#Reflexão: 11º Domingo do Tempo Comum (14 de junho)

A Igreja celebra o neste domingo o 11º domingo do Tempo Comum (14). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ex 19,2-6a
Salmo: 99(100),2.3.5 (R. 3c)
2ª Leitura: Rm 5,6-11
Evangelho: Mt 9,36-10,8

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POVO ELEITO E SACERDOTAL

            Como no domingo passado, também hoje encontramos Jesus que, mais uma vez, está atento às necessidades das pessoas. Ele sempre se interessava pelo ser humano em toda sua integridade. Mas, também vemos o Mestre Jesus, ao mesmo tempo, lamentar que são muitos que necessitam ser amparados e cuidados e poucos aqueles que se dispõem.

Jesus via as multidões que iam ao seu encontro. Necessitavam ser acolhidas em suas necessidades e nos seus desafios pessoais, desde coisas espirituais como também materiais. O lamento de Jesus não é porque Ele tem muito serviço, mas porque em outros tempos, nem sempre haverá pastores que se interessem realmente por seu rebanho. Jesus se doou ao extremo e até o fim, mas a necessidade de acudir as multidões permanecerá mesmo depois Dele.

Ouvimos no início do Evangelho: Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Tudo nasce do olhar preocupado de Jesus. Ele pensa nas pessoas que O procuravam, não em seu tempo (que Ele poderia cuidar). Jesus se compadece em perceber que poderiam ficar sem pastores para animar as ovelhas cansadas e cuidar daquelas que estivessem abatidas.

Diz ainda Jesus, que a missão é constante e o trabalho não vai ter fim, pois a “messe é grande”. Em todos os tempos até o final da história, sempre haverá pessoas que precisarão conhecer Jesus. Completa Nosso Senhor que os operários são poucos, isso é, pessoas que se coloquem a serviço de Deus, para servir seu povo. Mas, é fundamental que sejam “operários” e não “donos do rebanho”; que sejam servos como Jesus foi servo da vontade de Deus junto ao seu povo.

            Vemos, infelizmente, que estão aumentando aqueles que exploram o povo de Deus, que se enriquecem não como operários que se identificam com Jesus e com a sua vida, mas como donos e proprietários. Jesus quer que os verdadeiros operários nunca percam de vista que são discípulos e que o dono da messe é Deus Pai. Somos simples servidores na messe do Senhor.

Os operários de Jesus nascem da oração do seu povo. O dono da Messe chama sempre operários, e o povo precisa continuar rezando e pedindo, mas para que tantos e tantas respondam, generosamente, ao chamado do Dono da Messe. A Igreja de Jesus pertence a Deus Pai, Ele é o dono da messe, mas precisa de nós e necessita ainda de alguns que se coloquem como operários para cuidar e animar o seu povo: fazer o que Jesus fez.

Jesus, assim, antes de selar a Nova Aliança com seu Sangue, escolheu os apóstolos entre os discípulos com a missão de dar continuidade na história da sua missão. Eles tiveram e tem a missão de tornar todas pessoas, em todos os tempos e na história, discípulos e discípulas em uma nova nação dos filhos e filhas de Deus.

            Cuidar do seu povo, já era um sinal marcante da ação de Deus desde sempre. Na primeira leitura e no Evangelho, a ideia chave é “povo eleito”. A leitura situa-se no momento em que Deus dá a Moisés os 10 Mandamentos e que a saída do Egito e o caminho pelo deserto, tudo é obra de Dele e sinal da predileção sobre os seus filhos e filhas.

A forma de cuidado e de carinho em relação à “casa de Jacó” e aos “filhos de Israel” aparece na imagem da águia que carrega a todos sobre suas asas. Esta ave voa a uma altura que nada pode atingir. Não há nenhuma ave ou animal acima da águia, ela está bem perto do céu. Voa e se desloca a uma grande velocidade tornando difícil ser atingida. Em seguida, Deus chama atenção sobre as condições e atitudes necessárias para o seu povo. Deus faz sua parte, mas é fundamental que o povo chamado e escolhido, também faça a sua parte:ouvir a minha voz” e “guardar a minha aliança”.

A aliança estabelecida com o povo no Monte Sinai foi um pacto de responsabilidade onde Deus se responsabiliza em cumprir sua parte e o povo também em observar sua aliança. Os 10 Mandamentos são a condição necessária para que Deus continue abençoando seu povo. Assim, observar os Mandamentos é se colocar em condição e abertura para as bênçãos e graças que o povo necessita.

O pacto de compromisso tornaria, então, aquela gente um povo, uma nação especial. Não separa os filhos de Jacó e Israel dos demais, mas consagra a todos para serem especiais no meio das demais nações. Povo escolhido = o próprio Deus escolheu a todos e agora todos pertencem a Deus; Um povo com uma identidade e uma missão especial em toda a terra. Reino de sacerdotes = Um povo inteiro como oferente a Deus; observar a aliança é oferecer a Deus, dons e dádivas; não pessoas exclusivas como especiais e únicas diante de Deus, mas toda a nação. Nação Santa = observar a aliança e guardar os mandamentos e tornar todos próximos de Deus, é o caminho para a santidade no AT.

No Evangelho, temos agora não mais Moisés como um líder que anuncia a vontade de Deus, mas o próprio Deus, Jesus, que escolhe um novo povo, dando continuidade à história da Salvação. Os apóstolos são o novo “povo sacerdotal”, eleitos e chamados diretamente por Jesus. E depois deles, todos que abraçarem a mesma fé.

São Paulo na 2ª leitura aos romanos nos lembra que todos temos uma origem comum de pecadores e longe de Deus. Jesus não morreu para “um povo”, “um grupo”, mas para toda a humanidade. Por isso, todos precisam conhecer esse dom especial de Deus para todos os homens e mulheres em todos os tempos.

A escolha dos apóstolos não os torna únicos, mas os primeiros que deverão anunciar como um “sinal” visível da nova realidade do povo de Deus. São missionários e anunciadores de Jesus para tornar todos, novos filhos e filhas de Deus. No início do Evangelho de Mateus, Jesus já tinha chamados alguns apóstolos onde eles estavam trabalhando: Pedro e seu irmão André; Tiago e seu irmão João. Eles eram pescadores e Jesus os convidou a serem com Ele, “pescadores de homens”. Agora Jesus convida alguns escolhidos do meio dos discípulos a serem operários na Messe do Senhor.

Jesus se revelou um mestre diferente: não teve escola, ensinava nas praças, nas estradas e nas vilas. Ele não se interessou e não se interessa pelos bens materiais das pessoas, pois o bem maior e mais precioso é cada pessoa com seus sentimentos e histórias. Ele não pede nada, não exige nada, mas oferece consolo e alento a cada pessoa perdida, doente e cansada.

Mateus assinala que era necessário que o seu povo, o povo judeu, sua gente mais próxima, povo que já conhecia a história dos antepassados e da antiga aliança, fosse o primeiro a receber a boa nova da Salvação de Jesus. Mas, os discípulos enquanto Jesus estava com eles, deveriam anunciar somente aos judeus; no final do seu Evangelho, Jesus manda os discípulos anunciarem a todo mundo.

São doze nomes de homens escolhidos no meio dos discípulos para jamais se esquecerem que devem continuar a viver como discípulos. O número doze representa os doze filhos de Jacó que se tornaram as doze tribos e depois o único povo de Deus. “Doze”: número dos escolhidos para fundar nova representação da nação de Deus neste mundo.

Jesus insiste que os apóstolos deveriam se ocupar do bem-estar de todos: doenças, ações do mal etc. Eram os males que mais atingiam o povo da época. Ocupar-se das pessoas, de suas angústias e aflições. Pois o que marca a vida de Deus e diferenciava dos demais Mestres da época era a gratuidade: “De graça recebestes, de grava deveis dar”.

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#Reflexão: 10º Domingo do Tempo Comum (07 de junho)

A Igreja celebra o neste domingo o 10º domingo do Tempo Comum (07). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Os 6,3-6
Salmo: 49(50),1.8.12-13.14-15 (R. 23b)
2ª Leitura: Rm 4,18-25
Evangelho: Mt 9,9-13

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VEM E SEGUE-ME

            Depois de termos celebrado os grandes mistérios da nossa fé: Santíssima Trindade e a celebração Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, retomamos nossa caminhada cotidiana dominical, este ano, rezando e refletido São Mateus. Os momentos marcantes de nossa história (os bons e os ruins) revelam sempre algo que define a nossa caminhada. Mas, também no dia a dia de nossa existência, somos chamados a experimentar a presença de Deus como vemos no exemplo do evangelista Mateus.

No Evangelho deste domingo, temos o momento decisivo que Mateus experimentou algo que definiu sua vida. Não foi a partir de um milagre ou um grande prodígio, mas a partir de um olhar e de algumas palavras. O evangelista possuía uma profissão que de um lado lhe dava uma posição social muito boa, possuía um bom salário; por outro lado, por cobrar impostos, ele era considerado um traidor, pois trabalhava para os romanos opressores, tocava na moeda que tinha a imagem do imperador e muitos deles se enriqueciam de forma ilícita ao cobrar as taxas exigidas pelo império, assim, os “publicanos” (cobradores de impostos) eram considerados também ladrões (veja o caso de Zaqueu). Mateus tinha sua vida social definida, mas lhe faltava um sentido profundo dentro de si mesmo. Um vazio que precisava ser preenchido.

