
#Reflexão: 4° Domingo da Páscoa (26 de abril)
A Igreja celebra o neste domingo o 4° Domingo da Páscoa (26). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: At 2,14a.36-41
Salmo: 22(23),1-3a.3b-4.5.6
2ª Leitura: 1Pd 2,20b-25
Evangelho: Jo 10,1-10
Acesse aqui as leituras.
ESCUTAR E SEGUIR A JESUS, O BOM PASTOR!
No IV domingo da Páscoa, a Igreja sempre celebra uma das mais belas imagens que o próprio Jesus aplicou a si mesmo: O Bom Pastor! O Pastor que cuida de suas ovelhas é uma imagem presente desde o Antigo testamento. Nasceu com Davi, o rei pastor, passou pelos profetas e chegou ao próprio Jesus que também utilizou para si, mas é somente Cristo, o único que aplicou o adjetivo “Bom Pastor”. O texto de Jo 10 que apresenta Jesus como Bom Pastor é refletido em três etapas nos três anos litúrgicos da Igreja (ano A, B e C) no 4º domingo da Páscoa.
Essa profissão era comum para o povo do tempo e da região de Jesus. Os pastores não eram bem vistos, pois precisavam deslocar suas ovelhas por pastos que não eram deles e levavam seus rebanhos para que bebessem água em rios que estavam em outras propriedades. O pastor com seu pequeno rebanho, no entanto, era a imagem da profunda relação que existia entre os animais e o seu dono.
As ovelhas são animais sem muita visão, medrosas e completamente indefesas, facilmente vítimas de qualquer animal feroz. Sobrava somente para elas a audição para confiar.
Do pequeno rebanho, o pastor tira todo o seu sustento: lã para as roupas, o leite, o queijo e a manteiga. Defender o seu rebanho era garantir sua própria subsistência. Assim, o pastor passava quase todo o seu tempo, cuidando e protegendo seu rebanho. Ao anoitecer, o rebanho era reunido em um local provisório, feitos de amontoados de pedras. Era comum, vários pastores reunirem os seus rebanhos em um mesmo local para se distanciar por um tempo. No dia seguinte, bastava cada pastor chamar pelo nome suas ovelhas que elas iam ao seu encontro.
No Evangelho de São João, esta comparação de Jesus a um “Pastor Perfeito” (Bom), foi colocada logo depois da cura do cego (Jo 9). Ele escutou a voz de Jesus que o curou e em seguida, sofreu perseguições por parte dos judeus e fariseus, por fim, o ex cego acabou se definindo por aceitar Jesus e, por isso, foi expulso e excluído da sinagoga, lugar de oração dos judeus.
Jesus, antes de se apresentar como o Pastor Perfeito que vai muito além de um simples pastor, ele tocou em alguns pontos da religião da época que estava conduzindo mal o povo e os seus líderes não se comportavam como verdadeiros pastores, mas como mercenários (agiam por interesse e dinheiro):
“Quem não entra no redil pela porta”. O termo que foi traduzido por “redil” (local recintado, cercado), é usado para recordar o lugar para as ovelhas passarem a noite, mas a mesma palavra aparece nos Evangelhos também como um lugar no pátio do Templo ligado aos sacerdotes (Mt 16,69; 26,3.58; Mc 14,54.66; Lc 22,55; Jo 18,15; Ap 11,2; em Mc 15,16 ligado do Pretório; em Lc 11,21 a casa). Assim, Jesus não estaria somente falando de um local comum para as ovelhas, mas levando seus ouvintes a se lembrarem daquele local sagrado que somente os homens e sacerdotes podiam entrar. Jesus prosseguiu dizendo que quem não entra no “redil” pela porta é “ladrão e assaltante” (2 vezes). É fundamental passar pela porta como pastor e não se comportar como quem rouba e mata. Só o pastor, o verdadeiro pastor, tem somente o interesse em oferecer o que realmente o rebanho precisa.
Em seguida, Jesus descreveu quem é o verdadeiro pastor: “ele chama as ovelhas pelo nome”. A relação do pastor com as suas ovelhas, é algo pessoal: ele conhece cada uma. Tratar as pessoas como números não cria ligação e nem afeto. Chamar pelo nome representa uma profunda ligação entre elas.
