Encontro de Ministros do Setor Paraíso é realizado em Paraisópolis
Na tarde deste domingo (10), cerca de 250 Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística, provenientes das cidades pertencentes do setor Paraíso (Brasópolis, Consolação, Gonçalves, Paraisópolis e Sapucaí Mirim), participaram de um dia de formação. O encontro ocorreu na Igreja Santa Edwirges, em Paraisópolis, e foi conduzido pelo Sr. José Alcides, que falou sobre o tema: "Espiritualidade e Caridade no ministério da Eucaristia".
O encontro contou com momento de animação, partilha, formação e encerrou-se com a adoração do Santíssimo Sacramento.


NOTA DE PESAR pelo falecimento do diácono Douglas Ribeiro Lima
“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Crês tu isso?” (Jo 11,25-26)

A arquidiocese de Pouso Aegre se une em oração aos familiares e amigos do diácono Douglas Ribeiro Lima, falecido no início da tarde deste sábado (9) no hospital Samuel Libânio em Pouso Alegre, onde estava internado desde ontem. Pertencente ao clero da diocese de Guaxupé (MG), ele se sofreu um grave acidente na rodovia MG-179 na última sexta-feira, entre Silvianópolis e São João da Mata. Passou por duas cirurgias, mas veio a óbito.
Douglas tinha sido ordenado diácono há apenas 15 dias, no dia 25 de outubro, na Catedral Metropolitana de Guaxupé pelo seu bispo, dom José Lanza.
Na certeza da ressurreição, pedimos que o bom Deus acolha com misericórdia aquele que aqui na terra, foi chamado para ser um de seus ministros.
Secretaria de pastoral divulga Diretório Litúrgico-Sacramental atualizado
Durante a última reunião do clero na semana passada, a Secretaria de Pastoral da arquidiocese de Pouso Alegre entregou ao clero o diretório sacramental sobre os Sacramentos de iniciação cristã (Batismo, Eucaristia e Crisma). As orientações sobre os outros sacramentos serão entregues no próximo ano. Segundo o arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., os sacramentos da iniciação precisam ser contemplados na sua totalidade.
"Não apenas em seus aspectos jurídicos, mas na sua totalidade, para que, de fato, possibilitem aos fiéis um verdadeiro mergulho no Mistério Pascal de Jesus Cristo e, por Ele, na comunidade cristã. Por isso, esse diretório, ainda que sucinto em suas palavras, tem como intuito auxiliar nossas comunidades a fazerem da celebração sacramental oportunidade de acolhida, evangelização e condução amorosa das pessoas ao encontro com Cristo, único capaz de dar sentido às suas vidas. Desejamos que esse diretório possa auxiliar na urgente e bela tarefa pastoral de formar homens e mulheres comprometidos com o Evangelho e que todo cristão possa chegar à 'unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, ao estado de Homem Perfeito, na medida e estatura da plenitude de Cristo' (Ef 4,13)".
Faça o download do Diretório Pastoral Litúrgico-Sacramental
Filho da arquidiocese de PA, dom Edson é nomeado para Leopoldina
O Papa Francisco nomeou nesta quarta-feira, 30 de outubro, o novo bispo para a diocese de Leopoldina (MG). O nomeado foi dom Edson José Oriolo dos Santos que, desde 15 de abril de 2015, exerceu o ofício de bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte (MG) e titular de “Segia”.
Dom Edson Oriolo foi ordenado bispo na Catedral Metropolitana de Pouso Alegre no dia 11 de julho de 2015, tendo como bispos ordenantes dom. João Bosco Óliver de Faria, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R. e dom Walmor Oliveira de Azevedo. Seu lema episcopal é “Evangelizare Misericordiae Divitias”, baseado na Carta de São Paulo aos Efésios (3,8), que significa “Anunciar as riquezas da misericórdia”.
A diocese de Leopoldina estava vacante desde 12 de dezembro de 2018, quando dom José Eudes Campos do Nascimento foi nomeado bispo para diocese de São João Del Rei, também em Minas Gerais. O padre Volnei Ferreira Noro exerceu a função de administrador diocesano de Leopoldina desde 4 de fevereiro deste ano, quando foi eleito pelo Colégio de Consultores da diocese.
A arquidiocese de Pouso Alegre, na pessoa de seu arcebispo, dom José Luiz Majella Delgado-C.Ss.R., o parabeniza pela nomeação e roga a Deus pelo seu ministério.
Currículo e atuação pastoral

Dom Edson é ordenado bispo na Catedral de PA (foto: arquivo)
O bispo dom Edson José Oriolo dos Santos é mestre em Filosofia Social pela PUC Campinas, especialista em Aristóteles, pela Unicamp, e em Marketing, pela Universidade Gama Filho. Também pela Universidade Gama Filho, é pós-graduado em Gestão de Pessoas. Filho de José Eugênio dos Santos e Alzira Oriolo dos Santos, nasceu no dia 18 de setembro de 1964, em Itajubá (MG), cidade em que foi ordenado presbítero, na Matriz de São José Operário, no dia 5 de maio de 1990.
É formado em Filosofia, pelo Seminário Nossa Senhora Auxiliadora de Pouso Alegre, e em Teologia, pelo Instituto Teológico Sagrado Coração de Jesus, de Taubaté (SP). Dom Edson exerceu na Arquidiocese de Pouso Alegre os cargos de vigário paroquial da Paróquia São Sebastião, em São Sebastião da Bela Vista, vigário paroquial da Paróquia São Francisco de Paula, em Ouro Fino, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Borda da Mata, pároco da Paróquia Bom Jesus e Cura da Catedral Metropolitana de Pouso Alegre. Além disso, exerceu a função de professor em várias disciplinas relacionadas à Filosofia no Seminário da Arquidiocese de Pouso Alegre e também atuou como promotor de justiça do Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese. Na Paróquia Bom Jesus, implantou a Pastoral Urbana, que o tornou referência no país sobre o tema.
Dom Edson foi nomeado pelo Papa Francisco, no dia 15 de abril de 2015, como bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte. A Ordenação Episcopal foi celebrada no dia 11 de julho na Catedral Metropolitana de Pouso Alegre (MG). Baseado na carta de São Paulo aos Efésios (3,8), seu lema episcopal é “Evangelizare Misericordiae e Divitias” e significa “Anunciar as riquezas da misericórdia”.
Ministério na Arquidiocese de Belo Horizonte
O Bispo Auxiliar integrou o Comitê Gestor da Mitra Arquidiocesana (Cogem), acompanha o Projeto Vila Fátima e o Comitê Corporativo de Captação e Assessoria ao Programa Faço Parte, com especial atenção à Pastoral do Dízimo, no Vicariato Episcopal para a Ação Pastoral.
Dom Edson Oriolo é, até então, o bispo referencial da Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição (Rensc), que abrange dez municípios. Na Rensc, dom Edson acompanha a Pastoral Presbiteral Regional, coordena toda a ação evangelizadora e pastoral – à luz do Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra da Arquidiocese de Belo Horizonte -, o funcionamento e a infraestrutura da Cúria Regional.
Preside os Conselhos Pastoral Regional, Presbiteral Regional, Pastoral de Forania, Pastoral Paroquial, Paroquial de Administração e Pastoral de Comunidade na Região Episcopal.
Foi reeleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e Família do Regional Leste II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no dia 6 de junho de 2019, durante a Assembleia Anual do CONSER Leste 2, para o quadriênio 2019-2023.
