Construção da Casa do Clero é concluída

Hoje (1º), foi concluída a construção da Casa do Clero "Residencial Monsenhor Júlio Perlatto", com a entrega das chaves da obra a dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano.

 

A empresa Aristo, responsável pela construção da "Casa do Clero", concluiu a prestação desse serviço à arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Em cerimônia, hoje (1º), com a participação de dom Majella, padres e representantes dessa empresa, as chaves da construção foram oficialmente entregues.

A casa receberá o nome de “Residencial Monsenhor Júlio Perlatto”. Ela foi construída no terreno do seminário arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro São Carlos, em Pouso Alegre.

A finalidade do residencial será proporcionar aos presbíteros, diáconos e bispos um local digno de residência e acolhida, com infraestrutura para favorecer a comunhão no presbitério arquidiocesano.

Fachada da Casa do Clero "Residencial Monsenhor Júlio Perlatto".

A construção foi um investimento feito pela arquidiocese, com o apoio de dom Majella, padres, paróquias, e benfeitores, que se mobilizaram para construir a casa que acolherá melhor clérigos idosos e enfermos, que doaram sua vida pela evangelização no sul de Minas Gerais. O espaço construído possui sala de fisioterapia, enfermaria, capela, quartos, área de convivência, área de serviço e sala de visitas.

 

Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: padre Jésus Andrade Guimarães e padre Omar Aparecido Siqueira

 

A imagem destacada da notícia apresenta dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., recebendo as chaves da Casa do Clero de integrante da empresa Aristo.

 

Veja mais fotos da cerimônia de entrega das chaves:


#Reflexão: 2º domingo do Advento (04 de dezembro)

A Igreja celebra, no dia 04, o 2º domingo do Advento. Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 11,1-10

Salmo: 71(72),1-2.7-8.12-13.17 (R. cf. 7)
2ª Leitura: Rm 15,4-9
Evangelho: Mt 3,1-12

Acesse aqui as leituras.

MUDAR DE VIDA PARA ENCONTRAR COM O SENHOR

            O Advento é um tempo de escuta e de respostas. O convite principal que ouvimos é de “ir ao encontro” não de uma festa ou coisas externas, mas para um encontro com o Senhor Jesus. O Natal é uma pessoa e não coisas! Neste segundo domingo temos a palavra de dois profetas que em momentos diferentes convidam a todos a uma mudança profunda de vida.

Isaías nos lembra da grande força de Deus que se “esconde” nas coisas pequenas da vida: um broto será o início de algo grande em nosso meio. Será pequeno e singular para se identificar com todos, mas será responsável pela transformação de tudo que existe. O profeta insiste diversas vezes sobre a principal qualidade daquele que virá um dia: a justiça. Procurará semear a igualdade entre todos, mas com uma especial atenção para com os pobres; para os orgulhosos e os injustos são reservadas palavras mais duras, pois se existem miseráveis entre nós é porque falta para estes, o que é jogado fora nas mesas dos ricos.

            O profeta Isaías recorda o sonho inicial de Deus para a humanidade: um mundo de respeito, de igualdade e sem violência até mesmo na natureza como foi no Paraíso criado por Deus, mas tudo foi perdido por causa dos pecados de nossos primeiros pais. O caminho para reconstruir tudo, necessariamente, passa pela justiça.

Mateus no Evangelho nos lembra das primeiras palavras do profeta João Batista. O ambiente onde tudo acontece também é muito significativo. Tudo transcorre no deserto da Judeia, longe da cidade e num lugar desprovido de tudo. A primeira necessidade é se distanciar e buscar um local onde o essencial seja único e fundamental.

A cidade é o espaço privilegiado do ser humano. Ali ele constrói e organiza tudo conforme seu gosto e objetivo. É o lugar onde o “senhor de tudo” são as pessoas, pois tudo é feito para funcionar conforme as necessidades de todos de uma forma prática e direta: tudo é mais fácil e cômodo na cidade. No mundo da cidade, o dia se confunde com a noite e as pessoas vivem não na tranquilidade e na paz, mas envolvidas em inúmeras angústias, aflições e medos. As nossas cidades não se tornaram o Paraíso que se sonhava para a humanidade.

João Batista prega no deserto e para tanto é necessário sair, deixar a cidade, suas estruturas e respirar um mundo onde tudo ao redor nos remeta a algo maior que nós. O deserto recorda nossas fragilidades e limites; chama atenção da necessidade de se ter o necessário para caminhar e nos ajuda a buscar o fundamental para nossa vida. No deserto, a pessoa redescobre a importância do outro para juntos caminhar, bem como nos lembra que somos frágeis e limitados neste mundo. Fora da realidade urbana, vemos o céu e o silêncio da noite, podemos “nos ouvir” juntamente com o silêncio da natureza. Para ouvir melhor o anúncio de João é necessário deixar de lado, por um tempo, o nosso mundo de barulho, de angústias e acolher a Palavra de Deus. Aqueles que buscam o Batista no deserto, também deixam pra traz em Jerusalém, o templo e todas as suas festas, celebrações e costumes. Deus fala também no simples e humilde João no deserto.

            A primeira palavra do Batista é “convertei-vos!”. É necessário “mudar de direção” (conversão), repensar nossos caminhos e quais desejos e projetos nós estamos buscando. O convite é para reorganizarmos nosso rumo, pois, segundo João Batista o “Reino dos Céus está próximo”, isto é, ele está “ao nosso lado” (próximo), mas as pessoas não estão enxergando. O Reino de Deus não é um sonho para outros mundos e nem distante no tempo e na história, mas já está entre nós e facilmente qualquer um pode aderir a ele.

Mateus comenta o modo de vida de João. Suas palavras são profundamente fortes, pois são reforçadas pela sua própria vida. João vivia com o essencial para sua sobrevivência e convida a todos a buscarem também o fundamental. Ele é radical em suas palavras, pois é do mesmo modo em suas opções e em sua vida.

Sabemos de dois grupos de pessoas que lá estavam para ouvir João Batista. Muitos se deixavam tocar por suas palavras e exemplo e por isto, confessavam seus pecados (arrependimento pessoal e comunitário) e se submetiam a um ritual de penitência (eram batizados no Jordão). Pessoas que entenderam que precisavam mudar de vida para poder sentir a proximidade do Reino de Deus com intenção e gestos concretos.