Após chamar pelo nome, “elas saem do local”. O evangelista São João usa, no entanto, um verbo que tem mais o sentido de “arrancar”. O pastor não quer que as ovelhas fiquem no local e força todas as ovelhas a saírem de lá. Podemos facilmente ver a indireta que Jesus está fazendo com o local do sacrifício no templo, onde as ovelhas eram sacrificadas. Jesus, assim se apresenta como um pastor que empurra suas ovelhas para fora. Não um Deus de cercas e muros, mas um Deus que abre espaços maiores, pastor da liberdade e não dos medos. Que leva a uma corajosa saída dos recintos e refúgios, para descobrir novos horizontes na fé, no pensamento, na vida.
O Pastor tira as ovelhas daquele local, reúne o seu rebanho e caminha a frente dele. O recinto dava segurança, mas tirava a liberdade. Jesus é o pastor das estradas e do caminho. Ele é a segurança suficiente, pois está com suas ovelhas e elas que O conhecem e aceitam o seu chamado, fazem parte do seu rebanho e por isso, aceitam o seu comando. As ovelhas (os animais) não enxergam bem, mas sabem escutar e diferenciar qual é a voz do seu pastor. Jesus traz o rebanho para a liberdade e para a vida, para fora daquele ambiente de exploração e morte. Depois, Ele caminha a frente das ovelhas, Ele se expõe e guia o seu rebanho.
O pastor caminha na frente das ovelhas. Não temos um pastor de retaguarda, mas um guia que abre caminhos. Não um pastor atrás do rebanho, gritando ou acenando com o bastão, mas alguém que precede e convence, com seu passo tranquilo, que o caminho é seguro. As ovelhas ouvem a sua voz e o seguem. A voz basta, não são necessárias ordens, porque confiam sempre.
As ovelhas O seguem porque pronuncia o nome de cada uma, não é um ladrão de felicidade ou de liberdade: todos entrarão, sairão e encontrarão pastagem.
São João nos diz que os ouvintes de Jesus não entenderam o porquê da parábola, pois Ele fez um retrato daquilo que todos conheciam. Jesus, nessa mesma imagem que Ele usou, o Mestre Jesus se apresentou como “porta” das ovelhas, também usando algo que eles conheciam na época.
O redil das ovelhas – como dissemos – era feito com um amontado em círculo de pedras com uma única entrada. Elas eram conduzidas para dentro do recinto e o pastor dormia na porta, se colocando como a uma porta, não como obstáculo para as ovelhas saírem, mas para impedir que lobos e assaltantes entrassem.
Mas, Jesus não se apresentou como um “porteiro” (que abre e fecha a porta), mas como a própria porta. É necessário “passar” por Jesus para entrar em uma realidade diferente. Os outros que vieram antes Dele (certamente, as autoridades religiosas da época) foram meros ladrões e assaltantes. Eles chamavam as ovelhas para explorar e matar; Jesus chama para conduzir a liberdade e a vida. Jesus diz que aceitá-Lo como “caminho” (porta) é ter liberdade (entra e sai) e a pessoa encontrará vida (pastagens). Seu projeto de salvação, torna cada pessoa (“ovelha”) livre e cada um ganha como prêmio a vida em abundância.
Jesus, como Bom pastor é um dos títulos mais desarmantes que Jesus deu a si mesmo. Mas essa imagem nada tem de fraca ou submissa; na realidade, Cristo é o pastor forte que se levanta contra os lobos, que tem coragem e jamais foge. Ele é o verdadeiro pastor que se coloca entre o que dá vida e o que traz a morte ao seu rebanho.
Na 1ª leitura vemos Pedro, corajosamente, anunciando que Jesus continua salvando a humanidade, basta cada um se converter de seus pecados, passar pelo Batismo e receber a mesma força do alto que é o Espírito Santo. Mas, não é fácil seguir o caminho proposto por Jesus, seguir seus passos e praticar seus ensinamentos. Pedro, na 2ª leitura nos diz que é enfrentar perigos e perseguições, mas Cristo já percorreu este caminho. Jesus já sabe o que significa sofrimento e dor; Ele também quer nos conduzir quando estamos nessa estrada difícil e nos aponta o melhor caminho que temos a percorrer.
Nesse domingo também recordamos e rezamos pelos nossos padres e bispos que têm a missão de ajudar as pessoas a permanecerem no caminho e seguir Jesus como Bom Pastor. Neste ano eucarístico, recordamos que sempre necessitamos de nossos pastores para nos oferecer o próprio Jesus, força e alimento espiritual para todos nós.