"Ser santo deve ser o único desejo do padre", afirma dom Majella durante ordenação presbiteral

Foto: Cláudia Couto
No último sábado (26), a arquidiocese de Pouso Alegre celebrou a ordenação presbiteral do jovem diácono Nailton Pereira. A ordenação ocorreu em Espírito Santo do Dourado. Ele é padre de número 117 da arquidiocese. Atualmente, padre Nailton é vigário paroquial em Brazópolis, na paróquia São Caetano de Thiene.
Em sua homilia, dom Majella ressaltou a necessidade da busca pela santidade. Deus oferece todas as condições para um vida feliz e realizada.
"O Senhor pede tudo de você. Em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. O Senhor quer sacerdotes santos e espera que você não se resigne com uma vida medíocre, superficial e indecisa", disse.
Leia a homilia de dom Majella
À alegria de celebrar a Eucaristia neste dia de hoje acrescenta a festa da ordenação sacerdotal do diácono Nailton. Manifesto o profundo reconhecimento a quantos o orientou no seu caminho de discernimento e de preparação, e convido todos aqui presentes a dar graças a Deus pela dádiva deste sacerdote à Igreja. O Evangelho que a liturgia oferece à nossa meditação, ilumina a missão do sacerdote. “No terceiro dia, ouve um casamento em Caná da Galiléia, e a mão de Jesus estava ali. Também Jesus e seus discípulos foram convidados para o casamento”(Jo 2,1-2). No terceiro dia... no mistério do número três temos a confissão da Trindade e pela fé celebramos a ressurreição.
O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. É, pois, a fonte de todos os outros mistérios da fé; é a fé que ilumina. As bodas de Caná é participação no mistério de Cristo como mistério da salvação que o Pai realiza em e por meio do Filho, em virtude e por força do Espírito Santo. Se observarmos bem, de alguma maneira na própria água se dá certa analogia do batismo e da regeneração. Pelo poder de Cristo a água se transforma em vinho, isto é, conclui a lei e lhe sucede a graça. Qual a relação dessas bodas que acontece três dias depois com o sacerdócio que hoje o diácono Nailton recebe a pedido da Igreja? O sacerdote é o megafone da Trindade. Toda a vida cristã é comunhão com cada Pessoa divina, sem de modo algum separá-las. Quem dá glória ao Pai, o faz pelo Espírito Santo; quem segue Cristo, o faz porque o Pai o atrai e porque o Espírito Santo o guia. Quem se deixa mover pelo Espírito Santo é porque o ungido por excelência pelo meso Espírito, o Cristo, age nele. Caro diácono, procure viver sempre no espaço do sopro de Jesus Cristo, a receber vida d’Ele, de modo que ele inspire em você a vida autêntica. Saiba que as capacidades e a boa vontade do padre às vezes se chocam a indiferença de muitos fiéis. Nem a desconfiança nem o abatimento deveriam superar o entusiasmo e o ardor de um sacerdote. Se ele estiver plenamente consciente de sua missão e for honesto no modo de a desenvolver, está do lado das três pessoas divinas, que se servem dele para continuar a obra da salvação e para vivificar a história salvífica.
O conteúdo fundamental da missão é a oferta da vida plena para todos. Para todos, não se fechando para um grupo eleito. A Igreja foi instituída como “sacramento universal de salvação”, isto é, sinal e o instrumento da missão íntima com Deus e da unidade do gênero humano (Cf. LG 1).

O Espírito Santo une, abate as fronteiras, guia uns para os outros. Não existe santificação que não seja obra do Espírito Santo em Cristo, por iniciativa do Pai. Ser santo deve ser o único desejo do padre. Caro diácono, o Senhor pede tudo de você. Em troca, oferece a vida verdadeira, a felicidade para a qual fomos criados. O Senhor quer sacerdotes santos e espera que você não se resigne com uma vida medíocre, superficial e indecisa (GE, 1). O Senhor lhe propõe: “anda na minha presença e sê perfeito”(GN 17,1). SE você andar a procura da santidade que agrada a Deus compreenderá que a cruz, especialmente as fadigas, os sofrimentos, as perseguições, através de calúnias e falsidades, que suportamos para viver o amadurecimento da vida sacerdotal e de santificação. Abraçar diariamente o caminho do Evangelho mesmo que nos acarrete problemas, é santidade (cf. EG 93-94). Houve um casamento em Caná da Galiléia, a mãe de Jesus estava presente. Como o vinho veio a faltar “a mão de Jesus lhe disse: Eles não tem mais vinho”(Jo 2, 4). Após dirigir-se a Jesus, sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que Ele vos disser”(Jo 2, 5). Maria dirigi-se aos serventes. O sacerdote é o servo do Senhor na festa da vida. É aquele que enche as talhas vazias dos pobres, dos migrantes, dos doentes, dos encarcerados, dos sofredores para que todo o mundo desfrute do vinho bom. Toda a humanidade precisa se encher de alegria considerando muito agradável o sabor do vinho novo. Servir significa dar conta de uma missão. Missão cumprida, eis o que nós, sacerdotes, devem exclamar no fim da vida. “Fizemos o que deveríamos fazer”(Lc 17,10), isto é, cumprimos a missão recebida.
Ser servo do Senhor é ser humilde. Em Maria de Nazaré aparece claramente o que atrai e determina a escolha de Deus: a pequenez! A humildade. Deus faz opção preferencial pelos pequenos. Ele é fascinado pela pequenez. Deus sempre faz maravilhas com os pequenos que se deixam convocar. Todos os santos, os servos de Deus, primam pela escolha da pequenez e são exaltados pela Igreja que reconhece a sua santidade.
A Santa Dulce dos Pobres, figura frágil, que se debruçou sobre todos os pequeninos de Deus, sobre os menores dos irmãos de Jesus é para nós exemplo do olhar de Deus que fez grandes coisas em sua serva. Cultive a pequenez no seu sacerdócio ministerial e e vive segundo a verdade do amor.
Querido ordenando, recomendo a você o amor à Mãe de Jesus. Fazei como São João, que a acolheu no íntimo do próprio coração. Aprendei de Maria a amar Cristo. O Senhor abençoe o seu caminho sacerdotal. Amém.
Documento Final do Sínodo Pan-amazônico: A Igreja está comprometida em ser aliada da Amazônia
Cinco capítulos, mais uma introdução e uma breve conclusão: este é o Documento Final da Assembleia Especial para a Região Pan-amazônica, divulgado na noite do último sábado, 26 de outubro, por desejo do Papa. Dentre os temas, missão, inculturação, ecologia integral, defesa dos povos indígenas, rito amazônico, papel das mulheres e novos ministérios, sobretudo nas áreas de difícil acesso à Eucaristia.
Conversão: esse é o tema do documento final do Sínodo Pan-amazônico. Uma conversão que tem diferentes significados: integral, pastoral, cultural, ecológica e sinodal. O texto é o resultado do “intercâmbio aberto, livre e respeitoso” desempenhado durante as três semanas de trabalhos do Sínodo, para relatar os desafios e o potencial da Amazônia, o “coração biológico” do mundo, espalhado por nove países e habitado por mais de 33 milhões pessoas, incluindo cerca de 2,5 milhões de indígenas. No entanto, esta região, segunda área mais vulnerável do mundo devido às mudanças climáticas provocadas pelo homem, está “numa corrida frenética rumo à morte” e isso exige urgentemente, reitera o Documento, uma nova direção que permita que seja salva, sob pena de impacto catastrófico em todo o planeta.
