#Reflexão: Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor (20 de abril)

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A Igreja celebra o neste domingo a Páscoa do Senhor (20). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 10,34a.37-43
Salmo: 117(118),1-2.16ab-17.22-23 (R. 24)
2ª Leitura: Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,6b-8
Evangelho: Jo 20,1-9

Acesse aqui as leituras.

CRISTO RESSUSCITOU!

            A Páscoa foi – segundo os evangelhos e textos do Novo Testamento – um dia cheio de experiências que começou já antes do sol nascer com as mulheres e termina com a comunidade dos apóstolos reunida. Foi um dia em que todos foram surpreendidos com experiências de fé de pessoas próximas de Jesus que foram compartilhando e anunciamos: “Cristo ressuscitou!”.

Pedro na 1ª leitura nos diz que Jesus ressuscitado apareceu a pessoas que tinham uma forte ligação de fé e de amor. A Ressurreição não é uma revanche ou vingança como conhecemos bem entre nós. Cristo ressuscitado não foi se exibir vivo para aqueles que o assassinaram, porque a ressurreição não é um voltar ao corpo material conforme nosso corpo que ainda temos hoje.

  A Páscoa é uma experiência de fé e de amor que foi crescendo e atingindo todos. Primeiro, as pessoas que conviveram com Jesus; depois todos aqueles que foram conhecendo o imenso amor de Cristo Jesus por todos nós.

Iniciamos nosso dia de Páscoa recordando os primeiros momentos da Páscoa de Jesus com a visita das mulheres ao túmulo de Jesus. O relato da Ressurreição de Jesus no Evangelho de João traz a experiência solitária de Maria de Madalena. Nesta passagem temos alguns pontos importantes para a nossa fé em Cristo Ressuscitado. O “túmulo vazio” representa uma grande ausência e um imenso vazio. A ressurreição não veio preencher algo material que foi perdido ou destruído, mas é algo imenso que não pode mais ficar em um local ou momento da história. É algo que vai além daquelas pessoas e daquele lugar na Terra Santa.

O relato da Páscoa de Jesus inicia ainda com as cores da morte e da decepção dos discípulos. Também o sábado ficou para traz e tudo tem início no primeiro dia da semana: o domingo. São as mulheres entre os seguidores de Jesus que “se rebelam” e não se contentam com a última cena que viram aos pés da cruz. Ademais, amar e crer estão profundamente ligados: nós verdadeiramente acreditamos quando amamos. Madalena queria ainda chorar diante do túmulo de Jesus. A dor da perda ainda era imensa e sem solução. Mas, ela procura um morto e vencido pela morte, seus olhos não conseguem – inicialmente – perceber o novo que estava acontecendo.

Os seus olhos estavam à procura de um morto, mas Madalena se depara com um túmulo vazio. Tudo inicia ter um ritmo diferente e agitado: Ela corre do túmulo e, depois, os discípulos também correm para ver o sepulcro de Jesus. Ela transmite a primeira mensagem da Páscoa: o túmulo está vazio e falta um corpo na lista dos mortos.

A corrida dos discípulos é descrita como uma competição entre o ver e o acreditar. O discípulo descrito como “amado de Jesus” chega primeiro, mas respeita aquele que foi escolhido como “primeiro apóstolo”. Os dois veem o sepulcro e constatam os detalhes que revelavam algo novo e inexplicável.  Madalena e o discípulo amado nos dão a dica mais importante para se acreditar: amar. O amor aproxima pessoas, mais que ideias ou fatos.

Temos três momentos do “ver” nesta passagem: Madalena somente vê, constata que falta o corpo. É o ver mais frio e direto; Discípulo Amado, não entra por isso, enxerga um pouco mais que Madalena, vê que há panos no chão (falta somente o corpo); Pedro entra no túmulo e vê com mais detalhe: “Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas,  mas enrolado num lugar à parte”. Mas, ninguém conseguiu ir além daquilo que estava à frente deles. A Páscoa de Jesus não depende das nossas conclusões, mas é uma revelação que vem de Deus. Conforme vimos no texto do Evangelho que lemos em São Lucas.

Jesus se aproximou e caminhou com os dois discípulos de Emaús. Deus sempre se aproxima, viajante dos séculos e dos dias, e move toda a nossa história. Anda conosco sempre, não para corrigir nossa passos ou ditar o Seu ritmo. Ele não comanda nenhum passo, mas toma o nosso passo. Nada obriga. Entra no ritmo de caminhada do nosso momento. Jesus caminheiro chega aos dois viajantes, olha para eles os vê tristes e diminui a velocidade: pergunta quais eram os seus discursos? E eles contam a Jesus a sua história: uma ilusão destruída no sangue e no alto de um monte. Eles o seguiram, o amavam. Dizem: “nós esperávamos que ele fosse”. É a única vez nos Evangelhos que aparece este termo, mas apenas como arrependimento e nostalgia, enquanto sabemos que esperança é “o presente do futuro” (Santo Tomas).

Na boca dos discípulos aparece como um arrependimento pelas expectativas não realizadas em Jesus. Por isso, eles não conseguiram reconhecer que Jesus que havia “virado de cabeça para baixo” tudo que se conhecia até o momento. E Jesus com paciência fez como no começo, lá na Galileia: fala, confronta, ensina, e discute longas horas a fio pela estrada. Uma vez em Emaús, Jesus, ele mostra que quer “ir além”. Como um sem-teto, um Deus migrante que não se fixa e nem pertence a ninguém para ser de todos. Então nasceram palavras que se tornaram encantando.

Uma de nossas orações mais bonitas: “Fica conosco, Senhor!”, porque é noite. Eles estão com fome de conversa e de companhia em casa. Eles o convidam a ficar, de uma maneira tão delicada que quase são eles para pedir hospitalidade. Deus não está simplesmente em todo lugar, Ele está realmente na casa onde O deixam entrar e ficar. Na estrada, todos são mais livres; na casa, todos são mais íntimos e verdadeiros.

A história agora está reunida em torno do perfume de pão na mesa, feita para reunir muitos ao seu redor, para serem cercados de cada lado por pessoas que se amam. Eles o reconheceram no partir do pão. Eles reconheceram isso não porque era um gesto exclusivo e inconfundível de Jesus, cada pai de família fazia isso e eles devem ter repetido isso inúmeras vezes, mas tudo tem um profundo significado quando viram Jesus fazer para expressar seu amor por eles e pelo povo.

