#Reflexão: 14º Domingo do Tempo Comum (07 de julho)
Leituras:
1ª Leitura: Ez 2,2-5
Salmo: 122(123),1-2a.2bcd.3-4 (R. 2cd)
2ª Leitura: 2Cor 12,7-10
Evangelho: Mc 6,1-6
JESUS MOTIVO DE ESCÂNDALO ENTRE OS SEUS
Domingo passado celebramos dois grandes homens da Igreja: São Pedro e São Paulo. Tiveram origens diferentes (um pescador ou mestre da Lei), mas depois se tornaram instrumentos fundamentais para o projeto de Jesus Cristo de iniciar o seu reino neste mundo. Pedro foi um grande sinal de firmeza na fé e Paulo foi aquele que espalhou a Boa Nova a todas as nações. Tudo nasce da fé de Pedro que reconhece Jesus como alguém totalmente diferente de tudo que esperavam: Messias e Filho de Deus.
Neste domingo, retomamos o Evangelho de São Marcos. Vimos em outras celebrações como o segundo evangelista propõe um caminho de fé onde cada fato é uma oportunidade para conhecer melhor quem é Jesus Cristo. O povo foi aos poucos descobrindo e aderindo aos seus ensinamentos e a fé aos poucos foi brotando como resposta ao novo ensinamento pregado por Nosso Senhor, mas muitos, mesmo já conhecendo Jesus tiveram dificuldade de acreditar no novo que Ele pregava e as obras que Ele operava.
Jesus, para iniciar sua missão, deixou a região da Galiléia e a cidade de Nazaré onde morava e foi para região da Judeia se encontrar com João Batista no rio Jordão. Após o Batismo, Jesus retorna para Galiléia, mas não vai morar em Nazaré (sua terra), Ele passa a atuar ao redor do lago de Genezaré (chamado por Marcos de Mar da Galiléia). Nazaré era uma vila, segundo estudiosos, que não ultrapassava 1000 pessoas no tempo de Jesus. Já as cidades ao redor do lago eram maiores e Cafarnaum possuía uma grande sinagoga (Mc 1,21; 2,1). Assim, Jesus passou quase todo tempo de sua missão ao redor do lago de Genezaré.
Marcos nos diz que o início da pregação da Boa Nova não foi nada fácil: seus parentes, um dia tentaram impedir que Ele operasse milagres e pregasse, pois achavam que Ele tinha ficado louco (Mc 3,21), queriam levá-Lo para a sua terra, talvez para protegê-Lo de si próprio (estava fora de si); uma delegação também tinha sido enviada de Jerusalém para dar um parecer sobre Jesus e concluíram que Ele operava milagre com a força do mal (Mc 3,22), por fim, seus parentes mais próximos chamados de irmãos e sua mãe também tentaram falar com Ele enquanto ensinava a uma multidão dentro de uma casa (Mc 3,31).
Diante da insistência dos familiares, Jesus decreta quem são os seus “novos parentes”: “Quem fizer a vontade de Deus, esse é o meu irmão, minha irmã e minha mãe” (3,35). Mas, Jesus não se deixou abater pelo desânimo que vinha inclusive daqueles que eram mais íntimos Dele (seus parentes). Continuou pregando o Evangelho e realizando milagres.
No Evangelho deste domingo, Marcos nos diz que Jesus decidiu fazer uma visita aos seus em Nazaré. Assim, Jesus deixa Cafarnaum, talvez a casa de Jairo onde tinha realizado o milagre de reavivamento de sua filha (cf. Mc 5,21-43) e parte fazendo dois dias de estrada entre montanhas e vales da região até Nazaré.
Marcos observa que, junto com Ele, foram também seus discípulos, sua “nova família”. Chegando lá, como bom judeu, todos foram para sinagoga em dia de Sábado. Não sabemos o que Jesus ensinou naquele dia, mas o evangelista Marcos nos apresenta três reações de todos que estavam na pequena sinagoga de Nazaré.
Todos que o escutavam – certamente seus parentes – “ficaram admirados” com aquilo que ouviam da parte de Jesus. Importante lembrar que eles já tinham tido notícias daquilo que Jesus pregava e fazia, mesmo assim, ficaram espantados com tudo.
- Sobre sua sabedoria, perguntaram de onde teria vindo e quem Lhe havia dado. Eles sabiam de todos os particulares da infância e da juventude de Jesus, e sabiam que Ele nunca tinha frequentado nenhuma escola especial e nem estudado fora da região. Muitos talvez frequentaram a escola da sinagoga onde os meninos aprendiam a ler as Escrituras. Jesus não era o mesmo que conheciam. Naquele tempo, um novo mestre trazia o nome de quem lhe havia ensinado, mas Jesus – segundo eles – tinha se tornado Mestre de um dia para outro sem ser instruído por ninguém.
- Sabiam que Jesus era filho de um carpinteiro, sabiam que aquelas mãos eram de um artesão. Este ofício não era muito prestigiado naquela época, pois a cultura de riqueza e estabilidade familiar entre os mais simples estavam ligadas ao cultivo da terra. Esta era deixada como um grande bem para os filhos. Fabricar pequenos móveis dependia sempre da necessidade das pessoas que solicitavam algo de vez em quando. Sua profissão familiar não tinha passado promissor e nem futuro garantido.
- Por fim, relatam conhecer muito bem Jesus: Sua mãe, seus parentes mais próximos (chamados de irmãos e irmãs) inclusive são citados nominalmente (alguns nomes das tribos de Israel). Para eles, Jesus não tinha nenhum parente ilustre no passado e nem no presente; Ele possuía uma profissão que dependia da solicitação das pessoas e nunca teve estudo para falar o que estava fazendo. Para eles, Jesus só podia estar fora de si.
Nas próprias palavras dos parentes incrédulos, eles relatam ter consciência que Jesus não somente ensinava de uma forma que eles se espantavam, mas também operava grandes milagres com suas mãos. A conclusão que chegam é o espanto e a incompreensão diante de Jesus, pois Ele não correspondia ao esquema que eles esperavam para o “filho de Maria” (não citam o seu pai, pois já estaria morto). O Deus que Jesus apresenta a todos (e também aos seus parentes) não coincidia com a forma que todos os mestres da religião da época ensinavam (um Deus da perseguição, da punição, da vingança...).
Jesus ensina nas casas e nas praças, e não no templo e nos lugares sagrados, um Deus Pai e da família e não um Deus fechado nos lugares sagrados.
Jesus é visto como um mestre sem títulos e de calos na mão (profissão carpinteiro). Que conta histórias de Deus ligadas a terra, a vida familiar, ao dia a dia das pessoas e não sobre as práticas religiosas tão valorizadas pelos fariseus e sacerdotes. Escandalizava a simplicidade de Deus apresentado por Jesus (Ermes Ronchi).
