Dom Fernando Saburido anuncia que dom Hélder Câmara está mais perto de ser declarado “venerável”

Depois de dias de intensa reflexão sobre o tema “Pão em todas as mesas”, a arquidiocese de Olinda e Recife deu, ontem à noite, 15/11, boa notícia aos que participaram do 18º Congresso Eucarístico Nacional: a validação jurídica de todo o material enviado a Roma para o processo de beatificação e canonização de dom Hélder Câmara, o que pode torná-lo venerável muito em breve.

O anúncio foi feito pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, na cerimônia de encerramento do Congresso, no pátio da basílica de Nossa Senhora do Carmo, no centro do Recife, diante dos cerca de 20 mil fiéis que participaram da missa no Marco Zero e que seguiram em procissão com o Santíssimo Sacramento até a basílica. Dom Fernando leu o comunicado enviado pelo vice-postulador da causa de canonização de Dom Hélder, frei Jociel Gomes, arrancando aplausos dos fiéis.

De acordo com dom Fernando, os presentes vibraram, aplaudiram e ficaram felizes com esta grande notícia. “Uma grande alegria que encheu os corações e vamos rezar para que o quanto antes possamos ver este processo caminhar e termos no futuro a satisfação de ter dom Hélder, este grande bispo da nossa Igreja, como um santo, alguém que mereceu o reconhecimento da Igreja pelas suas virtudes, pelos seus valores, sendo um modelo de vida para todos nós”, afirmou.

Leia o anúncio na íntegra:

Exmo. e Revmo.
Dom Antônio Fernando Saburido, OSB

Comunico que foi emitido hoje, em Roma, o Decreto de Validade Jurídica do Processo de Dom Hélder Câmara, reconhecendo que todos os atos e toda documentação feitos na Arquidiocese foram aprovados pelo Dicastério das Causas dos Santos. Doravante, solicitaremos a nomeação de um Relator e iniciaremos a elaboração da Positio, que será, posteriormente, analisada pelas comissões de historiadores, teólogos, bispos e cardeais, a fim de que deem seus pareceres. Com a aprovação destas comissões, o Papa poderá declará-lo “Venerável”.

Rezemos nessa intenção.

Roma, 15 de novembro de 2022.

Frei Jociel Gomes, OFMCap.
Vice-postulador

 

Fonte e imagem destacada: CNBB


Santa Isabel da Hungria, vida e testemunho

No dia 17 de novembro, a Igreja celebra Santa Isabel da Hungria. Nesse país, ela nasceu no ano de 1207, sendo filha do rei André II, homem rico e poderoso, e da condessa alemã Gertrudes de Andechs-Merania, irmã de Santa Edwiges. Como se pode perceber, Isabel teve o início de sua infância em um ambiente de nobres, vivendo na corte da Hungria apenas nos primeiros anos de vida com mais quatro irmãos.

Ainda na infância, a pequena Isabel foi levada por cavaleiros para a Alemanha central a mando de seu pai, que queria que ela se tornasse princesa da Turíngia. Após certo período, Isabel, ainda criança, casou-se com o duque Ludovico da Turíngia, soberano de um dos feudos mais ricos do Sacro Império Romano-Germânico. Tiveram um matrimônio exemplar, tiveram três filhos e viveram uma belíssima história de amor.

No decorrer do tempo, Isabel se identificou com o carisma franciscano, devido à vida simples que ela admirava, mesmo sendo uma mulher importante da sociedade. Uma grande característica da vida de Isabel era seu entusiasmo por viver uma vida cristã, além de sua ajuda e apoio aos frades na construção de um convento em Halberstadt.

Aos 26 anos, seu esposo, Ludovico, foi vítima de uma peste em Otranto. Isabel sofreu muito com a morte de seu amado marido, mas, mesmo assim, aumentou sua dedicação para com o Reino de Deus.

O cunhado de Isabel usurpou o governo da Turíngia e acusou Isabel de ser incompetente para a administração do governo. Devido à tamanha injustiça e maldade de seu cunhado, Isabel e seus filhos foram expulsos do Castelo de Wartburg.

Nesse período de sua vida, Isabel enfrentou inúmeros desafios, dedicou-se ao trabalho e cuidado aos doentes e mostrou-se paciente e perseverante na fé. Ela conseguiu reconquistar parte de seus bens através do apoio de alguns da família que reconheciam injusto o governo de seu cunhado e, então, foi residir no castelo da família em Marburgo.

Em meados dos anos 1228, Isabel, diante do altar da capela dos franciscanos em Eisenach, decidiu viver uma vida mais simples, desapegando-se de suas próprias vontades e vaidades. Tomada essa decisão, ela dedicou sua vida aos doentes, realizando trabalhos humildes e repugnantes e chegando a idealizar a construção de um hospital para leprosos.

Com apenas 24 anos de idade, Isabel veio a falecer, em 1231. Foi canonizada pelo Papa Gregório IX, em 1235.

Peçamos a Deus a graça e a disposição em viver uma vida humilde e santa, a exemplo de Santa Isabel. Que através de seu testemunho de fé, todos nós sejamos sinais do amor de Deus neste mundo tomado por violência, injustiças e desigualdades.

