Papa: hoje a Igreja faz o elogio da pequenez

“A liturgia de hoje fala das coisas pequenas, podemos dizer que hoje é o dia do pequenino”: assim o Papa Francisco começou a homilia ao celebrar a missa na capela da Casa Santa Marta na manhã desta terça-feira (03/12). A primeira leitura é extraída do livro do profeta Isaías, onde se anuncia: “Nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; sobre ele repousará o espírito do Senhor …”.

“A Palavra de Deus faz elogio do pequeno”, disse o Papa e faz uma promessa, a promessa de um broto que surgirá e o que é menor do que um broto?, questionou Francisco. E mesmo assim, “sobre ele repousará o espírito do Senhor”.

A redenção, a revelação, a presença de Deus no mundo começa assim e sempre é assim. A revelação de Deus se faz na pequenez. Pequenez, seja humildade, seja… tantas coisas, mas na pequenez. Os grandes se apresentam poderosos, pensemos na tentação de Jesus no deserto, como Satanás se apresenta poderoso, dono de todo o mundo: “Eu dou tudo se você...”. Ao invés, as coisas de Deus começam brotando, de uma semente, pequenas. E Jesus fala desta pequenez no Evangelho”.

Jesus se alegra e agradece ao Pai porque se revelou não aos poderosos, mas aos pequeninos, e recordou que no Natal “iremos todos ao presépio onde está a pequeneza de Deus”. E fez então uma advertência:

Numa comunidade cristã onde os fiéis, os sacerdotes, os bispos, não tomam esta estrada da pequenez, falta futuro, ruirá. Foi o que vimos nos grandes projetos da história: cristãos que buscavam se impor, com a força, a grandeza, as conquistas... Mas o Reino de Deus brota no pequeno, sempre no pequeno, a pequena semente, a semente de vida. Mas a semente sozinha não pode nada. E há outra realidade que ajuda e que dá a força: “Nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; sobre ele repousará o espírito do Senhor.”
“O Espírito escolhe o pequeno, sempre”, destacou ainda Francisco, porque não pode entrar no grande, no soberbo, no autossuficiente”. É no coração pequeno que acontece a revelação do Senhor.
O Papa falou dos estudiosos de teologia para destacar que os teólogos “não são aquelas pessoas que sabem tantas coisas de teologia”, se assim fosse, poderiam ser chamados de ‘enciclopedistas’ da teologia: “Sabem tudo; mas são incapazes de fazer teologia porque a teologia se faz de joelhos, fazendo-se pequenos”.

E, portanto, enfatizou novamente que "o verdadeiro pastor seja ele sacerdote, bispo, papa, cardeal, qualquer que seja, se ele não se tornar pequeno, ele não é um pastor", ao contrário, ele é um gerente de escritório. E isso aplica-se a todos. "Do que tem uma função que parece mais importante na Igreja, à pobre velhinha que faz as obras de caridade em segredo". O Papa Francisco esclareceu então uma dúvida que poderia surgir, isto é, que o caminho da pequenez conduz à pusilanimidade que é fechar-se em si mesmo, ao medo. E diz que, pelo contrário, "a pequenez é grande" é a capacidade de arriscar "porque não tem nada a perder". E explicou que é precisamente a pequenez que leva à magnanimidade, porque nos torna capazes de ir além de nós mesmos, sabendo que a grandeza a dá Deus. E citou uma frase de São Tomás de Aquino, contida em sua Suma teológica, que explica como deve se comportar um cristão que se sente pequeno, diante dos desafios do mundo, para não viver como um covarde:

São Tomás diz assim, o resumo é o seguinte: "Não ter medo das coisas grandes - São Francisco Xavier hoje, nós o vimos - não ter medo, seguir em frente; mas levar em consideração as pequenas coisas, juntas, isto é divino". Um cristão parte sempre da pequenez. Se eu na minha oração me sinto pequeno, com as minhas limitações, meus pecados, como aquele publicano que rezou no fundo da igreja, envergonhado: "Tenha piedade de mim que sou pecador", você irá para frente. Mas se você acredita ser um bom cristão, rezará como aquele fariseu que não saiu justificado: "Dou-te graças, Deus, porque sou grande". Não, agradeçamos a Deus porque somos pequenos.

O Papa Francisco concluiu a sua homilia dizendo que gosta tanto de administrar o sacramento da confissão e, acima de tudo, gosta de confessar as crianças. Suas confissões, disse ele, são belas, porque contam os fatos concretos: "Eu disse esta palavra", por exemplo, e a repetem para você. Finalmente, o Papa comenta: "A concretude daquele que é pequeno. "Senhor, sou um pecador porque faço isto, isto, isto, isto... Esta é a minha miséria, a minha pequenez. Mas envia o teu Espírito para que eu não tenha medo das grandes coisas, não tenha medo de que faças grandes coisas na minha vida".


Papa: que o Advento não seja mundano, é o tempo para purificar a fé

Com informações do Vatican.News -

O tempo do Advento tem “três dimensões”: passado, futuro e presente. Celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta (03/12), o Papa Francisco recordou que o Advento, inaugurado ontem, é o tempo propício “para purificar o espírito, para fazer crescer a fé com esta purificação”.

O ponto de partida das reflexões do Pontífice é o Evangelho do dia (Mt 8,5-11): o encontro em Cafarnaum entre Jesus e um oficial romano, que pede ajuda para o seu servo, paralisado na cama. Também hoje, afirmou, pode acontecer de se “acostumar à fé”, esquecendo a sua “vivacidade”. “Quando estamos acostumados – destacou o Papa –, perdemos aquela força da fé, aquela novidade da fé que sempre nos renova”.

Na homilia, Francisco ressaltou que a primeira dimensão do Advento é o passado, “a purificação da memória”: “recordar bem que não nasceu a árvore de Natal”, que certamente é um “belo sinal”, mas recordar que “nasceu Jesus Cristo”.

"Nasceu o Senhor, nasceu o Redentor que veio para nos salvar. Sim, a festa…nós sempre temos o perigo, sempre teremos em nós a tentação de mundanizar o Natal, mundanizá-lo … quando a festa deixa de ser contemplação – uma bela festa de família com Jesus no centro – e começa a ser festa mundana: fazer compras, presentes, isso e aquilo outro...e o Senhor permanece ali, esquecido. Inclusive na nossa vida: sim, nasceu, em Belém, mas... E o Advento é para purificar a memória daquele tempo passado, daquela dimensão", disse.

Além disso, o Advento serve para “purificar a esperança”, para se preparar “para o encontro definitivo com o Senhor”.

"Porque aquele Senhor que veio lá, voltará, voltará! E voltará para nos perguntar: “Como foi a sua vida?”. Será um encontro pessoal. Nós, o encontro pessoal com o Senhor, hoje, teremos na Eucaristia e não podemos ter um encontro assim, pessoal, com o Natal de 2000 anos atrás: temos a memória do que foi. Mas quando Ele voltar, teremos aquele encontro pessoal. É purificar a esperança", afirmou.

Por fim, o Papa convidou todos a cultivarem a dimensão cotidiana da fé, não obstante as preocupações e os muitos afazeres, cuidando da própria “casa interior”. O nosso Deus, de fato, é o “Deus das surpresas” e os cristãos deveriam perceber todos os dias os sinais do Pai Celeste, o seu falar conosco hoje.

"E a terceira dimensão é mais cotidiana: purificar a vigilância. Vigilância e oração são duas palavras para o Advento; porque o Senhor veio na História em Belém; virá, no final do mundo e também no final da vida de cada um de nós. Mas vem todos os dias, em todos os momentos, no nosso coração, com a inspiração do Espírito Santo", concluiu.


CAL emite orientações litúrgicas para o ciclo do natal

A Comissão Arquidiocesana para a Liturgia (CAL) publicou nesta semana as orientações para as celebrações do ciclo do Natal.

"Celebrando o mistério pascal de Cristo em suas primeiras manifestações, o ciclo do Natal engloba o tempo do Advento, como preparação, as festas do Natal como chegada e realização e o tempo do Natal, como prolongamento com as festas da Sagrada Família, de Maria, Mãe de Deus, da Epifania, encerrando com a festa do Batismo do Senhor. Nele fazemos memória da vinda salvífica do Senhor, da sua manifestação na fragilidade de nossa carne, na contingência e contradições de nossa história, enquanto aguardamos seu novo Natal, seu Reino, sua vinda definitiva e gloriosa no fim dos tempos", afirma o coordenador da CAL, padre Vanildo de Paiva.

O novo ano litúrgico tem início no próximo final de semana, com as celebrações do Tempo do Advento.

"O Advento se aproxima, convidando-nos a olhar nossa vida e nossa história sob a perspectiva da gratidão a Deus que, no seu imenso amor, vem ao nosso encontro para nos trazer a salvação. Inicia-se, com ele, o ciclo do Natal do Senhor, um dos pontos fortes do ano litúrgico, que nos faz experimentar as alegrias da chegada da Luz, “Sol nascente que nos veio visitar” (Lc 1, 78), em tempos sombrios como os nossos, para nos devolver a esperança e a certeza do caminho! Esperamos que nossa caminhada litúrgica, no ciclo do Natal, seja plena de possibilidades para o encontro com o Senhor, o Príncipe da Paz, que nos convida à Casa do Pão, à Belém eucarística, onde refulge a alegria para todos os povos: “Eis que vos anuncio uma grande alegria!”( Lc 2,10)", traz a nota.