Ao se dirigir aos seus parentes e lá oferecer a mesma oportunidade que já tinha proporcionado a tantas outras pessoas, Jesus dá também a eles a mesma oportunidade de conversão e de adesão ao seu projeto de Reino de Deus. Se Ele tivesse já iniciado em Nazaré, certamente, O teriam “acorrentado” na pequena vila para não “escandalizar” as outras vilas e cidades. Se de uma parte, os parentes de Jesus conheciam muito bem o seu passado, aquilo que eles estavam vendo (os milagres) e ouvindo (ensinamento com uma autoridade própria) deveriam pelo menos despertar a curiosidade de saber mais sobre o que Jesus ensinava e se deixar questionar sobre o poder de Deus que Ele operava. Mas, preferiram ficar fechados em suas ideias e esquemas.
Jesus, entristecido com tudo, afirma algo que conhecemos nas Escrituras: ninguém consegue ser profeta em sua terra e entre seus parentes.
Muitos séculos se passaram, mas ainda hoje Jesus não é aceito totalmente pelas pessoas e até mesmo por aqueles que demonstram certa fé e proximidade com Ele. Muitos se deixam atrair por “alguns aspectos” de Nosso Senhor como poder de operar milagres, enfrentar o mal, de curar as pessoas etc.
Mas, o mesmo Jesus que realiza tudo isto também chama todos para partilhar os dons que cada um possui, convida a uma vida de perdão e simplicidade, da não violência e a prática da misericórdia. Jesus pautou sua vida pregando a caridade, a solidariedade, a acolhida e o amor.
O centro de tudo sempre esteve a pessoa humana e não os rótulos (pecador, assassino, pobre, rico, judeu, estrangeiro...) e outras divisões e diferenças que criamos entre nós. Muito mais em relação aos milagres, certamente os parentes de Jesus se escandalizavam com seus ensinamentos, particularmente, como mostrava ser o Nosso Deus e o seu rosto bonito de misericórdia.
O profeta Ezequiel tinha consciência da sua difícil missão entre o seu próprio povo que, não obstante a fé e a religião que todos tinham em comum, a maioria tinha criado seu próprio modo de acreditar e praticar a fé. O próprio Deus ao falar para o profeta chama todos de “Nação de rebelde”, “filhos de testa dura e coração insensível”. Um povo que tinha se fechado em seus esquemas pessoais de fé e uma religião individual, mas que não percebia que um profeta estava no meio deles, da mesma forma que os familiares de Jesus não foram capazes que descobrir que não se tratava de um parente que eles estavam ouvindo e vendo, mas o próprio Filho de Deus.
Paulo na segunda leitura nos dá o exemplo do verdadeiro cristão que mesmo no sofrimento, na dor e nas perseguições, reconhece a grandeza de Deus e a força de sua fé. Quando Paulo se sente fraco, aí é que sente mais e mais a força de Deus.
Na sinagoga entre os seus, os parentes se espantaram e depois se escandalizaram por causa de Jesus. Ele também se espanta, mas pela falta de fé daqueles que deveriam estar alegres e felizes pela inauguração do Reino como os milagres e o Novo Ensinamento. Que nós não sejamos também motivos de escândalos para outros irmãos e aqueles que não creem, mas sim alegria e motivo de abraçar com mais profundidade a fé em Jesus Cristo.
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#Reflexão: Solenidade de São Pedro e São Paulo Apóstolos (30 de junho)
Leituras:
1ª Leitura: At 12,1-11
Salmo: 33(34),2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 5)
2ª Leitura: 2Tm 4,6-8.17-18
Evangelho: Mt 16,13-19
SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO
A solenidade de são Pedro e de são Paulo é uma das mais antigas festas da Igreja, anterior até mesmo do Natal. No século IV já havia, neste dia, três missas: uma na Basílica de São Pedro; outra na basílica de São Paulo Fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de São Sebastião. Depois da Virgem Maria e de São João Batista, Pedro e Paulo são os santos que têm mais datas comemorativas ao longo do ano. 29 de junho (Pedro e Paulo); 25 de janeiro (conversão de São Paulo); 22 de fevereiro (cátedra de São Pedro) e 18 de novembro (dedicação das basílicas de São Pedro e São Paulo).
Sobre a festa deste final de semana, diz Santo Agostinho (354-430):“O dia de hoje é para nós dia sagrado, porque nele celebramos o martírio dos apóstolos São Pedro e São Paulo... Na realidade, os dois eram como um só; embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho”.
Pedro foi preparado por Jesus para uma missão muito especial dentro da comunidade dos discípulos e na sua Igreja. Era fundamental que Pedro fosse a principal referência para os demais apóstolos e discípulos na ausência do Mestre Jesus. Alguém que pudesse passar a segurança necessária e a fé profunda em Jesus, que continua presente e conduzindo sua Igreja.
Os doze apóstolos, logo no início foram reconhecidos como “colunas” da Igreja (cf. Ap 21,14; Gl 2,9). E Pedro foi constituído pelo próprio Jesus como pedra de fundamento.
No Evangelho desta solenidade (missa do dia), Jesus questiona os seus sobre Ele e a sua missão, quase como uma pesquisa de opinião: “O que dizem as pessoas que eu sou?” A opinião do povo é bonita, mas incompleta: Dizem que Jesus é como um profeta! Uma criatura de fogo e luz, como Elias ou o Batista; que é a boca de Deus e a boca dos pobres, como foram os profetas.
Mas Jesus não é simplesmente um profeta ou um grande personagem do passado, mesmo considerando-o como o maior entre os profetas. Assim, o Mestre quis saber dos seus discípulos que caminhavam há um tempo com Ele: “Mas, e vocês quem dizem que eu sou?” Em primeiro lugar, existe um “mas, e vocês”, em oposição ao que o povo dizia.
Vemos que Jesus, mais do que oferecer respostas, Ele oferece perguntas; não dá aulas, mas conduz com delicadeza a busca interior.
Pedro responde: “Tu és o Messias (Cristo)”. É um reconhecimento que as profecias espalhadas no AT se realizam em Jesus. O povo de Deus rezava sempre pedindo um novo “ungido” (“Cristo” em grego) e Pedro professa uma fé afirmando que a promessa se realiza no seu Mestre. Sabemos que a compreensão sobre “Messias” de Pedro era diferente da de Jesus, mas isso, o próprio Mestre vai ajudar seus discípulos a compreender.
E Pedro ainda completa: “Tu és o Filho do Deus vivo”. O discípulo pescador, do seu modo, continua com uma expressão que também é um grande salto de fé, pois afirmar “Filho do Deus Vivo” é estabelecer que entre Jesus e Deus há uma ligação profunda e diferente de todas as seres humanos. Uma filiação única e exclusiva, não de predileção ou de escolha, mas entre um Pai e um Filho.
Jesus como Messias com uma ligação filial única com Deus Vivo, sabemos como Ele realizou estas palavras da fé de Pedro. Jesus que se entregou por todos e não tirou a vida de ninguém. É o único que não engana ninguém com falsas promessas. Ele possui um amor desarmado, que não se impõe, que nunca entrou nos palácios dos poderosos senão como prisioneiro. É amor que vence sempre, mesmo depois da morte em cruz.
A Páscoa que celebramos é a prova de que a violência não é a dona da história e do coração dos homens; vimos que o amor é mais forte, pois “a luz é sempre mais forte que a escuridão” (Papa Francisco). Para cada ser humano, Deus tem um amor indissolúvel: “Nada, vida ou morte, anjos ou demônios, tempo ou eternidade, nada jamais nos separará do amor” (Rm 8,38).
