#Reflexão: 22° domingo do Tempo Comum (31 de agosto)
A Igreja celebra o 22° domingo do Tempo Comum, neste domingo (31). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Eclo 3,19-21.30-31
Salmo: 67(68),4-5ac.6-7ab.10-11
2ª Leitura: Hb 12,18-19.22-24a
Evangelho: Lc 14,1.7-14
HUMILDADE E EXALTAÇÃO
Jesus apreciava muito estar à mesa com as pessoas. Em muitas parábolas e ensinamentos, o “banquete” é usado como símbolo da alegria e igualdade entre as pessoas, mas principalmente como realidade entre Deus e seus filhos. Segundo Jesus, a realidade futura que nos aguarda é como um grande banquete onde Deus Pai, Ele próprio servirá os eleitos. Como hoje, também no tempo de Jesus, estar à mesa é um momento de intimidade e amizade entre as pessoas que se conhecem e nutrem grande estima entre si. Neste domingo, temos mais uma cena que acontece em torno de uma refeição, mas ganha um significado profundo com a presença de Jesus. É a terceira vez que Jesus foi convidado por um fariseu (cf. Lc 7,36; 11,37; 14,1), interessante que muitos tinham ódio contra Jesus, mas mesmo assim, Ele não os desprezava e nem rejeitava seus convites.
Lucas nos informa que tudo aconteceu em um dia de sábado e a casa era de um importante fariseu. O sábado é o dia sagrado para os judeus. Eles não faziam nada depois das 18 horas de sexta-feira até às 18 horas do sábado. Tudo que era servido nas refeições deveria ser preparado na véspera e consumido no sábado como se encontrava.
O chefe dos fariseus, certamente, convidou Jesus (e outras pessoas) para “comer algo” (o original grego diz: “comer pão”) após a oração na sinagoga, isto ainda durante a observância do sábado. O evangelista nos diz que todos “observavam Jesus”, isto é, estavam atentos para captar algo dito ou feito por Jesus contra os costumes deles. Não se encontra no texto deste domingo, mas Lucas informa que na casa do fariseu, também foi se encontrava um doente (um hidrópico) e foi “colocado diante de Jesus”. O pobre homem provavelmente foi convidado e lhe foi assinalado um lugar bem de frente a Jesus para que Ele operasse uma cura e assim, os fariseus poderiam acusá-Lo, mais uma vez, de não observar a tradição judaica. Jesus faz uma pergunta a todos (“É lícito curar [em dia] de Sábado?”), mas ninguém responde. Em seguida, Jesus cura a pessoa doente. Este texto não está no nosso lecionário de leitura. Em seguida, temos o texto de nosso domingo.
Todos estavam observando Jesus, mas Ele também estava atento ao modo que todos se comportavam. Vendo que muitos procuravam o melhor lugar na mesa de refeição, Nosso Senhor resolve ensinar a todos como eles deveriam se comportar segundo a vontade de Deus. No centro da mesa estava o judeu chefe dos fariseus e certamente Jesus, todos queriam estar o mais próximo do centro da mesa, mas cada um se julgava mais digno que o outro para ocupar os melhores lugares, exatamente isto que chamou atenção de Cristo.
Na parábola que Jesus conta, Ele procura mostrar que no Reino de Deus, as pessoas devem se comportar de outro modo. A pessoa que se julga digna pode passar vergonha diante do dono do banquete (podemos imaginar que aqui seria Deus). Jesus aconselha esperar ser chamado e não se achar o melhor e o mais digno. Na parábola, aquele que passa vergonha é tratado como um estranho e o senhor da festa somente determina que dê o lugar para outro mais digno. Já no segundo caso, a pessoa é tratada como “amigo”. Quem é simples e humilde é conhecido por Deus como amigo.
Alguém que ocupa logo o primeiro lugar num banquete não pode mais ser convidado pelo anfitrião para subir a um lugar melhor; só pode ser rebaixado, se aparecer alguma pessoa mais importante. É melhor ocupar o último lugar, para poder receber o convite de subir mais. Alguém pode achar que isso é esperteza. Mas o que Jesus quer dizer é que, no Reino de Deus, a gente deve estar numa posição de receptividade (receber convite), não de autossuficiência (se colocar como melhor).
Na primeira leitura, o livro do Eclesiástico aconselha exatamente isto: fazer tudo com humildade e simplicidade diante de Deus para que seja reconhecido como grande e importante. No Evangelho, Jesus diz ainda que é necessário “ocupar o último lugar”. No mundo da época como nos dias atuais, os “últimos” deste mundo são aqueles que não possuem espaço na sociedade, os esquecidos do mundo atual, os pobres, os doentes e os simples.
Jesus sempre teve predileção por estas pessoas e com seu ensinamento e ações procurou mostrar que todos são importantes diante de Deus e a condição social em nada diminui o valor que cada um possui diante de Deus Pai. Assim, o melhor lugar para experimentar a presença de Deus e estar no meio dos últimos e dos mais necessitados, pois a verdadeira experiência de amor se faz através do serviço ao próximo, exatamente, como viveu Jesus.