 

ORAÇÃO DE SANTA ISABEL DA HUNGRIA

Gloriosa Santa Isabel da Hungria, protetora dos lares e das famílias virtuosas, vós conseguistes a conversão do vosso esposo, o rei, à fé, fazendo nascer em seu coração o sentimento de caridade para com os pobres e humildes. Vós dedicastes a vossa alma à caridade e destes às famílias desamparadas o vosso socorro. Assim, cheio(a) de confiança no vosso mérito, rogo-vos a vossa intercessão perante Deus, nosso Pai, a fim de que, por vós, esteja o meu lar sempre tranquilo e que em minha casa jamais falte o suficiente para a manutenção da minha família e para o socorro aos pobres que baterem à nossa porta, implorando auxílio, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim seja, amém!

 

Fonte: franciscanos.org.br/vidacrista/calendario/santa-isabel-da-hungria/#gsc.tab=0

Imagem destacada: Vatican News


Membros do seminário arquidiocesano visitam a terra da beata Nhá Chica

Ontem (15), aconteceu o passeio anual do seminário arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora. Padres formadores e seminaristas foram às cidades de Baependi e São Lourenço (MG), diocese da Campanha.

 

O passeio aconteceu no santuário Nossa Senhora da Conceição, em Baependi, como uma atividade de peregrinação e oração. No local, encontra-se sepultada a beata Nhá Chica. Além do santuário, há um memorial na casa onde morou a beata mineira. Peregrinos de diversas localidades frequentam o santuário para pedir a intercessão de Nhá Chica. Ela é sempre lembrada pelo fiéis pelo seu ensinamento: "Isto acontece porque eu rezo com fé!".

Os padres formadores e seminaristas foram acolhidos com café, oferecido e preparado pelo padre Edson Pereira, reitor do santuário, e pelas irmãs Franciscanas do Senhor. Em seguida, foi celebrada missa no santuário, presidida pelo padre Heraldo José, reitor do seminário e formador da etapa Discipular, e concelebrada pelos padres Francisco José, vice-reitor e formador da etapa Configurativa, e Lucas Crispim, formador da etapa Propedêutica. Os seminaristas participaram da celebração eucarística.

Após a missa, houve um passeio religioso pela cidade de Baependi. Os participantes conheceram a casa onde morou a beata Nhá Chica e também a igreja matriz de Nossa Senhora de Montserrat, de Baependi. Em seguida, padres e seminaristas visitaram São Lourenço.

O passeio é parte da programação do seminário e tem o objetivo de fortalecer a dimensão comunitária entre os padres formadores e seminaristas.

Missa presidida pelo reitor do seminário, padre Heraldo, e concelebrada pelos demais padres formadores.

 

Texto: padre Anderson Ribeiro
Imagens: seminarista Márcio Aurélio Gonçalves Júnior


Encontro missionário arquidiocesano é realizado em Pouso Alegre

No último domingo (13), aconteceu encontro arquidiocesano de membros de Conselhos Missionários Paroquiais (COMIPA's), no seminário arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora.

O evento foi organizado pelo Conselho Missionário Diocesano (COMIDI) e o Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE). O assessor do encontro foi o padre José Eduardo Aparecido Silva, coordenador do Conselho Missionário do Regional Leste 2 (COMIRE), da diocese de Guaxupé.

Coordenadores e membros de COMIPA's da arquidiocese de Pouso Alegre participaram do encontro missionário. O encontro teve como objetivo reencontrar missionários e membros de COMIPA's da arquidiocese para refletirem sobre a caminhada missionária e a consciência da missionariedade, compromisso e responsabilidade de todos os batizados.

Texto: seminarista Natanael José
Imagens: seminarista Márcio Aurélio Gonçalves Júnior


São Leão Magno

Nesta semana, no dia 10 de novembro, celebramos a memória de São Leão Magno, que nasceu por volta do ano 400, na região da Toscana, nas proximidades de Roma. Desde a sua juventude, já havia nele traços de santidade e, logo cedo, iniciou sua caminhada sacerdotal.

No ano de 440, em um período conturbado para a Igreja e para o Império Romano, no qual havia invasão dos bárbaros e heresias de diversas maneiras, além de um período político difícil, Leão foi eleito papa. Priorizou e combateu firmemente as heresias, com destaque para o monofisismo, caracterizada pela ideia de que Jesus Cristo possuía unicamente uma natureza, Tal papa afirmava que na unidade na Pessoa de Cristo Jesus existem as naturezas humana e divina.

Para exterminar essa heresia, o agora papa Leão Magno realizou a convocação para o Concílio da Calcedônia, por meio do qual o Imperador e mais 500 bispos, resolvendo o conflito, reafirmaram a autoridade provinda do papa ao dizerem: “Roma falou por meio de Leão, a causa está decidida; causa finita est”.

A história também nos traz que São Leão Magno foi o principal responsável por proteger e salvar a cidade de Roma e toda a Itália do grande Átila, o Conquistador, que havia se infiltrado no território italiano. Com a fuga do Imperador, todos os generais romanos se esconderam. Sendo assim, o papa, em virtude da defesa de toda comunidade cristã e sua fé, foi ao encontro do Conquistador para um diálogo. Não se sabe o que Leão lhe disse, mas sabe-se que houve retrocesso do Conquistador pagão e toda sua tropa.

Sustentador e promotor da Primazia de Roma, o “Pontífice Magno” deixou para a história quase 100 sermões e cerca de 150 cartas, nos quais demonstra ser teólogo e pastor, zeloso com a comunhão entre as várias Igrejas, sem jamais esquecer as necessidades dos fiéis. De fato, foi para eles que Leão incentivou as obras de caridade em uma Roma dominada pela escassez, pobreza, injustiças e superstições pagãs; colocou em prática todas as ações necessárias – lê-se em seus escritos – para manter constantemente a justiça e “oferecer amorosamente a clemência, porque sem Cristo nada podemos fazer, mas com Ele tudo é possível”.

