#Reflexão: 4º Domingo do Tempo Comum (30 de janeiro)

A Igreja, neste domingo (30), celebra o 4º Domingo do Tempo Comum. Reflita e reze com a sua liturgia.

1ª Leitura – Jr 1,4-5.17-19

Salmo – Sl 70,1-2.3-4a.5-6ab.15ab.17 (R.15ab)

2ª Leitura – 1Cor 12,31-13,13

Evangelho – Lc 4,21-30

Acesse aqui as leituras.

O PROFETA NÃO É BEM-VINDO EM SUA PÁTRIA

Domingo passado, ouvimos, no Evangelho de Lucas, o momento em que Jesus decide proclamar na sinagoga de sua cidade que as promessas contidas no livro de Isaías estavam se cumprindo com Ele. Jesus é a realização de tudo que foi anunciado. Porém, Ele o faz ao seu modo e segundo a vontade de Deus. O início do Evangelho de hoje retoma o final do Evangelho. Naquele tempo, como era do costume, quem lia a Escritura também dizia algumas palavras conforme os ensinamentos dos rabinos. Entretanto, Jesus não fez isso.

Ele inicia afirmando que “Hoje se cumpriu esta Escritura”. É muito expressivo e significativo o termo “hoje”, que trata do “momento do encontro” com Deus que se revela e se deixa tocar por todos. Jesus leu uma sequência de sinais no texto de Isaías que, segundo Ele, estavam já acontecendo (hoje) no meio do povo. Lucas relata o sentimento inicial de “espanto pelas maravilhas” que todos na sinagoga já tinham conhecimento, mas principalmente por suas “palavras de graça”.

A fama de Jesus já chegara a Nazaré, pois, antes, Nosso Senhor fizera alguns milagres em Cafarnaum e os seus ouvintes esperavam que tudo se repetisse também naquela cidade (Nazaré) e naquele lugar (sinagoga). A admiração em relação a Jesus se tornou maior quando identificam que aquele pregador era “Filho de José”. Tudo parecia estar caminhando bem na sinagoga de Nazaré. Jesus já era conhecido como alguém que realizava milagres e pertencente a uma família da cidade, cujo pai era praticante das leis e dos bons costumes.

Jesus se antecipa àquilo que, certamente, iriam Lhe pedir: fazer os mesmos milagres que Ele realizara em Cafarnaum. Porém, Jesus critica e condena o modo de todos avaliarem quem Ele era.

Para mostrar o risco de prender fé a sinais, Jesus cita dois exemplos do passado do povo de Deus. De um lado, dois profetas, Elias e Eliseu; do outro, dois personagens que não eram entre os melhores representantes de pessoas justas e observantes da lei. A mulher que acolhe Elias era viúva (havia grandes preconceitos e inúmeras dificuldades para uma mulher nessas condições), não obstante, a pobreza em que se encontrava, a fome, pois vivia sozinha com seu filho. A viúva acreditou nas palavras do profeta. O sírio Naamã era pagão e, ainda por cima, estava com lepra, mas acreditou, após refutar no início, nas palavras do profeta. Jesus sentia que todos queriam ver sinais e sabia que a familiaridade que todos nutriam por Ele poderia ser um obstáculo.

Após Jesus se recusar a fazer tudo conforme os conterrâneos da sinagoga de Nazaré esperavam, são Lucas nos informa que todos se encheram de cólera, após as palavras de Cristo. Jesus não estava interessado em se promover ou se tornar conhecido como alguém com poderes e um grande milagreiro, mas em anunciar a realização das promessas de Deus, as quais vão muito além da realização de curas e milagres. Não faltava “poder” em Jesus, mas “fé” nos seus ouvintes. Eles não queriam “ouvir”, mas “ver” sinais.

Era ainda um grande problema para muitos que afirmavam acreditar em Jesus. São ansiosos por sinais e milagres e não querem ouvir suas palavras e colocar em prática seus ensinamentos. É fundamental lembrar que naquela sinagoga estavam de pessoas religiosas, familiarizadas com muitos sinais de Deus em suas vidas (Palavra de Deus, oração, sinagoga...), mas que, no fundo, estavam fechadas à graça de Deus.

Jesus quer, hoje e sempre, renovar seu amor por nós e nos ensinar e nos orientar o que devemos fazer. Como na sinagoga de Nazaré, muitos não concordam com aquilo que Deus quer nos falar, pois estão somente interessados em dizer o que Deus precisa fazer e realizar em suas vidas.

A rejeição de todos que se diziam religiosos é clara: se levantaram, arrastaram Jesus para fora da cidade com intenção de matá-lo, jogando-O em um precipício (forçando-O a se manifestar). Mais do que dar propriamente um fim em Jesus, queriam intimidá-Lo e ameaçá-Lo a se manifestar ou se arrepender de tudo que dissera.

Na primeira leitura, ouvimos um trecho do profeta Jeremias que recorda a sua vocação. Esse profeta era alguém especial, escolhido por Deus para ser proclamador de sua palavra. Deus prometeu torná-lo uma “coluna de ferro e um muro de bronze”. O profeta não era enviado sozinho jamais! Ele tinha Deus sempre consigo, principalmente nas palavras que procura anunciar. Todos os profetas tiveram momentos difíceis, pois quase sempre tudo que anunciam não estava conforme a vontade das pessoas.

Lucas, no Evangelho, diz que, após terem levado Jesus até a beira do penhasco, Ele simplesmente passou no meio deles e continuou seu caminho. Ele estava confiante e seguro, ancorado em Deus. Mesmo diante de tantas ameaças e intimidações, Jesus não mudou de ideia e nem de comportamento.

Não podemos nos esquecer que, muito mais importante do que nossos esquemas pessoais de fé e até a nossa ideia sobre Jesus, devemos estar atentos em ouvi-Lo, pois sua Palavra é de vida eterna. A comunidade de Corinto estava se perdendo em meio a tantos dons e carismas, conforme ouvimos na segunda leitura. Ela estava se tornando um pouco como a sinagoga de Nazaré: cheia de pessoas religiosas, mas cada um com sua ideia pessoal sobre dons e manifestações. Paulo, com um hino lindíssimo sobre o amor, exorta sua comunidade a jamais se esquecer de que tudo deve ser realizado tendo como base a verdadeira Caridade, que tem sua origem em Deus. O modo como é descrita a caridade nada mais é que o próprio modo de Deus nos amar. O mais importante não são os dons mesmos. Porém, por meio deles, cada um é chamado a manifestar o amor de Deus.