Quem se acha grande, segundo a lógica do mundo, é um desconhecido perante Deus. Pode receber exaltação de outras pessoas, mas não de Deus. Estar entre os últimos e servindo a todos, este é caminho percorrido por Jesus e deve ser o mesmo caminho que todos devemos seguir. Podemos lembrar aqui, o final do Evangelho de domingo passado: “há últimos que serão os primeiros, e primeiros que serão os últimos”.
Mas, Jesus ainda procura deixar um último conselho a quem O tinha convidado para a refeição. Ao chefe dos fariseus, Jesus aconselha algo ainda mais radical e significativo: ao dar um banquete, ele não deveria convidar aqueles que, com certeza, em outro momento pagariam com um convite semelhante. “Amigos, irmãos, parentes e vizinhos ricos são pessoas próximas e selecionadas. Segundo Jesus, os convidados deveriam ser aqueles que o fariseu mais desprezava: os pobres, os aleijados, os mancos e os cegos. Exatamente aqueles que eram desprezados pelos zelosos observadores da lei, pois eram pessoas consideradas impuras e amaldiçoadas por Deus (por causa das doenças e de suas deficiências).
Estes doentes e pobres jamais conseguiriam retribuir de algum modo com um banquete ou algo até mais simples. Este é o sentido do convite que Jesus faz ao fariseu: dar o melhor (banquete) àqueles que jamais conseguiriam fazer o mesmo.
Jesus procura alertar aquelas pessoas ensinando que a lógica do mundo não é a mesma que Deus usa. Jesus nos ensina que a simplicidade e a humildade não é “abaixar a cabeça” diante de humilhações sem reagir, mas uma vida de serviço com os últimos em meio aos últimos. Segundo Nosso Senhor, os mais necessitados são aqueles que mais expressam a presença de Deus, por isto, fazer algo para os últimos deste mundo é fazer diretamente a Deus. Os esquecidos deste mundo são o melhor sacramento para nos aproximarmos de Deus, por isto, fazer tudo com amor e caridade conforme Jesus ensinou é ter acesso direto a Deus Pai.
O Reino de Deus não acontece nas mesas de banquetes ou na falsa generosidade que tem somente o interesse de algum modo receber algo em troca. Jesus não está entre aqueles que se sentem o centro de tudo e querem estar no centro da atenção de todos. Cristo esta na periferia da sociedade, entre aqueles que dão espaço para a caridade e a solidariedade; Jesus está com aqueles que aprenderam que o maior valor na vida é servir e servir sem interesse, movido somente pelo sentimento puro e divino do amor, conforme Jesus mesmo nos ensinou.
A refeição armada pelo chefe dos fariseus com intenção somente de colher algo contra Jesus, transformou-se em um profundo ensinamento onde fica clara a maldade humana que até usa do pobre na tentativa de atingir Nosso Senhor. Mas, a bondade prevalece e sempre vence o mal quando fazemos aquilo que Jesus realizou e viveu: uma vida de serviço entre os mais simples e pobres. Vivendo assim, nos preparamos para o grande banquete que nos aguarda junto de Deus onde todos nós estaremos sentados na mesma mesa e com alegria nos alimentando eternamente da presença de Deus, mas para isto, precisamos estar com últimos neste mundo para sermos aqueles que serão chamados a ocupar os melhores lugares no banquete divino do amor.
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Euangelion: do léxico pagão ao uso cristão
Caros leitores, desde o mês de outubro de 2023 temos escrito mensalmente artigos de caráter introdutório à Sagrada Escritura. Uma vez concluída, no mês passado, a proposta inicial de apresentar os pressupostos gerais do estudo sobre a Bíblia, dedicar-nos-emos a partir de agora à investigação teológica sobre os evangelhos. Boa jornada!
O termo euangelion se originou no contexto militarista da Grécia Antiga, para designar as notícias que o povo de uma determinada cidade recebia do mensageiro, a respeito dos bons resultados obtidos pelos guerreiros nas batalhas. Antes de mais nada é necessário trazer à consciência que a guerra é um elemento fundamental para a formação das grandes civilizações do mundo antigo, que permaneciam em constante embate mútuo para defender e conquistar territórios, dominar rotas comerciais, garantir a hegemonia política numa localidade e capturar escravos para o desenvolvimento de trabalhos domésticos. Muitos textos do Primeiro Testamento evidenciam, a partir da experiência do povo de Israel, esta centralidade do fenômeno da guerra na constituição cultural das civilizações antigas. Alguns exemplos são a guerra da reconquista de Canaã sob a liderança de Josué após o exílio no Egito (cf. Js 1,10-18; 2; 6–8); a guerra do rei Davi contra os filisteus, dos quais saiu o gigante Golias (cf. 1Sm 17; 18,6-16; 28–29; 2Sm 5, 17-25; 8); a guerra dos Macabeus, em que os israelitas lutaram contra as investidas bélicas da Síria, guiados por Judas (cf. 1Mac 3,1-9; 42-60; 7).