Seu pontificado, que durou vinte e um anos, colecionou várias primazias: foi o primeiro Bispo de Roma a ser chamado Leão; o primeiro Sucessor de Pedro a ser chamado “Magno”; o primeiro papa, que por sua pregação, foi também um dos dois únicos papas – o outro foi Gregório Magno – a receber, em 1754, por desejo do Papa Bento XIV, o título de “Doutor da Igreja”.

A morte de Leão Magno ocorreu em 10 de novembro de 461. Segundo alguns historiadores, ele foi também o primeiro papa a ser sepultado na Basílica Vaticana. Suas relíquias, ainda hoje, são conservadas na Capela de “Nossa Senhora do Pilar, na Basílica de São Pedro”.

 

 

Oração de São Leão Magno contra o desânimo

Não desista nunca:

Nem quando o cansaço se fizer sentir,

Nem quando os teus pés tropeçarem,

Nem quando os teus olhos arderem,

Nem quando os teus esforços forem ignorados,

Nem quando a desilusão te abater,

Nem quando o erro te desencorajar,

Nem quando a traição te ferir,

Nem quando o sucesso te abandonar,

Nem quando a ingratidão te desconcertar,

Nem quando a incompreensão te rodear,

Nem quando a fadiga te prostrar,

Nem quando tudo tenha o aspecto do nada,

Nem quando o peso do pecado te esmagar.

Invoque sempre a Deus, junte as mãos, reze, sorria…

E recomece!

 

Fontes:

https://misericordia.com.br/sao-leao-magno-o-papa-que-salvou-roma

https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/11/10/s--leao-magno--papa-e-doutor-da-igreja.html

Imagem destacada: Vatican News


#Reflexão: 33º domingo do Tempo Comum (13 de novembro)

A Igreja celebra, no dia 13, o 33º domingo do tempo comum. Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ml 3,19-20a

Salmo: 97(98),5-6.7-8.9a.9bc (R. cf. 9)
2ª Leitura: 2Ts 3,7-12
Evangelho: Lc 21,5-19

Acesse aqui as leituras.

TEMPO DE PERSEGUIÇÃO POR CAUSA DE JESUS

            Estamos por terminar o nosso ano litúrgico da Igreja. Tempo também oportuno para pensarmos sobre o nosso “final” e da nossa história. Tudo que possui um início, tem também um fim e para isto, nós devemos também nos prepararmos.

O povo de Deus, em diversos momentos da sua história, se encontrou com inúmeros desafios e dificuldades em sua caminhada. Alguns desses se mostraram imensos e por isto, a fé e a esperança de todos tiveram que ser ainda maiores. Muitos tiranos da história aterrorizaram o povo de Deus, mas não conseguiram eliminá-lo, pois Deus é muito superior. A Bíblia sempre procuram mostrar que, se os homens fazem grandes coisas, no entanto, somente Deus é capaz de mobilizar inclusive a natureza para proteger seu povo e combater o mal. Deus é sempre maior e superior a tudo e a todos: nada acontece sem Ele desejar e ordenar! Ele é que governa e dirige tudo, pois tudo que existe está sob seu domínio.

Malaquias na primeira leitura narra simbolicamente como Deus agirá e combaterá o mal realizado por tantas pessoas. Se homens podem atingir povos e inúmeras pessoas com suas ações malignas, Deus agita a natureza para impor ordem e resgatar seu povo.

Jesus também faz uma longa reflexão sobre a ação maldosa do homem e a resposta gigantesca de Deus. No Evangelho deste domingo, ouvimos o início de um discurso de Jesus (que ocupa quase todo Lc 21) sobre esses acontecimentos na história contra aqueles que professam Nele a sua fé. Como de costume, tudo parte de um fato local e circunscrito a uma situação para se transformar em um ensinamento perene para todos.

            Tudo inicia com uma afirmação de admiração por parte de algumas pessoas sobre o Templo de Jerusalém. Na época de Jesus, o principal local de oração para os judeus (o Templo), tinha atingido o máximo de seu esplendor com as reformas de ampliação promovidas por Herodes, o grande. Lucas relata a admiração de todos em relação aos ornamentos e as doações que embelezavam o local. Tudo era um show de beleza e brilho bem como riqueza e estabilidade. Os judeus viam o Templo de Jerusalém com a garantia de que nada atingiria a cidade e o seu povo, pois é o local de Deus no meio do seu povo. O seu esplendor dava a falsa segurança de que nada de ruim iria acontecer, pois ali estava tudo que existia de mais sagrado e perpétuo para os judeus. Mas, Jesus não pensava assim.

Nada neste mundo de material é perene e intocável, nem mesmo o sagrado Templo de Jerusalém. As instituições humanas passam e são esquecidas, pois são frágeis e limitadas. “Não ficará pedra sobre pedra”, disse Jesus sobre o destino do Templo.

As palavras de Jesus suscitaram a curiosidade de todos. Assim, alguns perguntaram a Cristo interessados sobre dois detalhes importantes: a data da destruição e os sinais que antecederão. Jesus não responde propriamente as questões apresentadas, pois sua visão é mais ampla e fundamental. Jesus dá uma resposta para toda história que estava para iniciar com a nova fé que não se baseará mais em construções e locais, mas em pessoas e na esperança de um projeto muito maior que o tempo e a história: o Reino de Deus inaugurado por Jesus.