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#Reflexão: 3º Domingo do Tempo Comum (23 de janeiro)

A Igreja, neste domingo (23), celebra o 3º Domingo do Tempo Comum. Reflita e reze com a sua liturgia.

1ª Leitura – Ne 8,2-4a.5-6.8-10

Salmo – Sl 18,8.9.10.15 (R. Jo 6,63c)

2ª Leitura – 1Cor 12,12-30

Evangelho – Lc 1,1-4;4,14-21

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JESUS É A ALEGRIA E A FORÇA DE DEUS PARA NÓS

Sabemos da grande importância de reservarmos um tempo para Deus, não alguns momentos dispersos, mas algo que seja significativo para podermos experimentar diariamente o amor de Deus. A misericórdia e as graças de que precisamos são dons profundos que Deus quer nos conceder sempre, diariamente.

Na primeira leitura, vemos como o povo de Deus, reunido em uma praça, valoriza o Dia do Senhor e a sua Palavra. Os judeus guardam o sábado. Nós, cristãos, devemos guardar o domingo. Os sacerdotes e os levitas proclamam, explicam e apresentam a Palavra de Deus como expressão da própria presença de Deus, por isso, todos escutam com atenção, se emocionam, se dispõem a ouvir, acolher com cuidado cada particular e, por fim, O adoram. O Dia do Senhor é um momento especial, de festa e alegria, pois, de fato, Deus quer participar e compor o nosso tempo para, junto conosco, construir a nossa história. Ele não pode ser somente uma “lembrança em certos momentos”, mas nós precisamos reservar um digno e especial tempo para ouvi-Lo e adorá-Lo.

Jesus Cristo é o Verbo de Deus, expressão do seu agir e da Palavra que salva. Neste domingo, recordamos os primeiros passos de Jesus que, depois do Batismo, inicia oficialmente a sua missão solenemente na sinagoga de sua cidade. Este local de oração era um espaço especial de meditação e estudo da Palavra de Deus.

As primeiras palavras do texto do Evangelho lembram a dedicação e a seriedade daquilo que Lucas procurou realizar com o seu escrito. Não se trata de fantasias ou lendas. Tudo que decidiu contar são fatos (“acontecimentos”) que ele procurou pesquisar junto daqueles que foram testemunhas de tudo. Tudo é para conhecer a “solidez dos ensinamentos” de Jesus e que não é algo para “meros curiosos”, mas para pessoas de fé.

O evangelista soube criar um ambiente de expectativa naquele dia em que Jesus iniciou sua missão. Como bom judeu, em dia consagrado ao Senhor, segundo o costume judaico (o sábado), Ele entrou na sinagoga na pequena Nazaré, um lugar simples, considerado sem valor pelas autoridades religiosas de Jerusalém.

Conforme a tradição naquele tempo nas sinagogas, se fazia a leitura de dois textos do AT (um do Pentateuco e um dos Profetas). O segundo leitor propunha uma explicação sempre segundo os rabinos daquele tempo. Porém, Jesus não fez assim. Inicialmente, tudo começou como sempre se fazia: a leitura e o cuidado para com o texto Sagrado. Após a leitura — como um Novo Mestre —, Jesus sentou-se e começou a ensinar algo diferente.

A passagem escolhida por Jesus que todos ouviram foi retirada do profeta Isaías. São palavras de esperança em relação à solidariedade de Deus. Fala de alguém enviado por Deus e ungido, que possui a força que vem do alto. Ele nada faz por conta própria, mas em nome de Deus. Isaías prossegue revelando a transformação que Deus promete realizar em meio ao seu povo. É o que Jesus assume em sua vida na sinagoga de Nazaré.

Não se trata de um programa social em que todas as desigualdades sociais serão eliminadas. Os primeiros a receberem algo de Deus são os pobres: receberão a Boa Nova. Ele não se tornou “mais um pobre entre os pobres”, mas procurou mostrar que o sentido maior para a nossa vida vai além das coisas materiais e valores sociais. A maior pobreza é aquela espiritual (fruto do pecado) que acorrenta o ser humano em uma decadência humana. Jesus é a libertação e o resgate de toda indigência ocasionada pelo pecado.

O texto de Isaías continua afirmando a libertação de todos os prisioneiros. Muitos vivem em uma verdadeira prisão devido a seus pecados. Tais pessoas tornam-se escravas, dependentes e aprisionadas, impedidas de viver com intensidade e plenitude. Jesus é o resgate que a humanidade esperava.

A cura da cegueira não é somente “mais um milagre” que Jesus promete realizar. Para o povo da Bíblia, a cegueira impede as pessoas de viver na luz. O pecado torna as pessoas pobres de espírito, acorrentadas a uma vida de escravos e que lhes rouba a paz, tornando suas vidas uma constante escuridão.

A libertação da opressão, prometida nas últimas palavras de Isaías, retrata tudo que oprime o coração de todos como: ódio, rancor, raiva e espírito de vingança. Jesus é aquele que pode dar outro sentido a nossa história e transformar tudo em graça do Senhor, como um tempo de graça ou ano Jubilar de graça para os judeus.

Jesus, na sinagoga de Nazaré, esclarece e estabelece a sua missão, baseada na Palavra de Deus, mas atualizada na história. Significativa e expressiva é a palavra “Hoje!” pronunciada depois da leitura de Isaías. Tudo que era promessa se realiza naquele tempo e em todos os tempos. Jesus é o “hoje e sempre” de Deus, que quer, a cada dia e na vida de cada pessoa, continuar promovendo liberdade, luz e doar misericórdia.

O nosso testemunho de fé e de vida devem ser a melhor forma de anunciar e proclamar hoje e a todos que Deus pode transformar a vida de cada pessoa e, assim, transformar o mundo. Paulo, na segunda leitura, lembra sua comunidade de que entre todos devem imperar a unidade e a ajuda mútua, pois somos todos irmãos e irmãs pelo Batismo e chamados a viver uma vida de partilha daquilo que é graça de Deus em nossas vidas.