No caso da Grécia, as campanhas militares expansionistas intensificaram-se a partir do século V a.C., quando as cidades-estado, chamadas de pólis, caracteristicamente independentes umas das outras, passaram a disputar entre si para garantir a liderança política e a supremacia econômica na região do Mar Mediterrâneo. Tanto as guerras de cidades gregas contra um inimigo estrageiro, como as Guerras Greco-Persas (499-449 a.C.), quanto as guerras entre as próprias cidades gregas, por exemplo, a Guerra do Peloponeso (431-404) entre Atenas e Esparta, eram eventos militares que exigiam o desenvolvimento de uma arte bélica estratégica e duravam meses ou até mesmo anos. Dadas as prolongadas condições temporais da guerra, composta por inúmeras e extensas batalhas, os gregos criaram a função militar do mensageiro, cuja tarefa era deslocar-se periodicamente de onde ocorriam os conflitos para comunicar a população de sua cidade a respeito dos resultados favoráveis obtidos pelos combatentes.
Essa figura que levava as boas notícias da guerra para os seus concidadãos tornou-se tão importante na Antiguidade, que os gregos consagraram a missão de comunicar a vitória bélica a um povo como própria de um herói. Segundo a mitologia, ao final da Batalha de Maratona, ocorrida em setembro de 490 a.C., durante a qual os gregos venceram os persas, o general Milcíades teria enviado o mensageiro Fidípides até a cidade de Atenas para anunciar a boa nova do triunfo grego e do fim da ameaça estrangeira: depois de correr cerca de 42 quilômetros e de comunicar aos atenienses o seu euangelion, o jovem soldado caiu morto; a lendária jornada do mensageiro Fidípides deu origem à prova atlética chamada de maratona, que apareceu nas olimpíadas modernas em 1896. Neste ambiente cultural grego, o substantivo εὐαγγέλιον com suas variações verbais, como a própria formação da palavra evangelho evidencia – eu (bom) e angelos (mensageiro), designa uma boa notícia, uma boa nova.
Além de ser o conteúdo alvissareiro de uma comunicação, o termo também era usado para nomear a gorjeta que era dada ao embaixador que portava a boa notícia, como se pode notar pela utilização da palavra euangelion na tradução grega da Bíblia hebraica para se referir à recompensa; ao receber a notícia da morte de Saul, por exemplo, Davi exclamou: “pois aquele que me disse que Saul estava morto era como se tivesse me trazido boas novas. Então, eu o agarrei e fui matá-lo em Ziclague, onde ele me permitiu dar a sua recompensa” / “ὅτι ὁ ἀπαγγείλας μοι ὅτι τέθνηκεν Σαουλ καὶ αὐτὸς ἦν ὡς εὐαγγελιζόμενος ἐνώπιόν μου καὶ κατέσχον αὐτὸν καὶ ἀπέκτεινα ἐν Σεκελακ ᾧ ἔδει με δοῦναι εὐαγγέλια” (2Sm 4,10). Dessa conjuntura militar fortemente marcada pela violência, os romanos absorveram o significado do termo euangelion, passando a utilizá-lo não somente com referência às notícias bem-sucedidas sobre as guerras, mas também em relação a proclamações políticas solenes como o nascimento ou a chegada do augusto imperador numa cidade.
Os esclarecimentos sobre a conotação político-militar da palavra euangelion, já em seu estágio romanizado, podem ser encontrados na obra Guerras Judaicas, escrita pelo historiador judeu Flávio Josefo (37-100), entre 75 e 79 d.C.. O livro em questão conta as revoltas que se desenrolaram da parte dos judeus contra os abusos econômico-religiosos do império de Roma, entre os anos 66 e 70, e que culminaram com a invasão de Jerusalém, a destruição do Templo que fora concluído sob o governo de Zorobabel, em 516 a.C., e ampliado por Herodes, a partir de 20 a.C., e a dispersão do povo judeu por diferentes partes do mundo (a Diáspora Judaica). As narrativas de Josefo testemunham que, mesmo depois de Jesus Cristo, o termo euangelion continuou a ser utilizado no ambiente pagão da guerra e do poder político para denominar a “boa nova” da destruição, da morte, da subjugação alheia, do vilipêndio e da luta pela supremacia étnica. A palavra grega euangelion foi usada pelo historiador:
- para falar sobre o início da guerra que foi comunicada ao procurador romano da Judeia, Géssio Floro (“Para Floro, a boa notícia era tremenda, e determinado a acender a guerra, não respondeu aos embaixadores” / “Φλώρῳ µὲν οὖν δεινὸν εὐαγγέλιον ἦν, καὶ προῃρηµένος ἐξάπτειν τὸν πόλεµον οὐδὲν ἀπεκρίνατο τοῖς πρεσβευταῖς” - Guerras Judaicas II, 420);
- para contar que Vespasiano (9-79 d.C.) tinha se tornado reinante no leste do império romano (“Uma vez que Vespasiano chegou à Alexandria, as boas notícias chegaram de Roma e também regozijantes às embaixadas de toda a sua terra habitável” / “Εἰς δὲτὴν Ἀλεξάνδρειαν ἀφιγµένῳ τῷ Οὐεσπασιανῷ τὰ ἀπὸ τῆς Ῥώµης εὐαγγέλια ἧκε καὶ πρέσβεις ἐκ πάσης τῆς ἰδίας οἰκουµένης συνηδόµενοι” - Guerras Judaicas IV, 656);
- e para proclamar os feitos bélicos de Tito (39-81 d.C.), filho de Vespasiano (“Então Tito enviou algum dos seus cavaleiros a seu pai, e anunciou o feito” / “Τίτος δ᾽ ἐκπέµψας τινὰ τῶν ἱππέων εὐαγγελίζεται τῷ πατρὶ τὸ ἔργον” - Guerras Judaicas III, 503).