A primeira parte das orientações de Jesus é um alerta para aqueles que o seguiam: iriam experimentar muitas provações. Mas, tudo não se limitará aquela época, mas será uma constante em toda a história humana até o final dos tempos. Estas palavras iniciais de Jesus não falam propriamente do “fim da história”, mas sim como a história caminhará até o seu final.

            O projeto de Jesus como Salvador é único e perene, ninguém e nenhuma outra estrutura humana na história poderá ser maior que tudo que Nosso Senhor fez e ensinou. Mas, muitos tentarão ocupar este lugar e com discursos conseguirão arrastar pessoas para outros projetos que nada mais serão do que coisas humanas, mas que tendem a desaparecer na história. São os “falsos messias” e isto se verificou no tempo dos primeiros cristãos. Um levante revolucionário e messiânico conseguiu mobilizar os judeus para se colocarem contra os romanos, o resultado foi a destruição do Templo de Jerusalém e a morte de inúmeras pessoas (em 68 d.C.). Não ficou pedra sobre pedra do Templo. Jesus alerta que este não será o único “movimento messiânico” da história, muitos outros se apresentarão como concorrentes do Reino de Deus iniciado por Jesus, como constatamos até os dias de hoje. A cada dia surgem seitas, grupos religiosos e ideológicos que prometem mudanças radicais e a implantação de projetos humanos, mas com discursos muito bem elaborados como se fossem de Deus: Os falsos profetas acompanharão a história da Igreja de Jesus neste mundo até os seus últimos dias.

Jesus continua sua orientação mostrando que tais movimentos humanos atingirão nações que farão guerra contra outros povos. Tudo em nome de projetos e ideologias humanas revestidas com discursos messiânicos e divinos. Nosso Senhor alerta que isto não significará ainda o fim. De fato, o mundo atual já passou por duas grandes guerras e outras tantas ainda estão acontecendo em nosso tempo. Os grandes sinais também foram lembrados por Jesus: terremotos, pestes, fomes e sinais no céu, tudo isto não significará o final ainda. Tais sinais estão presentes em nossa realidade humana desde sempre, não são sinais propriamente do fim, mas que a nossa realidade humana é limitada, finita e frágil. Projetos humanos que possuem somente sua base neste mundo, também passarão e desaparecerão, pois não têm a semente da eternidade que encontramos somente no projeto do Reino de Cristo.

Mas, as palavras mais importantes estão voltadas para os seguidores de Cristo. Com o passar dos tempos, aqueles que professarem a fé em Jesus serão perseguidos de diversas formas: primeiro pelas grandes instituições civis e religiosas (outras religiões), mas também por pessoas próximas, inclusive parentes. Isto temos visto como algo comum e crescente entre nós. Ser cristão e defender o projeto do Reino de Deus iniciado por Jesus baseado no amor, na humildade, no perdão, no respeito ao ser humano, respeito à vida entre outros valores, dia por dia está se tornando motivo de gozação, discriminação e perseguição. O mundo com seus projetos humanos e egoístas está procurando destruir os princípios da fé cristã, pois tudo isto é visto como um obstáculo para seus projetos e ideologias, principalmente, baseado na riqueza e exploração humana. Procuram, com um novo messias, ensinar que cada um é livre para ter “sua religião”, “seu deus”, “seus valores”, “sua fé” etc. Uma religião onde a pessoa se torna egoistamente o centro de tudo e todos (inclusive Deus) devem estar a seu serviço e se moldar a seus valores.

            Precisamos estar atentos com o nosso coração e nossa mente bem fundamentados nos princípios ensinados por Jesus para que possamos defender com nosso testemunho e com nossos valores o projeto iniciado por Cristo. Muitos são perseguidos neste mundo por erros e escândalos, por escolhas mal feitas e péssimos projetos pessoas, mas Jesus orienta que aqueles que são perseguidos por causa de sua fé e do seu nome terão toda assistência do Espírito Santo.

Mais do que nos preocuparmos com datas e sinais do “final do mundo”, Jesus nos alerta sobre a necessidade da firmeza em relação aos seus ensinamentos e princípios durante nossa existência dentro da história. Ela prossegue seu rumo e um dia terá o seu fim, mas até que isto aconteça, Jesus nos exorta a perseverarmos na fé e permanecermos firmes em seu projeto de amor e salvação inaugurados com a sua Ressurreição e a vinda do Espírito Santo sobre seus discípulos. O mais importante para nós não são as últimas coisas da história, mas sim como estamos testemunhando dentro da história a nossa fé e os valores deixados e ensinados por Jesus Cristo.

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São Carlos Borromeu

Nesta semana, no dia 04 de novembro, celebramos a memória de São Carlos Borromeu.

Este santo da nossa Igreja nasceu em 2 de outubro de 1538 em Arona (Itália). Ainda criança, ele se mostrou um menino talentoso e inteligente, e manifestou uma inclinação à vida religiosa. Quando criança, com seus irmãos e amigos, brincava de ser padre, imitando funções sacerdotais que tinha visto na igreja.

Carlos Borromeu foi ordenado sacerdote no ano de 1563 e, logo depois, recebeu a sagração episcopal. Já como bispo, pôde participar das últimas etapas do Concílio de Trento (1562-1563). Com a ideia de concluir tal evento, colaborou intensamente na reorganização da Igreja Católica, tornando-se um dos principais promotores da “contra-reforma” e colaborador na redação do catecismo desse concílio.