Diante da fé profunda de Pedro, Jesus lhe propõe uma grande missão. Esta não nasce do conhecimento correto e completo sobre quem é Jesus, mas daquilo que o discípulo pescador conseguiu alcançar. A fé, mesmo que ainda imperfeita, já é suficiente para Jesus. Assim, muda o seu nome de “Simão” para “Pedro”, palavra próxima de “pedra”.
Em seguida, Jesus completa o primado de Pedro a partir de sua fé com dois símbolos: “Eu lhe darei as chaves” e “ligar no céu e na terra”. Pedro e - segundo a tradição - os seus sucessores são a rocha da Igreja na medida em que continuam a anunciar Cristo como o Filho do Deus vivo. Assim, cada um de nós é uma rocha para toda a humanidade se repetirmos incansavelmente que Deus é amor; que Cristo está vivo, um tesouro vivo para toda a humanidade.
A Pedro ainda lhe concede uma autoridade especial: “o que ligarás na terra...” os laços que Pedro construir, as pessoas que se unirem a fé da Igreja em Pedro, estarão para sempre ligadas no céu. Mas, aqueles que se separarem desta fé presente na Igreja de Jesus, a decisão deles será respeitada: “O que tu desligares na terra, será desligado no céu”.
A Igreja de Cristo tinha que ter firmeza e fundamentos estáveis e definitivos, pois ela tem um único alicerce que é o próprio Cristo Jesus. A Igreja é o Corpo de Cristo na história; todos os batizados são membros deste mesmo corpo (cf. Rm 12,4-5; 1Cor 12,12.27; Ef 4,4; 5, 29s; Cl 1,24). Quem inicia e a mantém é o próprio Cristo Jesus, pois Ele é a sua cabeça (cf. Ef 1,22; 4,15; Cl 1,18).
Pedro foi escolhido como o início e a base desta Igreja que permanece presente na história até o final dos tempos. Por isso, o apóstolo pescador desde o começo da caminhada da Igreja de Jesus tornou-se a principal referência para os cristãos como representante de Cristo.
Na 1ª leitura, ouvimos um exemplo da grande importância de Pedro para a Igreja de Cristo. O rei Herodes já tinha mandado matar a espada o apóstolo Tiago e mandou prender Pedro. A “Igreja rezava continuamente a Deus por ele”. Dois poderes em jogo: da espada e da oração. Deus intervém de uma forma espetacular. O céu vem em auxilio com um anjo que liberta sem violência e sem mortes. Pedro tem a proteção de Deus e dos seus anjos. E em sua vida, o apóstolo, pedra da Igreja de Cristo, cumpriu com grande exemplo de fé sua missão até o seu martírio em Roma. Pedro passou, mas a Igreja de Cristo continua sua missão.
Paulo é o exemplo mais concreto que é o próprio Cristo Jesus que está à frente de sua Igreja.
Jesus continua escolhendo pessoas segundo os seus critérios. No Início, Saulo de Tarso perseguidor da Igreja, aos olhos de todos, não seria o mais adequado para fazer parte do grupo dos discípulos. Mas, Cristo escolheu Paulo pessoalmente. Se Pedro representa o início e o fundamento da fé em Cristo vivo e ressuscitado para a Igreja, Paulo foi outra coluna importantíssima para a missão de implantar o Reino de Deus neste mundo. Era necessário levar o anúncio da salvação em Cristo para todas as pessoas e em todos os tempos.
Paulo chamado por Jesus de um modo diferente se sentia tão apóstolo como os demais. Assumiu com o mesmo empenho a missão de espalhar a Boa Nova da Salvação de Cristo para todos. Paulo sempre atuou com uma equipe missionária como se percebe no início de suas cartas, criou diversas comunidades, escreveu cartas e plantou a mensagem do Evangelho nas principais cidades daquela época. Homem corajoso na fé e firme na esperança, Paulo de Tarso deu testemunho de Cristo a partir da sua própria vida. Foi dedicado e zeloso no judaísmo e da mesma forma, depois de seu chamado foi um cristão fervoroso e fiel a Cristo. Enfrentou dificuldades, perseguições dentro e fora da comunidade cristã, mas jamais desanimou e deixou de evangelizar.
Na 2ª leitura, ouvimos seu testemunho e consciência: afirma que lutou um bom combate, completou sua missão e guardou a sua fé.
Como Pedro também Paulo percebeu que o mais importante é se deixar guiar pelo próprio Jesus que governa e conduz a sua Igreja. Animados por estes dois grandes homens da fé, peçamos a mesma coragem e perseverança para todos nós e para aqueles que nos guiam hoje à frente da Igreja de Cristo.
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#Reflexão: 12º Domingo do Tempo Comum (23 de junho)
Leituras:
1ª Leitura: Jó 38,1.8-11
Salmo: 106(107),23-24.25-26.28-29.30-31 (R. 1b)
2ª Leitura: 2Cor 5,14-17
Evangelho: Mc 4,35-41
A FÉ EM JESUS QUE ACALMA O MAR
As leituras deste 12º domingo nos colocam em meio à tempestade e ao medo. Como Jó e os discípulos de Jesus, também nós nos vemos atingidos por males que desafiam a nossa confiança e a nossa fé.
Jó encontra-se no meio de uma tempestade que representa seus problemas e angústias diante de Deus. Não obstante sua fé e sua confiança, ele se encontrava miserável (havia perdido tudo) e estava com uma doença que matava aos poucos (a lepra). Ele não conseguia entender o porquê de tudo aquilo que estava passando, pois ele sempre foi fiel a Deus. Jó não se revolta, mas pergunta qual o sentido para tantos sofrimentos uma vez que ele foi fiel a tudo que lhe foi pedido para realizar em sua religião.
Deus pede a Jó que tivesse confiança e fé, pois somente Ele tem poder sobre todas as coisas do mundo e sobre cada pessoa, seja quando está bem ou quanto está com problemas.
Assim, Jó escolhe confiar nos desígnios de Deus, mesmo sem compreender tudo que estava acontecendo. No final da história do livro de Jó, ele foi recompensado por Deus.
No Evangelho, tudo também acontece em meio a uma tempestade. Jesus tinha escolhido seus discípulos, já havia realizado alguns milagres, curas, exorcismos e tinha passado um dia ensinando sobre uma barca (Mc 4,1). No início da noite, Jesus decide ir com os apóstolos para o outro lado do lago, lá ficava a terra dos pagãos. Ele é que toma a iniciativa. O evangelista diz que, em seguida, os discípulos fazem duas coisas: despedem a multidão e “levam Jesus consigo” é a única vez em que eles é que levam Jesus, em outras passagens eles é que são levados pelo Mestre Jesus. Completa São Marcos dizendo que havia outras barcas. Nos Evangelhos, a imagem da barca que navega sobre as águas, representa a Igreja ou as comunidades cristãs que navegam na missão de levar a boa nova de Jesus. Mas, tudo tem um seguimento não esperados por todos. Na noite, os medos aparecem e na tempestade eles se sobressaem.
