço para ação de Deus; que sejam aliados e companheiros, e não opositores e destruidores da Palavra.

Chama-nos atenção nas palavras de Jesus, os detalhes sobre o processo da produção da espiga. Tudo tem o seu tempo e o seu ritmo para acontecer. Se o semeador não confiar e se também não tiver paciência tudo pode se comprometer. A natureza nos ensina isto: tudo tem o seu momento justo para acontecer!

Vivemos em tempo da agitação, dos grandes acontecimentos, do tempo “sem tempo” pra nada. As pessoas estão cada vez mais iludidas que o bom é aquilo que ainda não se tem: o celular novo, carro novo, a roupa nova… Não se tem paciência mais para ninguém (família, amigos, parentes…), nem para as coisas do dia a dia (trânsito, TV, internet….) e nem pra Deus. Hoje em dia, tudo tem sua parcela de tempo e espaço, menos tempo pra Deus. A vida é feita de parcerias e de relações onde cada um tem sua missão. Deus precisa de nós como semeadores; a semente é a sua palavra; o terreno é o mundo e as pessoas.

A segunda parábola completa a anterior. O Reino de Deus, em confronto a muitas coisas neste mundo, é comparado a um grão de mostarda: minúsculo e quase imperceptível, mas quando é semeado e tem oportunidade de crescer, se transforma em uma árvore que acolhe a todos. A força não está na aparência e nem no tamanho, mas na generosidade daquele que se imola como semente e se transforma.

A semente de mostarda como de qualquer outra semente, enquanto permanece um grão jamais se transformará em árvore. O grão de mostarda possui uma imensa força e futuro que vai além da aparência e do seu tamanho. Como na primeira parábola, a semente de mostarda precisa ser semeada com zelo e atenção por parte do semeador e tudo o mais acontecerá. Não existe semente pequena ou grande; não existem gestos e palavras de Deus insignificantes.

No mundo de hoje é crescente a ideia do Deus que tem que fazer tudo: Deus dos grandes prodígios e milagres. Jesus nos convida a sermos parceiros neste seu Reino, pois a força e a grandeza da semente (Palavra de Deus) Ele mesmo nos fornece para transformar este mundo em uma “grande plantação” de Deus onde todos se transformem em espigas cheias de vida. O mundo precisa ser transformador dentro de nós e através de nós como o agricultor da parábola que semeia, mas precisa ter paciência e confiança, pois Deus precisa transformar tudo de dentro pra fora, como a semente que se transforma em um broto, depois espiga e por fim, os frutos.

Para Jesus, o Reino de Deus não é uma realidade superior e longe da realidade humana, mas sim encarnada no chão da nossa vida e no alcance de qualquer pessoa. Saber encontrar o infinito de Deus nas coisas pequenas e simples. Na natureza tudo acontece por simples generosidade; para a terra, produzir fruto não há esforço, o mesmo para a luz iluminar. Nós também devemos aprender a doar o que temos e somos gratuitamente, pois esta é a felicidade que Jesus viveu e nos ensinou.

Tudo pode acontecer se soubermos realizar tudo em parceria com Deus, enquanto caminhamos neste mundo procurando fazer o melhor possível, pois um dia, nós estaremos diante Dele para compartilhar aquilo que construímos de bom no Reino de Jesus. Para muitos, aquele dia será de alegria em descobrir que foi um bom semeador, para outros, será de tristeza em descobrir se só foram obstáculo no Reino de Deus.

Sejamos nós, Senhor, chão que acolhe a Palavra e produz frutos de amor e presença de Deus para alegrar a vida das pessoas que encontrarmos em nossa vida!