Outro grupo presente eram os fariseus e saduceus. Estavam lá para “conhecer” João Batista. A fama do pregador do deserto despertou não o desejo de mudança, mas somente a curiosidade destes religiosos. Escutam, mas não se deixam tocar pela palavra. Para eles, tudo está já em ordem e perfeito como eles viviam, por isto, não havia necessidade de se abrir e se deixar tocar pelas palavras de João. Eles sentiam que já tinham a “posse” do Reino de Deus que eles tinham criado em Jerusalém. Estavam fechados em um mundo onde eles reinavam e tudo estava certo segundo o modo de vida deles, mas, no fundo, eles estavam era longe de Deus. João reserva para esses falsos religiosos as palavras mais duras e firmes (como Isaías). Era necessário sacudi-los e mexer com suas bases pessoas e religiosas para que pudessem perceber que algo novo já estava acontecendo.

João chama atenção que não bastam palavras e pensamos para se sentirem justificados (= justiça) diante de Deus, é necessário produzir bons frutos. Sabemos que somente os exemplos e o testemunho possuem a força de convencer sobre os nossos bons princípios, valores e a nossa fé. A resposta de nosso futuro depende de nossas boas escolhas de hoje.

No deserto, longe da cidade e de tudo, ouviram ressoar a voz do profeta João Batista convidando a todos a mudarem de vida para acolher o novo que já estava próximo. O mesmo convite deve ser atualizado hoje em nossos corações para percebermos a grandeza de Deus que decidiu vir a este mundo como um rebento de uma planta: simples e humilde.

            Paulo reforça o convite que devemos sempre buscar nosso Deus que vem ao nosso encontro sempre. Ele é o Deus da consolação e da perseverança que nos trata como iguais e filhos, por isto precisamos também viver a mesma igualdade uns com outros.

O Natal é um tempo de acolhida e de alegria, pois acolhemos o outro como o maior tesouro que possuímos neste mundo. Encarnando na realidade humana, Jesus tornou cada pessoa, sacramento de sua presença. Para isto é necessário acolher sua palavra e deixar que ela nos transforme em novos profetas (como Isaías, Paulo e João) que com o exemplo e com frutos de justiça e misericórdia, todos possam acolher o Reino de Deus dando frutos de amor e de paz.

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Como iniciar uma vida de oração? - Parte 4

Em nossos três artigos anteriores, apresentamos os primeiros passos para iniciar uma vida de oração. São eles: 1) decidir-se a reservar um momento do dia para estar em diálogo com Deus; 2) escolher ao longo do dia o melhor horário que possibilite um momento de recolhimento; e 3) aquietar-se interior e exteriormente para que o diálogo com Deus seja profundo e verdadeiro.  Aquietados interiormente, desconectados de tudo aquilo que possa nos roubar a atenção, estamos disponíveis para dar início ao nosso momento de oração.

Leia os artigos anteriores:

Como iniciar uma vida de oração? - Parte 1

Como iniciar uma vida de oração? - Parte 2

Como iniciar uma vida de oração? - Parte 3

E agora? Qual caminho seguir? Quais passos trilhar? Em primeiro lugar, vale ressaltar que a nossa vida será a matéria de nossa oração. Entretanto, isso não exclui a possibilidade de rezarmos pelo mundo e os mais complexos desdobramentos que as pessoas enfrentam. A vida na totalidade sempre será a matéria-prima de nossos momentos de oração e diálogo com Deus.

Peça sempre o auxílio do Espírito Santo.  Faça do momento de oração uma ocasião profunda para que sua alma seja iluminada pela graça do Paráclito. Ele é nosso consolador: acalma e devolve a serenidade necessária para trilharmos a oração na profundidade que nos torna disponíveis para ouvirmos a voz do Amado em nosso coração.

É preciso apresentarmo-nos diante do Amado como nos encontramos: com todas as angústias, súplicas e louvores que nossa alma carrega. Não é possível nos colocarmos em oração e nos desvincularmos dos anseios e ação de graças impressos em nosso eu mais profundo.

Coloque-se na presença de Deus apresentando sua vida, sem máscaras ou maquiagens. Não há porque esconder-se diante d’Aquele que conhece as profundezas de nossa alma. Deus tudo sabe! Expressar o que estamos sentindo é um caminho espiritual para criarmos intimidade com Ele. Deixe seu coração falar... Não tenha medo de expor-se. Rasgue o véu da vergonha que encobre seus pecados.

Pedindo o auxílio do Espírito Santo, nos apresentamos diante do Pai como filhos desejosos de um encontro profundo no grande mistério de amor que envolve nossas fragilidades e abraça nossas feridas. Sem que percebamos, a oração vai ganhando contornos divinos e gradualmente vamos nos deixando envolver pelo amor misericordioso de Deus que está diante de nós, no silêncio que nos reveste de luz e paz.

Não tenha pressa em abrir seu coração. O tempo é nosso amigo e não um vilão que tenta nos roubar de nossas atividades. Orar é estar profundamente mergulhado no amor de Deus. Jesus Cristo, o Verbo do Pai, nosso Salvador, recolhia-se muitas vezes no alto de uma montanha para estes momentos de intimidade profunda e amorosa com o Pai. A vida continua no seu ritmo de sempre, e a oração nos prepara espiritualmente para descermos a montanha com o coração pleno da presença do Amado que, para nós, já não é mais um estranho, mas um Pai, um Amigo, que nos acompanha em cada nova situação e a ser vivenciada.

 


Santa Cecília

Nesta semana a Igreja celebrou a memória de Santa Cecília. Conheçamos um pouco desta da história desta santa que é considerada padroeira dos músicos.

Segundo a tradição, Santa Cecília participava diariamente das missas celebradas pelo Papa Urbano I. Pertencia a uma família nobre e rica. Por ser muito generosa e caridosa, muitos pobres aguardavam sua presença na missa.