Alguns símbolos, gestos e ações simbólico-rituais expressam mais intensamente a verdade dessa espera nas celebrações, como a coroa do advento, as músicas, o sentido da Palavra etc. Tudo isto vem apresentado nas orientações da CAL.

O ano litúrgico, chamado de ano A, proporciona a oportunidade da fé e da espiritualidade, auxiliados no Evangelho de São Mateus.

"Desde as primeiras páginas desse evangelho, Jesus é proclamado o Salvador enviado por Deus (cf. Lc 1,46b-47). O Evangelho de Mateus centra sua narrativa em dois focos complementares: Jesus Salvador e o Reino dos Céus. Jesus é o Cristo, o Mestre que ensina. Reúne discípulos. Prepara-os e os envia em missão. É o Filho de Deus, Filho de Davi, Filho do Homem. É o Servo Sofredor. Tais títulos, originados na tradição judaica, são fundamentais para a compreensão da fé, da salvação e do seguimento do Mestre. O Reino dos Céus é a soberania de Deus, proclamado por Jesus, através dos discursos, especialmente o Sermão da Montanha. É confirmado pela atuação de sua autoridade e poder, através de curas e de exorcismos e da escolha e do envio dos discípulos. Sua presença já é a proximidade do Reino (10,7). Entretanto, é também objeto do desejo e da esperança dos que oram e suplicam: “Venha o teu Reino” (6,10)".

O evangelista Mateus contribui parcialmente para a compreensão dos principais sacramentos.

"O Batismo é de finalidade universal, sua fórmula é a confissão trinitária de Deus e está ligado ao inteiro ensinamento de Jesus (28,19-20). A Eucaristia é o Corpo do Senhor e o Sangue da Aliança, derramado por muitos para a remissão dos pecados (26,26-28). O perdão dos pecados decorre do poder de ligar e desligar dado aos Doze (18, 18) e do poder das chaves dado a Pedro (16,19)".

FAÇA O DOWNLOAD DAS ORIENTAÇÕES AQUI!


Padre Clemildes participa de curso de formação na Rota Romana

O padre Clemildes Francisco de Paiva assume no próximo dia 11 de dezembro, o ofício de Vigário Judicial do Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Pouso Alegre. Como aprimoramente de sua formação na área do direito canônico, padre Clemildes participa até o próxima dia 30 de novembro de um Curso de formação sobre a proteção do matrimônio e o cuidado pastoral de casais feridos.
O encontro ocorre na Basílica de Santo André e é organizado no Tribunal Apostólico da Rota Romana e conta com a presença efetiva de representantes, oficiais, juízes e notários dos Tribunais do mundo inteiro.

"A participação neste curso é a manifestacao da comunhão e da colegialidade das Igrejas Particulares do mundo inteiro que se fazem presentes e representadas aqui, justamente com o tribunal do papa. Além disso, a oportunidade de que todos os ministros da justiça eclesiástica podem se aperfeiçoar e se capacitar ainda mais para servir melhor nos Tribunais Judiciais das Igrejas Particulares. É, também, uma opotundiade de pensar no pontificado do papa Francisco sobre a importância que ele tem dado ao matrimônio e à família e, sobretudo, na cura pastoral dos casais feridos, que esperam um discernimento da Igreja quanto à nulidade e validade do matrimônio", disse padre Clemildes.

Padre Clemildes é o atual pároco da paróquia Nossa Senhora de Fátima de Santa Rita do Sapucaí e professor de Direito Canônico na Faculdade Católica de Pouso Alegre (FACAPA).


Igreja se prepara para iniciar a celebração de um novo ano litúrgico

No próximo final de semana, a Igreja inicia um novo ano litúrgico, todo ele acompanhado pelo evangelista Mateus. Já no próximo domingo passa a celebrar o tempo do advento. Mas é preciso ressaltar que em cada missa que participamos, ali contemplamos o mistério todo da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhora Jesus Cristo. A atenção principal sempre é a Salvação que Deus derrame sobre seu povo.

Diferente do ano civil, mas não contrário a ele, o Ano Litúrgico não tem data fixa de início e de término. Sempre se inicia no primeiro Domingo do Advento, encerrando-se no sábado da 34ª semana do Tempo Comum, antes das I Vésperas do domingo, após a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. Esta última Solenidade do Ano Litúrgico marca e simboliza a realeza absoluta de Cristo no fim dos tempos. Daí, sua celebração no fim do Ano Litúrgico, lembrando, porém, que a principal celebração litúrgica da realeza de Cristo se dá sobretudo no Domingo de Ramos e da Paixão.

Para o assessor eclesiástico da Comissão Arquidiocesana de Liturgia (CAL), padre Vanildo de Paiva, o ano litúrgico quer manifestar todos os feitos salvíficos realizados por intermédio de Jesus Cristo.

"Chama-se Ano Litúrgico o tempo em que a Igreja celebra todos os feitos salvíficos operados por Deus em Jesus Cristo. Através do ciclo anual, a Igreja comemora o mistério de Cristo, desde a Encarnação ao dia de Pentecostes e à espera da vinda do Senhor (cf. SC nº 102). Como diz Juan Javier Flores, 'O ano litúrgico é a presença objetiva e espiritual de toda a obra da redenção, em sua unidade, que transcende todos os tempos. Em cada festa torna-se presente seu mistério, no qual a Igreja vive a Páscoa do Senhor'. Ano Litúrgico é, pois, um tempo repleto de sentido e de simbolismo religioso, de essência pascal, marcando, de maneira solene, o ingresso definitivo de Deus na história humana. É o momento de Deus no tempo, o 'kairós' divino (tempo da graça de Deus)na realidade do mundo criado. Tempo, pois, aqui entendido como favorável, 'tempo de graça e de salvação', como nos revela o pensamento bíblico (cf. 2Cor 6,2; Is 49,8a)", escreveu.
Mas as celebrações não são apenas um saudosismo passado, mas sempre numa perspectiva escatológica.

"As celebrações do Ano Litúrgico são sempre dinâmicas e cheias da vitalidade pascal. Portanto, não se fixam no passado de nossa história salvífica como que comemorando-o apenas, mas projetam-se também no futuro, na perspectiva do eterno, e, pela sacramentalidade da liturgia, fazem do passado e do futuro um eterno presente, o "hoje" de Deus (cf. Sl 2,7; 95(94),7; Lc 4,21; 23,43; Hb 4,7), cheio de sua graça e de seu amor. Aqui pois visível, real, mística e sacramental a dimensão escatológica de todas as celebrações do Ano Litúrgico. Por tudo o que aqui se expõe, podemos então saber que o Ano Litúrgico tem como cerne o Mistério Pascal de Cristo, centro vital de todo o seu organismo. Nele palpitam as pulsações do coração de nosso Salvador, enchendo da vitalidade de Deus o corpo da Igreja e a vida dos cristãos", afirmou.

Os mistérios sublimes de nossa fé são celebrados no Ano Litúrgico, e este se divide em dois grandes ciclos: o Ciclo do Natal, em que se celebra o mistério da Encarnação do Filho de Deus, e o Ciclo da Páscoa, em que celebramos o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, como também sua ascensão ao céu e a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja, na Solenidade de Pentecostes.

"O Ciclo do Natal se inicia no primeiro Domingo do Advento e se encerra na Festa do Batismo do Senhor, tendo seu centro, isto é, sua culminância, na Solenidade do Natal do Senhor. Já o Ciclo da Páscoa tem início na Quarta-Feira de Cinzas, início também da Quaresma, tendo o seu centro no Tríduo Pascal da Morte e Ressurreição do Senhor, encerrando-se no Domingo de Pentecostes. A Solenidade de Pentecostes é o coroamento de todo o Ciclo da Páscoa. Entremeando os dois ciclos do Ano Litúrgico, encontra-se um longo período, chamado 'Tempo Comum'. É o tempo verde da vida litúrgica. Após o Natal, como que exprime a floração das alegrias natalinas, aí aparecendo o início da vida pública de Jesus, com suas primeiras pregações e sua caminhada missionária. Após o Ciclo da Páscoa, este tempo verde anuncia vivamente a floração das alegrias pascais, as quais devem alimentar sempre a vida dos cristãos. Os dois ciclos litúrgicos, com as suas duas irradiações vivas do Tempo Comum, são como que as quatro estações do Ano Litúrgico", explicou.

No centro do Ano Litúrgico encontra-se Cristo, no seu Mistério Pascal (Paixão, Morte e Ressurreição). É o memorial do Senhor, celebrado na Eucaristia. O Mistério Pascal é, portanto, o coração do Ano Litúrgico, isto é, o seu centro vital, em torno do qual gira toda a Liturgia, recebendo toda a sua força salvífica.

Faça o download do artigo do padre Vanildo sobre o Ano Litúrgico e a explicação de cada um dos tempos


Ordenado em Pouso Alegre, padre Donizetti é beatificado em Tambaú (SP)

A Igreja no Brasil celebrou na manhã deste sábado (23), a beatificação do Servo de Deus Padre Donizetti de Lima. A celebração ocorreu em Tambaú (SP) e cerca de 20 mil pessoas participaração deste momento. A Eucaristia foi presidida pelo prefeito da Congregação das Causas dos Santos, o cardeal Angelo Becciu, a pedido do Papa Francisco. O arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., esteve presente e concelebrou.

O menino Bruno Henrique Arruda de Oliveira, de 13 anos, que teve o pé torto congênito curado pelo padre, participou da cerimônia. O reconhecimento do milagre é a principal exigência para o decreto de beatificação de um religioso.