            Mateus era um homem sozinho, estava sentado no balcão de impostos. Alguém lhe notou, não com desprezo, como um traidor ou um ladrão, mas com um olhar acolhedor que cruzou o seu olhar. Bastou uma palavra: “Segue-me”. E Mateus descobriu algo que nunca tinha experimentado; o cobrador de impostos abandonou, por um olhar e por uma palavra, a lógica tranquilizadora do dar e do ter, deixou tudo e foi atrás de Jesus, sem calcular mais nada, sem sequer se perguntar para onde ia (Ermes Ronchi).

O centro da cena é todo de Cristo. Não foi a palavra “segue-Me” a razão de deixar tudo, mas sim, a pessoa de Cristo que é a causa, o sentido, o último horizonte. Mateus foi “convertido” a Jesus, porque Cristo o envolveu com seu olhar e não tinha raiva, nem ódio ou preconceito. No olhar de Cristo, Mateus descobriu alguém capaz de lhe dar um sentido profundo e único em sua vida. A vocação não começa com sacrifícios ou renúncias, traz sobretudo um crescimento de seres humanos. De fato, na casa de Mateus, antes era uma vida solitária, veste-se de festa, está cheia de rostos, de amigos. São acolhidos como pessoas necessitadas, são recebidos como são, ainda marcados com feridas sociais e religiosas (publicanos e pecadores), mas Jesus os trata como pessoas. Certamente, na convivência, no acolhimento e ao redor de um prato de comida, experimentam um sentido e uma motivação para mudarem de vida. É o amor que nos converte, pois foi o amor que nos salvou na Cruz. E se Mateus pudesse responder, diria que se converteu a Cristo porque viu Cristo se converter a ele (Ermes Ronchi).

Jesus se espanta com o apego das pessoas que insistem em machucar quem já está doente; em oprimir quem já vive na opressão dos preconceitos e do abandono. É uma visão manchada por leis que não promovem vida, mas que se afundam ainda mais na miséria humana.

“Não quero sacrifícios!”, disse Jesus tentando tirar seus acusadores de uma doença tão maléfica quanto aos pecados: o preconceito. Esse determina que a pessoa não existe mais, mas somente seus erros e pecados; olham para as leis e não conseguem enxergar pessoas machucadas e feridas. Jesus alerta que a religião não deve ser um simples sacrifício ou uma mortificação. O louvor mais profundo a Deus deve ser a vida plena.

Jesus se põe a mesa com Mateus, o Mestre se aproximou daquele que era o último para transformá-lo em amigo e discípulo. Mateus experimentou que o princípio da salvação não está em um simples jejum por Ele, mas em Jesus e comer com ele. Cristo nos cura estando conosco: sua proximidade é um remédio, um fluxo de vida que Ele nos entrega junto com novos caminhos, festas, sonhos e comunhão. “Eu não vim chamar os justos, mas pecadores”, mas qual é o mérito dos pecadores? Nenhum. São aqueles que não conseguem, que não estão à altura, mas descobrem um Deus que parou para olhar para eles. Deus não se merece depois de sacrifícios, mas simplesmente deve ser acolhido. Religião não é sacrifício: ela cura a vida, a faz brilhar; não é a mortificação que dá louvor a Deus, mas uma vida plena, forte e vibrante. (Ermes Ronchi).

Jesus sempre encontrou dificuldades muito mais entre os religiosos da época do que nas pessoas simples e entre os pecadores. Ele era livre e sem preconceitos, pois colocava a pessoa e os seus sofrimentos no centro de tudo. Sua palavra era sempre de apoio, de reerguimento e de alento. As dores e os sofrimentos das doenças e dos pecados já eram grandes para aquela gente que não podia contar com mais nada até mesmo esperar algo da religião e dos seus guias.

As palavras daquelas pessoas confirmavam o abandono de todos e afirmavam ainda que até Deus os tinha abandonado. Mas, não o Deus que Jesus veio anunciar e revelar. Excluído por todos, Jesus procurou mostrar que Deus não concordava com aquelas ideias. Que Deus é sempre bom e pronto a perdoar e a curar. E Jesus mostra que sua bondade possui uma grande esperança em cada pessoa: ninguém é último, ninguém está perdido, todos têm um futuro e não um passado que aprisiona e sufoca o presente. Nosso Deus tem um olhar para o futuro e não é apegado ao passado.

O profeta Oseias (1ª leitura) procura lembrar seu povo da grandeza de Deus que mesmo diante de nossas fraquezas e inconstâncias, Ele é sempre fiel a nós. Deus espera do seu povo, gestos profundos de amor e misericórdia e não de condenação.

Paulo (2ª leitura) nos lembra da fé e da esperança de Abraão, que mesmo diante de desafios imensos, colocou toda sua confiança em Deus. Ele acredita em Deus sem ter o exemplo de ninguém. É desafiado em suas escolhas, tendo somente uma promessa. Acredita sem pedir provas, mesmo quando tudo se mostra incompreensível e que a sua razão não consegue entender, Abraão prefere ficar com a promessa de Deus.

Somos o povo difícil que não age como Deus age, mas insistimos em trilhar caminhos que aprofundam nossas dores e sofrimentos; pessoas são abandonadas e em muitos casos usando o nome de Deus. Misericórdia é olhar o rosto de cada pessoa, não seus pecados; e pegar nas mãos dos fracos e enfraquecidos pelos pecados e não em pedras para machucar ainda mais quem já está tão ferido. É seguir Jesus que também nos convida a fazer o que Ele fez; viver como Ele viveu e amar com Ele nos amou.

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Profissão de fé petrina: o coração do evangelho segundo Marcos

 

Inspirado pelo testemunho de fé do seu catequista, o apóstolo Pedro, Marcos transmitiu a verdade do Evangelho à Igreja de Roma, que colocou por escrito os seus ensinamentos. Devido à influência que o chefe da comunidade apostólica exerceu sobre o evangelista, é impossível ao leitor não perceber a importância que aquela figura ocupa no texto de Marcos. Pedro é descrito pela comunidade do primeiro evangelho como um modelo de discípulo do Senhor, apesar de suas fraquezas e contradições: ao compilar a catequese do apóstolo, Marcos o constituiu um exemplo para que os cristãos de Roma compreendessem como deveriam viver a fé em Cristo Jesus.

Para conduzir seus leitores à compreensão de quem é Jesus e de como deve ser o seu verdadeiro discípulo, Marcos organizou o seu texto em duas partes, cujo marco divisório é a solene profissão de fé petrina (cf. Mc 8,27-33): na primeira parte, o evangelista faz uma clara descrição da identidade divina do Homem de Nazaré, para confirmar que ele é o “Filho de Deus” (Mc 1,1); na segunda, o autor explica o que é ser discípulo do Filho de Deus. Antes de qualquer abordagem específica das duas seções do evangelho, é fundamental aproximar-se do seu coração, isto é, a profissão de fé que Pedro realizou, atestando que Jesus é o Cristo, o ungido de Deus para a salvação do mundo.

Estando com os seus discípulos a caminho das aldeias de Cesareia de Filipe, uma antiga região de culto pagão grego, Jesus lança uma das mais paradigmáticas perguntas que poderia fazer àqueles que o acompanhavam há anos: “quem dizem os homens que eu sou?” (Mc 8,27). Não por acaso, esse questionamento foi realizado enquanto caminhavam na direção de um local em que os deuses mitológicos eram cultuados: Jesus quer saber se, em meio à pluralidade de crenças que havia no ambiente cultural em que seus seguidores se encontravam, eles o reconheceriam como o Filho do Deus único. A resposta dos discípulos deixa claro que o povo em geral desconhecia a verdadeira identidade de Jesus, confundindo-o com João Batista, Elias ou algum outro profeta (cf. Mc 8,28).

O fato é que Jesus não estava preocupado com aquilo que o povo dizia a seu respeito; sua pergunta tinha o objetivo de descobrir o que seus amigos, aquele grupo que convivia mais proximamente com ele, estavam compreendendo sobre o seu modo de ser, de ensinar e de agir: “e vós, quem dizeis que eu sou?” (Mc 8,29). Demonstrando seu apreço por Pedro, o evangelista Marcos coloca na boca do pescador a afirmativa mais eloquente de seu livro: “Tu és o Cristo!” (Mc 8,29). É justamente no reconhecimento de Jesus como o ungido de Deus, como aquele que foi enviado por Deus para salvar o seu povo, que se encontra o resumo teológico do evangelho segundo São Marcos.

Vale lembrar que o título Cristo, de origem grega (Χριστός), deriva do verbo ungir (χρίω, chrio), e é utilizado no Segundo Testamento em alusão ao Messias, o salvador prometido pelo Primeiro Testamento. Ao atribuir a Jesus esse título, Pedro, enquanto chefe dos apóstolos e em nome deles, reconheceu a divindade do Homem de Nazaré, que foi enviado ao mundo pelo Pai “para servir e dar a própria vida como resgate por muitos” (Mc 10,45). No texto marcano, portanto, o personagem Pedro representa a Igreja cristã ao professar a fé em Jesus: à semelhança dele, os leitores do evangelho são chamados a admitir que “realmente este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39).