Com as palavras de Isaías, Jesus constitui todo o seu programa de vida que podemos perceber em sua missão: a Boa Nova foi anunciada com intensidade aos pobres e a todos que O acolhem; muitos prisioneiros do pecado e de doenças foram resgatados e libertados; inúmeros encarcerados pelo ódio e o próprio mal foram trazidos à luz da verdade. E, tudo foi feito sem colocar condições ou exigir algo de nós. Por fim, Jesus deixou um grande dom que atualiza na vida de cada pessoa o amor de Deus: seus ensinamentos, suas palavras e a Eucaristia.

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Novena do padroeiro da arquidiocese é iniciada em paróquias

A memória festiva de São Sebastião, padroeiro da arquidiocese de Pouso Alegre, será celebrada no dia 20 de janeiro. A novena em preparação a essa comemoração é iniciada, hoje (11), em paróquias da arquidiocese.

 

São Sebastião viveu no século III e é um santo muito popular. Provavelmente, natural de Milão (Itália) ou Narbona (França), viveu em Roma (Itália). Foi soldado romano, capitão da guarda pessoal do imperador Diocleciano ou Maximiano, por não se ter exatidão em sua cronologia. Pelo fato de Sebastião ser cristão, foi denunciado e preso. Foi condenado a morte pelo imperador a flechadas, considerado traidor por ser brando com os cristãos, perseguidos naquele tempo. Foi dado como morto e seu corpo foi jogado em um rio. Foi encontrado ainda com vida por Irene e socorrido por ela. Novamente, Sebastião apresentou-se ao imperador, que o condenou a morrer por espancamento. Morto, seu corpo foi jogado no esgoto público de Roma. Resgatado por Lucina (também conhecida como Luciana), foi sepultado em catacumbas. Há uma versão da história de São Sebastião que diz que seu corpo foi enterrado no jardim da casa de Lucina, onde, hoje, existe uma basílica a ele dedicada, na Via Ápia, em Roma, que recebe devotos de todo o mundo. São Sebastião é mártir da Igreja e sua festa é celebrada em 20 de janeiro.

Imagem e andor de São Sebastião, em 20 de janeiro de 2020. Reprodução/Catedral Metropolitana de Pouso Alegre.

São Sebastião é o padroeiro da arquidiocese de Pouso Alegre. O bispado de Pouso Alegre foi erigido no dia 4 de agosto de 1900, pelo decreto pontifício Regio Latissime patens, pelo papa Leão XIII. Em 14 de abril de 1962, com decreto do papa João XXIII, o bispado de Pouso Alegre foi elevado à dignidade de arcebispado, sendo a sede metropolitana da província eclesiástica que engloba as dioceses de Guaxupé, Campanha e a sede arquiepiscopal, Pouso Alegre. São Sebastião é o padroeiro da arquidiocese de Pouso Alegre.

Saiba mais sobre a história da arquidiocese.

Divulgação da novena de São Sebastião 2022. Reprodução/Catedral Metropolitana de Pouso Alegre. 

Na catedral metropolitana, começa, hoje (11), a novena preparatória à Festa de São Sebastião. Côn. Vonilton Augusto Ferreira, cura, e pe. Marcos Eduardo Caliari, vigário paroquial, acompanham as celebrações que acontecem até o dia 19 de janeiro, às 19h. Neste ano, o tema da novena é o lema comemorativo dos 60 anos da arquidiocese de Pouso Alegre: “Firme como árvore plantada à beira do rio, dá fruto no tempo devido” (Sl 1,3). A novena terá a participação das pastorais, movimentos e ministérios da paróquia do Bom Jesus, à qual pertence a catedral. No dia 23 de setembro de 2022, a arquidiocese celebrará seus 60 anos de instalação canônica.

Cônego Vonilton, dom Majella e padre Marcos Caliari, na missa festiva de São Sebastião, em 20 de janeiro de 2021. Reprodução/Catedral Metropolitana de Pouso Alegre.

A novena de São Sebastião também acontece em mais paróquias da arquidiocese, presentes nas cidades que tem o soldado mártir como padroeiro: Senador José Bento, Senador Amaral, São Sebastião da Bela Vista, Itapeva, Carvalhópolis, Bom Repouso e Andradas.

Para dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, "São Sebastião falou de Jesus e conduziu muitos encarcerados até Ele. Se somos cristãos, é porque alguém nos falou de Jesus e nos conduziu até Ele. Alguém nos apontou o caminho, nos apontou Jesus. Como católicos, precisamos acompanhar quem está sendo mais afetado pela atual crise desta pandemia, mesmo que fisicamente confinados, há muitas maneiras de chegar aos outros".

Dom Majella incensa a imagem de São Sebastião, em 20 de janeiro de 2020. Reprodução/Catedral Metropolitana de Pouso Alegre.

Acompanhe as transmissões das celebrações da novena de São Sebastião nessas paróquias, clicando nos nomes destacados.

 

A imagem destacada da notícia é de imagem e andor de São Sebastião, na catedral metropolitana. Reprodução/Catedral Metropolitana de Pouso Alegre.


#Reflexão: 2º Domingo do Tempo Comum (16 de janeiro)

A Igreja, neste domingo (16), celebra o 2º Domingo do Tempo Comum. Reflita e reze com a sua liturgia.

1ª Leitura – Is 62,1-5

Salmo – Sl 95,1-2a.2b-3.7-8a.9-10a.c (R. 1a.3b)

2ª Leitura – 1Cor 12,4-11

Evangelho – Jo 2,1-11

Acesse aqui as leituras.

 

AS BODAS DE CANÁ

No domingo passado, recordamos o início da vida pública de Jesus, que tem seu ponto de partida com o Batismo que Ele recebeu de João Batista. Com Jesus, todas as promessas de Deus começaram a se realizar para o povo de Deus. Entre tantas, Jesus procurou desfazer a imagem de Deus severo, distante e frio, que todos conheciam, mostrando que nosso Deus é próximo e Pai de todos.