Capítulo I – Conversão integral
O Documento exorta desde o início a uma “verdadeira conversão integral”, com uma vida simples e sóbria, no estilo de São Francisco de Assis, comprometida em relaciona-se harmoniosamente com a “Casa comum”, obra criativa de Deus. Essa conversão levará a Igreja a ser em saída, para entrar no coração de todos os povos amazônicos. De fato, a Amazônia tem uma voz que é uma mensagem da vida e se expressa através de uma realidade multiétnica e multicultural, representada pelos rostos variados que a habitam. “Bom viver” e “fazer bem” é o estilo de vida dos povos amazônicos, ou seja, viver em harmonia consigo mesmo, com os seres humanos e com o ser supremo, numa única intercomunicação entre todo o cosmo, a fim de forjar um projeto de vida plena para todos.
As dores da Amazônia: o grito da terra e o grito dos pobres
Todavia, o texto não reprime as muitas dores e violências que hoje ferem e deformam a Amazônia, ameaçando sua vida: a privatização de bens naturais; modelos de produções predatórias; desmatamento que atinge 17% de toda a região; a poluição das indústrias extrativistas; mudanças climáticas; narcotráfico; alcoolismo; tráfico de seres humanos; a criminalização de líderes e defensores do território; grupos armados ilegais. É extensa a página amarga sobre migração, que na Amazônia articula-se em três níveis: mobilidade de grupos indígenas em territórios de circulação tradicional; deslocamento forçado de populações indígenas; migração internacional e refugiados. Para todos esses grupos, é necessário um cuidado pastoral transfronteiriço capaz de incluir o direito à livre circulação. O problema da migração, lê-se, deve ser enfrentado de maneira coordenada pelas Igrejas de fronteira. Além disso, um trabalho pastoral permanente deve ser pensado para os migrantes vítimas do tráfico de pessoas. O Documento sinodal convida a prestar atenção ao deslocamento forçado de famílias indígenas nos centros urbanos, sublinhando como esse fenômeno requer uma “pastoral conjunta nas periferias”. Daí a exortação à criação de equipes missionárias que, em coordenação com as paróquias, cuidem desse aspecto, oferecendo liturgias inculturadas e favorecendo a integração dessas comunidades nas cidades.
Capítulo II - Conversão pastoral
A referência à natureza missionária da Igreja também é central: a missão não é algo opcional, lembra o texto, porque a Igreja é missão e a ação missionária é o paradigma de toda obra da Igreja. Na Amazônia, ela deve ser “samaritana”, ou seja, ir ao encontro de todos; “Madalena”, ou seja, amada e reconciliada para anunciar com alegria o Cristo ressuscitado; “Mariana”, ou seja, geradora de filhos para a fé e “inculturada” entre os povos a que serve. É importante passar de uma pastoral “de visita” a uma pastoral “de presença permanente” e, para isso, o Documento sinodal sugere que as Congregações religiosas do mundo estabeleçam pelo menos um posto missionário em um dos países da Amazônia.
O sacrifício dos missionários mártires
O Sínodo não esquece os muitos missionários que deram a vida para transmitir o Evangelho na Amazônia, cujas páginas mais gloriosas foram escritas pelos mártires. Ao mesmo tempo, o Documento lembra que o anúncio de Cristo na região realizou-se muitas vezes em conivência com os poderes opressores das populações. Por esse motivo, hoje a Igreja tem “a oportunidade histórica” de se distanciar das novas potências colonizadoras, ouvindo os povos amazônicos e exercendo sua atividade profética “de forma transparente”.
Diálogo ecumênico e inter-religioso
Nesse contexto, foi dada grande importância ao diálogo ecumênico e inter-religioso: “Caminho indispensável da evangelização na Amazônia”, afirma o texto sinodal, ele deve partir, no primeiro caso, da centralidade da Palavra de Deus para iniciar verdadeiros caminhos de comunhão. No âmbito inter-religioso, o Documento incentiva um maior conhecimento das religiões indígenas e dos cultos afrodescendentes, a fim de que cristãos e não cristãos possam agir juntos em defesa da Casa comum. Por esse motivo, são propostos momentos de encontro, estudo e diálogo entre as Igrejas na Amazônia e os seguidores das religiões indígenas.
Urgência de uma pastoral indígena e de um ministério juvenil
O Documento também recorda a urgência de uma pastoral indígena que tenha um lugar específico na Igreja: é necessário criar ou manter, de fato, “uma opção preferencial pelas populações indígenas”, dando também maior impulso missionário às vocações autóctones, porque a Amazônia também deve ser evangelizada pelos amazônicos. Depois, dar espaço aos jovens amazônicos, com suas luzes e sombras. Divididos entre tradição e inovação, imersos numa intenda crise de valores, vítimas de realidades tristes como a pobreza, violência, desemprego, novas formas de escravidão e dificuldade de acesso à educação, muitas vezes acabam na prisão ou em mortos por suicídio. E, no entanto, os jovens amazônicos têm os mesmos sonhos e as mesmas esperanças que os outros jovens do mundo e da Igreja. Chamada a ser uma presença profética, deve acompanhá-los em seu caminho, para impedir que sua identidade e sua autoestima sejam prejudicadas ou destruídas. Em particular, o Documento sugere “um renovado e ousado ministério juvenil”, com uma pastoral sempre ativa e centrada em Jesus. De fato, os jovens, lugar teológico e profetas da esperança, querem ser protagonistas e a Igreja na Amazônica quer reconhecer o seu espaço. Por isso, o convite a promover novas formas de evangelização também através das mídias sociais e ajudar os jovens indígenas a alcançar uma interculturalidade saudável.
Pastoral urbana e as famílias
O texto conclusivo do Sínodo se detém no tema da pastoral urbana, com um foco particular nas famílias: nas periferias da cidade, elas sofrem pobreza, desemprego, falta de moradia, além de vários problemas de saúde. Torna-se, portanto, necessário defender o direito de todos à cidade como desfrute justo dos princípios de sustentabilidade, democracia e justiça social. É preciso lutar, lê-se no texto, a fim de que os direitos fundamentais básicos sejam garantidos nas “favelas” e nas “villas misérias”. Central deve ser também o estabelecimento de um “ministério de acolhimento” para uma solidariedade fraterna com migrantes, refugiados e sem-teto que vivem no contexto urbano. Nesse âmbito, uma ajuda válida vem das Comunidades Eclesiais de Base, “um presente de Deus para as Igrejas locais da Amazônia”. Ao mesmo tempo, as políticas públicas são convidadas a melhorar a qualidade de vida nas áreas rurais, a fim de evitar a transferência descontrolada de pessoas para a cidade.
Capítulo III: Conversão cultural
A inculturação e a interculturalidade são instrumentos importantes, prossegue o Documento, para alcançar uma conversão cultural que leva o cristão a ir ao encontro do outro para aprender com ele. Os povos amazônicos, de fato, com seus “perfumes antigos” que contrastam o desespero que reina no continente e com seus valores de reciprocidade, solidariedade e senso de comunidade, oferecem ensinamentos de vida e uma visão integrada da realidade, capaz de entender que toda a criação está interligada e, portanto, garantir uma gestão sustentável. A Igreja compromete-se a ser aliada das populações indígenas, reitera o texto sinodal, sobretudo para denunciar os ataques perpetrados contra suas vidas, os projetos de desenvolvimento predatórios etnocidas e ecocidas e a criminalização dos movimentos sociais.
