#Reflexão: 3º Domingo do Tempo Comum (23 de janeiro)

17 de janeiro de 2022

A Igreja, neste domingo (23), celebra o 3º Domingo do Tempo Comum. Reflita e reze com a sua liturgia.

1ª Leitura – Ne 8,2-4a.5-6.8-10

Salmo – Sl 18,8.9.10.15 (R. Jo 6,63c)

2ª Leitura – 1Cor 12,12-30

Evangelho – Lc 1,1-4;4,14-21

Acesse aqui as leituras.

 

JESUS É A ALEGRIA E A FORÇA DE DEUS PARA NÓS

Sabemos da grande importância de reservarmos um tempo para Deus, não alguns momentos dispersos, mas algo que seja significativo para podermos experimentar diariamente o amor de Deus. A misericórdia e as graças de que precisamos são dons profundos que Deus quer nos conceder sempre, diariamente.

Na primeira leitura, vemos como o povo de Deus, reunido em uma praça, valoriza o Dia do Senhor e a sua Palavra. Os judeus guardam o sábado. Nós, cristãos, devemos guardar o domingo. Os sacerdotes e os levitas proclamam, explicam e apresentam a Palavra de Deus como expressão da própria presença de Deus, por isso, todos escutam com atenção, se emocionam, se dispõem a ouvir, acolher com cuidado cada particular e, por fim, O adoram. O Dia do Senhor é um momento especial, de festa e alegria, pois, de fato, Deus quer participar e compor o nosso tempo para, junto conosco, construir a nossa história. Ele não pode ser somente uma “lembrança em certos momentos”, mas nós precisamos reservar um digno e especial tempo para ouvi-Lo e adorá-Lo.

Jesus Cristo é o Verbo de Deus, expressão do seu agir e da Palavra que salva. Neste domingo, recordamos os primeiros passos de Jesus que, depois do Batismo, inicia oficialmente a sua missão solenemente na sinagoga de sua cidade. Este local de oração era um espaço especial de meditação e estudo da Palavra de Deus.

As primeiras palavras do texto do Evangelho lembram a dedicação e a seriedade daquilo que Lucas procurou realizar com o seu escrito. Não se trata de fantasias ou lendas. Tudo que decidiu contar são fatos (“acontecimentos”) que ele procurou pesquisar junto daqueles que foram testemunhas de tudo. Tudo é para conhecer a “solidez dos ensinamentos” de Jesus e que não é algo para “meros curiosos”, mas para pessoas de fé.

O evangelista soube criar um ambiente de expectativa naquele dia em que Jesus iniciou sua missão. Como bom judeu, em dia consagrado ao Senhor, segundo o costume judaico (o sábado), Ele entrou na sinagoga na pequena Nazaré, um lugar simples, considerado sem valor pelas autoridades religiosas de Jerusalém.

Conforme a tradição naquele tempo nas sinagogas, se fazia a leitura de dois textos do AT (um do Pentateuco e um dos Profetas). O segundo leitor propunha uma explicação sempre segundo os rabinos daquele tempo. Porém, Jesus não fez assim. Inicialmente, tudo começou como sempre se fazia: a leitura e o cuidado para com o texto Sagrado. Após a leitura — como um Novo Mestre —, Jesus sentou-se e começou a ensinar algo diferente.

A passagem escolhida por Jesus que todos ouviram foi retirada do profeta Isaías. São palavras de esperança em relação à solidariedade de Deus. Fala de alguém enviado por Deus e ungido, que possui a força que vem do alto. Ele nada faz por conta própria, mas em nome de Deus. Isaías prossegue revelando a transformação que Deus promete realizar em meio ao seu povo. É o que Jesus assume em sua vida na sinagoga de Nazaré.

Não se trata de um programa social em que todas as desigualdades sociais serão eliminadas. Os primeiros a receberem algo de Deus são os pobres: receberão a Boa Nova. Ele não se tornou “mais um pobre entre os pobres”, mas procurou mostrar que o sentido maior para a nossa vida vai além das coisas materiais e valores sociais. A maior pobreza é aquela espiritual (fruto do pecado) que acorrenta o ser humano em uma decadência humana. Jesus é a libertação e o resgate de toda indigência ocasionada pelo pecado.

O texto de Isaías continua afirmando a libertação de todos os prisioneiros. Muitos vivem em uma verdadeira prisão devido a seus pecados. Tais pessoas tornam-se escravas, dependentes e aprisionadas, impedidas de viver com intensidade e plenitude. Jesus é o resgate que a humanidade esperava.

A cura da cegueira não é somente “mais um milagre” que Jesus promete realizar. Para o povo da Bíblia, a cegueira impede as pessoas de viver na luz. O pecado torna as pessoas pobres de espírito, acorrentadas a uma vida de escravos e que lhes rouba a paz, tornando suas vidas uma constante escuridão.

A libertação da opressão, prometida nas últimas palavras de Isaías, retrata tudo que oprime o coração de todos como: ódio, rancor, raiva e espírito de vingança. Jesus é aquele que pode dar outro sentido a nossa história e transformar tudo em graça do Senhor, como um tempo de graça ou ano Jubilar de graça para os judeus.

Jesus, na sinagoga de Nazaré, esclarece e estabelece a sua missão, baseada na Palavra de Deus, mas atualizada na história. Significativa e expressiva é a palavra “Hoje!” pronunciada depois da leitura de Isaías. Tudo que era promessa se realiza naquele tempo e em todos os tempos. Jesus é o “hoje e sempre” de Deus, que quer, a cada dia e na vida de cada pessoa, continuar promovendo liberdade, luz e doar misericórdia.

O nosso testemunho de fé e de vida devem ser a melhor forma de anunciar e proclamar hoje e a todos que Deus pode transformar a vida de cada pessoa e, assim, transformar o mundo. Paulo, na segunda leitura, lembra sua comunidade de que entre todos devem imperar a unidade e a ajuda mútua, pois somos todos irmãos e irmãs pelo Batismo e chamados a viver uma vida de partilha daquilo que é graça de Deus em nossas vidas.

Com as palavras de Isaías, Jesus constitui todo o seu programa de vida que podemos perceber em sua missão: a Boa Nova foi anunciada com intensidade aos pobres e a todos que O acolhem; muitos prisioneiros do pecado e de doenças foram resgatados e libertados; inúmeros encarcerados pelo ódio e o próprio mal foram trazidos à luz da verdade. E, tudo foi feito sem colocar condições ou exigir algo de nós. Por fim, Jesus deixou um grande dom que atualiza na vida de cada pessoa o amor de Deus: seus ensinamentos, suas palavras e a Eucaristia.

Faça o download da reflexão em .pdf.