"Após termos recebido parecer da Congregação das Causas dos Santos, com nossa autoridade apostólica, concedemos que o venerável servo de Deus Donizetti Tavares de Lima, sacerdote diocesano, pastor, segundo o coração de Cristo, testemunha da caridade evangélica, defensor dos mais necessitados doravante seja chamado bem-aventurado e que possa se celebrar sua festa todos os anos no dia 16 de junho, dia de seu nascimento ao céu", disse o bispo diocesano Dom Villar.

Nascido em Cássia (MG) no dia 03 de janeiro de 1882. Estudou em Franca, Sorocaba e no Seminário Episcopal de São Paulo, onde exerceu a função de organista e professor de música. Aos 21 anos já tinha tomado a decisão pelo sacerdócio e matriculou-se no curso de filosofia do Seminário de São Paulo. Completou seus estudos eclesiásticos em Pouso Alegre-MG, local em que tornou-se sacerdote em 12 de julho de 1908, quando foi ordenador por Dom João Batista Corrêa Nery. Segundo o responsável pelo arquivo arquidiocesano, padre Rodrigo Carneiro, na época da ordenação ainda não havia a diocese de Guaxupé, a qual pertenceria sua cidade natal.

"Ele é de Cássia e na época Cássia pertencia à Pouso Alegre, não havia a diocese de Guaxupé. Alguns padres, quando dom Nery foi embora para Campinas, o acompanharam, e o padre Donizetti estava entre eles. Tambaú passou à diocese de São João da Boa Vista. Dom Nery foi administrador apostólico da diocese de Campanha e foi transferido para Campinas em 30 de outubro de 1908", explicou.

Depois de ordenado, vai para a diocese de Campinas, acompanhando Dom João Nery, ocupando a função de Pároco em Vargem Grande do Sul (SP). Transfere-se, em seguida, para a diocese de Ribeirão Preto, à qual

Casa onde padre Alderigi nasceu, em Cássia

pertencia Tambaú. A Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Tambaú, nunca pertenceu à diocese de Pouso Alegre. Era de São Paulo até 1908, quando passou a pertencer a Ribeirão Preto. Em 1960, passa a pertencer à nova diocese de São João da Boa Vista.

A ordenação de padre Donizetti está anotado no livro de regristros da arquidiocese de Pouso Alegre, sendo ele o 22º padre ordenado. Padre Donizetti exerceu seu ministério sacerdotal em Campanha-MG, Jaguariúna-SP e Vargem Grande do Sul-SP. Chegou a Tambaú em 12 de junho de 1926 permanecendo até seu falecimento, em 16 de junho de 1961.

Agora, a Comissão Pró-Beatificação de Padre Donizetti busca o reconhecimento do Vaticano para um segundo milagre, que deve conceder ao beato o título de "santo".


Leste 2: Diretrizes da Ação Evangelizadora são aprovadas na Assembleia Regional de Pastoral

Presidência do Regional junto ao presidente da CNBB Nacional

A Assembleia Regional de Pastoral aprovou na noite desta quarta-feira, 13 de novembro de 2019, as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja em Minas Gerais e no Espírito Santo (2019-2023). Os eixos conduzirão os trabalhos Pastorais do Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos próximos quatro anos.
Baseada nas Diretrizes Gerais da Igreja no Brasil, aprovada durante a 57ª Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida (SP), o Regional Leste 2 trouxe as indicações do episcopado brasileiro para a realidade dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Segundo o presidente do Regional Leste 2 e Bispo de Divinópolis, Dom José Carlos de Souza Campos, “o Regional Leste 2 busca estar sempre em sintonia com a Igreja no Brasil e as Diretrizes aprovadas demonstram isso”, declarou.
As indicações Pastorais foram:

Pilar da Palavra

1. Promover a animação bíblica da ação pastoral, através da leitura orante da Sagrada Escritura nos grupos eclesiais e na Celebração da Palavra;
2. Oferecer formação centralizada na Palavra de Deus, que proporcione um caminho de iniciação à vida cristã, num processo contínuo, partindo do anúncio (querigma), culminando com o testemunho e o compromisso missionário.

Pilar do Pão

1. Fortalecer e incentivar a Pastoral Litúrgica por meio de uma formação mistagógica, valorizando as expressões genuínas da Piedade Popular e a realidade do Povo de Deus, respondendo aos desafios da cultura urbana;
2. Elaborar subsídios, em vista da formação litúrgica por meio de cartilhas e mídias para TV, redes sociais e canais de internet, contemplando a relação entre liturgia e evangelização, enfatizando o canto litúrgico e a arte sacra.

Pilar da Caridade

1. Motivar os cristãos leigos e leigas, através da articulação dos Conselhos, ao engajamento social na luta pelos direitos humanos, na defesa da ecologia integral, na promoção da cultura da paz, e na proposição e acompanhamento das políticas públicas;
2. Favorecer o encontro pessoal com Jesus Cristo levando as comunidades eclesiais missionárias, enquanto Igreja Samaritana, ao compromisso com a cultura da vida, da caridade e da paz, através de ações sócio transformadoras.

Pilar da Missão

1. Investir nos diversos Conselhos Missionários e na missão ad gentes, para dinamizar as Comunidades Eclesiais Missionárias e garantir sua identidade;
2. Despertar a consciência missionária das comunidades, a fim de que valorizem, como espaços de missão, as periferias geográficas e existenciais, com especial atenção aos hospitais, escolas, presídios/outros lugares de detenção e universidades, priorizando a pessoa e seu acompanhamento espiritual e social.

Encerramento

A Assembleia Regional de Pastoral da CNBB Leste 2, que teve como tema central as novas Diretrizes, terminou no final da manhã desta quinta-feira (14) com um momento orante conduzido por Dom José Carlos, que agradeceu a presença de todos e recordou a vivência missionária dos cristãos. "Que em Paz na proteção de Deus seguiremos nossos caminhos, após esses dias de muito trabalho", finalizou.


Para dom Majella, celebrar o Dia Mundial dos Pobres é muito mais do que um dia para dar esmolas

Instituído pelo papa Francisco em 2015, no encerramento do Ano Santo da Misericórdia, o Dia Mundial dos Pobres quer ser um gesto concreto do ser cristão. O Santo Padre determinou que essa dia fosse celebrado em toda a Igreja sempre no XXXIII Domingo do Tempo Comum, como a "mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que Se identificou com os mais pequenos e os pobres e nos há de julgar sobre as obras de misericórdia (cf. Mt 25, 31-46)”. Este ano, a celebração no próximo final de semana, 17 de novembro. Para este ano, o papa definiu como tema: "A esperança dos pobres jamais se frustrará" (Sal 9, 19)

Segundo o arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., este dia não quer ser um dia de combate à pobreza, mas um dia de retomar a consciência de que o pobre também é pessoa, é filho de Deus.

"É o terceiro ano que a Igreja celebra esta dia mundial dos pobres. O papa Francisco propõe este dia para tornar os pobres mais visíveis e criar um ambiente no qual sejam vistos como pessoas, como irmãos. Sabemos que brota do coração do papa Francisco uma Igreja pobre e para os pobres. Encontramos esse desejo desde o início de seu ministério como papa. Ele manifesta esse desejo já na Evangelium Gaudim, de reencontrar na alegria do Evangelho a verdadeira riqueza que a Igreja e chamada a testemunhar. Para o papa, essa alegria está justamente na opção preferencial pelospobres. É preciso valorizar o pobre como pessoa. Nós, como Igreja, precisamos estar próximos e solidários com as vitimas da pobreza injusta", disse.

Ainda segundo o arcebispo, a necessidade quanto Igreja é evangelizar as pessoas, formar discípulos, para que lutem sempre pela vida e pela dignidade de todos, sempre à luz da opção preferencial pelos pobres, como dizem as Diretrizes Gerais da Igreja no Brasil.

"Que este dia mundial dos pobres nos ajude a estarmos mais próximos dos pobres que encontramos nas ruas, nas praças. Como é comum passarmos em frente a alguns estabelecimentos comerciais, em algumas praças, e encontrarmos pessoas jogadas pelo chao, mal vestidas. Olhamos e fazemos, às vezes, mal julgamento, damos aquilo que pedem, damos uma moedinha e seguimos adiante. O papa Francisco nos diz que dar esmola é, antes de tudo, olhar no rosto da pessoa, conversar com a pessoa. tocar na pessa", explicou.

É preciso lembrar que em novembro deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através dos dados da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), mostrou que o Brasil atingiu nível recorde de pessoas vivendo em situação de miséria. O país tem mais 13,5 milhões pessoas com renda mensal per capta inferior a 145 reais, ou 1,9 dólares por dia, critério adotado pelo Banco Mundial para identificar a condição de pobreza extrema. Esse número é equivalente a 6,5% dos brasileiros e maior que a população de países como Bolívia, Bélgica, Cuba, Grécia e Portugal. O total de miseráveis no país vem crescendo desde que começou a crise econômica, em 2015. Em 2014, 4,5% dos brasileiros viviam abaixo da linha de extrema pobreza. Em 2018, esse porcentual subiu ao patamar recorde de 6,5%. Em quatro anos de piora na pobreza extrema, mais 4,504 milhões de brasileiros passaram a viver na miséria. Antes de 2012, o recorde de pessoas em situação de extrema pobreza havia sido registrado em 2012, com 5,8% dos brasileiros vivendo nesta situação.

https://youtu.be/DZe6kV8lLb4

"Vivemos uma crise econômica, mas os ricos aumentam seus lucros. Como vem aumentando o número de pessoas que vivem nos lixões da sociedade, pessoas revirando lixos nas calçadas. A gente olha e continua, nem se importa. Celebrar o dia mundial dos pbores é acolher o pobre, mas, também, estar junto dele como uma pessoa. Não temos uma proposta, enquanto arquidiocese, mas deixo para que cada cristão, cada comunidade paroquial, sinta-se sensibilizada e motivada para estar junto com o pobre, que muitas vezes está na porta da igreja, na praça, enquanto celebramos a missa. Que saibamos estar próximos deles. Vamos dar esperança ao pobre. A esperança é que ele seja visto como pessoa e que seus direitos sejam reconhecidos", finalizou dom Majella.