Defender a terra é defender a vida
“A defesa da terra”, lê-se no documento, “não tem outro objetivo a não ser a defesa da vida” e se baseia no princípio evangélico da defesa da dignidade humana. Portanto, devemos respeitar os direitos à autodeterminação, à delimitação dos territórios e à consulta prévia, livre e informada dos povos indígenas. Um ponto específico é dedicado às populações indígenas em isolamento voluntário (Piav) ou em Isolamento e contato inicial (Piaci) que hoje, na Amazônia, somam cerca de 130 unidades e são muitas vezes vítimas de limpeza étnica: a Igreja deve empreender dois tipos de ação, pastoral e outra “de pressão”, para que os Estados protejam os direitos e a inviolabilidade dos territórios dessas populações.
Teologia indígena e piedade popular
Na perspectiva da inculturação, isto é, da encarnação do Evangelho nas culturas indígenas, é dado espaço à teologia indígena e à piedade popular, cujas expressões devem ser valorizadas, acompanhadas, promovidas e às vezes "purificadas", pois são momentos privilegiados de evangelização que devem conduzir ao encontro com Cristo. O anúncio do Evangelho, de fato, não é um processo de destruição, mas de crescimento e consolidação daquela semeadura Verbos presente nas culturas. Daí a clara rejeição de uma "evangelização colonial" e do "proselitismo", em favor de um anúncio inculturado que promova uma Igreja de rosto amazônico, em pleno respeito e igualdade com a história, a cultura e o estilo de vida das populações locais. A este respeito, o Documento sinodal propõe que os centros de pesquisa da Igreja estudem e recolham as tradições, as línguas, as crenças e as aspirações dos povos indígenas, encorajando o trabalho educativo a partir da sua própria identidade e cultura.
Criar uma Rede de Comunicação Eclesial Panamazônica
Também na área da saúde - continua o Documento - este projeto educativo deverá promover o conhecimento ancestral da medicina tradicional de cada cultura. Ao mesmo tempo, a Igreja se compromete a oferecer assistência de saúde lá onde o Estado não chega. Há também um forte apelo a uma educação à solidariedade, baseada na consciência de uma origem comum e de um futuro partilhado por todos, assim como a uma cultura da comunicação que promova o diálogo, o encontro e o cuidado da "casa comum". Concretamente, o texto sinodal sugere a criação de uma Rede de comunicação eclesial pan-amazônica, de uma rede escolar de educação bilíngue e de novas formas de educação também à distância.
Capítulo IV - Conversão ecológica
Diante de "uma crise social e ambiental sem precedentes", o Sínodo apela a uma Igreja amazônica capaz de promover uma ecologia integral e uma conversão ecológica segundo a qual "tudo está intimamente conectado".
Ecologia integral, único caminho possível
A esperança é que, reconhecendo "as feridas causadas pelo ser humano" ao território, sejam procurados "modelos de desenvolvimento justo e solidário". Isto traduz-se numa atitude que colega o cuidado pastoral da natureza à justiça para com as pessoas mais pobres e desfavorecidas da terra. A ecologia integral não deve ser entendida como um caminho extra que a Igreja pode escolher para o futuro, mas como a única forma possível para salvar a região do extrativismo predatório, do derramamento de sangue inocente e da criminalização dos defensores da Amazônia. A Igreja, como "parte de uma solidariedade internacional", deve promover o papel central do bioma amazônico para o equilíbrio do planeta e encorajar a comunidade internacional a fornecer novos recursos econômicos para sua proteção, fortalecendo os instrumentos da Convenção-Quadro sobre Mudança Climática.
Defesa dos direitos humanos é uma necessidade de fé
Defender e promover os direitos humanos, além de ser um dever político e uma tarefa social, é uma exigência de fé. Diante deste dever cristão, o Documento denuncia a violação dos direitos humanos e a destruição extrativista; assume e apoia, também em aliança com outras Igrejas, as campanhas de desinvestimento das empresas extrativistas que causam danos sociais e ecológicos à Amazônia; propõe uma transição energética radical e a busca de alternativas; propõe também o desenvolvimento de programas de formação para o cuidado da "casa comum". Pede-se aos Estados que deixem de considerar a região como uma dispensa inesgotável, ao mesmo tempo que apelam a um "novo paradigma de desenvolvimento sustentável" socialmente inclusivo que combine conhecimentos científicos e tradicionais. Os critérios comerciais, é a recomendação, não devem estar acima dos critérios ambientais e dos direitos humanos.
Igreja aliada das comunidades amazônicas
O apelo é à responsabilidade: todos somos chamados à custódia da obra de Deus. Os protagonistas do cuidado, proteção e defesa dos povos são as próprias comunidades amazônicas. A Igreja é sua aliada, caminha com eles, sem impor um modo particular de agir, reconhecendo a sabedoria dos povos sobre a biodiversidade contra todas as formas de biopirataria. Pede-se que os agentes pastorais e os ministros ordenados sejam formados a esta sensibilidade socioambiental, seguindo o exemplo dos mártires da Amazônia. A ideia é criar ministérios para o cuidado da casa comum.
Defesa da vida
O Documento reafirma o empenho da Igreja em defender a vida "desde a concepção até o seu fim" e em promover o diálogo intercultural e ecumênico para conter as estruturas de morte, pecado, violência e injustiça. Conversão ecológica e defesa da vida na Amazônia se traduzem para a Igreja em um chamado a "desaprender, aprender e reaprender para superar qualquer tendência a assumir modelos coloniais que tenham causado danos no passado".
Pecado ecológico e direito à água potável
Proposta a definição de "pecado ecológico" como "ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, a comunidade, o meio ambiente", as futuras gerações e a virtude da justiça. Para reparar a dívida ecológica que os países têm com a Amazônia, sugere-se a criação de um fundo mundial para as comunidades amazônicas, a fim de protegê-las do desejo predatório das empresas nacionais e multinacionais. O Sínodo recorda "a necessidade urgente de desenvolver políticas energéticas que reduzam drasticamente as emissões de dióxido de carbono (CO2) e de outros gases ligados à mudança climática", promove as energias limpas e chama a atenção para o acesso à água potável, ao direito humano básico e condições para o exercício de outros direitos humanos. Proteger a terra significa incentivar a reutilização e a reciclagem, reduzir o uso de combustíveis fósseis e plásticos, mudar hábitos alimentares como o consumo excessivo de carne e peixe, adotar estilos de vida sóbrios, plantar árvores. Neste contexto, está incluída a proposta de um Observatório Social Pastoral Amazônico que trabalhe em sinergia com CELAM, CLAR, CARITAS, REPAM, episcopados, igrejas locais, universidades católicas e atores não eclesiais. Também foi proposta a criação de um escritório amazônico dentro do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
Capítulo V – Novos caminhos de conversão sinodal
Superar o clericalismo e as imposições arbitrárias, reforçar uma cultura do diálogo, da escuta e do discernimento espiritual, responder aos desafios pastorais. São essas as características sobre as quais se deve fundar uma conversão sinodal à qual a Igreja é chamada para avançar em harmonia, sob o impulso do Espírito vivificante e com audácia evangélica.
