#Reflexão: 9º Domingo do Tempo Comum (02 de junho)

A Igreja celebra o 9º Domingo do Tempo Comum, neste domingo (02). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Dt 5,12-15
Salmo: 80(81),3-4.5-6ab.6c-8a.10-11b (R. 2a)
2ª Leitura: 2Cor 4,6-11
Evangelho: Mc 2,23-3,6

Acesse aqui as leituras.

SÁBADO PARA DEUS E PARA O HOMEM

Retomamos nossa caminhada com o evangelista São Marcos. O Tempo Comum é um tempo do aprofundamento dos ensinamentos de Jesus. Neste domingo, o Evangelho mostra Jesus ainda no início de sua missão, com dificuldades em relação aos responsáveis pela religião da época.

A observância do dia de Sábado (dia de repouso para o judeu) era algo ligado ao que se tinha de mais profundo. Havia uma compreensão sobre este preceito como o mais importante, pois até mesmo Deus teria observado. Assim, não observar o Sábado, mais do que um pecado, era um confronto direto contra Deus: se até Deus observou, porque alguém não deveria guardar este dia? Por acaso, alguém poderia ser melhor que Deus?

No entanto, vemos que Jesus não era contra este dia santo semanal, mas sim, contra a compreensão em como se deveria viver este Mandamento.

Nos ajuda a compreender o que é o Sábado segundo as Escrituras e o que Jesus procurou mostrar como correto, a primeira leitura da missa (do Deuteronômio) que traz a passagem que explica o sentido originário do Sábado. No AT temos várias passagens que falam da obrigação de guardar o Sábado.

O autor sagrado, depois de orientar que se deve trabalhar seis dias e reservar o sétimo, pois o “sábado” é dia de repouso e dedicado ao Senhor. Duas ideias marcar este Mandamento. O homem e a sua necessidade vêm à frente do “dia de repouso”. O Sábado, assim, é uma escolha do homem livre que reserva o sétimo dia para si e para Deus. De fato, em seguida o escritor sagrado recorda a todos que é preciso fazer memória do passado.

O Sábado é uma celebração da libertação. É um ato que liga cada pessoa, sua família, suas coisas e sua história ao passado. O Sábado é um dia para se rebelar contra a escravidão que, no passado, o povo de Deus viveu.

Não fazer nada também se torna um ato celebrativo para todos da casa (pais e filhos) que deve se estender àqueles que são servos, mas não podem ser escravos (eles trabalham e os patrões descansam), assim deve ser também um sinal de respeito para com aqueles que servem e trabalham com seus senhores. O Sábado não pode perpetuar a escravidão no trabalho. Por isso, até os animais da família merecem o repouso: a alegria dos seus senhores, deve chegar até aos animais. Até mesmo os estrangeiros (que não teriam que observar nenhum Mandamento), também a eles deve-se oferecer a gratuidade de um dia de repouso.

Assim, o Sábado deve ser memória viva, semanal, na vida do judeu que não se deve mais ter entre eles, escravos e pessoas sem dignidade.

Guardar o sétimo dia também é uma forma de escolher a Deus. É o dia do homem e de Deus. Como Deus repousou neste dia, cada pessoa, como filho e filha de Deus deve fazer o mesmo. O filho segue o Pai; O homem, imagem de Deus, assim, se assemelha ao seu criador.

Com o tempo, o Sábado passou a ser o dia por excelência da alegria e da celebração. Livre de todas as tarefas desgastantes da vida, o ser humano pode expressar sua comunhão com Deus. Assim, o Sábado se tornou o dia do encontro com o Senhor. No dia Santo, o homem não faz nada para si, mas indo no lugar de oração (sinagoga) faz algo para Deus e com Deus.

Mas, ao longo do Antigo Testamento, o Sábado foi perdendo sua profunda ligação com a vida das pessoas. Todos tinham que observar inúmeros detalhes e normas para se sentir “observantes” do Sábado. O povo deixava suas tarefas diárias nos seis dias para entrar em um dia de escravidão religiosa. Os religiosos da época de Jesus tornaram o dia de Sábado um peso insuportável para as pessoas. O Sábado oprimia, não mais celebrava a libertação.

São Marcos nos apresenta duas situações sobre o Sábado. No primeiro caso, os discípulos saciaram a fome, colhendo trigo no Sábado. Matar a fome é um direito fundamental e inegociável, pois pode implicar na morte da pessoa. Não se alimentar é correr risco de vida. Jesus tem uma visão mais profunda sobre o ser humano e seus valores fundamentais. Para o Mestre Jesus, o ser humano e suas necessidades fundamentais devem sempre vir à frente de tudo.

O olhar dos fariseus não alcançava as pessoas, mas enxergam somente preceitos e normais.

Jesus recorda a todos como na própria Bíblia havia exemplos sobre o que se deve realmente observar que é a vida e não a fria leis e os Mandamentos.

Jesus lembra de Davi e seus companheiros que fizeram algo muito mais “grave”, pois entraram no santuário e pegaram para se alimentar, pães sagrados reservados aos sacerdotes. Jesus conclui com uma frase que resume todo o sentido do Sábado que aqueles homens da lei e da religião tinham perdido: o Sábado é que deve servir ao homem e não o contrário.

Para Jesus, o sétimo dia deve ser o ponto alto na vida de um fiel que valoriza a vida, que quer sempre o bem do próximo. O Sábado não deve ser algo a ser observado porque Deus necessita, mas uma forma de cultuar a Deus fazendo o bem ao próximo. Nas palavras de Jesus, o Sábado (representando a religião) é que deve servir o ser humano e suas necessidades.

Desprezar o próximo com suas necessidades, esvazia o Sétimo Dia, pois o melhor lugar para cultuar e celebrar este dia especial é acudindo o próximo e sempre fazer o bem.

Marcos, em seguida, nos dá um exemplo concreto daquilo que Jesus tinha exposto aos fariseus. Num dia de Sábado, Jesus como um bom judeu, foi rezar na sinagoga, fazendo o que todos realizavam com zelo. No entanto, havia ali uma pessoa com as mãos secas, alguém que não podia trabalhar normalmente. Todos olhavam Jesus, mas não viam o homem doente; sabiam que Jesus poderia curar e resolver o problema daquela pessoa, mas estavam curiosos se Ele iria “fazer algo” no dia de Sábado o que era proibido.

Jesus também olha a todos, além de ver o homem com o problema na mão. Sua atitude inicial foi revolucionária: tira aquele homem da periferia do espaço religioso, alguém que estava sendo somente instrumentalizado e usado pelos religiosos “para poder acusá-lo”; Jesus o coloca no centro. Ali todos poderiam ver melhor, mas Jesus provoca a todos com este gesto, pois a pessoa era necessitada, agora aquele homem é que está no centro daquele lugar de culto.

Uma religião que marginaliza as pessoas, principalmente, os doentes; que instrumentaliza os sofrimentos e trata aqueles que podem oferecer pouco, como objetos, não é uma religião de Deus. O ser humano com suas necessidades e sofrimentos é que devem ter nossa atenção e nosso cuidado.

A pergunta de Jesus foi questionadora: o Sábado (que representava o centro da religião judaica) não ajuda a ter um olhar de misericórdia para com as pessoas necessitadas, estaria fazendo a vontade de Deus? É justo ou não fazer o bem no Sábado? Eles imaginavam o Sábado com um dia reservado somente para as coisas de Deus, mas não um dia para celebrar a vida e fazendo o bem ao próximo. No texto da 1ª leitura, primeiro vem o homem que precisa descansar, depois o sábado como dia dedicado a Deus.

Marcos diz que Jesus olhou para todos, mas com um olhar de tristeza e decepção, pois o silêncio de todos era já uma resposta clara para Jesus: eles não estavam interessados por aquela pessoa doente. As palavras questionadoras de Jesus não atingiram seus corações. Esperavam somente a ação de cura, para acusá-lo.

E Jesus faz o bem, curou o doente, agindo e realizando o que Ele ensinava.

O evangelista tristemente constata que eles saem da sinagoga e tramam a morte de Jesus. O lugar que deveria ser sagrado, se torna palco de trama da morte. O descaso para com o doente, já era um sinal do desprezo pela vida; tinham criado uma religião que colocava normas e Mandamentos não a serviço do bem, mas como instrumento do mal.

“Misericórdia” é gesto de Deus que Jesus procura expressar em Palavras e ações. É o dom sublime e maior que todos devemos trazer como “tesouros em vaso de barro” (2ª leitura). Assim, o melhor modo de se celebrar o dia santo de Deus é sempre celebrar a vida, cuidar do próximo, celebrando e fazendo sempre o bem. Assim, o nosso Dia do Senhor (para nós cristão, o domingo) passa a ser um momento de se celebrar a vida em nós e em nossos irmãos e irmãs.

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Clero de Pouso Alegre participa de Curso de Atualização

Bispo, padres e diáconos participaram de Atualização Teológica Pastoral do Clero que aconteceu no dia de ontem (28) e hoje (29), no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora.

O clero da Arquidiocese de Pouso Alegre se reuniu para esses dias de formação e atualização teológica e pastoral, refletindo sobre a eclesiologia de comunhão, com o tema: Igreja, Caminho de Comunhão para a Missão. O encontro formativo foi organizado pelo Côn. Wilson Mário de Morais, Vigário Geral da Arquidiocese, e pelo Pe. Edson Aparecido da Silva, Coordenador Arquidiocesano de Pastoral.

O primeiro dia do encontro de formação foi assessorado pelo Pe. Paulo Adolfo Simões, do clero da Arquidiocese de Pouso Alegre, que apresentou uma Análise de Conjuntura Eclesial, e pelo Pe. Adriano São João, também do clero arquidiocesano, que refletiu sobre o tema: Igreja - Casa de Comunhão, de Missão e de Participação.

O segundo dia do encontro teve como assessor o Pe. Hiansen Vieira Franco, do clero da Diocese de Guaxupé, que apresentou o tema: A Sinodalidade na Igreja e na Província Eclesiástica de Pouso Alegre - memória e perspectivas. Também foi reservado um momento para o encaminhamento dos trabalhos pastorais da arquidiocese.

Segundo o Pe. Wilson Mário de Morais:

"O processo de formação permanente auxilia o exercício do nosso ministério presbiteral. Nós temos na nossa Arquidiocese de Pouso Alegre um projeto de formação permanente para o clero. Esses dois dias de encontro fazem parte desse projeto de formação. Refletir sobre a eclesiologia de comunhão nos coloca em sintonia com toda a Igreja que vem refletindo sobre a sinodalidade e especialmente com a nossa arquidiocese que está realizando o seu Primeiro Sínodo Arquidiocesano."

 

Texto: padre José Luiz Faria Junior

Imagens: seminarista Márcio Aurélio Gonçalves JúniorRead more


Seminário Arquidiocesano celebra a festa de sua padroeira

O Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre, que comemora seus 125 anos de criação neste ano, celebrou na manhã de hoje (27), a festa de sua padroeira Nossa Senhora Auxiliadora.

O arcebispo de Pouso Alegre, Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., presidiu a Solene Celebração Eucarística da Festa de Nossa Senhora Auxiliadora, padroeira do Seminário Arquidiocesano. A celebração aconteceu na Capela do Seminário, com início às 10 horas e 30 minutos, e contou com a participação dos padres formadores, de membros do clero e dos seminaristas.

Durante a celebração, os seminaristas Christopher Tercilo de Almeida dos Santos e Márcio Aurélio  Gonçalves Júnior foram admitidos, por Dom Majella, às Ordens Sacras. A admissão é o momento em que a Igreja acolhe o seminarista como candidato para o ministério ordenado. No rito, o seminarista manifesta sua vontade de se entregar a Deus no exercício do ministério presbiteral. A Igreja responde, por meio da bênção do bispo, confirmando-o em sua decisão, com as seguintes palavras:

“Ouvi, Senhor, as nossas suplicas, e abençoai + com o amor paterno este vosso filho que deseja dedicar-se a vós e servir ao vosso povo no ministério sagrado, a fim de que persevere em sua vocação e, unindo-se ao Cristo sacerdote com sincero amor, possa receber dignamente a missão apostólica. Por Cristo, nosso Senhor. Amém”.

O tema escolhido para a festa desse ano foi "Com Maria, há 125 anos formando homens de Deus a serviço do Evangelho". Os dias que antecederam a festa foram de intensa preparação, especialmente com as celebrações da Eucaristia, que aconteceram todas as tardes.

  • Dia 23, a celebração contou com a participação dos padres formadores e seminaristas das dioceses de Campanha e Guaxupé, que fazem parte de Província Eclesiástica.
  • Dia 24, presidiu a celebração, o Vigário Geral da Arquidiocese, Côn. Wilson Mário de Morais.
  • Dia 25, a celebração teve a participação dos padres residentes no Residencial Mons. Júlio Perlatto - Casa do Clero, Pe. Narciso Pires Franco e Pe. Paulo Vieira Âmbar, e de representantes da Pastoral Vocacional da Arquidiocese.
  • Dia 26, véspera da festa, a Celebração Eucarística foi presidida pelo Pe. João Vianney Coutinho, que celebrará seus 30 anos de vida presbiteral no mês de setembro.

Além das celebrações litúrgicas, os dias de preparação e o dia da festa da padroeira contaram com momentos de confraternização e convivência entre seminaristas, padres, benfeitores, funcionários e agentes da Pastoral Vocacional.

Nossa Senhora Auxiliadora foi escolhida como padroeira do Seminário de Pouso Alegre por Dom João Batista Corrêa Nery, quando em 1901, chegou a Pouso Alegre, como primeiro bispo. Por possuir uma profunda devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, confiou o seminário, que havia sido criado em 1899, aos seus cuidados maternos, a fim de que a formação dos futuros padres estivesse sob sua intercessão.

 

Texto: padre José Luiz Faria Junior
Imagens: seminarista Pedro Vicente Francisco de Souza

 

 

 


Pentecostes: renovação da fé e testemunho

Pentecostes é uma festa cristã celebrada cinquenta dias após a Páscoa, em memória da descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e outros seguidores de Jesus. É um momento de celebração e o início da missão da Igreja. Muitas comunidades cristãs ao redor do mundo celebram essa data com festividades e eventos especiais. Este evento é descrito no livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 2, no qual os discípulos são capacitados pelo Espírito Santo a falar em línguas e a proclamar o Evangelho com ousadia e poder.

Ao celebrar o Dia de Pentecostes, os cristãos renovam sua consagração a Deus e buscam ser cheios do Espírito Santo, permitindo que Ele os capacite com dons espirituais para servir ao próximo e testemunhar o amor de Deus.

Essa celebração nos lembra da presença contínua do Espírito Santo na vida da Igreja e dos seguidores do Cristo, fortalecendo, capacitando e guiando-os. Além disso, o dia de Pentecostes simboliza a unidade da Igreja, reunindo pessoas de diferentes origens e línguas em torno da mensagem do Evangelho, ou seja, é a universalidade da mensagem cristã, uma vez que naquele dia pessoas de diversas nações ouviram os discípulos falando em suas próprias línguas. Isso representa a missão da Igreja de alcançar todas as nações com o Evangelho da salvação.  É um momento para refletir sobre a universalidade da fé cristã e a missão de levar o amor de Cristo a todas as nações.

Pentecostes é uma oportunidade para refletir sobre a importância do Espírito Santo na vida da Igreja e dos indivíduos, inspirando-os a viver com fé e testemunho. É um momento de renovação espiritual, de unidade entre os fiéis e de manifestação dos dons espirituais concedidos por Deus. Com a presença do Espírito Santo, somos capacitados para cumprir a missão de amar, servir e levar esperança a todos. A presença do Espírito Santo na igreja é o combustível que impulsiona a missão de proclamar o evangelho, fazer discípulos e cuidar dos necessitados, em nome do amor de Cristo. Que o Espírito Santo fortaleça a Igreja para cumprir sua missão de transformar vidas e espalhar o amor de Deus por toda a terra.

Oração:

Espírito Santo, neste dia de Pentecostes, abrimos nossos corações para receber a plenitude do teu poder e da tua presença. Derrama sobre nós os dons espirituais que necessitamos para cumprir a missão que nos foi confiada por Cristo. Capacita-nos a ser verdadeiras testemunhas do seu amor e da sua graça em nossas vidas e no mundo ao nosso redor. Que a tua chama divina arda em nossos corações, renovando nossa fé, esperança e amor. Que possamos ser instrumentos da tua paz, consolo e cura onde quer que estejamos. Capacita-nos a compreender e proclamar a mensagem do Evangelho em todas as línguas e culturas, unindo-nos na diversidade da fé. Espírito Santo, guia-nos em toda a verdade, fortalece-nos em nossa fraqueza e conduz-nos no caminho da justiça e santidade. Que a tua presença transforme nossas vidas e nos capacite a viver de acordo com a vontade de Deus. Enche-nos com o teu poder para que possamos ser fiéis seguidores de Cristo em todos os momentos. Que neste dia de Pentecostes experimentemos um novo derramamento do teu Espírito, renovando nossa comunhão com Deus e uns com os outros. Que sejamos cheios do teu amor, alegria e paz, capacitados para viver uma vida que glorifica o nome de Jesus. Amém!

 

Referência de imagem: https://www.arquidiocesedepassofundo.com.br/formacao/palavra-do-pastor/pentecostes


Rita de Cássia: santa mulher dos impossíveis

Santa Rita de Cássia era unigênita, filha de Antônio Mancini e Amata Ferri, pais de muita oração e que era querido por todos. Nasceu no mês de maio de 1381, nas montanhas em Roccaporena, perto de Cássia, região da Umbria, na Itália.

Seus pais eram completamente analfabetos, mas transmitiram à filha tudo sobre a fé em Cristo e Maria Santíssima. Transmitiram também a biografia de muitos santos e santas da Igreja, o que favoreceu muito a sua identidade cristã, tanto que ela era diferente das demais crianças, pois ao invés de brincar e realizar as artimanhas de crianças, ela ficava em seu quarto sozinha, rezando.

Santa Rita de Cássia tinha anseio em tornar-se religiosa, mas devido à tradição da época, seus pais a prometeram em casamento a um marido, de nome Paolo Ferdinando. Infelizmente não foi a escolha correta, pois Paolo era adúltero e alcoólatra. Foram 18 anos de sofrimento, mas gerou dois filhos gêmeos, Giangiacomo Antonio e Paulo Maria. Apesar de toda turbulência matrimonial, Rita sempre se dedicou e transmitiu todo amor e carinho aos seus filhos.

Mesmo com todo o sofrimento, sempre rezou pela conversão de seu cônjuge. Ouvindo suas preces, Deus colocou um fim à rudez do marido, fazendo com que a paciência, a perseverança e o amor de Rita o transformassem. A conversão de Paolo foi tão drástica e notória, que Rita começou a ser procurada por outras mulheres para pedir conselhos matrimoniais.

Apesar da sua conversão, Paolo tinha deixado marcas e cicatrizes entre alguns grupos da cidade, onde, em um certo dia, saiu para trabalhar e não voltou para casa. Rita, com o seu coração piedoso, sentia que algo havia acontecido. Pouco depois, recebeu a notícia de que ele havia sido encontrado morto, após um assassinato.

Os filhos, com muita ira e ódio no coração, juraram vingar a morte do pai. E, mais uma vez, Rita intensificou as suas orações para que seus filhos não se deixassem levar pela vingança. Posteriormente, seus filhos ficaram doentes, de forma incurável, possibilitando que Rita os convencesse à conversão, preenchendo seus corações com o amor de Deus e o perdão. Antes que morressem, conseguiram perdoar o assassino do pai.

Com isso, Rita teve a plena convicção de que seu marido e seus filhos haviam usufruído do Reino dos Céus, com seus corações convertidos e percebeu que suas orações valeram a pena.

Agora, estando solitária na vida, decidiu ingressar no convento das irmãs Agostinianas, cumprindo ao chamado que sentia desde pequena. Todavia, as irmãs estavam com receio sobre sua vocação, levando em conta todo seu passado familiar. Devido a isso, as irmãs não queriam aceitar o seu ingresso.

Após sua rejeição no convento, em uma determinada noite, enquanto dormia, Rita ouviu uma voz dizendo: “Rita! Rita! Rita!”. Indo em busca da voz, ela abriu a porta de seu quarto e se deparou com três santos: São Francisco, São Nicolau e São João Batista. Eles solicitaram que ela os acompanhasse pelas ruas e em determinado trajeto eles desapareceram, quando Rita sentiu um leve empurrão. Quando caiu em si, estava no interior do mosteiro, que estava de portas trancadas. Devido a esse milagre, as irmãs não puderam recusar o seu ingresso, Rita viveu ali por quarenta anos.

Ainda com receio se a vocação de Rita era verídica, a madre superiora ordenou-a regar um fragmento de madeira seca que estava jogado no jardim do convento, durante um ano. Rita cumpriu a ordem com muita paciência e amor. Passado um ano, milagrosamente, a madeira se transformou numa videira que gera uvas até o presente momento.

Em um determinado dia, enquanto rezava aos pés da cruz, Rita pediu a Jesus que pudesse experimentar uma parcela das dores que ele sentiu na sua morte na cruz. Neste momento, um dos espinhos da coroa cravou-se em sua cabeça e Rita sentiu uma parcela daquela dor terrível que Jesus sentiu. O espinho fez em Rita uma grande ferida, tanto que ela deveria ficar isolada de suas irmãs. Assim, ela realizava mais orações e jejuns para o Altíssimo. Ela ficou com esta ferida durante 15 anos, sendo somente curada quando foi a Roma, no ano santo. Ao retornar ao mosteiro, porém, a cicatriz se abriu novamente.

Aos 22 dias do mês de maio de 1457, o sino do convento começou a badalar sozinho. Rita estava com 76 anos de idade. Sua ferida cicatrizou-se e seu corpo começou a exalar um perfume de rosas. Uma freira, de nome Catarina Mancini, que possuía um braço paralítico, ao abraçar Rita em seu leito de morte, curou-se. Substituindo a ferida, surgiu uma marca vermelha que exalava um perfume celestial que surpreendia a todos. Logo apareceu uma multidão para vê-la. Então, levaram seu corpo para a igreja, onde permanece atualmente, exalando celestial perfume, que impressiona a todos.

Em 1627, em Roma, Rita de Cássia foi beatificada, pelo Papa Urbano Vlll. Posteriormente, no dia 24 de maio de 1900 foi canonizada, pelo Papa Leão Xlll e sua festa é comemorada todos os anos no dia 22 de maio. É considerada a santa das causas impossíveis.

Oração à Santa Rita de Cássia

Ó poderosa e gloriosa Santa Rita de Cássia, eis, a vossos pés, uma alma desamparada que, necessitando de auxílio, a vós recorre com a doce esperança de ser atendida por vós que tem o título de santa dos casos impossíveis e desesperados. Ó cara santa, interessai-vos pela minha causa, intercedei junto a Deus para que me conceda a graça, de que tanto necessito, (fazer o pedido). Não permitais que tenha de me afastar de vós sem ser atendido. Se houver em mim algum obstáculo que impeça de alcançar a graça que imploro, auxiliai-me para que o afaste. Envolvei o meu pedido em vossos preciosos méritos e apresentai-o a vosso celeste esposo, Jesus, em união com a vossa prece. Ó Santa Rita, eu ponho em vós toda a minha confiança. Por vosso intermédio, espero tranquilamente a graça que vos peço. Santa Rita, advogada dos impossíveis, rogai por nós!

Referência de imagem:

Referências: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-06/papa-francisco-agradece-monjas-cassia-pelas-rosas-de-santa-rita.html

https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-santa-rita-de-cassia/106/102/

https://www.cnbb.org.br/historia-de-santa-rita-de-cassia/

https://franciscanos.org.br/vidacrista/calendario/santa-rita-de-cassia/#gsc.tab=0

 


Primeiro encontro com os cooordenadores das novas comunidades é realizado em Pouso Alegre

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Na manhã de terça-feira (21), ocorreu nas dependências da Cúria Metropolitana de Pouso Alegre um primeiro encontro com os coordenadores das novas comunidades de vida. Estiveram presentes os representantes das Novas Comunidades de nossa Arquidiocese.

As Novas Comunidades que participaram do encontro foram:

  • COMUNIDADE JAVÉ NISSI - POUSO ALEGRE
  • COMUNIDADE DE AÇÃO PASTORAL – CAP – POUSO ALEGRE
  • COMUNIDADE SOL DE DEUS – ITAJUBÁ
  • COMUNIDADE SANTÍSSIMA TRINDADE – MONTE SIÃO
  • COMUNIDADE FILHAS DE MARIA SERVA DOS PEQUENINOS – EXTREMA
  • COMUNIDADE FRANCISCANA DA MISERICÓRDIA – EXTREMA
  • COMUNIDADE CRISTO FAZ – CONCEIÇÃO DOS OUROS
  • COMUNIDADE SAGRADA FAMÍLIA – BUENO BRANDÃO

 

O encontro foi coordenado pelo Côn. Simão Cirineo Ferreira, Vigário Episcopal para as Novas Comunidades. Contou também com a presença do Arcebispo de Pouso Alegre, Dom Majella, do Padre Clemildes Francisco, representando a CRB, e de Dalva Rangel, representante dos cristãos leigos e leigas.

Após a oração inicial, foi realizado um rico momento de partilha entre os participantes.

Em seguida, o Côn. Simão apresentou os objetivos do encontro e também algumas propostas de atividades visando a comunhão dessas comunidades com a Igreja Particular de Pouso Alegre.

Foi apresentada também a proposta de estudo da carta da Congregação para a Doutrina da Fé "A Igreja rejuvenesce" sobre a relação entre os dons hierárquicos e carismáticos para a vida e a missão da Igreja, onde são apresentados os critérios de eclesialidade para o processo de discernimento, acompanhamento e orientações às novas comunidades. Outras sugestões e encaminhamentos foram apresentados..

Ao final da reunião, Dom Majella falou sobre o surgimento dessas novas comunidades após o Concílio Vaticano II e a atenção do Magistério da Igreja no reconhecimento e acompanhamento das mesmas. Ele destacou o importante trabalho que essas comunidades realizam nas realidades onde estão inseridas, ressaltando que os carismas devem mesmo revelar a natureza e missão de cada comunidade para o bem da evangelização em nosso meio.

As novas comunidades são um sinal da ação do Espírito Santo na Igreja, enriquecendo-a com seus dons e carismas. É fundamental que essas comunidades estejam em comunhão com a Igreja diocesana, seguindo os critérios de eclesialidade apresentados pela Congregação para a Doutrina da Fé. O discernimento e o acompanhamento são essenciais para garantir que os carismas estejam a serviço da missão evangelizadora da Igreja.

Por fim, é de suma importância o reconhecimento e apoio do Magistério da Igreja às novas comunidades, encorajando o seu crescimento e aprofundamento na fé. É necessário que essas comunidades estejam enraizadas na Tradição e na Doutrina da Igreja, para que possam contribuir de forma eficaz na evangelização e na construção do Reino de Deus.


Nota de Falecimento - Padre Mário Zappa

Com profundo pesar que a Arquidiocese de Pouso Alegre comunica o falecimento do padre Mário Zappa, ocorrido hoje (22) às 14h20, no Hospital das Clínicas Samuel Libânio, mais conhecido como Hospital Regional, na cidade de Pouso Alegre/MG.

Mário Zappa nasceu em Milão, na Itália, em 30 de setembro de 1932. Foi ordenado sacerdote em 28 de junho de 1959. Atuamente era residente na paróquia São Cristóvão, em Pouso Alegre. Junto com padre Bruno Stefenelli (in memoriam) e irmã Leila Beatriz Caetano, fundou a Comunidade de Ação Pastoral (CAP) em 1978, sendo ela, uma associação que oferece atendimento educacional e de promoção humana a mais de 500 crianças do bairro São Cristóvão e outros bairros de Pouso Alegre.

Membros do Cap, juntamente com Padre Mário Zappa, Dom Majella e Padre Clemildes no 90° aniversário do Padre Mario. Pastoral da Comunicação/Paróquia São Cristóvão – Pouso Alegre

 

Velório

O velório do Padre Mário acontece no salão da Comunidade de Ação Pastoral, situada na Rua José Rezende FIlho 47, bairro São Cristóvão em Pouso Alegre. As Missas de Exéquias serão realizadas na Igreja Matriz São Cristóvão, a saber:

23 de maio de 2023 às 9h

23 de maio de 2023 às 11h  - Missa presidida pelo Arcebispo Dom José Luiz Majella Delgado, CSsR.

 


Crismandos de toda a Arquidiocese participam do CrismaFest 2024

Cerca de 2.300 pessoas participaram no último domingo (19) do CrismaFest 2024 promovido pela Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). O evento reuniu adolescentes e jovens crismandos, catequistas, padres, seminaristas e religiosas nas dependências do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora.

A atividade, realizada no dia em que a Igreja celebra a Solenidade de Pentecostes, propiciou o encontro dos jovens de toda a arquidiocese, que neste ano recebem o Sacramento da Crisma, com o arcebispo metropolitano Dom José Luiz Mejella Delgado, C.Ss.R..

O CrismaFest 2024 contou com momentos de animação, testemunhos, oração, música católica, adoração ao Santíssimo Sacramento e oficinas oferecidas pelos setores pastorais da Arquidiocese de Pouso Alegre. O encontro foi concluído com a Santa Missa presidida pelo arcebispo e concelebrada por padres do clero arquidiocesano.

Ao acolher os jovens, Dom Majella, manifestou a alegria de estar com eles.

Você não imagina a alegria e a satisfação de contemplá-lo e contemplar essa juventude aqui reunida. Uma bela juventude que aqui se encontra por causa de Jesus, essa é a grande alegria do meu coração, Jesus não está sozinho, Ele tem você. Jesus não está abandonado, Jesus não está esquecido, Ele conta com todos nós.”

O evento realizado no dia em que a Igreja celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e a Virgem Maria teve o tema “Redimidos pelo seu sangue” (Efésios 1,7). Ao se dirigir aos presentes, o arcebispo destacou a Solenidade celebrada por toda a Igreja.

Jesus não nos abandonou, por isso ele nos deu o Espírito Santo e esta é a grande alegria de hoje. Aqui estamos vivendo o momento de Pentecostes na nossa Arquidiocese e um Pentecostes de esperança porque são vocês, jovens, que trazem no seu olhar, no seu coração, no pulso da sua vida a alegria de ser um jovem construtor de um mundo melhor, um mundo mais justo, um mundo mais humano.

“Desejo que esse dia de hoje, com todo sacrifício que você fez, renove no seu coração a alegria de ser um jovem cristão católico, a alegria de ter no seu coração a presença do Espírito que o leva a renovar o ambiente que você está, a renovar a sua vida”, disse Dom Majella.

A primeira edição do CrismaFest na Arquidiocese de Pouso Alegre foi realizada em 2015. Confira algumas imagens do encontro deste ano.

 

 

Texto: Éder Couto

Imagens: Pascom Arquidiocesana


#Reflexão: Solenidade da Santíssima Trindade (26 de maio)

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A Igreja celebra a Solenidade da Santíssima Trindade, neste domingo (26). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Dt 4,32-34.39-40
Salmo: 32(33),4-5.6.9.18-19.20.22 (R. 12b)
2ª Leitura: Rm 8,14-17
Evangelho: Mt 28,16-20

Acesse aqui as leituras.

SANTÍSSIMA TRINDADE

            Após termos celebrado a Festa do Pentecostes, a Igreja nos propõe a Solenidade da Santíssima Trindade: coração da nossa identidade cristã. Quase sempre se escuta quando se fala desta realidade profunda de nossa fé que se trata de um “mistério”. Está correta a afirmação: jamais conseguiremos falar tudo, explicar tudo sobre nosso Deus, exatamente porque não temos palavras e nem ideias que consigam expressar a realidade de como é o nosso Deus, Trindade Santa. Mas, ao falarmos que temos um único Deus em três pessoas, a palavra “mistério” não deve ser vista como algo impossível, inacessível e distante, mas um convite para conhecermos nosso Deus de outra forma e condição.

Domingo passado, celebrando o Pentecostes e refletimos sobre a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja. Lucas nos diz que um fogo do céu foi derramado sobre todos presentes no cenáculo de oração. Foi algo que inundou o lugar e transformou a todos. Os discípulos rezaram com uma tal profundidade e novidade que chamaram a atenção de todos que estavam próximos. O autor dos Atos dos Apóstolos ainda diz que muitos, vendo os apóstolos em oração no dia de Pentecostes, pensavam que todos estavam “embriagados”. O que os discípulos receberam que causou tamanha mudança em todos? Sabemos que o Amor é aquilo que melhor define Deus: por amor, Deus criou o mundo e tudo foi doado a toda humanidade; Jesus Cristo salva o mundo também movido por amor, nada pede em troca e se doa totalmente na cruz. O Espírito Santo é este amor que cria, salva e que é derramado sobre os discípulos. O Espírito Santo é algo novo, que nasce do interior de cada um e se revela a todos como uma grande alegria, como pessoas embriagadas de Deus. Amor! Algo tão profundamente divino e tão profundamente humano. Deus é Deus porque cria, porque se doa e porque é amor. Mais do que compreender a Trindade, o discípulo de Jesus é chamado a viver o seu fundamento que nos torna participantes do Eterno: o Mandamento do Amor.

Para entendermos Nosso Deus Trindade Santa, nós usamos o termo pessoa: são três pessoas. Isto, nós conhecemos e entendemos muito bem. “Pessoa” é alguém possível de se relacionar; alguém (e não coisa) que podemos trocar sentimentos e afetos. Nós construímos nossa história cercados por inúmeras pessoas, cada uma com sua identidade e característica individual.

Mas, é com Jesus que temos a máxima relação de Deus. Nosso Senhor nos fala de Deus, não como algo distante e inacessível, mas que Nosso Deus é PAI. Entre nós e Ele existe a relação mais profunda que pode existir entre duas pessoas: relação de paternidade. Jesus rompeu todos os obstáculos que impediam que esta realidade profunda e desejada por Deus acontecesse em cada pessoa que se torna seu discípulo e discípula. A linguagem dos Evangelhos é de família: Pai e Filho, e família nós entendemos bem, pois é a base de nossa vida.

O Evangelho deste domingo para a solenidade da Santíssima Trindade propõe as últimas palavras de Jesus em São Mateus. Dois gestos profundos acontecem quando Jesus se manifesta visivelmente pela última vez: os onze discípulos (base da Igreja e da comunidade de vivência de Jesus) se prostram; e Jesus se aproxima. A iniciativa de ir ao encontro é sempre de Jesus em relação a sua igreja/comunidade. Mesmo diante das dificuldades e até incredulidade, Jesus renova sua confiança em sua Igreja e envia a todos. A missão é fazer todos discípulos de Jesus, mesmo com suas dificuldades e limites para acreditar. Ser discípulo não é saber tudo, mas reconhecer que Jesus é o centro de tudo (“do céu e da terra”). O caminho é tornar todos seus filhos “Batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” e depois, ensinar a todos a observar o que Jesus ensinou e pediu que praticassem, principalmente o ensinamento do Amor. Por fim, as palavras que consolaram a todos. Os discípulos são enviados, mas não estão sozinhos; são enviados para evangelizar com Jesus que permanece com todos eles. Um compromisso que Jesus assume com sua Igreja até o final dos tempos.

Jesus nos ensina e pede aos seus apóstolos que batizassem e ensinassem a todos a se tornarem discípulos Dele. De fato, o Batismo é a condição necessária para que Deus Trindade faça morada em cada pessoa. Ao receber o Sacramento do Batismo, Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo passa a morar em cada fiel. O discípulo torna-se, assim, templo de Deus. Assim, o Espírito Santo que recebemos no Batismo possui esta especial missão em nossa vida: nos conduzir pelos caminhos deste mundo. Ele não nos escraviza, lembra São Paulo na 2ª leitura, mas nos torna “filhos de Deus”. O termo usado por Paulo, “Aba”, é o mesmo que Jesus usou para falar com Seu Pai (cf. Mc 14,36). Com o Batismo, a pessoa através do próprio Espírito Santo pode ter uma relação profunda, paternal com Deus, pois é Filho e Filha de Deus Pai.

Outro ponto fundamental que o Batismo nos concede é de pertencermos a sua Igreja, corpo de Cristo visível na história. Segundo a vontade de Jesus, Ele também se mantém presente e acessível a toda a humanidade em sua Igreja. Com o Batismo, a pessoa passa a fazer parte deste povo privilegiado onde o próprio Deus faz morada e presença na história.

O Espírito que é o Amor entre o Pai e o Filho dá sentido à nossa existência: a Trindade não é um grupo fechado, mas pessoas em profunda relação. O acesso a Trindade – dessa forma – não é no campo das ideias, mas da vida e da comunhão entre as pessoas. Na criação, ouvimos que o Criador diz: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1,26), não criou Adão e Eva olhando para uma só Pessoa Santa, mas para a Trindade, portanto à semelhança da comunhão, do vínculo de amor e de partilha que existe entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Assim, ensina a tradição da Igreja que não professamos a fé em três divindades, mas um só Deus em três Pessoas: O Pai é aquilo que é o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, o Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho, isto é, um só Deus por natureza (Concílio de Toledo, em 675). O catecismo da Igreja completa (n.253): “A Trindade é Uma. Nós não confessamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas (...). As pessoas divinas não dividem entre Si a divindade única: cada uma delas é Deus por inteiro”.

Professar a fé na Trindade é criar vínculos de comunhão. O Deus da Trindade não é uma fórmula matemática complicada em que um e três devem coincidir: “Se você vê o amor, você vê a Trindade” (Santo Agostinho). A Trindade permanece um imenso oceano que jamais vamos saber sua profundidade e grandeza, mas se não conseguiremos compreender tudo, somos convidados a mergulhar nestas águas profundas de amor que criam, salvam e santificam todas as coisas.

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#Reflexão: Solenidade de Pentecostes (19 de maio)

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A Igreja celebra a Solenidade de Pentecostes, neste domingo (19). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 2,1-11b
Salmo: 103(104),1ab.24ac.29bc-30.31.34 (R. cf. 30) ou, à escolha: Gl 5,16-2
2ª Leitura: 1Cor 12,3b-7.12-13 ou, à escolha: Jo 15,26-27;16,12-15
Evangelho: Jo 20,19-23

Acesse aqui as leituras.

 

PENTECOSTES

Neste domingo festejamos a solenidade de Pentecostes. É a celebração da vinda do Espírito Santo sobre todos os discípulos, sobre a Igreja de Jesus. Lucas nos Atos dos Apóstolos (Primeira leitura) usa diversos sinais e imagens para contar este grande evento para todos nós.

Desde o início do Domingo da Páscoa, vimos que todas as experiências que os discípulos tiveram com Jesus ressuscitado não foram suficientes para eliminar os temores em relação a tudo que Jesus sofreu, principalmente, sobre sua morte. As manifestações de Jesus não conseguiram cancelar as dúvidas sobre a presença de Cristo Ressuscitado entre eles. Era necessário algo mais profundo e transformador. Era necessário algo que ligasse a Páscoa (vida nova de Jesus) a realidade mais profunda dos discípulos: suas próprias vida. Sem o Espírito Santo, tudo seria somente uma história da vida de Jesus, algo que teria somente se limitado a Mestre que seguiram. O Espírito Santo teve a missão de transforma de dentro para fora; de ideias para anúncios; de informações sobre Jesus em testemunho de vida

A missão de Jesus neste mundo não terminou com a sua ascensão (subida) aos céus. Tudo que Ele realizou em um lugar definido e em momento da história não podia permanecer restrito e limitado a poucas pessoas. A redenção operada por Jesus (com sua morte e ressurreição), mas principalmente o seu projeto de amor para com toda humanidade, tudo deveria ser proclamado a todas as pessoas em todos os tempos. Assim, Jesus muda o seu modo de agir e operar neste mundo. Através da sua Igreja, Cristo torna-se perpetuamente presente na história. Na celebração de domingo passado, Ascensão de Jesus, no Evangelho de Marcos, recordamos que Ele continua presente e operando com vários sinais, mas através de sua Igreja, cujo corpo somos todos nós cristão e Ele mesmo é a sua cabeça.

            Aqueles discípulos escolhidos por Jesus deveriam também passar por uma profunda transformação. A vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos em oração provoca uma manifestação nova e diferente de Deus neste mundo e ao mesmo tempo transforma cada fiel discípulo em presença de Deus na história.

Jesus já tinha mencionado o que significa o Espírito Santo. Ele é o Paráclito (defensor), o Consolador e o Advogado na vida de cada pessoa que O recebe. Em outras palavras, o Espírito Santo é o próprio amor de Deus presente em nossas vidas. Lucas procura narrar aquele momento usando vários sinais para mostrar que foi mais uma grande manifestação de Deus neste mundo; mais uma revelação especial que deve ser recordada pra sempre.

Lucas na primeira leitura conta que da parte dos discípulos tudo estava preparado: estavam juntos e reunidos. O “Espírito Santo vem do céu” não é fruto de qualquer esforço dos apóstolos, mas foi dado por Deus. Os sinais apresentados no texto sagrado (som, vento impetuoso, tremor, línguas de fogo...) recordam as grandes revelações e manifestações de Deus no Antigo Testamento: o Pentecostes é a definitiva manifestação de Deus que completa a missão de Jesus. Ele é gratuito e desce sobre todos indiscriminadamente. O Espírito Santo é dom de Deus para sua Igreja que é formada por cada pessoa batizada, assim, todos têm o mesmo dom e por isto o mesmo valor dentro da Igreja de Cristo.

O Espírito Santo impulsiona todos a falar e a se manifestar. É o próprio Espírito de Deus que anima cada um para o louvor e para a ação de graças, com preces e um novo modo de rezar. Ele age em quem proclama o próprio Jesus Cristo e também atua em quem escuta. Lucas nos diz que muitos ouviram os apóstolos e discípulos que rezavam e proclamavam as maravilhas de Deus e mesmo sendo que países diferentes, ouviam em suas línguas o mesmo anúncio da Boa Notícia de Deus para todos.

No dia Pentecostes, a Igreja de Cristo começa sua missão: anunciar aquilo que recebeu de Jesus e com a ajuda do Espírito Santo. A primeira manifestação de Deus através dos apóstolos após a descida do Espírito Santo indica outra grande característica da Igreja de Jesus: a unidade na diversidade. Interessante perceber que são línguas que se entendem: línguas de fogo do céu que repousam e soltam as línguas dos apóstolos para anunciar e proclamar a Jesus, e todos escutam em suas línguas.

Destaque especial que nos conta Lucas é a transformação pessoal de cada um ao receber o Espírito Santo. Tornam-se novas pessoas, mas acima de tudo com uma grande alegria. Além de ouvirem em suas línguas, as pessoas estavam espantadas com a festa que todos faziam a tal ponto de acharem que estavam embriagados. O Espírito Santo é presença de Deus, mas presença de amor e de alegria, por isto, cada fiel deve manifestar-se ao mundo vivendo o Amor de Jesus e com muita alegria. Assim, o primeiro dom concedido pelo Espírito Santo foi a oração. De fato, uma das missões do Espírito de Deus é nos ajudar a rezar, nos colocar em comunhão com o nosso Deus e Pai. Apesar de terem línguas diferentes e de serem de países distantes, todos recebem o mesmo dom e as mesmas graças.

Paulo na segunda leitura completa a nossa compreensão sobre o Espírito Santo na Igreja de Jesus. Ele dá a cada cristão dons especiais, mas tais dons nada mais são que partes que compõem a própria Igreja de Cristo. Cada pessoa é preciosa dentro da Igreja, pois tem a missão de compor o corpo de Cristo neste mundo. Assim, um carisma é um dom especial, mas para toda Igreja. Ninguém deve se sentir autônomo (sozinho) da Igreja. A imagem que o apóstolo usa é a do corpo e de seus membros. Cada parte possui sua importância e seu valor e deve realizar tudo com precisão, pois cada membro deve faz tudo não para si próprio, mas para o bem de todo o corpo de Cristo que é a sua Igreja. O Espírito Santo age naqueles que compõem a Igreja de Cristo e, assim cada fiel deve se deixar conduzir pelo Espírito para que toda a Igreja possa manifestar ao mundo o amor de Cristo.

Paulo também acentua a diversidade dos membros diferentes, no entanto, todos compõem a mesma Igreja. Esta é outra característica da Igreja de Jesus neste mundo: é composta por tantas realidades e carismas diversos, mas tudo isto é uma grande riqueza em sua Igreja. A missão do Corpo de Cristo na história não tem limites e fronteiras, nem obstáculo em relação às pessoas e às línguas, pois Ele se adapta e se ajusta a cada cultura e a cada povo para que o Evangelho chegue a todos as gentes.

A Igreja que nasce no dia de Pentecostes possui características bem definidas: é formada pelas mesmas pessoas que caminharam com Jesus que não foram tão fiéis a sua missão, mas com força do alto, Espírito Santo, foram transformadas: eles de medrosos que eram e estavam no início, passaram a anunciar com coragem e alegria a todo mundo, tudo que tiveram a graça de ver, escutar e experimentar junto de Jesus. Outro aspecto que percebemos é o forte caráter comunitário do grupo: passam a fazer tudo como uma grande família (oração, pregação, vida em comum etc.). O Espírito Santo sempre nos conduz a ser cada vez mais Igreja, mas sempre na sua Igreja Por fim, eles se tornam instrumentos nas mãos de Deus. Fazem tudo seguindo a vontade de Deus que procuravam discernir através da oração e comunhão entre todos.

No Evangelho, São João também recorda o dia em que todos receberam o Espírito Santo. Tudo aconteceu durante um encontro dos apóstolos com Jesus ressuscitado. Nosso Senhor veio, se colocou no meio de todos e confirmou o principal dom da Sua ressurreição: a paz. João nos diz que Jesus lhes mostrou suas mãos e o seu lado ferido. Não queriam ver o rosto, pois para Eles o último momento que ainda traziam do Mestre era de morte no alto da cruz. Jesus confirma para todos ao mostrar as mãos e o seu lado que se trata do mesmo Senhor e Mestre que seguiram pelas estradas da Galileia e da Judeia.

Depois da confirmação que se tratava do mesmo Jesus e do dom da paz, Cristo sopra sobre eles concedendo-lhes o dom do Espírito Santo. Gesto este que recorda Deus Pai criador dando vida ao barro que se transforma em Adão. Com o Espírito de Deus, todos se tornam pessoas novas em Deus, mas tal dom não deve ser acolhido como um privilégio egoísta, mas para a missão. De fato, Jesus antes de soprar sobre os apóstolos envia todos para a missão, uma missão que nasce da vontade de Deus que Jesus cumpriu com toda determinação e do mesmo modo deverão fazer os apóstolos.

Para são João evangelista, o dia de Pentecostes é marcado como o momento em que todos recebem o dom especial de Deus (O Espírito Santo), mas também o dia em que a Igreja parte em missão. Jesus ainda lembra no Evangelho sobre a importância em relação ao perdão de Deus. Os apóstolos devem ajudar as pessoas a buscarem sua conversão e reconciliação com Deus Pai. São Lucas nos Atos lembra da permanência de Jesus com os seus por 50 dias e somente depois, todos são revestidos do Espírito Santo, algo semelhante aos dois Sacramentos de nossa fé: o Batismo e a Confirmação.

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