Na noite de Quinta-feira Santa, Jesus havia feito uma coisa sem precedentes, Ele havia se dado como um corpo de pão: “Tomai e comei, isto é o meu corpo”. Eles o reconheceram porque partir, repartir e entregar contém o segredo do Evangelho: Deus é o pão que é entregue e mata a fome de todo homem que busca caminhar neste mundo. É Pão do Céu que ajuda no caminho pro céu. A Eucaristia é o grande milagre: não somos nós que existimos para Deus é Deus que vive em nós (Ermes Ronchi).

A Páscoa de Jesus não muda o derradeiro destino da realidade humana: a morte. Jesus ao escolher enfrentar este inimigo da humanidade, Ele completa a sua missão de Pastor de todos os homens e mulheres. Era necessário também guiar a todos por este último caminho que percorremos neste mundo. Mas, Jesus vai além de simplesmente sofrer e morrer na cruz: Ele abre uma nova via e ensina a todos que até a morte pode ser vencida por todos aqueles que acreditarem Nele e viverem o que Ele mesmo ensinou: o amor total doação

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Concluída em Pouso Alegre a peregrinação “Penitência de Noel”

Na quinta-feira, dia 10 de abril, chegou a Pouso Alegre o senhor Benêditto, morador de Poços de Caldas, conhecido como o “Papai Noel do Sul de Minas”, que concluiu a terceira edição da “Penitência do Noel” - uma peregrinação realizada de bicicleta durante o tempo da Quaresma. A proposta surgiu como uma forma de penitência, unindo fé, esforço físico, escuta e comunhão com as comunidades.

Paróquia Nossa Senhora da Piedade em Turvolândia

As duas edições anteriores foram realizadas nas dioceses de Guaxupé, em 2022, e da Campanha, em 2023. Agora, com o encerramento da peregrinação na arquidiocese, Benêditto completou o ciclo pelas três dioceses que compõem a Província Eclesiástica de Pouso Alegre.

Neste ano, o ciclista iniciou a peregrinação no dia 19 de março, passou por 49 municípios do território da arquidiocese e visitou as suas 70 paróquias. Foram 24 dias, pedalando 1.420 quilômetros em rodovias, estradas vicinais e rurais, trilhas, ruas e avenidas.

Igreja matriz de Nossa Senhora de Lourdes em Maria da Fé

Durante o trajeto, Benêditto teve a oportunidade de conhecer um pouco da história das cidades e das paróquias, além de vivenciar de perto as experiências da população local. Encontrou-se com o arcebispo de Pouso Alegre, dom Majella, dezenas de padres, religiosos e cristãos leigos.

Dom Majella com o senhor Benêditto na posse do padre Edson Aparecido Silva na paróquia Nossa Senhora das Dores em Gonçalves no dia 27 de março

Em cada parada, novas histórias neste belo testemunho de fé, perseverança e profundo compromisso espiritual.

Texto: Luiz Gonzaga da Rosa com informações e fotos  do senhor Benêditto

Imagem destacada: BR-459 entre os município de Wenceslau Braz e Delfim Moreira


Pastoral Familiar realiza encontro em Pouso Alegre

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Aconteceu nos dias 15 e 16 de março, no salão da Cúria
05 e 06 de abril no salão paroquial da Paróquia São João Batista,
A primeira fase do INAPAF na nossa Arquidiocese.

INAPAF é o , uma escola que forma agentes para Pastoral Familiar.

Os cursos são baseados nos valores evangélicos, à luz da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja

Os cursos têm fases com conteúdos sobre relacionamento humano, evangelização, valores humanos, educação para a vida familiar, comunitária e social 

Ministraram está fase
Gilberto e Silvia - Casal coordenador do RL2
Moacir e Marcia - Casal coordenador do NFE do RL2
Luiz e Rita - formadores do NFE da província de Pouso Alegre.
Participaram 48 agentes da pastoral familiar dos setores da Arquidiocese de Pouso Alegre, 01 padre, Pe. Edson Aparecido.
Este curso de formação foi organizado por Francini e Laércio - coordenadores arquidiocesanos da PF
Conego Mauro Moraes - Assessor eclesiástico da PF arquidiocesana.


#Reflexão: Domingo de Ramos da Paixão do Senhor (13 de abril)

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A Igreja celebra o neste domingo a Celebração de Ramos da Paixão do Senhor (13). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 50,4-7
Salmo: 21(22),8-9.17-18a.19-20.23-24 (R. 2a)
2ª Leitura: Fl 2,6-11 ou mais breve 23,1-49
Evangelho: Lc 22,14-23,56

Acesse aqui as leituras.

DOMINGO DE RAMOS

            Com a celebração de Domingos de Ramos encerramos a caminhada quaresmal com o início da semana dos últimos momentos de Jesus com seus discípulos. Jesus se preparou e desejou ardentemente estar com seus discípulos pela última vez, mas eles ainda se mostraram profundamente mergulhados em outras ideias e projetos. Jesus estava cercado por pessoas, mas ainda não de discípulos.

A solene liturgia de hoje inicia com Jesus que entra triunfantemente em Jerusalém. O povo aplaude, agita ramos, estende seus mantos para o rabi da Galileia que passa. Uma pequena glória antes do desastre, um frágil reconhecimento antes do delírio. O Nazareno agora sorri e escuta o louvor que é dirigido a Ele a ao Pai. Messias indefeso e manso, cansado e determinado. Ele entra em Jerusalém montado num jumentinho, não tem soldados ao seu lado para escoltá-lo e protegê-lo, nenhuma bandeira ou insígnia o precede, nenhuma autoridade o recebe: ele entra na cidade montado em um animal de serviço e desarmado para ensinar que poder é servir; que poder é amar e libertar cada pessoa; que poder é fazer a paz (P. Curtaz).

Conforme vemos no Evangelho de Lucas, os momentos da paixão de Jesus iniciam-se ainda no momento da Última Ceia: onde Jesus que se doa a todos em um gesto único e quase incompreensível para os discípulos. O Mestre se entrega primeiro como alimento sobre a mesa, depois será como vítima na cruz. Doar-se completamente, gesto comum e único de Jesus que resume a sua vida;

Jesus tem consciência das intenções de todos, mesmo a mais horrível que era o desejo de traição de Judas. Mas, nada muda o seu desejo de celebrar a sua vida na Ceia Eucarística. Nada muda o coração de semear sempre vida e amor em gestos. Conhecemos no Evangelho de São João, o intrigante e questionador gesto do Lava-pés.