Aqueles homens eram pescadores acostumados com barcos e tempestades, mas aquele fim de tarde, tudo foi diferente. Marcos nos conta com detalhes que “eles tinham levado Jesus” e Ele se acomodou “na popa do barco e dormia sobre uma almofada”. Era onde ficava o leme que guiava o barco. Jesus dormia tranquilamente, mas ao seu lado tudo estava agitado por uma tempestade. Os barcos estão seguros somente quando encontram-se ancorados em terra firma, mas eles não foram feito pra isso. Jesus queria os seus discípulos enfrentando os desafios da missão, das viagens e peregrinações para levar a Boa Nova; eles são enviados, mas não vão sozinhos. Durante as “noites com tempestades” é que nascem os maiores medos e as perguntas mais difíceis sobre a presença de Deus. Jesus confiava na capacidade daqueles pescadores de conduzir o barco, mas eles não expressavam a mesma confiança naquele que estava dentro da embarcação.
Jesus nos lembra Jonas que dormia tranquilo no ventre do barco enquanto o mar estava em meio a uma terrível tempestade. O profeta também confiava em Deus que, depois, acalma o mar; agora é o próprio Jesus quem irá tranquilizar a todos.
Não sabemos porque temos que enfrentar certas tempestades na vida, na família, na comunidade e na Igreja. Mas, sabemos que Jesus está conosco. Ele dorme porque nada pode abalar sua tranquilidade. Ele confia em nós e se confiarmos Nele, nosso barco jamais irá afundar. No fundo é uma troca de confiança que nenhuma tempesta deve abalar. É inevitável que os barcos enfrentem tempestades, mas é impressindível sabermos onde colocamos nossa confiança para conseguir atravessar os temporais de nossa caminhada de fé.
Os apóstolos – é certo – estavam ainda no início do seu apostolado. Acreditavam em Jesus e confiavam Nele mas enquanto tudo estava caminhando bem e sem “tempestades”. Ao iniciarem a viagem onde eles teriam que conduzir a barca para outros lugares e em terras de gente que não tinha a mesma crença que eles, tudo se apresentou desafiante e até desesperador.
Mas, é o mesmo Jesus de sempre que estava com eles. O Mestre precisava prepará- los para o tempo em que teriam que remar movidos pela fé que Ele está sempre presente.
A tranquilidade de Jesus é vista pelos discípulos como um descaso. Nosso Senhor é “acusado” de abandonar os discípulos em meio à tempestade. Mas não é assim! Ele confiava nos apóstolos em guiar o barco que estavam (Jesus dormia tranquilamente); os apóstolos é que tinham se esquecido de que era Jesus. Os discípulos deveriam fixar-se em Jesus: Ele estava ali com eles!
Muitas vezes, nós preferimos olhar as tempestades, nos deixarmos amedrontar pelos ventos fortes, pelo mal que aparenta querer afundar nossa barca, mas não deve ser assim: Jesus está conosco! Ele prometeu permanecer conosco até o final dos tempos e nada pode ser maior que Jesus!
Colocar-se em missão, viver a vontade de Jesus e procurar “transportá-lo” aos outros, as tempestades serão inevitáveis, os desafios imensos, os problemas e perseguições constantes, mas jamais devemos nos esquecer de que Jesus está sempre ao nosso lado. Somos nós que devemos conduzir nosso barco, mas é Jesus quem nos protege e nos guia.
Os apóstolos se deixando abater pela tempestade ao acordarem Jesus, chamam Sua atenção reprovando a sua aparente indiferença. Nosso Senhor, primeiro, acalma o mar e a tempestade com o mesmo gesto e palavras que expulsou demônios e curou as pessoas: Jesus é o mesmo sempre! As palavras duras vão para os males que tentam atacar a barca; para os apóstolos, palavras de questionamento: por que estais com medo? Por que não tendes fé?
Para Jesus, o contrário da fé não é a descrença, mas o medo de que Jesus não é o mesmo de sempre.
Muitos seguem Jesus ancorados em milagres e poderes que Ele possui. É uma fé que Jesus precisa sempre provar seu poder. Mas, Jesus não nos quer como crianças que os pais têm que fazer tudo; pessoas sempre reclamando da ausência. Na primeira dificuldade, no primeiro vento contrário e mais forte, se perdem na relação com o Mestre; Jesus está na barca da nossa vida ao lado do leme que guia o barco. Como na história de Jó, Deus sempre nos lembra que é Ele quem nos guia se confiamos plenamente Nele, pois Nosso Senhor sempre intervém quando precisamos de um auxílio para algo que está além de nossas forças. É a confiança que Paulo (2ª leitura) nos lembra: Ele enfrentou o principal inimigo da humanidade, a morte para que vivamos como pessoas novas e confiantes em Jesus que provou a grandeza de seu amor por nós, amor que nenhuma tempestade pode abalar ou irá nos submergir.
A realidade atual, muitas vezes, nos joga em um mar de inseguranças e medos, mas Jesus está sempre conosco! Está sempre presente, mas do seu modo! Ele não intervém e não fará nada no nosso lugar, mas conosco. Os discípulos esperavam que Ele, novamente, agisse e resolvesse tudo (como depois Ele fez). Eles cobram de Jesus por não agir, demonstrando uma fé muito frágil e fraca: bastou um mar agitado para se esquecerem de quem era o Mestre Jesus. Cristo Deus não nos protege do medo, mas nos protege no medo; Não nos tira dos desafios, mas nos protege nos desafios. O mesmo que Deus Pai fez com Seu Filho: Não o salvou da cruz, mas na cruz (D. Bonhoeffer).
Um grande desafio para os discípulos e para nós é acreditar que Jesus sempre está presente mesmo que não mais se sinta sua presença física. Ele nunca nos abandona, mesmo quando não se veem mais milagres e prodígios.
Eles ainda acreditavam que Jesus, sozinho, teria que resolver tudo como sempre. Jesus sempre pode fazer isto, mas Ele nos dá forças nos braços para enfrentar as ondas; nos fortalece na luta para que o nosso barco não vire; ilumina nossa visão para encontrarmos terra firme. Queremos muitas vezes desistir de lutar, mas Ele será sempre a nossa energia e perseverança. Ele quer agir em nós e sempre conosco!
Senhor Jesus, que nossa fé nos torne pessoas novas e nos fortaleça diante das tempestades e dos desafios. Seja nosso guia em nosso barco e ilumine sempre nossa jornada até a terra firme dos seus braços!
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Dom Majella realiza Visita Pastoral à paróquia Bom Jesus de Bueno Brandão
De 13 de 16 de junho, Dom Majella esteve em Bueno Brandão, onde foi carinhosamente acolhido pelo pároco, padre Odair Lourenço Ribeiro, pelo vigário, padre Cristian Diego Rosa, por religiosos e cristãos leigos e leigas da paróquia Bom Jesus.
A visita pastoral é uma das formas do governo do bispo. Durante alguns dias o pastor diocesano se faz presente na paróquia, reúne-se com os fiéis, conversa com eles e celebra com a comunidade. Visita instituições paroquiais, religiosas e assistenciais da cidade, levando seu apoio e a bênção de Deus aos seus membros.