Sinodalidade, ministerialidade, papel ativo dos leigos e vida consagrada
O desafio é interpretar à luz do Espírito Santo os sinais dos tempos e identificar o caminho a seguir a serviço do desenho de Deus. As formas de exercício da sinodalidade são várias e deverão ser descentralizadas, atentas aos processos locais, sem enfraquecer o elo com as Igrejas irmãs e com a Igreja universal. Sinodalidade se traduz, em continuidade com o Concílio Vaticano II, em corresponsabilidade e ministerialidade de todos, participação dos leigos, homens e mulheres, considerados “atores privilegiados”. A participação do laicato, seja na consulta, seja na tomada de decisões na vida e missão da Igreja – explica o Documento Final – deve ser reforçada e ampliada a partir da promoção e concessão de “ministérios a homens e mulheres de modo équo”. Evitando personalismos, talvez com encargos em rodízios, “o bispo pode confiar, com um mandato com prazo determinado, na ausência de sacerdotes, o exercício do cuidado pastoral das comunidades a uma pessoa não imbuída do caráter sacerdotal, que seja membro da própria comunidade”. A responsabilidade desta última, especifica-se, permanecerá a cargo do sacerdote. O Sínodo aposta ainda numa vida consagrada com rosto amazônico, a partir de um reforço das vocações autóctones: entre as propostas, se destaca o caminhar junto aos pobres e excluídos. Pede-se ainda que a formação seja centralizada na interculturalidade, inculturação e diálogo entre as espiritualidades e as cosmovisões amazônicas.
A hora da mulher
O Documento dedica amplo espaço à presença e à hora das mulheres. Como sugere a sabedoria dos povos ancestrais, a mãe terra tem um rosto feminino e no mundo indígena as mulheres são “uma presença viva e responsável na promoção humana”. O Sínodo pede que a voz das mulheres seja ouvida, que sejam consultadas, participem de modo mais incisivo na tomada de decisões, contribuam para a sinodalidade eclesial, assumam com maior força sua liderança dentro da Igreja, nos conselhos pastorais ou “também nas instâncias de governo”. Protagonistas e custódias da criação e da casa comum, as mulheres são com frequência “vítimas de violência física, moral e religiosa, inclusive de feminicídio”. O texto reitera o empenho da Igreja em defesa dos seus direitos, de modo especial em relação às mulheres migrantes. Enquanto isso, se reconhece a “ministerialidade” confiada por Jesus à mulher e se auspicia uma “revisão do Motu Proprio Ministeria quædam de São Paulo VI, para que também as mulheres adequadamente formadas e preparadas possam receber os ministérios do leitorado e do acolitato, entre outros que podem ser desempenhados”. No específico, nesses contextos em que as comunidades católicas são guiadas por mulheres, se pede a criação do “ministério instituído de mulher dirigente de comunidade”. O Sínodo evidencia que de inúmeras consultas na Amazônia foi solicitado “o diaconato permanente para as mulheres”, tema muito presente durante os trabalhos no Vaticano. O desejo dos participantes da Assembleia é compartilhar experiências e reflexões emergidas até agora com a “Comissão de estudo sobre o diaconato das mulheres”, criada em 2016 pelo Papa Francisco e “aguardar seus resultados”.
Diaconato permanente
Foram definidos como urgentes a promoção, a formação e o apoio aos diáconos permanentes. O diácono, sob a autoridade do bispo, está a serviço da comunidade e deve hoje promover a ecologia integral, o desenvolvimento humano, a pastoral social e o serviço a quem se encontra em situações de vulnerabilidade e pobreza, configurando-o a Cristo. Portanto, é importante insistir numa formação permanente, marcada pelo estudo acadêmico e prática pastoral, na qual sejam envolvidos também esposas e filhos do candidato. O currículo formativo, explica o Sínodo, deverá incluir temas que favoreçam o diálogo ecumênico, inter-religioso, intercultural, a história da Igreja na Amazônia, a afetividade e a sexualidade, a cosmovisão indígena e a ecologia integral. A equipe dos formadores será composta por ministros ordenados e leigos. Deve ser encorajada a formação de futuros diáconos permanentes nas comunidades que habitam às margens dos rios indígenas.
Formação dos sacerdotes
A formação dos sacerdotes deve ser inculturada: a exigência é preparar pastores que vivam o Evangelho, conheçam as leis canônicas, sejam compassivos como Jesus: próximos às pessoas, capazes de escuta, de curar e consolar, sem buscar se impor, manifestando a ternura do Pai. Também no âmbito da formação ao sacerdócio, se auspicia a inclusão de disciplinas como a ecologia integral, a ecoteologia, a teologia da criação, as teologias indígenas, a espiritualidade ecológica, a história da Igreja na Amazônia, a antropologia cultural amazônica. O Sínodo recomenda que os centros de formação sejam preferencialmente inseridos na realidade amazônica e que seja oferecida a jovens não amazônicos a oportunidade de participar de sua formação na Amazônia.
Participação à Eucaristia e ordenações sacerdotais
Para a comunidade cristã, é central a participação à Eucaristia. E mesmo assim – destaca o Sínodo – muitas comunidades eclesiais do território amazônico têm enormes dificuldades em ter acesso a ela. Podem passar meses e até mesmo anos para que um sacerdote volte a uma comunidade para celebrar a missa ou oferecer os sacramentos da reconciliação e da unção dos enfermos. Reforçando o apreço pelo celibato como dom de Deus na medida em que permite ao presbítero dedicar-se plenamente ao serviço da comunidade e renovando a oração “para que haja muitas vocações” que vivam o celibato, mesmo que “esta disciplina não seja requisitada pela própria natureza do sacerdócio” e considerando a vasta extensão do território amazônico e a escassez de ministros ordenados, o Documento final propõe “estabelecer critérios e regras por parte da autoridade competente, para ordenar sacerdotes homens idôneos e reconhecidos pela comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam uma formação adequada para o presbiterado, permitindo ter uma família legitimamente constituída e estável, para promover a vida da comunidade cristã através da pregação da Palavra e da celebração dos sacramentos nas áreas mais remotas da região amazônica”. Deve-se especificar que “a propósito, alguns se expressaram a favor de uma abordagem universal ao argumento”.
Organismo eclesial regional pós-sinodal e Universidade Amazônica
O Sínodo propõe projetar novamente a organização das Igrejas locais de um ponto de vista pan-amazônico, redimensionando as vastas áreas geográficas da diocese, reagrupando Igrejas particulares presentes na mesma região e criando um Fundo amazônico para a promoção da evangelização a fim de enfrentar o “custo da Amazônia”. Nesta ótica, se insere a ideia de criar um Organismo eclesial regional pós-sinodal, articulado com a Repam e o Celam, a fim de assumir muitas das propostas que emergiram no Sínodo. Em âmbito formativo, se invoca a instituição de uma Universidade Católica Amazônica baseada na pesquisa interdisciplinar, na inculturação e no diálogo intercultural e fundada principalmente na Sagrada Escritura, no respeito dos costumes e das tradições das populações indígenas.
