Coordenadores dos Ministros Extraordinários da Comunhão se reúnem para planejar caminhada pastoral de 2025

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No último sábado, dia 17 de maio, aconteceu no Seminário Arquidiocesano um importante encontro com os coordenadores dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão dos diversos setores pastorais da diocese juntamente com seu acessor Pe. Anderson. O momento foi marcado por fraternidade, escuta e planejamento conjunto, tendo como principal objetivo traçar os rumos da caminhada pastoral ao longo deste ano.

Realizado em espírito de comunhão e serviço, o encontro proporcionou a partilha de experiências das comunidades, a escuta das realidades locais e a definição de prioridades e estratégias que vão fortalecer ainda mais a missão dos Ministros Extraordinários da Comunhão nas paróquias e comunidades.

Além da organização das atividades e formações previstas para o ano, o encontro também reforçou a importância do ministério vivido com espírito eucarístico, proximidade com os enfermos e testemunho de fé no serviço silencioso e generoso ao povo de Deus.

Que este encontro frutifique em ações concretas de cuidado, presença e missão nas comunidades! Unidos na Eucaristia, seguimos firmes no serviço ao Reino.

Foto: Sra. Cristiane - Ipuíuna


#Reflexão: 5º Domingo da Páscoa (18 de maio)

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A Igreja celebra neste domingo o 5º Domingo da Páscoa (18). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 14,21b-27
Salmo: 144(145),8-9.10-11.12-13ab (R. cf. 1)
2ª Leitura: Ap 21,1-5a
Evangelho: Jo 13,31-33a.34-35

Acesse aqui as leituras.

JESUS E O MANDAMENTO NOVO

            O Evangelho deste domingo retrata um dos momentos mais importante para Jesus com seus discípulos. O contexto era da Santa Ceia, a última que Ele celebrou com seus amigos. Em torno da mesa, compartilhando os alimentos, Jesus também abriu seu coração. Marcante foi o momento em que lavou os pés de todos indiscriminadamente. Momento difícil foi quando anunciou que tinha consciência da traição de alguém que Ele mesmo tinha escolhido. O lava-pés e o pedaço de pão dado com carinho por parte de Jesus não conseguiram romper o coração duro e fechado de Judas. Ele deixa o grupo, dá as costas a tudo que viu e ouviu e sai no meio da noite para executar seu plano. Jesus não o reprova, ou ameaça, ou ainda o amaldiçoa por sua escolha.

O mal que Jesus tinha enfrentado em diversas circunstâncias seja da parte das autoridades religiosas, também dos romanos e até mesmo em tantos casos de possessão, tinha conseguido se infiltrar e se enraizar no coração de um dos escolhidos de Nosso Senhor. Jesus venceu todos os casos em relação às investidas do mal, mas o seu apóstolo não teve a mesma força. Judas estava corrompido pelo mal e Jesus sabia de tudo. O mal tinha tido uma vitória e achava que assim, iria atrapalhar Jesus em tudo, mas o final foi diferente.

Nos versículos iniciais do texto do Evangelho, por cinco vezes Jesus menciona a “glorificação”. Para todos (discípulos, apóstolos, religiosos judeus, estado romano...) o que estava para acontecer com Cristo (prisão, humilhação e morte) poderia ter significado o máximo da derrota de Jesus, mas para Ele foi o ponto mais alto de sua glorificação e de Deus Pai.

 Tudo tem um sentido profundo e íntimo neste momento da ceia com Jesus. Ele se dirige aos seus discípulos chamando-os de “filhinhos”, única vez no Evangelho que o Mestre trata seus discípulos como crianças que necessitam de tudo. Todos são próximos e íntimos de Jesus, mesmo Judas que preferiu mergulhar na escuridão da noite com seus projetos e sonhos.

O máximo da expressão e ação do mal foi transformado e utilizado por Jesus e Deus Pai para expressar o Amor pleno que Eles possuem por toda a humanidade. O maior mal foi derrotado pelo Pleno Amor. Jesus em momento nenhum procurou glórias pessoais deste mundo, mas exatamente naquele momento em que tudo, aparentemente tinha chegado ao mais baixo da realidade humana (traição, sofrimento e morte), lá esplandeceu a maior expressão do amor de Deus. Por isto, Jesus apresenta o seu pedido especial: Mandamento Novo.

Jesus demonstra que tem consciência dos seus próximos passos e de tudo que lhe aguardava, momentos esses que celebramos na Semana Santa. Ele tinha que percorrer um caminho que ninguém poderá segui-Lo, mas isto não lhe entristece, pois estava sempre com o Pai e tudo seria para a maior glória de Deus.

Jesus fala de um amor já demonstrado e partilhado: “como eu vos amei... amai uns aos outros”. A cruz será a expressão, o ponto mais alto do amor de Jesus que Ele procurou partilhar ao longo de sua vida, particularmente, entre os seus discípulos. Amor que acolhe, que lava os pés de todos, que ama intensamente mesmo diante da traição que está diante de seus olhos. Amor vivido em gestos, abraços, palavras e total doação.

Por fim, deixa como último desejo e recomendação o seu mandamento. Jesus chama de “novo”, mas todos já conheciam o mandamento que se encontra na lei judaica que diz: “Amar o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Nosso Senhor procura melhorar este antigo mandamento, colocando outra medida ou forma para amar o próximo. De fato, o nosso amor é muito limitado e, muitas vezes, misturado com inúmeros interesses e mesquinhas intenções. Não conseguimos amar de um modo justo nem a nós mesmos, quanto mais, amar o próximo. Jesus propõe outra referência ou parâmetro para utilizar como modelo e modo de amor.

Há um particular no texto original. A palavra em grego para “novo” não significa somente algo “recente” como um “recém-nascido”; mas o adjetivo que tem um significado mais forte. “Novo” no sentido de atualizado e que substitui o anterior. Tal mandamento deixado por Jesus deve substituir e aprimorar o anterior.

O mandamento novo é “amar uns aos outros”, mas usando como modelo e ponto de partida o próprio amor de Jesus. Muito mais do que um “sentimento” para com o outro; amar para Jesus é doar-se completamente para o bem do próximo. No Antigo Testamento, as pessoas conheciam muito pouco de como realmente era Deus e imaginavam, assim, um Deus juiz e severo, pronto para punir os pecadores e premiar os justos. Jesus rompe com esta ideia e nos apresenta um Deus pleno amor. Ele ama de modo incondicional e sem limites. Este mesmo amor de Deus Pai, Jesus procurou sempre expressar e ensinar a todos. É exatamente este amor que devemos usar como modelo e conteúdo para amar o próximo.