Os apóstolos ao redor de Jesus estão perdidos em sonhos tão humanos e mundanos: quem era o maior entre eles... Estão cheios de desejos, mas vazios do projeto de amor de Deus. Amar - ensina sempre Jesus - é ser menor; não é estar acima, mas ao lado das pessoas; não estar impondo sobre todos, mas servindo a todos. Ser maior como Jesus, é ser servo e estar sempre a serviço.

Especial atenção na Última Ceia, Jesus tem com Pedro que assumirá a missão de continuar este serviço ao próximo. Jesus confia no seu primeiro apóstolo, mesmo que o apóstolo pescador ainda tenha mais promessas do que certezas em seu coração: “Darei minha vida...” pobre Pedro!

Jesus convida seu grupo a se preparar, se armar, para o que se aproxima. Tempos difíceis em que todos terão que ter espadas especiais para os momentos de perseguição que vão começar com o próprio Jesus e depois com os próprios discípulos, mas eles entendem de uma espada que mata e que perpetua a morte. Não há mais nada para fazer com os discípulos! “Basta!” Diz Jesus. É preciso mostrar o que significa viver o amor em plenitude e intensamente.

No monte das Oliveiras, Jesus reza e sua oração tem o rosto de inúmeras pessoas que sentem o peso do sofrimento; que sentem tudo se fechar em um túnel escuro que rouba o pouco de esperança que se tem. Mas, em tempo, Ele renova sua confiança em Deus: “...que se faça sua vontade e não a minha!

Mas, qual é a vontade de Deus Pai? Que seu filho sofra? Que Jesus também sinta o peso do sofrimento humano onde Deus “aparenta” estar distante? Não! A vontade do Pai é que os outros seus filhos – nós pecadores – pudessem ter reaberta a estrada para a eternidade. Era necessário que a dor, o sofrimento e todos os pecados que atingem a humanidade pudessem ser sufocados pelo amor mais profundo e restaurador. Era necessário que o último obstáculo que separava todos de Deus fosse superado: a morte.

Aqui inicia a entrega de Jesus que tem seu ponto alto na Cruz. Cristo abraça esta missão livremente e consciente que o amor que O une ao Pai, será a resposta que toda a humanidade precisava sentir.

Aparece Judas, um dos 12 que com um beijo define seu destino. Jesus não significa mais nada para ele. O beijo expressa não sua proximidade, mas exatamente o abismo em relação ao coração do Mestre. Mas, os apóstolos também querem mudar o rumo de tudo com espadas. Querem uma revolução que mata, Jesus faz uma nova revolução que salva até mesmo aqueles que decidem sua morte. Não, Jesus não precisa que ninguém o defenda, principalmente, usando das armas deste mundo!

No processo de julgamento de Jesus na casa do sumo sacerdote, há uma nova atenção sobre Pedro. Ele tinha prometido um gesto radical a favor de Jesus, mas O segue a distância. Jesus estava sendo julgado pelas autoridades mais importantes e Cristo se cala, pois não há nada que fazer para que eles mudassem de ideia. Já Pedro não consegue sustentar sua pertença ao grupo de Jesus diante de servos e empregos. Jesus fica em silêncio que incomoda; Pedro chora porque é incapaz de afirmar sua ligação com Jesus.

Jesus sustenta suas palavras mesmo sabendo das consequências (queriam um pretexto para condená-Lo). Os religiosos da época usam de mentiras e inventam histórias para forçar Pilatos a uma atitude radical e condenar Jesus. Mais uma vez, a mentira está a serviço do mal, nunca do bem!

Pilatos e depois Herodes interrogam Jesus. Pilatos três vezes afirma que Jesus é inocente. Mas, o sumo sacerdote e a multidão queriam condenar Jesus ao qual as autoridades decretaram ser inocente. Mesmo reconhecendo a inocência de Jesus, Pilatos decreta seu fim. Justiça que mata inocente, nunca é justiça!

Os evangelistas nos lembram da presença de mulheres piedosas que choram por causa de Jesus e de um homem chamado Simão Cirineu. E foi somente este homem de Cirene - um desconhecido de todos – que fez o que nenhum apóstolo realizou: carregou a Cruz de Jesus atrás do Mestre.

No alto da cruz, diante das palavras de zombaria e desprezo, as únicas palavras de Jesus foram dirigidas a Deus como prece de súplica invocando o perdão do Seu Pai por todos os malfeitores. Jesus já na cruz tem a companhia de dois criminosos. São uma das últimas tentações de Jesus: provar que é messias segundo a vontade das pessoas, mesmo diante de um pedido de salvação: “Salva-te a ti mesmo e a nós!” Mas o outro condenado, sai em defesa de Jesus e em um último gesto de fé, já com a morte aos seus pés, também se entrega a Jesus. Ele ganha a salvação nos últimos momentos de sua vida!

Por fim, tudo se encerra com um grande lamento sobre a terra. Do meio-dia até as três da tarde, a terra é coberta de escuridão. Jesus está por fazer a última viagem que todos nós um dia percorremos. O véu do Templo que escondia a presença de Deus, é rasgado do alto a baixo: a revelação principal de Deus não acontece mais no Santuário, mas na cruz.

As últimas palavras de Jesus são de entrega, como foi toda sua vida. A morte de Jesus é um ato de doação plena ao Pai. Não é uma morte de Deus, mas uma morte em Deus Pai em uma entrega sem limites e plenamente confiante.

Um outro desconhecido se faz presente. É lembrado como homem bom e justo, e faz o último ato de piedade que Jesus não teve nem dos discípulos: pediu o corpo de Jesus para lhe dar uma sepultura digna.

Aprendemos com o amor de Jesus que quando se ama, Deus cumpre gestos muito humanos; também o homem quando ama, cumpre gestos divinos. Mas, por que Jesus se entrega à morte? Para ser como cada um de nós em nosso final de vida; para estar conosco em nossa última viagem.  Deus entra na morte porque lá vão todos os seus filhos e filhas.

Por fim, estes últimos dias de Jesus nos provocam a uma profunda meditação. Um Deus que nos espanta em seus gestos e palavras que vão além da nossa lógica e compreensão. Um que Deus não bastou lavar os pés dos seus discípulos, isto não lhe bastou! Que deu Seu corpo como alimento, mas isto também não lhe bastou! Por fim, se entrega complemente livre e pleno de amor com os braços abertos quase como um gesto de alguém que nem a morte rouba o seu profundo desejo de abraçar a todos!