Rito amazônico
Para responder de modo autenticamente católico ao pedido das comunidades amazônicas de adaptar a liturgia valorizando a visão do mundo, as tradições, os símbolos e os ritos originários, se pede a este Organismo da Igreja na Amazônia de constituir uma comissão competente para estudar a elaboração de um rito amazônico que “expresse o patrimônio litúrgico, teológico, disciplinar e espiritual da Amazônia”. Este se acrescentaria aos 23 ritos já presentes na Igreja Católica, enriquecendo a obra de evangelização, a capacidade de expressar a fé numa cultura própria, o sentido de descentralização e de colegialidade que a Igreja Católica pode expressar. Também se faz a hipótese de acompanhar os ritos eclesiais com o modo com os quais os povos cuidam do território e se relacionam com as suas águas. Por fim, com a finalidade de favorecer o processo de inculturação da fé, o Sínodo expressa a urgência de formar comitês para a tradução e a elaboração de textos bíblicos e litúrgicos nas línguas dos diferentes locais, “preservando a matéria dos sacramentos e adaptando-os à forma, sem perder de vista o essencial”. Também deve ser encorajado em nível litúrgico a música e o canto. No final do Documento, se invoca a proteção da Virgem da Amazônia, Mãe da Amazônia, venerada com vários títulos em toda a região.
"Sínodo é um exemplo a ser seguido por toda diocese, paróquia e comunidade", diz presidente da CNBB
Durante entrevista nesta sexta-feira (25) ao VaticanNews, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, falou das expectativas para a aprovação e acolhida do documento final do Sínodo para a Amazônia que se encerra no próximo domingo, 27 de outubro, com celebração na basílica de São Pedro, no Vaticano.
“O Sínodo não acaba com a conclusão no próximo domingo. É a partir disto que, de fato, vai começar”, disse. Dom Walmor também falou dos desafios que se abrem para a Igreja a partir do Sínodo que ele definiu “como um tempo novo, um momento muito propício e fecundo para a missionariedade de nossa Igreja”.
Dom Walmor diz que este momento expressa, desde o Concílio Vaticano II, o caminho de uma Igreja Sinodal, isto é “uma Igreja que escuta o seu Deus, escuta o seu Evangelho, os clamores dos pobres e escuta uns aos outros no diálogo”. Por isto, afirma o presidente da CNBB, o Sínodo é um exemplo do que deve ser seguido por toda Igreja particular, toda diocese, toda paróquia e comunidade como um lugar de escuta.
“Quando a gente escuta a ação muda. Porque os clamores tocam, as palavras iluminam e do coração brota um novo modo da gente viver e compreender”, disse. O arcebispo disse que quando perguntarem a ele como foi o Sínodo, ele dirá: “uma riqueza eclesial da mais alta importância. Um grande dom de Deus que todos aqueles que participamos somos chamados e desafiados a fazer com que toda esta riqueza se desdobre em serviço”. Acompanhe, abaixo, a íntegra do que disse o religioso na live de hoje.
Conclusões, expectativas e desdobramentos do Sínodo
“Com muita alegria, desejo a todos saúde e paz. E essa mesma alegria de compartilhar Esperanças para fecundar o caminho nosso como Igreja missionária presente em todo lugar por meio de cada um de nós para que o Evangelho de Jesus chegue nos corações. Nós estamos naturalmente cheios de expectativas, esperançosos, depois de se ter reunido, de todos os grupos, importantes contribuições ao documento final. Vamos recebê-lo na tarde/noite de hoje. Teremos o tempo para ler. E amanhã, sábado, 26 de outubro, teremos a Congregação Geral para votação.
Cada um de nós procurou contribuir. O Santo Padre muito bem nos acolheu e nos conduziu neste caminho. Sobretudo, conduzidos pela ação do Espírito Santo que fecunda nossos corações chamados a encontrar sempre novos caminhos para Amazônia para a Igreja no mundo inteiro. E de modo muito especial nos deixando desafiar por esse horizonte da ecologia integral porque precisamos urgentemente de uma nova postura na Casa Comum. Eu gostaria de dizer que o Sínodo para a Amazônia, como outros momentos vividos pela Igreja, comprova o que nós professamos como fé: “quem conduz a Igreja é o Espírito Santo de Deus”. Nós somos servidores, e portanto, abertos à sua ação.
As críticas foram muitas por falta adequado entendimento, o que é lamentável. Mas muito se fez para ajudar muitas pessoas a compreender a importância da experiência eclesial do Sínodo para a Amazônia. Houve abertura. E sobretudo na experiência dos participantes: bispos, padres, diáconos, cristãos leigos, indígenas, peritos, auditores, todos com o olhar voltado para o bem, como devemos ser como Igreja, e abertos à ação do Espírito Santo.
Poderemos, tenho certeza, depois de altos e baixos e de buscas, oferecer ao Santo Padre aquilo que ele vai nos dar como grandes orientações para o novo que buscamos. Tudo isto, só é possível porque somos a Igreja de Jesus Cristo. Por isto mesmo, é preciso convidar a todos para viver esta comunhão porque é ela que nos faz dar os passos na direção certa, mesmo quando muitas vezes parecer que estamos andando na sombra, no escuro, ou até em meio a altos e baixos”.
O Sínodo e as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil
“Nós vamos encontrar na experiência deste Sínodo, de fato, um grande dom do Espírito Santo de Deus, fecundando a Igreja no mundo, particularmente na Amazônia, mas também de modo muito especial em nosso Brasil, quando nós estamos trabalhando no horizonte bonito das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora para proclamar a Palavra, à luz da opção preferencial pelos pobres, formando comunidades missionárias e de modo muito especial ajudando nesta cultura urbana desafiadora que vivemos a criar uma nova mentalidade de trabalharmos e vivermos, de acordo com os valores do Evangelho, na Casa Comum”.
Novos caminhos para Igreja
“Portanto, estamos felizes. O caminho será longo. O Sínodo não acaba com a conclusão no próximo domingo com a celebração eucarística na basílica de São Pedro. É a partir disto que o Sínodo, de fato, vai começar depois da longa etapa de preparação de dois anos e de quase um mês intenso de trabalho. Então quando o Santo Padre nos indicar o caminho, vamos começar um caminho novo. E, eu tenho certeza, muito propício e fecundo para a missionariedade de nossa Igreja. É um novo tempo, um novo momento. Uma Igreja é sempre brindada pela força do seu Espírito Santo”.
Esperança pós-sínodo
“Estamos falando que somos chamados, pela nossa experiência de fé, a depositar em nosso Deus. É nele que confiamos porque somos d’Ele. D’Ele viemos, para Ele estamos voltando. É ele quem nos conduz. Por isto, a Igreja está no coração do mundo, ela não é um clube de amigos, não é uma organização não governamental, não é uma instância qualquer. A Igreja é a congregação dos filhos e filhas de Deus, como povo de Deus, abertos neste caminho. Há, portanto, a estrela desta esperança. Nós estamos voltados para o Reino definitivo a caminho do qual nós estamos. É esta nossa esperança. Uma esperança que ilumina e se desdobra, é claro, para que nossa fé seja autêntica num grande compromisso com a vida! A vida em todas as suas etapas, desde a concepção até o momento último, no declínio com a morte natural. E por isto mesmo, nos debruçamos sobre os mais pobres, ouvindo os clamores daqueles que estão sofrendo, porque nós temos que cuidar da vida e promove-la. É desta Esperança que falamos porque está selada por Cristo, Salvador do mundo, que morre na cruz e ressuscita para nos salvar. É esta Esperança que nos ilumina e nos faz como cristãos. Embora não tenhamos aqui a nossa Pátria definitiva estamos a trabalhar para que enquanto nesta Pátria terrena caminhamos possamos fazer dela um lugar bonito de amor e de fraternidade. A Igreja é um grande instrumento de salvação neste caminho e sempre como sinal de esperança.