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO

PARA O III DIA MUNDIAL DOS POBRES
XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

(17 DE NOVEMBRO DE 2019)

“A esperança dos pobres jamais se frustrará”

1. «A esperança dos pobres jamais se frustrará» (Sal 9, 19). Estas palavras são de incrível atualidade. Expressam uma verdade profunda, que a fé consegue gravar sobretudo no coração dos mais pobres: a esperança perdida devido às injustiças, aos sofrimentos e à precariedade da vida será restabelecida.

O salmista descreve a condição do pobre e a arrogância de quem o oprime (cf. Sal 10, 1-10). Invoca o juízo de Deus, para que seja restabelecida a justiça e vencida a iniquidade (cf. Sal 10, 14-15). Parece ecoar nas suas palavras uma questão que atravessa o decurso dos séculos até aos nossos dias: como é que Deus pode tolerar esta desigualdade? Como pode permitir que o pobre seja humilhado, sem intervir em sua ajuda? Por que consente que o opressor tenha vida feliz, enquanto o seu comportamento haveria de ser condenado precisamente devido ao sofrimento do pobre?

No período da redação do Salmo, assistia-se a um grande desenvolvimento econômico, que acabou também – como acontece frequentemente – por gerar fortes desequilíbrios sociais. A desigualdade gerou um grupo considerável de indigentes, cuja condição aparecia ainda mais dramática quando comparada com a riqueza alcançada por poucos privilegiados. Observando esta situação, o autor sagrado pinta um quadro realista e muito verdadeiro.

Era o tempo em que pessoas arrogantes e sem qualquer sentido de Deus espiavam os pobres para se apoderar até do pouco que tinham, reduzindo-os à escravidão. A realidade, hoje, não é muito diferente! A numerosos grupos de pessoas, a crise econômica não lhes impediu um enriquecimento tanto mais anômalo quando confrontado com o número imenso de pobres que vemos pelas nossas estradas e a quem falta o necessário, acabando por vezes humilhados e explorados. Acodem à mente estas palavras do Apocalipse: «Porque dizes: “sou rico, enriqueci e nada me falta”, e não te dás conta de que és um infeliz, um miserável, um pobre, um cego, um nu?» (3, 17). Passam os séculos, mas permanece imutável a condição de ricos e pobres, como se a experiência da história não ensinasse nada. Assim, as palavras do salmo não dizem respeito ao passado, mas ao nosso presente submetido ao juízo de Deus.

2. Também hoje devemos elencar muitas formas de novas escravidões a que estão submetidos milhões de homens, mulheres, jovens e crianças.
Todos os dias encontramos famílias obrigadas a deixar a sua terra à procura de formas de subsistência noutro lugar; órfãos que perderam os pais ou foram violentamente separados deles para uma exploração brutal; jovens em busca duma realização profissional, cujo acesso lhes é impedido por míopes políticas econômicas; vítimas de tantas formas de violência, desde a prostituição à droga, e humilhadas no seu íntimo. Além disso, como esquecer os milhões de migrantes vítimas de tantos interesses ocultos, muitas vezes instrumentalizados para uso político, a quem se nega a solidariedade e a igualdade? E tantas pessoas sem abrigo e marginalizadas que vagueiam pelas estradas das nossas cidades?

Quantas vezes vemos os pobres nas lixeiras a catar o descarte e o supérfluo, a fim de encontrar algo para se alimentar ou vestir! Tendo-se tornado, eles próprios, parte duma lixeira humana, são tratados como lixo, sem que isto provoque qualquer sentido de culpa em quantos são cúmplices deste escândalo. Aos pobres, frequentemente considerados parasitas da sociedade, não se lhes perdoa sequer a sua pobreza. A condenação está sempre pronta. Não se podem permitir sequer o medo ou o desânimo: simplesmente porque pobres, serão tidos por ameaçadores ou incapazes.
Drama dentro do drama, não lhes é consentido ver o fim do túnel da miséria. Chegou-se ao ponto de teorizar e realizar uma arquitetura hostil para desembaraçar-se da sua presença mesmo nas estradas, os últimos espaços de acolhimento. Vagueiam duma parte para outra da cidade, esperando obter um emprego, uma casa, um afeto… Qualquer possibilidade que eventualmente lhes seja oferecida, torna-se um vislumbre de luz; e mesmo nos lugares onde deveria haver pelo menos justiça, até lá muitas vezes se abate sobre eles violentamente a prepotência. Constrangidos durante horas infinitas sob um sol abrasador para recolher a fruta da época, são recompensados com um ordenado irrisório; não têm segurança no trabalho, nem condições humanas que lhes permitam sentir-se iguais aos outros. Para eles, não existe fundo de desemprego, liquidação nem sequer a possibilidade de adoecer.

Com vivo realismo, o salmista descreve o comportamento dos ricos que roubam os pobres: «Arma ciladas para assaltar o pobre e (…) arrasta-o na sua rede» (cf. Sal 10, 9). Para eles, é como se se tratasse duma caçada, na qual os pobres são perseguidos, presos e feitos escravos. Numa condição assim, fecha-se o coração de muitos, e leva a melhor o desejo de desaparecer. Em suma, reconhecemos uma multidão de pobres, muitas vezes tratados com retórica e suportados com fastídio. Como que se tornam invisíveis, e a sua voz já não tem força nem consistência na sociedade. Homens e mulheres cada vez mais estranhos entre as nossas casas e marginalizados entre os nossos bairros.

3. O contexto descrito pelo salmo tinge-se de tristeza, devido à injustiça, ao sofrimento e à amargura que fere os pobres. Apesar disso, dá uma bela definição do pobre: é aquele que «confia no Senhor» (cf. 9, 11), pois tem a certeza de que nunca será abandonado. Na Escritura, o pobre é o homem da confiança! E o autor sagrado indica também o motivo desta confiança: ele «conhece o seu Senhor» (cf. 9, 11) e, na linguagem bíblica, este «conhecer» indica uma relação pessoal de afeto e de amor.

Encontramo-nos perante uma descrição verdadeiramente impressionante, que nunca esperaríamos. Assim faz sobressair a grandeza de Deus, quando Se encontra diante dum pobre. A sua força criadora supera toda a expetativa humana e concretiza-se na «recordação» que Ele tem daquela pessoa concreta (cf. 9, 13). É precisamente esta confiança no Senhor, esta certeza de não ser abandonado, que convida o pobre à esperança. Sabe que Deus não o pode abandonar; por isso, vive sempre na presença daquele Deus que Se recorda dele. A sua ajuda estende-se para além da condição atual de sofrimento, a fim de delinear um caminho de libertação que transforma o coração, porque o sustenta no mais profundo do seu ser.

4. Constitui um refrão permanente da Sagrada Escritura a descrição da ação de Deus em favor dos pobres. É Aquele que «escuta», «intervém», «protege», «defende», «resgata», «salva»… Em suma, um pobre não poderá jamais encontrar Deus indiferente ou silencioso perante a sua oração. É Aquele que faz justiça e não esquece (cf. Sal 40, 18; 70, 6); mais, constitui um refúgio para o pobre e não cessa de vir em sua ajuda (cf. Sal 10, 14).

Podem-se construir muitos muros e obstruir as entradas, iludindo-se assim de sentir-se a seguro com as suas riquezas em prejuízo dos que ficam do lado de fora. Mas não será assim para sempre. O «dia do Senhor», descrito pelos profetas (cf. Am 5, 18; Is 2 – 5; Jl 1 – 3), destruirá as barreiras criadas entre países e substituirá a arrogância de poucos com a solidariedade de muitos. A condição de marginalização, em que vivem acabrunhadas milhões de pessoas, não poderá durar por muito tempo. O seu clamor aumenta e abraça a terra inteira. Como escrevia o Padre Primo Mazzolari: «O pobre é um contínuo protesto contra as nossas injustiças; o pobre é um paiol. Se lhe ateias o fogo, o mundo vai pelo ar».

5. Não é possível jamais iludir o premente apelo que a Sagrada Escritura confia aos pobres. Para onde quer que se volte o olhar, a Palavra de Deus indica que os pobres são todos aqueles que, não tendo o necessário para viver, dependem dos outros. São o oprimido, o humilde, aquele que está prostrado por terra. Mas, perante esta multidão inumerável de indigentes, Jesus não teve medo de Se identificar com cada um deles: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt25, 40). Esquivar-se desta identificação equivale a ludibriar o Evangelho e diluir a revelação. O Deus que Jesus quis revelar é este: um Pai generoso, misericordioso, inexaurível na sua bondade e graça, que dá esperança sobretudo a quantos estão desiludidos e privados de futuro.