Ela casou-se com Valeriano. Na noite de núpcias ela confidenciou a seu esposo que tinha se consagrado a Deus e desejava manter a sua virgindade. Seu marido consentiu em sua decisão e, inspirado no seu exemplo, também se consagrou a Deus e foi batizado pelo Papa Urbano I.

Cecília, segundo o relato de sua paixão, um texto mais literário do que histórico, foi martirizada. O prefeito Turcio Almachio ordenou que Santa Cecília fosse decapitada. Contudo, mesmo recebendo três golpes violentos na nuca, o carrasco não conseguiu cortar sua cabeça. Ela veio a falecer depois de três dia de agonia, durante os quais doou os seus bens aos pobres e a sua casa à Igreja. Não conseguindo mais falar, professou sua fé na Santíssima Trindade apenas com os dedos da mão. Tal fato foi imortalizado na famosa escultura que se encontra sob o altar central da Basílica a ela dedicada.

Santa Cecília é considerada padroeira dos músicos. Isto se deve ao relato de sua Paixão que diz o seguinte: “Na hora de se casar com Valeriano, enquanto os órgãos tocavam, ela começou a cantar ao Senhor, em seu coração”.

Que o testemunho de Santa Cecília inspire nossa caminhada de fé e, com ela, façamos da nossa vida um eterno louvor ao Deus Altíssimo.

“Ó Deus, sede favorável às nossas súplicas e dignai-vos atender as nossas preces pela intercessão de Santa Cecília”. (Oração do dia na memória de Santa Cecília)

 

Referências:

vaticannews.va/pt/igreja/news/2022-11/santa-cecilia-padroeira-musicos.html

osaopaulo.org.br/santo-do-dia/a-igreja-recorda-a-memoria-de-santa-cecilia-virgem-e-martir/

vaticannews.va/pt/santo-do-dia/11/22/s--cecilia--virgem-e-martir--no-cemiterio-de-calisto.html

Imagem destacada: Vatican News


O Brasil democrático

Passado o segundo turno das eleições, impõe fazer uma reflexão sobre a democracia. Vivemos no sistema de governo democrático que talvez não consigamos valorizar devidamente. Primeiro, devido as suas muitas deficiências e por ser fragilizado nos últimos tempos. Essa fragilização se deve tanto aos desgastes normais das construções políticas quanto aos duros ataques sofridos. Outro elemento que contribui para a pouca valorização da democracia é que vivemos 37 anos da redemocratização do país, depois de vinte e um anos de governo autoritário. Assim, as pessoas com menos de quarenta e cinco anos viveram praticamente toda a sua existência no regime democrático. Por isso, possuem enorme capacidade de perceberem as suas deficiências. Porém, como só há essa experiência, não conseguem fazer a comparação com um governo autoritário.

Diante disso, é preciso reconhecer que a democracia, embora com muitas deficiências, nos oferece a possibilidade de construir um Brasil melhor em que, se não todas, a maioria das necessidades de sua população seja contemplada. A grande vantagem da democracia é que é uma construção coletiva. Nela, todos são ouvidos e os temas nunca estão fechados. Sempre é possível mudar.

Mas, o que é mesmo democracia? O conceito de democracia vem da Grécia antiga que, em algumas cidades, deixando de lado o governo de um tirano, estabelece o governo do povo. Na tirania, a autoridade dos governantes vem de ter nascido de uma família nobre ou de ter acumulado uma fortuna. Na democracia, o poder “emana do povo” que elege seus dirigentes. Em suma, “democracia é o governo do povo pelo povo”. Alguns estudiosos da democracia, como Maurício Abdalla, da Universidade Federal do Espírito Santo, afirma que democracia mesmo só existiu nas primeiras comunidades cristãs relatadas no livro dos Atos dos Apóstolos e nas comunidades dos povos originários, como dos indígenas no Brasil. Sendo essas comunidades pequenas, é maior a possibilidade de que toda a população ajude a decidir a vida da polis, da aldeia.

Hoje, o mundo conhece dois modelos de democracia que se criticam mutuamente. Um modelo não reconhece o outro como democrático. Temos o modelo da democracia liberal representativa, como a do Brasil. Nesse modelo, todos os cidadãos aptos podem votar e serem votados para os cargos públicos, desde que estejam filiados a partidos políticos. Porém, uma vez escolhidos, praticamente recebem uma carta-branca para fazer o que querem. Os mecanismos legais que a sociedade dispõe para interferir na ação dos governos, embora assegurados na Constituição Federal, são pouco usados. São eles: os plebiscitos e os referendos. Podemos enumerar como instrumentos de participação popular também os Conselhos de Direitos e as audiências públicas. Esses instrumentos, embora obrigatórios, são pouco valorizados pelos governantes e pouco compreendidos pela própria sociedade. O outro modelo democrático existente é o dos países socialistas como China e Cuba. Nesse modelo, não há diversidade partidária. No entanto, quem deseja participar da vida política do país pode se filiar ao partido único. Dentro desse partido, tudo é decidido no voto, assim como a escolha dos representantes e a classe dirigente. Esses modelos também usam de forma mais ampla os diversos instrumentos de participação da sociedade na vida política do país, sobretudo no que se refere à política local.

O filósofo italiano Norberto Bobbio, falecido em 2004, diz que a democracia é cansativa e trabalhosa, pois nunca está acabada. Segundo o pensador, aí está a força e a fragilidade da democracia. É sempre um edifício em construção que pode ruir a qualquer hora, mas que pode também se tornar cada vez mais forte, belo e adequado a seus propósitos. Penso que não seja pouca coisa.