Embora estivesse certo em relação ao título, o apóstolo foi repreendido por Jesus a não falar sobre a sua identidade para ninguém (cf. Mc 8,30), e essa atitude de escondimento se repete ao longo de todo o evangelho: trata-se do segredo messiânico de Marcos. O evangelista, no decorrer de sua obra, apresenta Jesus sempre pedindo para que sua identidade de Filho de Deus não seja revelada; o Senhor fez isso em relação aos demônios que expulsou (cf. Mc 1,25.34; 3,11-12), às pessoas que curou (cf. Mc 1,44; 5,43; 7,36; 8,26) e aos seus próprios discípulos (cf. Mc 8,29-30; 9,9). Ao guardar o segredo messiânico durante o desenrolar da narrativa evangélica, criando uma certa expectativa para o desfecho de seu enredo, Marcos prepara o leitor para viver o clímax da cruz, uma vez que somente nela é que a verdadeira identidade de Jesus poderá ser revelada (cf. Mc 15,39).

O recurso teológico ao segredo messiânico garante que a identidade de Jesus seja compreendida à luz de sua páscoa e não dos milagres que realizou, uma vez que o povo de Israel aguardava a chegada de um Messias guerreiro e não de um Servo sofredor. A incompreensão que poderia haver por parte do povo em relação à pessoa de Jesus, caso a sua identidade fosse revelada prematuramente, pode ser observada na postura de repreensão que Pedro adotou depois que o Filho de Deus explicou quem, de fato, ele era: “e começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muito, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, e fosse morto, mas ressuscitasse depois de três dias” (cf. Mc 8,31).

O entendimento militarizado que Pedro possuía do Cristo, graças à sua formação religiosa e política judaica, segundo a qual o Messias devia ser um soberano vingativo (cf. Nm 24,17-19; Sl 2,8-9; 110,1-6; Is 9,6-7; 42,13; 59,16-17; 63,1-4), pronto para salvar Israel e garantir-lhe a glória entre todas as nações da terra, o impediu de reconhecer em Jesus aquilo que ele é: o Servo sofredor que, sendo rejeitado e morto pelos filhos dos hebreus, ressuscitou, produzindo pela sua cruz a salvação da humanidade inteira. Dessa forma, ao proclamar Jesus como o Cristo, Pedro acertou quanto ao título, mas não compreendeu o seu novo significado em Jesus: ele falou de um Cristo guerreiro e Jesus se autodefiniu como o Cristo Servo sofredor.

Como se pode notar, a narrativa da profissão de fé de Pedro é o marco pedagógico que divide o evangelho segundo Marcos, porque através dela o autor corrige possíveis distorções em torno da pessoa e da obra de Cristo. Após dedicar os oito primeiros capítulos do livro para explicar quem é Jesus, o evangelista mostra que, mesmo diante de tudo aquilo que o Cristo revelou de si próprio, assim como Pedro, muitos cristãos poderiam ainda não entender a sua verdadeira messianidade: Mc 8,27-33 é uma revisão da primeira parte do evangelho, que trata da identidade de Jesus, ao mesmo tempo em que inaugura, com sua visão adequada sobre quem é o Cristo, a seção sobre o modo como devem viver os seus seguidores.

Assim como Pedro, cuja profissão de fé revelou uma genuína adesão à pessoa e à obra de Jesus, apesar de seu limitado entendimento a respeito da real identidade daquele nazareno que era Filho de Deus, os leitores do evangelho são convidados a proclamar sua fé no Cristo. O coração do evangelho segundo Marcos revela que não basta a correta atribuição do título cristológico a Jesus, mas que é preciso ultrapassar compreensões superficiais e acolher o mistério do Messias Servo sofredor, cuja missão se realizou na entrega de si. Dessa forma, professar que Jesus é o Cristo implica assumir também as exigências do seguimento, configurando a própria vida à lógica do serviço, da cruz e da esperança na ressurreição.

Imagem de Jacques Savoye por Pixabay


CrismaFest 2026

No dia 24 de maio de 2026, a quadra do Colégio São José foi palco do Crismafest, um evento religioso que reuniu jovens, crismandos e crismados,  em uma jornada de fé e celebração. Com o tema "Da mesa ao mundo: Jovens eucarísticos em missão" e o lema “Recebereis o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas” (At 1,8), o evento ajuda  o fortalecimento da espiritualidade e o compromisso dos participantes com a missão na Igreja.

A programação do evento foi repleta de atividades significativas, começando às 8h com a recepção e um café da manhã, seguido por momentos de música e animação com o grupo Oásis, que animará o encontro.

Os participantes tiveram a oportunidade de refletir sobre o lema e o tema em apresentações interativas, incluindo um teatro sobre o Espírito Santo e testemunhos de fé de famílias. No Ano Eucarístico, o Crismafest também incluiu momentos de adoração e uma Santa Missa, presidida por Dom Majella.

O Crismafest é uma experiência enriquecedora para os jovens, incentivando a vivência da fé de maneira ativa e engajada na comunidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


#Reflexão: Solenidade da Santíssima Trindade (31 de maio)

A Igreja celebra o neste domingo a Solenidade da Santíssima Trindade (31). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ex 34,4b-6.8-9
Salmo: Dn 3,52.53.54.55.56 (R. 52b)
2ª Leitura: 2Cor 13,11-13
Evangelho: Jo 3,16-18

Acesse aqui as leituras.

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE

Domingo passado, encerramos o Tempo Pascal com a solenidade de Pentecoste, quando o Espírito Santo é derramado sobre a Igreja reunida e assim, completa-se a revelação importantíssima de nossa fé: a Santíssima Trindade. Costumamos introduzir a explicação sobre a Trindade falando que é um “grande mistério” (talvez o maior deles) e, por isso, não conseguimos explicar todos os detalhes:  Três pessoas, mas somente um só Deus. Mas, a melhor forma de explicarmos este mistério de nossa fé, é olhar para Jesus Cristo: Conhecer Jesus é conhecer a Trindade. Ele mesmo diz: “ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou” (Jo 1,18).

Afirmar que algo em nossa fé é um “mistério” não é uma vergonha para nós, mas uma realidade: somos simples criaturas e jamais conseguiremos penetrar, entender e compreender aquilo que é o mais profundo da realidade divina. No entanto, todo mistério é possível dizer muito, mas jamais tudo o que ele é; podemos compreender os principais pontos sobre o mistério, necessários e suficientes para nossa fé, mas sem poder afirmar todos os detalhes e responder todas as perguntas. Um mistério de fé sempre mostra a nossa limitação em compreender tudo de Deus, por isso, Jesus sempre insistiu no principal: “Tu me amas?” (pergunta que Jesus ressuscitado fez a Pedro).

Na 1ª leitura temos uma revelação especial de Deus para Moisés no alto da montanha. Deus vem ao encontro e se aproxima de Moisés pronunciando seu Nome Santo e suas qualidades. É um Deus cheio de misericórdia, clemente, paciente, rico em bondade e fiel. Para o autor sagrado, a grandeza do amor de Deus, necessariamente, O impele também a corrigir os erros e pecados de seus filhos, por isto Moisés confia na misericórdia e no perdão de Deus.

Jesus faz outra estrada para revelar esta relação profunda que existe entre as três pessoas da Trindade: relação familiar. Deus é Pai e Mãe, Jesus é o Filho e o Espírito Santo é o amor que tem o Pai pelo Filho. Muito mais do que definir a Trindade, Jesus escolheu testemunhar a sua profunda relação com o Pai.

Sabemos que é a “divindade” aquilo que existe e que une as Três Pessoas em um só Deus. Assim, Deus é muito mais que uma ideia, ou uma definição, ou uma força que movimenta tudo e sustenta o universo: Jesus nos revela que Nosso Deus é Pai! E esta realidade, nós conhecemos e encontramos em nosso quotidiano.

Em nossa realidade diária, se alguém somar 1+1+1 o valor final é 3. Mas, em Deus tudo é diferente: na manifestação externa da Trindade na história são três pessoas; internamente tudo é “multiplicado” (1x1x1=1). Mas, a Trindade não é uma sequência de números ou simples aritmética, mas pessoas e com uma missão bem definida para cada um.

A reflexão da Igreja ao longo dos séculos nos ajudou a entender que é a “essência divina”, a condição fundamental para a compreensão da Trindade, mas Jesus nos mostrou que é o Amor, a maior verdade e a mais profunda revelação que perdura entre as Três Pessoas da Trindade.

O catecismo da Igreja afirma: “As três Pessoas divinas são um só Deus, porque cada uma delas é idêntica à plenitude da única e indivisível natureza divina. Elas são realmente distintas entre si, pelas relações que as referenciam umas às outras: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho” (Cat 48); “Inseparáveis na sua única substância, as Pessoas divinas são inseparáveis também no seu operar: a Trindade tem uma só e mesma operação. [O Pai cria, o Filho Salva e o Espírito Santo Santifica]. Mas no único agir divino, cada Pessoa está presente segundo o modo que lhe é próprio na Trindade” (Cat 49).