Experiência de participar do Sínodo
“Eu agradeço a Deus por esta rica e desafiadora oportunidade de ter participado da preparação para o Sínodo, inclusive participando de um encontro com todos os padres Sinodais e peritos da Amazônia, porque nós no Brasil como Igreja e como sociedade, como eu tenho dito, precisamos “tomar um banho” de Amazônia para conhecer a sua riqueza, as suas tradições, seus povos, a beleza da Igreja e seus desafios missionários. Portanto, aqui foi uma oportunidade de fortalecer esta convivência, de escutar muito, porque a experiência Sinodal é uma experiência de escuta e quando a gente escuta a ação muda. Porque os clamores tocam, as palavras iluminam e do coração brota um novo modo da gente viver e compreender.
Por isto, ao me perguntarem como foi o Sínodo, terei a oportunidade de dizer: uma riqueza eclesial da mais alta importância. Um grande dom de Deus que todos aqueles que participamos somos chamados e desafiados a fazer com que toda esta riqueza se desdobre em serviço. Eu estou muito feliz por isto e tenho certeza que o Sínodo da Amazônia será uma grande riqueza fecundando o caminho missionário da Igreja no Brasil.
Por isto, me torno porta voz e servidor deste caminho como Igreja. E como primeiro servidor na presidência da CNBB que tem uma grande importância e que é o lugar de fecundar esta beleza bonita da colegialidade e da fraternidade entre os bispos de modo que fortalecidos, e colocando em comum coisas muito bonitas, possamos dar a beleza do caminho próprio de cada Igreja particular. Esta é uma grande riqueza e isto enche o coração de alegria e de gratidão”.
O aprendizado de ser uma Igreja sinodal
“Ao falar de Sínodo é importante pensar que o Concílio Vaticano II abriu este caminho para que a nossa Igreja seja sinodal, isto é uma Igreja que escuta, escuta o seu Deus, escuta o seu Evangelho, os clamores dos pobres, escuta uns aos outros. O Papa Francisco tem dito que é muito importante que, no tempo atual, na contemporaneidade, sermos uma Igreja sinodal, uma Igreja que escuta. Escutando é que nós podemos, de fato, deixar que o Espírito Santo fecunde o nosso caminho. Por isto, o Sínodo é um exemplo do que deve ser seguido toda Igreja particular, toda diocese, toda paróquia e comunidade. Também sinodal. Um lugar de escuta: escuta de Deus, do Evangelho, dos clamores e dos sofrimentos dos pobres e escuta uns dos outros no diálogo.
E foi isto que aqui experimentamos, com alegria. Posições diferentes, contribuições enriquecidas. Mas tudo na perspectiva bonita do amor de Deus e do serviço como Igreja. É por isto que nossa Igreja caminha e se torna forte. E ela será cada vais mais forte na medida em que for mais sinodal, portanto será fortalecida na comunhão, fiel às suas tradições, fiel ao seu Evangelho e fiel a tudo aquilo que é o tecido intocável da beleza mistérica da nossa Igreja. O Sínodo nos fortaleceu e por isto temos que fazer este caminho e que seja exemplar e um grande convite a todos participarem”.
Português como idioma no evento
“Eu fico muito feliz com o fato de o português, pela primeira vez, ser uma das línguas mais faladas num evento como o Sínodo porque é muito importante que todos os órgãos centrais da Igreja reconheçam a importância do português. Exatamente porque somos uma das maiores nações católicas do mundo, com uma conferência episcopal de grandíssima importância, um povo com riquezas e tradições muito bonitas. E juntando com outros povos que são também lusófanos, somos um grande grupo.
Por isto, é preciso que o português seja reconhecido nas transmissões e nos momentos. Isto tem crescido muito e o Sínodo de fato se tornou uma oportunidade para consolidar esta perspectiva. Inclusive porque grande parte da região Pan-Amazônia pertence ao Brasil, como mais de 20 milhões de habitantes e, portanto, esta é uma oportunidade bonita de consolidar o português e ao falar da língua nos remetemos a sistemas, tradições e valores”.
Presença do Papa
“O Papa Francisco é um homem de Deus, é um homem bom. Sua presença é sempre sinodal: acolhe a todos e está no meio de todos como aquele que serve e escuta. Também contribui. Cria um sentido muito profundo de família. Uma força muito singular de paternidade e que traz todo mundo a participar e a dizer o que sente e pensa. Faz a diferença a presença acolhedora, amorosa, fraterna e paterna do Papa Francisco. Somos muito agradecidos a ele. Por isto, vamos viver uma experiência muito bonita de comunhão, de amor filial e de adesão ao Papa Francisco e assim nos fortalecer. Seja este o caminho de toda nossa Igreja para que se torne mais forte nesta união bonita com aquele que é o sinal da unidade de toda a nossa Igreja. Estamos juntos neste caminho com muito carinho e muita fidelidade”.
Visita da presidência da CNBB ao Santo Padre
“Como é habitual a presidência da CNBB fazer, a cada ano, uma visita à Cúria Romana, do dia 28 ao dia 31 de outubro, a nova presidência da CNBB (dom Jaime Spengler, dom Mário Antônio e dom Joel Amado e eu), estará visitando as diferentes Congregações e Dicastérios do Vaticano e o para ouvir, compartilhar e encontrar sempre novos caminhos. Este caminho será coroado pelo nosso encontro com o Papa Francisco. Um momento de a gente reafirmar nossa adesão, nossa comunhão e também compartilhar nossas preocupações, desafios e tudo que nós estamos vivendo e fazendo para ouvir a sua palavra e suas orientações. E, ao mesmo tempo, fazer o nosso abraço, que é um abraço seu e meu, de todo povo brasileiro e de todos nós que somos discípulos e discípulas de Jesus, nos fortalecendo neste caminho com muita alegria.
Desejamos que este trabalho de comunicação a partir do Vaticano nos inspire. Porque estamos procurando também estrategicamente trabalhar a comunicação na CNBB que precisa acontecer em cada diocese, em cada paróquia e comunidade por meio de nossos meios (rádios, tvs, redes sociais) para que possamos cumprir a nossa tarefa bonita que é o mandato que o senhor Jesus nos Deus: ide e fazei discípulos meus entre os povos. Portanto, pregando o Evangelho. É o que estamos fazendo com muita alegria e simplicidade. Não há alegria maior que ser discípulo e discípula de Jesus. Vamos juntos neste trabalho para que no lugar de notícias falsas e tudo aquilo que ofende a dignidade das pessoas e de juízos inadequados que muitas vezes são espalhados, possamos oferecer uma comunicação que educa, abre corações, informa na verdade, que forma e nos faz cada vez mais discípulos e discípulas de Cristo”.
Sínodo discute as migrações e o papel da Igreja no acolhimento dos que se deslocam
A Amazônia se encontra entre as regiões com maior mobilidade interna e internacional na América Latina. Entre as causas das migrações estão questões sociopolíticas, climáticas, de perseguição étnica e econômica. A região se transformou num corredor migratório, como explicou o padre Sidney Dornelas, diretor do Centro de Estudos Migratórios Latino-Americanos, durante o Sínodo para Amazônia que está sendo realizado até o dia 27 de outubro, no Vaticano.
Um dos capítulos do Instrumentum Laboris, o instrumento de trabalho do Sínodo, dedica-se à migração. É o capítulo 3 da segunda parte. Nele, destaca-se a importância de se articular um serviço de acolhimento em cada comunidade urbana que permaneça alerta aos que chegam de forma imprevista, com necessidades urgentes; além de fomentar a integração entre migrantes e comunidades locais, respeitando a identidade cultural dassas pessoas.