O arcebispo participou de intensa programação, presidindo missas na igreja matriz e em comunidades rurais, visitando instituições como o Recanto Santa Luzia, a Casa da Criança, o Hospital Senhor Bom Jesus, o Centro de Terapia Irmã Elisa e a APAE. Conversou com os religiosos e religiosas, dirigentes e funcionários, internos e alunos e conheceu um pouco da história de cada entidade. No hospital, ouviu enfermos e os abençoou.

Dom Majella reuniu-se com os conselhos paroquias e teve encontro com os catequizandos de primeira Eucaristia e Crisma das comunidades urbanas e rurais, levando-lhes mensagem de orientação e incentivo na caminhada cristã. Participou também no sábado da Noite Cultural, em comemoração aos 174 anos da Paróquia Bom Jesus.
A Visita Pastoral foi encerrada com a participação de centenas de fiéis na celebração da Eucaristia presidida pelo arcebispo no domingo, dia 16, às 19h na Matriz.

Confira aqui outras informações, veja dezenas de fotos da Visita Pastoral e assista ao vídeo com mensagem de dom Majella
Texto: Luiz Gonzaga da Rosa
Informações e fotos: Pe. Cristian e arquivo do face da paróquia Bom Jesus
#Reflexão: 11º Domingo do Tempo Comum (16 de junho)
Leituras:
1ª Leitura: Ez 17,22-24
Salmo: 91(92),2-3.13-14.15-16 (R. cf. 2a)
2ª Leitura: 2Cor 5,6-10
Evangelho: Mc 4,26-34
REINO DE DEUS A PARTIR DAS COISAS PEQUENAS E SIMPLES
Neste domingo, Jesus nos explica a grandeza do Reino de Deus que acontece a partir de coisas simples. Marcos, depois de contar a parábola do semeador, Jesus continua ensinando as multidões apresentando as duas primeiras parábolas do Reino de Deus. Duas histórias da terra que Jesus transforma em histórias de Deus.
Na primeira leitura, temos uma profecia que apresenta a vocação universal do povo de Deus. O profeta Ezequiel foi chamado para semear a esperança de Deus em um tempo muito difícil para povo. O país tinha sido destruído pelo babilônicos, muitos tinham morrido; a classe mais instruída - como os nobres - tinha sido conduzida para terras estrangeiras como escravos. Deus, no entanto, procurou falar através do profeta deixando uma promessa ao seu povo: de transformar sua gente em um cedro grandioso. Israel, um pequeno galho que se transformará em um arvoredo no alto da montanha, assim Deus promete transformar aquela porção de gente em uma grande nação. Sabemos que é Deus quem conduz a história, mesmo quando os homens e as mulheres atrapalham seu projeto, Ele sabe reconstruir tudo até das cinzas.
No exílio, o povo de Deus sabia que estava pagando as consequências de tantos pecados. Todos sabiam que a causa de tanto sofrimento foi porque todos tinham se esquecido da aliança com Deus e seus Mandamentos. Mas, Nosso Deus é o guardião do seu povo, mesmo diante de tantos erros e pecados, Ele sempre procura reconstruir sua relação de criador e Pai com sua gente. O povo de Deus será, novamente, uma grande nação!
Jesus no Evangelho anuncia e esclarece com dois exemplos como é o Reino de Deus que Ele veio implantar definitivamente neste mundo. Nosso Senhor fala do Reino partindo das coisas do cotidiano. Fascinante ver o mundo com o olhar de Jesus que apresenta tudo como foi sua vida: pura simplicidade, não como um cedro imponente e gigante (1ª leitura), mas como o olhar de uma criança ou de um camponês que se alegre e se enche de esperança com uma plantação pronta para a colheita. Bonito ver o mundo de baixo, dos simples e pequenos que nasce e desponta para a vida sem ser notado e visto. As coisas mais importantes não devem ser procuradas, mas esperadas, não dependem de nós e nem das nossas forças (Ermes Ronchi).
Os exemplos citados por Jesus nos dão a ideia da simplicidade e da pequenez das coisas e ao mesmo tempo da força grandiosa que elas escondem e do maravilhoso efeito que produzem. O Reino de Deus acontece a partir das coisas simples e do nosso dia a dia, dentro de nossas casas, no nosso campo e em nossas famílias.
Na primeira parábola, Jesus afirma que “um homem” do campo se põe a semear. Ele sabe bem o que toca a ele fazer e procura fazer da melhor forma possível, mas também tem consciência que certas coisas ele não possui nenhum poder e nem sabe explicar como acontecem. Ação conjunta e harmoniosa onde o semeador inicia e termina o processo, mas toda parte principal, ele não possui nenhuma influência.
O Reino de Deus, assim, é algo que se constrói no cotidiano da vida das pessoas, em uma ação feita consciente e responsável. Se o semeador não semeia, nada acontece; se tudo está pronto, mas ele não recolhe, tudo está comprometido. Jesus chama atenção daquilo que o agricultor não tem poder, aquilo que ele não pode influenciar de nenhum modo: todo o processo logo depois do plantio até o grão das espigas. A ação de Deus de implantar seu Reino neste mundo necessita de “agricultores” de sua palavra, que semeiem e saibam esperar; que façam sua parte, mas deem espaço para ação de Deus; que sejam aliados e companheiros, e não opositores e destruidores da Palavra.
Chama-nos atenção nas palavras de Jesus, os detalhes sobre o processo da produção da espiga. Tudo tem o seu tempo e o seu ritmo para acontecer. Se o semeador não confiar e se também não tiver paciência tudo pode se comprometer. A natureza nos ensina isto: tudo tem o seu momento justo para acontecer!
Vivemos em tempo da agitação, dos grandes acontecimentos, do tempo “sem tempo” pra nada. As pessoas estão cada vez mais iludidas que o bom é aquilo que ainda não se tem: o celular novo, carro novo, a roupa nova... Não se tem paciência mais para ninguém (família, amigos, idosos, parentes...), nem para as coisas do dia a dia (trânsito, TV, internet....) e nem pra Deus. Hoje em dia, tudo tem seu tempo e espaço, menos tempo pra Deus. Uma das grandes ilusões de nosso tempo é que as pessoas estão no controle de tudo e que podem comandar tudo. Grande ilusão! O verdadeiro sentido da vida está nas pessoas preciosas que temos ao nosso lado, nas coisas simples do nosso dia a dia, nas coisas gostosas do nosso cotidiano: amizade, conversa despreocupada, do abraço amigo, do sorrido das pessoas. Não se tem mais tempo para o maior e o melhor amigo que temos: nosso Deus.
O homem que trabalha a terra, respeita a natureza; ela não é inimiga, mas uma grande aliada para nossa sobrevivência, desde que saibamos respeitá-la e trabalhar juntos. A vida é feita de parcerias e de relações onde cada um tem sua missão. O Reino de Jesus caminha da mesma forma. Deus precisa de nós como semeadores, a semente é a sua palavra, o terreno é o mundo e as pessoas. Tudo é chamado a acontecer no cotidiano das nossas relações, onde cada um é chamado a traduzir as coisas boas de Deus em gestos e palavras que são as sementes da vida de Deus em nossas vidas.