No Antigo Testamento, a imagem mais comum de Deus é que Ele é Criador; e Jesus completa nos falando que Deus é Pai, uma realidade próxima da nossa existência humana e com uma relação contínua e profundamente afetiva que conhecemos muito bem. Deus é Criador de tudo, mas o faz com a mesma responsabilidade e profundidade que um pai e uma mãe dão a luz a um filho ou filha.

Deus é nosso Pai e, segundo Jesus, é Pai de todas as pessoas sem discriminação ou condição. Nosso Deus não é uma ideia ou um princípio, mas paixão e relação pessoal com cada homem e cada mulher deste mundo. É presença em sua Igreja como na 2ª leitura. Assim, entendemos que a “relação” entre as pessoas da Trindade é marcada pelo amor em plenitude e total doação. Junto com a relação, compreendemos que nas três pessoas há uma profunda comunhão. O amor pleno que existe entre o Pai e o Filho é o Espírito Santo.

No diálogo entre Jesus e Nicodemos, retratado no Evangelho deste domingo, Cristo concentra-se sobre aquilo que constitui a realidade interna da Trindade e que todos nós podemos experimentar: o Amor. Deus tudo realizou movido sempre pelo Amor. Jesus diz ao receioso fariseu que o nome de Deus não é amor somente, mas “amor pleno e total”. Deus nada faz senão considerar o mundo, todo ser humano, mais importante do que Ele mesmo. Para comprar e resgatar cada um dos pecados, Ele se perdeu na “loucura” da cruz aos olhos do mundo, mas para nós, é no alto do madeiro que tudo renasce: todo ser nasce e renasce do coração de quem o ama. O ponto máximo na história humana da manifestação deste Amor foi a entrega de Jesus na cruz: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho”. Assim, a doação de Jesus para nos salvar e até mesmo o seu sacrifício na cruz não devem ser entendidos como consequência dos nossos pecados, mas como iniciativa e expressão do grande amor de Deus: não foram os nossos pecados que arrastaram Jesus até a Cruz, mas sim o Seu Amor por todos nós. Jesus escolheu sofrer e morrer por nós, para provar a força do amor. Ele tudo fez movido pelo amor e em sua plena liberdade, pois somente o amor doado ao extremo é capaz de vencer todo pecado e até mesmo a morte.

Papa Bento XVI (2009) explicou assim esta solenidade:

“Hoje contemplamos a Santíssima Trindade como Jesus nos deu a conhecer. Ele revelou-nos que Deus é amor ‘não na unidade de uma só pessoa, mas na Trindade de uma só substância’ (Prefácio): é Criador e Pai misericordioso; é o Filho Único, a eterna Sabedoria encarnada, que morreu e ressuscitou por nós; é, finalmente, o Espírito Santo que move tudo, cosmos e história, rumo à plena recapitulação final. Três Pessoas que são um só Deus porque o Pai é amor, o Filho é amor, o Espírito é amor. Deus é todo e único amor, amor puríssimo, infinito e eterno. Ele não vive em uma solidão esplêndida, mas é uma fonte inesgotável de vida que se dá e se comunica incessantemente. (...) O ‘nome’ da Santíssima Trindade está, de certo modo, impresso em tudo o que existe, porque todo ser, até as últimas partículas, é ser em relação, e assim transparece a relação com Deus, em última instância transparece o Amor criador. Tudo vem do amor, tende para o amor e se move movido pelo amor”.

A Trindade é algo em Deus que jamais conseguiremos – como criaturas que somos – compreender e entender perfeitamente, é como um imenso oceano de águas profundas que nunca conseguiremos abraçar com o nosso conhecimento. Mas, diante deste profundo mar de amor somos chamados a mergulhar e beber de sua mais expressiva realidade que cria, salva e santifica tudo: o amor.

Na celebração de hoje somos convidados e entrar não no mistério e dentro da Trindade, mas entrar dentro do profundo sentido do Amor. Deus cria o mundo movido pelo amor e para nós; nos salva não por nossos méritos, mas movido pelo amor; O mesmo Espírito que une o Pai e o Filho, Amor Divino, é derramado sobre sua Igreja. Somente o amor tem a força de tocar o coração e mudar cada pessoa.

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#Reflexão: Solenidade Domingo de Pentecostes (24 de maio)

A Igreja celebra o neste domingo a Solenidade de Pentecostes (24). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: A 2, 1-11
Salmo: 103 (104)
2ª Leitura: Cor 12, 3b-7.12-13
Evangelho: Jo 20, 19-23

Acesse aqui as leituras.

DOMINGO DE PENTECOSTES

(Missa do dia)

            Neste domingo festejamos a solenidade de Pentecostes. É a celebração da vinda do Espírito Santo sobre a Igreja de Jesus. Lucas nos Atos dos Apóstolos (1a leitura) usa diversos sinais e imagens para contar este grande evento para todos nós.

A missão de Jesus neste mundo não terminou com a sua ascensão (subida) aos céus. Tudo que Ele realizou em um lugar definido e em momento da história não podia permanecer restrito e limitado a poucas pessoas. A redenção operada por Jesus (com sua morte e ressurreição), mas principalmente o seu projeto de amor para com toda humanidade, tudo deveria ser proclamado a todas as pessoas em todos os tempos. Assim, Jesus muda o seu modo de agir e operar neste mundo. Através da sua Igreja, Cristo torna-se perpetuamente presente na história.

Mas, aqueles discípulos escolhidos por Jesus deveriam também passar por uma profunda transformação. A vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos em oração provoca uma manifestação nova e diferente de Deus neste mundo e ao mesmo tempo transforma cada fiel discípulo em presença de Deus na história.

Jesus já tinha mencionado o que significa o Espírito Santo. Ele é o Paráclito (defensor), o Consolador e o Advogado na vida de cada pessoa que O recebe. Em outras palavras, o Espírito Santo é o próprio amor de Deus presente em nossas vidas. Lucas procura narrar aquele momento usando vários sinais para mostrar que foi mais uma grande manifestação de Deus neste mundo; mais uma revelação especial que deve ser recordada pra sempre.

Na primeira leitura, Lucas conta que da parte dos discípulos tudo estava preparado: estavam juntos e reunidos. O “Espírito Santo vem do céu” não é fruto de qualquer esforço dos apóstolos, mas foi dado por Deus. Os sinais apresentados no texto dos Atos dos Apóstolos (som, vento impetuoso, tremor, línguas de fogo...) recordam as grandes revelações e manifestações de Deus no AT: o Pentecostes é a definitiva manifestação de Deus que completa a missão de Jesus. Ele é gratuito e desce sobre todos indiscriminadamente. O Espírito Santo é dom de Deus para sua Igreja que é formada por cada pessoa batizada, assim, todos têm o mesmo dom e por isto o mesmo valor dentro da Igreja de Cristo.

O Espírito Santo impulsiona todos a falar e a se manifestar; anima cada um para o louvor e para a ação de graças, com preces e um novo modo de rezar. Ele age em quem proclama Jesus Cristo e também atua em quem escuta. Lucas nos diz que muitos ouviram os apóstolos e discípulos que rezavam e proclamavam as maravilhas de Deus e mesmo sendo que países diferentes, ouviam em suas línguas o mesmo anúncio da Boa Notícia de Deus para todos.

O Espirito Santo é o Deus da liberdade e do movimento como o vento: vai para onde deseja; sempre em movimento, sempre trazendo a brisa, ou o vento que move os barcos nos mares através de suas velas, ou um furacão que transforme tudo que encontra. Os apóstolos estavam fechados no cenáculo, com medo até das sombras. Aparece o Espírito Santo como fogo que vem do céu e aquece e transforma a todos. A primeira atitude de Pedro - cabeça da igreja - foi abrir as portas e janelas e anunciar ao povo tudo que estava acontecendo na vida deles.

O Espírito Santo presente em nossa vida tem a missão de nos mover para também sermos testemunhas do amor de Deus. No dia em que estivermos diante de Deus não nos será perguntado se vivemos ou com os Santos que conhecemos, mas o que cada um realizou de bom com o Espírito Santo que habita a todos nós desde o batismo.

No dia Pentecostes, a Igreja de Cristo começa sua missão: anunciar aquilo que recebeu de Jesus e com a ajuda do Espírito Santo. A primeira manifestação após a descida do Espírito Santo indica outra grande característica da Igreja de Jesus: a unidade na diversidade. Apesar de terem línguas diferentes e de serem de países distantes, todos recebem o mesmo dom e as mesmas graças.

Destaque especial que nos conta Lucas é a transformação pessoal de cada um ao receber o Espírito Santo. Tornam-se novas pessoas, mas acima de tudo com uma grande alegria. Além de ouvirem em suas línguas, as pessoas estavam espantadas com a festa que todos faziam a tal ponto de acharem que estavam embriagados. O Espírito Santo é presença de Deus, mas presença de amor e de alegria, por isto, cada fiel deve manifestar-se ao mundo vivendo o Amor de Jesus e com muita alegria.