Voltemos ao tema pós-eleições no Brasil. É fundamental que façamos a defesa da democracia, para que não a percamos. Perdê-la significa não ter mais a oportunidade, ao menos por um tempo, de reformá-la e melhorá-la. A tarefa da defesa e do aprimoramento da democracia é de toda a sociedade e também das Igrejas. Por isso, nós cristãos e cristãs não podemos nos furtar de dar a nossa contribuição. Arrisco aqui a apontar, bem superficialmente, algumas sugestões para o fortalecimento da democracia. Primeiramente, é preciso valorizar as instituições democráticas. Por instituições democráticas entendemos os três poderes da república: legislativo, executivo e judiciário. Precisamos defender, sobretudo, a justiça eleitoral que deu provas de competência na condução de uma eleição comprovadamente limpa e transparente. Além disso, é preciso defender também as universidades como centros da produção de conhecimento e tecnologia, as associações de classes, como OAB, ABI e CNBB, e as associações dos trabalhadores, como os sindicatos. Depois, é preciso investir profundamente na formação do povo cristão e religioso em cidadania e política. A importância do voto religioso tornou-se fundamental e essa relevância veio para ficar. As escolas de Fé e Política podem contribuir nessa linha. Por fim, é preciso acreditar e fortalecer os Movimentos Sociais. O Papa Francisco lhes dá grande importância e tem realizado vários encontros com seus representantes. Por natureza, os movimentos sociais são como que irmãos das nossas Pastorais Sociais, que também precisam ser valorizadas.

Por fim, é importante lembrar que, como cristãos, precisamos fazer isso imbuídos do espírito do Evangelho. Fazer o que Jesus faria em nosso lugar e nos indicou: “Fazei a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15). Sermos servidores uns dos outros, sobretudo dos mais pobres. Imbuídos do espírito do Evangelho, precisamos também ser alimentados por uma mística muito profunda, verdadeira e que nos coloque em sintonia com Deus.

 

Bibliografia:
PAPA FRANCISCO. Fratelli Tutti. Edições CNBB, 2020
NORBERTO BOBBIO. Qual democracia?. Edições Loyla,2010
JACQUES RANCIÈRE. O ódio à Democracia. Boi Tempo, 2020

 


#Reflexão: 1º domingo do Advento (27 de novembro)

A Igreja celebra, no dia 27, o 1º domingo do Advento. Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 2,1-5

Salmo: 121(122),1-2.4-5.6-7.8-9 (R. cf. 1)
2ª Leitura: Rm 13,11-14a
Evangelho: Mt 24,37-44

Acesse aqui as leituras.

VINDA DE JESUS, DIA DE ALEGRIA E LIBERTAÇÃO

            Iniciamos um novo caminho e ano litúrgico neste domingo. As quatro semanas do Advento nos ajudarão nesta estrada para acolhermos com alegria e simplicidade o Nascimento de Jesus. Mais do que nunca precisamos preparar o nosso coração para o Natal de Nosso Senhor, pois precisamos de muitos graças e bênçãos de Deus particularmente nestes últimos tempos.

Neste tempo de recolhimento e oração, somos convidados a rever nossa vida e nossos valores confrontando com os ensinamentos de Jesus e com suas propostas de vida. O mundo possui inúmeros projetos de alegria e de felicidade, mas estão se revelando limitados e frustrantes, pois fundamentam tudo em uma alegria que se esgota na realidade material e física, restrita a momentos e a algumas pessoas. O projeto de Reino de Deus inicia neste mundo, envolve todas as pessoas e nos conduz a verdadeira felicidade que ultrapassa nossa existência e história. Jesus, com sua vinda, procurou nos ensinar o caminho que somos convidados a redescobrir nestes dias e percorrer em toda nossa vida.

Na primeira leitura, o profeta revela o sonho de Deus para toda a humanidade. Será um tempo de união, de encontro, de alegria e de fraternidade. Tempo onde tudo será feito para o bem do próximo: as espadas serão transformadas em instrumentos para produzir pão; as lanças serão convertidas em foices para a colheita. A Palavra e a lei de Deus guiarão o povo de Deus. Todos serão especialistas não na arte da guerra, mas em produzir paz e o bem estar pra todos. Mas, é necessário caminhar nos caminhos do Senhor, seguir seus passos e se deixar guiar por seus ensinamentos e mandamentos.

            Palavras corajosas do profeta que pregou o contrário daquilo que o povo estava fazendo: o país se preparava para a guerra. Aquilo que era fundamental para a subsistência da sua gente (arado e foices) estava sendo transformado em armas de guerra: Esperança inútil de uma paz que o povo de Deus nunca conheceu.

No tempo de Jesus, Israel não se encontrava em guerra e o país possuía uma aparente tranquilidade. Tudo estava acontecendo conforme a tradição e os costumes judaicos isto tudo com a aprovação do estado romano. Exatamente esta aparente serenidade oferecida pelo império romano que Jesus procurou questionar e alertar seus discípulos e o povo que o seguia.

Jesus representava o novo projeto de Deus que era algo que ia além de tudo que todos estavam acostumados ver: Recolocar o ser humano no centro de tudo e acima de tudo. O mundo na época de Cristo progredia aparentemente muito bem, mas as pessoas (principalmente os excluídos) encontravam-se abandonadas pelo Estado e até mesmo pela religião judaica. O Reino de Deus inaugurando com a vinda de Cristo tinha como principal proposta o amor que brota de Deus, mas que deveria contagiar a todos. Assim, Jesus fez a opção de estar no meio das pessoas e ali ensinar o que significava a misericórdia de Deus.

Resgatando uma situação conhecida de todos (história de Noé), Jesus exorta que o novo de Deus nem sempre é percebido pela maioria das pessoas. A presença de Deus (Filho do Homem) era algo que já estava acontecendo, mas poucos tinham percebido, como nos dias de Noé. Naquele tempo, tudo transcorria como de costume e todos viviam suas vidas fazendo o que sempre foi feito: comiam, bebiam, casavam-se até o momento em que o Dilúvio teve início. Segundo Jesus, as pessoas não estavam fazendo nada de anormal ou errado, mas havia um grande problema: na vida de todos, Deus não tinha mais espaço. As pessoas viviam suas vidas sem se importar com Deus e os seus mandamentos. O livro da Gênesis nos diz que o pecado tinha se espalhado por todos os lados e o mundo tinha se corrompido. As pessoas tinham perdido a sensibilidade pelas coisas de Deus.

            Vivemos um tempo semelhante ao de Noé. As pessoas têm tempo para tudo menos para as coisas de Deus. Muitos levam uma vida como se tudo se resumisse a este mundo e esta existência e quando se deparam com algo que rompe esta normalidade, veem desabar tudo que lhes dava segurança. Noé e seus familiares estavam sintonizados com Deus e viveram suas vidas como os outros, mas buscando sempre estar em comunhão com Deus.

