#Reflexão: Solenidade da Santíssima Trindade (15 de junho)
A Igreja celebra neste domingo a Solenidade da Santíssima Trindade (15). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Pr 8,22-31
Salmo: 8,4-5.6-7.8-9 (R. 2a)
2ª Leitura: Rm 5,1-5
Evangelho: Jo 16,12-15
SANTÍSSIMA TRINDADE
Após termos celebrado a Festa do Pentecostes, a Igreja nos propõe a Solenidade da Santíssima Trindade: coração da nossa identidade cristã. Comentar sobre a Santíssima Trinidade é falar de um dos grandes “mistério” de nossa fé, tendo em mente que jamais conseguiremos falar tudo, explicar tudo sobre nosso Deus, exatamente porque não temos palavras e nem ideias que consigam expressar a realidade de como é o nosso Deus Trindade. Mas, ao falarmos que temos um único Deus em três pessoas, a palavra “mistério” não deve ser vista como algo impossível, inacessível e distante, mas um convite para conhecermos nosso Deus de outra forma e condição.
A afirmação fundamental sobre a Trindade é que são três pessoas em um Deus somente. “Pessoa”, nós conhecemos e entendemos muito bem. “Pessoa” é alguém possível de se relacionar; alguém (e não coisa) que podemos trocar sentimentos e afetos. Nós construímos nossa história cercados por inúmeras pessoas, cada uma com sua identidade e característica individual.
Os Evangelhos nos apresentam a tentativa de Jesus de falar da sua profunda relação com o Deus Pai. O Mestre Jesus não se mostrava como um fiel piedoso que rezava a Deus, mas como Filho que se dirigia ao Pai. Nos últimos dias de sua vida, prepara os seus discípulos para o dom do Espírito Santo. Não houve dificuldade de expressão por parte de Jesus, mas sim incapacidade de acolhimento por parte dos discípulos. “Hoje não compreendeis, mas amanhã compreendereis”. Jesus sabia que a vida e a história também são reveladoras; que vivendo, compreendemos o que simplesmente ouvimos; que é com aqueles com quem caminhamos que compreendemos mais profundamente as palavras que nos são confiadas. O caminho do conhecimento nunca termina, o itinerário rumo à verdade não tem fim aqui na terra, porque só na vida após a morte, face a face com Deus, conheceremos plenamente (cf. 1 Cor 13, 12) (Enzo Bianchi).
Se não conseguimos dizer tudo sobre este mistério da fé, a Trindade, mas afirmar que são três pessoas em profunda e perfeita comunidade como Deus, já é libertador porque isso me assegura que Deus não é em si mesmo solidão, que o oceano de sua essência vibra com um movimento infinito de amor. Há em Deus reciprocidade, troca, superação, encontro, abraço. A essência de Deus é comunhão.
Diz Jesus que o “Espírito tomará do que é meu e o anunciará a vós”. “Tudo o que o Pai tem é meu”. Nessa troca de dádivas, começamos a vislumbrar o segredo da Trindade: não um circuito fechado, mas um fluxo aberto que derrama amor, verdade, inteligência além de si mesmo, uma efusão ardente de vida divina.
O “dogma” [princípio fundamental de nossa fé] da Trindade não é uma teoria onde se tenta fazer coincidir os “Três em Um só”, mas é uma fonte de sabedoria para a vida. E se Deus se realiza somente na comunhão, assim será para o ser humano. Ele havia dito no livro do Gênesis: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. Não apenas à imagem de Deus: muito mais! O homem é feito à semelhança da Trindade. À imagem e semelhança da comunhão, de um vínculo de amor. No princípio de tudo, para Deus e para nós, está o relacionamento. No princípio de tudo, algo que nos liga a alguém e a muitos. Assim acontece com todas as coisas, tudo está em comunhão. Até os nomes que Jesus escolheu para anunciar o rosto de Deus são nomes que encerram laços: “Pai e Filho” são nomes que abraçam e estreitam laços. Então compreendemos por que a solidão nos pesa tanto e nos assusta: porque é contra a nossa natureza. Então, compreendemos por que, quando estamos com aqueles que nos amam, quando sabemos acolher e somos acolhido, nos sentimos tão bem: porque reconhecemos a nossa vocação de comunhão. No dogma da Trindade há um sonho para a humanidade. Se Deus é Deus Trindade somente nesta comunhão de dons, então o homem também será homem somente na comunhão.
No Evangelho, ouvimos Jesus dizer que ainda tenha muitas coisas para dizer, mas “agora não podeis suportar o peso”. Jesus parte sem ter dito tudo. Em vez de concluir dizendo: “isto é tudo, não há mais nada”, Jesus abre caminhos, lança-nos num sistema aberto, promete orientação para um longo caminho. O Espírito vai nos guiar para toda a verdade. O Espírito gera em nós o Evangelho e sonha com o futuro. A festa da Trindade é um espelho do sentido último do universo. Diante da Trindade, sentimo-nos pequenos, mas abraçados, como uma criança: abraçados por um vento em que navega toda a criação e que se chama comunhão (Ermes Ronchi).
Ouvimos ainda no Evangelho desta solenidade que Jesus afirma que o Espírito “virá e anunciará coisas futuras”. É o Espírito Santo que permite debruçar sobre o presente, mas com os olhos que enxergam o horizonte e além dele. Ele confirma, nos ajuda a entender encanta a nossa vida com os ensinamentos de Jesus.
O Espírito que é o Amor entre o Pai e o Filho, Ele é que dá sentido à nossa existência: a Trindade não é um grupo fechado, mas pessoas em profunda relação. O acesso a Trindade, assim, não é no campo das ideias, mas da vida e da comunhão entre as pessoas. Na criação de tudo, o Criador não criou Adão e Eva olhando para uma só Pessoa Santa, mas para comunidade Trinitária, portanto à semelhança da comunhão, do vínculo de amor e de partilha que existe entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Aqui reside nossa identidade mais profunda. Deus é Deus porque cria, porque se doa e porque é amor. Mais do que compreender a Trindade, o discípulo de Jesus é chamado a viver o seu fundamento que nos torna participantes do Eterno: o Mandamento do Amor.
Assim, ensina a tradição da Igreja que não professamos a fé em três divindades, mas um só Deus em três Pessoas: O Pai é aquilo que é o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, o Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho, isto é, um só Deus por natureza (XI Conc. Toledo, em 675, DS 530).