Como se pode notar, as comunidades que transmitiram a mensagem de Jesus e a compilaram nos textos do Segundo Testamento, durante o século I, absorveram o termo euangelion do léxico pagão grego-romano, subvertendo sua acepção originária político-militar. A cristianização semântica do euangelion da guerra e do poder imperial é, simultaneamente, uma novidade e uma crítica, pois a morte, a violência e a dominação não podem consolidar-se como “boas notícias” a serem transmitidas com alegria e entusiasmo. Contrariando a lógica do euangelion do egoísmo, que anuncia a salvação de um povo em detrimento de outro e a perversidade da força que é exercida a qualquer custo para a prosperidade do monarca através do massacre dos pobres, o evangelho cristão comunica a universalidade da salvação em Jesus Cristo (cf. Mc 16,15), que se destina preferencialmente aos marginalizados (cf. Lc 4,18).
Imagem: JillWellington por Pixabay
#Reflexão: 21° domingo do Tempo Comum (24 de agosto)
A Igreja celebra o 21° domingo do Tempo Comum, neste domingo (24). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 66,18-21
Salmo: 116(117),1.2 (R. Mc 16,15)
2ª Leitura: Hb 12,5-7.11-13
Evangelho: Lc 13,22-30
PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO
Domingo passado refletimos o mistério final da vida de Maria, Mãe de Jesus que acreditamos que será, de algum modo, também o mesmo final para todos nós. As leituras da liturgia deste domingo, retomando a meditação do Evangelho de Lucas, trazem duas imagens da misericórdia e da justiça de Deus.
O profeta Isaías (1ª leitura) nos mostra um Deus que é como um Pai bondoso que deseja reunir seus filhos e filhas para experimentar sua glória e amor. A partir desta convivência, esses filhos e filhas são convidados a anunciar a todas as nações a grandeza e os prodígios de nosso Deus. Para o profeta, a cidade de Jerusalém e o Templo reconstruídos deveriam se tornar o centro de todas as graças e glórias de Deus neste mundo.
Já o autor da carta aos Hebreus (2ª leitura) nos mostra uma imagem que poucos aceitam de Deus. Ele é um Pai bondoso, paciencioso e que “nunca se cansa de nos perdoar” (como nos dizia o saudoso Papa Francesco), mas também é um Pai que quer o melhor para seus filhos e filhas e por isso corrige a todos quando erram. Muitos acreditam e querem um Deus que é um Pai bondoso que aceita tudo de seus filhos e filhas, que jamais reclama e que ainda se sujeita a todos os caprichos dos filhos. Sem perceber que devem ter limites em suas vidas, tais filhos passarão por inúmeras contradições e frustrações. Quem ama, também diz “não!”, “não pode!” etc.
Este particular da educação dos filhos, o autor da carta aos Hebreus aplica também a Deus que é sempre Pai bondoso como Jesus nos ensina, mas também corrige. Ninguém quando recebe uma correção, aprecia isto no momento, mas depois de um tempo, quase sempre, até agradece pela correção recebida. No entanto, Jesus nos mostra a imagem de Deus Pai como alguém que quer sempre o bem de seus filhos e que respeita suas decisões. A correção, quase sempre, vem pelas próprias escolhas feitas quando são erradas: a vida mesma já corrige o que não é bom e nem certo (como na parábola do Pai Misericordioso e seus dois filhos).
Jesus nos ensina que nosso Pai não aprecia ver seus filhos e filhas passarem por sofrimento e dor, mas, muitas vezes, para se descobrir a beleza e a grandeza do amor de Deus, Ele permite e respeita as nossas escolhas. Nosso Deus jamais castiga um filho por vingança e somente para vê-lo sofrer, mas isso acontece quase sempre por causa de nossas escolhas. E exatamente porque nos ama, Ele nos respeita, mesmo quando fazemos escolhas incorretas.
Jesus no Evangelho fala de dois banquetes em duas festas diferentes, mas somente uma delas é aquela que devemos buscar participar em nossa vida. Nosso Senhor encontrava percorrendo a estrada que terminava em Jerusalém, cidade onde Jesus terminou sua vida no sofrimento da cruz para depois ressurgir vitorioso. Segundo Lucas, enquanto Jesus caminhava uma pessoa lançou uma pergunta que em seu conteúdo já possui parte da resposta: “São poucos que se salvam?” Tal pessoa já tinha percebido que a estrada para a salvação não é algo fácil e nem tranquilo. Na pergunta, a pessoa já antecipa que são “poucos”; Jesus na resposta afirma que são “muitos” que se esforçam.
Jesus não procura aliviar a resposta: “Procurai entrar pela porta estreita, porque muitos vão tentar e não conseguirão entrar”. O caminho que somos convidados a percorrer termina em uma porta, mas ela é apertada e difícil de atravessar. Essa porta é o próprio Senhor Jesus e o seu ensinamento. Existem muitas outras portas que levam a muitos e diversos lugares, mas somente uma e de difícil acesso leva a salvação: Jesus Cristo. Ele mesmo assim, nos diz que é a porta (Jo 10,9) por onde todos devem passar, bem como Ele é o próprio caminho (Jo 14,6).