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Arcebispo visita Área Pastoral São João Paulo II

Entre os dias 03 e 06 de abril, a Área Pastoral São João Paulo II acolheu com grande alegria a visita pastoral do arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, Dom José Luiz Majella Delgado, CSsR. A área, vinculada canonicamente à Paróquia Nossa Senhora de Fátima, é administrada pelos padres da Congregação dos Filhos de Maria Imaculada: Pe. Claudinei Ramos (administrador), Pe. Carlos Raimundo e Pe. Jâmison Iago.

Durante esses quatro dias, Dom Majella pôde vivenciar a realidade da comunidade local por meio de uma programação intensa e profundamente significativa. Ele presidiu celebrações eucarísticas nas três comunidades pertencentes a área e visitou diversos espaços da vida comunitária, como o comércio local, os enfermos, a Creche Recanto Feliz, o Posto de Saúde e a Escola Municipal Jandyra Tosta de Souza. Também se encontrou com as crianças da Catequese e seus catequistas, bem como com representantes das pastorais que atuam na evangelização e no serviço à comunidade.

Além disso, Dom Majella se reuniu com o Conselho Pastoral e com o Conselho Econômico, ouvindo os membros, compartilhando orientações e animando a caminhada pastoral da área. A visita foi concluída com a missa de encerramento, celebrada na Comunidade Santa Rita, marcada por emoção, gratidão e o profundo sentimento de unidade e pertença eclesial.

Confira abaixo algumas fotos da visita:

Texto: Giuliano Cabral do Espírito Santo Beraldo
Fonte e imagem: Área Pastoral São João Paulo II


Paróquia São José, em Toledo, Lança Projeto Social Inédito Voltado à Saúde Mental

Neste sábado, 05 de abril, a Paróquia São José, localizada na cidade de Toledo (MG), deu um passo significativo na promoção do bem-estar emocional de seus fiéis ao lançar um Projeto Social pioneiro voltado à saúde mental. A iniciativa tem como objetivo oferecer apoio psicológico gratuito à comunidade paroquial, por meio de atendimentos realizados por terapeutas especializados na Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG).

Ao todo, 24 paroquianos já estão sendo acompanhados por profissionais capacitados, em sessões que visam tratar questões emocionais profundas como traumas, fobias, compulsões, depressão e ansiedade. A Terapia de Reprocessamento Generativo é uma abordagem inovadora que busca promover a cura emocional por meio da reconexão com experiências internas de maneira segura e transformadora.

A iniciativa reflete o compromisso da Paróquia São José com o cuidado integral de seus membros, indo além das dimensões espirituais e oferecendo suporte concreto às necessidades psicológicas da comunidade. “Nosso objetivo é proporcionar um espaço acolhedor, onde as pessoas se sintam cuidadas, ouvidas e tenham a chance real de recuperação emocional”, destacou Pe. Flávio Sobreiro.

Com essa ação, a Paróquia reafirma seu papel social e evangelizador, mostrando que fé e saúde caminham juntas quando o assunto é cuidar do ser humano em sua totalidade.

A expectativa é que o projeto continue atendendo mais pessoas nos próximos meses, ampliando ainda mais o impacto positivo na vida da comunidade.

Fonte: Pe. Flávio Sobreiro


#Reflexão: 5° Domingo da Quaresma (06 de abril)

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A Igreja celebra o 5° domingo da Quaresma, neste domingo (06). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 43,16-21
Salmo: 125(126),1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)
2ª Leitura: Fl 3,8-14
Evangelho: Jo 8,1-11

Acesse aqui as leituras.

A MULHER ADÚLTERA E O PERDÃO DE JESUS

            No Evangelho deste domingo, nos deparamos com mais uma cena que nos ajuda a entender quão grande é o nosso Deus e a sua misericórdia por cada um de nós. Os personagens do Evangelho não são figuras do passado, mas nos representam e nos ajudam a conhecer ainda mais a nossa fragilidade e a nossa pequenez diante de Deus.

Domingo passado no Evangelho de Lucas, Jesus contou uma história (parábola do Pai Misericordioso) para ilustrar como Deus Pai se comporta em relação aos nossos pecados e erros: nos perdoa incondicionalmente e sem exigências. Neste domingo, o próprio Jesus nos mostra - Ele mesmo - como é o amor misericordioso de Deus Pai.

Pode aparentar estranho deixarmos a sequência dos textos de Lucas aos domingos neste tempo de Quaresma para ouvir um texto de São João. No entanto, esta passagem do 4º Evangelho trouxe embaraço no início do cristianismo quando se organizava os textos do NT. Este texto de João foi considerado, entre outras coisas, como sendo, talvez, de Lucas (pelo estilo e conteúdo) e que teria sido erradamente copiado no Evangelho de São João. Assim, alguns autores cristãos teriam remanejado para São Lucas. À parte esta discussão histórica, esta passagem realmente tem muitos traços de Lucas.

O Evangelho de João nos coloca dentro do Templo no local mais sagrado para os judeus, Jesus ensinava a multidão. Certamente, o interesse do povo por Jesus levava os fariseus e escribas (aqueles que eram os entendidos da Bíblia) a nutrirem cada vez mais ódio contra Cristo. As pessoas preferiam escutar Jesus ao invés dos entendidos da Lei e representantes da religião. Assim, eles tramaram um modo de “desmascará-Lo” em Suas próprias palavras.

Os representantes da religião e da Lei (fariseus e escribas) trouxeram uma mulher que tinha sido pega em flagrante adultério e a colocaram diante de Jesus em meio a todos. Depois procuraram provocar Jesus a dar um veredito e confirmar o castigo que todos conheciam para aquele tipo de pecado. A mulher em questão é tratada com total desprezo pelas autoridades do Templo e da fé judaica. Foi arrastada e coloca diante de Cristo como se fosse um objeto ou animal; colocam onde querem; ela não diz nada. Ela em nenhum momento teve chance de se justificar ou pedir perdão. Para a mulher, aqueles homens já tinham determinado um castigo e um fim. Não são pessoas da esperança, mas do juízo; não se interessam pela vida, mas em usá-la para provocar mais morte.

São João lembra que o interesse deles era somente de “pegar” Jesus em suas palavras. Aqueles homens armaram uma situação que pensavam que Jesus não teria tido nenhuma escapatória. Para aqueles falsos religiosos, Jesus tinha somente duas respostas e ambas terminariam por condená-Lo. Se Ele tivesse dito que não se deveria colocar em prática a castigo capital, eles teriam acusado Jesus de não observar a Lei; Se Jesus tive afirmado que não se deveria proceder com a execução da pena (lapidação), Ele certamente teria sido acusado de “falso profeta” que convive com os pecadores, mas que não é capaz de perdoar a ninguém.