Atento às orientações do Concílio de Trento, que obrigava os bispos a morarem em suas dioceses, tomou posse da arquidiocese de Milão em 1565. Dedicou-se totalmente a sua Igreja Diocesana. Em sua atividade pastoral, destacam-se a realização de visitas pastorais, a fundação de seminários para a formação do clero, o incentivo a construções – de igrejas, escolas, colégios e hospitais – e a fundação da congregação dos Oblatos, sacerdotes seculares.

Homem caridoso, São Carlos Borromeu distribuía a herança vinda de sua família entre os mais pobres e necessitados. Quando Milão foi acometida pela fome e pela epidemia nos anos de 1569 e 1570, não tendo mais o que oferecer, ele mesmo pedia esmolas para os mais pobres. Em 1576, quando a cidade foi atingida pela peste e o povo foi abandonado pelos poderes públicos, Carlos Borromeu foi ao encontro dos pobres doentes para consolá-los e para lhes dar os sacramentos. Aproveitou a oportunidade para falar verdades duras aos ímpios e ricos que não se lembravam de Deus.

Sofreu perseguição e hostilidade por parte do governador de Milão. Contudo, o mesmo político, prestes a morrer, recebeu de Carlos Borromeu assistência e consolo espirituais na hora de sua agonia.

Em outubro de 1584, Carlos Borromeu teve forte acesso de febre. No dia 3 de novembro de 1584, após receber os santos sacramentos, veio a falecer. Suas últimas palavras foram: “Eis, Senhor, eu venho, vou já”.

Em 1602, foi beatificado pelo Papa Clemente VIII. Sua canonização se deu em 1610, pelo Papa Paulo V.

 

“Conservai, ó Deus, no vosso povo o espírito que animava São Carlos Borromeu, para que a vossa Igreja, continuamente renovada e sempre fiel ao Evangelho, possa mostrar ao mundo a verdadeira face do Cristo.” (Oração do dia – memória de São Carlos Borromeu)

 

Fontes:

https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/11/04/s--carlos-borromeu--arcebispo-de-milao-e-cardeal.html

santo.cancaonova.com/santo/sao-carlos-borromeu

Imagem destacada: ©Vatican Media


#Reflexão: Solenidade de Todos os Santos (06 de novembro)

A Igreja celebra, no dia 06, a Solenidade de Todos os Santos. Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ap 7,2-4.9-14

Salmo: 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)
2ª Leitura: 1Jo 3,1-3
Evangelho: Mt 5,1-12a

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TODOS OS SANTOS

            Com a celebração de Todos os Santos, a Igreja nos convida a recordar daqueles que foram exemplo de santidade em vida e por isso são recordados nas preces e invocados pelos cristãos. Junto com esses tantos irmãos e irmãs que são testemunhas para nós e estímulo para a nossa vida cristã, estão também inumeráveis cristãos que mesmo sem ser lembrados nas celebrações, certamente participam das alegrias juntos com Deus. Todos esses nossos irmãos e irmãs possuem a santidade como realidade comum, pois somente se entra no céu quem é santo.

            A santidade é algo que se constrói ao longo da vida, em cada opção e momento de nossa história. Ninguém é santo (nem pecador) com um só ato, mas por toda sua história realizada em cada ato. É uma casa que é construída dia por dia, com os tijolos da fé, do amor, do perdão, da misericórdia etc. Uma construção que termina com a nossa passagem desta realidade terrena ao convívio eterno com Deus.

O livro do Apocalipse, entre outras coisas, nos traz a esperança do céu. O seu autor, João, utilizando de símbolos e jogo de palavras procura suscitar em nós aquilo que nos espera junto de Deus. O último livro da Bíblia, no entanto, é bem concreto e realista em relação a este mundo e das forças do mal, suas artimanhas, mas, principalmente, nos ajuda a reforçar nossa fé e esperança que ele (o mal) nunca conseguirá se sobrepor ou se quer se aproximar de Deus. Nós é que somos frágeis e sofremos principalmente suas ações e tentações, por isso, o Apocalipse é um livro atual para a nossa caminhada de santidade. Junto de Deus só a espaço para os seus filhos e filhas que somos nós.

João, o autor do Apocalipse, nos dá uma ideia de como é o céu e quem lá se encontra. Ele narra o que lhe foi permitido ver do céu e depois quem se encontra junto de Deus. O primeiro grupo possui um sinal importante na fronte. Podemos imaginar que se trata do Batismo onde o fiel pelo sacramento se torna filho e filha de Deus e com essa marca se torna Sua propriedade. O número 144.000 expressa simbolicamente a identidade dessas pessoas. Sua interpretação demonstra se tratar de pessoas eleitas, representadas pelo número 12 como as doze tribos de Israel escolhidas por Moisés e os doze apóstolos por Jesus. A sua multiplicação 12 x 12 = 144 expressão da universalidade da eleição de Deus que compreende todos, antes e depois de Jesus. O número 1.000 expressa a eternidade de Deus: um tempo sem tempo. Assim, o número simbólico representa todos os eleitos de Deus junto Dele na eternidade.

Mas, João também nos revela uma multidão muito grande de pessoas que também lá se encontra. Eles possuem uma veste bem definida que na linguagem do Apocalipse representa a identidade do personagem. A cor branca da roupa representa a vitória sobre a morte como Jesus antecipadamente se revela na transfiguração e se apresenta após a ressurreição. Os outros símbolos (em pé e com palmas na mão) revelam que além de vitoriosos eles foram premiados pela vida que tiveram. O autor nos ajuda a entender ainda quem são esses que se encontram no céu. Eles “sobreviveram a grande tribulação, lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro”, isto é, viveram como Jesus viveu e por isso, tiveram o mesmo destino.