Como não assinalar que as Bem-aventuranças, com que Jesus inaugurou a pregação do Reino de Deus, começam por esta expressão: «Felizes vós, os pobres» (Lc 6, 20)? O sentido deste anúncio paradoxal é precisamente que o Reino de Deus pertence aos pobres, porque estão na condição de o receber. Encontramos tantos pobres cada dia! Às vezes parece que o transcorrer do tempo e as conquistas da civilização, em vez de diminuir o seu número, aumentam-no. Passam os séculos, e aquela Bem-aventurança evangélica apresenta-se cada vez mais paradoxal: os pobres são sempre mais pobres, e hoje são-no ainda mais. Mas, colocando no centro os pobres ao inaugurar o seu Reino, Jesus quer-nos dizer precisamente isto: Ele inaugurou, mas confiou-nos, a nós seus discípulos, a tarefa de lhe dar seguimento, com a responsabilidade de dar esperança aos pobres. Sobretudo num período como o nosso, é preciso reanimar a esperança e restabelecer a confiança. É um programa que a comunidade cristã não pode subestimar. Disso depende a credibilidade do nosso anúncio e do testemunho dos cristãos.

6. Ao aproximar-se dos pobres, a Igreja descobre que é um povo, espalhado entre muitas nações, que tem a vocação de fazer com que ninguém se sinta estrangeiro nem excluído, porque a todos envolve num caminho comum de salvação. A condição dos pobres obriga a não se afastar do Corpo do Senhor que sofre neles. Antes, pelo contrário, somos chamados a tocar a sua carne para nos comprometermos em primeira pessoa num serviço que é autêntica evangelização. A promoção, mesmo social, dos pobres não é um compromisso extrínseco ao anúncio do Evangelho; pelo contrário, manifesta o realismo da fé cristã e a sua validade histórica. O amor que dá vida à fé em Jesus não permite que os seus discípulos se fechem num individualismo asfixiador, oculto nas pregas duma intimidade espiritual, sem qualquer influxo na vida social (cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 183).

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#A_doutrina_da_Igreja_sobre_as_quest%C3%B5es_sociais

Recentemente, choramos a perda dum grande apóstolo dos pobres, Jean Vanier, o qual, com a sua dedicação, abriu novos caminhos à partilha promotora das pessoas marginalizadas. Jean Vanier recebeu de Deus o dom de dedicar toda a sua vida aos irmãos com deficiências profundas, que muitas vezes a sociedade tende a excluir. Foi um «santo da porta ao lado» da nossa; com o seu entusiasmo, soube reunir à sua volta muitos jovens, homens e mulheres, que, com o seu empenho diário, deram amor e devolveram o sorriso a tantas pessoas vulneráveis e frágeis, oferecendo-lhes uma verdadeira «arca» de salvação contra a marginalização e a solidão. Este seu testemunho mudou a vida de muitas pessoas e ajudou o mundo a olhar com olhos diferentes para as pessoas mais frágeis e vulneráveis. O clamor dos pobres foi ouvido e gerou uma esperança inabalável, criando sinais visíveis e palpáveis dum amor concreto, que podemos constatar até ao dia de hoje.

7. «A opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e lança fora» (ibid., 195), é uma escolha prioritária que os discípulos de Cristo são chamados a abraçar para não trair a credibilidade da Igreja e dar uma esperança concreta a tantos indefesos. É neles que a caridade cristã encontra a sua prova real, porque quem partilha os seus sofrimentos com o amor de Cristo recebe força e dá vigor ao anúncio do Evangelho.

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Fidelidade_ao_Evangelho,_para_n%C3%A3o_correr_em_v%C3%A3o

O compromisso dos cristãos, por ocasião deste Dia Mundial e sobretudo na vida ordinária de cada dia, não consiste apenas em iniciativas de assistência que, embora louváveis e necessárias, devem tender a aumentar em cada um aquela atenção plena, que é devida a toda a pessoa que se encontra em dificuldade. «Esta atenção amiga é o início duma verdadeira preocupação» (ibid., 199) pelos pobres, buscando o seu verdadeiro bem. Não é fácil ser testemunha da esperança cristã no contexto cultural do consumismo e do descarte, sempre propenso a aumentar um bem-estar superficial e efémero. Requer-se uma mudança de mentalidade para redescobrir o essencial, para encarnar e tornar incisivo o anúncio do Reino de Deus.

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_lugar_privilegiado_dos_pobres_no_povo_de_Deus

A esperança comunica-se também através da consolação que se implementa acompanhando os pobres, não por alguns dias permeados de entusiasmo, mas com um compromisso que perdura no tempo. Os pobres adquirem verdadeira esperança, não quando nos veem gratificados por lhes termos concedido um pouco do nosso tempo, mas quando reconhecem no nosso sacrifício um ato de amor gratuito que não procura recompensa.

8. A tantos voluntários, a quem muitas vezes é devido o mérito de ter sido os primeiros a intuir a importância desta atenção aos pobres, peço para crescerem na sua dedicação. Queridos irmãos e irmãs, exorto-vos a procurar, em cada pobre que encontrais, aquilo de que ele tem verdadeiramente necessidade; a não vos deter na primeira necessidade material, mas a descobrir a bondade que se esconde no seu coração, tornando-vos atentos à sua cultura e modos de se exprimir, para poderdes iniciar um verdadeiro diálogo fraterno. Coloquemos de parte as divisões que provêm de visões ideológicas ou políticas, fixemos o olhar no essencial que não precisa de muitas palavras, mas dum olhar de amor e duma mão estendida. Nunca vos esqueçais que «a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual» (ibid., 200).

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Antes de tudo, os pobres precisam de Deus, do seu amor tornado visível por pessoas santas que vivem ao lado deles e que, na simplicidade da sua vida, exprimem e fazem emergir a força do amor cristão. Deus serve-se de tantos caminhos e de infinitos instrumentos para alcançar o coração das pessoas. É certo que os pobres também se aproximam de nós porque estamos a distribuir-lhes o alimento, mas aquilo de que verdadeiramente precisam ultrapassa a sopa quente ou a sanduíche que oferecemos. Os pobres precisam das nossas mãos para se reerguer, dos nossos corações para sentir de novo o calor do afeto, da nossa presença para superar a solidão. Precisam simplesmente de amor…

9. Por vezes, basta pouco para restabelecer a esperança: basta parar, sorrir, escutar. Durante um dia, deixemos de parte as estatísticas; os pobres não são números, que invocamos para nos vangloriar de obras e projetos. Os pobres são pessoas a quem devemos encontrar: são jovens e idosos sozinhos que se hão de convidar a entrar em casa para partilhar a refeição; homens, mulheres e crianças que esperam uma palavra amiga. Os pobres salvam-nos, porque nos permitem encontrar o rosto de Jesus Cristo.

Aos olhos do mundo, é irracional pensar que a pobreza e a indigência possam ter uma força salvífica; e, todavia, é o que ensina o Apóstolo quando diz: «Humanamente falando, não há entre vós muitos sábios, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Mas o que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa. Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus» (1 Cor 1, 26-29). Com os olhos humanos, não se consegue ver esta força salvífica; mas, com os olhos da fé, é possível vê-la em ação e experimentá-la pessoalmente. No coração do Povo de Deus em caminho, palpita esta força salvífica que não exclui ninguém, e a todos envolve numa verdadeira peregrinação de conversão para reconhecer os pobres e amá-los.

10. O Senhor não abandona a quem O procura e a quantos O invocam; «não esquece o clamor dos pobres» (Sal 9, 13), porque os seus ouvidos estão atentos à sua voz. A esperança do pobre desafia as várias condições de morte, porque sabe que é particularmente amado por Deus e, assim, triunfa sobre o sofrimento e a exclusão. A sua condição de pobreza não lhe tira a dignidade que recebeu do Criador; vive na certeza de que a mesma ser-lhe-á restabelecida plenamente pelo próprio Deus. Ele não fica indiferente à sorte dos seus filhos mais frágeis; pelo contrário, observa as suas fadigas e sofrimentos, para os tomar na sua mão, e dá-lhes força e coragem (cf. Sal 10, 14). A esperança do pobre torna-se forte com a certeza de que é acolhido pelo Senhor, n’Ele encontra verdadeira justiça, fica revigorado no coração para continuar a amar (cf. Sal 10, 17).

Aos discípulos do Senhor Jesus, a condição que se lhes impõe para serem evangelizadores coerentes é semear sinais palpáveis de esperança. A todas as comunidades cristãs e a quantos sentem a exigência de levar esperança e conforto aos pobres, peço que se empenhem para que este Dia Mundial possa reforçar em muitos a vontade de colaborar concretamente para que ninguém se sinta privado da proximidade e da solidariedade. Acompanhem-nos as palavras do profeta que anuncia um futuro diferente: «Para vós, que respeitais o meu nome, brilhará o sol de justiça, trazendo a cura nos seus raios» (Ml 3, 20).

Vaticano, na Memória litúrgica de Santo António de Lisboa, 13 de junho de 2019.


Se fosse vivo, Padre Alderigi Torriani estaria completando 124 anos de idade

Se estivesse vivo, o Servo de Deus Alderigi Maria Torriani teria completado 124 anos de vida no último dia 13 de novembro. E por isso, a arquidiocese de Pouso Alegre querer render graças a Deus pela vida deste homem de Deus que passou por este mundo fazendo o bem e anunciando Jesus Cristo, principalmente para os pobres e esquecidos.