Deus é único, mas não solitário (dizia Papa Dâmaso 384†). Pai, Filho, Espírito Santo não são simplesmente nomes que designam modalidades do ser divino, pois são realmente distintos entre si: “Aquele que é Pai não é o Filho, e aquele que é o Filho não é o Pai, nem o Espírito Santo é aquele que é o Pai ou o Filho” (XI Conc. Toledo, em 675, DS 530). São distintos entre si por suas relações de origem: É o Pai que gera, o Filho que é gerado, o Espírito Santo que procede (IV Conc. Latrão, e, 1215, DS 804). O Pai é referido ao Filho, o Filho ao Pai, o Espírito Santo aos dois; quando se fala dessas três Pessoas, considerando as relações, crê-se, todavia, em uma só natureza: a divina. Tudo é uno e Neles não se encontra a oposição de relação (Conc. Florença, em 1442, DS 1330). Por causa desta unidade, o Pai está todo inteiro no Filho que está todo inteiro no Espírito Santo. (Cf. https://formacao.cancaonova.com/igreja/doutrina/o-misterio-da-santissima-trindade)
Assim, professar a fé na Trindade é criar vínculos de comunhão. O Deus da Trindade não é uma fórmula matemática complicada em que um e três devem coincidir: “Se você vê o amor, você vê a Trindade” (Santo Agostinho). Assim, se entende por que a solidão pesa tanto e assusta: porque é contra a natureza humana e divina. Então quando estamos com alguém que amamos, quando acolhemos e somos acolhidos, nos sentimos tão bem: isto porque cumprimos nossa vocação que é amar sempre.
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Exegese e hermenêutica: métodos humanos para interpretar o divino
A compreensão da mensagem bíblica é uma tarefa atualmente exigente, porque a capacidade hermenêutica do ser humano se encontra prejudicada pela predominância da cultura audiovisual e midiática em detrimento da cultura leitora; com o avanço tecnológico dos meios de comunicação, a interpretação é desnecessária já que as informações e mensagens transmitidas são reduzidas, autoexplicativas e instantâneas, anulando no indivíduo a necessidade de subjetivação do mundo e limitando a criatividade para atribuir sentido às coisas. Se a Bíblia é uma grande carta de Deus endereçada ao ser humano com o objetivo de comunicar a boa notícia da salvação em Jesus Cristo, então a qualificação daqueles que participam do ato dialógico incitado pelo divino através da Sagrada Escritura é imprescindível para que a mensagem transmitida seja acolhida, compreendida e praticada.
Na interlocução bíblica, por meio da qual Deus toma a iniciativa de falar ao coração humano, o falante-emissor da mensagem é perfeito, de forma que a linguagem usada por Ele é humanamente acessível. Da parte de Deus, há uma delicadeza comunicativa para falar ao ser humano das realidades divinas e sobrenaturais numa linguagem humana e natural; de igual maneira, deve existir um esforço do falante-receptor, entendido como a comunidade cristã, auxiliado pela graça do Espírito Santo, que é o intérprete oficial da Escritura (cf. 2Pd 1,20-21), para qualificar-se e entender o comunicado de Deus. No processo de qualificação para compreender a mensagem bíblica, a Igreja lança mão das contribuições de dois importantes métodos que colaboram para uma honesta e profunda elucidação semântica da Sagrada Escritura: a exegese e a hermenêutica.
Do grego ἐξήγησις (exegesis), exegese significa “trazer para fora” e designa o estudo crítico de um texto, que tem como interesse extrair dele aquelas evidências objetivas que colaboram para a compreensão do seu conteúdo. Do ponto de vista escriturístico, a exegese bíblica procura recompor o contexto histórico, geográfico, social, econômico, político, cultural, moral e religioso em que o texto foi formado; descobrindo essas estruturas objetivas que sustentam a redação de uma narrativa, muitos detalhes que poderiam passar despercebidos, empobrecendo o sentido do texto, são valorizados. Para mergulhar nos aspectos sintáticos da Bíblia, a exegese procura responder a cinco perguntas que são capazes de reconstituir o cenário no qual ocorre a interlocução entre Deus e o ser humano, numa experiência genuinamente teológica que dá origem ao texto: quando? Onde? Quem? Como? E para quem?
A etapa exegética de estudo de um livro bíblico começa com o enquadramento histórico-geográfico da obra: antes de pensar quem são os personagens envolvidos na trama e como eles interagem dialogicamente, é preciso situar o texto no seu contexto espaço-temporal. Toda produção literária escriturística é fruto de um dinâmico processo que supõe os acontecimentos históricos que constituem a teofania (do grego θεοφάνεια, significa “manifestação divina”) da Trindade no mundo – “quando?” – e a consciência territorial a respeito dos lugares em que ela ocorreu – “onde?”: Deus se revela ao ser humano em épocas e lugares diferentes, por isso noções de cronologia do Primeiro e do Segundo Testamentos, e de geografia das regiões nas quais viveram os povos bíblicos, são elementares para o entendimento das narrativas reconhecidas pela Igreja como inspiradas por Deus.
Sabendo onde e quando um texto foi redigido, o exegeta pode então averiguar “quem”, “como” e “para quem” o escreveu. Nesta segunda etapa da investigação exegética, o estudo bíblico passa dos aspectos externos à narrativa (história e geografia) para os elementos humano-comunicativos do texto, a fim de conhecer quem são os interlocutores que interagem linguisticamente e de que maneira isso ocorre: descobrindo quem é(são) o(s) redator(es) de um dado livro, qual o estilo literário por ele(s) adotado e quem(quais) é(são) o(s) destinatário(s) da obra, a exegese cumpre o dever científico de garantir que a dimensão imanente do texto seja preservada. Numa perspectiva crítica, a exegese trabalha para que a Bíblia seja lida de forma encarnada, ou seja, sem espiritualizá-la a tal ponto que a mensagem perca sua característica formalmente antropológica.
A abordagem exclusivamente exegética pode conduzir o estudioso da Sagrada Escritura ao perigo do racionalismo, que se contenta com as razões objetivas que estruturam a comunicação da mensagem bíblica e que juntas formam o sentido literal. Por isso, a hermenêutica, do grego 'ερμηνευτική (hermuneutiké), que significa “arte de interpretar”, é a ciência que busca aquilo que está entre o leitor e o texto: o significado. No contexto do estudo bíblico, a hermenêutica procura o sentido espiritual do texto, ou seja, aquele chamamento universal para a salvação que Deus quer comunicar ao coração humano através da literatura bíblica. A hermenêutica, dessa forma, conserva a dimensão transcendente da mensagem bíblica, sem com isso cair no fundamentalismo ou no fanatismo religioso graças às contribuições da exegese.