Expressivo ainda é o modo dinâmico de como se deve viver este mandamento. Ele deve ser praticado em uma relação de reciprocidade e troca. Jesus nos ensina o amor pleno que se doa sem condições, mas nos pede que procuremos trocar entre nós este amor. O mandamento novo deve ser vivido em comunidade, em relação dinâmica onde o amor doado, se alimenta também do amor recebido.

Interessante que neste mandamento novo deixado por Jesus, Deus não vem mencionado. Para Nosso Senhor, o caminho para se chegar até Deus passa necessariamente pelo amor ao próximo. Assim, o amor para com meu irmão e a minha irmã é o caminho privilegiado para se chegar até Deus segundo Jesus.

O exemplo primeiro e marcante de como viver este amor, inicia em Jesus. Ele é o modelo e ao mesmo tempo a fonte de onde devemos nos alimentar sempre para podermos continuar doando amor. Assim, não basta nutrir um belo sentimento para com outra pessoa para já afirmarmos que estamos praticando o Mandamento Novo deixado por Cristo. É preciso viver e praticar este amor conforme Ele mesmo viveu. O amor de Jesus é sem interesse e egoísmo; quer sempre o bem do próximo; se doa plenamente e, principalmente, está em perfeita sintonia com a vontade de Deus Pai. Um amor centrado somente na pessoa e em seus interesses pessoais, jamais será igual ao amor de Jesus. É o amor perfeito que, inclusive, ama até mesmo o inimigo e perdoa sempre.

Devemos ser conhecidos e identificados não por qualquer sinal externo ou vestimenta, mas pela nossa forma de viver o amor de Jesus. O nosso amor vivido intensamente junto com outros irmãos deve ser a melhor forma de expressar a nossa fé.

Na primeira leitura, temos o exemplo de alguns cristãos que, não obstante os desafios e tribulações insistiam em anunciar o Reino de Deus e de confirmar na fé aqueles que abraçavam o mesmo caminho. Eles sabiam que na medida em que se alimentavam do amor de Deus e encontravam na comunidade o mesmo amor, nada neste mundo poderia se colocar contra Deus e a missão que estavam empreendendo.

O mundo novo e perfeito apresentado no Apocalipse (segunda leitura) deve ser construído entre nós, já neste mundo, mesmo que de modo imperfeito e limitado, pois no novo momento da história, Deus será pleno entre nós e conosco. Jesus apresenta um “novo” que deve começar entre nós; um dia, haverá um “novo” que Deus instalará na nossa história. O “novo da história” prometido por Deus, deve já começar a ser gerado em nós e entre nós com o Mandamento Novo deixado por Jesus.

 

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Habemus Papam: Leão XIV

Annuntio vobis gaudium magnum; Habemus Papam! "Anuncio-vos uma grande alegria; temos um Papa!".

Há poucos instantes, da Sacada Central da Basílica de São Pedro, o cardeal protodiácono Dominique Mamberti pronunciou a tão aguardada fórmula em latim, comunicando a Roma e ao mundo o nome do novo Sucessor de Pedro:

“Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum, Dominum Robertum Franciscum, Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinali Prevost, qui sibi nomen imposuit Leo XIV.

Traduzindo para o português: "O eminentíssimo e reverendíssimo senhor, senhor Robert Francis, cardeal da Santa Igreja Romana PREVOST, que se impôs o nome de Leão XIV".

Às cerca de 100 mil pessoas que lotavam a Praça São Pedro e Via da Conciliação, o novo Pontífice dirigiu as seguintes palavras:

"A paz esteja com todos vocês!

Caríssimos irmãos e irmãs, esta é a primeira saudação de Cristo Ressuscitado, o Bom Pastor que deu a vida pelo rebanho de Deus. Eu também gostaria que esta saudação de paz entrasse em seus corações, chegasse às suas famílias, a todas as pessoas, onde quer que estejam, a todos os povos, a toda a terra. A paz esteja com vocês!

Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e uma paz desarmante, humilde e perseverante. Ela vem de Deus, Deus que nos ama a todos incondicionalmente. Ainda conservamos em nossos ouvidos aquela voz fraca, mas sempre corajosa, do Papa Francisco que abençoava Roma!

O Papa que abençoava Roma concedia a sua bênção ao mundo, ao mundo inteiro, naquela manhã do dia de Páscoa. Permitam-me prosseguir com essa mesma bênção: Deus nos ama, Deus ama a todos vocês, e o mal não prevalecerá! Estamos todos nas mãos de Deus. Portanto, sem medo, unidos de mãos dadas com Deus e entre nós, sigamos em frente. Somos discípulos de Cristo. Cristo nos precede. O mundo precisa de sua luz. A humanidade precisa dele como ponte para ser alcançada por Deus e seu amor. Ajudai-nos também vós, e depois uns aos outros, a construir pontes, com o diálogo, com o encontro, unindo-nos a todos para sermos um só povo, sempre em paz. Obrigado, Papa Francisco!

Quero também agradecer a todos os meus irmãos cardeais que me escolheram para ser o Sucessor de Pedro e caminhar junto com vocês, como Igreja unida, sempre buscando a paz, a justiça, buscando sempre trabalhar como homens e mulheres fiéis a Jesus Cristo, sem medo, para proclamar o Evangelho, para sermos missionários.

Sou filho de Santo Agostinho, um agostiniano, que disse: “com vocês sou cristão e para vocês bispo”. Nesse sentido, podemos todos caminhar juntos rumo àquela pátria que Deus nos preparou.

À Igreja de Roma, uma saudação especial! [Aplausos] Devemos buscar juntos como ser uma Igreja missionária, uma Igreja que constrói pontes, dialoga, sempre aberta para receber como esta praça com os braços abertos. A todos, a todos aqueles que precisam da nossa caridade, da nossa presença, do diálogo e do amor.

(em espanhol)

Y si me permiten también, una palabra, un saludo a todos aquellos y en modo particular a mi querida diócesis de Chiclayo, en el Perú, donde un pueblo fiel ha acompañado a su obispo, ha compartido su fe y ha dado tanto, tanto para seguir siendo Iglesia fiel de Jesucristo.

(E se  também me permitem, uma palavra, uma saudação a todos aqueles, e em particular à minha querida Diocese de Chiclayo, no Peru, onde um povo fiel acompanhou seu bispo, compartilhou sua fé e deu muito, muito para continuar sendo Igreja fiel de Jesus Cristo).

A todos vocês, irmãos e irmãs de Roma, da Itália, do mundo inteiro, queremos ser uma Igreja sinodal, uma Igreja que caminha, uma Igreja que sempre busca a paz, que sempre busca a caridade, que sempre busca estar próxima, especialmente daqueles que sofrem.