No tempo do Dilúvio, a destruição foi geral e indiscriminada; segundo Jesus no Evangelho, no tempo da vinda do Filho do Homem tudo será pesado conforme a história de cada um. O juízo de Deus levará em conta como cada pessoa conduziu sua vida. Assim, dois homens estarão trabalhando normalmente, um será tomado e outro deixado. Da mesma forma duas mulheres em seus afazeres domésticos: uma será tomada e outra deixada. Mesmo sendo pessoas da mesma família e com profundos laços, o destino de cada será independente.

Jesus convida a vigilância, pois tudo acontecerá sem que se saiba o momento exato. Vigiar para Jesus é estar atendo não ao momento quando tudo chegará ao seu final, mas em como cada um está conduzindo sua própria existência. Não é um convite para ficar olhando para o céu (em busca de sinais), mas uma analisar como cada um está vivendo sua vida. A tranquilidade e a serenidade podem ser somente sinais de um bem estar para as coisas deste mundo, mas também um grande sinal de uma vida vazia da presença de Deus.

Com uma imagem muito usada por Jesus, o alerta continua para vigiar contra a vinda do ladrão. Para aqueles que estão em comunhão com Deus, será um tempo de encontro e de lucro, pois a salvação eterna se aproxima; para aqueles que estão apegados a este mundo, a vinda de Nosso Senhor será como se fosse um ladrão. Para esses últimos, será tempo de tristeza, de perda e um grande vazio.

            Paulo na segunda leitura também convida todos a não se apegarem às coisas deste mundo. Segundo ele, nós somos cidadão dos céus e por isto devemos caminhar como filhos da Luz sem temer as forças deste mundo, pois se estamos em paz com Deus ninguém poderá nos acusar de nada.

Por fim, Jesus convoca seus seguidores à vigilância constante, pois tudo pode acontecer a qualquer momento. Cabe a cada fiel construir sua vida como Noé viveu seus dias: procurando responder a vontade de Deus e conduzindo sua vida em meio aos outros de sua terra. Precisamos redescobrir o caminho da luz deixado por Jesus, iluminar nossos passos com as Palavras e principalmente, marcar nossa existência com o testemunho de nossa fé.

O tempo do Advento é o momento em que somos convidados a um recolhimento para esvaziar nossos corações de tantas coisas inúteis deste mundo, e dessa forma, preparar nossa vida para renovar, mais uma vez, a presença de Deus que um dia veio a este mundo em uma criança e a cada momento de nossa existência se aproxima de nós em cada pessoa que encontramos em nossa estrada.

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Padres e fiéis realizam 2ª Peregrinação do Clero

Hoje e ontem (22 e 21), grupo de padres e fiéis da arquidiocese de Pouso Alegre (MG) realizou a 2ª Peregrinação do Clero, percorrendo o Caminho Monsenhor Alderigi.

 

A segunda edição da Peregrinação do Clero contou com a participação de 26 pessoas, sendo 10 padres e 16 fiéis. O grupo foi formado por familiares e acompanhantes dos clérigos peregrinos.

Participantes da 2ª Peregrinação do Clero, no Caminho Monsenhor Alderigi. Foto: padre Fabiano Cezar da Silva.

Os participantes fizeram o Caminho Monsenhor Alderigi, que passa pela zona rural de Jacutinga (MG), Ouro Fino (MG), Andradas (MG) e Santa Rita de Caldas (MG). Em dois dias, os peregrinos caminharam 57 km. No trajeto, eles realizaram momentos de oração do Terço, meditação da Palavra de Deus, celebração de missas e convivência. O lema do evento foi "Caminhar juntos e renovar a vocação".

Certificados de participação, carimbados nos locais de parada e entregues aos participantes. Foto: Divulgação ACMA.

No caminho, os peregrinos foram acolhidos por fiéis das comunidades São Sebastião dos Robertos, Barra, Campestrinho, São José da Ventania e Pião, pertencentes às paróquias Santo Antônio (Jacutinga), Nossa Senhora da Piedade (Crisólia/Ouro Fino), São Sebastião (Andradas) e Santa Rita de Cássia (Santa Rita de Caldas). A acolhida dos peregrinos teve o apoio dos padres Alexandre Acácio Nogueira, Fabiano Cezar da Silva, cônego Simão Cirineo Ferreira, Arquimedes Carvalho de Andradre e Samuel de Faria Gâmbaro, que trabalham nas paróquias por onde passa o caminho. Além disso, a secretaria de Turismo e a Defesa Civil de Jacutinga assessoraram o evento.

Nos dias 21 e 22, participantes da 2ª Peregrinação do Clero caminharam e rezaram por estradas rurais de Jacutinga, Ouro Fino, Andradas e Santa Rita de Caldas. Foto: padre Fabiano Cezar da Silva.

Na noite de ontem (21), dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, presidiu missa na comunidade Campestrinho, para incentivar e abençoar os padres e fiéis peregrinos.

Dom Majella e padres peregrinos concelebraram missa na noite de segunda (21), na comunidade Nossa Senhora Aparecida, bairro Campestrinho, paróquia São Sebastião (Andradas). Foto: Vanessa Lima.

O Caminho Monsenhor Alderigi foi criado em 2019 por associação homônoma (ACMA), sendo seu responsável o senhor Odval Aparecido Bertolassi. A criação foi uma parceria entre os municípios onde se localiza o caminho e a arquidiocese de Pouso Alegre, representada pelo padre Rodrigo Carneiro Paiva Mendes, membro da Causa de Beatificação do monsenhor Alderigi.

Fiéis do bairro Campestrinho, na missa presidida por dom Majella, na 2ª Peregrinação do Clero. Foto: Vanessa Lima.

A Peregrinação do Clero é um evento anual da Pastoral Presbiteral, organizado pelos padres Thiago de Oliveira Raymundo e Edson Aparecido da Silva. Foi iniciado em novembro de 2021, quando 12 padres e dom Majella fizeram o Caminho da Obediência, em Congonhal (MG).