Um bando de falsos! A Lei que eles afirmam conhecer e recordam diante de Jesus afirma que, de fato, uma mulher pega em adultério deveria ser condenada à morte, mas esquecem que também o homem deveria receber o mesmo castigo (cf. Lv 20,10 e Dt 22,22). Eles conduziram somente a mulher diante de Jesus, mas e o homem adúltero, onde estava? Eles tinham tramado a situação achando que Jesus iria cair na armadilha deles. Jesus percebeu que mais do que a sorte de vida e morte da mulher, era a vida d’Ele que estava em jogo.

O evangelista João nos diz que Jesus se inclina diante da mulher e começa a escrever por terra. Tal gesto de Jesus desperta ainda hoje a imaginação de todos: o que Ele escreveu no chão? Interessante é que Cristo nunca escreveu algo e a única vez que o faz, ninguém sabe o que foi redigido. São Jerônimo sugeriu que Jesus teria escrito os pecados dos acusadores e tantas vezes que tinham pecado. Na realidade o que ele escreveu não é o mais importante, mas sim o gesto.

Foi proposto algo que “está escrito na Lei” e Jesus diante da pecadora, se dobra e também escreve, mas não em um material que pode ficar para sempre, mas no chão. Os nossos pecados para Deus estão escritos na poeira da terra: basta um simples vento, uma brisa, e tudo desaparece. A brisa é o nosso gesto de arrependimento, nosso desejo de mudar de vida, como o filho pródigo que retornou a casa do pai, mesmo depois de tudo que tinha combinado e mesmo sem remorso pelos seus erros, mas somente para buscar um local onde ter o que comer. Tal gesto do filho (voltar para a casa) foi suficiente para o pai sair correndo, se jogar sobre ele, abraçá-lo, lhe devolver a dignidade perdida, perdoá-lo com um beijo e, por fim, fazer uma festa.

Mas, os acusadores que trouxeram a mulher adúltera não tinham entendido o gesto de Jesus e queriam saber de seu julgamento e juízo sobre o fato ocorrido. Jesus se levanta. Do pó da terra, traz um juízo, não contra a mulher, mas contra todos. Não procura destruir a Lei, mas salvar a vida; se posiciona não para condenar, mas para mostrar o quanto todos nós necessitamos da misericórdia de Deus e não do juízo e condenação dos outros.

“Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra!”, respondeu Jesus. É um convite a avaliar primeiro a sua vida; a entrar dentro de si, antes de olhar o próximo. E, novamente, se inclina diante da mulher e volta a escrever. Não somente os erros da mulher, mas de todos que se sentem já santos precisam ser escritos na poeira da estrada e necessitam da brisa misericordiosa de Deus. São João nos diz que começaram a deixar o local, a começar pelos mais velhos do grupo de fariseus e escribas, também o povo e provavelmente até os discípulos.

Os fariseus e escribas colocam uma mulher pecadora para manipular seu erro e pecado, eles não estão interessados em dar uma luz ou ajuda, mas usar do seu pecado para pegar Jesus. Mas, também, Jesus coloca a mulher ao centro, mas para ouvi-la e dar uma luz de misericórdia.

A cena final é mágica e cheia de beleza! Jesus fica sozinho com a mulher e pode dialogar tranquilo com ela. Santo Agostinho diz que foi a “expressão máxima da miséria que se encontra com a plena misericórdia”. Jesus inicia chamando-a de “mulher”, não de adúltera ou pecadora; não lhe fez nenhum discurso ou condenação, não lhe chamou atenção de nada. Ela que desde o início permaneceu em silêncio, esperando o juízo de Jesus (pois dos falsos religiosos, ela já sabia qual era), com o gesto do silêncio, demonstra reconhecer o seu erro; ela não procura se justificar, pois no fundo Jesus sabia os seus motivos e conhecia todas as suas falhas, como conhece todos os nossos erros. Cristo se dirigindo a ela, lhe chama de “Mulher”. O termo foi usado depreciativamente pelos fariseus e escribas para “despersonificá-la” e transformá-la em um “objeto” que não tem nome, nem direito, nem futuro e nem razão. Mas, “mulher” na boca de Jesus é especial. Ele usa o mesmo termo para se dirigir a sua própria mãe, duas vezes (cf. Jo 2,4; 19,26), no diálogo com a Samaritana (cf. Jo 4) e a Maria Madalena após sua ressurreição (cf. Jo 20,13). Chamando assim, Jesus lhe devolve a dignidade e lhe trata como pessoa.

Nosso Senhor lhe faz uma pergunta, quase estranha: “Onde estão aqueles que te acusavam?” Praticamente recordando que desde o início o ato de acusar não partiu de Deus e nunca foi do desejo de Deus, mas de pecadores querem condenar uma pecadora (como nós somos tão parecidos!).

Nosso Senhor não lhe pediu nada e nem lhe impôs condições; não ameaçou de nenhuma forma e suas últimas palavras não foram de exigências e castigo, mas foram palavras de perdão: “Nem eu te condeno!”. Para Jesus, o importante é o futuro, nova chance, nova possibilidade. Um pecado, por maior que seja, nunca pode ser maior que a misericórdia de Deus, por isso, Jesus despede a mulher lhe pedindo o fundamental: não pecar novamente.

Espanta-nos um Deus que perdoa sem condição, que não condena e age sempre segundo a esperança que deposita na vida e em nossa vida. Para Jesus, o importante é o futuro, o que a pessoa pode ser e construir, tudo o mais (passado e pecados) são como uma escritura em poeira. Jesus antes tinha escrito no chão com o dedo, no final escreve no coração com suas palavras. Por fim, Jesus diz: “Vai...”, este termo nos recorda o envio dos discípulos, apóstolos e missionários. Também nós somos chamados a sermos “missionários da Misericórdia e do imenso amor de Deus” que sempre nos perdoa sem colocar condições, isto nós devemos fazer entre nós.

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História: o divino através das ciências humanas

A história é um aspecto da existência subjetiva e social que surgiu simultaneamente ao aparecimento do próprio gênero humano; desde os primeiros hominídeos, há vestígios de registros feitos nas paredes das cavernas, as pinturas rupestres, que acenam para a necessidade que o ser humano tem de preservar na memória eventos relevantes e realidades significativas para ele. Sistematizada como saber na Grécia Antiga, especialmente pelos trabalhos do filósofo Heródoto de Halicarnasso (século V a.C.), que foi o primeiro estudioso a utilizar esta palavra para designar uma ciência, a história é um vocábulo que, originariamente, designa investigação, observação, análise do que ocorre em torno daquele que é capaz de olhar (ἱστορία, em grego). História, portanto, é um conhecimento obtido a partir de uma pesquisa sobre aqueles eventos produzidos pelo ser humano ou pelos quais ele é afetado e que o envolvem como sujeito, que são capazes de causar uma dinâmica interior e coletiva chamada de tempo.

