
#Reflexão: Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor (05 de abril)
A Igreja celebra o neste domingo a Páscoa do Senhor (05). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: At 10,34a.37-43
Salmo: 117(118),1-2.16ab-17.22-23 (R. 24)
2ª Leitura: Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,6b-8
Evangelho: Jo 20,1-9
CRISTO RESSUSCITOU!
O Domingo da Páscoa é o centro da nossa fé, pois Cristo ressuscitou dos mortos! É um Domingo que se repete em cada missa até o final dos tempos. Acreditamos que Deus mesmo, esteve entre nós; viveu conosco nas terras da Terra Santa; morreu como nós morremos, mas ressuscitou. Cremos que o fundador da nossa fé cristã não foi atingido pela corrupção da carne, mas venceu a morte em seu próprio território.
Páscoa significa “passagem” e foi realmente uma passagem! Jesus não ficou como mais um entre os mortos, Ele ressuscitou! Passagem da morte como porta que se fecha para toda humanidade, para uma porta que se abre para a eternidade.
Os textos sobre a ressurreição de Jesus Cristo nos apresentam alguns pontos fundamentais para a nossa fé cristã: (1) tudo aconteceu no “terceiro dia”. Tudo do mundo judaico já tinha se encerrado: o sábado já tinha terminado como também a Páscoa judaica;
(2) No “terceiro dia” Jesus ressuscita, não “três dias depois”, não sabemos como e quando foi no “terceiro dia” o momento exato da ressurreição, mas temos sinais que narram a ausência de Jesus no local: os textos evangélicos falam do túmulo vazio, da ausência do corpo, que tudo estava em ordem dentro sepulcro, dos panos dobrados, da pedra rolada etc. sinais que indicam ainda uma ausência.
(3) O anúncio que Cristo Jesus ressuscitou (Ele não está dentro do túmulo!) é feito por um intermediário, descrito ora como um jovem (tudo é novo, em Mc), ora como mensageiros (dois homens, em Lc) e ora como um anjo (em Mt), a ressurreição não é uma “dedução” da capacidade humana, mas uma revelação de Deus! Se não fosse Deus, nós não saberíamos o que aconteceu!
(4) As primeiras pessoas que percebem os sinais da ressurreição são as mulheres (uma somente, ou um grupo). Impelidas pelo amor vão ao sepulcro (para ver, para chorar, ou para terminar os ritos do sepultamento). Por que “Mulheres”? Elas não teriam condições de remover a pesada pedra, mas ela foi rolada, assim não poderia ter sido obra das mulheres. A pedra foi rolada não para Jesus ressuscitar (já tinha ressuscitado), mas para as mulheres verem seu interior.
(5) Elas vão a “noite” ou “antes de amanhecer o dia”: tempo e lugar da insegurança e do passado.
(6) A descoberta da presença de Jesus ressuscitado é diversa, mas sempre acontece como algo que “vai se revelando aos poucos”, como um broto de uma planta que rompe a terra aos poucos. A crucificação de Jesus foi um ato aberto e praticamente público; a ressurreição foi algo privado: para o grupo dos discípulos. Jesus ressuscitado não pretendia desafiar ou enfrentar quem o condenou à morte, mas resgatar os discípulos feridos e decepcionados. Era necessário confirmar a fé daqueles que Jesus preparou para a missão após receberem o Espírito Santo. Pedro na 1ª leitura diz que eles são testemunhas da ressurreição. Eles viram e atestam que Jesus realmente está vivo e presente acompanhando a todos.
A morte de Jesus também foi uma experiência frustrante e decepcionante para todos os discípulos. Eles tinham convivido juntos com Jesus por, pelo menos, três anos. Os discípulos tinham presenciando um Mestre (Jesus) imbatível. Mas, nos últimos dias de Jesus em Jerusalém, Ele se mostrou, aparentemente, igual a qualquer outra pessoa: Ele foi humilhado, sofreu muito, dores insuportáveis, foi desprezo e foi morto. Tudo e todos demonstravam ser mais fortes que Jesus. Definitivamente Aquele que se entregou silenciosamente a morte não era o Senhor que eles conheciam. Pedro acompanhou incrédulo o processo injusto e de morte talvez até esperando alguma reação, mas nada aconteceu.
