#Reflexão: 3º Domingo da Quaresma (20 de março)

16 de março de 2022

A Igreja, neste domingo (20), celebra o 3º Domingo da Quaresma. Reflita e reze com a sua liturgia.

1ª Leitura – Ex 3,1-8a.13-15

Salmo – Sl 102,1-2.3-4.6-7.8-11 (R.8a)

2ª Leitura – 1Cor 10,1-6.10.12

Evangelho – Lc 13,1-9

Acesse aqui as leituras.

 

PRODUZIR FRUTOS DE MISERICÓRDIA

Jesus, no Evangelho deste domingo, parte de duas situações trágicas que todos conheciam para ensinar como Deus é diferente de nós. Naquele tempo, como hoje, acidentes, doenças, fatalidade, catástrofes e, por fim, a morte eram e são vistos como uma espécie de castigos cujo “culpado” é sempre Deus.

Lucas inicia o Evangelho informando que Jesus estava ensinando quando as pessoas comentaram sobre um fato horrível: Pilatos tinha assassinado vários galileus e o sangue deles tinha sido misturado com sangue dos animais sacrificados. Os mortos eram pessoas de fé que estavam em um lugar sagrado (bem provável que era o Templo de Jerusalém), mas que tiveram uma morte horrível. Porém, como poderia ter acontecido tal catástrofe para pessoas que estavam procurando praticar sua fé? Jesus, certamente, ouviu a resposta que tinham dado sobre a morte dos galileus e, em seguida, mostrou discordar da visão que todos tinham de Deus.

O pensamento de todos era que eles eram pecadores, por isso, Deus tinha “punido” a todos com a morte. Essa ideia era exatamente o contrário a tudo que Jesus procurava ensinar sobre Deus. Nosso Senhor disse que aqueles mortos eram iguais a qualquer pessoa de seu tempo, mas – acrescentou Jesus – o que realmente poderia levar a morte seria a falta de conversão. Os imprevistos da vida (acidente, doenças, fatalidades…) podem somente atingir o corpo, mas a verdadeira morte está na falta de conversão. À história do sangue dos galileus, Jesus acrescentou, por sua conta, o acidente da torre de Siloé onde morreram 18 pessoas. Tais pessoas não eram nem mais e nem menos pecadoras que os outros habitantes de Jerusalém.

Naquele tempo como hoje, muitos medem o amor de Deus e a sua providência segundo as coisas boas ou ruins que acontecem em suas vidas. Se tudo está bem é mérito do esforço e do trabalho da própria pessoa, mas se acontece algo ruim é castigo de Deus.

Nós somos frágeis e de uma natureza limitada, pois o nosso paraíso não está neste mundo. Até o final de nossa existência, passamos por inúmeros desafios, doenças, acidentes… que nada mais são do que resultados de nossas escolhas ou obstáculos que encontramos em nossa vida. Deus nos prometeu estar ao nosso lado, nos dando forças e graças para cumprirmos nossa missão neste mundo e vencer os desafios de nossa vida.

Jesus sempre procurou mostrar que nosso Deus é diferente de nós e do nosso modo, muitas vezes, interesseiro e maldoso de agir. Para ilustrar isso, o Mestre Jesus contou uma parábola de um agricultor que tinha uma propriedade e árvores frutíferas (figueira e videiras). No início da parábola, Nosso Senhor procurou retratar Deus conforme a ideia de todos e, depois, mostrou como Ele realmente é. Segundo Jesus, o dono da propriedade plantou uma figueira em uma vinha. O local da figueira deveria ser junto às outras árvores frutíferas, mas o dono resolveu colocar no meio da vinha onde estavam as plantas mais estimadas. Tal figueira recebeu toda atenção possível, mas quando chegou o tempo da figueira “retribuir” tudo que tinha recebido, ela nada produzira. Segundo Jesus, o patrão por três anos procurou frutos e concluiu que tudo foi em vão. Até aqui, a descrição era de como o povo via Deus: “alguém” que cobra sempre algo, dá com interesse, investe querendo algo em troca… A paciência de Deus (segundo aquelas pessoas) era curta e limitada (três anos). Imaginar Deus dessa forma seria quase que afirmar que, na realidade, Ele é que é a nossa imagem e semelhança e não o contrário.

Entra em cena o vinhateiro que trabalhou e cuidou de todas as árvores do local. Tal personagem encarna muito bem a figura de Jesus. Alguém que está trabalhando em meio às árvores, que se compadece de todas, faz de tudo para que cada uma produza frutos. No diálogo entre o proprietário e o vinhateiro, esse último convence seu senhor a dar mais uma oportunidade: mais um ano. E nesse tempo, o vinhateiro vai investir ainda mais com tudo que for necessário para que a figueira na vinha do Senhor, finalmente, produza frutos.

Conforme as palavras de Jesus, Deus poderia fazer eternamente tal ação misericordiosa e providente, mas nós não somos eternos. Um dia, deveremos estar diante de Deus para apresentar ou não os frutos de tudo que recebemos da parte Dele. A vida de Jesus, como bom vinhateiro que intercede por cada um de nós diante de Deus e faz de tudo para que cumpramos nossa missão nesta terra, não pode fazer tudo por nós, isto é, cada um (como cada árvore) precisa corresponder ao amor de Deus. Produzir frutos não é algo que interessa a Deus, mas é essencial para cada um de nós.

Nosso Deus é um Pai que vem ao encontro de seu povo. Conforme ouvimos na primeira leitura, Deus nosso Pai vê as nossas angústias, escuta nosso clamor e “desce” ao nosso encontro para nos libertar. A melhor forma que tudo foi realizado, de modo perfeito e eterno por Deus, encontra-se nos ensinamentos e na vida de Jesus. O mal sempre vai procurar nos distanciar do projeto de Deus (conforme nos lembra São Paulo na segunda leitura) como tentou o povo do AT, mas a ação e a presença misericordiosa de Deus (o próprio Senhor Jesus) sempre estiveram presentes e sempre foram atuantes a favor de sua gente.

É preciso aproveitar o tempo que temos neste mundo, onde fomos “plantados” por Deus. Procurarmos dar razão e valor a cada esforço e dedicação de Jesus, que cuida de nós. Nós precisamos produzir frutos para que a vinha do Senhor fique mais bela e tantos outros possam se alimentar dos frutos que nada mais são do que a graça de Deus em nossa vida e na vida de tantas outras pessoas.

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