            O céu é um lugar de vitoriosos que procuraram adequar suas vidas a Jesus e por isso, conquistaram o céu derramando sangue e sofrendo o martírio. Isso tudo para nos informar que para chegar lá, junto de Deus, é preciso muita batalha e enfrentar muitos desafios; a lutar é constante e o mal e o pecado precisam ser enfrentados a todo instante. É uma guerra espiritual que deve começar dentro de nós. E a oração é o instrumento pelo qual, as graças de Deus nos chegam enquanto estivermos neste mundo e depois será, juntamente com a adoração, a ação principal no céu.

João nos informa em diversos momentos no seu livro que junto de Deus existe uma alegria imensa que todos compartilham através da oração e da contemplação de Deus e do Cordeiro Imolado. Nós, nesta realidade terrena, cada oração que fazemos, nos ajuda e nos prepara para essa grande assembleia no céu. Mas, para chegar ao céu precisamos buscar a santidade e sermos santos. Por isso, na segunda leitura recordamos que somos filhos e eleitos de Deus e por isso, a nossa principal missão é conformar nossa vida a vida de Jesus. Assim, santidade é procurar e buscar ser semelhante a Deus em cada momento de nossa vida e história e para isso acontecer, Jesus nos dá a receita de como alcançar a santidade.

No Evangelho de Mateus encontramos entre as primeiras ações iniciais de Jesus, as Bem-aventuranças que não são somente “conselhos” deixados por Jesus para todos nós, mas sim um projeto de santidade. As Bem-aventuranças é o próprio plano de vida de Jesus. Somos convidados a viver tudo isso porque Nosso Senhor Jesus assim procurou viveu. É o seu esquema de vida, seu modo de viver que Ele nos convida a fazer o mesmo.

            Ser “pobre em espírito” (ou coração pobre) encabeça a lista daquilo que Jesus procurou viver. Ele escolheu esta condição que vai além da simplicidade em relação às coisas materiais, de questões sociais e econômicas. Ele viveu desapegado de tudo e de todos, para que Deus fosse pleno e tudo Nele. Ele escolheu esse estilo de vida para estar com todos sem pertencer a ninguém, para ser um canal pleno da graça de Deus para todos. Vivendo a pobreza evangélica, a pessoa não somente é livre como somente ela, sua vida e a sua palavra se tornam a riqueza para o próximo

Um coração aberto e desapegado das coisas do mundo é capaz de chorar não por aquilo que não tem ou pelas coisas que faltam, mas sim chorar pelos irmãos e irmãs que sofrem, que precisam de ajuda, que se encontram humilhados e desprezados, forçados a uma miséria imposta. Esses receberão consolo juntamente com aqueles desprezados neste mundo. Mas, o desapego das coisas do mundo e a sensibilidade pelas necessidades do próximo não devem levar o discípulo a produzir mais violência e dor. Somente um coração manso pleno de Deus é capaz de transformar a realidade não a partir das estruturas, mas do coração das pessoas, como fez Jesus. Esses mansos de coração, cheio de Deus é que devem governar o mundo e herdarão a terra.

Segundo Jesus, somente fazendo a experiência do desapego do mundo, mas sem se distanciar dele e da realidade das pessoas e com um coração cheio de Deus e da sua mansidão, somente assim o discípulo é capaz de enxergar o verdadeiro sentido da justiça que vai além do simples cumprimento das leis, mas justiça que nasce de uma profunda transformação interna; que promove igualdade a partir da partilha, da solidariedade e não pela violência e pela guerra. Tal justiça ao modo de Jesus precisa acontecer em cada coração primeiro, mas somente nascerá com o exercício do perdão e da misericórdia e não da violência.

Aqueles que se deixam transformar pelo amor e pela misericórdia de Deus, conseguem ver o próximo não como obstáculo e inimigo, mas como presença de Deus. Jesus nos ensina que Ele está presente em cada pessoa. É preciso purificar, dessa forma, nossa vida, nosso coração e nosso olhar, buscando essa pureza de Jesus para vê-lo em todos que estão ao nosso redor. Quem não consegue ver Deus nas pessoas, não conseguirá contemplá-lo no céu.

Esse projeto de vida e santidade vivido intensamente seguindo as bem-aventuranças de Jesus, atrairá, certamente, muito ódio e revolta, pois tal esquema de vida não é conforme o projeto de lucro, interesse e exploração do mundo. Mas, Jesus alerta que serão felizes aqueles que sofrem pela justiça feita a partir do coração, segundo o critério da misericórdia e não do interesse pessoal.

Santidade, segundo Nosso Senhor, envolve a pessoa por completo, seu coração, seus projetos, sua intimidade com o mundo, com as pessoas e com o nosso próprio Deus e Pai. Um projeto de vida feito com sentimentos e virtudes que transformam a partir do coração para conquistar outros corações.

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#Reflexão: 31º domingo do Tempo Comum (30 de outubro)

A Igreja celebra, no dia 30, o 31º domingo do tempo comum. Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Sb 11,22-12,2

Salmo: 144 (145),1-2.8-9.10-11.13cd-14 (R. cf. 1)
2ª Leitura: 2Ts 1,11-2,2
Evangelho: Lc 19,1-10

Acesse aqui as leituras.