Segundo o padre Sidney, a Igreja deve trabalhar em rede, também com as instituições, para responder às necessidades dos migrantes. Ele explica que isso já vem acontecendo em alguns lugares, devido à crise migratória que se instalou na Amazônia nos últimos dez anos.
“Muitos imigrantes do Haiti chegaram à região amazônica após o terremoto que abalou aquele país. Desde 2017, milhares de migrantes também vêm da Venezuela. São grandes fluxos de pessoas que atravessam a Amazônia. Alguns permanecem na região. A Igreja assumiu o papel de acolhimento dessas pessoas e complementou o trabalho do governo”, afirmou padre Dornelas.
O estudioso trouxe uma proposta ao Sínodo: “o que estou sugerindo aqui é repensar a cooperação entre as igrejas para ajudar esses imigrantes. As igrejas devem trabalhar em rede, para acompanhá-los, na Amazônia e nos grandes centros, para onde muitos se deslocam. É importante ter um organismo para atender a essa realidade missionária”, defendeu padre Dornelas.
Marcivana Rodrigues Paiva, liderança do povo Sateré-Mawé no Amazonas, trabalha com comunidades indígenas que se deslocaram para Manaus. Segundo Marcivana, atualmente há 45 povos indígenas morando na cidade, que falam 16 línguas diferentes, totalizando 35 mil pessoas.
“Na cidade o maior desafio é a invisibilidade. Quando alguém é invisível não tem direitos. Os indígenas ficam nessa condição porque não são incluídos no contexto urbano e sofrem preconceito. Perdem a identidade cultural e o próprio território. Temos um laço muito forte com a terra, nossa espiritualidade está centrada na terra. Por isso, os indígenas que vão às cidades precisam do apoio da Igreja, porque já chegam fragilizados”, explica a líder indígena.
Marcivana acredita que o trabalho da Pastoral Indigenista deve ser fortalecido: “a pastoral nos apoia e nos acompanha. Olha para os que estão desassistidos pelos governos e pelo poder público. A Pastoral Indigenista deve estar cada vez mais próxima na acolhida e no diálogo, na preservação da cultura e da língua própria”, finalizou.
Foto Por: Manuela Castro - CNBB
Subcomissão prepara encontro para refletir a celebração do Sacramento do Matrimônio
A subcomissão dos Sacramentos e Sacramentais da Comissão Arquidiocesana de Liturgia (CAL) realiza no dia 3 de novembro um encontro para os coordenadores da pastoral litúrgica, coordenadores da pastoral familiar e setor pré-matirmonial. O objetivo é ajudar as comunidades a preparar melhor as celebrações do Sacramento do Matrimônio.
O encontro será no salão paroquial da Paróquia São João Batista, em Pouso Alegre, entre 8h e 16h, começando com a Santa Missa. A assessoria será do padre Vanildo de Paiva.
As inscrições podem ser feitas até o dia 27 de outubro (inscrições aqui), num investimento de R$ 20,00 por pessoa. São três participantes por paróquia.
Dúvidas ou informações, entrar em contato com Giovana (9.9945-9541) ou Bruna (9.9970-1533).
Província Eclesiástica emite Carta ao Povo de Deus
Durante a 5ª Assembleia Pastoral da Províncial Eclesiástica de Pouso Alegre, realizada entre os dias 14 e 16 de outubro, os bispos das dioceses de Campanha, Guaxupé e Pouso Alegre, os coordenadores de pastorais e de setores, secretários de pastorais e assessores eclesiásticos do setor juventude emitiram uma mensagem a todos os fiéis. Essa carta quer estimular a todos na perseverança pastoral e unidade da Igreja.
"Sentimos a necessidade de fazer ressoar as palavras do Papa Francisco ao iniciar os trabalhos da Assembleia Especial do Sínodo para a Amazônia: “Viemos para contemplar, entender, servir os povos. E fazemos isso seguindo um caminho do sínodo, fazemos no sínodo, não em mesas redondas, não em conferências e discussões posteriores: fazemos no sínodo, porque um sínodo não é um parlamento, não é um salão, não está demonstrando quem tem mais poder na mídia e com mais poder na rede, para impor qualquer ideia ou plano", diz a carta.
Leia a mensagem na íntegra:
PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA DE POUSO ALEGRE - MG
ARQUIDIOCESE DE POUSO ALEGRE
DIOCESE DA CAMPANHA
DIOCESE DE GUAXUPÉ
Nós, bispos, padres coordenadores e secretárias de pastoral, vigários forâneos, coordenadores de setores e assessores eclesiásticos do Setor Juventude das dioceses de Pouso Alegre, Campanha e Guaxupé, nos reunimos no 5º Encontro Provincial de Animação Pastoral, em Poços de Caldas (MG), nos dias 14 a 16 de outubro de 2019. O encontro deste ano valoriza duas temáticas relevantes para a evangelização na atualidade: o Setor Juventude e o Sínodo para a Amazônia.
Iluminadas pelo Sínodo da Juventude, ocorrido em 2018, nossas realidades diocesanas têm buscado ter um olhar de acompanhamento aos seguimentos juvenis em suas diversas identidades, respeitando-as e lutando por uma maior comunhão entre elas, mediante um trabalho árduo do Setor Juventude. Conscientes dos muitos desafios desta evangelização específica e da importância da mesma para a Igreja, buscamos pistas para dar continuidade a este trabalho.
Sentimos a necessidade de fazer ressoar as palavras do Papa Francisco ao iniciar os trabalhos da Assembleia Especial do Sínodo para a Amazônia: “Viemos para contemplar, entender, servir os povos. E fazemos isso seguindo um caminho do sínodo, fazemos no sínodo, não em mesas redondas, não em conferências e discussões posteriores: fazemos no sínodo, porque um sínodo não é um parlamento, não é um salão, não está demonstrando quem tem mais poder na mídia e com mais poder na rede, para impor qualquer ideia ou plano. (...) O Sínodo está caminhando junto sob a inspiração e orientação do Espírito Santo. O Espírito Santo é o ator principal do sínodo”.
Exortamos os fiéis de nossas comunidades a se informar e a acolher, sem temor, o Sínodo dos Bispos como lugar de comunhão e colegialidade com o legítimo sucessor de Pedro e com os bispos. Recomendamos que conheçam melhor a Igreja presente na região Pan-Amazônica e seus desafios, refletindo as propostas sinodais e os novos caminhos que surgirão do Sínodo. Bebamos em fontes de água pura e aguardemos, com alegria e esperança, as conclusões da Assembleia Especial e seus encaminhamentos.
Manifestamos nossa obediência filial e fraternal ao Santo Padre, renovamos nossa comunhão com ele e com os bispos reunidos no Sínodo e nossa fidelidade ao Magistério da Igreja.
Suplicamos à Virgem Maria, Senhora Aparecida, e ao jovem patrono da Ecologia, São Francisco de Assis, que intercedam pelo caminho que estamos percorrendo juntos (synhodòs) como Igreja em saída no Sul de Minas.
Cum Petro et sub Petro.
(Com Pedro e sob Pedro)
Poços de Caldas, 16 de outubro de 2019.
Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R
Arcebispo de Pouso Alegre
Dom Pedro Cunha Cruz
Bispo da Campanha
Dom José Lanza Neto
Bispo de Guaxupé