Enquanto ciência, a história se alimenta de fontes, isto é, de recursos materiais (como objetos, textos, construções etc) ou imateriais (como costumes, relatos orais, celebrações etc) que, potencialmente, são capazes de oferecer pistas sobre as formas de existência e sobrevivência de um grupo humano numa determinada época e local. Estas fontes históricas são angariadas pelas ciências que colaboram para o estudo do ser humano no tempo, dentre as quais destacam-se três que se desenvolveram a partir de meados do século XVIII. A geologia, cujo nome significa estudo da terra (γη, geo, terra + λογος, logos, estudo), é um saber que possui o intuito de examinar o solo para entender o seu processo de desenvolvimento e composição. Ao escarafunchar um pedaço de terra específico, o geólogo pode encontrar fósseis de animais e plantas que se tornam objetos de interesse da paleontologia, que quer dizer estudo do ser antigo (παλαιό, palaio, antigo + όν, on, ser + λόγος, logos, estudo), na investigação sobre as formas de vida, especialmente inumanas, em períodos historicamente remotos. Além dos fósseis, o trabalho geológico traz à luz fontes materiais que foram escondidas pela ação dos fenômenos naturais ao longo dos séculos, que são analisadas pela arqueologia, isto é, pela ciência que estuda o passado do ser humano (αρχαίος, arkhaios, antigo + λόγος, logos, estudo).

Essas três ciências auxiliares ao estudo de história colaboram vivamente para o conhecimento da Palavra de Deus, na medida em que ajudam, através de seus métodos próprios de investigação, a desvendar os eventos históricos que são narrados teologicamente na Bíblia pelo povo de Israel e pelos cristãos. A descoberta de centenas de evidências materiais ao longo dos dois últimos milênios, especialmente na região geográfica em que ocorreram os fatos contados pelos 73 livros bíblicos, ajudam no entendimento do ambiente natural, histórico, cultural, econômico, político e religioso que serviu de cenário para a revelação de Deus e para a formação dos textos por Ele inspirados. Dentre todos os achados arqueológicos que cooperam para o avanço dos estudos bíblicos, a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, entre 1947 e 1956, é notoriamente insuperável. Mais de 900 pergaminhos escritos majoritariamente em hebraico,  e alguns em aramaico e grego, entre os quais estavam os textos do Primeiro Testamento que são considerados, atualmente, os exemplares que formam a Bíblia Hebraica mais antiga do mundo, datados entre o século II a.C. e I d.C., deram novo vigor ao empenho científico dos exegetas.

Em 1947, dois jovens beduínos, ou seja, integrantes de comunidades nômades que viviam em regiões desérticas, tanto na África quanto no Oriente Médio, pastoreando rebanhos de cabras e ovelhas, encontraram, em cavernas que ficam no deserto da Judeia, próximo ao Mar Morto, jarros de cerâmica lacrados que preservavam pergaminhos de couro e papiro de pelos menos 2000 anos. Na Judeia, especificamente no deserto de Qumran onde ficam as cavernas em que os manuscritos foram descobertos, situada na Cisjordânia, desenvolveu-se, no século II a.C., uma comunidade de ascetas, isto é, de pessoas dedicadas a uma radicalização da vida espiritual: os essênios. Considerados como uma seita judaica criada a partir da inconformidade de um grupo de judeus com a hipocrisia da religião oficial que era ensinada e praticada pelos fariseus no Templo, os essênios afastaram-se de Jerusalém em busca de um estilo de vida austero e apocalíptico, estudando e vivendo a Torá independentemente das escolas rabínicas e da liturgia solene. Embora tenham desaparecido na segunda metade do século I d.C., este grupo dissidente e questionador do Judaísmo oficial, do qual hipoteticamente fez parte João, o Batista que é primo de Jesus, teria sido responsável por guardar os pergaminhos que foram encontrados no século XX.

Os primeiros pergaminhos achados pelos dois beduínos, que eram cerca de 7 e estavam escritos em hebraico, não puderam ser lidos por eles, já que falavam árabe. A ignorância em relação ao conteúdo dos manuscritos, graças às limitações linguísticas, fez com que fossem vendidos pelos pastores, passando a circular entre comerciantes e leiloeiros do Oriente Médio sem que pudessem compreender o valor inestimável daquelas fontes históricas, justamente devido à ausência de uma análise científica do material. Em 1948, um ano após a descoberta dos primeiros pergaminhos, no contexto de reestruturação dos países após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Israel declarou sua independência e foi atacado por países vizinhos de cultura muçulmana que não apoiavam sua emancipação devido a motivações históricas, geográficas, culturais, políticas e econômicas. A região de Qumran foi dominada pela Jordânia que assumiu a liderança dos trabalhos arqueológicos e empreendeu a descoberta de grande parte dos mais de 900 textos; armazenados em condições de umidade desfavoráveis e manuseados de forma inapropriada, sendo agrupados, por exemplo, com o uso de fitas adesivas, os pergaminhos permaneceram sob o poder da Jordânia, que destruiu cerca de 5% deles, até 1967, quando ocorreu a Guerra dos Seis Dias.

Durante esse conflito travado entre Israel e países árabes, como o Egito, a Síria e a Jordânia, o deserto da Judeia foi reconquistado por Israel e, junto com ele, os manuscritos. A partir de então, os textos passaram a ser devidamente conservados e estudados. O posterior esclarecimento a respeito da novidade ímpar carregada pelos manuscritos ocasionou um interesse sem precedentes pela exploração arqueológica nas mais de 600 cavernas de Qumran, o que possibilitou a descoberta de outros pergaminhos e ainda continua a oferecer novidades no campo historiográfico com o achamento de construções, objetos, textos e fósseis que colaboram para o estudo da Sagrada Escritura. Devidamente guardados no Santuário do Livro, dentro do Museu de Israel, em Jerusalém, os Manuscritos do Mar Morto são exemplos importantes de como as fontes históricas são fundamentais para o aprofundamento da mensagem salvífica da qual a Bíblia é portadora, e de como os saberes desenvolvidos pelo ser humano ajudam a desvendar a forma pela qual Deus se revelou ao ser humano para a salvação do mundo.