Hoje é o dia da Súplica a Nossa Senhora de Pompeia. Nossa Mãe Maria quer sempre caminhar conosco, estar próxima, ajudar-nos com sua intercessão e seu amor.

Por isso, gostaria de rezar junto com vocês. Rezemos juntos por esta nova missão, por toda a Igreja, pela paz no mundo e peçamos esta graça especial a Maria, nossa Mãe."

Fonte e foto: Vatican News

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Interpretação: o humano busca compreender o divino

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Inspirada por Deus, escrita por comunidades de fé a partir do testemunho catequético de homens e mulheres, e reconhecida pela Igreja como texto revelado em vista da salvação humana, a Bíblia deve ser lida e interpretada sob a autoridade do mesmo Espírito que iluminou e conduziu seu processo redacional. Sendo assim, a mensagem bíblica só pode ser verdadeiramente interpretada se a sua leitura e compreensão ocorrerem segundo a dinâmica que o próprio Deus quis para a sua escrita, isto é, que ela seja feita sob a guia do Espírito Santo, que é chamado de Intérprete da Escritura, e no seio da comunidade eclesial. Qualquer tentativa de compreensão da Bíblia que desconsidere sua natureza teológica e seu pertencimento eclesiológico é arbitrária e desonesta, constituindo-se uma traição semântica.

Considerando que os livros bíblicos, cada qual a seu modo e segundo seu estilo literário, são narrativas sobre as experiências de fé que Israel e os cristãos viveram, os óculos a serem utilizados pelo leitor dos textos devem ser emprestados dos seus escritores: as lentes teológicas são as únicas capazes de conduzir o leitor ao sentido original do texto, já que, apesar de possuírem conteúdo histórico, geográfico, cultural, moral, político, econômico, social etc, o objetivo primordial dos 73 livros da Sagrada Escritura é contar de que forma Deus se revelou ao ser humano e como a humanidade acolheu e viveu a mensagem salvífica a partir daquilo que Deus propôs. A captação deste sentido profundo dos textos bíblicos só é possível através do reconhecimento, que nasce da profissão de fé na ação do Espírito Santo durante o processo redacional dos livros, de que eles são fruto da inspiração divina para a salvação do mundo.

Abordar o texto, dessa maneira, a partir do seu contexto teológico é preservá-lo de qualquer possível manipulação que pretenda transformá-lo em pretexto para a realização de interpretações que ele mesmo não é capaz de proporcionar: por exemplo, alguém que busque na Bíblia fundamentos para embasar teorias científicas está equivocado, porque ela, muito embora contenha ciência dentro dos limites de desenvolvimento da época em que foi escrita, não é um compêndio científico; buscar na Sagrada Escritura aquilo que ela não pode oferecer é como procurar laranja num limoeiro, ou seja, é ignorar a natureza da fonte e atribuir a ela, de maneira arbitrária, um fruto que não é capaz de produzir. Tão importante quanto entender a Escritura como texto teológico é lê-la na mesma dinâmica eclesial que a produziu: se a Bíblia foi escrita em e por comunidades que foram catequizadas pelo ensinamento de alguma personagem exponencial, tal como um profeta ou apóstolo, ela só pode ser compreendida em e por comunidades, sob a ação do Espírito Santo.

A redação coletiva dos textos finais que foram reconhecidos pela Igreja como divinamente inspirados implica na interpretação dos mesmos escritos de maneira comunitária. Ninguém, portanto, está individualmente autorizado pelo Espírito Santo a compreender o sentido teológico da Escritura, justamente porque Ele, o Intérprete oficial da Bíblia, age na comunidade de fé reunida; somente quando todos estão reunidos, como em pentecostes (cf. At 2,1-4), é que o Espírito Santo, Aquele mesmo que inspirou a redação dos livros há milênios, produz a interpretação teológica dos textos, garantindo que eles multipliquem no espaço e no tempo os efeitos salvíficos da Revelação que contêm. Dessa forma, a Igreja considera que a Bíblia só pode ser lida e interpretada em comunhão com a Tradição e o Magistério, de sorte que essas três realidades constituem os fundamentos da fé católica, ao contrário do que pretende o protestantismo, a partir da reforma de Martinho Lutero, no século XVI, quando definiu somente a Escritura - Sola Scriptura - como fonte doutrinária, espiritual e moralmente válida.

Por Tradição, entende-se não os costumes característicos da religião católica, mas a ação de passar adiante, conforme atesta a própria etimologia do termo latino traditio, o depósito da fé recebido dos apóstolos, que foram as testemunhas oculares da revelação cristológica. Assim, a Tradição é o movimento ininterrupto que entrega às gerações, desde a era apostólica, integralmente e sem alterações, os ensinamentos de Jesus. Considerando que os livros bíblicos foram escritos até o final do século I, a literatura que foi produzida a partir do século II, chamada de Patrística, desenvolveu e sistematizou a doutrina, a espiritualidade e a moral que têm na Sagrada Escritura a sua origem e fundamentação, passando a ser identificada como a Tradição da Igreja. A Patrística, cujo nome deriva da palavra latina pater, que quer dizer pai ou padre (cf. Eclo 44–50; Lc 1,54-55), é o período em que os “pais” ou “padres” da Igreja, isto é, homens e mulheres interessados em aprofundar e organizar a fé cristã a partir do testemunho dos apóstolos, colaboraram através de uma vasta produção literária, que tem a Escritura como base, para o esclarecimento doutrinário, espiritual, moral e pastoral da Igreja.

A Bíblia, portanto, nasceu no contexto da Tradição, ou seja, de transmissão da fé pelos Apóstolos, já que a pregação deles é anterior à redação dos textos, de sorte que a Escritura só pode ser interpretada de acordo com a Tradição, que a precede enquanto transmissão oral, a envolve como moldura redacional e a desenvolve na produção dos Pais da Igreja. Zelando pela comunidade cristã nascente nos séculos primevos, como um pai cuida de uma filha durante a primeira infância, os Padres da Igreja se preocuparam em sustentar a fé inaugurada por Jesus, transmitida pelos apóstolos e contida na Bíblia através de seus escritos teológicos. Aqueles que foram discípulos dos apóstolos e escreveram entre os séculos I e II ficaram conhecidos como Padres Apostólicos: Policarpo de Esmirna (69-155), por exemplo, fora discípulo do apóstolo João. A partir do século II, combatendo as heresias que surgiram dentro e a partir da fé cristã, os escritores foram chamados de Padres Apologistas, já que defenderam o cristianismo das falsas doutrinas, como fez Irineu de Lião (130-202). Nos fins do século IV, a Patrística alcançou o seu auge com produções teológicas do gabarito das que foram elaboradas por Agostinho de Hipona (354-430), por exemplo, o maior expoente do pensamento patrístico ocidental.