NA CASA DE ZAQUEU

            A história de Zaqueu nos surpreende sempre que meditamos, pois os detalhes retratados por Lucas revelam a grandeza da misericórdia de Deus e as nossas misérias. A experiência do rico cobrador de imposto de Jericó mostra como nós temos muito que aprofundar sobre o amor de Deus e a acolhida entre nós.

O Evangelho deste domingo, Lucas retrata Jesus que estava atravessando Jericó. Entra em cena um personagem que o evangelista retrata com diversos particulares: ele possui um nome (Zaqueu), fato extraordinário, pois de mais nada se dirá dele no Evangelho; diz sua profissão (chefe dos cobradores de impostos) e sua posição social (era muito rico). Com estes detalhes, Lucas nos informa que ele era muito conhecido por todos e a sua profissão tornava Zaqueu um “pecador público” segundo os judeus. A sua riqueza conhecida era fruto do seu trabalho e da sua posição especial (chefe dos publicanos), isto denunciava a sua profunda ligação com o império romano. Zaqueu, certamente, era odiado por todos, tido com traidor e pecador, resumindo: o pior tipo do lugar. Lembrando que os cobradores de impostos eram quase sempre judeus, assim, eram odiados pelos próprios irmãos de pátria.

            Lucas retrata o desejo de Zaqueu e sua forma de agir. Ele queria ver “quem era Jesus” (no original está: “quem é Jesus”). Certamente as notícias sobre a chegada de Cristo na cidade tinham atirado a curiosidade de toda Jericó. Zaqueu deve ter ouvido histórias, pregações e milagres realizados por Jesus e tudo isto lhe chamou atenção. O evangelista dá a entender que ele tinha tentado e “não conseguia [ver Jesus] por causa da multidão”. Ele não tinha espaço no meio dos amigos que cercavam Jesus, sua estatura impedia que ele sequer enxergasse algo de Jesus (era como o cego a beira do caminho que Jesus encontrou antes de chegar em Jericó).

Zaqueu toma uma decisão surpreendente: ele corre à frente de todos e sobe em uma árvore para “ver Jesus”, pois Ele iria passar por ali. Um rico homem da sociedade e com uma profissão de alta estima, agora estava trepado em uma árvore como uma criança. Jesus estava passando pela cidade, estava passando por aquele lugar, era necessário fazer algo, mesmo que ele se expusesse ao ridículo.

“Quando Jesus chegou naquele lugar” onde o rico cobrador de impostos no meio das folhas da árvore estava, Ele vê Zaqueu, longe da multidão, quase que escondido no meio do sicômoro. Naquele momento inicia um encontro que Jesus não realizou com ninguém dentro de Jericó. Zaqueu queria ver, mas ele é que foi visto por Jesus. Queria conhecer Jesus, mas é Nosso Senhor que demonstra conhecer Zaqueu. Desejava matar sua curiosidade sobre o Mestre de Nazaré, mas é Jesus que demonstra ser íntimo do cobrador de impostos.

            Jesus não escolheu alguém ao acaso: conhecia e o chama pelo nome. Sabia de quem se tratava bem como toda sua fama e pecados que o publicano trazia consigo. Zaqueu era pequeno em estatura, mas sua fama era grande na cidade. Significativa é a expressão narrada por Lucas: “Jesus levantou seus olhos”. Interessante que a cidade de Jericó situasse na parte mais baixa de Israel (240 metros abaixo do nível do mar) e Jesus encontra-se naquele momento mais baixo que o pior sujeito da cidade: é a misericórdia de Deus que desce ao nível mais baixo para de lá atingir a todos.

Zaqueu é chamado pelo seu nome próprio. A cidade o conhecia como os piores adjetivos (traidor, pecador, impuro, ladrão...), Jesus o conhece pelo seu nome. A frase que o chefe dos cobradores de impostos escuta surpreendeu a todos: “Desce depressa: hoje preciso ficar em tua casa!” Zaqueu faz tudo correndo e Jesus convida a “descer depressa” (com urgência!), pois há um encontro que Jesus deseja realizar com ele.

Inúmeros defeitos e pecados, Zaqueu carregava consigo, ele não possuía nenhuma qualidade aos olhos do povo para ser o mais digno de se encontrar com Cristo, muito menos hospedá-Lo, mas Jesus não viu desse modo. Intrigante: Nosso Senhor não colocou nenhuma condição ou fez alguma exigência para aquele encontro; Jesus não pediu a Zaqueu para realizar algo de bom, antes Dele ir se hospedar em sua casa; Cristo não exigiu sacrifícios, reconciliação antecipada ou penitência... Jesus simplesmente ordena para “descer depressa” (naquele momento) e acolhê-Lo hoje (por aquele dia) em sua casa.

Tudo inicia com um desejo de Zaqueu de ver Nosso Senhor, mas Jesus mostra que havia algo mais profundo, pois também deseja se encontrar com ele: um encontro, dentro de sua casa, ser hospedado por um pecador público. Quantas barreiras nós costumamos colocar entre nós e os outros; quantos rótulos negativos nós colocamos nas pessoas, principalmente naquelas que estão no pecado e longe de Deus. Para Jesus, basta desejar vê-Lo que tudo se transforme em encontro.