Paulo na segunda leitura completa a compreensão do Espírito Santo na Igreja de Jesus. Ele dá a cada cristão, dons especiais, mas tais dons nada mais são que partes que compõem a própria Igreja de Cristo. Cada pessoa é preciosa dentro da Igreja, pois tem a missão de compor o corpo de Cristo neste mundo. Assim, um carisma é um dom especial, mas para toda Igreja. Ninguém deve se sentir autônomo (sozinho) da Igreja. A imagem que o apóstolo usa é a do corpo e de seus membros. Cada parte possui sua importância e seu valor e deve realizar tudo com precisão, pois cada membro deve faz tudo não para si próprio, mas para o bem de todo o corpo de Cristo que é a sua Igreja.

Paulo também acentua a diversidade dos membros diferentes, mas mesmo assim, todos compõem a mesma Igreja. Esta é outra característica da Igreja de Jesus neste mundo: é composta por tantas realidades e carismas diversos, mas tudo isto é uma grande riqueza em sua Igreja. A missão do Corpo de Cristo na história não tem limites e fronteiras, nem obstáculo em relação às pessoas e às línguas, pois Ele se adapta e se ajusta a cada cultura e a cada povo para que o Evangelho chegue a todos as gentes.

No Evangelho, São João também recorda o dia em que todos receberam o Espírito Santo. Tudo aconteceu durante um encontro dos apóstolos com Jesus ressuscitado. Nosso Senhor veio, se colocou no meio de todos e confirmou o principal dom da Sua ressurreição: a paz. João nos diz que Jesus lhes mostrou suas mãos e o seu lado ferido. Não olham o rosto, mas o que foi mais significativo para todos nos últimos momentos de Jesus: sua morte no alto da cruz. Jesus confirma para todos ao mostrar as mãos e o seu lado que se trata do mesmo Senhor e Mestre que seguiram pelas estradas da Galileia e da Judeia.

Depois da confirmação que se tratava do mesmo Jesus e do dom da paz, Cristo sopra sobre eles concedendo-lhes o dom do Espírito Santo. Gesto este que recorda Deus Pai criador dando vida ao barro que se transforma em Adão. Com o Espírito de Deus, todos se tornam pessoas novas em Deus, mas tal dom não deve ser acolhido como um privilégio egoísta, mas para a missão. De fato, Jesus antes de soprar sobre os apóstolos, envia todos para missão, uma missão que nasce da vontade de Deus que Jesus cumpriu com toda determinação e do mesmo modo deverão fazer os apóstolos.

Para São João evangelista, o dia de Pentecostes é marcado como o momento em que todos recebem o dom especial de Deus (O Espírito Santo), mas também o dia em que a Igreja parte em missão. Jesus ainda lembra no Evangelho sobre a importância em relação ao perdão de Deus. Os apóstolos devem ajudar as pessoas a buscarem sua conversão e reconciliação com Deus Pai. Assim, os discípulos de Jesus, a partir daquele momento, receberam o dom de também perdoar em nome de Deus. Mas cabe também aquele que recebeu o sopro divino (o Espírito Santo) mudar de vida e se arrepender dos seus pecados. As graças de Deus são como pérolas preciosas que precisam ser acolhidas por aquele que crê no amor de Deus e que deseja se tornar presença de Deus neste mundo, assim, abandonar o pecado é a condição fundamental para se tornar manifestação de Deus e do Espírito Santo de Amor neste mundo.

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#Reflexão: Solenidade Ascensão do Senhor (17 de maio)

A Igreja celebra o neste domingo a Solenidade Ascensão do Senhor (17). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 1,1-11
Salmo: 46(47),2-3.6-7.8-9 (R. 6)
2ª Leitura: Ef 1,17-23
Evangelho: Mt 28,16-20

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ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR JESUS

Estamos próximos de encerrar as celebrações da Páscoa de Jesus. Conforme os textos Sagrados, a morte não marcou o fim da existência de Jesus, mas definiu o reinício de um novo tempo, com Cristo presente e ressuscitado. Dessa forma, Jesus continua sua missão no mundo e na história, através da sua Igreja. Assim, após sua ressurreição, Cristo procurou preparar o seu grupo de apóstolos passando uns dias com eles, animando e orientando sobre o que eles deveriam fazer. Mas, era necessário encerrar também esta curta missão entre os apóstolos como ressuscitado e visível. Por fim, chegou o momento da partida de Jesus.

A solenidade da subida do Senhor Jesus aos céus (Ascensão) marca a passagem de dois grandes momentos da história da salvação: o final da missão de Jesus e o início da caminhada da Igreja. Nosso Senhor encerra a sua presença neste mundo, mas ao mesmo tempo, Ele não nos abandona. A forma de sentir a sua ajuda e sua assistência passou a ser muito mais ampla e perfeita. Para isto, a sua Igreja (na pessoa dos apóstolos) também deveria assumir um papel novo e amplo neste mundo.

Temos duas tradições sobre este momento de despedida de Jesus antes de subir aos céus. Para Mateus tudo aconteceu na Galileia onde os apóstolos se dirigiram. “Montanha” para o primeiro evangelista é um lugar muito significativo. Jesus tem algumas experiências significativas sobre montanhas: as tentações (Mt 4,8), as Bem-aventuranças (Mt 5) e a transfiguração (Mt 17,1ss). Para Mateus era necessário recomeçar no monte, na Galileia, com as Bem-aventuranças. Para Lucas no livro dos Atos dos Apóstolos (conforme a primeira leitura), tudo aconteceu na cidade de Jerusalém. Nela, Jesus teve o cumprimento de sua missão e de lá, os apóstolos deveriam dar prosseguimento na sua missão: de Jerusalém até o centro do mundo da época que era Roma. 

Tanto Mateus quanto a passagem em Atos dos Apóstolos descrevem a situação do grupo de Jesus. Em Atos, eles perguntam sobre a “restauração” do reino deste mundo: de Israel. A visão que conseguiam ter de tudo que aprenderam com Jesus era de um projeto meramente político e limitado a um território: uma libertação social e política dos romanos. Uma visão muito pequena e incorreta em relação à verdadeira missão que iriam realizar. Esperavam que Jesus ainda agisse e fizesse algoMateus narra que o grupo, ao ver Jesus se prostrou diante Dele (reconhecimento da presença divina), mas alguns ainda duvidavam. Jesus resolve confiar no grupo e em pessoas que ainda duvidavam! A dúvida não é algo 100% negativo: ela nos revela o que ainda temos que conhecer.

Jesus sabia que somente com a “Força do Alto” (Espírito Santo) todos iriam não somente compreender quem realmente Ele era, bem com a missão que deveriam assumir neste mundo. Nos Atos dos Apóstolos, Jesus sinaliza a principal função do Espírito Santo em sua Igreja: transformar todos em testemunhas. Assim, mais do que esperar uma revolução sociopolítica, eles passarão por uma revolução interna e deverão conquistar Jerusalém e todos os cantos da terra. O destaque das palavras de Jesus é que agora, eles é que deverão agir e ser instrumentos de graças para todas as pessoas.

No relato de Mateus, Jesus inicia recordando o seu poder que é o mesmo de Deus Pai: no céu e na terra. Em seguida, Jesus os envia para a missão. Mesmo diante das inseguranças e duvidas de fé até aquele momento, Cristo confia a todos a tarefa de continuar tudo que Ele mesmo iniciou. Para este evangelista, a missão dos apóstolos pode ser resumida em três atividades: (1) conquistar pessoas para Jesus, mas como discípulas, pessoas que escolham seguir o mesmo caminho de salvação que Ele mesmo ensinou aos seus. (2) batizar em nome do Pai, do Filho e Espírito Santo. Mais do que o rito sacramental, a missão dos apóstolos é conceder através do Batismo a mesma graça da Trindade a todos que desejarem. Somente com esta Força que vem do Alto, todos poderão usufruir de tudo que Jesus deixou para nós. (3) Observar os ensinamentos de Jesus. Tudo em Cristo é fundamental, mas nos Seus ensinamentos nós encontramos a receita para sermos discípulos e cumprirmos a vontade de Deus Pai. Assim, o discípulo que Jesus deseja é aquele que possui as graças do Espírito Santo (que recebemos no dia do nosso Batismo), mas também observar os seus ensinamentos.

Após esclarecer a todos que eles deveriam continuar a mesma missão de Jesus, mas como testemunhas e com a força do Espírito Santo, Jesus deixa definitivamente os apóstolos. É uma despedida diferente e também significativa para todos nós. Lucas nos Atos descreve este momento dizendo que Jesus subiu e desapareceu entre as nuvens. Isto marca o limite da realidade humana e divina. Jesus entra em uma nova realidade que não significa estar distante ou perdido no céu, mas que definitivamente assume a sua realidade divina.

Podemos dizer que Jesus se distancia dos olhos de todos, mas não da presença de todos. Se antes, todos podiam ver e tocar Jesus ressuscitado (um privilégio somente para os primeiros discípulos), após sua ascensão junto de Deus Pai, Jesus estará próximo de todas as pessoas, onde elas estiveram e em todos os momentos da história. Jesus não “foi embora”, mas retorna para o Pai. Ele não deve pertencer a um grupo, mas a toda a humanidade. Antes Ele estava ao lado, agora Ele permanecerá dentro de nós!