Se toda essa riqueza histórico-teológica da Tradição constitui o horizonte irrenunciável para uma fidedigna interpretação da Bíblia, igualmente o é aquilo que a Igreja ensina oficialmente por meio do papa e dos bispos em comunhão com ele. Através do múnus de ensinar praticado por esses sucessores dos apóstolos, a Igreja exerce seu Magistério, cujo objetivo mais importante é, fundamentada em pesquisas e estudos bíblicos cientificamente rigorosos e teologicamente pertinentes, interpretar legitimamente a Sagrada Escritura, de forma que os fiéis possam colher os frutos da Revelação divina a partir de uma compreensão adequada e plena dos textos que foram inspirados por Deus para a salvação humana. Sendo assim, a interpretação da Bíblia, que passa pelo reconhecimento da essência teológica dos textos e pela leitura dos livros no seio da Igreja, observando como regra de fé também a Tradição e o Magistério, é o caminho para que o ser humano compreenda plenamente aquilo que Deus diz através da sua Palavra salvadora, evitando equívocos e fundamentalismos que colocam em risco o entendimento da Sagrada Escritura como comunicação do amor divino ao coração humano.

Imagem de svecaleksandr249 por Pixabay


#Reflexão: 4º Domingo da Páscoa (11 de maio)

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A Igreja celebra neste domingo o 4º Domingo da Páscoa (11). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 13,14.43-52
Salmo: 99(100),2.3.5
2ª Leitura: Ap 7,9.14b-17
Evangelho: Jo 10,27-30

Acesse aqui as leituras.

JESUS BOM PASTOR QUE DÁ SUA VIDA POR TODOS

            Jesus no Evangelho deste domingo se apresenta como “Bom Pastor” [o texto que lemos é a parte final do trecho de Jo 10,11-30]. “Eu sou o Bom Pastor” é o título mais desarmado que Jesus procurou aplicar a si mesmo, pois não possui nenhum poder e ao mesmo tempo, todo serviço que Ele veio prestar a todos deste mundo. Mas, Cristo não é um pastor comum, Ele é o “Bom Pastor”: o melhor de todos e único.

            No trecho final do Evangelho, temos um resumo de como Jesus se imagina como Pastor da humanidade e principalmente, o que diferencia Ele de outros pastores.

Um primeiro destaque é a forma de relação entre Jesus, Bom Pastor e suas ovelhas: tudo acontece como grupo e não em caráter pessoal: “escutam minha voz”, “me seguem”, “elas jamais se perderão”... A salvação conquistada por Cristo é um dom a cada pessoa deste mundo, mas a sua ação como Pastor acontece de modo comunitário. Neste mundo, cada pessoa é chamada a ser guiada não individualmente, mas como grupo (Igreja) e rebanho do Senhor. Seria errado imaginarmos Jesus como um Pastor para cada pessoa, pois a direção é comum a todos, o caminho de Salvação é o mesmo que todos devem seguir. Ademais, não é Jesus quem deve se colocar atrás de mim, seguindo meus passos e me guiando em minhas escolhas, mas sou eu (cada pessoa) que deve seguir o Pastor. Ele é quem mostra o caminho e vai à frente e nós devemos nos colocar logo atrás e segui-Lo.

Jesus nos guia com sua palavra, Ele nos fala e por isto, distinguimos sua voz de todas as outras vozes. Ele é nosso guia através de seus ensinamentos e principalmente por meio de Sua Palavra. Mais do que Mandamentos e preceitos, é fundamental escutar sua voz. As leis não devem sobrepor a ninguém e nem sobre a voz de Jesus como Pastor. “Minhas ovelhas ouvem minha voz”, não comandos para executar, mas uma voz amigável para hospedar (Ermes Ronchi).

Nesta relação fundamental, as pessoas que compõem o rebanho do Senhor, são todos aqueles que se colocam em relação com Nosso Senhor acolhendo sua Palavra e colocando em prática seus ensinamentos. É a relação tão desejada por Cristo que é a de Mestre e de discípulo. Ele fala a todos e como “rebanho do Senhor”, mas sua palavra é acolhida como alimento por cada um.

Jesus continua apresentando sua relação profunda com o seu rebanho: O segundo aspecto é: “Eu as conheço. O verbo “conhecer” na Bíblia tem sentido de profunda intimidade como uma relação entre os esposos. Fazemos parte do rebanho de Cristo, mas sua relação é profunda e pessoal. Um pastor comum trata todos de um único modo, pois não pode “gastar tempo” com cada ovelha; com Jesus é tudo diferente. Somente Ele é capaz de nos conhecer individualmente e por isto, quando nos guia, Ele tem em mente as necessidades espirituais de cada um que compõe o seu rebanho. A sua relação não é de massa ou “por atacado”, mas suas Palavras e sua relação tocam cada pessoa. Guiando seu rebanho (todos nós), Ele tem em mente todos os nossos desafios e necessidades como rebanho, como também os riscos e problemas que enfrentamos, pois Ele venceu todos, assim, basta ao rebanho acolher e confiar em sua direção.

O quarto aspecto é que todas as suas ovelhas O seguem. O seguimento de Jesus é algo dinâmico (sempre em movimento) e não algo parado ou intimista. Jesus quer ser Pastor não dentro do cercado onde se encontram suas ovelhas (= Igreja), mas no mundo, enfrentando juntos os desafios de sermos discípulos de Cristo colocando em prática seus ensinamentos.

Jesus quer nos guiar e não somente nos acudir em nossas necessidades; Ele quer mostra o caminho e não somente curar nossas feridas; Jesus quer nos conduzir e nos proteger quando nos colocamos a serviço uns dos outros, quando promovemos o amor e a caridade como Ele mesmo nos ensinou.

Com estas palavras, Jesus esclarece que a sua missão não se encerrou neste mundo com sua subida aos céus, mas Ele continua e quer ser nosso guia durante todo tempo que durar a nossa história.

Jesus prossegue descrevendo como é a sua relação com o seu rebanho e o que O torna diferente de outros pastores. Ele dá sua vida, a vida Eterna, como nos mostra a segunda leitura. Qualquer outro pastor, o máximo que consegue é providenciar bens materiais para a subsistência de suas ovelhas, Jesus nos dá a vida eterna e por isto, as ovelhas jamais se perderão. Jesus é Pastor que não rouba nada de ninguém, não explora e nem se interessa por nada de material, pelo contrário, Ele próprio é que nos dá, mas não coisas materiais, mas sim, o dom da eternidade. Os mitos de deuses pagãos mostram que eles não concedem de nenhum modo a eternidade a seus seguidores; Jesus é diferente:

Ele mesmo ofereceu gratuitamente sua vida e a eternidade a todos nós.