Zaqueu desceu depressa e acolheu Jesus com euforia. Dentro da casa, aconteceu um encontro alegre entre o pecador e o Salvador. Lucas nos diz que aqueles que ficaram do lado fora “murmuravam” contra Jesus. Para aquelas pessoas excluídas do encontro, na cidade existiam homens mais dignos e santos onde Cristo poderiam se hospedar, mas Ele foi se hospedar na casa de um pecador. Aqueles que estavam ao redor de Jesus se mostram tão pecadores quando o pior sujeito de Jericó e parece que não queriam mudar de vida (podemos imaginar que até os discípulos estavam no bolo também). A grandeza da misericórdia de Deus se transforma em escândalo para todos que estavam com Jesus.

            Deus possui uma misericórdia e uma compaixão sem limites e que busca o bem de todos, isto nos diz o autor da primeira leitura. Um Deus que não deseja nada de ruim pra ninguém e quer o bem de toda criatura que Ele mesmo criou.

Jesus na casa de Zaqueu prossegue seu encontro em torno de uma mesa. Toma refeição com ele, sinal de comunhão e intimidade. Nada sabemos do que eles conversaram, Lucas nos conta o final daquela acolhida. Zaqueu “se levanta” (pois estava sentado com Jesus) e apresenta seu novo projeto de vida. Era muito rico, mas tinha percebido que a riqueza maior era Jesus. Possivelmente, os pobres não faziam parte de sua vida, no encontro com Cristo, ele se lembra dos pobres e comunica que iria dar metade de sua riqueza a eles. Diante de seus pecados na profissão, manifesta que irá dar quatro vezes mais a quem ele tivesse defraudado.

            O encontro e a conversão diante de Jesus abriram os olhos não somente diante dos pecados (roubo ou fraude), mas também dos mais pobres e necessitados. De fato, o caminho mais curto para chegarmos a Deus e a caridade para o próximo.

Jesus finaliza falando a multidão que somente sabia se colocar entre Jesus e os mais necessitados e só sabia murmurava: “Hoje veio a salvação a esta casa”. Primeiro o encontro, a comunhão da mesa, depois a resposta, a reconciliação e a partilha com os mais necessitados. Precisamos ajudar as pessoas a se encontrarem com Jesus, pois Ele deseja que “depressa” O acolhamos em nossas “casas” (nosso coração e nossa vida). A experiência do amor de Deus abre os olhos, ajuda refazer o passado, mas principalmente a projetar nosso futuro. Todos somos pecadores e estamos perdidos, cabe a cada um escolher ser: ou multidão que não experimenta Jesus e impede outros de experimentá-Lo ou pessoas prontas a acolhê-Lo em suas casas.

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Sociedade do cansaço é tema de atualização teológica do clero

Ansiedade e cansaço foram temas refletidos com os padres da arquidiocese de Pouso Alegre (MG) em encontro de atualização formativa nos dias 25 e 26 de outubro.

 

O evento foi promovido pela Pastoral Presbiteral e ocorreu no seminário arquidiocesano, em Pouso Alegre. O encontro formativo do clero foi mediado pelo cônego Wilson Mário de Morais, vigário geral, e o padre Heraldo José dos Reis, coordenador dessa pastoral.

Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, enviou mensagem aos padres por vídeo, justificando a sua ausência e incentivando a participação no evento. Dom Majella cumpre agenda no Vaticano, devido à visita Ad Limina Apostolorum.

O tema da atualização teológica foi o cansaço existencial e a ansiedade na contemporaneidade, sob a perspectiva ética. O assessor do evento foi o padre José Rafael Solano Durán, da arquidiocese de Londrina (PR). Ele é mestre e doutor em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e pós-doutorado em Teologia Moral e Familiar pelo Pontifício Instituto João Paulo II, da Universidade Lateranense, de Roma.

A atualização teológica está em sintonia com o projeto de formação permanente que, neste ano, está sendo refletido o tema da identidade presbiteral, em 2021, por sua vez, as reflexões foram a respeito da pessoa do presbítero e para o próximo ano as reflexões serão acerca da fraternidade presbiteral.

Padre José Rafael Solano Duran refletiu os temas do cansaço e da ansiedade contemporâneos na vida do clero e da Igreja.

Na reflexão do tema, padre José Rafael falou sobre a síndrome de burnout, o pânico e o medo, presentes na sociedade contemporânea, caracterizada pelo cansaço. Destacou também problemáticas existenciais como a despersonalização e a redução da realização pessoal. Sobre patologias emocionais, detalhou o histrionismo, uma tendência de busca de constante atenção e reconhecimento do ser humano atual. Explicou também elementos da corporeidade na existência humana, sob as perspectivas psicanalítica e ética. Caracterizou o pessimismo e crises morais da atualidade que levam a uma existência medíocre e distante de grandes ideais.

Padres participaram de grupos de reflexão e partilha sobre os temas da atualização teológica.

Padre José Rafael vinculou esses temas a elementos da missão do clero e da Igreja. Os padres participaram de grupos de reflexão sobre os assuntos apresentados e partilharam suas dúvidas e questionamentos.

Nas suas palestras, o assessor se fundamentou em referenciais filosóficos, teológicos, psicanalíticos, do Vaticano II, do magistério dos últimos papas e do papa Francisco. Ao final, padre José Rafael expôs possíveis ações para se viver de modo ético e humano na sociedade contemporânea, marcada pela ansiedade.

Ao final do encontro, os padres assessores de pastorais da arquidiocese apresentaram orientações sobre os eventos pastorais dos próximos meses.

 

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Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: seminarista Márcio Aurélio Gonçalves Júnior