Enquanto a exegese é responsável por encontrar respostas para as cinco perguntas anteriormente apresentadas, a hermenêutica está incumbida de responder à questão primordial sobre o objetivo do texto: o “porquê”. Através dos recursos epistemológicos disponibilizados pela teologia, a hermenêutica bíblica se aproxima dos livros sagrados com o intuito de compreender a unidade semântica que existe em todos eles: os 73 livros canônicos, tidos como inspirados por Deus para a salvação humana, outro objetivo não têm senão o de reconduzir o leitor, que em primeira instância é a Igreja, à comunhão com o seu Senhor. A hermenêutica quer evidenciar essa mensagem salvífica que costura semanticamente os livros bíblicos e une o Primeiro ao Segundo Testamento, ao passo que a exegese se debruça sobre a especificidade de cada obra. Unidas e indissociáveis para a teologia bíblica, exegese e hermenêutica – sentido literal e sentido espiritual – levam a comunidade cristã ao sentido pleno da Escritura.
Como o próprio nome já diz, o sentido pleno é aquele obtido a partir de uma abordagem totalizante de um texto bíblico, que considera seus aspectos imanentes (antropológicos) e transcendentes (teológicos) como igualmente necessários à compreensão daquilo que Deus quer dizer ao ser humano. Muitas outras abordagens de um texto bíblico são possíveis e aceitáveis, porém constituem tentativas parciais de leitura e entendimento da Palavra de Deus: por exemplo, uma abordagem limitada à visão político-econômica do contexto em que um texto foi escrito tende a reduzi-lo ao jogo de forças sociológicas por poder e lucro, sem, com isso, conduzir o leitor ao sentido teológico de natureza revelada que o texto possui; muito embora essa abordagem seja relevante como parte do processo exegético, isoladamente ela ocasiona um reducionismo semântico do texto e da sua mensagem. Sendo assim, a exegese e a hermenêutica são métodos sem os quais, sob a guia do Espírito Santo, o humano não pode chegar ao sentido pleno das Escrituras divinas.
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#Reflexão: Solenidade do Domingo de Pentecostes (08 de junho)
A Igreja celebra neste domingo a Solenidade do Domingo de Pentecostes (08). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: At 2,1-11c
Salmo: 103(104),1ab.24ac.29bc-30.31.34 (R. cf. 30)
2ª Leitura: 1Cor 12,3b-7.12-13 ou, à escolha: Rm 8,8-173
Evangelho: Jo 20,19-23 ou, à escolha: Jo 14,15-16.23b-26
PENTECOSTES
Neste domingo festejamos a solenidade de Pentecostes. É a celebração da vinda do Espírito Santo sobre todos os discípulos, sobre a Igreja de Jesus. Lucas nos Atos dos Apóstolos (1a leitura) usa diversos sinais e imagens para contar este grande evento para todos nós.
Desde o início do Domingo da Páscoa, vimos que todas as experiências que os discípulos tiveram com Jesus ressuscitado não foram suficientes para eliminar os temores em relação a tudo que Jesus sofreu, principalmente, sobre sua morte. As manifestações de Jesus não conseguiram cancelar as dúvidas sobre a presença de Cristo Ressuscitado entre eles. Era necessário algo mais profundo e transformador. Era necessário algo que ligasse a Páscoa (vida nova de Jesus) a realidade mais profunda dos discípulos: suas próprias vida. Sem o Espírito Santo, tudo seria somente uma história da vida de Jesus, algo que teria somente se limitado ao Mestre que seguiram. O Espírito Santo teve a missão de transforma de dentro para fora; de ideias para anúncios; de informações sobre Jesus em testemunho de vida.
A missão de Jesus neste mundo não terminou com a sua ascensão (subida) aos céus. Tudo que Ele realizou em um lugar definido e em momento da história não podia permanecer restrito e limitado a poucas pessoas. A redenção operada por Jesus (com sua morte e ressurreição), mas principalmente o seu projeto de amor para com toda humanidade, tudo deveria ser proclamado a todas as pessoas em todos os tempos. Assim, Jesus muda o seu modo de agir e operar neste mundo. Passa a se fazer presente na história através da sua Igreja. Jesus já tinha mencionado o que significa o Espírito Santo. Ele é o Paráclito (aquele que está ao lado como defensor), o Consolador e o Advogado na vida de cada pessoa que O recebe. Em outras palavras, o Espírito Santo é o próprio amor de Deus presente em nossas vidas. Lucas procura narrar aquele momento usando vários sinais para mostrar que foi mais uma grande manifestação de Deus neste mundo; mais uma revelação especial que deve ser recordada pra sempre.
O evangelista Lucas conta que da parte dos discípulos tudo estava preparado: estavam juntos e reunidos. O “Espírito Santo vem do céu” não é fruto de qualquer esforço dos apóstolos, mas foi dado por Deus. Os sinais apresentados no texto sagrado (som, vento impetuoso, tremor, línguas de fogo...) recordam as grandes revelações e manifestações de Deus no AT: o Pentecostes é a definitiva manifestação de Deus que completa a missão de Jesus. Ele é gratuito e desce sobre todos indiscriminadamente. O Espírito Santo é dom de Deus para sua Igreja que é formada por cada pessoa batizada, assim, todos têm o mesmo dom e por isto o mesmo valor dentro da Igreja de Cristo.
O Espírito Santo impulsiona todos a falar e a se manifestar. É o próprio Espírito de Deus que anima cada um para o louvor e para a ação de graças, com preces e um novo modo de rezar. Ele age em quem proclama o próprio Jesus Cristo e também atua em quem escuta. Lucas nos diz que muitos ouviram os apóstolos e discípulos que rezavam e proclamavam as maravilhas de Deus e mesmo sendo de países diferentes, ouviam em suas línguas o mesmo anúncio da Boa Notícia de Deus para todos.
No dia Pentecostes, a Igreja de Cristo começa sua missão: anunciar aquilo que recebeu de Jesus com a ajuda do Espírito Santo. A primeira manifestação de Deus através dos apóstolos após a descida do Espírito Santo indica outra grande característica da Igreja de Jesus: a unidade na diversidade. As línguas de fogo do céu que repousaram sobre todos, soltaram as línguas dos apóstolos para anunciar e proclamar a Jesus, e todos escutam em suas próprias línguas. Cada pessoa no Cenáculo recebeu o mesmo Espírito Santo, ninguém ficou de fora. Cada pessoa na Igreja possui o mesmo Espírito Santo que também possui aquele que está no mais alto grau de responsabilidade: o Papa tem a mesma Força do Alto que o mais simples entre os fiéis.