A Ascensão é a celebração de Sua presença, agora presente de forma diferente: Jesus não foi para longe, mas a frente de nós; não além das nuvens, mas além das formas. Seu último encontro foi na Galileia; eles caminharam juntos por três anos; e se não entenderam muito, amaram-No profundamente. E todos estão lá, no encontro na última montanha. “Ide!” Ele acaba de se revelar e imediatamente os convida a partir, exortando-os a pensar grande, a olhar longe: Ele abre o mundo, apaga fronteiras, os envia para mergulhar na inumerável humanidade (Ermes Ronchi).

A presença de Jesus será com o Espírito Santo já definido por Jesus como o Amor por excelência entre Ele, o Filho, e o Pai. Na segunda leitura, Paulo nos lembra que a principal missão no Espírito Santo será abrir o nosso coração a sua luz para que saibamos qual esperança fomos chamados e a herança dos Santos que já está assegurada a todos nós. Um Espírito que nos anima na missão no presente e na esperança que nos aguarda.

Após subir aos céus, os apóstolos ficaram admirados olhando para o alto, como que esperando acontecer algo espetacular ou fantástico da parte de Jesus. Dois homens (2 = em dois para um confirmar o testemunho do outro) em veste branca (revestido do céu = anjos) chamam atenção dos apóstolos. Interessante: normalmente se esperam sinais e revelações do céu e não da terra! Mas, os dois homens procuram mostrar isto: é o momento de “arregaçarem as mangas” e começaram a missão: mais do que ficarem olhando para o alto é necessário olha para os lados e no horizonte, pois eles tinham muito trabalho e muito que realizar.

Mateus encerra seu Evangelho com uma promessa muito importante para todos nós: Jesus caminha conosco até o final dos tempos e Ele mesmo atua em nós e através de nós. Mais do que esperar sinais, somos chamados a sermos sinais neste mundo; mais do que desejar ainda milagres (um Jesus que “resolve tudo”) devemos ser canais de graça na vida das pessoas. É necessário assumir a nossa missão e ajudar as pessoas a serem discípulas de Cristo, procurando ensinar tudo que Ele mesmo viveu e deixou para o nosso bem. Estamos assim, vivendo o “grande intervalo” entre a Ascensão e próxima manifestação de Jesus que acontecerá um dia em nossa história.

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#Reflexão: 6° Domingo da Páscoa (10 de maio)

A Igreja celebra o neste domingo o 6° Domingo da Páscoa (10). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 8,5-8.14-17
Salmo: 65(66),1-3a.4-5.6-7a.16.20 (R. 1-2a)
2ª Leitura: 1Pd 3,15-18
Evangelho: Jo 14,15-21

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AMAR É PRATICAR O PRÓPRIO AMOR

O Evangelho de João deste domingo – como de domingo passado - nos coloca junto de Jesus e aos discípulos durante a Última Ceia. Ele já tinha se colocado aos pés dos discípulos no gesto que surpreendeu a todos, então, quis  deixar no coração de todos, palavras profundas que pudessem aliviar a profunda experiência da morte em Cruz. É um discurso de adeus, mas ao mesmo tempo de consolação, pois se separaria dos seus discípulos para que todos pudessem receber a força de Deus no Espírito Santo. Jesus quis preparar seus discípulos antes de demonstrar o que é o amor de Deus. O Evangelho deste domingo está em seguida ao de domingo passado.

As primeiras palavras de Jesus foram apresentadas não como uma imposição ou obrigação, mas como um convite: “Se me amais...”. Mesmo falando aos seus discípulos, Jesus não ordena e nem ameaça seus seguidores, mas expressa tudo com humildade e simplicidade. O amor depende como cada um faz vibrar em si aquilo que é doado sem ameaças. Quando se ama Jesus profundamente, o discípulo se transforma em outra pessoa: se torna o próprio Mestre nas ações; braços de Jesus que continuam amando, acolhendo e perdoando. O discípulo se torna olhar do próprio Mestre que continua semeando amor neste mundo.

Jesus não dita regras, faz-se respeitoso e paciente mendigo de amor. Entra silenciosamente e descalço no tecido mais íntimo da vida. Ele não reivindica amor para si mesmo, simplesmente espera. Ele o faz com extrema delicadeza, colocando um “se” à frente de tudo. O ponto de partida mais humilde, frágil, confiante, paciente: “se me amas”. Sem ameaças, sem chantagens. Você pode acolher ou não, em total liberdade (E. Ronchi).

É a primeira vez que em João, Jesus convida os seus a amá-Lo. Em outras ocasiões, o convite sempre foi para que o amor fosse vivido em relação ao próximo, como condição de serem discípulos Dele. O amor é algo que deve ser expressão plena da liberdade: se escolhe amar e não se obriga!

O Bom Mestre Jesus dá a dica de como devemos expressar o nosso amor para com Ele: “observando seus Mandamentos”, não por obrigação, mas por força interior; pois assim, cada um terá a energia para agir como o próprio Jesus agiu. Devemos lembrar que em nenhum momento, Jesus ditou uma “nova legislação”, cancelando as Leis de Moisés, mas insiste (duas vezes) que o “modo” de viver é algo novo, por isso, Ele afirma ser “meus Mandamentos”: é o Mandamento do Amor de sempre vivido de um pleno e diverso.

Jesus procurou aprofundar aqueles princípios que para Ele, são fundamentais e conhecidos pelos discípulos, mas sufocados pela religião da época. Era uma religião que insistia somente na prática de leis e costumes sem se importar nem com o amor a Deus e, muito menos, o amor ao próximo. Por outro lado, os mandamentos de Jesus não são também princípios que cada um vive do seu jeito e modo. O mandamento principal, nós conhecemos: “Amar o próximo!” Mas o modo de viver e praticar esta norma fundamental do discipulado de Jesus, nós encontramos somente no próprio modo de vida de Jesus.

Assim, o amor para com Jesus é condição para poder cumprir os seus mandamentos, da mesma forma que cumpri-los será prova do amor para com Ele. Quem não ama a Jesus não consegue amar aos outros. E quem não ama os outros não ama Jesus. No amor, o cristão assume um rosto divino e Deus assume um rosto humano. O amor não tem obrigação, mas gratuidade; nem intimidação, mas oferta generosa; não convence com constrangimento, mas na doação contagiante que encanta quem escuta e vê, como Felipe na primeira leitura.

Todo ensinamento de Jesus aos discípulos possui uma intensidade de comunhão. Ele permanece sempre conosco, quando vivemos intensamente o amor. Diz Jesus que jamais nos deixará órfãos.

É impossível amar a Deus sem pagar o preço da transformação do próprio coração. Amar a Deus é se moldar ao amor perfeito e generoso daquele que pode tudo, mas prefere esperar a nossa resposta e a nossa aceitação. Quando se ama ao modo divino ensinado por Jesus, cada pessoa torna-se face de Deus para o próximo. O amor é luz que nos ilumina, e assim, nós nos transformamos em luz para os outros.

Amar a Jesus é possuir uma visão das coisas com os olhos do céu. O amor transforma nosso modo de ver de tal forma que enxergamos não as coisas ocultas, mas a verdadeira profundidade e o sentido de tudo ao nosso redor. O amor nos faz descobrir o próximo como presente de Deus!

O Amor Perfeito de Jesus com o Pai produz outro grande dom para aquele que faz a mesma estrada da vivência do amor: o Dom do Espírito Santo. Ele é fruto da prece e da intercessão de Jesus. É dom que expressa a maior profundidade do amor do Pai e do Filho.

Jesus chama o Espírito Santo de “outro paráclito”. A palavra paráclito significa “aquele que está do lado”, “defensor”, “auxiliar” e era usado para descrever alguém que hoje chamamos de advogado em uma situação difícil. É “outro”, pois todos já conhecem Jesus como o primeiro defensor que temos diante do Pai.

Como Jesus, o “novo Paráclito” não se identifica com nada neste mundo, pois é revelação e dom do alto. É gratuito e dado como expressão do amor para quem ama; como dom para quem se doa. São atitudes e modos de amar que o mundo não conhece. E Jesus confirma e nos garante que o Espírito Santo permanecerá sempre conosco. O amor não deixa ninguém sozinho, mas une profundamente as pessoas. A prática do amor de Deus (“meus mandamentos”) nos une a Deus de tal forma que não poderá nos separar e jamais estaremos sozinhos (“órfãos”). 

Jesus anuncia a sua partida da visão dos discípulos, mas permanecerá sempre com os seus, em todos os tempos e lugares. Os olhos deixarão de vê-Lo como uma pessoa, mas Jesus poderá ser visto no rosto daquele que ama e é amado. Cada irmão e irmã se torna presença de Deus neste mundo: é a força do amor!