O texto apresenta, aparentemente, duas portas em circunstâncias diferentes, mas na realidade se trata sempre da mesma porta. Na primeira cena, a porta é apresentada como estreita e poucos conseguem entrar, apesar de tentarem. Neste grupo que não consegue entrar, algo os impede que eles passem pela porta. A qualificação de “estreita” para a porta revela algo exigente e purificador, mas não impossível ou inatingível. Tal porta permanece sempre aberta, mas poucos conseguirão atravessá-la, pois é necessário se abaixar, ter um coração humilde e encontrar-se livre das coisas do mundo. É difícil não porque Deus assim deseja, mas porque muitos não se encontram dignos de atravessá-la. “Porta estreita” revela a necessidade de cada um se adaptar as exigências do Reino para atravessá-la. As condições são colocadas por Deus e são exigentes, e não o contrário: cada um estabelece suas condições de salvação. Sendo “estreita” exige que a pessoa deixe pra traz tudo que traz consigo senão não consegue atravessá-la, as coisas e riquezas deste mundo tornam-se um obstáculo e peso que impedem passar pela porta, quem não consegue abandoná-los, não conseguirá entrar no Reino.
Na segunda cena a porta é fechada. Mas, quem são aqueles que permanecerão fora quando ela for fechada? Segundo Jesus, não serão aqueles que identificamos como inimigos e perseguidores da fé cristã (esses nem chegarão perto da porta), mas na parábola contada por Jesus são pessoas que se sentiam íntimas de Deus e reconheciam sua divindade. Eles dirão: “Senhor, abre-nos a porta”. Não basta reconhecer Deus com Senhor, para ser realmente conhecido por Deus, é preciso fazer o que Jesus fez e viver como Ele viveu tomando a cruz a cada dia. O interessante é que Jesus no fala que eles apresentarão alguns indícios de intimidade e familiaridade que tiveram com Deus: “Comemos juntos... escutamos suas pregações...”. Não basta receber somente de Deus as coisas boas da vida (comer e beber) e nem somente escutar sua palavra (escutar pregações) é fundamental viver e praticar tudo isso.
Na resposta de Jesus, Ele afirma duas vezes: “Não vos conheço...” e “não sei de onde vocês vieram”. Dependendo da vida que a pessoa leva, mesmo reconhecendo quem é Deus e fazendo algo ligado a fé, isso somente, não será suficiente para ter garantido o acesso pela porta. É preciso se tornar conhecido por nosso Deus, vivendo e praticar o que Jesus ensinou. Somente o caminho percorrido por Jesus, é que conduz ao Pai. Por isso, enquanto se caminha a mesma estrada de Jesus é que nos tornamos conhecido de Deus. Segundo Jesus, muitos porque fizeram outra estrada acabam que se tornando desconhecidos de Deus, não porque Deus Pai assim deseja, mas porque esses assim escolheram: fazer o caminho a seu modo quase sempre sem Deus.
Nesta segunda cena, mostra que ela estava sempre aberta, mas chegará um momento que será fechada. Jesus revela que esta porta, apesar de ser difícil (estreita) conduz a um grande banquete onde inúmeras pessoas de todos os cantos da terra poderão participar. Dramática essa cena: muitos distantes e até desconhecidos entrarão, e muitos que se apresentaram como de perto e íntimos, ficarão de fora. O acesso é exigente, mas o final de tudo termina em uma grande festa.
A festa um dia prosseguirá com todos aqueles que atravessaram a porta, mas o acesso não será mais possível para todos. Na imagem de Jesus, será em um horário muito tarde (o Senhor da parábola se levantará para fechar a porta), pois o acesso à salvação neste mundo também, um dia, chegará ao seu limite.
Aqueles que são excluídos lembram que Jesus esteve em suas casas (comemos e bebemos juntos em nossa casa), mas era necessário que cada um saísse e viesse à “casa do Senhor”. O ensinamento de Jesus precisa ser acolhido como uma prática e mudança de vida. Não basta ouvir, conhecer e até estar próximo do Senhor, é necessário fazer mais do que isto: passar pela porta estreita e entrar em sua casa, isto é, assumir seu projeto de vida.
A porta que é Jesus nos conduz a uma festa e um banquete onde há espaço para muitas pessoas, mas somente aquelas que percorreram o mesmo caminho de Nosso Senhor, que buscaram também compartilhar a vida como Jesus ensinou, somente esses poderão passar pela porta e fazer parte do verdadeiro banquete e da festa que nunca se acaba, pois aqueles que vivem como Jesus na contramão da lógica do mundo e por isso são os últimos aqui, esses serão os primeiros e os únicos na grande festa do céu.
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Festival Inflama acontece neste final de semana em Pouso Alegre
A juventude católica da Arquidiocese de Pouso Alegre tem encontro marcado neste sábado, 23 de agosto, no Festival Inflama 2025, evento que se consolida como o maior festival católico do Sul de Minas. A programação começa às 13h, no Colégio São José, e promete reunir fiéis de toda a região.