O Espírito vindo do alto impele a todos para sair e falar de Jesus. Esta é uma característica do Paráclito Santo: arrastar os filhos e filhas da Igreja para sair e evangelizar. É Espírito que não suporta pessoas fechadas e com medo, pois o Espírito Santo de Deus é livre e semeia liberdade nos corações de todos. Interessante é que ainda hoje tem aqueles que querem “voltar para o Cenáculo” e fechar as portas para o mundo.
Destaque especial que nos conta Lucas é a transformação pessoal de cada um ao receber o Espírito Santo. Tornam-se novas pessoas, mas acima de tudo com uma grande alegria. Além de ouvirem em suas línguas, as pessoas estavam espantadas com a festa que todos faziam a tal ponto de acharem que estavam embriagados. O Espírito Santo é presença de Deus, mas presença de amor e de alegria, por isto, cada fiel deve manifestar-se ao mundo vivendo o Amor de Jesus e com muita alegria.
Outro dom especial concedido pelo Espírito Santo foi a oração. De fato, uma das missões do Espírito de Deus é nos ajudar a rezar, nos colocar em comunhão com o nosso Deus e Pai. Apesar de terem línguas diferentes e de serem de países distantes, todos recebem o mesmo dom e as mesmas graças.
Paulo na segunda leitura completa a nossa compreensão sobre o Espírito Santo na Igreja de Jesus. O Espírito de Deus dá a cada cristão dons especiais, mas tais dons nada mais são que partes que compõem a própria Igreja de Cristo. Cada pessoa é preciosa dentro da Igreja, pois tem a missão de compor o corpo de Cristo neste mundo. Assim, um carisma é um dom especial, mas para toda Igreja. Ninguém deve se sentir autônomo (sozinho) da Igreja. A imagem que o apóstolo usa é a do corpo e de seus membros. Cada parte possui sua importância e seu valor e deve realizar tudo com precisão, pois cada membro deve faz tudo não para si próprio, mas para o bem de todo o corpo de Cristo que é a sua Igreja. O Espírito Santo age naqueles que compõem a Igreja de Cristo e, assim cada fiel deve se deixar conduzir pelo Espírito para que toda a Igreja possa manifestar ao mundo o amor de Cristo.
Paulo também acentua a diversidade dos membros diferentes, no entanto, todos compõem a mesma Igreja. Esta é outra característica da Igreja de Jesus neste mundo: é composta por tantas realidades e carismas diversos, mas tudo isto é uma grande riqueza em sua Igreja. A missão do Corpo de Cristo na história não tem limites e fronteiras, nem obstáculo em relação às pessoas e às línguas, pois Ele se adapta e se ajusta a cada cultura e a cada povo para que o Evangelho chegue a todos as gentes.
A Igreja que nasce no dia de Pentecostes possui características bem definidas: é formada pelas mesmas pessoas que caminharam com Jesus que não foram tão fiéis a sua missão, mas com a força do alto, Espírito Santo, foram transformadas: eles de medrosos que eram, passaram a anunciar com coragem e alegria a todo mundo, tudo que tiveram o privilégio de ver, escutar e experimentar junto de Jesus. Outro aspecto que percebemos é o forte caráter comunitário do grupo: passam a fazer tudo como uma grande família (oração, pregação, vida em comum etc.). O Espírito Santo sempre nos conduz a ser cada vez mais Igreja, mas sempre na sua Igreja Por fim, eles se tornam instrumentos nas mãos de Deus. Fazem tudo seguindo a vontade de Deus que procuravam discernir através da oração e comunhão entre todos. Aprendemos que o Espírito sempre nos impele a ser NA IGREJA e nunca EM OUTRA IGREJA. Se antes aos apóstolos seguiam o facinante homem Jesus pelas estradas de Israel, hoje seguimos o Corpo de Jesus que é a sua Igreja.
No Evangelho, São João também recorda o dia em que todos receberam o Espírito Santo. Tudo aconteceu durante um encontro dos apóstolos com Jesus ressuscitado ainda no dia de Páscoa. Nosso Senhor veio, se colocou no meio de todos e confirmou o principal dom da Sua ressurreição: a paz. João nos diz que Jesus lhes mostrou suas mãos e o seu lado ferido. Não queriam ver o rosto, pois para Eles o último momento que ainda traziam do Mestre era de morte no alto da cruz. Jesus confirma para todos ao mostrar as suas mãos e o seu lado que se tratava do mesmo Senhor e Mestre que seguiram pelas estradas da Galileia e da Judeia.
Depois da confirmação que se tratava do mesmo Jesus e do dom da paz, Cristo sopra sobre eles concedendo-lhes o dom do Espírito Santo. Gesto este que recorda Deus Pai criador dando vida ao barro que se transforma em Adão. Com o Espírito de Deus, todos se tornam pessoas novas em Deus, mas tal dom não deve ser acolhido como um privilégio egoísta, mas um dom especial para a missão. De fato, Jesus antes de soprar sobre os apóstolos envia todos para a missão que nasce da vontade de Deus que Jesus cumpriu com toda determinação e que do mesmo modo deverão fazer os apóstolos.
Para São João evangelista, o dia de Pentecostes é marcado como o momento em que todos recebem o dom especial de Deus (O Espírito Santo), mas também o dia em que a Igreja parte em missão. Jesus ainda lembra no Evangelho sobre a importância em relação ao perdão de Deus. Os apóstolos devem ajudar as pessoas a buscarem sua conversão e reconciliação com Deus Pai. São Lucas nos Atos lembra da permanência de Jesus com os seus por 50 dias (Pentecostes) e somente depois, todos são revestidos do Espírito Santo, algo semelhante aos dois Sacramentos de nossa fé: o Batismo e a Confirmação.
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Atualização Teológica do Clero
Nos dias 3 e 4, ocorreu a Atualização Teológica do Clero de Pouso Alegre no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, localizado em Pouso Alegre.
No primeiro dia, o encontro começou no Residencial Mons. Júlio Perlatto, onde foi realizada a bênção da Cruz instalada na Capela. A Cruz foi doada pelas Paróquias da Arquidiocese. Durante este momento, Dom Majella destacou a importância do Residencial, comparando-o à Casa dos irmãos Lázaro, Maria e Marta em Betânia, um espaço de acolhimento e cuidado. Após a bênção, a reunião seguiu nas dependências do seminário.
A formação foi conduzida por Marcus Tullius, cuja trajetória inclui ser coordenador da Pascom no Regional Leste 2 entre 2015 e 2019. Ele possui licenciatura em Filosofia, graduação em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda, e é pós-graduando em Influência Digital: Conteúdo e Estratégia. Além de assessorar encontros e cursos nas áreas de comunicação e liturgia, atuou como gerente de conteúdo e apresentador da TV Pai Eterno. É autor do livro “Esperançar: a missão do agente da Pastoral da Comunicação”, publicado pela editora Paulus.