No modo humano de pensar, alguém poderia dizer: a que coisa serve Jesus sofrer como nós sofremos, ser humilhado como tantos são humilhados, morrer como todos nós? Os discípulos queriam um Mestre que resolvesse sempre os problemas humanos: da dor, dos sofrimentos e da morte e não alguém que fosse solidário a todos que percorrem este caminho.
Jesus fez a sua passagem (nova Páscoa) desta vida para Verdadeira Vida com a sua Ressurreição, mas os discípulos precisavam também fazer a sua “passagem”. Era necessário abandonar ideias pessoais, interesseiras e limitadas sobre Jesus que conheceram pelas terras da Galileia. Jesus Cristo é alguém muito mais profundo, mais abrangente e eterno do que eles imaginavam. Assim, era necessário entrar na “lógica de Deus”.
Falamos de “sinais” da Ressurreição de Jesus no dia sua Páscoa. Os relatos da Ressurreição de Jesus iniciam ainda com as cores da morte e da decepção dos discípulos. O “túmulo vazio” representa uma grande ausência e um imenso vazio em relação às ideias limitadas sobre Jesus.
As mulheres possuem a capacidade de acreditar também com o coração e não somente com a cabeça. Ademais, amar e crer estão profundamente ligados: nós verdadeiramente acreditamos quando amamos. Mas, Maria Madalena procura Jesus ainda na noite da derrota para o único inimigo (a morte) que ninguém – até então – tinha uma solução ou resposta. Os seus olhos estavam à procura de um morto, mas ela se depara com um túmulo vazio. Tudo inicia ter um ritmo diferente e agitado: Ela corre do túmulo e, depois, os discípulos também correm para ver o sepulcro de Jesus. Ela transmite a primeira parte da mensagem da Páscoa: o túmulo está vazio e falta um corpo na lista dos mortos. Para Maria ouve um roubo, mas foi a morte quem foi assaltada pela ressurreição de Jesus.
A corrida dos discípulos é descrita como uma competição entre o ver e o acreditar. O discípulo descrito como “amado de Jesus” chega primeiro, mas respeita aquele que foi escolhido como “primeiro apóstolo”. Os dois veem o sepulcro e constatam os detalhes que revelavam algo novo e inexplicável. O primeiro discípulo que tinha chegado, aquele que tinha se inclinado ao peito de Jesus durante a última ceia, começa a acreditar que mais uma vez, Jesus estava surpreendendo a todos.
A Páscoa de Jesus não muda o último destino da realidade humana: a morte. Jesus ao escolher enfrentar este inimigo da humanidade, Ele completa a sua missão de Pastor de todos os homens e mulheres.
Era necessário também guiar a todos por este último caminho que percorremos neste mundo. Mas, Jesus vai além de simplesmente sofrer e morrer na cruz: Ele abre uma nova via e ensina a todos que até a morte pode ser vencida por todos aqueles que acreditarem Nele e viverem o que Ele mesmo ensinou.
O ato de Jesus foi único, pois a sua doação na cruz foi expressão do Amor total e infinito de Deus: somente o Verdadeiro Amor pode vencer a morte! Este Amor pleno e cheio de Misericórdia de Deus destruiu todos os obstáculos que nos separavam de Deus. Não foram somente os sofrimentos e as dores que Jesus sofreu e carregou até à Cruz que nos salvaram, mas sim o Amor de Deus que abraçou todos os pecados e suas consequências, pois foi este Amor Pleno e total de Jesus que o conduziu através da morte até a Ressurreição.
Assim, a Ressurreição não foi uma vitória somente de Jesus, mas também de todos os seres humanos, pois junto com Ele que morria na Cruz, estávamos todos nós; no Cristo que ressuscita também todos nós estamos presentes. Agora também nós podemos “passar pela morte” e ressuscitar como Jesus Ressuscitou percorrendo o mesmo caminho.