O festival é promovido pelo Grupo de Jovens Oásis, da Paróquia São José Operário, e traz neste ano o tema “Inflamados à decisão”, inspirado no chamado a viver a fé de forma autêntica e comprometida.
No palco, artistas e ministérios conhecidos no meio católico vão animar o público: Clayra Coutinho, Gil Motta, Flavio Vitor, Gustavo Andrade, Gabriel Araújo e a Fraternidade São João Paulo II. O dia será marcado por músicas, louvor, espiritualidade e convivência fraterna.
Para os organizadores, o Festival Inflama é mais do que um show: é uma oportunidade de evangelização que busca reacender nos jovens a chama da fé e do amor a Cristo. Para adquirir seu ingresso, clique aqui.

Texto: Giuliano Beraldo
Imagens: Grupo de Jovens Oásis
Simpósio de Catequese debate cultura digital e inteligência artificial no Regional Leste 2
O Simpósio de Catequese sobre “Catequese na Cultura Digital e a Inteligência Artificial” foi realizado de 14 a 17 de agosto de 2025, na Casa de Retiros São José, em Belo Horizonte. Participaram coordenadores diocesanos de catequese de 22 dioceses do Regional Leste 2 (Minas Gerais). Nossa Arquidiocese foi representada por Welington, da Catequese do Setor Pastoral Mandu.
O Prof. Dr. Moisés Sbardelotto (PUC-MG) refletiu com o grupo sobre a catequese na cultura digital, destacando o impacto dessa realidade para a evangelização e a iniciação à vida cristã. A Profa. Dra. Aline Amaro da Silva (PUC-MG) abordou “A transmissão da fé para as gerações digitais”, apresentando as características dessas gerações, sobretudo a Geração Z e a Alfa, que atualmente frequenta a catequese, além de indicar algumas características da Geração Beta, que inicia em 2025.
O Prof. Me. Marcus Tullius, assessor de comunicação da Cáritas da América Latina e Caribe, falou sobre a inteligência artificial, destacando a visão e as propostas da Igreja sobre o tema. Já Janaína Santos, assessora de Comunicação do CEBITEPAL do CELAM, tratou de “Linguagens digitais, redes sociais, plataformas e catequese”, apresentando diversas indicações de caminhos para a catequese no mundo digital.
Os participantes sugeriram que a Comissão Bíblico-Catequética do Regional Leste 2 organize um grupo permanente de estudo sobre o tema e amplie esta formação para outros coordenadores de catequese das dioceses, possibilitando que mais catequistas sejam atualizados sobre essa importante temática.
Representantes da Província de Pouso Alegre - Arquidiocese de Pouso Alegre, e Diocese de Guaxupé e Diocese da Campanha.
Foto: Padre Dione - Diocese de Guaxupé
Texto: Lucimara Trevizan (Coordenadora da Comissão Regional de Catequese) - https://cnbbleste2.org/2025/08/simposio-de-catequese-debate-cultura-digital-e-inteligencia-artificial-no-regional-leste-2/
Terceira reunião do Conselho Arquidiocesano de Pastoral (CAP) foi realizada no último sábado, em Pouso Alegre.
Na manhã do último sábado (16), o Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, localizado em Pouso Alegre, recebeu a terceira reunião do Conselho Arquidiocesano de Pastoral (CAP).
O evento contou com a presença das lideranças de nossas pastorais e setores, além dos padres coordenadores e do Arcebispo.
Durante sua fala, Dom Majella enfatizou a relevância da família em nossas comunidades e destacou a contribuição da vida consagrada e religiosa na trajetória pastoral da Arquidiocese, um apoio sempre essencial. Ele encerrou sua participação convidando todos a refletirem sobre a Devoção Popular, tão enraizada em nossas paróquias.
Alex Carlos, representante do COMIDI, foi o responsável pela assessoria do encontro e trouxe uma reflexão sobre os dados do Censo 2022 e sua relação com a religiosidade, iluminando as ações evangelizadoras e pastorais.
Ao final da reunião, o Padre Tiago, coordenador de Pastoral, fez alguns comunicados e conduziu a oração final.
Paróquia São José, em Toledo, celebra acolhida de 91 novos coroinhas e acólitos
No último domingo, durante a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, a Paróquia São José, em Toledo (MG), viveu um marco histórico em sua caminhada de fé. Ao todo, 91 novos coroinhas e acólitos foram acolhidos para o serviço ao altar: 69 na Matriz e 22 na Comunidade Nossa Senhora das Graças, no bairro Pereiras.
Com as novas admissões, a Paróquia passa a contar com 246 coroinhas e acólitos ativos, número que reflete a vitalidade da comunidade e o entusiasmo das famílias em incentivar seus filhos no serviço litúrgico.
Segundo o pároco: Pe. Flávio Sobreiro, tanto a Pastoral Catequética quanto a Pastoral dos Coroinhas e Acólitos são consideradas verdadeiros canteiros de vocações, onde jovens descobrem e cultivam sua fé, aprendendo desde cedo o valor da entrega e da missão na Igreja.