O foco central da reunião foi a Inteligência Artificial e suas implicações pastorais. Durante os dois dias, o palestrante enfatizou a dualidade entre os mundos online e offline, utilizando a reflexão do filósofo italiano Luciano Floridi, que propõe a união desses conceitos em um novo termo: onlife. Ele também esclareceu o que é a Inteligência Artificial, apresentando suas vantagens e desvantagens, sempre mantendo em perspectiva a importância das relações humanas.
Entre os desafios da IA, destacam-se:
- A substituição da interação humana;
- A impessoalização das relações;
- A desumanização da experiência religiosa;
- Questões éticas;
- Desigualdade no acesso;
- Privacidade e segurança de dados.
A Igreja expressa preocupação em relação a essa nova tecnologia, e os Papas já manifestaram a importância de acolher e utilizar adequadamente esse novo conhecimento.
A atualização teológica do clero foi encerrada com a divulgação de comunicados e avisos pastorais.
Fotos: Padres : Anderson Ribeiro e Júlio César dos Santos
Fonte: Pascom Brasil
#Reflexão: Solenidade da Ascensão do Senhor (01 de junho)
A Igreja celebra neste domingo a Solenidade da Ascensão do Senhor (01). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: At 1,1-11
Salmo: 46(47),2-3.6-7.8-9 (R. 6)
2ª Leitura: Ef 1,17-23
Evangelho: Lc 24,46-53
ASCENSÃO DO SENHOR
Após a ressurreição, Jesus passou um período de tempo com seus discípulos, Lucas nos informa que foram 40 dias. Foram dias intensos, principalmente para assegurar a todos que Ele não era uma visão ou um fantasma, mas o próprio Senhor e Mestre que tinham conhecido. Mas, a principal atividade de Jesus Ressuscitado junto aos seus discípulos ia muito além. Jesus não tinha terminado a sua missão. Era necessário preparar os apóstolos para a próxima etapa do projeto de Deus.
A paixão, a morte e a ressurreição foram a maior expressão do amor de Deus para a humanidade. Na entrega total de Cristo na cruz e a sua vitória sobre a morte, todos os homens e mulheres foram redimidos e salvos. Mas, tudo isto não poderia ficar como um fato no passado e um momento especial na vida de alguns discípulos somente: todas as pessoas em todos os tempos e lugares deveriam não somente saber, mas principalmente acreditar em tudo que Ele fez por nós, pois este se tornou o caminho para cada pessoa se salvar.
Após a Ressurreição até a Ascensão de Jesus aos céus (solenidade deste domingo), a Igreja de Cristo precisava ser preparada para dar continuidade ao projeto de salvação da humanidade iniciado por Cristo. Jesus fez tudo por nós, e caberia aos apóstolos e todos os próximos discípulos de Cristo, anunciar a Boa Nova da Redenção de Nosso Senhor. Eles já tinham experimentado Jesus como Mestre pelas estradas da Terra Santa; agora, deveriam também experimentar a presença do Ressuscitado para, somente assim, anunciar a humanidade tudo que Jesus fez antes e depois de sua morte.
A Ascensão é uma celebração difícil, pois como se pode celebrar alguém que está partindo. Mas, o Senhor não foi para uma área distante do cosmos, mas para as profundezas de cada ser humano; não foi para além das nuvens, mas para além das formas: se antes Ele estava junto com os discípulos, agora Ele estará dentro deles, como o próprio Jesus disse: “estarei com vocês todos os dias até o fim dos tempos”. Meu cristianismo é a força e a inebriante certeza de que em cada dia, em todas as coisas e pessoas, Cristo está presente e vivo (Ermes Ronchi).
São Lucas no final do seu Evangelho e no início do livro dos Atos dos Apóstolos lembra este momento especial de tristeza para os apóstolos e início da alegria para todos aqueles que iriam abraçar a mesma fé, novos discípulos não somente naquele tempo e lugar, mas em todo o mundo, para sempre, até a consumação dos tempos.
Jesus Ressuscitado em suas últimas palavras antes de “desaparecer” da vista de todos, procurou recordar o que todos iriam receber após a sua partida: o Espírito Santo prometido por Deus. Ele seria a nova forma de presença de Deus na vida das pessoas. No Batismo, o fiel passa a ter o mesmo amor e força que animou Jesus em sua missão, como disse Jesus no domingo anterior a quem O ama: “Eu e o Pai viremos e faremos morada nele!”
Os apóstolos ainda não tinham bem entendido o que deveriam fazer. A pergunta feita a Jesus mostra a pouca visão da missão que eles deveriam iniciar após receberem o Espírito de Deus. Na questão apresentada, os apóstolos imaginavam algo muito simples e ainda como uma ação do Mestre que conheciam bem. Eles pensavam que Jesus ainda iria fazer algo para “reconstruir Israel”, certamente, algo como uma revolução política contra o domínio romano. Jesus tinha outro projeto muito maior para todos e eles é que deveriam realizar.
Cristo esclarece que certas coisas sobre o futuro, somente Deus possui o conhecimento, mas a preocupação deles não deveria ser sobre o que irá acontecer. Com a força do Espírito Santo eles deveriam ser testemunhas de tudo que experimentaram a começar por Jerusalém estendendo-se até o final da história. Não é Jesus que deveria continuar fazendo algo, mas eles; não uma libertação com armas, mas através do testemunho anunciar tudo que presenciaram.
Nesta história humana, a Igreja de Cristo deverá atuar, com sua fé e testemunho para que todas as pessoas possam ter acesso a Boa Nova da Salvação que Jesus conquistou para toda a humanidade.
Lucas recorda o momento final de despedida quando Nosso Senhor se distancia dos discípulos subindo aos céus. Jesus os abençoa e desaparece da vista de todos. No final do texto da primeira leitura, aparecem “duas pessoas de branco” (como anjos) que chamam a atenção dos discípulos que a despedida de Cristo é algo por um breve tempo, pois “voltará do mesmo modo que O vistes subir aos céus”.
Com sua subida aos céus, Jesus se distancia de nossos olhos, mas permanece conosco de diversos modos: em cada pessoa, na Palavra de Deus e, principalmente, na Eucaristia. Cristo não nos abandonou e está conosco enquanto a história humana não tiver seu ponto final. Em algum tempo do futuro, Nosso Senhor se manifestará novamente, não como antes, quando veio visível a todos, mas como o Santo de Deus para concluir a sua missão. A sua Igreja possui, assim, a responsabilidade de anunciá-Lo como Salvação de todos até que também sua missão se encontre com o último ato de Cristo nesta história que conhecemos.