A segunda parábola completa a anterior. O Reino de Deus, em confronto a muitas coisas neste mundo, é comparado a um grão de mostarda: minúsculo e quase imperceptível, mas quando é semeado e tem oportunidade de crescer, se transforma em uma árvore que acolhe a todos. A força não está na aparência e nem no tamanho, mas na generosidade daquele que se imola como semente e se transforma. A semente de mostarda como de qualquer outra semente, enquanto permanece um grão jamais se transformará em árvore. O grão de mostarda possui uma imensa força e futuro que vai além da aparência e do seu tamanho.
Como na primeira parábola, a semente de mostarda precisa ser semeada com zelo e atenção por parte do semeador e tudo o mais acontecerá. Não existe semente pequena ou grande, não existem gestos e palavras de Deus considerados insignificantes. Somos chamados a ser semeadores do grão de mostarda e acreditar que a força e a grandeza, tudo está com Deus que fará tudo que não conseguimos fazer com as nossas mãos.
Nos tempos atuais é crescente a ideia do Deus que tem que fazer tudo: Deus dos grandes prodígios e milagres. Jesus nos convida a sermos parceiros neste seu Reino, pois a força e a grandeza da semente (Palavra de Deus) Ele mesmo nos fornece para transformar este mundo em uma grande plantação de Deus onde todos se transformem em espigas cheias de vida. Mas, poucos querem ser semeadores da Palavra. O mundo precisa ser transformado dentro de nós e através de nós como o agricultor da parábola que semeia, mas sabe que a maior parte do processo é necessário ter paciência e confiança, pois Deus precisa transformar tudo de dentro pra fora, como a semente que se transforma em um broto, depois espiga e por fim, os frutos. Tudo começa no grão colocado na terra e termina nos grãos abundantes na espiga. Cada um precisa receber, primeiro a semente no coração como a terra recebe o grão, depois deixar se transformar de dentro pra fora até dar frutos de amor para o mundo.
Esplêndida visão de Jesus sobre o mundo, sobre as pessoas e sobre a terra: o mundo é um imenso parto, onde tudo caminha com o seu ritmo misterioso, rumo à plenitude do Reino. Rumo ao florescimento da vida, O Reino apresenta-se como um contraste, não um choque, mas um contraste de crescimento, de vida. O Evangelho sonha com colheitas seguras, frutos prontos e pão na mesa. Pura e simples positividade e alegria da colheita (Ermes Ronchi).
Tudo pode acontecer se soubermos realizar tudo em parceria com Deus, enquanto caminhamos neste mundo procurando fazer o melhor possível, pois um dia, nós estaremos diante Dele para compartilhar aquilo que construímos de bom no Reino de Jesus (2ª leitura). Para muitos, esse dia será de alegria em descobrir que foi um bom semeador; para outros, será de tristeza em descobrir que foram somente obstáculo no Reino de Deus.
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Formação da Pastoral do Batismo é realizada em Pouso Alegre
No dia 02 de junho de 2024, aconteceu na Paróquia São João Batista em Pouso Alegre o Dia Arquidiocesano de Formação da Pastoral do Batismo tendo como palestrante a Profª Suzana Costa Coutinho com o tema: “O Batismo e a Sinodalidade: como Igreja, caminhar juntos”. O Coordenador de Pastoral, o querido Padre Edson Aparecido da Silva estava presente ajudando e orientando a caminhada da Pastoral com o tema: “Orientações Práticas para a Catequese Batismal. 
A Coordenadora Arquidiocesana da Pastoral do Batismo: Maria Helena Barbosa Rosa (Lena Rosa) foi a responsável pelo evento e contou com a cooperação dos Coordenadores Setoriais. Estavam presentes Coordenadores Setoriais, Paroquiais e catequistas de diversas Paróquias dos Setores, no total de 119 participantes. 
Foi um dia muito bom, alegre e uma ótima oportunidade de aprendizagem e de reencontro com os envolvidos na Pastoral do Batismo. Ficamos muito agradecidos com a presença da Suzana e do Padre Edson que muito enriqueceu o nosso Encontro. O Dia de Formação foi encerrado com a Santa Missa celebrada pelo Coordenador de Pastoral, Pe. Edson Aparecido da Silva.
Textos e Fotos: Secretaria de Pastoral Arquidiocese de Pouso Alegre
Encontro de Oração pela Santificação do Clero reúne padres em Pouso Alegre
No dia 07 de junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, aconteceu em Pouso Alegre (MG) o Encontro de Oração pela Santificação do Clero.
Reunindo o clero da Arquidiocese e o arcebispo metropolitano Dom José Luiz Majella Delgado, o encontro teve início no residencial Mons. Júlio Perlato com um café da manhã, seguido por uma bênção da casa, que já abriga três moradores.
Durante a pequena cerimônia, Dom Majella fez uma reflexão sobre a espiritualidade da casa do clero, destacando seu propósito de ser como Betânia para os padres que dedicaram suas vidas à arquidiocese. Em seguida, o padre Daniel Santini e o cônego Simão Cirineu expressaram palavras de agradecimento ao arcebispo e ao clero pela construção do residencial.
Alguns padres residentes da casa, incluindo o padre Paulo Âmbar e o padre Narciso Pires, manifestaram sua alegria em morar no local, descrevendo-o como um espaço de encontro, convivência e oração.
Após a bênção, os participantes dirigiram-se à paróquia São José Operário, onde o padre Eduardo Rodrigues apresentou uma reflexão sobre as virtudes do Mons. Alderigi, cujo processo de canonização segue em andamento em Roma, destacando três virtudes essenciais da sua vida: sua caridade pastoral, a comunhão com a Igreja local e universal, e o zelo pelas vocações.
O encontro foi concluído com a exposição do Santíssimo Sacramento para adoração, seguida por um almoço de confraternização.
Instituído por São João Paulo II em 1995, o Dia Mundial de Oração pela Santificação do Clero tem como objetivo encorajar os sacerdotes a refletirem sobre a dignidade de sua vocação e incentivar a Igreja a rezar por eles.
Texto: padre Carlos Cezar Raimundo
Fotos: João Pedro Cardoso
Acervo divino organizado pelo humano
A forma atual de organização dos 73 livros bíblicos em blocos temáticos, capítulos e versículos é resultado de um amplo processo de maturação da consciência teológica e do uso litúrgico que a comunidade cristã fez dos textos revelados ao longo dos séculos. Os manuscritos originais, ou os fragmentos que a humanidade tem daqueles que são considerados os relatos mais antigos do povo de Israel e da Igreja cristã primitiva sobre a experiência de fé que viveram, não possuíam uma divisão pedagógica e muito menos uma referenciação metricamente calculada para facilitar a localização das perícopes, como são chamadas as partes de um texto bíblico com sentido completo, e frases. A estruturação da Palavra de Deus a partir de critérios metodológicos que possibilitam o acesso fácil e rápido em vista da utilização comunitária dos textos, no que diz respeito à catequese ou à liturgia, é uma iniciativa relativamente tardia. Atuando como coautor dos livros, o ser humano colaborou na sua organização ao participar da Igreja que trabalhou como uma bibliotecária do acervo divino.