Mas, Cristo alerta que a condição para continuar “vendo” a Ele é viver e praticar os seus mandamentos. Mas, é fundamental que cada um viva o amor como Ele mesmo viveu. Assim, o Amor verdadeiro é muito mais que um sentimento ou algo misturado com desejos e até mesmo pecados e vícios. Amor de Jesus é total doação, ao extremo e sem querer nada em troca; é algo que se esvazia completamente para que o outro tenha vida e dignidade. Por isso, o Amor Verdadeiro de Jesus é tão exigente e desafiante para um mundo que procura ensinar que o principal para cada um é o que satisfaz seus desejos pessoais. 

Em todo o discurso de Jesus, destaca-se sempre o anúncio a uma comunidade (“vós”). O amor não é algo voltado para si, para alimentar sentimentos e interesses pessoais, mas é voltado para o próximo como lugar para se experimentar o próprio amor de Deus. Amar como Jesus amou é ser a comunidade que Ele desejou para este mundo: pessoas como sinais e presença de Deus no mundo. A experiência religiosa deixa de ser em um lugar, para existir nas pessoas; não algo reduzido a um tempo ou um momento, mas em todas as pessoas que encontrarmos.

O amor, dessa forma, consiste em viver os mesmos valores e comportar-se como Jesus procurou ensinar aos discípulos em cada encontro com as diversas pessoas que Ele perdoou, curou e amou. O amor verdadeiro não é somente interior, mas visível em gestos e palavras. Amar - segundo Jesus - não é só um “sentimento”, mas uma prática de vida na caridade e na misericórdia. 

Na 2ª leitura, São Pedro em sua primeira carta nos alerta que devemos dar razão sobre a nossa esperança. Que ela seja clara e vibrante em nossa vida. No entanto, não devemos impor, mas propor a nossa fé. Pedro nos diz que devemos fazer com mansidão, respeito e com boa consciência. O autor ainda conclui que é melhor sofrer por causa do bem realizado (como Jesus) do que sofrer pelo mal ou o pecado cometido. O bem e o amor nos dão razões quando somos injustiçados. O mal nos torna iguais àqueles que somente merecem a condenação e o castigo por parte dos homens.

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Marcos: o primogênito entre os evangelhos canônicos

Antes de conhecer melhor o evangelho canônico mais antigo da tradição cristã, aquele escrito segundo São Marcos, é imprescindível observar dois aspectos que se aplicam aos quatro evangelhos canônicos: em primeiro lugar, faz-se necessário saber que cada evangelho é um texto “segundo” e não “de”; tendo em vista que a preposição “de” estabelece uma relação de subordinação entre uma realidade que é considerada posse de outra, a expressão “evangelho de Marcos”, por exemplo, não é teologicamente pertinente. O evangelho é sempre “Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1), que foi escrito “segundo” a catequese de um dos quatro evangelistas. Por isso, o solene anúncio do evangelho na Santa Missa é introduzido pela exortação: “proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos, Mateus, Lucas ou João”. Dessa forma, mesmo que, corriqueiramente, se diga “evangelho de”, é importante saber que é sempre melhor empregada a expressão “evangelho segundo”.

Em segundo lugar, a utilização do advérbio “provavelmente” em relação à data, lugar, autor e destinatários de um evangelho é fundamental, ainda que não apareça declaradamente num texto como este. O estudo de Sagrada Escritura é um trabalho dinâmico e repleto de possibilidades de novas descobertas históricas, de modo que, embora se apresente a hipótese mais confiável sobre um determinado tema, ela nem sempre é uma verdade única e absoluta. A ciência bíblica é porosa e evolui sendo dinamizada por diferentes teorias; logo, todo o conhecimento histórico que foi reunido pela crítica literária e pela análise acadêmica dos textos bíblicos e dos seus contextos é uma verdade aproximada, ou seja, constitui uma tentativa de explicar, porém encontra-se em perene estado de desenvolvimento. Portanto, é possível encontrar informações divergentes das que serão apresentadas aqui noutras fontes de leitura e não existe nada de equivocado nisso; tudo depende da escolha epistemológica que foi realizada por quem está escrevendo o texto sobre os evangelhos.

Realizadas essas advertências preparatórias, é chegada a hora de conhecer mais de perto o evangelho segundo Marcos; embora seja verdade que os evangelhos foram escritos por grupos que acolheram a mensagem de Jesus através da catequese dos apóstolos e de seus colaboradores, e não por autores individuais como o senso comum acredita, faz-se pertinente conhecer quem é este tal de Marcos a quem uma das comunidades cristãs do século I atribuiu a autoria do primeiro evangelho canônico. João Marcos era um judeu filho de Maria, possivelmente uma das mulheres do grupo de Jesus, em cuja residência os cristãos se reuniam para rezar (cf. At 12,12), e primo de Barnabé (cf. Cl 4,10), com quem acompanhou Paulo em parte de sua primeira viagem missionária (cf. At 13,5-13). Seu nome significa “agraciado por Deus e guerreiro”, pois João (יוֹחָנָן), de origem hebraica, designa que Deus é gracioso, e Marcos (Μάρκος), de origem grega e relativo ao deus Marte, refere-se à guerra.

Abandonando o apostolado missionário ao lado de Paulo (cf. At 13, 13) e causando com isso um desentendimento entre o apóstolo e seu primo (cf. At 13,36-38), Marcos acompanhou Barnabé numa missão pela região de Chipre, mais tarde (cf. At 13,39). Segundo a tradição, depois de dedicar-se fielmente a acompanhar Pedro em seu apostolado junto às comunidades de Jerusalém e de Roma, sendo seu secretário e filho espiritual (cf. 1Pd 5,13), João Marcos retirou-se para a região do Egito, onde fundou comunidades que deram origem ao cristianismo de tradição copta e se tornou o primeiro bispo da cidade de Alexandria. Por volta do ano 74 d.C., inconformados com o testemunho de Marcos que convertia muitas pessoas, um grupo de pagãos o enforcou e arrastou seu corpo por dois dias consecutivos pelas ruas de Alexandria. Em 829 d.C., mercadores transladaram os restos mortais do evangelista para Veneza, onde são venerados na imponente basílica de estilo bizantino que se encontra no centro histórico da cidade italiana

O evangelho segundo Marcos é, realmente, uma compilação das catequeses de Pedro, de modo que vários escritores dos primeiros séculos, como Pápias de Hierápolis (70-155) e Irineu de Lião (130-202), identificaram o seu autor como sendo um verdadeiro “intérprete de Pedro”; radicalizando essa ideia em sua obra Diálogo com Trifão (cf. cap. 6,3), São Justino (100-165) chamou esse evangelho de “Memórias de Pedro”. Dessa maneira, pode-se deduzir o seguinte: muito provavelmente, o texto segundo Marcos, escrito em língua grega, nasceu em Roma, através da colaboração de cristãos que, impactados pela morte de São Pedro, entre 64 e 67 d.C., acharam por bem registrar os ensinamentos do grande apóstolo; sendo Marcos seu assistente, coube-lhe, juntamente com a sua comunidade de fé, o encargo de escrever os ensinamentos petrinos, destinando-os aos pagãos de origem romana, por meio de um trabalho redacional coletivo que se desenvolveu entre os anos de 64 e 70 d.C..

A comunidade de Roma que, catequizada por Marcos, escreveu o evangelho em questão, existia antes mesmo da chegada de Pedro e Paulo, na década de 60; nela, os cristãos se reuniam nas casas para rezar (cf. Rm 16,3-5. 10-11. 14-15) e as mulheres exerciam ministérios (cf. Rm 16,1.6), revelando-se uma Igreja atuante e plural. Contudo, os catequizandos de Marcos enfrentavam sérios problemas com o martírio dos cristãos, dentre eles São Tiago (62 d.C.), a perseguição do imperador Nero ao cristianismo (64-67 d.C.) e o medo causado pelas notícias da destruição de Jerusalém pelos romanos (70 d.C.). Nesse contexto, Marcos escreveu o seu evangelho com o objetivo de animar a fé dos cristãos de origem romana e confirmar a profissão de fé das comunidades recém-convertidas ao cristianismo na divindade de Jesus de Nazaré.

É interessante notar, portanto, que existe um fio condutor no texto, que se tenciona entre Mc 1,1, no qual a comunidade anuncia o conteúdo do seu evangelho, que nada mais é do que a profissão de fé em “Jesus Cristo, Filho de Deus”, e Mc 15,39, em que o centurião, um chefe militar cuja função era liderar um grupo de 100 soldados romanos, confessou aos pés da cruz: “este homem era realmente o Filho de Deus”; o capítulo 1 anuncia o escopo da obra, enquanto o capítulo 15 revela o seu interesse: assim como o duro coração daquele combatente romano fora capaz de reconhecer no Senhor pendente e morto na cruz o Filho de Deus, todo o leitor do evangelho é convidado a descobrir quem é Jesus e a torna-se seu seguidor. Marcos deseja, com o seu texto, catequizar inúmeras “centúrias” de comunidades cristãs que anunciem, com convicção e comprometimento, a verdade que saiu da boca do soldado romano.