Isaías, na 1ª leitura, nos diz que o nosso Deus é irrequieto em relação ao seu povo. Procura resgatar de todos os modos, recuperar e animar seus filhos, apesar da imensa dor e sofrimento que todos ainda estavam enfrentando com a destruição promovida por povos estrangeiros. Nosso Deus prometeu um compromisso pleno e duradouro, da mesma forma quando um casal celebra seu matrimônio.

Bodas de Deus com seu povo, talvez, essa tenha sido a motivação do evangelista João ao narrar o primeiro sinal público de Jesus, não pregando e realizando milagres entre os pobres e doentes, nem mesmo participando de uma celebração, mas em uma festa de matrimônio.

Para as Bodas do Evangelho, tudo estava preparado e tudo indicava que se tratava de uma família importante pela quantidade de talhas para purificação de todos. Os noivos até contrataram um mestre de cerimônias. Todos os convidados já estavam festejando o casamento e a Mãe de Jesus estava no local. Jesus é mencionado como alguém que se somou aos outros convidados. Sua mãe é que tem atenção dos noivos.

O casal, os principais do casamento, pouco aparece. Há todo um movimento de outras pessoas (Maria, Jesus e os servos) que descobrem o problema e procuram uma solução. Quem preparou as Bodas foi duplamente ineficiente: em relação à quantidade de bebida e não percebeu ainda o que estava por acontecer.

A “festa” na Bíblia é sempre um sinal de felicidade entre as pessoas que festejam e, juntos, se alegram. O “vinho” expressa sempre a alegria que o ser humano é chamado a viver neste mundo: ter vinho e consumi-lo é sempre sinal de tranquilidade, de conquista através do trabalho humano que culmina com banquete e bebida. Porém, o casal estava próximo de um vexame com a possível falta de vinho. Nem tudo estava perfeito no casamento. A Mãe de Jesus estava atenta a tudo e se moveu para resolver o problema. Ninguém ainda conhecia Jesus, mas sua mãe, sim! Ela apresentou a questão ao seu Filho. Maria representou todo Israel que acreditava nas promessas de Deus e pedia incessantemente por sua gente. Jesus respondeu, procurando conter a ansiedade de sua Mãe, mostrando que tudo tem seu tempo. Ademais, aqueles que eram os responsáveis e os noivos (os principais interessados) nada pediram a Ele. Porém, qual filho deixa de atender um pedido de sua mãe?

As palavras de Maria são o centro de toda história: “façam tudo que Ele pedir”! João nos informa haver lá seis jarros para a purificação conforme o costume dos judeus. Estavam vazios (já cumpriram sua função). Eram de pedras (difíceis de serem movidas) e utilizadas, normalmente, no Templo para os rituais de purificação. O casamento foi realizado seguindo todos os costumes judaicos, mas não foi suficiente para dar a alegria perfeita para o casal, pois o vinho estava por acabar. Aqui temos a dica que não se trata somente de um casamento para o evangelista João, mas esse casamento representava a própria situação da religião da época: tudo conforme as leis, mas tudo estava por terminar sem alegria e numa grande frustração.

Os servos da festa se tornaram a peça fundamental no desenrolar da história. Primeiro, eles creram na palavra de Maria e ela solicitou que eles acreditassem nas palavras de Jesus. Os servos demonstraram serem pessoas com profunda fé, mas, principalmente, eram pessoas do serviço, pois faziam tudo: eles encheram as ânforas de água e, depois, sempre confiantes em Jesus, levaram ao mestre-sala.

O organizador do casamento descobriu se tratar de um vinho muito bom e fez um comentário com o noivo sobre a qualidade espetacular do vinho que ele achava estar escondido. Tudo aconteceu nas mesmas ânforas que estavam vazias, que Jesus pediu que fossem enchidas de água. Jesus preencheu o vazio da religião judaica. Jesus não rompeu com a religião judaica, mas veio oferecer um “vinho melhor” dentro dela.

Os dois vinhos que, segundo o Evangelho de hoje, eram usados nas festas (primeiro o bom vinho, depois um vinho inferior) recordam a própria história da religião de Israel. Tudo inicialmente foi um “vinho bom” que a religião concedia um tempo atrás ao povo judeu, mas, depois, passou a servir somente “vinho ruim” e, no tempo de Jesus, até o ruim estava acabando. Jesus é aquele que transforma água, que representa “vida”, em vinho bom. O “vinho ruim” que todos já beberam já acabara bem antes do “vinho melhor”, servido no início da festa. Jesus oferece não somente algo novo (mais vinho), mas algo melhor (vinho bom).

Jesus é o “Noivo” que prepara o “vinho novo e melhor”, é a fonte de tudo que o povo esperava. Foram usadas seis talhas de pedra. Esse número representa a imperfeição, mas Jesus é a nova fonte de toda alegria. Ele encheu as talhas antigas e se ofereceu como fonte perene e nova para o povo de Deus.

Na passagem de hoje, os noivos das bodas não foram mencionados para que tudo se concentrasse naquele que é o “Novo Noivo” para o povo de Deus. Maria representa o povo de Deus, que acredita na nova promessa que é Jesus e confia sempre em Deus, mesmo sem ver sinais: é o povo que não perdeu a esperança. Ela conclama os servos a fazem o mesmo: confiar nas palavras de Jesus. Maria é a pessoa de fé que ensina a crer em Jesus, em suas palavras, independentemente de qualquer sinal ou milagre.

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Pastoral da Comunicação apresenta nova organização e agenda 2022

Em vídeo para as redes sociais, padre Thiago de Oliveira Raymundo, em nome dos assessores eclesiásticos da Pastoral da Comunicação (Pascom), apresentou hoje (9) como essa pastoral está organizada e quais serão as atividades realizadas neste ano.

Após o falecimento de padre Andrey Cássio Nicioli Silva, em 18 de outubro de 2021, até então assessor eclesiástico da Pascom na arquidiocese de Pouso Alegre (MG), novos padres e diáconos, a pedido de dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., assumiram as atividades dessa ação pastoral.

A assessoria da Pascom conta com a participação de 27 pessoas: 10 clérigos (8 padres e 2 diáconos) e 17 cristãos leigos, que se dividem em 5 grupos de trabalho (GTs). A coordenação da assessoria eclesiástica está sob responsabilidade de padre Thiago de Oliveira Raymundo, vigário nomeado para a paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Camanducaia (MG). O coordenador da Pascom é o cristão leigo Alexandre Augusto Mendonça, da paróquia Santo Antônio, em Pouso Alegre.