Sem a força do Espírito Santo, os apóstolos e os primeiros discípulos certamente não teriam conseguido realizar quase nada. A subida de Cristo aos céus não define o encerramento da missão de Jesus, mas inaugura uma segunda fase. Com a presença do mesmo Espírito que animou Jesus a conquistar a Salvação para nós, a Igreja passa a ser o principal instrumento de ação de Cristo na história.
Distanciando dos olhos daquelas pessoas, Jesus passa a caminhar não mais com um grupo de discípulos pelas terras de Israel, mas com todos que professarem a mesma fé e em todos os tempos e lugares. A despedida de Jesus, na realidade, foi um “até breve”, pois subindo aos céus, Ele abre o acesso de todos junto de Deus.
Na carta aos Efésios (2ª leitura), Paulo fala de um “espírito de sabedoria” oferecido a todos e esclarece a missão do Espírito que é aprofundar o conhecimento de Deus Pai e iluminar nosso coração para compreender três coisas: qual é a nossa esperança (nosso futuro), qual é o nosso tesouro (aquilo que nos espera como herdeiros entre os santos) e a suprema grandeza do seu poder para conosco (nada é maior que Deus).
No momento da ascensão de Jesus aos céus, Ele os reúne, os abençoa e os envia. Eram homens ainda com muitas dúvidas, mas com um grande amor. Foi um gesto de grande confiança de Jesus em delegar uma missão sem limites e tempo a pessoas ainda tão frágeis; o terreno da missão dos discípulos é todo mundo e o anúncio que deveriam fazer deveria nascer dos seus corações e das experiências que tiveram com Jesus Mestre e Ressuscitado.
Hoje, nós igreja do mundo atual, devemos continuar a mesma missão.
O caminho aberto por Cristo é o mesmo que cada fiel deverá percorrer um dia. Não mais uma estrada incerta e temerosa, mas um caminho seguro, pois por Ele passou o próprio Senhor Jesus e venceu a morte, deixando esta estrada iluminada para todos nós. Jesus sobe aos céus, mas permanece conosco; lá nos aguarda e nos receberá um dia com alegria.
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Padre Tiago Vilela participa de encontro anual dos Coordenadores de Pastoral do Leste 2 em Belo Horizonte
O Encontro de Coordenadores Diocesanos de Pastoral da CNBB Regional Leste 2 acontece entre os dias 26 e 29 de maio de 2025, na Casa de Retiro Santíssima Trindade, em Belo Horizonte (MG). O objetivo do encontro é oferecer formação, momentos de convivência, partilha e reflexão sobre temas atuais da evangelização, à luz do processo sinodal em curso na Igreja.
A Província Eclesiástica de Pouso Alegre conta com a presença dos padres: Pe. Tiago da Silva Vilela, da Arquidiocese de Pouso Alegre; Pe. Jean Steferson Pereira, da Diocese da Campanha; e Pe. Sérgio Aparecido Bernardes Pedroso, da Diocese de Guaxupé.
O encontro teve início na tarde do dia 26 com a acolhida dos participantes. À noite, após o jantar, cada coordenador partilhou a situação atual do processo da assembleia de pastoral em sua diocese, a recepção e a aplicação do Sínodo, bem como as motivações para a participação no evento.
Durante os dias de formação, os participantes refletem sobre o Documento Final da segunda sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade, realizada em outubro e novembro de 2024, que está sendo acolhido e implementado pelas dioceses em todo o mundo. A Igreja no Brasil, por meio da CNBB, elabora, com base nesse documento, o texto das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
As diretrizes estavam previstas para aprovação na Assembleia Geral da CNBB no início de maio de 2025, mas, em razão do falecimento do Papa Francisco, a assembleia é suspensa e será realizada em 2026.
Além do estudo do Documento Final do Sínodo, os coordenadores analisam o Instrumentum Laboris que servirá de base para as novas diretrizes. Os temas em discussão incluem a iniciação à vida cristã, a formação de comunidades, a liturgia, a piedade popular, o compromisso com as pessoas em situação de vulnerabilidade e o cuidado com o meio ambiente.
A assessoria do encontro é conduzida pelo Pe. Geraldo Luiz de Mori, professor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), que propõe reflexões sobre o caminho sinodal e sua recepção nas dioceses, incentivando os participantes a identificar caminhos e estratégias para a implementação do Sínodo e das futuras diretrizes. Nos dias seguintes, os temas das pastorais sociais e da catequese também são abordados, com assessoria do Pe. Marcelo Santiago e de Lucimara Trevisan.
Pe. Márcio Rodrigo Mota, coordenador do grupo de coordenadores de pastoral do Regional Leste 2, acompanha as atividades do encontro, que reúne representantes de todo o estado de Minas Gerais.
Fonte: CNBB Leste 2
Texto: Pe. Márcio Rodrigo Mota – Coordenador
Seminário Arquidiocesano celebra festivamente sua padroeira, Nossa Senhora Auxiliadora
De 22 a 26 de maio, celebrou-se no Seminário Arquidiocesano a festa de Nossa Senhora Auxiliadora, mãe e protetora dos padres e seminaristas que, juntamente com professores e colaboradores, formam a comunidade da instituição, que, desde 8 de setembro de 1899, vem formando gerações de sacerdotes para a arquidiocese e para a Igreja.
O título Auxiliadora surgiu no século XVI, quando o Papa São Pio V, introduziu na ladainha de Nossa Senhora a expressão “Auxiliadora dos Cristãos”. E os fundadores do seminário da arquidiocese o confiaram à proteção de Nossa Senhora sob esse belo e sugestivo título.
A abertura das festividades ocorreu no dia 22 de maio, às 17h, com a celebração da Eucaristia, presidida pelo padre Fabiano José Pereira, com a participação dos formadores e seminaristas da Província Eclesiástica de Pouso Alegre.
O tríduo teve início no dia 23, às 17h, com a missa, em que concelebraram os sacerdotes ordenados mais recentemente, ospadres Dioni Acácio da Silva, Tainan Francisco de Paula e Valter Virginio Pereira.
O segundo dia do tríduo, festa litúrgica de Nossa Senhora Auxiliadora, iniciou-se com Laudes Solenes às 8h. No período da tarde, às 15h30, foi celebrada a missa festiva em ação de graças pelos 25 anos de ordenação presbiteral do padre João Bosco de Freitas, que presidiu a Eucaristia, tendo como concelebrantes os padres formadores, Fabiano José Pereira e Francisco José da Silva. Às 17h30, iniciou-se a apresentação de Noite cultural com os seminaristas.
