#Reflexão: Solenidade Ascensão do Senhor (17 de maio)

14 de maio de 2026

A Igreja celebra o neste domingo a Solenidade Ascensão do Senhor (17). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 1,1-11
Salmo: 46(47),2-3.6-7.8-9 (R. 6)
2ª Leitura: Ef 1,17-23
Evangelho: Mt 28,16-20

Acesse aqui as leituras.

ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR JESUS

Estamos próximos de encerrar as celebrações da Páscoa de Jesus. Conforme os textos Sagrados, a morte não marcou o fim da existência de Jesus, mas definiu o reinício de um novo tempo, com Cristo presente e ressuscitado. Dessa forma, Jesus continua sua missão no mundo e na história, através da sua Igreja. Assim, após sua ressurreição, Cristo procurou preparar o seu grupo de apóstolos passando uns dias com eles, animando e orientando sobre o que eles deveriam fazer. Mas, era necessário encerrar também esta curta missão entre os apóstolos como ressuscitado e visível. Por fim, chegou o momento da partida de Jesus.

A solenidade da subida do Senhor Jesus aos céus (Ascensão) marca a passagem de dois grandes momentos da história da salvação: o final da missão de Jesus e o início da caminhada da Igreja. Nosso Senhor encerra a sua presença neste mundo, mas ao mesmo tempo, Ele não nos abandona. A forma de sentir a sua ajuda e sua assistência passou a ser muito mais ampla e perfeita. Para isto, a sua Igreja (na pessoa dos apóstolos) também deveria assumir um papel novo e amplo neste mundo.

Temos duas tradições sobre este momento de despedida de Jesus antes de subir aos céus. Para Mateus tudo aconteceu na Galileia onde os apóstolos se dirigiram. “Montanha” para o primeiro evangelista é um lugar muito significativo. Jesus tem algumas experiências significativas sobre montanhas: as tentações (Mt 4,8), as Bem-aventuranças (Mt 5) e a transfiguração (Mt 17,1ss). Para Mateus era necessário recomeçar no monte, na Galileia, com as Bem-aventuranças. Para Lucas no livro dos Atos dos Apóstolos (conforme a primeira leitura), tudo aconteceu na cidade de Jerusalém. Nela, Jesus teve o cumprimento de sua missão e de lá, os apóstolos deveriam dar prosseguimento na sua missão: de Jerusalém até o centro do mundo da época que era Roma. 

Tanto Mateus quanto a passagem em Atos dos Apóstolos descrevem a situação do grupo de Jesus. Em Atos, eles perguntam sobre a “restauração” do reino deste mundo: de Israel. A visão que conseguiam ter de tudo que aprenderam com Jesus era de um projeto meramente político e limitado a um território: uma libertação social e política dos romanos. Uma visão muito pequena e incorreta em relação à verdadeira missão que iriam realizar. Esperavam que Jesus ainda agisse e fizesse algoMateus narra que o grupo, ao ver Jesus se prostrou diante Dele (reconhecimento da presença divina), mas alguns ainda duvidavam. Jesus resolve confiar no grupo e em pessoas que ainda duvidavam! A dúvida não é algo 100% negativo: ela nos revela o que ainda temos que conhecer.

Jesus sabia que somente com a “Força do Alto” (Espírito Santo) todos iriam não somente compreender quem realmente Ele era, bem com a missão que deveriam assumir neste mundo. Nos Atos dos Apóstolos, Jesus sinaliza a principal função do Espírito Santo em sua Igreja: transformar todos em testemunhas. Assim, mais do que esperar uma revolução sociopolítica, eles passarão por uma revolução interna e deverão conquistar Jerusalém e todos os cantos da terra. O destaque das palavras de Jesus é que agora, eles é que deverão agir e ser instrumentos de graças para todas as pessoas.