Os GTs da Pascom atuam em 5 frentes de comunicação arquidiocesana: este site (www.arquidiocesepa.org.br), as páginas oficiais da arquidiocese nas Redes Sociais (Facebook e Instagram), o seu canal no Youtube, as atividades relacionadas ao 1º Sínodo Arquidiocesano e a causa de beatificação do monsenhor Alderigi.

Confira, a seguir, os membros dos GTs.

Membros do GT Site.
Membros do GT Redes Sociais.
Membros do GT YouTube.
Membros do GT 1º Sínodo Arquidiocesano.
Membros do GT Monsenhor Alderigi.

A Pascom está presente em 57 das 67 paróquias da arquidiocese de Pouso Alegre, o que representa uma abrangência de 82,6% do território arquidiocesano. Ao todo, a Pascom conta com o auxílio pastoral de 224 voluntários, atuantes nessas paróquias.

Para o ano de 2022, padre Thiago ressaltou, em vídeo, a importância de participar dos eventos arquidiocesanos e provinciais programados para a Pascom para 2022 e também dar apoio e se envolver nas atividades do Sínodo dos Bispos e do 1º Sínodo Arquidiocesano. Além disso, o padre assessor ressaltou que, neste ano, o objetivo da Pascom será desenvolver a capacidade da escuta para comunicar melhor Jesus e a Boa Nova do Reino na Igreja e no mundo, seguindo a proposta da Pascom Brasil.

Veja a mensagem de padre Thiago:

A programação 2022 e a nova organização da Pascom foram construídas em reunião no dia 6 de novembro de 2021, na cúria metropolitana, com a presença de dom Majella.

O objetivo definido para a Pascom neste ano é:

Motivados pelo Sínodo dos Bispos sobre sinodalidade e pelo 1º Sínodo Arquidiocesano e com a proposta do Papa Francisco para o 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais, a partir de Jesus Cristo, escutar os comunicadores, levando a esperança e a alegria do Evangelho nas comunidades eclesiais missionárias.

Reunião de membros dos novos GTs da Pascom em 6 de novembro de 2021.

Incentivados por dom Majella, os membros da Pascom são chamados a:

"Fazer escola, trabalhando com mais pessoas; focar na evangelização e no diálogo com a sociedade; ir além dos avisos paroquiais, folhetos litúrgicos e textos longos; e caminhar de forma integrada para dar sentido à pastoral, à evangelização", pediu o arcebispo para ser desenvolvido nessa pastoral.

Faça o download da organização dos GTs da Pascom Arquidiocese de Pouso Alegre 2022.

Faça o download do Planejamento 2022 da Pascom

 

Com imagens de Cláudia Couto, pela Pastoral da Comunicação.

A imagem destacada da notícia é dos participantes da reunião da Pascom, em 6 de novembro de 2021.


Seminaristas da arquidiocese fazem experiência missionária

De 6 a 21 de janeiro, seminaristas do 4º ano da Etapa Configurativa da arquidiocese de Pouso Alegre realizam experiência missionária na paróquia São Pedro do Fanado, em Minas Novas, na diocese de Araçuaí (MG).

 

Os seminaristas Dioni Acácio da Silva, Tainan Francisco de Paula e Valter Virgínio Pereira participam desse projeto missionário.

 Seminaristas da arquidiocese de Pouso Alegre participantes do projeto missionário. Foto: Arquivo pessoal dos seminaristas.

A experiência missionária envolve seminaristas de dioceses dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.

Divulgação oficial do projeto. Fonte: paróquia São Pedro.

O projeto pretende proporcionar encontro de candidatos ao sacerdócio com o Povo de Deus e uma experiência missionária que auxilie a formação de futuros padres.

Dom Esmeraldo Barreto de Farias, bispo de Araçuaí, e padre Carlos Magno, pároco da paróquia onde acontecem as atividades missionárias, acompanham os seminaristas.

 

Com informações e fotos dos seminaristas participantes. Foto destacada da notícia é da Pascom "Diocese de Araçuaí".


#Reflexão: Batismo do Senhor (9 de janeiro)

A Igreja, neste domingo (9), celebra o Batismo do Senhor. Reflita e reze com a sua liturgia.

1ª Leitura – Is 42,1-4.6-7

Salmo – Sl 28,1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R.11b)

2ª Leitura – At 10,34-38

Evangelho – Lc 3,15-16.21-22

Acesse aqui as leituras.

 

BATIZADO PARA ANUNCIAR O REINO DE DEUS

A festa do Batismo do Senhor serve de ponte entre o Natal e o início da vida pública de Jesus. Todas as promessas da parte de Deus que foram trazidas por Jesus são atualizadas em cada Batismo que é celebrado. Através do Batismo, no Filho de Deus, todos nos tornamos filhos e filhas, irmãos e irmãs.

O Natal nos espanta pela generosidade e pela solidariedade de Deus para com toda a humanidade. Ele escolhe vir a este mundo de uma forma plenamente humana e nos revela sua a máxima riqueza em uma criança e uma família. O rosto de Deus resplandece e brilha dentro de uma família!

O profeta Isaías nos lembra do amor predileto e pessoal de Deus, que elege e cobre de afeto seu Filho amado coberto pela sua graça e, por isso, até o seu modo de proceder, profetizar e anunciar demonstram o cuidado e a misericórdia divinas. O Messias não é alguém escandaloso e nem barulhento, não extingue a esperança que ainda se mantém tênue e frágil com uma chama, mas a transforma em fogo abrasador. O amor possui essa capacidade de atingir o coração e produzir uma revolução dentro das pessoas, que, depois, é traduzido em gestos e atitudes concretas de solidariedade, como a “verdadeira religião”, a qual anuncia o profeta Isaías, que se preocupa com a pessoa humana, começando pelas suas necessidades mais elementares e básicas. Os últimos e abandonados tornam-se os primeiros. Lá onde impera a escuridão no abandono e da exclusão de tantas pessoas, onde estão os esquecidos, justamente lá, iniciará a resplandecer a nova luz trazida por Jesus Cristo.