Confirma-se, a partir desse aspecto, a íntima relação entre a Igreja e a transmissão da revelação divina: a própria organização bíblica é um evento eclesial na medida em que a comunidade cristã, sob a mesma ação divina que inspirou a redação dos textos canônicos, dispôs os conteúdos revelados em esquemas lógicos gerais, formando os blocos temáticos e subdividindo internamente cada livro. Ordenada, no sentido amplo, em Primeiro e Segundo Testamentos, que narram, respectivamente, a aliança provisória de Deus com o povo de Israel (cf. Ex 24) e a aliança definitiva de Deus com a humanidade no sangue de Jesus (cf. Lc 22,20), a Bíblia cristã apresenta subdivisões temáticas. A Sagrada Escritura se organiza tal como se fosse duas grandes estantes de livros reunidas em par e separadas em oito prateleiras nas quais se encontram as obras que possuem afinidade de conteúdo, compondo uma grande biblioteca divina. Através de seu acervo organizado, conservado e transmitido ao longo dos milênios, Deus cumpre na história o desejo humano de Jó: “oxalá as minhas palavras fossem escritas agora! Oxalá fossem gravadas num livro; com pena de ferro e com chumbo fossem escritas na rocha para sempre!” (Jó 19,23-24).
O Primeiro Testamento, constituindo uma das estantes, organiza-se em quatro prateleiras com os cinco Livros do Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Número e Deuteronômio); os dezesseis Livros Históricos (Josué, Juízes, I e II Samuel, Rute, I e II Crônicas, I e II Reis, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, I e II Macabeus); os sete Livros Sapienciais (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico); e os dezoito Livros Proféticos, sendo quatro livros dos profetas maiores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel) e quatorze livros dos profetas menores (Lamentações, Baruc, Oseias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias). De igual forma, as quatro prateleiras do Segundo Testamento, formando a outra grande estante do acervo divino, guardam os quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e o livro de Atos; as treze cartas paulinas (Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Filipenses, I e II Tessalonicenses, Efésios, Filemon, Colossenses, I e II Timóteo e Tito); as sete cartas católicas - no sentido de universais (Tiago, I e II Pedro, I, II e III João, Judas) e Hebreus; e o livro de Apocalipse.
Além dessa ampla estruturação temática da Bíblia, a Igreja também subdividiu os conteúdos dos livros sagrados em capítulos e versículos. Desde pelo menos o século IV, com o bispo Eusébio de Cesareia (265-340), há registros de sistemas de organização interna dos textos revelados, tais como os “cânones eusebianos” ou “seções amonianas” utilizados durante a Idade Média, cuja proposta metodológica era a divisão dos quatro evangelhos canônicos em aproximadamente 1165 seções, a saber: Marcos com 235 seções, Mateus com 355, Lucas com 343 e João com 232 seções. Somente no século XIII surgem os primeiros sistemas de divisão da Vulgata latina em capítulos: na primeira metade do século, com a versão que ficou conhecida como “Bíblia Parisiense” do arcebispo inglês Estêvão Langton (1150-1228); e, na segunda metade, com o cardeal italiano Hugo de Sancto Caro (1200-1263) que inclusive propôs, além da divisão capitular, uma primeira separação de versículos em letras de A a G. Duzentos anos depois, o frade italiano Pagnino de Lucca, santo dominicano, produziu a versão da Bíblia dividida em versículos numerados que foi publicada em Lion, na França, em 1527.
Na esteira da organização do acervo divino, Roberto Estienne (1503-1559), renomado tipógrafo francês, católico convertido tardiamente ao calvinismo, aproveitando-se das contribuições de Langton e Pagnino, revisou os sistemas de divisão da Bíblia e publicou, em 1553, a proposta de separação versicular que é utilizada universalmente hoje. Assim, na segunda metade do século XVI, na cidade suíça de Genebra, calvinistas liderados por William Whittingham (1524-1579) conseguiram produzir e publicar a primeira versão completa da Sagrada Escritura com a divisão em capítulo, feita por Langton, e em versículos, realizada por Estienne. Desde 1560, com o lançamento da “Bíblia de Genebra” em inglês, o catolicismo se empenhou em preparar uma versão oficial da Vulgata latina com as divisões capitulares e versiculares em uso na época, publicando-a em 1592 sob o governo do papa Clemente VIII (1536-1605). A partir do século XVI, portanto, o sistema de Langton e Estienne ganhou ampla aceitação entre católicos e protestantes, além de judeus, como forma de padronização estrutural dos textos bíblicos.
Organizado logicamente, o patrimônio escriturístico da fé passou a ser mais facilmente acessado pelos fiéis, especialmente no que se refere ao uso comum dos textos sagrados na catequese e na liturgia: ao folhear cada página da Bíblia é como se o ser humano entrasse numa biblioteca divina, tendo disponível para sua consulta estantes e prateleiras separadas por conteúdos temáticos afins, e divisões que permitem encontrar frases e narrativas específicas com facilidade e rapidez. Destarte, a sabedoria humana que é um dom, trabalhando para a organização metodológica do acervo divino, colabora para que a profundidade inescrutável da sabedoria e do conhecimento de Deus (cf. Rm 11,33) seja divulgada em todo o mundo como testemunha a todas as nações (cf. Mt 24,14).
Imagem de svecaleksandr249 por Pixabay
Bispos se reúnem para a Assembleia do CONSER do Regional Leste 2
Entre os dias 03 e 06 de junho, (Arce)bispos se reuniram em Belo Horizonte para a Assembleia Anual do Conselho Episcopal Regional Leste 2 da CNBB.
A assembleia aconteceu no Instituto de Integração Pessoal – Casa Mãe Acolhedora, em Belo Horizonte (MG), tendo como principal objetivo a animação da ação evangelizadora no Estado de Minas Gerais, promovendo a renovação e o fortalecimento da missão da Igreja.
Respeitando o direito comum da Igreja e a autonomia do (Arce)bispo Diocesano em sua circunscrição, houve momentos de partilha entre os envolvidos, traçando diretrizes para a ação evangelizadora e pastoral.
Nosso arcebispo metropolitano, Dom José Luiz Majella Delgado, marcou presença no encontro, participando das pautas e partilhas com os demais bispos.
Texto: Leste II, CNBB
Fotos: Leste II, CNBB
#Reflexão: 10º Domingo do Tempo Comum (09 de junho)
A Igreja celebra o 10º domingo do Tempo comum, neste domingo (09). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Gn 3,9-15
Salmo: 129(130),1-2.3-4ab.4c-6.7-8 (R. 7)
2ª Leitura: 2Cor 4,13-18.5,1
Evangelho: Mc 3,20-35
ESCUTAR A PALAVRA DE DEUS PARA SE TORNAR DISCÍPULO
O Evangelho deste domingo retrata ainda o início da vida pública de Jesus e tudo até então estava incerto entre Jesus, seus discípulos, parentes e o povo. Mas, algumas coisas já começavam a se revelar e, depois, se tornarão constantes ao logo do Evangelho: a rivalidade entre os responsáveis pela religião judaica (fariseus, doutores da lei) e Jesus. O final do Evangelho de domingo passado, ouvimos Marcos nos informar que os fariseus e os herodianos tramavam um modo de destruir Jesus. Eles logo perceberam que, através de debates, eles não conseguiriam nada, assim, passaram a usar outra estratégia: a mentira, e com ela, a fofoca.