No domingo, terceiro dia do tríduo, às 10h30, ocorreu uma celebração marcante, os 50 anos de sacerdócio e 80 anos de vida do padre Vicente Guimarães, que presidiu a Eucaristia. Entre os concelebrantes, participou o padre Vanir Ramos Barbosa, que no dia 28 deste mês completa 48 anos de ordenação presbiteral.
No dia 26, presidiu a Eucaristia, às 10h30, o arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., que conferiu a admissão às Ordens Sacras aos seminaristas Lucas Ailton Simões e Marcos Rolando Dalarme Silva. Dezenas de sacerdotes participaram da missa.
Em sua homilia o arcebispo ressaltou que é fundamental que caminhemos juntos, caminhemos pela esperança, caminhemos como irmãos e que olhemos para Maria, que nos ensina como chegar a Jesus e viver seus ensinamentos.
No final da missa o reitor padre Fabiano José Pereira, expressando a alegria pela comemoração, destacou que o seminário, frente aos desafios do tempo atual, fundamentado no evangelho, forma homens para Deus. E concluiu agradecendo a dom Majella, aos sacerdotes, benfeitores e a todos os participantes.
Texto: Luiz Gonzaga da Rosa
Imagem destacada: site da arquidiocese
#Reflexão: 6º Domingo da Páscoa (25 de maio)
A Igreja celebra neste domingo o 6º Domingo da Páscoa (25). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: At 15,1-2.22-29
Salmo: 66(67),2-3.5.6 e 8 (R. 4)
2ª Leitura: Ap 21,10-14.22-23
Evangelho: Jo 14,23-29
AMAR E OBSERVAR A PALAVRA QUE É O PRÓPRIO JESUS
O ambiente do Evangelho de João é o mesmo do último domingo: última ceia de Jesus com seus discípulos. Em um clima de profunda amizade e emoção, Jesus compartilha seus sentimentos e deixa aos seus apóstolos suas últimas palavras. Quatro apóstolos são citados com suas perguntas (Pedro, Jo 13,36; Tomé, 14,5; Filipe, 14,8 e Judas, 14,22) e Jesus aproveita as questões para aprofundar outros temas: o amor; sua entrega pela humanidade e sua profunda relação com Deus Pai.
Domingo passado, ouvimos de Jesus o único mandamento que Ele nos deixou: “Amar uns aos outros como Ele nos amou”. É interessante que “amar” jamais deveria ser um “mandamento”, isto é, algo que deve ser cumprido ou uma obrigação, principalmente, em relação ao amor que deve ser sempre algo praticado livremente e não por uma ordem (mandamento). Mas, para Jesus é algo que não se pode deixar de lado, é a condição fundamental para tudo em Jesus (entender quem Ele é) e para Jesus (é o acesso a Deus). Por isso, deve ser visto como condição fundamental, uma “obrigação” que o discípulo deve se impor para continuar seguindo seu Mestre Jesus.
O trecho do Evangelista de João de hoje inicia apresentando a resposta de Jesus à pergunta de Judas, não o Iscariotes: “Senhor, como é possível que tenhas de te manifestar a nós e não ao mundo?” (Jo 14,22).
Alguns veem como uma tentação como aquela do diabo no deserto. Já no início, Jesus apresenta tudo de uma forma condicional e livre para cada pessoa: “Se alguém me ama...”. O amor respeita e para ser verdadeiro, subtende a liberdade, pois o amor de Jesus é oferecido, dado e entregue livremente para que livre e profundamente seja aceito pelos seus discípulos. Não existe obrigação em amar, mas sim, profunda aceitação e acolhida.
A expressão inicial do Evangelho encontra no mundo de hoje inúmeras respostas: Se alguém ama... faz loucuras, perde a cabeça, comete inúmeros erros, machuca a outra pessoa, por fim, chega tirar a vida de quem ama.
Para Jesus é diferente: quem O ama, observa sua Palavra. Atenção que Jesus não diz: “meus mandamentos”, mas “minha Palavra”! Não é que nosso Senhor não fosse observante dos mandamentos, mas Ele procura deixar claro que se trata de algo mais profundo e fundamental: sua Palavra. Não se trata de um ensinamento em particular, mas Dele próprio, ou melhor, Ele todo. Jesus é a Palavra, o Verbo de Deus. Quem o ama, acolhe tudo que Jesus representa para nossa salvação: palavras, gestos, ações e ensinamentos... observa, cumpri e segui tudo que Ele é. Não podemos “separar” Jesus: alguns ensinamentos, alguns gestos ou algumas palavras somente.
Amar todo Jesus é o caminho para ser amado por Deus. Cristo torna-se assim, o canal direto para o amor de Deus Pai, mas não como algo que se recebe somente de Deus, mas deve brotar em nós, em nosso amor e em nossa vida.
Amar não une somente as pessoas entre si, mas é caminho para a nova comunhão com Deus. Para Jesus, não ama-Lo, não acontece somente quando alguém se opõe a Ele diretamente, mas também quando alguém não pratica (observa) tudo que Ele é e nos ensinou. Assim, mesmo que alguém professe com palavras seu amor a Jesus, mas não observa suas Palavras, é a mesma coisa que dizer que não O ama.
O Mestre Jesus apresenta uma grande novidade: cada pessoa se ama Jesus, se torna “morada de Deus”. Algo que deve ter soado revolucionário para todos, pois a morada de Deus era o Templo Sagrado de Jerusalém, mas agora, cada pessoa que ama Jesus, torna templo de Deus.
Jesus lembra em seguida da vinda futuro do Espírito Santo (festa que estamos próximos de celebrar: Pentecostes) que Jesus chama de Paráclito [aquele que está ao lado; consolador]. O Consolador de Deus tem duas ações principais: ensinar e recordar. Ele ensinará não coisas e revelações novas, mas tudo que já foi feito por Jesus. Ajudará os discípulos a aprofundarem tudo deixado por Jesus (sua Palavra); O Paráclito será um novo Mestre, mas para aprender melhor sobre Jesus. Por isto, Jesus reforça com a segunda ideia: recordar. O Espírito Santo confirmará tudo que os discípulos já tinham visto, ouvido e memorizado sobre Jesus. Não há necessidade de mais revelações ou doutrinas novas, pois em Jesus nós temos tudo que precisamos para nossa salvação.