Para contar um pouco da história de santo homem, vamos usar como base histórica os relatos do Frei Felipe Gabriel Alves – OFM, amigo e admirador do Monsenhor Alderigi. Ele colheu milhares de relatos junto à familiares, amigos e pessoas que conviveram com o Servo de Deus.

Seus pais

Vicente Torriani e seus filhos: Padre Alderigi,

Eliza, Beata e Marina Torriani (sentada)

Alderigi Maria Torriani nasceu no dia 13 de novembro de 1895 em Jacutinga (MG). Foi o primeiro, de dez filhos, de Vicenzo Ercolano Turriani e Beneditta Argià Angelini. (É preciso anotar que em italiano, não existe o nome Alzira, como ela era chamada no Brasil, mas somente Argià). Mas Alderigi é fruto de um amor, que começou bem antes. Seus pais vieram para a América do Sul, ainda crianças. Seu pai, por exemplo, chegou no Brasil no ano de 1883, aos 16 anos. Sua mãe veio com a família para a Argentina.

Na Itália, já tinha conhecido Alzira e tinha se apaixonado por ela. Mas por ser muito criança, a família de Alzira se opôs ao namoro e casamento.

Já no Brasil, Vicente dedicou-se ao comércio e estabeleceu-se em Queluz e em Ouro Preto (MG), de onde veio para Jacutinga, no Sul do Estado, onde estabeleceu-se definitivamente.
“Vicente com sua casa de comércio, era vizinho e amigo de um barbeiro e, na barbearia, reuniam-se amigos para um papo. Em brincadeira, alguém lhe pergunta por que não se casava, ao que Vicente respondeu: ‘não me caso, porque a jovem dos meus sonhos está bem longe de mim’. O amigo respondeu: ‘quando a gente ama de verdade, vai em busca deste amor a qualquer preço’. As palavras do amigo gravaram-se no espírito de Vicente, que desde então, na pensava em outra coisa: lutar por Alzira. Vicente consegue o endereço de Alzira e lhe escreve, pedindo que ela venha ao encontro dele. Mas ela responde: ‘Desde que o mundo é mundo, Vicente, ainda não vi moça ir atrás do moço para se casar. Se você realmente me ama, venha me buscar’”, escreveu em 1985 a amiga do padre Alderigi, Edmea Maria Silva Maia.

O próprio padre Alderigi comentou, certa vez, com seu amigo André Avelino da Silva, que sua mãe residia na Argentina e estava se preparando para entrar no convento e tornar-se religiosa, quando um dia recebeu a visita de seu antigo namorado dos tempos em que vivia em Pieve Fosciana, Vicente Torriani, que mudou-se para o Brasil. O namoro foi reatado e os dois passaram a viver no Brasil.

Alzira sempre serena, calma e prudente. Vicente, aflito, nervoso, impaciente. A diferença não impediu que o casamento fosse frutuoso e intenso. Alderigi nasceu em 1895. Pouco tempo depois nasceu Gílpede, segunda filha do casal. Vieram mais oito filhos, mas todos morreram ainda pequenos. No décimo filho, Alzira morreu no parto, junto com a criança, aos 39 anos de idade.
O senhor Vicente chegou a casar uma segunda vez, com a senhora Lavínia, que era babá de Alderigi e Gílpede. Desse casamento nascem seis filhos: Elisa, Pedro, Beata, José, Marina e Asdrúbal.
O pequeno Alderigi

O nome Alderigi surge na literatura. Quem conta isso é seu próprio sobrinho, José Asdrúbal Amaral. Segundo ele, o senhor Vicente Torriani, na sua juventude, leu a obra de Torquato Tasso, chamada “Gerualemme Liberata”. No livro, os principais personagens chamam-se ‘Alderigi’ e ‘Gílpede’.

Anotação de seu batismo

“Por paixão literária, o senhor Vicente Torriani deu o nome dos personagens de Tasso a seus dois primeiros filhos. Alderigi Torriani, ao qual foi acrescido ‘Maria’, ainda no seminário, por devoção à Virgem Santíssima, patrona de seu sacerdócio”, explicou o sobrinho.

O pequeno Alderigi tinha suas artes, como qualquer menino. Mas isto não o impedia de brincar sempre com seus brinquedos favoritos: fazer presépio, altares e celebrar missas.
“Um belo dia, Alderigi mexe na máquina de costura e perfura o dedo indicador, o que lhe resultou um panarício que deformou seu dedo para o resto da vida. Alderigi, desde pequeno, falava que seria padre e seu pai

Lembrança da ordenação

quase o matava por isso. Seria padre e teria de entrar no seminário e, naquela época, falava-se que para ser padre não podia ter qualquer problema sério de saúde. O dedo de Alderigi piorara e seu pai resolve, então, manda-lo para a Itália, onde sua avó paterna lhe daria os cuidados necessários, indo em busca de maiores recursos que a medicina poderia proporcionar”, escreve Edmea Maria Silva Maia em 1985.

Na Itália ele ficou por cinco anos. Lá acabou curando seu dedo e fazendo o curso primário. Por isso a facilidade em falar o italiano e também seu sotaque italiano tão característico. Ele volta ao Brasil e consegue conviver com sua mãe por três anos, antes dela morrer.

A segunda esposa de seu pai, dona Lavínia, tinha um carinho enorme pelo menino. Alderigi também é apaixonado por ela.

Alderigi cresce em Jacutinga, morando na rua Silviano Brandão (hoje rua Américo Prado). Seu pai tinha uma casa de comércio grande, que comercializava tecidos e colchões.
“Alderigi era um menino alegre. Gostava da vida, do movimento. Adorava ver o trem passar, puxando aquela fila de vagões encarrilhados. Os últimos, cheios de passageiros. E o pequeno corria para perto da linha, para ficar abanando as mãos. Este costume de acenar para os passageiros ele conservou, mesmo quando grande”, conta José Bruno Vicentini em 1987, filho de Júlio Santini, amigo pessoa do Servo de Deus.

Era dona Lavínia que acudia o jovem junto ao pai, muitas vezes bravo. Segundo a irmã de Alderigi, Beata Antônia Torriani Amaral (Beata é seu nome, e não um reconhecimento eclesial), certo dia, após apanhar do pai, ele foi conversar com a madrasta e falou do seu desejo de ser padre.

“‘Quero ir para o seminário e por isto o papai me bateu. Mas não tem importância. Eu vou vencer, porque eu quero ser de Nosso Senhor’. A Lavínia o consolou, mas o menino saiu com esta: ‘mamãe’ - ele chamava a madrasta de mamãe – ‘arranja minha roupa, vou fugir’. Ela respondeu: ‘Não precisa fugir. Eu vou falar com seu pai’. Depois que Lavínia falou com o pai, ele veio e perguntou: ‘você quer mesmo ir para o seminário?’ O menino respondeu: ‘Quero. Quero ser de Nosso Senhor’. Logo a seguir o pai o levou para Pouso Alegre, internando-o no seminário. Era 1908”, lembra dona Beata.

https://youtu.be/GkUDB_u11OA

Ordenação presbiteral

Após os estudos, Alderigi é ordenado padre no dia 18 de setembro de 1920, em Pouso Alegre. Sua primeira missa foi celebrada em Jacutinga. Depois, voltou para Pouso Alegre, onde foi professor de matemática e diretor do Ginásio diocesano São José.

O frei Felipe, em seu livro, traz o relato de uma senhora que participou da primeira missa do padre Alderigi e também conviveu com ele em Brazópolis, quando lá esteve substituindo o padre Herculano.

Assim relata dona Marina Caridade Oliveira, em 1998: “Como ele era santo, como ele gostava de cantar e era totalmente cativante! Quando falava, ele demonstrava uma vontade enorme de querer salvar todo mundo, se comportando mais do que um padre, vivendo mais do que um missionário, andando por todas as bibocas de sua quase paróquia, atrás de ovelha tresmalhada”.
Em 1926, padre Alderigi adoece gravemente, possivelmente tuberculose. O bispo na época, dom Octávio Chagas de Miranda, o transfere para Santa Rita de Caldas. Lá ele chega em 27 de março de 1927, aos 32 anos de idade.

“Padre Alderigi estava tão doente, que o senhor bispo assim disse: ‘dou uma paróquia para o padre Alderigi, para ele ali morrer’. Aqui chegou padre Alderigi magro e fraco, praticamente condenado à morte, uma vez que não havia naquela época, qualquer remédio para o seu mal”, relatou sua amiga Edmea Maia.

Mas não era esse o fim que Deus queria para o jovem padre. A nova terra lhe trouxe vida e saúde.

“O médico havia lhe receitado muito repouso, vida calma e tranquila. Sim, senhor. O jovem sacerdote fez muito repouso sim. Mas o fez no lombo do cavalo, de burros, atendendo a tudo e a todos, com a maior solicitude e humildade. Às vezes, na sua ida em atendimento aos paroquianos, era gozado ver o padre em animais fogosos ou, às vezes, em animais que ele quase tocava os pés no chão, devido à sua estatura”, lembra Edmea.

No livro do Tombo da paróquia de Santa Rita de Caldas, é possível encontrar o programa da Semana Santa do ano de 1927, que traz a informação: “Vigário padre Alderigi está à disposição do povo a qualquer ora. Quem, vendo os sofrimentos de Jesus, não se arrependerá dos seus pecados, que foram a causa de tantas dores?”