A primeira leitura também retrata outro início, mas neste caso, do pecado presente no mundo. Os primeiros versículos da Bíblia nos mostram a forma carinhosa com que Deus criou o mundo colocando o homem e a mulher como parceiros e cooperadores. Com nenhuma outra criatura, Deus se relacionava como o fazia com o primeiro casal, pois estes eram a imagem e semelhança do próprio Criador. Mas, a serpente (que representa todas as tentações mundanas) semeou o desejo de serem iguais a Deus. A consequência é que perderam tudo e se viram sem nada. A mentira foi o meio usado para a queda de Adão e Eva. A serpente disse que seriam iguais a Deus, mas o resultado foi o exato oposto: viram se contra Deus e sem nada.
A primeira consequência após pecarem foi perceber que os dois estavam nus, isto é, que não tinham nada (queriam tudo, não ganharam nada e perderam o que já possuíam). Ao ouvir Deus que se aproximava como sempre fazia, eles se esconderam. Os passos de Deus se tornaram “barulhos” e a sua presença despertava “medo”. A segunda consequência do pecado foi o abismo que se criou entre Deus Pai Criador e o pecador. Deus se tornara um juiz para eles, um patrão que pune, alguém que castiga, um árbitro que é severo no julgamento. Na realidade, foram os dois que mudaram em relação a Deus e não o contrário. O Criador se aproximou de Adão como sempre fazia e diante da estranha reação, fez o que era seu costume: estabeleceu diálogo com Adão. Dessa forma, Deus deu chance do homem se explicar e pedir perdão. Mas, Adão preferiu jogar a culpa em Eva. O pecador não arrependido sempre procura alguém para culpar. Adão ao afirmar que foi “a mulher que pusestes ao meu lado” não somente põe a culpa em Eva como também afirma que Deus errou ao dar uma companheira para ele. No fundo, Adão afirma que o erro está em Deus por ter dado a mulher e essa o teria levado a pecar.
O espaço para o diálogo e a reconciliação são oferecidos também a Eva que segue o exemplo do marido: joga a culpa na serpente. Ela afirma que foi “enganada” pela serpente. A mentira sempre foi instrumento do mal, nunca do bem. O mal em nossa vida sempre age desta forma: oferece algo que não pode dar, tudo com intuito de atrair as pessoas ao pecado e assim, romper a comunhão com Deus. A possibilidade de pecar é algo presente na realidade humana, por isso, o arrependimento é o caminho para reatar a comunhão com Deus com um pedido de perdão, algo que Adão e Eva não fizeram.
O castigo no relato de Adão e Eva acontece depois que Deus ofereceu condições para que eles refizessem e recomeçassem tudo, mas os dois demonstraram que não queriam reconhecer o erro e procuraram justificativas para aquilo que tinham feito. Sem arrependimento e reconciliação não é possível existir a comunhão.
Mas, o relato termina com uma promessa sobre “a mulher” e sua descendência que conseguirá reverter esta história, eles não se deixarão seduzir pela serpente e a sua descendência e, assim, se iniciará uma nova geração de vencedores: a serpente e seus descendentes continuarão a importunar (mordendo o calcanhar), mas a mulher e seus descendentes esmagarão a cabeça de todos.
O Evangelho de Marcos nos apresenta a continuação dos milagres que Jesus tinha realizado, bem como curava em dia de sábado, inclusive na sinagoga. Jesus se mostrou alguém perigoso para os judeus, pois curava em dia proibido (sábado), não respeitava as normas e leis sobre a pureza (toca um doente considerado impuro) e se colocava como Senhor do sábado.
A fama de Jesus se espalhou e Ele e seus discípulos não tinham nem tempo para comer. A notícia sobre o confronto com os fariseus, as curas que Jesus estava operando e as multidões que corriam até Ele, tudo isto chegou até seus familiares que estavam em Nazaré. Seus familiares ficaram preocupados, inclusive em relação ao confronte com os doutores da Lei. Esses tinham espalhado uma falsa notícia que Jesus realizava tudo sendo usado pelo mal. E para evitar que Jesus fosse morto por seus opositores, eles decidiram levá-lo para longe de Cafarnaum alegando que estava fora de si: um louco.
Até os dias atuais, ainda muitos querem “enquadrar” Jesus em esquemas úteis segundo interessem pessoais. Preferem certas frases, ideias e atitudes que “batem” com seus princípios e visões pessoais, mas consideram “uma loucura” certas afirmações e ensinamentos.
Já as autoridades religiosas (escribas), não conseguindo dar uma resposta diante de tanta sabedoria e tantos sinais de Deus como curas, milagres e exorcismos, apelam para o extremo da rejeição: “Ele está possuído por Belzebu (príncipe dos demônios)”. Foi uma atitude desesperada para tentar distanciar o povo que cada vez mais buscava a Jesus e se distanciava da religião oficial da época.
Jesus demonstrou que não tinha lógica o que eles afirmavam. O mal tem sempre o objetivo de distanciar as pessoas do bem e de Deus. Cristo estava exatamente fazendo o contrário: semeando o bem no meio do povo com palavras e ações. No pecado de Adão e Eva, o casal após o pecado se sentia longe de Deus; Jesus sempre procurou aproximar o povo de Deus. Ademais - como afirma Jesus - o mal é mestre para semear a divisão, mas eles (os demônios) estão muito bem unidos para separar e distanciar as pessoas de Deus.
O pecado de Adão e Eva foi de querer se colocar no lugar de Deus. Os escribas queriam fazer a mesma coisa ao se sentirem no direito de afirmar que Jesus agia em nome do Mal e não de Deus. Eles estavam fechados em seus esquemas religiosos e cegos em relação ao modo de interpretar a ação de Deus. Para eles: Aqueles que não se “enquadravam” nos seus esquemas, eram julgados como endemoniados.
O erro dos mestres da lei foi de atribuir uma ação de Deus a Satanás (Belzebú), se fechando, assim, completamente a graça de Deus. Este é um pecado (como diz Jesus) que não tem perdão, pois é uma radical renúncia da comunhão com Deus.
Marcos retoma a informação dos parentes de Jesus, colocando que também a “mãe de Jesus” estava entre eles. O detalhe quando chegam onde Jesus estava é significativo: eles ficam fora e mandam chamar Jesus. Ao redor de Jesus estava a multidão, Ele ensinava a todos e esses escutavam seus ensinamentos. Jesus cumpria sua principal missão que era formar discípulos (não tanto curar). Seus parentes queriam que Ele abandonasse tudo e “saísse” para ir ao encontro deles. Mas, Jesus convida a fazerem o contrário: eles é que deveriam entrar na casa e fazer parte da assembleia que estava sendo instruída por Jesus. A “casa” (comunidade) é o lugar onde se formam os discípulos, aos pés do Mestre Jesus. O Evangelho termina sem nos dizer quem aderiu ao convite de Jesus e se tornou “verdadeiramente” parente de Jesus: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Podemos supor que, pelo menos, a sua mãe aderiu ao convite e deixou também Nazaré para ficar ao lado e acompanhar seu filho Jesus, completando a sua missão, não mais somente de mãe, mas também de discípula.
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