A paz é um dos temas mais frequentes nos ensinamentos de Jesus, principalmente nos seus últimos dias e após a ressurreição. Cristo possui uma paz diferente do mundo. Somente Ele pode dar a todos uma paz que não se encontra em nenhum lugar da terra. Lembrando que Jesus nunca teve “paz” [tranquilidade] em sua vida. Daqui percebemos que aquilo que Jesus promete a todos não se identifica com o nosso conceito sobre paz. Para o mundo é algo que quase sempre é compreendido como “tempo sem guerras”, ou a nível pessoal é concebido como “vida sem problemas ou dificuldades”.
A paz de Cristo é algo mais profundo, pois é oferecida para o coração de cada pessoa. É algo que dá força de “dentro pra fora” e não uma tranquilidade no mundo e ao nosso redor, uma harmonia externa para serenidade interna. Em toda sua vida, Jesus sempre esteve em paz, pois seu coração estava com Deus Pai.
É exatamente esta paz que Jesus nos promete conceder para a nossa caminhada neste mundo. Mesmo que um discípulo de Jesus se encontre cercado por inúmeros problemas, se ele O ama, o Espírito Santo pode lhe conceder a mesma paz que Cristo possuía.
O Evangelho deste domingo termina mencionando a separação que estava próxima entre Jesus e seus discípulos. Nosso Senhor recorda que a sua partida não deve ser vista como derrota, mas motivo de alegria, pois Jesus retorna para o Pai, destino que está também reservado a todos nós. Nossa vida neste mundo é uma viagem que tem um belo e feliz ponto final que é junto de Deus. A morte não é a última realidade garantida a todos nós, mas somente uma ponte que nos liga a Deus.
O Espírito Santo, de fato, cumpriu muito bem sua missão nos corações de todos os apóstolos e discípulos, principalmente diante das novas exigências missionárias. Na primeira leitura, temos o testemunho da Igreja de Cristo que se deparou com uma nova realidade e dificuldades. Eles resolveram se reunir e discutir a questão. Destaque especial que Lucas nos dá é que tudo foi feito segundo a vontade de Deus e com a direção do Espírito Santo. Não é a ideia ou a posição pessoal de alguém que prevalece, mas aquilo que sentem ser a vontade de Deus, depois de rezarem e discutirem sobre o problema. Há espaço para ideias até contrárias, mas o que deve prevalecer é a vontade de Deus sobre todos. A solução final foi a melhor que encontraram para acolher os novos cristãos (que não vinham do judaísmo) e os cristãos que eram de tradição judaica. O que foi pedido à comunidade de Antioquia, procurava levar em conta duas realidades: acolher os pagãos sem lhes impor toda tradição judaica (foram dispensados da circuncisão), mas foi pedido que observassem alguns costumes tendo em vista que muitos eram judeus e cresceram observando todas as exigências da tradição da religião judaica. As comunidades cristãs, por certo tempo, ainda tiveram a forte influência dos costumes judaicos, mas com o tempo, todos foram construindo uma nova identidade que é fé cristã onde prescrições alimentarem deixaram de significar um obstáculo para a vivência e a prática da fé e do amor em Cristo.
O texto do Apocalipse (na segunda leitura) nos recorda da nossa esperança sobre a nossa história. Não é um futuro desolador e triste, mas de uma nova cidade que desce do céu. Não seremos nós que iremos habitar junto de Deus, mas é Ele que promete vir morar conosco, mas em uma realidade diferente e transformada. A nova cidade não será algo para as gerações futuras, mas para todos que caminharam com Deus (as doze tribos e os doze apóstolos). Uma nova realidade formada por incontáveis pessoas que escolheram viver e praticar tudo que Nosso Deus e Senhor realizou por nós e pela humanidade, principalmente, através de Jesus Cristo. Deus Pai e Jesus serão o centro de tudo para todos: luz, origem e vida. Mas para chegar lá, tudo tem que ter seu ponto de partida na história e vida de cada pessoa chamada a colocar em pratica (observar) o amor ao próximo.
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NOTA DE ESCLARECIMENTO
Circula indevidamente nas redes sociais, a imagem do Arcebispo de Pouso Alegre, Dom José Luiz Majella Delgado (paramentado na cor vermelha, com uma voz que não é a dele, tendo ao fundo, aparentemente, o túmulo dos apóstolos, em Roma), pedindo auxílio monetário para tratamento de saúde de uma criança hospitalizada, indicada como "Bernardo Santos", que é desconhecida nesse contexto.
Vimos a público esclarecer que se trata de mensagem fake, produzida pela I.A., razão pela qual, nada sendo verídico no que se refere à sua pessoa e ao respectivo pedido.
Assim, pede-se desconsiderá-la e não propagar tal mensagem em redes sociais, imprensa, meios de comunicação em geral. Lamenta-se tal situação, e, em paralelo, informamos que já estão sendo adotadas as medidas legais cabíveis para solucionar tal problema.
Agradecemos a compreensão e apoio, rogando a Deus para que tudo se resolva da melhor forma, de maneira legal e justa.
Deus conceda suas bênçãos a todos!
Arquidiocese de Pouso Alegre, em Minas Gerais - Brasil
20 de maio de 2025
Apresentação e acolhida da nova coordenadora de Pastoral
Sábado, dia 17, na reunião do Conselho Arquidiocesano de Pastoral - CAP, ocorrida em Pouso Alegre, especificamente no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, dom Majella deu as boas-vindas à Sra. Dalva Rangel como a nova coordenadora de pastoral por meio de um vídeo. Ela se unirá ao pe. Tiago Vilela, que já desempenha essa função.
Essa nomeação era um anseio de dom Majella, expresso durante o primeiro Sínodo Arquidiocesano.
A reunião foi marcada por momentos de reflexão e partilha sobre os desafios e as oportunidades que a pastoral arquidiocesana enfrenta. Dom Majella, em sua participação virtual, ressaltou a importância da colaboração entre todos os membros da equipe pastoral, enfatizando que a união e o diálogo são fundamentais para o fortalecimento das comunidades.
Durante a apresentação, Dalva compartilhou sua trajetória de fé e serviço à Igreja, expressando sua gratidão pela confiança depositada nela. Ela destacou que está comprometida em ouvir as vozes das comunidades e em trabalhar em conjunto com o pe. Tiago para promover iniciativas que atendam às necessidades espirituais e pastorais dos fiéis.
Vamos rezar pelos coordenadores de Pastoral: Pe. Tiago e Dalva. Que nossa Arquidiocese trilhe um caminho pastoral rico e produtivo.





