O breve relato teológico de Marcos, considerado o primogênito entre os evangelhos canônicos, escrito por uma comunidade em situação de risco em relação ao Império de Roma e destinado a quem tem pressa para encontrar-se com Jesus, é uma grande ladainha: nele, cada versículo se intercala com a verdade redentora de que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho de Deus, o salvador do mundo. Lendo e meditando o evangelho marcano, cada cristão é conduzido ao Gólgota para, à semelhança do centurião, professar sua fé no Cristo e se engajar no seu discipulado-missionário. De igual maneira, a Igreja, acolhendo o testemunho teológico de São Marcos e, através dele, aprendendo os ensinamentos apostólicos de São Pedro, seu primeiro papa, coloca-se aos pés da cruz para renovar a sua fé no Filho de Deus.

Imagem de Dorothée QUENNESSON por Pixabay


#Reflexão: 5° Domingo da Páscoa (03 de maio)

A Igreja celebra o neste domingo o 5° Domingo da Páscoa (03). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 6,1-7
Salmo: 32(33),1-2.4-5.18-19 (R. 22)
2ª Leitura: 1Pd 2,4-9
Evangelho: Jo 14,1-12

Acesse aqui as leituras.

JESUS CAMINHO, VERDADE E VIDA

Evangelho de João neste domingo nos coloca junto a Jesus e a seus discípulos, logo após terem celebrado a Última Ceia e Jesus ter lavado os pés de todos, o Mestre Jesus resolveu abrir seu coração para preparar os seus amigos para tudo que estava por acontecer. Ele sabia de tudo que deveria enfrentar, da dor ao sofrimento, mas Jesus procurou preparar a todos para a última batalha que Ele mesmo deveria enfrentar: a morte. Sua preocupação era pelos seus discípulos e não Ele próprio. 

Não se perturbe o vosso coração”. Nós sabemos que os sofrimentos e as dores nos acompanham nesta estrada de nossa existência. Não fomos feitos para passar por isso como algo natural e normal, por isto, muitos vivem como se isso fosse algo somente para os outros. Jesus, no entanto, também quis ensinar os discípulos sobre esta realidade tão negativa de nossa vida. Como sempre faz, Ele ensina fazendo, mostra algo procurando Ele mesmo dar o exemplo. Mas, aqui era necessário assegurar a todos sobre aquilo que iriam ainda enfrentar com a Sua Paixão e Morte.

A morte é sempre uma surpresa para nós, mesmo sabendo que isso faz parte da nossa vida. Sabemos que um dia todos nós deveremos também passar por esta realidade, mas nunca estamos preparados. Quando a morte acontece de improviso (uma doença, um acidente...) nossa reação natural é de pensar que a vida foi roubada e que a morte (ou Deus) foi injusta. Jesus tentou mostrar que esse momento (mesmo sendo duro), para quem crê, é uma passagem: nesta vida e estamos todos em uma viagem e a morte não é o ponto final, mas somente uma ponte que nos conduz a uma realidade muito maior do que aquela que temos nesta vida. Jesus lembra que o contrário do medo não é a coragem, mas a fé. Acreditar que tudo tem um significado muito maior onde Deus está sempre presente.

Diante de tudo isso, a palavra de Jesus é de não se deixarem perturbar (abalar) por nada. O caminho para se ter essa segurança é a fé em Deus e em Jesus Cristo. Acreditar que se temos do nosso lado aquele que mantém e sustenta o universo (Deus Pai e Jesus), nada pode nos abalar. Podemos ser atingidos e ser atacados como uma casa golpeada por uma tempestade, ou um barco agitado por grandes ondas, mas estamos com Jesus e vamos conseguir atravessar todos os tormentos.

Mesmo diante de ameaças tão grandes criadas pelo próprio ser humano, Deus é sempre maior. Assim, é preciso viver todo momento renovando nossa confiança em Deus e pedindo que Ele mesmo ilumine o nosso caminho.

Temos o exemplo positivo das primeiras comunidades (1ª leitura). Diante da necessidade de irmãos, a comunidade se organizou para atender a todos, pois cada um é importante. Os apóstolos não usaram da desculpa da evangelização para não ajudar os necessitados, pelo contrário, se reorganizaram que atender a todos, pois a fé nos abre os olhos para os irmãos e irmãs.

Jesus no Evangelho promete para os discípulos uma morada definitiva, junto de Deus, “na casa de meu Pai”. São Paulo já nos dizia: “Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma habitação eterna no céu” (2Cor 5,1). Um dia também nós deveremos passar por essa estrada, Jesus foi à frente para desbloquear tudo que nos impedia de chegarmos até a nossa morada eterna. Jesus transforma a escuridão da sua morte em caminho de luz para todos; um caminho que todos nós podemos percorrer com segurança, desde que todos procurem seguir suas indicações. 

Mas, é fundamental também que tornemos a nossa vida aqui neste mundo, uma morada digna para Deus Trindade: no nosso Batismo, nos tornamos templo e morada do Eterno Deus. O próprio Jesus afirma: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada” (Jo 14,23). Jesus ainda promete que não ficará nos esperando na passagem pela morte, mas Ele mesmo nos conduzirá, como Pastor que enfrenta a noite para dar amparo às suas ovelhas, pois somente Ele possui a Luz que brilha nas trevas da morte.

O apóstolo Tomé é sincero: eles não sabiam o caminho, pois a morte parecia ser uma estrada feita na solidão com uma esperança que se perdia em um futuro incerto (no final dos tempos). Jesus afirma ser o caminho, mas eles ainda não tinham visto a Paixão e a Ressurreição e não conheciam a estrada aberta por Cristo ao romper de sua morte. Assim, Jesus afirma ser, Ele mesmo tudo isso: o caminho, a verdade e a vida.

Caminho: seguir Jesus é construir caminhos e abrir estradas. Jesus tira suas ovelhas do cercado e caminha a sua frente (Evangelho de domingo passado). A fé é construída no relacionamento entre as pessoas, nos encontros que os caminhos nos propõem. Nas esquinas e praças, temos a vida que é construída e praticada. Nas casas e vilas, a vida é celebrada a cada instante, e é nesses lugares que temos que estar como presença de Jesus.

Jesus não disse que é o “ponto de chegada” da nossa jornada, mas que é a “estrada”, é movimento, pois precisamos de ajuda na nossa caminhada até encerrarmos nossa passagem neste mundo, por isso, Ele mesmo se faz “chão” por onde caminhamos até o encontro final com Ele mesmo. Nossos passos são os mesmos do Bom Pastor que está a nossa frente, nos ajudando pelas estradas deste mundo, nos livrando dos perigos, desde que permaneçamos aos seu lado.

Caminho (estrada) é o lugar do Pastor e do Mestre Jesus e onde devemos segui-Lo como ovelhas e discípulos. Ouvindo e acolhendo a Palavra do Senhor. A Palavra aquece e alegra o coração daqueles que caminham e praticam no chão da vida os ensinamentos de Jesus.

Caminho é liberdade. Praticar a liberdade é a melhor expressão daquele que acolhe o amor de Deus. Amor é escolher entre todas as direções, o caminho que tem a sua frente, o Pastor que nos guia. A nossa existência é uma peregrinação e Jesus se propõe a nos amparar, sendo o chão que nos dá proteção, nos aponta a direção e ao mesmo tempo nos guia por toda nossa existência

Verdade. Interessante que Jesus não diz que “Ele tem a verdade”. Verdade para Jesus não é um conhecimento ou uma sabedoria, mas uma PESSOA. Jesus não diz que tem conhecimento ou sabe algo, mas Ele próprio é a Verdade. Tudo na vida de Jesus nos ensina, nos orienta e nos completa. Cada gesto, palavra e exemplo nos ensinam o que devemos semear com nossas palavras. Seguir Jesus é viver o que Ele viveu e como Ele viveu. O Mestre Jesus ensina sobre o amor, o perdão e a partilha, mas Ele mesmo praticou tudo isso; desprezar estes ensinamentos de vida é negar o próprio Jesus. 

Não somos chamados a ser comunicadores de leis e mandamentos, mas de Jesus como pessoa a ser encontrada e abraçada. Aqui entendemos as normas, as leis e os mandamentos: nos ajudam como sentinelas quando estamos abandonando  a estrada. As placas em nossas estradas não são o caminho, mas nos ajudam a permanecer nele.

A verdade é Jesus e não aquilo que eu determino e aplico a Deus. Percorrer o caminho da verdade proposto por Jesus é percorrer seus passos, seguir suas pegadas. O amor, a caridade, o perdão, a solidariedade, a compaixão são os sinais dos seus passos que devemos também deixar como sinais da nossa presença de cristão; sinais de que ali passou um discípulo de Jesus. 

Jesus é vida, não algo frio, distante e, muito menos, algo externo a nós. Crer em Jesus é como respirar um ar que não nos torna imunes, nem super-heróis, mas nos torna eternos. É um alimento que nos fortalece e nos anima a caminharmos sempre até o dia que nossa jornada neste mundo terminar. Tudo em sua vida é expressão de sua divindade, pois, Ele e o Pai são uma só realidade. Não viver como Jesus viveu, é estar em outra estrada que não leva para Deus. 

Assim, Jesus é o caminho que nos ampara e nos mostra a nossa estrada; Ele é a verdade que abre os nossos olhos e clareia a nossa jornada nos dando tranquilidade em nosso coração; Jesus é o nosso sentido de existência e o alimento que nos nutre em nossa jornada nesta terra.

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