Nenhum poder neste mundo é capaz de roubar nada do Bom Pastor, somente Ele é capaz de doar livremente tudo a todos. O pastor é a força do rebanho. Em situações normais quando o pastor é morto, as ovelhas se veem abandonadas e se tornam presas fáceis dos lobos que atacam e matam o rebanho. Mas, com Jesus e o seu rebanho foi o contrário. A vida dada a todos e o seu sangue derramado não enfraqueceu o seu rebanho, mas transformou aquelas ovelhas do primeiro rebanho em novos pastores. Seguir realmente a voz do Bom Pastor torna cada pessoa forte e capaz de vencer o mal, pois o Pastor Jesus jamais se ausenta de suas ovelhas.

As ovelhas de Cristo devem estar atentas em relação àqueles que se apresentam como “Novos Pastores”. Jesus não tem somente boas propostas, mas uma vida de testemunho de amor; os falsos pastores são pessoas somente da palavra, mas não do exemplo; propõem para os outros, mas não colocam em prática o que ensinam. Olham as pessoas, mas enxergam vantagens pessoais. Constroem relações de acordo com as vantagens que visualizam, mas os interesses terminam quando acabam os benefícios que não recebem mais. Procuram convencer as pessoas que para tudo é necessário dinheiro: uma graça, uma bênção, um benefício pessoal, um cargo, uma cura etc. Uma relação que acontece na base de troca de alguma coisa. As ovelhas são convencidas que a fé, a confiança e as graças de Deus devem ser medidas pela capacidade de dar dinheiro e fazer ofertas, como se Deus de alguma forma precisasse disso. Não! Este não é o Jesus Pastor que encontramos no Evangelho!

            A salvação promovida por Jesus Cristo é expressão da gratuidade de Deus que não obriga ninguém a nada, não cobra e nem força ninguém a receber o que Ele quer doar, pelo contrário, exatamente porque é fruto do eterno amor de Deus é oferecida, doada e partilhada. Quem aceita, acolhe e escuta sua voz, recebe os frutos necessários que conduzem a salvação eterna.

No mundo, muitos se apresentam como “novos guias” e buscam conquistar o espaço que Jesus deve ter em nossas vidas. Mas, contrários a Jesus Bom Pastor, esses guias para oferecer algo, pedem primeiro; antes de doar alguma coisa, arrancam tudo que podem de suas “ovelhas”. São guias que prometem aquilo que não podem dar, pois nada possuem; iludem com situações momentâneas de prazer para esta vida, mas são incapazes de oferecer a felicidade da vida eterna já doada por nós por Jesus. Não guiam e não estão a frente, se limitam e indicar direções que eles mesmo não acreditam e nem assumem.

Aqueles que se dispõem a ser ovelhas de Cristo, que aceitam fazer parte de seu rebanho e se deixam conduzir por sua voz, Jesus nos fala que “jamais se perderão”, pois neste mundo enfrentarão desafios e obstáculos, mas esses não estão sozinhos uma vez que quem se encontra a sua frente é o próprio Senhor Jesus. Ninguém aprecia muito o título de “ovelha”: animal que segue cegamente alguém, que não reclama; mas, ou somos ovelhas de Jesus como Bom Pastor ou alguém ocupará este lugar.

Jesus termina seu ensinamento afirmando que o seu rebanho, na realidade é o próprio rebanho de Deus Pai, pois entre Eles, a relação é perfeita e eterna: há uma única vontade e direção. Nosso Senhor reforça aquilo que disse anteriormente: “ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai”. Estamos em “mãos seguras”! Cristo nos dá toda segurança, mas é fundamental que cada um se disponha a fazer parte do seu rebanho, acolher sua voz e se deixar guiar por seus ensinamentos.

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33ª Romaria dos Trabalhadores reúne fiéis em Cambuquira (MG) com presença da Arquidiocese de Pouso Alegre

Neste 1º de maio, Dia do Trabalhador, Cambuquira (MG) recebeu a 33ª edição da Romaria dos Trabalhadores, evento que reuniu cerca de 600 pessoas de diversas regiões, incluindo a participação da nossa arquidiocese.

A caminhada teve início por volta das 9h, com concentração no pátio da Igreja do Rosário. Logo no início, Carlos, representante da Comissão Vida Plena da Arquidiocese de Pouso Alegre, fez uma fala destacando a celebração da água realizada recentemente na arquidiocese. Na sequência, uma representante da Diocese de Guaxupé também compartilhou reflexões sobre as ações em sua diocese.

Durante o percurso, os participantes fizeram duas paradas. A primeira delas foi organizada pela Arquidiocese de Pouso Alegre, com uma fala do padre Paulo Adolfo Simões, da Paróquia de Piranguinho, que conduziu um momento de reflexão.

 

A Romaria foi encerrada por volta das 13 horas, com uma missa na paróquia São Sebastião,  celebrada pelo Arcebispo Dom Paulo Mendes Peixoto, Arcebispo de Uberaba e Bispo referencial das CEBs do Regional Leste 2.

Após a celebração, foi plantada uma muda de árvore em homenagem ao Papa Francisco, simbolizando o cuidado com a Casa Comum. Em seguida, foi oferecido um almoço para os romeiros vindos de outras cidades.

 

 

Ao fim do evento, os organizadores já anunciaram a próxima edição: a 34ª Romaria dos Trabalhadores acontecerá no dia 1º de maio de 2026, na cidade de Três Pontas (MG), e todos estão convidados a participar.

 

 

 

 

 

Fotos e vídeos: disponibilizadas pelos participantes da caminhada.

Texto: Lidiane Brito.

 


#Reflexão: 3º Domingo da Páscoa (04 de maio)

A Igreja celebra neste domingo o 3º Domingo da Páscoa (04). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 5,27b-32.40b-41
Salmo: 29(30),2.4.5-6.11.12a.13b (R. 2a)
2ª Leitura: Ap 5,11-14
Evangelho: Jo 21,1-19 ou mais breve 21,1-14

Acesse aqui as leituras.

AMOR QUE CONDUZ AO SERVIÇO

No Evangelho deste domingo encontramos mais um relato da aparição de Cristo. Sendo de São João, cada particular ganha uma expressão especial que vai além do local, dos personagens e dos detalhes da cena. 

Jesus se manifesta aos seus discípulos, mas João nos lembra no início e repete na narrativa que não foi a primeira vez. Tudo acontece não em Jerusalém e dentro de uma casa, mas no lago da Galileia chamado de “mar de Tiberíades” (mar para expressar as forças contrárias e os desafios onde a Igreja de Cristo se encontra). O encontro aconteceu na região da Galileia, onde tudo teve início. Esta última aparição de Jesus no quarto Evangelho ocorre no cotidiano da vida, mas agora com a presença do Ressuscitado. Os discípulos, não obstante tudo que já tinham visto e ouvido em relação ao ressuscitado, mostram-se estranhos, distantes e incapazes de reconhecer Jesus presente e vivo. 