Da esquerda para a direita, padre Carlos Cezar Raimundo e Antônio Aparecido Muniz, participantes da 2ª Peregrinação do Clero. Chegada ao santuário de Santa Rita de Cássia, em Santa Rita de Caldas. Foto: Claubene Fernandes.

A terceira edição da Peregrinação do Clero será realizada em agosto de 2023. Os padres e acompanhantes peregrinos farão o Caminho da Prece, que passa pelas cidades de Jacutinga, Ouro Fino (MG), Inconfidentes (MG) e Borda da Mata (MG).

Monsenhor Alderigi Maria Torriani (1895-1977) foi padre da arquidiocese de Pouso Alegre, nascido em Jacutinga. Exerceu seu ministério por 50 anos em Santa Rita de Caldas. Faleceu com fama de santidade e, atualmente, a Igreja Católica o considera Servo de Deus, a partir de processo para sua beatificação e canonização. Os restos mortais do monsenhor se encontram no santuário de Santa Rita de Cássia, em Santa Rita de Caldas.

 

Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo


A imagem destacada da notícia traz dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., e participantes da II Peregrinação do Clero, ao final da missa celebrada no bairro Campestrinho, em Andradas. Foto: Vanessa Lima.


Abertura do Ano Vocacional

Com o tema “Vocação: Graça e Missão” e o lema “Corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24, 32-33), o Ano Vocacional se estende até 26 de novembro de 2023. A data escolhida para a abertura e encerramento é a solenidade de Cristo Rei, que marca o encerramento do ano litúrgico e o dia nacional dos cristãos leigos e leigas.  

A convocação deste ano é a concretização das indicações pastorais do 4º Congresso Vocacional, que se propôs celebrar os 40 anos do 1º Ano Vocacional do Brasil, vivenciado em 1983, e ser uma oportunidade de fortalecer o compromisso de cristãs e cristãos com o chamado à vida e um olhar atencioso para todas as vocações. 

A proposta teve aprovação por unanimidade pelos bispos do Brasil, durante sua 58ª Assembleia. A partir daí, trilhou-se o caminho de articulação e preparação com muitos convocados para as diferentes comissões a fim de que esse sonho pudesse se tornar realidade. Conforme o texto-base, o objetivo principal do Ano Vocacional é “promover a cultura vocacional nas comunidades eclesiais, nas famílias e na sociedade, para que sejam ambientes favoráveis ao despertar de todas as vocações, como graça e missão, a serviço do Reino de Deus” 

Para conhecer um pouco mais da história e iniciativas do Ano Vocacional:  Clique aqui.

Inspirado no Documento Final do Sínodo dos Bispos sobre Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” o tema do Ano Vocacional 2023 é “Vocação: Graça e Missão” e o lema “Corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24, 32-33). 

O tema “Vocação: Graça e Missão” se fundamenta na afirmação de que “a vocação aparece realmente como um dom de graça e de aliança, como o mais belo e precioso segredo de nossa liberdade”, conforme o Documento Final de nº 78.

Já o texto bíblico iluminador Jesus chamou e enviou os que ele mesmo quis (cf. Mc 3, 13-19)” ajuda a aprofundar que a origem, o centro e a meta de toda a vocação e missão é a pessoa de Jesus Cristo.

“Encarar o desafio de uma espiritualidade para o Ano Vocacional: vocação é iniciativa de Deus, é mistério, é graça, é experiência de encontro com Jesus, é fascínio e alegria, é assombro, é sensibilidade ao apelo, é inconformidade, é resposta pessoal, é envolvimento comunitário, é missão, é tarefa, é serviço, é disposição para o sacrifício, é entrega da vida, é coragem e determinação, é esperança e convicção firme, é testemunho de fé: é “espiritualidade” como a que moveu o próprio Jesus e marcou sua personalidade, imprimindo-lhe caráter e identidade”, disse a Comissão organizadora.

O lema “Corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24, 32-33) fala do coração e dos pés. Recorda os discípulos de Emaús. O coração que arde ao escutar a Palavra do Ressuscitado e os pés que se colocam a caminho para anunciar o encontro com o Cristo.

“Desejamos que o Ano Vocacional ajude cada pessoa a acolher o chamado de Jesus como graça, seja uma oportunidade para que mais e mais corações ardam e que os pés se ponham a caminho, em saída missionária”, finalizou a Comissão.

Na Arquidiocese de Pouso Alegre a abertura oficial do Ano Vocacional se deu com a Santa Missa na Catedral Metropolitana de Pouso Alegre às 16h, presidida pelo Cônego Wilson Mário de Morais, concelebrada por alguns presbíteros e contou com participação expressiva do povo de a Deus, fieis leigos e leigas, religiosos e religiosas e seminaristas de nossa Arquidiocese.

Fonte e imagem destacada: CNBB

 


#Reflexão: Solenidade de Cristo Rei do Universo (20 de novembro)

A Igreja celebra, no dia 20, a solenidade de Cristo Rei do Universo. Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: 2Sm 5,1-3

Salmo: 121(122),1-2.4-5 (R. cf. 1)
2ª Leitura: Cl 1,12-20
Evangelho: Lc 23,35-43

Acesse aqui as leituras.

JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

            A celebração de hoje conclui o ano litúrgico da Igreja: no próximo domingo, iniciamos o tempo do Advento. Esta solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, aparentemente não combina muito com tudo que conhecemos de Jesus e dos seus ensinamentos: Nosso Senhor nunca se interessou por qualquer tipo de poder deste mundo. Mas, a realeza que celebramos hoje de Jesus Cristo é diferente e não se encontra nenhuma ligação com os reis e os impérios que a história já conheceu.

Desde o início da vida pública de Jesus, Ele sempre anunciou a vinda e a inauguração neste mundo do “Reino de Deus” (ou “Reino dos Céus”, como prefere afirmar Mateus; cf. Mt 3,2; 4,17...) e através de várias parábolas, Ele procurou mostrar a força e a presença desse Reino não como mais um reino entre outros, mas como uma presença ativa e eficaz da graça de Deus neste mundo. De uma forma diferente e atuante, Cristo afirmou para os fariseus que o “Reino de Deus já está entre vós” (ao alcance de todos; cf. Lc 17,21).