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Visita Pastoral à Paróquia São Sebastião de Pouso Alegre

Entre os dias 27 e 30 de março, Dom Majella realizou uma visita pastoral à Paróquia São Sebastião, localizada no bairro Cidade Jardim, em Pouso Alegre.

Durante sua visita, o arcebispo teve a oportunidade de conhecer a secretaria paroquial e interagir com os livros da paróquia. Além disso, Dom Majella passou pelo CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e pelo posto de saúde, onde abençoou os funcionários e orou pelos enfermos da comunidade.

O arcebispo também esteve presente na creche CEIM Carlos Barreto, na escola Evangelina Meireles e na escola Pio XII, onde teve momentos especiais com as crianças.

A pastoral catequética organizou um momento celebrativo em honra a Dom Majella, que recebeu homenagens e teve a chance de dialogar com catequizandos e catequistas de diferentes etapas.

Entre as atividades da visita, destacaram-se as reuniões do CPAE (Conselho Paroquial para Assuntos Econômicos) e do CPP (Conselho Paroquial de Pastoral), proporcionando ao Bispo a oportunidade de ouvir as alegrias, preocupações e expectativas das lideranças presentes.

Além das reuniões, Dom Majella também celebrou missas em diferentes comunidades da paróquia, reunindo fiéis de todas as idades. Durante as celebrações, o arcebispo enfatizou a importância da unidade e da fé, incentivando os paroquianos a se envolverem ainda mais nas atividades da igreja e a fortalecerem o senso de comunidade.

A visita pastoral também incluiu momentos de formação, onde Dom Majella compartilhou reflexões sobre a missão da igreja e a importância da evangelização no mundo contemporâneo. Os participantes puderam fazer perguntas e expressar suas opiniões, o que gerou um rico diálogo sobre os desafios e as oportunidades enfrentadas pela paróquia.

Ao final da visita, Dom Majella agradeceu a acolhida calorosa da comunidade e incentivou todos a continuarem trabalhando juntos para o bem da paróquia, que ainda dá seus primeiros passos. Ele deixou sua bênção e palavras de encorajamento, reafirmando seu compromisso com a pastoral e a importância do amor ao próximo como base da fé cristã.

A visita pastoral foi um momento de renovação espiritual, fortalecendo os laços entre a liderança da paróquia e os fiéis, e deixando um legado de esperança e motivação para o futuro da comunidade.

Fonte e Fotos: Padre Benedito Ferreira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


#Reflexão: 4° Domingo da Quaresma (30 de março)

A Igreja celebra o 4° domingo da Quaresma, neste domingo (30). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Js 5,9a.10-12
Salmo: 33(34),2-3.4-5.6-7 (R. 9a)
2ª Leitura: 2Cor 5,17-21
Evangelho: Lc 15,1-3.11-32

Acesse aqui as leituras.

PARÁBOLA DO PAI MISERICORDIOSO

            A parábola do Filho Pródigo é um dos maiores tesouros deixados por Jesus para compreendermos quem realmente é Deus Pai. Lucas nos diz que o motivo que levou Jesus a contar esta belíssima história de um pai com dois filhos está ligado à questão da acolhida por parte de Cristo de pessoas consideradas pecadoras pelos judeus.

Esta conhecidíssima parábola não diz somente quem é Deus Pai. Ela também nos questiona sobre a imagem que temos de Deus. A primeira e a segunda leituras nos lembram de “momentos de passagens”. O povo de Deus que entrando na Terra Promessa deixa para traz o maná, pois poderão trabalhar e produzir na terra que iriam herdar; Paulo nos recorda da passagem do pecado para a salvação que a fé em Cristo deve nos conduzir. A parábola de Jesus é um grande convite e entrarmos verdadeiramente no coração de Deus Pai e abraçar o modo novo e cheio de misericórdia de Deus Pai para com cada um de nós.

Jesus na parábola inicia descrevendo uma realidade cotidiana: um pai e dois filhos. Observando o modo de comportar-se do pai nesta história, notamos que ele é pouco racional, lógico e legalista em seus atos e comportamento. Faz tudo movido muito mais pelo coração e sentimentos, deixado de lado regras quando se trata de resgatar uma pessoa. Podemos dizer que ele é muito mais “mãe” do que “pai”, ou melhor, ele é pai e mãe ao mesmo tempo. É o melhor exemplo do que significa “compaixão”: ir de encontro e abraçar com ternura.

Apesar dos bens que ele possuía o pai sempre esteve interessado somente nos filhos, mas respeitava as escolhas e atitudes dos dois. Os discursos e interesses dos filhos se limitam a posse, a perda, aos privilégios e à exclusão dos bens da família; o Pai do início ao fim está interessado na verdadeira felicidade dos dois filhos, mas isto eles são chamados a descobrir pessoalmente. É um Pai que ama a liberdade dos filhos.

Os bens acumulados pelo pai serviram somente para despertar no filho mais novo um desejo cada vez maior de busca pela felicidade. Na casa com seu pai, do seu irmão e dos servos, o caçula achava que tudo que era comum a todos e que tudo não era suficiente para ele ser feliz: ele queria ter somente para si, para usar do seu modo, onde e com quem quisesse. Ao pedir sua parte na herança, ele decreta o rompimento total com seu pai: herança se divide quando o pai morre, ele não quis esperar este momento. Tendo seu pai e irmão ao seu lado, ele vivia com outros sonhos, em outros lugares que ninguém de sua casa fazia parte. Um sonho somente seu, sem ninguém de sua família.

Como muitos, o filho caçula procurava felicidade nas coisas materiais, mas isto jamais será suficiente. O coração do ser humano não se preenche com coisas, mas com pessoas. Ao abandonar sua casa, deixa para traz tudo que sempre possuía e que poderia, desde o início, lhe proporcionar felicidade: sua família e a sua casa. Pensava que ganharia tudo de bom dando as costas para os verdadeiros tesouros em sua vida: ele leva coisas materiais e riquezas que somente fazem peso em seu coração e em sua vida.