No tempo de Jesus, havia uma grande necessidade de algo novo, profundo e acessível a todos que a religião oficial em Jerusalém não conseguia mais oferecer. No deserto e junto a um homem forte nas palavras, o povo encontrou uma nova esperança de que novamente Deus estava próximo: “Pensavam que João Batista fosse o Messias”, nos diz Lucas. Exatamente nesse contexto, João esclarece sua missão. João proclama que ele é somente uma simples amostra da força e do poder daquele que viria depois dele. É maior e mais forte, pois tudo em Jesus rompe o tempo e a história, uma grandeza que atinge todo o mundo e toda a humanidade. O batismo de João era de água e atingia somente o corpo e o desejo de mudança com o reconhecimento do pecado. Um banho (“batismo”) que preparava para a verdadeira transformação e a purificação que Jesus iria inaugurar.

A simplicidade de tudo até o momento do Batismo revela ainda mais a grandeza da encarnação do Verbo que passa quase toda uma vida (30 anos), aprendendo e convivendo com os seus para, no momento justo, iniciar sua missão. Nesse ato quase corriqueiro do batismo e entre tantas pessoas, desponta o Messias. Jesus nunca buscou privilégios, sempre esteve entre os simples. Do meio deles, Jesus se deixou batizar por João no rio Jordão.

Jesus não precisava ser batizado por João (para o perdão dos pecados), mas era necessário que acontecesse a “passagem”, na qual Ele se tornaria público; para que a missão de João se encerrasse e a missão de Jesus iniciasse. A partir daquele momento, a força redentora de Deus começaria sua missão com Jesus. De fato, se Jesus entrou nas águas como mais um a ser batizado. Ele saiu do rio Jordão diferente conforme o evangelista anuncia. João podia somente oferecer a cada penitente arrependido um rito de purificação superficial. Somente Jesus podia e pode oferecer algo que expressa a força transformadora de Deus: o fogo do Espírito Santo! Logo que Jesus deixa as águas do Jordão, os céus se abriram e Ele viu e ouviu a confirmação de Deus para o início de sua missão. Encerrava-se, assim, o batismo de João, pois Deus tinha algo muito maior para oferecer a todos: o Espírito Santo.

A experiência no momento do Batismo foi algo profundo e veio confirmar o amor de Deus para com Jesus. Com o Batismo, Deus Pai tirou Jesus do anonimato e o manifestou ao mundo. Deus Pai proclamou: “Tu és o meu Filho Amado”. A máxima relação entre Jesus e Deus na forma pessoal e íntima de se relacionar: “tu”, em uma relação profunda e de posse; “meu”, na ligação mais significativa que pode existir entre pessoas; “filho e pai”, de um jeito mais expressivo de acontecer tudo; “amado”, com a profunda relação entre Pai e Filho; “em ti ponho minha afeição”, como uma conclusão. O Batismo de Jesus é uma perfeita declaração de amor entre Deus Pai e Jesus, seu Filho.

Tudo isso não foi algo pessoal e exclusive com Jesus. Em Cristo, nos tornamos filhos no Filho e herdeiros do mesmo amor. Cada pessoa batizada recebe o mesmo tratamento e recai sobre ela o mesmo amor. Jesus não diz nada em todo o relato. Ele é passivo diante do amor de Deus e das graças do Espírito Santo, que descem sobre ele. Da mesma forma, ao ser batizado e batizada, cada pessoa recebe o mesmo amor que inunda e transforma toda pessoa. O Batismo marca o início da vida pública de Jesus. Com a confirmação e unção para a missão, Jesus inicia o anúncio da Boa Nova.

Jesus sai confirmado pelo amor de Deus para iniciar sua missão de anunciar o Reino de Deus e, depois, salvar a humanidade. O nosso Batismo deve também nos impulsionar a viver e anunciar o mesmo amor de Deus a todos que ainda não o conhecem e aprofundá-lo com os irmãos e irmãs que já o receberam. Por isso, o Batismo não se limita a um rito que termina com a celebração, mas, dali, deve iniciar uma longa missão que perdura por toda vida do cristão. Primeiro, na convivência e na partilha da fé e do amor com os pais. Depois, na missão que o cristão deve assumir e viver por toda sua vida, pois o amor de Deus não tem limite e fim, é algo que já experimentamos neste mundo e que será pleno na eternidade.

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Missas pelo jubileu de 60 anos de criação da arquidiocese são iniciadas em paróquias

No dia 23 de dezembro, quinta-feira, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, presidiu missa na igreja matriz de Nossa Senhora de Fátima, em Pouso Alegre (MG), em preparação à comemoração dos 60 anos de elevação do bispado de Pouso Alegre à categoria de arcebispado, ocorrida em 23 de setembro de 1962. Essa paróquia foi a primeira a ser criada após essa data.

Saiba mais sobre o Ano Jubilar dos 60 anos da arquidiocese.

A cerimônia foi concelebrada pelos padres Jésus Andrade Guimarães, pároco; José Luiz Faria Júnior e Tales Tadeu Ananias, vigários. Fiéis da paróquia de Nossa Senhora de Fátima estiveram presentes e participaram da missa.

Padre Jésus Andrade, dom Majella, padres José Luiz e Tales na missa do Ano Jubilar.

Com esse evento, o arcebispo iniciou a celebração de missas em preparação à comemoração dos 60 anos da arquidiocese, que ocorrerá em 23 de setembro de 2022.

Leigos da paróquia de Nossa Senhora de Fátima e membros da comissão do Jubileu de 60 anos da arquidiocese.

Até 23 de agosto de 2022, acontecerão missas nas paróquias criadas a partir da data de criação da arquidiocese de Pouso Alegre.

Arcebispo, padres e leigos presentes na missa do dia 23 de dezembro de 2021, que iniciou a programação de missas missas festivas nas paróquias jubilares.

As próximas paróquias em que ocorrerão as missas em preparação ao jubileu são: Senador Amaral (23 de janeiro), Nossa Senhora de Fátima (23 de fevereiro), Wenceslau Braz (23 de março), Marmelópolis (23 de abril), Albertina (23 de junho), Sagrada Família/Itajubá (23 de julho) e São José Operário/Pouso Alegre (23 de agosto).