Mas entre os anos de 1932 e 1933, padre Alderigi é transferido para Camanducaia, onde exerce um trabalho de conciliação entre a população por causa das batalhas e divergências políticas.
“Lá fica menos de dois anos. Seu trabalho, sua fé, sua humildade, sua pessoa traz a paz à cidade. Os ânimos se acalmam. As rixas se amenizam. A cidade volta à vida rotineira e pacata das cidades do interior. Tudo isso, fruto abençoado de sua presença”, afirma João Lorena, amigo pessoal do padre Alderigi.

Essa dedicação e zelo pelo povo de Deus sempre caracterizou padre Alderigi. São inúmeros os relatos que contam os sacrifícios feitos por ele, na visita a doentes, no lombo do cavalo e sem nunca deixar de celebrar uma missa nas suas comunidades.

O lavrador José Benedito Peçanha contou em 1987:
“Como era homem bom e caridoso, mais de uma vez fui buscar o padre Alderigi para atender confissões, depois da meia-noite. Às vezes ele veio debaixo de chuva. Algumas vezes, os cavalos tropicavam e uma vez o padre chegou a cair dentro do córrego. Como era homem bom e paciente, cumpridor do dever, quase sempre seguia o caminho, rezando. Mas seus sofrimentos não eram só nas estradas péssimas: era também dentro de casa, morando com um pai de gênio muito brabo. Por isso, numa dessas ocasiões, em 1940 mais ou menos, desejando evitar maiores xingatórios, o humilde sacerdote me segredou: ‘filho, deixe os cavalos atrás da igreja, escondidos, para meu pai não perceber que estou saindo par atender o doente em confissão’”.

Aos sábados era sagrado seu sermão sobre Nossa Senhora durante a reza noturna e, depois, a bênção do Santíssimo Sacramento. No domingo, permanecia o dia todo por conta dos fiéis. Almoçava na igreja matriz mesmo, fazia orações com o povo das comunidades rurais e procissões. Também aos domingos ou qualquer dia da semana, ia atender confissões e ministrar o sacramento da Unção dos Enfermos. Não poupava sacrifícios.

O homem do confessionário

Padre Alderigi ainda jovem

Padre Alderigi podia ser facilmente ser reconhecido por esse título: “o homem do confessionário”. Fez extraordinário trabalho e exerceu grande influência, como confessor, sobre o povo e também sobre o clero diocesano.

O redentorista padre Geraldo Camilo de Carvalho escreveu em 1987.

“Era o homem do confessionário. Nisto, sem dúvida, imitava Cristo conforme está em São Lucas, capítulo 15, em suas parábolas da misericórdia: comia com os pecadores. Aos domingos, dona Zélia tinha que levar a famosa tigela de comida para ele se servir na sacristia, a fim de que nenhum penitente deixasse de ser atendido. Em geral, ficava rezando o terço no confessionário, a espera que alguém viesse procura-lo. Muitas vezes, vencido pelo cansaço, dormia mesmo lá dentro da ‘casinha do perdão’. Quem tivesse ajoelhado, tinha que olhar pelos buraquinhos das grades do confessionário, a descobrir quando de novo estaria pronto para atende-lo”.

O calvário do padre Alderigi

Os últimos anos de vida foram de muito sofrimento, mas nem por isso faltou com dedicação aos seus afazeres como padre. Ele andava sempre apoiado numa bengala e celebrava suas missas sentado. Suas crises de erisipela faziam sua perna inchada e arder-se em febre. A pele trincava e ele sentia muita dor, oferecendo-as para a salvação dos pecadores. O peso do corpo aumenta seus sofrimentos.

“Um dia, em 1975, em que ele foi a Pouso Alegre para uma reunião do clero, dona Zélia viu-o chegar antes do tempo, trazido por um seminarista. Fora o senhor arcebispo, dom José D’Ângelo Neto, quem o mandou de volta, pois o velho sacerdote estava com febre. Eu busquei uma bacia de água e o ajudei a tirar a meia. Vi uma pequena ferida no tornozelo. Pequena, mas profunda. Foi levado a Poços de Caldas. Dr. Benedictus Mourão, especialista em pelo, me ensinou a tratar a ferida”, contou sua ex-sacristã e governanta, em 1987, dona Zélia Martins.
Seu caso era grave, sofrendo de insuficiência cardiáca congestiva, ascite epatomegalia (aumento do fígado), edema generalizado, hidrocele bilateral, perafimose aguda, com dores fortíssimas.
Ele foi internado várias vezes no hospital de Poços de Caldas. Depois que a doença se agravou, ele demonstrou estar submetido, realmente, à vontade de Deus, com toda a paciência, com toda a conformidade de homem santo, suportando toda a humilhação do mal de suas vias urinárias.

Sua doença era tremendamente dolorida, mas ele continuava a demonstrar continuamente sua paz e tranquilidade, totalmente sereno. Em meio às maiores dores e provações, só se ouvia sua frase predileta: “Seja feita a vontade de Deus! Seja tudo por amor de Deus e para a salvação dos pecadores”. Tendo sua doença se agravado mais ainda, conservou a calma, o sorriso e a verdadeira conformidade, sem nunca expressar um pingo de impaciência. Era sempre aquela máxima calma e aquela máxima bondade. Sentia que precisava dos outros e a todos se mostrava reconhecido e agradecido. Estava sempre com o terço na mão e continuava sereno e tranquilo.

No hospital, quando lhe davam remédio, padre Alderigi sempre perguntava: “Este remédio e para tirar a dor? Se é, não quero. Vai perguntar”.

“Quando percebeu que seu caso não tinha mesmo solução, sem esperança de cura, pediu alta do hospital. O médico lhe fez a vontade. E eu fiquei chorando. Subi à Capela e orei por ele e o entreguei nas mãos do Senhor”, relatou a irmã Bernardete Locore, que cuidou do padre Alderigi em sua última doença no hospital.

No dia 3 de outubro de 1977 seu estado era gravíssimo. Junto aos médicos, o padre, aflito, desejava voltar para Santa Rita de Caldas. Os médicos consentem. O senhor João Lorena, amigo de padre Alderigi, estava com ele neste momento e relembra a alegria com o bom padre recebeu a notícia.

Uma de suas últimas fotos antes da morte

“Nós, que com ele estávamos, vimos nele uma transformação total, uma mudança sentida. O padre, que capengava de dor, põe-se de pé, pede que se lhe dê a batina, faz-se trocar rapidamente e lá está ele, sorridente, mas com os olhos fundos, a esperar a hora de ira para a sua casa. Quer voltar logo. Com a chegada da ambulância, a alegria do padre foi total. Deixa seu quarto, abençoando e agradecendo a todos. O povo de Santa Rita, que sabe do seu retorno, o espera na praça da Matriz”, disse.

Um último pedido do padre foi obedecido pelo senhor João, por dona Zélia (sua governanta) e pelo motorista da ambulância. Quer passar na igreja matriz. “Parem em frente à igreja”, teria pedido padre Alderigi.

Chegam em Santa Rita por volta das 16h. Rezaram o terço o tempo todo por pedido do padre Alderigi. O padre que tinha substituído, padre Braz, é quem o recebe. Abre a porta da matriz para que o eterno padre da cidade fizesse suas últimas orações.

“A ambulância para na rampa. Vamos descer o padre? Não é aconselhável. Abrimos a porta da ambulância e o padre, de mãos postas, faz sua prece ante a urna de Santa Rita, despede-se do Santíssimo Sacramento. Joga beijos e rumamos para a casa paroquial. Casa pequena, seu quarto pequeno. Portas estreitas, como passa-lo de maca? Todos querem ajudar. Vira-se daqui e dali. Está difícil. Vamos erguer a maca...muita gente, muitas mãos. A posição é incômoda, ao invés de cabeça para cima, cabeça para baixo e lá vai o padre, transpondo a porta do quarto, quase caindo ou derrubado”, continua o seu João.

Mesmo nessa dificuldade, padre Alderigi não perde a consciência: “Oi gente! Tenham cuidado, assim eu caio”, teria dito.

Chegando à casa paroquial, padre Alderigi pediu para comungar.

“Ficou cantando enquanto fui ao santuário buscar a Comunhão. Seu canto era ‘Bendito, louvado seja’, embora desafinado. Fazia questão que houvesse duas velas, flores e toalha. Para a comunhão, sempre usava sobrepeliz e estola. Hoje, não”, completou dona Zélia.

Após a comunhão, padre Alderigi quis jantar. “Zélia, quero a comida que você sabe fazer”, disse ele. Fizeram carne moída, arroz e macarrão.

“Eu tinha prometido a ele uma cerveja, para quando tivéssemos chegado em Santa Rita de Caldas e o padre lembrou-se dela. Mandei alguém buscá-la no bar. Ele bebeu um pouco e alimentou-se bem. Depois dormiu até às 22h”, lembrou a governanta, dona Zélia.

Os últimos momentos do padre Alderigi vão se contados pela sua própria Zélia, que dedicou sua vida para cuidar do Servo de Deus.

Dona Zélia e padre Alderigi

“Eu é que devia dar-lhe a comida na boca. Ele mostrava o banquinho e nele me sentava e lá ficava, servindo. Assim fiz muitas vezes, assim fiz pela última vez. Às 22h, pediu qualquer coisa para comer. Como a maçã estava dura, ele apenas provou. Ofereceram-lhe uma fatia de melão. Comeu apenas um pedacinho. Como, depois disto, o líquido da bexiga espalhou-se e molhou a batina com que estava vestido, saí do quarto para os homens trocarem-lhe a roupa. Após isto, entrou em coma. Bem que ele me disse a mim, que sempre dormia em minha casa: ‘Hoje não vai embora. Hoje é o meu dia’.