            O Reino de Deus não se identifica com nenhuma organização humana que é limitada no tempo e no espaço. É uma realidade que vai além da realidade humana, liga o céu com a terra e permanece presente por toda a história humana até a consumação de seus dias, como percebemos nas palavras de Paulo na segunda leitura. É um Reino diferente com um Rei diferente.

Na primeira leitura, temos a lembrança de quando iniciou o reino de Davi, o eleito de Deus para reinar sobre seu povo. Ele foi o ungido que governou e organizou o reino do povo de Deus. Davi foi sinal do Reino definitivo e eterno que Jesus iria, posteriormente, inaugurar na história e que permanecerá para sempre na realidade humana.

Trata-se, assim, de um Reino diferente, com um Rei que não governa como os soberanos deste mundo; que não possui um trono de ouro ou coroa de pedras preciosas. Jesus conquistou sua realeza não fazendo guerra contra outros reinos, mas de uma forma diferente. O Evangelho de Lucas deste domingo nos lembra dos últimos momentos de Cristo e os últimos desafios que enfrentou para criar, não na história e em um lugar, mas para sempre o Reino de Deus definitivo para a salvação de todos.

A cena da crucificação não nos dá de imediato a imagem de uma realeza conforme conhecemos, mas, foi exatamente na cruz que o Reino de Deus ganhou a sua máxima expressão em relação a tudo que Jesus ensinou e viveu. Ali estão representados todos que são tocados por Jesus Cristo. Alguns reagem ainda como opositores do projeto e da pessoa de Jesus, somente um se associa com confiança ao Reino de Jesus.

O “povo” é descrito como simples espectador: estava ali somente observando. Como acontece quase sempre, a multidão é manipulada e usada para se conseguir algo. O povo sempre precisa de alguém que o guie, mas quase sempre vemos pessoas que manipulam e exploram a vontade popular. Sem o seu guia, o povo simplesmente assistiu os últimos momentos de Jesus.

Lucas cita a presença dos “chefes”, representantes do poder religioso. Diante da cena de alguém que somente procurou fazer o bem, palavras deles são de provocação e ironia. Eles testemunham o bem que Jesus fez (“salvou a outros”) e desafiam Jesus na cruz com as mesmas palavras usadas pelo Diabo durante as tentações no deserto: “Se és o Messias (Cristo)” Os religiosos são usados como instrumentos do mal para apresentar a última tentação a Cristo: salvar-se do sofrimento. Para eles seria a forma de mostrar que Jesus é o Messias esperado por todos. Se Cristo se salvasse da Cruz, Ele teria poupado sua vida, mas nós teríamos perdido a nossa salvação. A forma escolhida por Jesus para se salvar foi de se doar até fim: dando a vida, Ele ganhou a vida plena para todos nós. A salvação da humanidade era algo que estava acima de tudo, inclusive de sua própria vida humana. Os chefes religiosos reconhecem que Jesus fez o bem, que se apresentou como Salvador (Messias), que havia sinais de que Ele (Jesus) era o “Eleito de Deus” e tinha um projeto de salvação, mas se colocaram como instrumento do mal e não do lado de Jesus.

            Os soldados também são instrumentos do poder temporal e dos reinos deste mundo. Zombavam de Jesus e o desafiavam como os religiosos dizendo: “Se tu és rei dos judeus?” Com o Diabo, a proposta é apresentada como um desafio, pois eram conhecidas as palavras de Jesus sobre “Reino de Deus”. Eles apresentam a Jesus na cruz, o único modo que para eles confirmaria a realeza de Cristo: escapar da cruz. Para os soldados, um rei procura se salvar para governar sobre seus súditos, Jesus escolheu governar sobre toda a humanidade, doando-se plenamente livre para vencer os últimos inimigos da humanidade que são a morte e o pecado. A tentação é a mesma dos chefes dos religiosos: salvar-se a si mesmo. A descrição “Rei dos Judeus” colocado sobre a cabeça de Cristo se transformou em um testemunho daquilo que Jesus representava para todas as pessoas, mas que era visto como perigo pelos romanos.

Ao lado de Jesus estavam dois malfeitores também crucificados. Um deles, sofrendo as mesmas dores e nas mesmas condições de Jesus prefere ficar do lado daqueles que zombavam e escarneciam Jesus. O “mau ladrão” sabe da proposta de Salvação de Jesus como Messias. Esta terceira tentação (como as três do deserto) foi mais significativa, pois se tratava de alguém que está sofrendo, à beira da morte e pede socorro. O “mau ladrão” provoca Jesus para mudar o seu destino que ele mesmo traço com uma vida na injustiça. Ele conduziu toda sua vida sem pensar em salvação, agora diante da morte, quer escapar das consequências dos seus atos. A proposta colocada por este malfeitor é de uma salvação para todos (“salve a ti e a nós”) sem morte e sem sofrimento, mas Jesus não cai também nesta tentação. Em toda a passagem, predomina o silêncio de Jesus.

Lucas nos conta que o outro ladrão se coloca contra todos e ao lado de Jesus. Situa tudo em três princípios: Ele lembra o outro condenado do temor de Deus (o mal que estavam fazendo contra Jesus atingia até Deus); ele lembra que o destino final, é comum a todos: a morte; o bom ladrão recorda que os dois sofrem justamente pelos erros que cometeram, mas Jesus nada fez de mal, este condenado defende Jesus diante de todos; e, por fim, chamando Nosso Senhor pelo seu nome “Jesus” (isto é raro nos Evangelhos) faz um pedido onde expressa uma imensa confiança: “Lembra-te de mim quando vieres como rei”. O “bom malfeitor” descobriu o verdadeiro Salvador sem intimar que Jesus descesse da cruz, sem exigir que fugisse da morte e sem cobrar um sinal (fugir da cruz). Diante da morte, reconhece a realeza de Jesus e faz um pedido simples: lembrar-se dele.