No relato de Mateus, Jesus inicia recordando o seu poder que é o mesmo de Deus Pai: no céu e na terra. Em seguida, Jesus os envia para a missão. Mesmo diante das inseguranças e duvidas de fé até aquele momento, Cristo confia a todos a tarefa de continuar tudo que Ele mesmo iniciou. Para este evangelista, a missão dos apóstolos pode ser resumida em três atividades: (1) conquistar pessoas para Jesus, mas como discípulas, pessoas que escolham seguir o mesmo caminho de salvação que Ele mesmo ensinou aos seus. (2) batizar em nome do Pai, do Filho e Espírito Santo. Mais do que o rito sacramental, a missão dos apóstolos é conceder através do Batismo a mesma graça da Trindade a todos que desejarem. Somente com esta Força que vem do Alto, todos poderão usufruir de tudo que Jesus deixou para nós. (3) Observar os ensinamentos de Jesus. Tudo em Cristo é fundamental, mas nos Seus ensinamentos nós encontramos a receita para sermos discípulos e cumprirmos a vontade de Deus Pai. Assim, o discípulo que Jesus deseja é aquele que possui as graças do Espírito Santo (que recebemos no dia do nosso Batismo), mas também observar os seus ensinamentos.

Após esclarecer a todos que eles deveriam continuar a mesma missão de Jesus, mas como testemunhas e com a força do Espírito Santo, Jesus deixa definitivamente os apóstolos. É uma despedida diferente e também significativa para todos nós. Lucas nos Atos descreve este momento dizendo que Jesus subiu e desapareceu entre as nuvens. Isto marca o limite da realidade humana e divina. Jesus entra em uma nova realidade que não significa estar distante ou perdido no céu, mas que definitivamente assume a sua realidade divina.

Podemos dizer que Jesus se distancia dos olhos de todos, mas não da presença de todos. Se antes, todos podiam ver e tocar Jesus ressuscitado (um privilégio somente para os primeiros discípulos), após sua ascensão junto de Deus Pai, Jesus estará próximo de todas as pessoas, onde elas estiveram e em todos os momentos da história. Jesus não “foi embora”, mas retorna para o Pai. Ele não deve pertencer a um grupo, mas a toda a humanidade. Antes Ele estava ao lado, agora Ele permanecerá dentro de nós!

A Ascensão é a celebração de Sua presença, agora presente de forma diferente: Jesus não foi para longe, mas a frente de nós; não além das nuvens, mas além das formas. Seu último encontro foi na Galileia; eles caminharam juntos por três anos; e se não entenderam muito, amaram-No profundamente. E todos estão lá, no encontro na última montanha. “Ide!” Ele acaba de se revelar e imediatamente os convida a partir, exortando-os a pensar grande, a olhar longe: Ele abre o mundo, apaga fronteiras, os envia para mergulhar na inumerável humanidade (Ermes Ronchi).

A presença de Jesus será com o Espírito Santo já definido por Jesus como o Amor por excelência entre Ele, o Filho, e o Pai. Na segunda leitura, Paulo nos lembra que a principal missão no Espírito Santo será abrir o nosso coração a sua luz para que saibamos qual esperança fomos chamados e a herança dos Santos que já está assegurada a todos nós. Um Espírito que nos anima na missão no presente e na esperança que nos aguarda.

Após subir aos céus, os apóstolos ficaram admirados olhando para o alto, como que esperando acontecer algo espetacular ou fantástico da parte de Jesus. Dois homens (2 = em dois para um confirmar o testemunho do outro) em veste branca (revestido do céu = anjos) chamam atenção dos apóstolos. Interessante: normalmente se esperam sinais e revelações do céu e não da terra! Mas, os dois homens procuram mostrar isto: é o momento de “arregaçarem as mangas” e começaram a missão: mais do que ficarem olhando para o alto é necessário olha para os lados e no horizonte, pois eles tinham muito trabalho e muito que realizar.

Mateus encerra seu Evangelho com uma promessa muito importante para todos nós: Jesus caminha conosco até o final dos tempos e Ele mesmo atua em nós e através de nós. Mais do que esperar sinais, somos chamados a sermos sinais neste mundo; mais do que desejar ainda milagres (um Jesus que “resolve tudo”) devemos ser canais de graça na vida das pessoas. É necessário assumir a nossa missão e ajudar as pessoas a serem discípulas de Cristo, procurando ensinar tudo que Ele mesmo viveu e deixou para o nosso bem. Estamos assim, vivendo o “grande intervalo” entre a Ascensão e próxima manifestação de Jesus que acontecerá um dia em nossa história.

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