Sete são os discípulos que participam deste episódio (sete para representar a totalidade). Pedro que tinha sido revestido com um serviço especial junto ao grupo dos apóstolos, anuncia que ia pescar (Jesus lhe tinha proposto no início do seu chamado de ser pescador de homens) e os outros lhe seguem. No mar, depois de uma noite de trabalho, eles nada conseguem pegar. Terminada a noite de pesca, já no início do dia e retornando para a praia de onde partiram, eles encontram Jesus, mas ninguém o reconhece.

Cristo espera todos na praia. A pergunta de Jesus, serve somente para se aproximar de todos que estavam tão atarefados com aquilo que sempre fizeram que nem perceberam que se tratava de Cristo ressuscitado. Jesus ressuscitado “puxa conversa” como se fosse um estranho: nesta passagem, Ele chama os discípulos de “moços”; para Maria Madalena, se dirige a ela chamando-a de “mulher” (Jo 20,11-18). A noite frustrante já tinha se iniciado quando procuraram fazer tudo somente com as técnicas e com o conhecimento que tinham daquela profissão que sempre exerceram. Jesus Cristo e tudo que eles tinham experimentado com o Mestre, tinha ficado em terra e nada tinham sido levado de Cristo com eles naquela barca.

Isto representa muito bem aqueles que afirmam que a fé em Deus é algo que serve somente para “dentro” das paredes de um templo e em nada pode (ou nem deve) nos ajudar em nossa vida. Uma religião que é vivida em alguns momentos ou somente naquelas situações de desespero pode correr o risco de não ajudar a enxergar Jesus que sempre está conosco, mesmo quando não estamos com Ele.

Os apóstolos tinham tido muitas experiências com Jesus antes e depois de sua ressurreição, mas eles não estavam conseguindo aplicar tudo isto para o dia a dia, para as coisas comuns e corriqueiras da vida, como em sua vida profissional.

Mas, Jesus não nos abandona e possui uma paciência rica de misericórdia. Assim, propõe algo a Pedro que lhe fez recordar sua vocação: lhe sugere, mais uma vez, contrariando tudo que conheciam da pesca (já era dia e estavam próximos da margem), de retomarem a pesca. Cristo não ordena e nem obriga, mas propõe como sempre fizera em sua vida. Eles acolhem a sugestão e depositando toda confiança naquelas palavras, lançam mais uma vez as redes. A pesca milagrosa foi o sinal de que tudo não foi casual e nem sorte de pescador. O discípulo amado, mais uma vez percebe antes e por primeiro, e alerta os outros: “É o Senhor!”. 

Era necessário resgatar no coração dos discípulos, que deveriam enfrentar tantas tempestades conduzindo a Igreja, que o fundamental é sempre escutar, acolher e acreditar nas Palavras de Jesus que não quer nos atrapalhar, mas nos ajudar a “pescar melhor” e com mais abundância. Fé não significa abandonar nossa vida, mas revestir tudo com a presença e a misericórdia de Deus. Esta passagem nos outros Evangelhos é recordada no início da formação do grupo dos apóstolos, mas o evangelista João preferiu situar neste momento em que os apóstolos renovam sua vocação de “pescadores de homens” para Deus.

Pedro que disse que iria pescar e foi seguido pelos outros; depois que percebeu que era Jesus, ele “se veste com um manto” e se joga na água. Simbólico o que propõe São João. É necessário se revestir das palavras de Cristo, daquilo que Ele nos pede e crer plenamente, como alguém que se joga na água confiando sempre e somente nas Palavras de Cristo. Longe de Jesus e sozinhos com seus projetos era com se estivessem sem nada e sem destino. Pedro que depois de ter ido a nado até Jesus, em terra, puxa a rede de peixes até Jesus. Sempre o primado daquele que deve trazer os peixes ao Senhor Jesus. Os outros correram para ajudar o apóstolo Pedro. A fé dos apóstolos (da Igreja de Cristo) quando está realmente depositada em Jesus é capaz de recolher toda humanidade em suas redes (tudo indica que o número 153 era a quantidade de espécies de peixes que conheciam).

Cristo na praia, no início da conversa, tinha pedido peixe para comer. Os apóstolos ao se aproximarem de Jesus encontram tudo preparado: pães e peixes prontos para comer. Mas Nosso Senhor pede que fossem acrescentados alguns daqueles que eles tinham pescado. Ele mesmo prepara tudo e pede que acrescentemos a nossa parte: nossa fé e nossa confiança. Tal refeição, nos recorda a Eucaristia:  pão e vinho em que ofertamos os dons que são transformados no próprio Cristo Jesus. Assim, juntos podemos saciar o mundo da fome que a humanidade possui do alimento de Vida Eterna (Eucaristia). 

A pesca somente foi frutífera quando confiaram em Jesus, indo além da lógica, do conhecimento e das seguranças humanas, mas o resultado de tudo é compartilhado com todos.

O gesto de Cristo de dividir e dar os peixes e os pães foi algo que marcou a vida de Jesus e foi um dos últimos gestos que os discípulos e os apóstolos experimentaram antes da Paixão do Senhor. Em toda Eucaristia que celebramos, nós renovamos nossa fé que o mesmo Cristo se faz presente entre nós, nos orienta o que devemos fazer, mas principalmente nos alimenta com Ele mesmo.

Gestos e Palavras que deveriam ser repetidos não como ensinamento somente, mas expressão de vida e daquilo que é centro de nossa existência: o amor. Na comunhão dos pães e peixes, Jesus dialoga com Pedro, pois ele deveria conduzir a todos na missão de anunciar Cristo para o mundo. Nosso Senhor no diálogo que estabelece com seu discípulo não quer saber de nada mais do que o seu amor. Pedro em torno de uma fogueira no julgamento do Mestre Jesus, negou firmemente pertencer a Ele. Agora, em torno de outra fogueira, Jesus lhe oferece outra oportunidade. Ao perguntar, Cristo lhe recorda que o mais importante é o seu amor (“Tu me amas?”), mais do que conhecimento, regras ou obrigações, tudo deve ser feito a partir da experiência máxima do amor, mas daquele Amor que Jesus nos ensinou doando-se até a morte de Cruz (“Ágape”). Jesus Ressuscitado reforça para o seu primeiro apóstolo que “Amor Pleno” está ligado ao serviço: “apascenta minhas ovelhas”, é cuidando do próximo que mostramos nosso amor a Deus. Pedro na última ceia tinha dito a Jesus que daria sua vida, Jesus lhe apresenta o caminho que é o Ágape (amor perfeito). A insistência de Cristo em perguntar três vezes foi para ajudar a Pedro a não se esquecer que, o que é fundamental em sua vida e depois na vida de todos, é doar-se plenamente como o próprio Senhor Jesus ensinou.