Fonte: Pe. Flávio Sobreiro
#Reflexão: Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria (17 de agosto)
A Igreja celebra neste domingo a Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria (17). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Ap 11,19a;12,1-6a.10ab
Salmo: 44(45),10bc.11.12ab.16 (R. 10b)
2ª Leitura: 1Cor 15,20-27a
Evangelho: Lc 1,39-56 (Cântico de Maria)
FESTA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA (2025)
Celebramos neste final de semana a Solenidade da Assunção de Maria ao céu. Um dogma de fé que não se limita somente a uma experiência pessoal da Mãe de Jesus, mas é uma expressão importante da nossa fé cristã. Celebramos Maria elevada (assunta) ao céu, pois acreditamos que também nós um dia lá estaremos.
“Virgem, anel de ouro do tempo e da eternidade, tu levas a nossa carne ao paraíso e Deus na nossa carne” (D. M. Turoldo). Anel de ouro, onde o tempo e a eternidade se entrelaçam, onde as fronteiras se cruzam: a carne da mulher no paraíso, a carne de Deus na terra. A Assunção de Maria canta hoje o cântico do valor do corpo. Deus não desperdiça as suas maravilhas, e o corpo humano, tecido de maravilhas, transfigurado, terá o mesmo destino da alma, e Deus ocupará o coração e o corpo “será tudo em todos” (Cl 3,11). Este corpo, tão frágil, tão sublime, tão querido, tão doloroso, sacramento de amor e, por vezes, de violência, no qual sentimos a densidade da alegria, no qual sofremos a profundidade da dor, tornar-se-á, no último dia, uma porta aberta, um limiar escancarado à comunhão, a transparência cristalina, o sacramento do encontro perfeito. Maria é a irmã que partiu; o seu destino é o nosso.
“Vi uma mulher vestida de sol, que estava grávida e gritava com dores de parto” (Ap 12,2). Uma bela imagem da Igreja, da humanidade, de Maria, de cada um, um pequeno coração ainda envolto em sombras. Revela a nossa vocação comum: estar na vida, doadores de vida. Ser criaturas do sol, geradoras de vida, e em combate. Contra o mal, o grande dragão vermelho que devora a luz, que se alimenta dos frutos da vida. Ter um coração de luz, enviar ao redor de si apenas sinais de vida e nunca desistir. Porque o futuro do mundo não está grávido de morte, mas de vida. O Evangelho nos diz que “Maria partiu às pressas para a região montanhosa”. Ela é a mulher cuja viagem se faz às pressas, porque o amor é sempre apressado, não tolera demoras; ir, levada pelo futuro que se encarna e se aquece dentro dela. Uma mulher a caminho, sempre figura de exploração interior, uma viagem rumo a um mundo novo, seguindo o caminho de Deus e as esperanças do coração. Uma mulher a caminho rumo aos outros: Maria nunca está sozinha no Evangelho; ela nunca reservou um espaço, por menor que fosse, para si mesma. Ela estende continuamente a mão aos outros, uma criatura de comunhão, um centro de encontros. Uma mulher a caminho de casa em casa, deixando sua casa em Nazaré para Isabel, para os recém-casados em Caná, para Cafarnaum, para o cenáculo em Jerusalém, como se sua casa tivesse se expandido e se aberto, e o círculo de seu coração tivesse se multiplicado. Uma mulher a caminho com alegria, alegria e medo ao mesmo tempo, uma alegria que, ao encontrar Isabel, se torna um abraço e depois um canto. Porque a alegria, como a paz, como o amor, só se experimenta quando compartilhados.
Os dogmas relativos a Maria, muito mais do que um privilégio exclusivo, são indicações existenciais válidas para todo homem e toda mulher. A leitura do Apocalipse indica isso claramente: Vi uma mulher vestida de sol, que estava para dar à luz, e um dragão. O sinal da mulher no céu evoca Santa Maria, mas também toda a humanidade, a Igreja de Deus, cada um de nós, inclusive eu, um pequeno coração ainda vestido de sombras, mas faminto de sol.
A Festa da Assunção nos convida a ter fé no bom e positivo desfecho da história: a terra está grávida de vida e não se deixará levar pela violência; o futuro está ameaçado, mas a beleza e a vitalidade da Mulher são mais fortes que a violência de qualquer dragão.
O Evangelho apresenta a única página em que duas mulheres são protagonistas, sem outra presença senão a do mistério de Deus pulsando em seus ventres.
Em qualquer outra situação onde duas pessoas se encontram, é a pessoa mais velha que recebe as todas as atenções, mas aquele momento foi diferente, pois Maria não era uma pessoa qualquer. No evangelho, Lucas preservou os detalhes daquele encontro entre Isabel e Maria. A mais jovem cumprimenta sua parenta mais velha quando entra em sua casa, mas tão logo Isabel ouviu a voz de Maria, ela ficou cheia do Espírito Santo. Maria cheia de graça, distribui graça a todos; traz não somente em seu coração e no seu ventre o Messias, mas também em sua voz e em todo o seu ser. Tudo em Maria transmite a graça que seu Filho veio trazer para a humanidade. O evangelista ainda afirma que o menino João Batista que estava no ventre de Isabel deu sinais (“estremeceu”) para também indicar que não se tratava de simples pessoas, de fato, Maria já trazia em seu ventre o Salvador. Um bonito sinal para todos nós cristãos: uma criança de seis meses (João Batista) mesmo ainda no ventre de sua mãe, participa da salvação pois é uma pessoa já conhecida por Deus e com uma missão especial na salvação. Toda vida é especial desde os primeiros momentos em que é formada no ventre de uma mãe ela já participa do projeto do Criador, pois já é um filho ou filha de Deus.