“Parte para terra estrangeira”. O filho não abandona somente sua família, mas dá as costas a todas as suas raízes e até mesmo a fé em seu Deus. Liberdade para ele era se desligar de tudo que já tinha experimentado. Quando perde tudo de material (dinheiro e bens pessoais), se encontra sozinho em meio aos porcos (este animal além da sujeira era considerado impuro pelos judeus). “Ele cai em si”, talvez ele nunca tinha realmente “entrado” em si mesmo para saber onde estava o seu verdadeiro tesouro. Quando perde tudo de material, ele se lembra das pessoas (seu pai e os servos) e do mínimo que possuíam (pão em abundância na mesa). Ele deixou um pai e ganhou um patrão desconhecido; abandonou a mesa com pães para comer lavagem de porcos. Desprovido de tudo, ele se lembra “na casa de meu pai”. Ele que queria “ser livre” se encontrava roubando comida dos porcos.

A motivação da volta do filho não foi por princípios nobres. Sua conversão não foi por remorso do que tinha feito ou porque tinha se arrependido da sua loucura, mas porque não tinha o que comer. Ele retorna para sua casa porque está com medo de morrer de fome. Mas, seu pensamento ainda se mostrava errado em relação ao seu pai. Não volta buscando um Pai, mas um patrão; não retorna por senso de culpa, mas porque passa necessidade; não se dirige para sua terra por amor, mas por medo de morrer de fome.

“Não dão de comer”, porque em uma sociedade onde impera a lógica da troca entre pessoas (lógica do comércio), o jovem filho não tinha mais nada para oferecer, assim, as pessoas e o mundo também não têm nada para dar para aquele que passa forme. O filho que era príncipe em sua casa, pede ao pai para ser rei de sua própria liberdade, mas depois se torna servo de porcos.

Mas, para o Pai (Deus), nada disso tem importância. Para Ele não importa quais são os motivos que nos levam para os seus braços. A motivação da volta do filho foi a “saudade dos pães de casa”; para o Pai, o importante é retornar para casa. O essencial é caminhar em direção a Ele e dar os primeiros passos.

Detalhe importante do olhar do pai. Ele olha já de longe, mas não para punir e julgar, mas olha e se enche de compaixão. Não vê o que o filho que perdeu tudo de material, mas um filho que está retornando. A pessoa é o centro de sua preocupação.

Ao se aproximar da casa do pai na condição mais baixa e suja que se encontrava, o filho menor ensaia algumas palavras que não têm nenhuma importância e sentido para o Pai. Para Deus, basta o desejo de retornar para o seu convívio para Ele sair ao encontro. O filho volta caminhando, o Pai sai correndo ao seu encontro ainda na estrada; o filho, ao invés de se jogar aos seus pés, o pai se lança ao seu pescoço (não para sufocá-lo), mas para abraçá-lo. O filho estava sujo e impuro, maltrapilho e fedendo, o seu pai se abaixa para resgatá-lo não se importando em se sujar e se contaminar ao abraçar seu filho. É um Pai (Deus) eternamente aberto ao encontro.

O filho apresenta ao seu pai outro discurso: o primeiro foi para pedir sua parte na herança, agora para pedir pão. Ele ainda estava amarrado ao passado e pensando que tinha perdido seu pai, por isto almejava um lugar entre os servos. Mas, para o Pai basta o retorno do filho aos seus braços. Na casa do Pai, ninguém passa necessidade, todos têm tudo em abundância (antes, o filho não tinha percebido isto), pois o Pai era e continua sendo a fonte de tudo de que eles precisavam.

O Pai (Deus) lhe perdoa tudo, pois quer resgatar o filho e por isto procura refazer tudo que tinha sido perdido (simbolizados no anel, roupa, sandálias e no banquete). O filho é perdoado não com decretos e sentenças, mas com gestos, beijo, carinho e festa. O abraço e a festa selam o tempo novo; o passado ficou para trás e serviu para trazer o filho cheio de vazios para que o pai pudesse encher com seu amor; para o Pai, o importante é o presente e o futuro, por isto, se faz festa e todos se alegram: o passado ficou no passado.

O Pai se alegra, pois o que sempre foi importante para ele era a presença do seu filho e ele tinha resgatado em seus braços são e salvo. O filho que antes girava entre coisas e muitos sonhos, descobriu no abraço do seu Pai que a maior riqueza que ele sempre teve e não valorizou era o seu pai e a sua casa. Ele descobriu o rosto, o beijo e o abraço quando perdeu tudo de material. Entre os porcos, ele sentia que não tinha nada mais neste mundo, mas estava enganado, pois o seu verdadeiro tesouro, nunca esteve em seu bolso e em suas mãos, mas no abraço do seu pai.

O irmão mais velho, este não se mostrou tão diferente do seu irmão mais novo. Com ele a parábola ganha a profundidade desejada por Jesus. A cena deixa a festa e a alegria da casa para contar a história do filho mais velho. A última cena é triste. Ele retorna do seu trabalho. Ele escuta a música, mas não sorri, tem coração de mercenário (faz tudo por interesse e dinheiro). Este filho é um bom trabalhador, obediente, mas infeliz. É triste, pois não ama o que faz, e não faz as coisas que ama. O filho mais velho se revela, pois vê a festa como algo injusto: não se faz festa para quem não merece! Ele também se sente injustiçado, pois vê o pai como patrão e ele como servo que trabalhou toda a vida e para ele, nunca foi feita uma festa. Mas, o pai não quer servos ao seu redor. Sai também ao encontro do filho que ficou pela estrada (com o outro), o trata com doçura e compreensão.

Em seu discurso na estrada e fora da casa (como o filho mais novo) se mostra também longe da casa e do seu Pai. O vê como um patrão e trabalha esperando algum retorno material (um cabrito). Vê também o pai como um patrão, por isso, também não enxerga seu irmão. Tem inveja do seu irmão que desconsidera na conversa com o Pai chamando de “seu filho”. O mais novo esbanjou com prostituta, ele sonha festejar com os amigos. O Pai também não faz parte dos projetos do mais velho.

Mais uma vez, o Pai Misericordioso se mostra aberto para abraçar e acolher, unir e redimir, encher de compaixão e derramar seu amor. Ele procura mostrar para o filho mais velho o essencial de tudo: a vida, o irmão, a alegria, a partilha e a festa pelo retorno. Um coração cheio de leis e obediência serviçal jamais entenderá o que significa a generosidade que somente a Misericórdia de Deus possui.

Mais do que procurarmos nos ver em um dos filhos, temos que ter como modelo a misericórdia desconcertante do pai que vê somente o bem dos filhos e não os bens que possuem. O filho que temos como modelo é Jesus Cristo, Filho amado do Pai que repete com todos o mesmo amor misericordioso que recebe do Pai. A parábola se encerra deixando uma grande questão: o filho mais velho também entrou na casa?

Faça o download da reflexão em pdf.

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