O amor de Jesus é sem limites e tão grande que quem o experimenta tem toda sua vida transformada e nada pode trazer tristeza. Na primeira leitura, encontramos Pedro e outros discípulos que sem medo e sem limites, pregam o amor de Jesus em toda Jerusalém. Os apóstolos aprenderam que era preciso obedecer primeiro a Deus. Pedro procura lembrar as autoridades religiosas que, acima de tudo, eles são testemunhas de tudo que anunciam e era algo tão grande, tão forte e significativo que eles não podiam reter tudo somente para eles. As humilhações e as dores que sofreram eram um nada diante de tudo que Jesus representava para eles. De fato, se temos Jesus Cristo, temos tudo em nossa vida. 

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#Reflexão: Domingo da Divina Misericórdia (27 de abril)

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A Igreja celebra o neste domingo o domingo da misericórdia (27). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 5,12-16
Salmo: 117(118),2-4.22-24.25-27a (R. 1)
2ª Leitura: Ap 1,9-11a.12-13.17-19
Evangelho: Jo 20,19-31

Acesse aqui as leituras.

MEU SENHOR E MEU DEUS

            A Páscoa de Cristo é o centro da nossa fé cristã, pois acreditamos que tudo que Jesus Cristo enfrentou e principalmente a sua ressurreição foram vitórias também para nós: seguindo os passos do Mestre Jesus, também nós venceremos a morte. Os diversos textos que retratam as primeiras manifestações de Cristo Ressuscitado não escondem as dificuldades de todos os apóstolos e discípulos para entender, mas principalmente, para acreditar em tudo que estava acontecendo. Tais relatos são preciosos, pois ajudaram a Igreja de Cristo a perseverar em como anunciar algo que não se pode provar fisicamente.

Os textos da ressurreição, quase sempre, partem da dura realidade que os discípulos e apóstolos ainda estavam vivenciando em relação a tudo que tinha acontecido dias atrás com o Mestre Jesus. A última imagem para alguns tinha sido a morte durante a crucificação, para outros o corpo depositado no sepulcro. Mas, Cristo Senhor ressuscitado foi paciencioso com todos os seus discípulos e aos poucos foi resgatando cada um com um gesto ou uma palavra que tinha ficado como forte sinal do Dele durante o tempo convivência que tiveram.

O Evangelho deste 2º domingo da Páscoa relembra a experiência do grupo dos apóstolos que recebe a visita de Cristo Ressuscitado. A serenidade de Nosso Senhor para com os discípulos revela mais uma vez a grande misericórdia de Deus que procura se adaptar e a nivelar-se às nossas dificuldades de entender e de acreditar.

Aquele “primeiro dia da semana” (como nos diz o Evangelho de São João e na 2ª leitura), logo após a Páscoa dos judeus, se transformou no dia da Páscoa de Jesus. Desde o amanhecer, vários discípulos (começando com as mulheres) experimentaram a presença do Ressuscitado. Além dos sinais da ressurreição (como sepulcro vazio e os panos dobrados), Cristo se mostrou aos seus discípulos que não esperavam tal reviravolta em relação a tudo que tinham experimentado.

João conta em seu Evangelho que tudo aconteceu quando todos estavam reunidos. Talvez depois de várias manifestações do Cristo Ressuscitado, eles resolveram se encontrar para discutir, compartilhar suas experiências, rezar e procurar entender o que estava acontecendo. Muitas perguntas e dúvidas ainda pairavam sobre o grupo. Naquele dia da Páscoa de Jesus, nem todos estavam presentes. Judas tinham escolhido um caminho sem volta e Tomé não se encontrava junto com os outros apóstolos.

            Os discípulos e apóstolos se reuniram movidos ainda por tantos temores e dúvidas, mas mesmo assim, estavam juntos. Tinham aprendido que como grupo é mais fácil entender e descobrir a vontade de Deus. O medo ainda rondava a todos (“portas fechadas... por medo dos judeus”). João nos fala que Cristo “se fez presente no meio deles”. Ele deve ser sempre o centro, mesmo que ao redor, tudo se mostre espantoso, mas Jesus é maior.

Duas atitudes de Cristo marcaram aquele encontro com os discípulos: Ele deseja paz e mostra suas mãos e o lado aberto. A paz, certamente, foi um dos dons que mais Jesus insistiu em sua vida seja em seus ensinamentos como em suas ações. Ela é fruto da experiência e da comunhão com nosso Deus que é sempre misericordioso. Paz não significa “não ter problema”, “não enfrentar dificuldades”, mas sim, equilíbrio interno com o externo (com o mundo) e somente Deus é capaz de nos dar esta tranquilidade. Uma pessoa pode estar cercada de desafios e problemas (como os discípulos), mas se Jesus vivo está no centro de tudo, tal pessoa, certamente, estará em paz. O gesto de Jesus mostrar os sinais da crucificação (Ele o faz duas vezes) é uma forma de confirmar que não se trata de um fantasma ou ilusão, mas é o mesmo e próprio Senhor Jesus que eles conheceram. Não existe Páscoa sem a cruz. A Ressurreição de Cristo não cancela a Sexta-feira Santa, mas a transforma e dá um novo significado para toda a humanidade. Cruz e Páscoa fazem parte da mesma estrada que nos conduz a Vida Eterna, porque a morte em cruz de Jesus não foi um fato qualquer e comum, mas algo que mudou o destino da humanidade: a morte não é mais o “último ponto” para todos; Cristo a transformou em uma porta que se fecha para esta história, mas que se abre para a eternidade. Para nós cristãos, morte é passagem.

Jesus Ressuscitado deixa claro que o dom maior que Ele quer confirmar nos corações de todos é a paz e não a vingança ou o ódio. Era necessário que eles recebessem esta primeira graça para transmitir aos outros. Por isto, Cristo concede outro dom através do sopro (lembrando Deus na criação no Gênesis): perdoar os pecados. O mundo ao redor deles estava impregnado de ódio e de ira contra o Deus da Misericórdia de Jesus e os discípulos não poderiam entrar naquele mesmo jogo de violência. Precisavam semear paz e misericórdia, assim, Jesus os transforma em semeadores da paz e do perdão dos pecados. Jesus relembra que a missão que estava dando a todos era a mesma que Ele tinha recebido de Deus Pai: continuar destruindo o mal em sua forma mais profunda que é o pecado. Assim, os discípulos são transformados em ministros da reconciliação. Todos nós cristãos somos chamados a viver a prática do perdão dos pecados, principalmente, através do Sacramento da Reconciliação.