Com imagens e informações da Pastoral da Comunicação da paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Pouso Alegre.


#Reflexão: Epifania do Senhor (2 de janeiro)

A Igreja, neste domingo (2), celebra a Epifania do Senhor. Reflita e reze com a sua liturgia.

1ª Leitura – Is 60, 1-6

Salmo – Sl 71, 1-2.7-8.10-11.12-13 (R. Cf.11)

2ª Leitura – Ef 3,2-3a.5-6

Evangelho – Mt 2,1-12

Acesse aqui as leituras.

 

DEIXAR-SE GUIAR PELOS SINAIS DE DEUS

A celebração deste domingo ainda está em profunda sintonia com o Natal de Nosso Senhor. Celebramos a manifestação de Jesus a todos os homens e mulheres em todos os tempos. A visita dos Magos do Oriente nos recorda que Jesus não veio a este mundo somente para alegrar a vida de uma família, de algumas pessoas, de uma região ou mesmo de uma nação: Jesus pertence a toda humanidade e em todos os tempos.

O Evangelho inicia com duas informações: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia”. O local confirma a tradição do nascimento em Belém, ideia que será repetida mais vezes, isso para confirmar a forte ligação de Jesus com a tradição sobre o messias como descendente de Davi, rei ungido em Belém (1Sm 16,1-13).  “No tempo do rei Herodes”. Um personagem conhecido, confirmando que Jesus pertence à história conhecida.

Em seguida, Mateus introduz a história dos viajantes com “eis que magos”, eles entram na história e não compõem os dois dados anteriores. Os “magos” não eram reis ou “sábios”, mas eram bem aceitos nas cortes e muitos reis apreciavam suas previsões, por isso, eles não encontraram dificuldades de se aproximar de Herodes.

Os viajantes do Oriente eram pessoas que conheciam os astros e as estrelas, característica marcante dos povos daquela região de onde partiram. Movidos pelo conhecimento que tinham do céu, perceberam que havia uma “estrela diferente no firmamento”. Até onde descobriram, concluíram que valia a pena arriscar deixar tudo e buscar o “dono” daquela estrela diferente. O céu com suas estrelas era visível para todos, mas somente os magos perceberam que algo diferente estava acontecendo.

Os magos do Oriente representam muito bem a nossa caminhada de fé e busca de Deus. Eles saíram de longe, se orientaram com o que sabiam, se perderam na caminhada, foram a lugares errados em busca de respostas, mas não desistiram jamais. Abandonaram suas terras em busca de um rei e encontraram um menino. Buscaram nos palácios e terminaram a jornada em um local simples (Mateus diz “casa”; Lucas, um local para animais). Acharam que tudo estaria resolvido com as pessoas mais importantes da época, mas tudo só teve sentido quando encontram a família de Nazaré.

A ciência que eles tinham os conduziu e os animou em uma longa jornada, mas ela não deu todas as respostas. Chegaram até Jerusalém, pensando que lá teriam uma explicação para tudo, mas obtiveram somente parte da solução. A ciência dos magos os levou até a cidade dos profetas e do Povo de Deus, mas somente conseguiram prosseguir a busca quando tiveram contato com a Palavra de Deus. O evangelista Mateus nos conta que, de um lado, a cidade ficou agitada e Herodes ficou com medo e, de outro lado, os magos se encheram de alegria. Os viajantes do Oriente foram um grande instrumento de revelação para os grandes de Jerusalém (Herodes e sacerdotes), mas preferiram ignorar tudo.

Todos os convocados por Herodes (sacerdotes e Escribas) se mostravam entendidos nas Escrituras, mas estavam fechados em suas esperanças. Para os sacerdotes, não havia necessidade de novidades e preferiram ficar com Herodes do que seguir os magos. Eles mesmos foram instrumentos de uma Nova Esperança, mas não abraçaram aquilo que leram e conheciam (a Palavra de Deus). Os homens da religião e da Lei preferiram ficar em Jerusalém, pois lá eles já tinham o Templo, as festas, os sacrifícios e suas tradições, eles não queriam saber da novidade do menino que atraía pessoas de terras distantes.

Na cidade, a “estrela guia” não pode ser mais vista. No palácio do rei, não havia espaço para os sinais de Deus. Nos lugares onde a prepotência daqueles que se sentem grande, Deus não pôde ser visto. Onde há mentira, não brilha a luz de Deus. Porém, ao saírem da cidade dos poderosos daquela época, a alegria retornou. Antes viam a estrela somente com seus conhecimentos, ao deixarem a Cidade Santa, foram alimentados pela esperança das profecias da Palavra de Deus. Agora, a viagem deles estava animada com um novo sentido: estavam no caminho certo e estavam próximos! Os magos (estrangeiros e vindos de terras pagãs) se aproximavam cada vez mais de Jesus; os sacerdotes e a religião oficial, cada vez mais distantes.

Antes, a Cidade Santa, Jerusalém, era o centro e o ponto de chegada de todos os peregrinos; agora, com Jesus, passa a ser somente instrumento e passagem que conduz ao verdadeiro sentido de qualquer jornada. Belém, a “menor das cidades”, faz sombra a grande cidade de Jerusalém.

Eles perceberam que os sinais de Deus possuíam um sentido próprio e uma grandeza particular. Não deviam mais buscar entres os grandes, mas deixar ser guiados pelos sinais de Deus, que estão longe da prepotência, da mentira e da falsa sabedoria humana.

Os magos tinham buscado em lugares onde a grandeza dos homens brilhava e, por isso, os sinais de Deus não tinham espaço. Em Belém, tudo se revestiu de significado e sentido. Não encontraram nada espantoso ou espetacular, mas somente uma família com um recém-nascido. Os três presentes são simples e significativos: “ouro” para os reis e deuses, “incenso” para divindade e “perfume” (mirra) para um grande homem.

Mateus faz questão de lembrar que Jesus, o recém-nascido, estava com sua mãe: “acharam o menino com Maria, sua mãe” (v.11a). Em seus braços, o Eterno Rei recebe adoração e veneração. Maria é o amparo mais profundo para Jesus e, ao mesmo tempo, o trono onde o Messias é reconhecido. O destino da mãe e do filho estão selados para sempre!