Perto das 23h, Zé Diogo me disse: ‘Credo! Que cara de defunta você tem, Zélia. Senta no sofá e durma um pouco!’ Sentei-me no sofá. Pouco depois, uns dez minutos, Zé Diogo gritou: ‘Zélia, venha depressa! Parece que ele está virando os olhos’. Acorri logo e disse: ‘Chamem o padre e o médico’! Eles saíram e me largaram sozinha. Havia um crucifixo na parede. Com este crucifixo, ele tinha, muitas vezes, dito: ‘Jesus, a dor está mais forte. Será que vou aguentar?’ Quando falava isto, ele ficava com vergonha e sorria. Agora, em seu último momento, peguei o crucifixo e dei-lhe para que beijasse. E a morte foi rápida e calma. Logo depois, foi chegando gente. Era dia 3 de outubro de 1977, às 23h”.

O velório

Ainda de madrugada, quando o corpo desceu em direção à igreja, os sinos tocaram. A população desceu em “peso”. A rádio de Poços de Caldas, sem parar, ia dando a notícia do falecimento. Poços de Caldas decretou luto de três dias. Veio gente de muitas cidades: Caldas, Ipuiúna, Ibitiúra, Andradas, Poços de Caldas, Alfenas, Pouso Alegre, Jacutinga, Campo Belo e outras cidades.
“O povo chorava amargamente, beijando suas mãos”, lembra Edmea Maia.

A missa é celebrada em frente à igreja matriz, que está lotada. Todos choram. São lágrimas de dor, de sentimento, de gratidão, de amor, de veneração. Terminada a cerimônia, seu corpo é levado para o cemitério. Todos querem carrega-lo. A multidão se aglomera e o caminho até o cemitério está repleto de amigos.

“Pouco a pouco a urna se cobre. Todos lá estão, sem arredar um passo. Tudo acabado. O sol declina. Vem a noite. No céu, as primeiras estrelas. Na casa do Pai, os coros dos Anjos, Arcanjos, Querubins e Serafins, Tronos e Potestades, a Virgem Maria, Santa Rita, todos os Santos da Milícia Celeste cantam hinos de louvor à Trindade, pela entrada, no Reino que não terá fim, dessa alma que deixou a todos um exemplo de religiosidade, humildade, amizade, sinceridade. Antecipou-nos, sim, e lá está ele, vivo a olhar e interceder por todos nós”, escreve João Lorena.

Fama de santidade

Em vida, Padre Alderigi já possuía uma difundida fama de santidade. Muitas são as pessoas que relatam ter recebido graças de Deus após terem pedido sua bênção e seus conselhos. No dia de sua morte, os poucos pertences que Padre Alderigi possuía foram divididos entre o povo que queria conservar uma relíquia do querido pároco.

Ele faleceu no dia 03/10/1977, às 23h

Ainda hoje, as pessoas levam tais relíquias até aqueles que se encontram gravemente enfermos e muitíssimos são os relatos de graças alcançadas através da intercessão de Padre Alderigi. Depois de sua morte, tal fama de santidade continua a se espalhar, atingindo não só o sul de Minas, mas todo o Brasil.

Devido a esta tão grande fama de santidade, o Arcebispo de Pouso Alegre, Dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho - Opraem., decretou a introdução do Processo de Canonização de Padre Alderigi. Este processo se desenvolve em uma fase diocesana e, depois, na Congregação das Causas dos Santos, no Vaticano, na fase romana.

A partir da abertura deste processo de canonização, Padre Alderigi é chamado Servo de Deus. Este título indica que um processo está sendo realizado para que a Igreja reconheça, oficialmente, que ele viveu, de modo heróico, as virtudes cristãs e seja apresentado como modelo de santidade a todos os católicos.

Mais perto de seu povo

Neste ínterim, foi realizada a exumação dos restos mortais do Servo de Deus Padre Alderigi para o reconhecimento canônico e o translado do cemitério para o santuário de Santa Rita, em Santa Rita de Caldas - MG. Essa celebração foi realizada dos dias 01 a 04 de agosto de 2008.

Realizados a exumação e o reconhecimento canônico, os restos mortais do Servo de Deus foram transladados em procissão, com a participação de muitos fiéis, para o Santuário de Santa Rita, onde repousarão para sempre junto ao povo que Padre Alderigi tanto amou e pelo qual doou toda sua vida.

Em 22 de dezembro de 2018, foi celebrado o encerramento da fase Diocesana do processo de Beatificação e Canonização de padre Alderigi Maria Torriani no Santuário de Santa Rita de Caldas, com a participação do clero arquidiocesano e de centenas de fiéis.


Tem início em Belo Horizonte a Assembleia Regional de Pastoral do Regional Leste 2

Teve início no final da tarde desta segunda-feira (11), a Assembleia Regional de Pastoral do Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). As principais lideranças da Igreja no Espírito Santo e em Minas Gerais estão reunidas na Casa de Retiros São José em Belo Horizonte (MG), para a elaboração e aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora. Pela arquidiocese de Pouso Alegre participam o arcebispo, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R.; o coordenador de pastoral, padre Mauro Ricardo de Freitas; o coordenador da pastoral presbiteral, padre Fabiano José Pereira; e a representante do laicato, Dalva Rangel.
Durante a abertura, o presidente do Regional Leste 2 e Bispo de Divinópolis (MG), Dom José Carlos de Souza Campos, deu as boas-vindas ao público presente e falou sobre as alegrias e desafios a serem definidos em assembleia.

“As Diretrizes que iremos aprovar nesta Assembleia tem o objetivo de nos conduzir nos próximos anos e perpetuar a fecunda história da Igreja nos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais. A partir delas conseguiremos dar continuidade a nossa caminhada”, declarou.

Tema – Durante a assembleia, serão estudadas as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, aprovadas em maio deste ano na 57ª AG da CNBB, em Aparecida (SP), que nortearão todo o trabalho evangelizador no próximo quadriênio 2019-2023.

Programação – Assuntos como a definição das urgências Pastorais para o próximo quadriênio, formação sobre a Campanha da Fraternidade 2020 e reuniões reservadas.
Participam da Assembleia Regional de Pastoral 130 péssoas, entre o episcopado do Espírito Santo e Minas Gerais, coordenadores regionais de pastorais, movimentos e organismos, representantes de presbíteros, leigos e leigas.

Dia 11 – Segunda-feira

17h – Acolhida

18h – Jantar

19h45 – Pauta e Avaliação do Quadriênio/2015-2019 (Auditório)

20h45 – Vigília: Dom Pedro Cunha Cruz

Dia 12 – Terça-feira

7h – Celebração Eucarística: Dom Roberto José da Silva (CP); Dom José Moreira da

Silva; Dom José Eudes Campos do Nascimento

7h45 – Café

8h20 – Casa da Palavra: Côn. Lauro Sérgio Versiani Barbosa (Auditório)

10h – Café

10h30 – Casa do Pão: Pe. Danilo César dos Santos Lima (Auditório)

12h- Almoço

14h – Hora Média: Pe. Walter Luiz Barbiero Milaneze Altoé

14h20 – Grupos de Trabalhos: Casa da Palavra e do Pão

15h30 – Café

16h às 18h – Sessões Reservadas (Arce)bispos (Sala Dom Muniz)

Treinamento da Campanha da Fraternidade 2020 (Auditório)

18h30 - Vésperas: Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias (CP); Dom Marcello Romano;

Dom Antônio Carlos Félix

19h - Jantar

20h30 – Os horizontes do Sínodo Pan-amazônico: Dom Walmor Oliveira de Azevedo

(Auditório)

Dia 13–Quarta-Feira

7h- Celebração Eucarística: Dom Cláudio Nori Sturm (CP); Dom José Carlos Brandão

Cabral; Dom Dario Campos

7h45 – Café

8h20 – Casa da Caridade: Pe. Patriky Samuel Batista (Auditório)

10h – Café

10h30 – Casa da Missão: Pe. Mauricio da Silva Jardim (Auditório)

12h- Almoço

14h – Hora Média: Pe. Volnei Ferreira Noro

14h20 – Grupos de Trabalho: Casa da Caridade e da Missão

15h30 – Café

16h30 – Sessões reservadas (Arce)bispos (Sala Dom Muniz)

Treinamento da Campanha da Fraternidade 2020 (Auditório)

18h30- Vésperas: Dom Jorge Alves Bezerra (CP); Dom Marco Aurélio Gubiotti; Dom Gil

Antônio Moreira

19h - Jantar

20h20 – Plenária e Aprovação das Indicações Pastorais

Dia 14 – Quinta-feira

7h- Celebração Eucarística: Dom José Carlos de Souza Campos (CP); Dom Paulo

Bosi Dal’Bó; Dom Geovane Luís da Silva

8h – Café

8h30 - Sessões reservadas (Arce)bispos (Sala Dom Muniz)

Coordenadores de Pastoral (2º andar/Sala 236)

Representantes de Presbíteros (1ºandar/Sala 116)

Leigos(as): Coordenadores Regionais, Pastorais, Movimentos e Organismos

(Auditório)

10h – Café

10h30 - Informes gerais:

5’ – Projeto Regional Leste 3 – Bispos do Espírito Santo

5’ – Lucimara Trevizan- Catequese