“Oito dias depois Jesus veio, a portas fechadas”. Conforta-me pensar que, mesmo que o encontre fechado, Ele não vai embora, mas continua o seu cerco suave e implacável. Oito dias depois ele ainda está lá: o “abandonado” volta para aqueles que só sabe abandonar; o “traído” volta para aqueles que O entregaram aos inimigos. Ele veio e ficou no meio deles. Suas aparições nunca têm o clamor de uma imposição. O Ressuscitado não se preocupa consigo mesmo, mas com: as lágrimas de Madalena, com as mulheres que vão, ou melhor, correm, para perfumar o seu corpo torturado; com os medos dos apóstolos; com as dificuldades de Tomé; com as redes vazias de seus amigos quando retornam ao lago onde tudo começou. Ele ainda e sempre tem aquele “avental na cintura” (de Quinta-feira Santa). Ele não vem pedir, ele vem trazer ajuda. É por isso que é inconfundível (Ermes Ronchi).

            Mas, João evangelista nos diz que naquele primeiro encontro da comunidade dos discípulos de Cristo, Tomé não estava presente. Talvez ele ainda estivesse procurando entender o que estava acontecendo. Ele era uma pessoa de fé e deve-se valorizar a coragem deste apóstolo, os outros estavam fechados no Domingo de Páscoa e Tomé estava fora do local, talvez o seu erro foi de procurar tudo segundo os seus critérios, sozinho e seguindo uma lógica pessoal das coisas.

Tomé deve ter procurado os discípulos depois daquele primeiro encontro no domingo de Páscoa e eles devem ter narrado com alegria aquilo que tinham visto, recebido e experimentado: “Vimos o Senhor”. Não uma fé pessoal ou solitária, mas da comunidade. Tomé ainda estava fechado em seu mundo pessoal, acreditando segundo seus critérios e ainda querendo condicionar Jesus aos seus princípios de fé. As exigências que Tomé impõe para acreditar são todas pessoais: Se não vir... se não puser... se não introduzir. No fundo, ele não acredita no testemunho de fé da Igreja de Cristo, ele mesmo queria experimentar o que eles testemunhavam.

Mas, Deus é sempre paciencioso e misericordioso. Não espera ter discípulos perfeitos, mas autênticos. Uma semana depois da primeira manifestação significativa para a comunidade de fé de Cristo, novamente no dia da Páscoa de Jesus, domingo, Nosso Senhor se fez presente com as mesmas palavras e gestos. Desta vez, Tomé estava lá, talvez curioso ou já arrependido de sua procura pessoal pelo ressuscitado. Cristo, logo após saudar a todos, resolveu se submeter aos “caprichos” e às exigências de Tomé para acreditar. Agora tudo era diferente: tudo teria acontecido dentro da comunidade em oração. Mas, a história com Tomé percorreu outro caminho.

Aquele discípulo que se mostrava tão distante e até descrente, em comunidade, redescobre a verdadeira fé. A sua frase: “Meu Senhor e Meu Deus” é uma profunda revelação da fé em Cristo como Senhor e Deus. Apesar de suas exigências pessoais e até da “submissão” de Jesus aos seus desejos para que ele pudesse crer, tudo indica que Tomé não tocou em Cristo. O testemunho e a fé em comunidade, possivelmente, já tinham sido suficientes para que ele acreditasse em Jesus, seu Senhor e Deus. Não era mais necessário tocar, mas a sua fé (redescoberta em comunidade) já tinha aberto os seus olhos e o seu coração: se trata realmente do mesmo Jesus que ele amava!

            A experiência de fé dos discípulos e apóstolos são os principais instrumentos de nossa fé em Cristo ressuscitado. Acreditamos, porque muitos acreditaram e acreditam e assim, como comunidade, experimentamos juntos a paz de Cristo e recebemos todos os dons que Deus quer sempre nos dar para que possamos sair pelo mundo, sem medo e viver a nossa fé em Cristo.

A partir da experiência do ressuscitados, os apóstolos se tornaram testemunhas mais qualificadas para anunciar a paz, como vemos na 1ª leitura com Pedro e com João na 2ª leitura. Testemunhas que transformam os sinais da presença de Cristo Ressuscitado no próprio sentido da vida.

Em comunidade de fé, no dia especial da Páscoa de Jesus (o domingo, como também nos lembra a segunda leitura) sempre somos revigorados e alimentados com a presença de Cristo Vivo que é o nosso centro e a nossa vida. Fortalecidos pelo Jesus Ressuscitado podemos caminhar pela vida até nossa jornada final junto de Deus.

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Nota de Falecimento - Padre Luiz César Moraes

A Arquidiocese de Pouso Alegre comunica com profundo pesar o falecimento do Padre Luiz César Moraes, ocorrido na manhã desta terça-feira.

Natural de Itajubá – MG, Padre Luiz nasceu em 23 de fevereiro de 1952. Foi ordenado diácono em 02 de fevereiro de 1985, na cidade de Piranguinho – MG, e presbítero em 18 de janeiro de 1986, em Itajubá – MG. Seu lema sacerdotal foi: “O Senhor complete em mim a obra que começou” (Sl 137, 8)

Atualmente, Padre Luiz residia na Paróquia São Benedito, em Itajubá, onde colaborava com os trabalhos pastorais da comunidade. Ao longo de sua caminhada, dedicou-se com zelo e amor ao serviço do povo de Deus em diversas paróquias da Arquidiocese.

A Arquidiocese se une em oração e solidariedade aos familiares, amigos e fiéis, agradecendo a Deus pela vida e missão do Padre Luiz.

Velório e Sepultamento

O velório terá início hoje, às 17h, na Igreja Matriz São Benedito, em Itajubá. A Missa de Exéquias será celebrada nesta quarta-feira, 23 de abril, às 7h30, na mesma igreja. O sepultamento acontecerá no Cemitério Paroquial da Soledade.

 

Texto: Giuliano Cabral do Espírito Santo Beraldo


Nota de pesar da Arquidiocese de Pouso Alegre na morte do Papa Francisco

A Arquidiocese de Pouso Alegre lamenta profundamente o falecimento de Sua Santidade, o Papa Francisco, ocorrido na manhã desta segunda-feira, 21 de abril, no Vaticano.

Dom Majella, Arcebispo de Pouso Alegre, convida toda a comunidade de fiéis a se unir em oração pela alma do Sumo Pontífice, pedindo por seu descanso eterno.

Imagem em destaque: Vatican News

Segue a Nota da Arquidiocese: