Espiritualidade Mariana: o povo que ama a Mãe de Jesus

Uma espiritualidade só se faz verdadeiramente mariana se, antes, está enraizada e plenamente direcionada a Cristo, centro de todo amor e devoção do católico que deve ser uma vida sustentada na esperança e vivida na caridade. Fazendo de Maria o nosso modelo passamos a seguir Jesus de modo mais perfeito. Por meio de Nossa Senhora, aprendemos a ser servos e somos impulsionados a viver as virtudes, fugir do pecado e a sermos humildes, sempre atentos e obedientes a voz do Senhor.

Maria nunca aceitou glórias ou elogios para si, mas sempre os elevou a Deus a quem ela permanentemente se mantinha muito próxima e fiel. A Virgem Santíssima nos conduz ao Nosso Deus. Ela é o modelo perfeito de humildade que nos ensina a também ser humildes. Ela era simples, todos seus atos eram feitos no silêncio e na discrição.

Apesar de ser a Mãe de Deus, Maria não foi polpada de nenhuma provação ou dificuldade, ao contrário, ela passou pelas mesmas dificuldades que cada um de nós passamos e, muitas vezes, teve que passar por coisa muito pior, mas ela não permitia que nada disso tirasse a sua paz e confiança na mão misericordiosa do Senhor, ela guardava tudo em seu coração e meditava aproximando sua dor ao amor de Deus.

Viver a espiritualidade mariana é imitar essa grande Mãe nossa, viver essas virtudes como ela o fez: crer na providência de Deus como ela fez na infância do Menino Deus em que tiveram que viajar Nazaré-Belém-Egito; interceder uns pelos outros como ela fez em Caná da Galileia; entregar-se à vontade de Deus como ela fez no Calvário, aos pés da cruz de seu Divino Filho.

Além de viver as virtudes de Maria e sermos seus verdadeiros imitadores almejando sempre amar e servir a Cristo e aos irmãos, há algumas práticas oracionais concretas que podemos fazer: rezar o santo rosário com devoção, meditando a vida de Jesus a partir do amor que Maria sempre dedicou a Ele; novenas dos mais diversos títulos marianos; oração do Ângelus (ou Regina Caeli, no tempo pascal), leitura e meditação dos salmos; contemplação das sete dores de Nossa Senhora; entre tantas outras belas formas de devoção que podemos aplicar em nossa vida cotidiana que nos aproximarão da Virgem Maria e, sobretudo, de Jesus Cristo. A melhor forma de alimentar a nossa espiritualidade mariana é praticando-a.

Oração: À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós!

Referências:

MELO, Débora. Espiritualidade Mariana – Maria: Escola de fé e virtudes. Instituto Nossa Senhora Das Graças. Disponível em: <https://institutonossasenhoradasgracas.com/espiritualidade-mariana/>. Acesso em: 24/abril/2024.

JACIARA, Núbia. Como alimentar a Espiritualidade Mariana. Obra de Maria, 2020. Disponível em: <https://obrademaria.com.br/como-alimentar-a-espiritualidade-mariana/>. Acesso em: 24/abril/2024.

Referência de imagem: acervo site.


Formação dos Coordenadores Diocesanos de Pastoral

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Aconteceu nos dias 6 a 9 de maio de 2024 a Formação com os Coordenadores Diocesanos de Pastoral do Leste 2. O encontro iniciou-se dia 6 com santa missa de acolhida, apresentação dos participantes e apresentação da programação do encontro.
Durante todo o dia 7, foi partilhado por cada coordenador (arqui)diocesano as seguintes questões: como é organização de cada (arqui)diocese e quais questões pessoais são relevantes na caminhada de coordenação em sua (arqui)diocese. A noite vivenciamos juntos um momento de confraternização.
Durante o dia 8, foram trabalhados os seguintes temas: a) atribuições do coordenador diocesano de pastoral; b) Organização da CNBB e do Regional - Econômico-Contábil-Pastoral (Três pilares para que a evangelização aconteça); c) Jubileu da Peregrinos da Esperança.
Dia 8, na parte da manhã, contamos com a presença de Pe. Júlio César, que faz parte da equipe nacional para animação do sínodo, partilhando, na parte da manhã, reflexões sobre o “Sínodo sobre a Sinodalidade”.
Finalizando o encontro, Pe. Rodrigo apresentou a estrutura e organização da CNBB Leste 2. Foram divididas atividades para todas as províncias ajudarem na elaboração de um subsídio sobre o tema da “Esperança” para serem utilizadas em todas as (arqui)dioceses.
O encontro foi um momento de formação e partilhas sobre a caminhada das (arqui)dioceses do Leste 2. Essas reflexões fortaleceram nossos vínculos e caminhada, alargando nossos horizontes para atuação pastoral.
Participaram desse encontro os seguintes padres: Pe. Alexandre José Gonçalves, Guaxupé; Pe. Almerindo da Silveira Barbosa, Luz; Pe. Edson Aparecido da Silva, Pouso Alegre; Pe. Filipe Silva Pereira Gouvêa, Belo Horizonte; Pe. Jacson Hilário Pereira, Diamantina; Pe. Jean Steferson Pereira, Campanha; Pe. João Carlos Ventura de Oliveira, Juiz de Fora; Pe. Jorge Wilson Carvalho Fonseca, São João del-Rei; Pe. Jose Aparecido dos Santos, Guanhães; Pe. José Geraldo de Oliveira, Mariana; Pe. Luiz Antônio da Silva, Patos de Minas; Pe. Márcio Arthur Junior, Leopoldina; Pe. Márcio Rodrigo Mota, Itabira - Coronel Fabriciano; Pe. Patrício Geraldo Fialho, Caratinga; Pe. Pedro Henrique da Cruz, Montes Claros; Pe. Rogério de Jesus Bispo, Janaúba; Pe. Sebastião Ananias Lino, Oliveira; Pe. Willian Souza de Avelar, Sete Lagoas.
Deus abençoe nossa caminhada pastoral e Maria Santíssima, interceda a Deus por nós.

Pe. Márcio Rodrigo Mota | Dioc. Itabira - Coronel Fabriciano
Coordenador dos Coordenadores Diocesano de Pastoral

Pe. Rogério de Jesus Bispo | Dioc. Janaúba
Vice-Coordenador dos Coordenadores Diocesano de Pastoral

Pe. José Geraldo de Oliveira | Dioc. Mariana
Secretário dos Coordenadores Diocesano de Pastoral

 


#Reflexão: Solenidade da Ascensão do Senhor (12 de maio)

A Igreja celebra a Solenidade da Ascensão do Senhor, neste domingo (12). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 1,1-11
Salmo: 46(47),2-3.6-7.8-9 (R. 6)
2ª Leitura: 1,17-23
Evangelho: Mc 16,15-20

Acesse aqui as leituras.

ASCENSÃO DO SENHOR

Depois de quarenta dias de convivência de Cristo ressuscitado com seus discípulos, Ele retornou para Deus Pai. Jesus concluía assim, o segundo momento de sua presença com os seus. No primeiro momento, os discípulos e todo o povo tiveram o privilégio de tocar, ver e abraçar Jesus que caminhava com sua gente no meio de todos. Com a Ressurreição, os discípulos de Jesus, por quarenta dias, puderam por um pouco de tempo experimentar ainda a graça de sua presença, principalmente, quando se reuniam em comunidade. No entanto, esse segundo momento encerrou-se com sua subida aos céus. Com o retorno de Jesus ressuscitado ao Pai inicia-se um terceiro momento para a história humana, onde o próprio Jesus continua presente não mais visível, mas em sua Igreja, nas pessoas, na Eucaristia e na fé de todos os seus discípulos.

No discurso de despedida de Jesus na durante a Ceia Eucarística, os amigos de Jesus escutaram que, quem acredita Nele, na realidade não experimenta um adeus definitivo, mas sim “até breve” que inicia aqui e se conclui junto de Deus. A ressurreição de Cristo é a prova para a nossa fé que a vida continua após nossa existência neste mundo e que Ele retorna ao Pai para nos esperar.

No momento em que Jesus se preparava para deixar os seus discípulos de forma visível e retornar ao Pai, os apóstolos ainda se mostravam ligados a ideias simples para aquele momento e perguntaram: “Seria agora que Israel seria libertado?”. Jesus alerta que a sua missão se estende a todos os povos, nações, todos os homens e mulheres no tempo e na história. Ele adverte ainda que, certos particulares da história, somente Deus Pai sabe o momento e quando eles devem acontecer.

E Jesus reforça que a nossa missão não é de saber quando certos “acontecimentos na história” vão acontecer, mas “ser testemunha na história” de Jesus Cristo! Não era missão de Jesus intervir em uma situação isolada da história (somente Israel), mas de oferecer condições para conduzirmos a história da melhor forma.

A partida de Jesus Ressuscitado para Deus Pai significou a inauguração de uma nova fase de presença de Cristo entre nós. Ele continua presente na história não mais fisicamente (como foi até a morte) e nem visivelmente (como aconteceu após a ressurreição), mas CONTINUA ACESSÍVEL A TODOS ATRAVÉS DE SUA IGREJA: a todos que professam a fé no Cristo Ressuscitado. Assim, Jesus Cristo assume um “novo Corpo” que todos podem ter acesso que é a Sua Igreja: Ele como cabeça e nós Seu corpo (cf. Col 1,18).

Jesus ressuscitado, antes de retornar ao Pai, confirma também a missão dos apóstolos e da sua Igreja. Cristo possui poder supremo e eterno, por isso seu mandato não se limita a um grupo de pessoas e nem se restringe a um tempo determinado, mas a todas as pessoas que abraçam a fé cristã em qualquer momento da história e em todos os lugares: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado!” (Mc 16,15).

A primeira missão é sair “ide pelo mundo pregando o Evangelho”: compartilhar o que recebeu através do testemunho pra que assim, as pessoas através do Batismo e da fé possam se salvar. Cada pessoa que recebe o Batismo é inserida neste Corpo Místico que é a Sua Igreja. Jesus continua atuando e oferecendo seu amor e seus dons através de seu corpo, isto é, sua Igreja. Por isso, Jesus insiste que todos recebam o Espírito Santo e se tornem suas testemunhas.

O Sacramento do Batismo não é um “detalhe” na vida do cristão, mas a porta de acesso e da presença de Deus em cada discípulo. Marcos apresenta uma lista de “sinais” que, naquele tempo eram significativos e expressavam a presença de Deus. Jesus acompanha seus discípulos na história, por isso, Ele mesmo produz sinais através de suas testemunhas que são os mesmos que Ele mesmo realizou quando caminha pelas terras de Israel.

Com a Ascensão de Cristo, encerra-se a presença de Jesus junto aos seus discípulos para se tornar Mestre de todos os cristãos em todos os tempos. Nosso Senhor parte para o Pai e os discípulos partem em missão. Não há separação e solidão na missão dos apóstolos, pois Cristo Jesus continua presente e vivo em sua Igreja. O Evangelho termina dizendo que os discípulos partiram em missão e Jesus os acompanhava com os milagres.

Viver a fé e testemunhar o amor de Deus é ser canal de graça e de bênçãos para muitas pessoas.

A ascensão de Jesus aos céus abre possibilidade de outro dons especial de Deus à sua Igreja: O Espírito Santo como Ele próprio disse na Ceia com seus discípulos: “convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador [Espírito Santo] não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (Jo 16,7). Assim, a partida de Cristo Jesus não é perda, mas ampliação dos dons a todos que creem Nele.

O Mestre que curou com suas mãos, com o envio de seus discípulos ainda vacilantes e inseguros, Ele mesmo continuará a agir neles: em nossas mãos, atuam as mãos de Jesus; em nossos gestos de discípulos, o próprio Senhor Jesus atuará com curas, milagres e vidas salvas para Deus. Marcos ao final do seu Evangelho nos deixa uma grande esperança:

Jesus estará presente com todos que crerem Nele e os sinais são a prova disso. Jesus “acompanhará” seus discípulos! Ele não deixou sua Igreja abandonada a seus próprios esforços, mas continua atuando, agora, através da fé de Seus filhos batizados.

Na carta aos Efésios (2ª leitura), Paulo fala de um “espírito de sabedoria” oferecido a todos e esclarece a missão do Espírito que é aprofundar o conhecimento de Deus Pai e iluminar nosso coração para compreender três coisas: qual é a nossa esperança (nosso futuro), qual é o nosso tesouro (aquilo que nos espera como herdeiros entre os santos) e a suprema grandeza do seu poder para conosco (nada é maior que Deus). Assim, a Ascensão inaugura uma nova presença de Cristo até o momento em que esta história que conhecemos terá o seu final.

O Domingo da Páscoa inicia com a ausência do corpo físico de Jesus no túmulo.

Cristo se fez presente por um tempo de uma forma nova (corpo ressuscitado), mas era sempre o mesmo Jesus. Subindo aos céus, ausente de nossos olhos, Cristo Jesus permanece presente na história, agora, através de sua Igreja Viva.

Faça o download da reflexão em pdf.


Arquidiocese promove campanha solidária para as vitímas da chuva no Rio Grande do Sul

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Com base na Palavra e Mandamento do Amor de Jesus Cristo, a Arquidiocese de Pouso
Alegre convida os fiéis e paróquias a fazerem parte de uma grande rede de solidariedade
em prol da população do Rio Grande do Sul que foi acometida pela tragédia climática.
Diante deste momento de grande desafio, a Arquidiocese de Pouso Alegre (Cúria
Metropolitana, Paróquias e Fiéis) manifesta sua solidariedade às vítimas das tragédias
climáticas no Rio Grande do Sul. Convidamos a todos a se unirem em apoio e em orações
às comunidades afetadas. Sua colaboração é essencial para proporcionar conforto e
esperança em meio às adversidades.
Diante dessa tragédia no Sul do país, a Arquidiocese de Pouso Alegre, por meio de
algumas Paróquias, já fez a doação de R$ 26.665,60, para auxiliar as pessoas que
perderam tudo nas enchentes. Também muitas das Paróquias da Arquidiocese estão
promovendo campanhas de arrecadação de doações diversas.
Neste momento, a melhor maneira de contribuir é por meio de PIX, depósito ou
transferência bancária.
Se as Paróquias da Arquidiocese desejarem contribuir, solicitamos cordialmente que
considerem fazer doações para o PIX da Arquidiocese de Pouso Alegre em apoio ao
Regional Sul 3/CNBB.
Pix da Arquidiocese de Pouso Alegre
Pix e-mail: solidariedade.arquipa@gmail.com
Depósito ou Transferência Bancária
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 0147
Conta: 00500603-6
ARQUIDIOCESE DE POUSO ALEGRE
Que Deus, em Sua infinita misericórdia, possa confortar e proteger nossos irmãos do Sul
diante dessa situação tão desafiadora. Juntos, podemos fazer a diferença e oferecer uma
luz de esperança para aqueles que mais necessitam.

 


Traduções do divino

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Com o passar do tempo e a necessidade de tornar a Palavra divina acessível a todos, as versões arcaicas dos textos inspirados (Tanakh hebraica, Septuaginta grega e Vulgata latina), escritas nas línguas originais dos povos bíblicos, foram traduzidas para diferentes idiomas. O movimento para que “a Palavra de Deus se difunda e resplandeça” (2Ts 3,1) através da publicação de edições em língua vernácula dos livros canônicos foi um processo tão longo e complexo quanto sua transmissão oral, sua compilação escrita e sua canonização pela comunidade cristã. Antes, contudo, de falar sobre essa temática, vale ressaltar que toda tradução comporta um grau de esvaziamento do texto primário: palavras, expressões e sentidos são empobrecidos devido ao fato que as diferentes línguas dos povos não se estruturam anatômica, gramatical e semanticamente de forma homogênea. Além disso, muitas traduções são realizadas a partir de referenciais teológicos modernos que projetam nos textos interesses que, apesar de atualizarem a mensagem salvífica, criam um anacronismo perigoso à compreensão integral do conteúdo de cada passagem bíblica. Dessa forma, escolher traduções fiéis às versões arcaicas e buscar os significados dos textos originais nos contextos em que foram escritos são escolhas importantes para quem deseja conhecer melhor a Bíblia.

Desde o período da dominação romana, nos primeiros séculos da era cristã (séculos II-IV), até a segunda metade da Idade Média (séculos XI-XV), muitos povos tomaram a iniciativa de traduzir a Bíblia para seus idiomas. Até o final do século XI, sírios (árabes), coptas (egípcios) e germânicos (góticos), por exemplo, patrocinados por reis e mosteiros, e motivados pelo uso litúrgico dos textos bíblicos, empreenderam a tarefa de transpor a mensagem salvífica da Palavra de Deus para os dialetos que utilizavam, fazendo aparecer uma multiplicidade de compreensões e interpretações da Bíblia. A partir do século XII, com o crescimento urbano na Europa e a ampliação, ainda que lenta e limitada, da educação para grupos que não pertenciam à elite feudal, houve um maior interesse na leitura dos textos sagrados que levou à criação das Bíblias de bolso. Nessa mesma época, hereges como os cátaros ou albigenses, grupo do sul da França que acreditava na criação do mundo material por um deus mau, também traduziram parcialmente a Bíblia para justificar sua doutrina. Assim, desde o século XIV, a Igreja Católica passou a contestar as traduções vernáculas da Sagrada Escritura, justamente para evitar as manipulações no conteúdo e os equívocos na interpretação dos relatos bíblicos, assumindo no século XVI a Vulgata latina, traduzida por São Jerônimo no final do século IV, como texto oficial.

Embora o catolicismo reconheça os 73 livros canônicos da Vulgata como textos legitimamente inspirados por Deus, inclusive utilizando-os recentemente como referencial para a tradução bíblica que atualmente é utilizada pela Igreja, denominada Neovulgata e promulgada pelo papa São João Paulo II em 1979, o surgimento do protestantismo, no século XVI, produziu um controverso cenário no campo da tradução bíblica. Martinho Lutero (1483-1546), monge agostiniano alemão, inconformado com ações que a Igreja Católica realizou no fim do período medieval, como a venda de indulgências e de relíquias dos santos, mas também com aspectos doutrinários, tais como a obediência ao magistério eclesial e a interpretação comunitária da Escritura, provocou um cisma no cristianismo: a partir das 95 teses que nortearam seu protesto, simbolicamente fixadas na porta da capela do castelo de Wittenberg, em 1517, o monge católico rompeu a unidade da Igreja cristã ocidental. Abandonando o catolicismo, Lutero criou uma vertente religiosa baseada no fundamentalismo bíblico, na negação do magistério e da hierarquia eclesiástica, no repúdio do culto aos santos, na defesa da predestinação dos justos ao céu e na valorização da graça e da fé em detrimento da vontade e ação humanas. Nesse contexto, para diferenciar a identidade protestante da católica, a Igreja reformada, isto é, constituída a partir da Reforma Protestante de Lutero, adotou um cânon próprio do Primeiro Testamento.

Enquanto o catolicismo preservou desde as primeiras décadas do cristianismo o cânon amplo do Primeiro Testamento presente na Septuaginta (46 livros), versão grega da Bíblia anterior ao nascimento de Cristo e, portanto, utilizada por judeus, o protestantismo optou pelo cânon restrito, estabelecido pelo rabinato judaico no final do século I (39 livros). Defendendo que a Igreja católica havia se corrompido no Medievo e não constituía a comunidade fundada por Jesus, os protestantes defenderam o resgate da “Igreja cristã primitiva” e trabalharam para recuperar tudo aquilo que fosse possível sobre os primórdios do cristianismo. Encontrando entre grupos do judaísmo posterior a Jesus o cânon restrito do Primeiro Testamento, diferente daquele cânon amplo usado pelos católicos, os protestantes adotaram-no como forma de diferenciação. Explica-se, dessa forma, porque faltam na Bíblia protestante os livros deuterocanônicos de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2 Macabeus. Presentes na versão grega da Sagrada Escritura produzida no século III a.C., tais obras compunham o cânon conhecido e lido por Jesus e por seus apóstolos no Segundo Testamento, e por isso encontram-se integralmente preservadas na versão latina de São Jerônimo.

A tradução que Lutero realizou a partir dos textos gregos do Segundo Testamento para o alemão foi publicada em 1522, ao passo que a do Primeiro Testamento, advinda do hebraico e do aramaico, veio a público em 1534, formando o que se convencionou chamar de Bíblia Luther, uma versão popular dos textos sagrados, mas não literal. Esse movimento desencadeou a tradução da Bíblia para vários outros idiomas, dentre eles o português; a tradução portuguesa do cânon luterano com 66 livros (39 do Primeiro Testamento e 27 do Segundo) foi realizada pelo lusitano João Ferreira de Almeida (1628-1691), pastor da Igreja reformada, e publicada num volume completo no ano de 1819, em Portugal. No Brasil, a primeira edição católica do Segundo Testamento foi realizada no Maranhão por Dom Frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré (1824-1851), entre 1845 e 1847. A partir de então, surgiram inúmeras traduções católicas e protestantes, fazendo conviver no cenário mundial e nacional edições bíblicas variadas, na maioria das vezes utilizadas pelos fiéis sem a percepção de que denotam identidades religiosas e teológicas distintas.

Nas últimas décadas, as principais edições brasileiras da Bíblia católica são: a Bíblia Sagrada, traduzida pelos franciscanos e publicada pela editora Vozes; a Bíblia de Jerusalém, traduzida de uma edição francesa e publicada pela editora Paulus; a Bíblia Ave Maria, traduzida pelos monges beneditinos de Maredsous e publicada pela editora Ave Maria; a Tradução Ecumênica da Bíblia (TEB), traduzida de uma edição francesa e publicada pelas editoras Loyola e Paulinas; a Bíblia do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, traduzida de uma edição italiana e publicada pela editora Paulinas; a Bíblia do Peregrino, traduzida de uma edição espanhola e publicada pela editora Paulus; a Bíblia Pastoral, traduzida de uma edição italiana e publicada pela editora Paulinas; e a Bíblia da CNBB, traduzida dos originais e publicada pela Conferência Nacional dos Bispos como edição oficial para os católicos brasileiros. Conhecer e entender as traduções bíblicas é fundamental para escolher e ler aquela que se adequa a cada credo, reconhecendo que mesmo sendo dita em outras línguas, a Sagrada Escritura é Palavra divina e dela nada se pode tirar ou acrescentar (cf. Ap 22,18-19).

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay


Presbíteros: Testemunhas da Esperança!

Entre os dias 24 a 30 de abril, em Aparecida - SP, está acontecendo o 19º Encontro Nacional de Presbíteros, com o tema: Presbíteros: Testemunhas da Esperança!

Cerca de 490 padres de todo o Brasil estarão reunidos para vivenciarem este tempo de estudo, reflexão, partilha, oração e fraternidade. Nossa Arquidiocese está representada pelos padres Reinaldo, Benedito Luciano e Rafael Silveira.

Desde 1985, os presbíteros, de forma organizada e aos cuidados da Conferência dos Bispos do Brasil, se reúnem para rezar, discutir e discernir formas de viverem mais fortemente a comunhão, a fraternidade e a partilha valores que são esperados para a vivência saudável de um presbitério.

Foi usado um material para reflexão e segundo o presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, dom Ângelo Mezzari, salientou que o subsídio em preparação ao ENP é mais uma contribuição na caminhada de todos os presbíteros da Igreja do Brasil. “O livro quer contribuir para que seja aprimorado o Encontro Nacional de Presbíteros. É uma oração que exige a reflexão, o aprofundamento. Na verdade como Igreja que somos e também estimulados pelos nossos pastores, mas sobretudo no compromisso da própria vocação, vida e missão”.

Dom Ângelo afirmou, ainda, que o subsídio é mais um instrumento para que todos os presbíteros, mas também aqueles que estão a caminho da ordenação presbiteral possam ainda mais aprofundar, aprender e amadurecer a sua própria vocação, vida pessoal, presbiteral e também fazer resplandecer a grandeza e o próprio espírito da missão presbiteral.

Para a preparação do subsídio, a CNP contou com a colaboração do padre Humberto Robson de Carvalho, da arquidiocese de São Paulo. O livro tem o objetivo de contribuir com todos os presbíteros, especialmente os diocesanos, ajudando-os no aprofundamento da sua dimensão humana, espiritual, pastoral e missionária, tendo sempre em vista o compromisso com a vocação e a missão para qual cada um foi chamado.

É dividido em 4 capítulos: “presbítero: profundamente humano”; “presbítero: inteiramente de Deus”; “presbítero: plenamente identificado com a Igreja” e “presbítero: totalmente dedicado à missão”. (Fonte: “Presbíteros: testemunhas da esperança” é o tema do 19º Encontro Nacional de Presbíteros, que acontece de 24 a 30 de abril - CNBB)

Da esquerda para direita: Padre Rafael Silveira (vigário da paróquia Nossa Senhora do Carmo em Borda da Mata; Padre Reinaldo dos Santo (pároco da paróquia Nossa Senhora de Lourdes em Maria da Fé) e Padre Benedito Luciano (pároco da paróquia Santa Rita em Santa Rita de Caldas)
Texto: Padre Cristian Diego Rosa, adaptado do site da CNBB.
Fotos: Padre Reinaldo dos Santos

 

 


I Sínodo Arquidiocesano: "Igreja: caminho de comunhão para a missão".

A Arquidiocese de Pouso Alegre está em caminhada sinodal e depois de ter passado pelas etapas: paroquial e setorial; é tempo de celebrar a etapa arquidiocesana. No dia 27/04/2024 reuniram-se, na Casa de Oração Monsenhor Mauro Tomasinni, em Pouso Alegre todos os convocados pelo Arcebispo no último dia 28/03, na Missa do Crisma.

No decreto de convocação o arcebispo Dom Majella definiu o tema, a inspiração evangélica e o anseio pastoral com as seguintes palavras:

"Igreja: caminho de comunhão para a missão" foi o tema escolhido para essa caminhada e, como lema inspirador, retomamos o Evangelho de Lucas na passagem dos discípulos de Emaús: "Aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles" (Lc 24,15). Com o objetivo de renovação da evangelização e da vida pastoral da Arquidiocese, à luz da Palavra de Deus, da Igreja em saída e da realidade na qual vive e age a Igreja particular de Pouso Alegre, neste Sul das Gerais, iniciamos o processo sinodal com a etapa paroquial e, posteriormente, a setorial. Todo o povo de Deus refletiu e partilhou sobre a vida pastoral de nossa Igreja levantando sugestões e caminhos para o nosso agir.

Agora, chegou o momento de nos reunirmos mais amplamente e como Arquidiocese, aprofundar a escuta do povo de Deus e o que o Espírito diz à sua Igreja.

A primeira sessão se iniciou com a acolhida de todos a partir das 8h na Casa de Oração. Toda sessão é celebrativa, portanto em espírito de oração começou e se desenvolveu todo o dia.

Dom Majella lendo a mensagem de abertura da primeira sessão arquidiocesana do Sínodo.

O Arcebispo Dom Majella fez memória da caminhada sinodal da arquidiocese e provocou a reflexão e abertura à escuta do Espírito Santa e abertura à escuta do outro. Você pode conferir a mensagem completa do Arcebispo clicando em: Mensagem de Dom Majella
Confira também o vídeo com a mensagem gravada pelo Arcebispo durante a sessão arquidiocesana.

Padre Eduardo Rodrigues

Em seguida a palavra do bispo, o padre Eduardo Rodrigues, membro do clero de Pouso Alegre e pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida em Tocos do Moji, provocou uma reflexão sobre a caminhada pastoral de nossa arquidiocese e a necessidade de um diálogo profundo e sincero entre os aspectos culturais, políticos, sociais e plurirreligiosos.

O método usado durante as partilhas em grupo é o “Conversa no Espírito”, é o momento de “ouvir o que o Espírito diz a sua Igreja”, para isso foi importante a partilha de cada participante e o silêncio para o discernimento.

 

Mesas redondas para as "conversas no Espirito Santo". 34 grupo refletindo e ouvindo

O método prevê três rodadas precedidas sempre por um momento de oração e silêncio. Na primeira, todos partilham seus pensamentos e sentimentos em relação à questão apresentada. O convite é para focar na escuta do outro. Na segunda, cada um fala sobre o que mais chamou atenção na escuta realizada. O convite é enfatizar sobre o que mais tocou e desafiou cada um.  Na terceira rodada, identifica-se os pontos chaves e constrói-se um consenso sobre os elementos centrais que surgiram a partir do discernimento em grupo iluminado pelo Espírito (Fonte: www.cnbb.org.br).

Para esta fase arquidiocesana haverá mais uma sessão a ser realizada em 23 de novembro deste ano. Rogamos que Deus acompanhe com a sua graça todos os trabalhos de escuta e discernimento para o I Sínodo Arquidiocesano.

Você pode também conferir a matéria produzida pela Rádio Difusora de Pouso Alegre sobre a primeira sessão arquidiocesana sinodal: Sínodo Arquidiocesano (difusorahd.com.br)

 

Texto: Padre Cristian Diego Rosa
Fotos: PASCOM Arquidiocesana


#Reflexão: 6º Domingo da Páscoa (05 de maio)

A Igreja celebra o 6º Domingo da Páscoa, neste domingo (05). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 10,25-26.34-35.44-48
Salmo: 97(98),1.2-3ab.3cd-4 (R. cf. 2b)
2ª Leitura: 1Jo 4,7-10
Evangelho: Jo 15,9-17

Acesse aqui as leituras.

PERMANECER NO AMOR PARA DAR FRUTOS

Nas palavras do Evangelho, Jesus continua nos comunicando sobre o amor de Deus e como nós podemos ter acesso a ele. O ambiente é o mesmo da Última Ceia quando Jesus lava os pés dos discípulos e em seguida abre o seu coração para falar do Amor de Deus. A imagem que Jesus utiliza é da videira e nós os ramos (continuando o Evangelho de domingo passado), assim, deve ser cada um que realmente ama Jesus e busca permanecer em sua intimidade.

Jesus, novamente, insiste em algumas palavras para expressar a diferença e a profundidade que deve ser a nossa relação com Ele e com o Pai. Como um ramo não sobrevive senão se encontra ligado ao tronco da videira, assim, deve ser a nossa vida.

A seiva que dá vida aos ramos vem da videira, assim, nós devemos nos sentir em relação a Jesus: sem Ele é como se não sobrevivêssemos, sem a “seiva” (o amor de Deus) nós não conseguimos nada, muito menos produzir frutos.

Assim, a relação entre nós cristãos e Jesus deve ser total, constante e profunda; como se nossa vida dependesse disto da mesma forma que um ramo depende do tronco ao qual está ligado. Isto significa “permanecer no amor”. Mas, o amor de Deus não é estático e passivo, mas sim dinâmico e ativo. Por isso, Jesus nos convida a produzir frutos com o Amor de Deus. É necessário perseverar em seu amor. Para tanto, Nosso Senhor nos ensina o caminho: guardar os mandamentos do mesmo modo como Ele próprio observou os mandamentos de Deus.

Perseverar no caminho ensinado por Jesus sobre o Amor de Deus implica necessariamente em observar tudo aquilo que Deus nos ensinou. O amor praticado por Jesus e ensinado a nós, não significa se rebelar com tudo que foi deixado por Deus antes de Jesus, mas revestir tudo com amor.

Jesus aprofunda a questão sobre os mandamentos para sublinhar o maior e o mais importante que é o amor: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (tema do Evangelho e da 2ª leitura). Uma frase que resume a vida do cristão. No entanto, é necessário entender sua profundidade. O mandamento de Jesus vai além de tudo que já era conhecido até então. Jesus coloca que a condição principal de tudo que Ele ensinou está principalmente na relação profunda entre nós. Este é o novo modo de cultuar a Deus: amando o próximo.

O próprio Senhor Jesus ensinou que Ele mesmo se encontra em cada pessoa, principalmente, nos mais pobres e esquecidos. Amar o próximo sem limites e sem preconceito é amar a Ele mesmo. Jesus nos pede que O amemos através de nosso amor ao próximo.

No entanto, Jesus recorda que o amor que devemos dar é o mesmo que Ele mesmo nos deu e que Ele próprio recebeu de Deus Pai. Como a seiva percorre desde a raiz até as folhas dando vida a tudo, o amor de Deus é que devemos viver e praticar com o próximo.

Mas, não basta qualquer amor para já estar praticando o ensinamento que Ele nos deixou. A medida e o modelo de amor que somos convidados a praticar devem ser como diz Jesus ao final: “... como eu vos amei”. Amar é um dom do ser humano, mas o Amor perfeito é aquele que Jesus nos ensinou. Por isso, Nosso Senhor completa dizendo que não existe “maior amor do que dar a vida por seus amigos”.

O nosso modo de amar, quase sempre é limitado e condicionado. Amamos até certa altura, enquanto não acontece nada ao contrário; em alguns casos, se ama com interesse, misturando amor com egoísmo tornando o(a) outro(a) quase como um(a) escravo(a). Este é nosso modo imperfeito de viver o amor, pois está ligado à nossa natureza e às nossas limitações. Jesus propõe o seu amor como medida e modelo para nós.

Um amor que nada pede, mas que se doa completamente; que não sufoca, mas promove; um amor que não tira nada, mas se entrega até a morte pelo outro. Este tipo de amor que somos chamados a praticar, mesmo que não consigamos viver plenamente como Jesus viveu, devemos nos aproximar ao máximo daquilo que aprendemos com Ele.

Há certo destaque por parte de Jesus sobre a relação nova que Ele criou entre nós, Ele próprio e Deus Pai. Nosso Senhor nos tem como amigos. Ele que é Deus e superior a tudo, se relaciona conosco como amigos. Esclarece que Deus nos tem como amigos a tal ponto que abre o seu coração e nos releva tudo que é necessário para nossa salvação e nossa felicidade. Um amor pleno de amizade entre nós e Deus, este deve ser o modelo e o modo que somos convidados a viver entre nós. Não de posse e superioridade (como entre um patrão e um servo; ou entre um senhor e seu escravo), mas de igualdade como deve existir entre amigos.

O amor de Deus não espera, mas se antecipa. Ele é que nos escolhe, vem ao nosso encontro; Ele é quem toma sempre a iniciativa de amar primeiro e assim, podermos experimentar o verdadeiro sentido do que significa amar e como é o verdadeiro amor: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi”. O verdadeiro amor é vivido na relação de doação e junto com os outros. Amor que é pra si, para suas necessidades e conveniência, não é o amor ensinado por Jesus.

Assim, é na prática ou não do Amor ensinado por Jesus que jogamos a nossa eternidade com Deus. Por isso, Jesus insiste tanto sobre o amor. Mas é preciso recorda o que Jesus disse: “Amai-vos uns aos outros”, não simplesmente: “amem-se”, mas: “...uns aos outros”. Não amamos a humanidade em geral ou em teoria.

Devemos amar as pessoas uma por uma; amamos este homem, esta mulher, esta criança, o pobre homem ao lado, face a face, olho no olho. Jesus insiste que devemos “amar como Ele nos amou”, não “quanto” Ele amou (seria impossível), mas “como”, do mesmo modo e estilo de amor de Jesus (Ermes Ronchi).

Talvez muitos não apreciem este modo tão humano de falar de Deus (amor ao próximo e amizade), mas, no fundo, somos nós que não entendemos ainda o que realmente significa viver tudo isto. Jesus, no entanto, viveu e nos pede que pratiquemos o que Ele nos ensinou uns com os outros. Ainda é forte a imagem para muitos do Deus que precisa resolver tudo e do Deus do poder que deve solucionar todos os problemas e dificuldades. Costuma-se pedir que Deus solucione todos os problemas do mundo, mas poucos pedem que Deus mude a sua própria vida para que o mundo seja melhor.

Mas, Jesus nos ensina que tudo isto, Ele próprio nos deixou a solução e o caminho: através do amor uns com outros. Deus continua sempre o mesmo em seu poder, mas a força maior que Ele pode nos dar para transformar o mundo é o Seu Amor.

As mudanças devem acontecer em nós, em nosso modo de praticar o que Jesus ensinou e não da parte de Deus, que deve se moldar ao nosso modo que viver a fé. Como os apóstolos no início da Igreja que foram percebendo que Deus está acima de nossos preconceitos e visão das coisas (1a leitura). Todos são iguais, irmãos e irmãs, por isso, todos precisam receber da mesma forma a mesma Boa Nova de Jesus juntamente com os dons que Ele mesmo nos deu: o Espírito Santo e o Batismo.

É Deus quem guia sua Igreja no Amor deixado por Jesus e com os dons do Espírito Santo. Toca a nós praticar o seu mandamento maior e produzir frutos segundo o amor de Deus. Dessa forma, a nossa alegria será plena.

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#Reflexão: 5º Domingo da Páscoa (28 de abril)

A Igreja celebra o 5º Domingo da Páscoa, neste domingo (28). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: At 9,26-31
Salmo: 121(22),26b-27.28.30.31-32 (R. 26a)
2ª Leitura: 1Jo 3,18-24
Evangelho: Jo 15,1-8

Acesse aqui as leituras.

PERMANECER EM JESUS PARA PRODUZIR FRUTOS

            Jesus no Evangelho de São João se apresenta sete vezes com “Eu sou”: o Pão da vida; a luz do mundo; a porta das ovelhas; o Bom Pastor; a Ressurreição e a Vida; o caminho, a verdade e a vida; e “eu sou a verdadeira videira”. Esta última expressão sobre a videira, Jesus diz no discurso da última refeição com os discípulos. Domingo passado, refletimos sobre Jesus o Bom Pastor.

No Evangelho deste domingo, Jesus se compara a uma planta muito apreciada e muito bem cuidada em sua época: a videira que produz a uva. No Antigo Testamento, a videira, muitas vezes, é aplica a Israel, povo de Deus; Em São João é o próprio Cristo a videira. A planta da videira serve somente para produzir uva, pois seu tronco é inútil para ser usado para outra coisa, nem suas cinzas eram usadas para lavar roupa, pois manchavam o tecido. Sem a uva, a planta era corta e queimada. Jesus lembra que Deus Pai é o agricultor e tudo pertence a Ele, todos nós somos Dele, mas Deus não é um patrão que espera tudo pronto: Ele próprio cuida de sua videira. Ele trabalha em sua Videira, mas com especial atenção para com os ramos.

Jesus Cristo é o tronco principal por onde passa a vida (a seiva) que alimenta todos os ramos. Ligados ao tronco que é Cristo, temos a certeza que nós estamos ligados em Deus e temos a vida eterna. E Deus cuida da videira inclusive quando poda os ramos. Como na imagem do pastor, onde Jesus convida todos a serem suas ovelhas e se deixarem guiar por Ele, do mesmo modo hoje: precisamos estar ligados à Verdadeira Videira que é Jesus.

Mas, não basta o tronco ser perfeito e o agricultor zeloso com a planta, é preciso que cada ramo (nós) seja também podado (corrigido, purificado) para que possa produz mais e mais frutos. A poda tem a função de eliminar tudo que é inútil no ramo, tudo que atrapalha produzir frutos. Feito no momento certo, a podadura fortalece a planta e faz com que os frutos venham com mais vigor e abundância. Na terra de Jesus, a podadura é feita no tempo do inverno quando a planta está sem folhas e, aparentemente, morta. Para a planta é uma perda ou “sofrimento” em um momento de “recolhimento” da planta no inverno. Podemos perguntar a nós mesmos: Quanta coisa em nossa vida precisa ser cortada e podada por Deus? Quantas purificações (cortes) nós precisamos passar para produzir frutos segundo Deus Pai? Sem a poda (corta das coisas inúteis), a planta desperdiça seiva (vida), fica fraca e não produz fruto.

Nesta vinha do Senhor, o Pai é o agricultor e cuida da sua planta (Igreja). Jesus é o tronco principal e seus filhos e filhas são os ramos. O tronco produz a seiva, necessário para a vida de cada ramo. Jesus afirma que cabe somente ao Pai cortar os galhos inúteis que roubam a seiva e não produzem nada. Há uma grande tentação em todos nós de fazermos isso que cabe ao agricultor da vinha, Deus Pai. Como na parábola do Joio e do Trigo (cf. Mt 13,24-30), a iniciativa não deve ser nossa, mas de Deus que realiza sempre no momento certo. Cabe a cada um se preocupar em produzir bons frutos.

            Nesta imagem de Jesus, todos produzem algo: Deus Pai providencia tudo para todos; Jesus dá sua seiva (vida eterna) para cada ramo e estes também precisam produzir algo: os frutos. Não basta estar ligado ao troco e somente receber; é fundamental doar e produzir frutos. Tudo é dado gratuitamente da parte de Deus e de Jesus, assim cada fiel precisa também gratuitamente “dar frutos”.

Depois de apresentar a imagem da Videira Verdadeira, Jesus faz uma alerta e ao mesmo tempo um convite: permanecer sempre ligado a Ele, pois somente assim, seremos capazes de ter vida e produzir frutos sempre. O ramo ligado ao tronco é chamado a ser instrumento e canal de graças. Os frutos que os ramos produzem não são pra eles próprios, mas para os outros. Estar ligado a Jesus não é desejar que tudo “venha a nós” e que permaneça em nós, mas ser canal por onde a graça passe e produza frutos para alimentar o mundo. Esta é a nossa vocação estando ligados a Cristo: produzir frutos neste mundo segundo a vontade do Pai. O “ramo” na videira que pensa somente em receber a seiva e não produz frutos, esse será cortado pelo Deus Pai agricultor.

Na videira, os frutos são o processo final da profunda comunhão dos ramos com o tronco (Jesus) que por sua vez está enraizado no chão de Deus. Uma profunda ligação onde a seiva percorre tudo para, na extremidade dos ramos, se transformar em frutos. Jesus como tronco é o canal da “Seiva de vida” de Deus Pai e nós (como ramos) devemos fazer a mesma coisa: produzir frutos de Deus neste mundo.

Quais frutos devemos produzir? Certamente não são aqueles que muitos esperam (riqueza, bens, poder etc.). Os frutos que Deus deseja que produzamos são aqueles que o próprio Jesus produziu: bondade, mansidão, caridade, justiça, paz etc. Jesus insiste, afirmando algumas vezes, que é necessário “permanecer” estar ligado a Ele. Não basta, de vez em quando se lembrar Dele; ou algumas vezes, dar um pouco do tempo a Ele; ou ainda, se lembrar Dele quando há algum problema. Permanecer em Jesus é algo constante que vai além de alguns momentos ou situações. Os ramos precisam estar ligados ao tronco constantemente para permanecerem vivos e receber a seiva da vida. Da mesma forma, nós devemos estar ligados em Cristo: como se a nossa vida estivesse em jogo.

Perseverar na comunhão com Jesus mesmo diante das dificuldades é algo que aprendemos com os apóstolos e discípulos no início da Igreja. Na primeira leitura, temos o testemunho de Saulo (Paulo) que teve que reaprender a cumprir a vontade de Deus. Antes, ele achava que era perseguindo quem anunciasse a fé em Cristo; depois, Paulo descobrir que era exatamente anunciando esta fé que estava a vontade de Deus. Paulo mudou completamente sua vida quando conheceu Jesus, exemplo para todos nós.

Na segunda leitura temos uma ajuda para entendermos como podemos permanecer ligados a Cristo e assim, termos a seiva da vida. Segundo João é necessário organizar a nossa vida, não somente em palavras, mas com fatos. Quem permanece em Jesus, cumpre os Seus mandamentos e a Sua vontade a começar pelo Mandamento Maior que é amar uns aos outros. Para Jesus, Amar o próximo é viver na Verdade! Para Paulo, na primeira leitura, foi fundamental a sua acolhida dentro da Igreja de Cristo, ela que é o corpo de Cristo neste mundo. Estar em comunhão com sua Igreja é estar ligado a Jesus Cristo.

Sabemos que uma das formas privilegiadas para permanecermos ligados a Jesus, Videira Verdadeira de Deus, é através da oração que não deve ser em alguns momentos somente, mas uma vida transformada em oração. Por isso, a prática dos mandamentos de Deus e os ensinamentos de Jesus devem ser a seiva que alimenta e dá vida a todos nós. Na oração, nós recebemos tanto de Deus. E todas as graças que recebemos, sem nenhum mérito nosso, são dons que nós devemos passar aos outros através de nossos gestos e atitudes. Esses são os frutos que Jesus espera que nós produzamos estando ligados a Ele.

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A Comissão Especial para a Causa dos Santos apresenta propostas ao episcopado brasileiro

A 20ª sessão da 61ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se realiza em Aparecida (SP), foi dedicada à “Comissão Especial para a Causa dos Santos”, que visa ao fortalecimento da missão da Igreja Católica no Brasil no reconhecimento e promoção dos santos e mártires.

A comissão é constituída pelo presidente, o arcebispo metropolitano de Pouso Alegre (MG), dom José Luiz Majella Delgado, pelo bispo da diocese de Crato (CE), dom Magnus Henrique Lopes, e pelo bispo-auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte (MG), dom Júlio César Gomes Moreira. Exerce a função de secretário o subsecretário adjunto geral da CNBB, padre Patriky Samuel Batista.

Histórico e objetivo

Dom José Luiz Majella Delgado preside a Comissão. | Fotos: Victória Holzbach – Comunicação 61ª AG CNBB.

De cordo com dom Majella, a Comissão teve sua criação em 2016 sob a liderança do arcebispo emérito de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha, que afirmou: “É muito justo que a CNBB, entre suas diversas comissões, tenha uma dedicada à causa dos santos”. A comissão já desenvolveu e aprimorou diversos processos relacionados à causa dos santos.

O objetivo principal da Comissão é acompanhar os inquéritos diocesanos referentes à causa dos santos da Igreja no Brasil. Formada por especialistas e membros da CNBB, a comissão colabora com o Dicastério para a Causa dos Santos, por meio de orientações, informações e serviços para a formação de interessados na área.

Com estreita cooperação com o Dicastério para a Causa dos Santos, os objetivos estratégicos da comissão incluem a assistência aos bispos na etapa fase diocesana, além da promoção de encontros com postuladores das causas dos santos no Brasil. Em parceria com uma universidade católica no Brasil, está também prevista a criação de uma escola de formação para postuladores,

Postulador no Brasil

O postulador de diversos processos de beatificação e canonização no Brasil, o italiano Paolo Vilotta, participou da assembleia. Ele foi o responsável pelo processo de canonização de Santa Dulce dos Pobres e o de beatificação de Isabel Cristina Mrad Campos. Atua também em outros processos de beatificação, entre os quais o do Mons. Alderigi Maria Torriani, de nossa arquidiocese.

Paolo Vilotta deu destaque à colaboração entre postuladores das causas dos santos, o que fortalece os processos nas dioceses do Brasil. Segundo ele, a contribuição dos postuladores inclui a atualização das práticas e orientações do Dicastério para a Causa dos Santos.

Os membros da comissão apresentaram o projeto “Comissão dos Novos Mártires – Testemunhas da Fé”, uma iniciativa do Papa Francisco para o Jubileu de 2025. O projeto visa à criação de um catálogo dos mártires do primeiro quarto do século XXI, com seus nomes, vidas e memórias das pessoas que perderam a vida por causa da fé. Dom Majella concluiu sua apresentação com uma frase do Papa João Paulo II: “O Brasil precisa de muitos santos e santas.”

Com colaboração do padre Tiago Síbula (Comissão de Comunicação) - Comunicação 61ª AG CNBB

Na Coletiva de Imprensa desta quinta-feira, dia 18 de abril, dom Majella falou sobre o tema e também respondeu a perguntas de jornalistas sobre o assunto. Assista à Coletiva.

Matéria adaptada do site da CNBB, com citação relacionada ao processo de beatificação do Mons. Alderigi e à participação de dom Majella na Coletiva de Imprensa.