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#Reflexão: Maria, mãe de Deus

A Igreja, nesta sexta-feira (31), à noite, e sábado (1/janeiro), de manhã, celebra a Solenidade de Santa Maria, mãe de Deus. Reflita e reze com a sua liturgia.

1ª Leitura – Nm 6,22-27

Salmo – Sl 66,2-3.5.6.8 (R. 2a)

2ª Leitura – Gl 4,4-7

Evangelho – Lc 2,16-21

Acesse aqui as leituras.

 

O EXEMPLO DE MARIA

A celebração do dia 1º de janeiro possui dois temas que caminham juntos: a paz e Maria, mãe de Deus. Um grande desejo para o ano que se inicia e uma dádiva de Deus para toda a nossa vida.

A primeira leitura recorda a bênção que o povo de Deus passou a receber de Aarão, sacerdote de Deus. Na bênção, a promessa principal de proteção, graça e paz se encontra no rosto (na face) de Deus. Não há outra origem para a paz que desejamos, senão no rosto paterno de Deus. Aprendemos com a história do povo da Bíblia e com a própria vida de Jesus que ter paz não é não ter problemas ou desafios e até riscos, mas estar com Deus, ter o olhar cuidadoso e amoroso de Deus Pai.

Paulo, na 2ª leitura, lembra que todas as promessas de Deus realizadas em Jesus aconteceram em um tempo que foi o momento mais alto da história (“plenitude dos tempos”). Neste momento máximo de manifestação de Deus, depois de ter falado de diversos modos (por meio da natureza e depois pelos profetas), Ele mesmo veio em nosso meio para nos falar pessoalmente. No Natal do Senhor, descobrimos que Deus não quis falar de um modo grandioso, espetacular e maravilhoso, nem por meio de grandes sinais e milagres, mas, simplesmente, veio a este mundo em uma criança, algo tão humano e simples que todos nós nos identificamos.

O Natal de Jesus, que celebramos dias atrás, nos recorda a simplicidade de Deus e como tudo aconteceu: sem grandezas, Deus, maravilhosamente, entrou em nossa história sem fazer barulho. No silêncio do presépio, poucas foram as testemunhas daquela noite na qual Deus, definitivamente, estabeleceu o seu rosto entre nós.

O rosto de bênção divina, que o Povo de Deus sempre buscou, nos foi dado por Maria. Ela foi escolhida para doar, de sua própria natureza humana, a face de Deus para a humanidade. Se todos nós carregamos conosco os traços de nosso pai e mãe, Jesus possuiu somente os traços humanos da parte de Maria. Aqueles que viram o sorriso de Jesus, o olhar amoroso e carinhoso de Deus viram também o olhar e o sorriso de Maria, sua mãe.

Ela possui uma história inseparável de seu filho: deu à luz o Messias na gruta de Belém e O acompanhou até os seus últimos momentos aos pés da cruz quando Jesus “nascia” como nosso redentor. O início e o fim de Jesus neste mundo estão definitivamente marcados em uma história de entrega e amor: da gruta de Belém ao sepulcro; do menino envolto em faixas (Lc 2,7) ao Jesus enrolado em um lençol no sepultamento (23,53).

No Evangelho desta celebração, recordamos ainda o momento em que os pastores correram para ver o que lhes fora anunciado pelo anjo de Deus. Os simples e pobres de Deus são os principais portadores das boas notícias divinas. Os pastores, desprezados pela religião da época como pecadores e ladrões, são convidados a serem testemunhas do nascimento do Salvador. Também no Templo, não são os sacerdotes, mas dois idosos (Simeão e Ana) é que reconhecem, acolhem e revelam Jesus Menino como promessa realizada de Deus.

Tudo no Evangelho de hoje é revestido de luz e alegria, mas tudo permanece na simplicidade própria do Natal de Jesus. Um simples sinal é oferecido aos pastores: um menino enrolado em faixas e deitado em uma manjedoura. Os pastores acostumados com ambientes semelhantes são convidados a redescobrir a grandeza de Deus em um recém-nascido em um local usado para alimentar os animais. Não é a grandeza do sinal que revela Deus, mas o coração em Deus que propicia perceber a sua presença até nos simples sinais.

Sobressai mais uma vez nesta cena do Natal a simplicidade de todos em um lugar, o mais singelo, que Deus escolheu para começar a se revelar. Se vê com os olhos, mas, no nascimento de Jesus, sobressai o olhar especial que somente o coração daqueles que estão em Deus é que são capazes de enxergar.

Não encontram uma criança somente - nos diz Lucas - mas encontram Maria, José e o Menino Jesus: eles encontram uma família com um pai, uma mãe e uma criança que acabou de nascer. É a realidade humana escolhida por Deus e, somente ela, para iniciar seu projeto de salvação. Jesus, antes de doar tudo que conhecemos Dele (palavras e exemplo), quis aprender, dentro de um lar, tudo que é de mais significativo para nós. Antes de nos dar tudo de si, Ele recebeu tudo de seus pais.

Acostumados com as coisas simples e pequenas de Deus, Maria e José se espantam com as palavras dos pastores que se tornam os primeiros a anunciar a realização das promessas de Deus para o povo da esperança. Tinham sido colocados longe da religião da época, mas não estavam longe de Deus.

Por isso, temos, ao final, o exemplo de Maria, que, diante daqueles acontecimentos, ao mesmo tempo, simples e grandiosos, guardava tudo em seu coração. O que ela guardava e meditava? No coração e na meditação, é que fazemos os mais belos encontros com Deus; descobrimos sua presença e a sua vontade. Meditar é aprofundar e descobrir a grandeza de tudo de Deus na simplicidade de pessoas, fatos, gestos, palavras e momentos.

Graças à Maria, o rosto de Deus se tornou eterno entre nós. O próprio Jesus nos ensinou que Ele permaneceria presente entre nós, em cada pessoa, principalmente, nos mais necessitados e pobres. As bênçãos de Deus continuam acessíveis a todos nós, em cada irmão e irmã, em cada gesto simples, revestido de afeto e amor, exatamente como Jesus nos ensinou. Esta é a raiz mais sublime deixada por Jesus para termos e permanecermos sempre em paz.

UM FELIZ E ABENÇOADO ANO NOVO A TODOS!

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