            Para os outros pedidos irônicos, Jesus respondeu com o silêncio de alguém que está acima de tudo, mas para o “bom ladrão”, as palavras são profundas como alguém que será Rei de todos. Com mais um ensinamento (“Em verdade eu te digo”) Jesus promete que “hoje estarás comigo no Paraíso”. Nosso Senhor o convida para juntos entrarem no Paraíso passando pela morte (o outro, o “mau ladrão”, tinha convida para fugir da cruz). É o “hoje” de Deus, presença salvífica, como foi para Zaqueu (“Hoje quero estar contigo em tua casa!”). Aquele criminoso teve o privilégio de passar pela morte juntamente com Jesus e depois, entrar no Paraíso, sinal de sua salvação. Ele tinha feito um pedido de “ser lembrado”, Jesus convida para caminhar e enfrentar a morte juntos.

Jesus é um Rei sem trono, pois seu trono é a cruz; Não possui uma coroa de ouro, pois lhe deram uma coroa de espinhos, mas principalmente é Rei porque governa doando-se completamente por todos que o aceitam com Salvador e Messias. A cruz foi e ainda é um escândalo para muitos que até professam uma fé; é tida como sinal do fracasso de alguém que se propôs salvar os outros; mas para nós foi o caminho escolhido por Jesus para nos salvar e nos conduzir ao verdadeiro destino para todos que não termina na morte, mas tem sua plenitude no Paraíso junto de Deus. Mas, a escolha que define o destino de todos, depende de cada um; depende do lado de qual grupo se pretende ficar durante sua vida até a morte: do “bom ladrão” ou daqueles que tentavam Jesus?

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Paróquia Bom Jesus de Bueno Brandão promoverá encontro de canto e música litúrgica

"Os Encontros de Canto e Música Litúrgica são espaços de aprendizagem musical e crescimento na fé, alimento do espírito para tornar nossas liturgias mais dignas e festivas. Era assim que Ir Míria Kolling compreendia e vivenciava as suas composições, cantando-as com o coração! Cantar foi sua missão."

Apesar de ser sediado na Paróquia Bom Jesus, em Bueno Brandão, o desejo é que qualquer pessoa interessada possa se inscrever - membros da liturgia e canto da Arquidiocese de Pouso Alegre e região, cantores, instrumentistas, salmistas, compositores, padres, diáconos, religiosos e demais agentes leigos e atuantes.

DURAÇÃO DO CURSO

O encontro de formação terá duração de 3 dias, começando na noite de sexta-feira, sábado durante todo o dia e encerrando-se no domingo, após o almoço e missa.

ASSESSORES

Eurivaldo Ferreira
Euri é leigo, músico e professor da rede pública de São Paulo. É mestre e graduado em Teologia pela PUC/SP. Membro do Universa Laus – Associação Internacional de reflexão da Música Litúrgica e do Corpo Eclesial de Compositores da CNBB. Coordenou a gravação de vários álbuns do Hinário Litúrgico da CNBB pela Paulus. Assessorou Ir. Miria T. Kolling desde 2003, digitalizando seu repertório de canto e música litúrgica destinado aos Encontros de Canto Pastoral. Compôs o Hino da CF 2022.

Daniel de Angeles
Leigo, músico e advogado. Coordenou a Comissão Diocesana de Liturgia de Bauru, atua na Câmara Eclesiástica da mesma diocese e integra o Corpo Eclesial de Compositores da CNBB. Atuou na gravação de diversos álbuns musicais para a liturgia. Agente de pastoral de liturgia e música.

Eurisanete Ferreira da Silva
Nete é violonista e formada em musicoterapia e música, atua como professora de Ensino Fundamental na rede privada. Tem experiência em musicalização infantil. Coordena projetos culturais envolvendo música afro-brasileira, indígena e folkmúsica. Como cantora participou da gravação de vários álbuns de música litúrgica, infantil e institucionais.

OBJETIVOS

- Oferecer atualização formativa sobre música litúrgica para grupos de canto, aproveitando o método da Irmã Miria T. Kolling, muito bem-conceituado na Arquidiocese e no Brasil.
- Oferecer oportunidade de formação básica para grupos iniciantes.
Trabalhar assuntos particulares da comunidade e dos setores participantes.
- Identificar pontos de melhoria. (Setores e Paróquias que desejarem contribuir com temas particulares de suas comunidades para serem tratados no Encontro deverão informar à equipe organizadora até 31/11/2022 através do formulário https://forms.gle/Gy6fgRwxaLCADrV86)
- Trabalhar o entendimento do canto dos salmos como uma forma de ajudar a assembleia a rezar (melodias simples e fáceis de repetir). Estabelecer uma base de pesquisa para melodias de salmos.
- Estabelecer base de pesquisa para cantos litúrgicos – como Hinário da CNBB, Hinário da Diocese da Campanha, Discografia da Irmã Miria, porém, dando abertura para consultas em outros locais.

PERÍODO DE INSCRIÇÕES

- Inscrição Simples: 01/12/2022 a 31/01/2023

- Inscrição + Hospedagem: 01/12/2022 a 15/01/2023

TIPOS DE INSCRIÇÃO

- Inscrição simples: R$80,00

Inclui: participação, alimentação e materiais
Alimentação: lanche todos os dias e almoço no sábado e domingo
Materiais: apostila e acesso aos áudios*

- Inscrição com hospedagem: R$320,00

Vagas limitadas**

Inclui: participação, alimentação, materiais e 2 diárias em hotel ou pousada selecionada pela equipe organizadora em quartos compartilhados.
Alimentação: lanche todos os dias e almoço no sábado e domingo
Materiais: apostila e acesso aos áudios*

*Os áudios serão disponibilizados de acordo com a autorização de seus compositores.

Todos os tipos de inscrição são individuais. Até mesmo grupos fechados precisarão informar os dados de todos os participantes.

HOSPEDAGEM

**Se você desejar se hospedar na cidade, mas não quiser a opção da Inscrição com hospedagem inclusa, precisará agendar por conta própria na hospedagem que lhe interessar. Confira locais recomendados em www.buenobrandao.com.br/hospedagem

https://www.airbnb.com.br/s/Bueno-Brandão-~-MG/homes

CANCELAMENTO

Se não puder comparecer ao evento e desejar cancelar a inscrição, a solicitação poderá ser realizada até 15 dias antes do evento, diretamente no site, se tiver criado uma conta, ou através dos meios de contato no cartaz.

Fonte: Pascom Bueno Brandão