No Evangelho, as mães profetizam primeiro. “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre”. A primeira palavra de Isabel, que cumpre e estende o juramento irrevogável de Deus: Deus as abençoou (Gn 1,28) que estende de Maria a cada mulher, a cada criatura. A primeira palavra, o primeiro germe do pensamento, o início de todo diálogo fecundo é quando se sabe dizer ao outro: bendita sejas tu. Ser capaz de pensá-lo e depois proclamar aos que estão próximos, aos que compartilham nosso caminho e nossa casa, aos que carregam um mistério, aos que trazem um abraço: “Bendita és tu”, Deus me abençoa com a tua presença, que eu te abençoe com a minha presença.
“A minha alma engrandece o Senhor”. Mas como pode a pequena criatura engrandecer o seu Criador? Tu tornas Deus grande na medida em que Lhe dedicas tempo e coração. Tu tornas Deus pequeno na medida em que Ele diminui em tua vida. Santa Maria nos ajude a caminhar, ocupados com o futuro do céu que está em nós como um broto de luz. A habitar a terra como Ela, abençoando as criaturas e engrandecendo Deus.
A Assunção é a celebração da nossa migração compartilhada em direção à vida. Somos uma humanidade que sofre, mas em movimento; uma humanidade ferida, caída, mas em movimento; uma humanidade que conhece bem a traição, mas que não desiste, que ama o céu e a terra com a mesma intensidade. (Tradução de meditações de Ermes Ronchi).
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#Reflexão: 19° domingo do Tempo Comum (10 de agosto)
A Igreja celebra o 19° domingo do Tempo Comum, neste domingo (10). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Sb 18,6-9
Salmo: 32(33),1.12.18-19.20.22 (R. 12b)
2ª Leitura: Hb 11,1-2.8-19 ou mais breve 11,1-2.8-12
Evangelho: Lc 12,32-48 ou mais breve 12,35-40
O MAIOR TESOURO É SERVIR AO SENHOR.
As duas leituras deste domingo recordam o exemplo de nossos pais na fé. Homens e mulheres que movidos pela fé deixaram tudo para cumprir a vontade de Deus. Pessoas que confiaram e arriscaram muito para descobrir que ao final de tudo, Deus sempre quis o bem de todos. Eles aprenderam que acreditar em Deus é se colocar a caminho, construir junto com Deus um projeto de comunhão e de felicidades que tem suas raízes na história, mas os verdadeiros frutos não são colhidos neste mundo.
Estes grandes personagens nos mostram que a fé não cega as pessoas (diferente do fanatismo), mas abre os olhos para valores importantes que vão além da realidade e do presente. Aprenderam a crer em um Deus que sempre está pronto a caminhar e a ajudar a cada um em sua estadia neste mundo. Um Deus que constrói história conosco. Por isto, nossos antepassados da fé aprenderam que nossa presença neste mundo é algo passageiro: somos peregrinos e temos uma pátria e um Deus que nos espera!
Jesus nos ajuda no Evangelho a entender como devemos caminhar neste mundo e onde devemos colocar nossa esperança e fé.
As primeiras palavras de Jesus completam a parábola de domingo passado do rico agricultor obcecado pela sua riqueza. Naquela história, um homem que já era rico, obteve uma grande colheita e seu pensamento foi somente conservar e acumular ainda mais bens. Um pobre rico homem em uma realidade onde somente ele, seus bens e projetos pessoais tinham espaço. Ninguém mais fazia parte de seu mundo. Por isto Jesus no Evangelho deste domingo, aconselha seus discípulos chamados de “pequeno rebanho” [Jesus tinha consciência que sua proposta era pra poucos] de vender tudo e dar em esmola, ter bolsas que acumulem riquezas junto de Deus, diferente da ganância que é um “saco sem fundos”. O melhor celeiro onde devemos carregar nossos tesouros é o nosso coração: onde ele estiver, estará a nossa riqueza. Mas, como podemos ter este tesouro que nunca será roubado ou corroído? Com mais uma parábola, Jesus explica o caminho.
Jesus narra um ambiente conhecido de um senhor com seus servos, mas não é uma casa igual àquelas que todos os seus ouvintes conheciam. Os servos são retratados como todos conheciam: obedientes, serviçais, aplicados e atentos ao serviço que deveriam fazer. O patrão confia tanto que se sente tranquilo em sair e voltar a qualquer hora, pois sabe que seus servos são vigilantes. Tais servos são descritos como felizes por Jesus não porque estão em uma condição de servidão ou submissão, mas porque compreenderam o sentido do serviço. A casa representa a comunidade cristã onde todos devem se sentir iguais no serviço e que ninguém se sente como patrão, mas discípulos serviçais.
A novidade nesta primeira parábola de hoje é atitude do senhor e proprietário da casa. Mesmo voltando à noite (cansado e com fome), Ele mesmo servirá seus servos. Nesta casa diferente, todos são servos, todos se preocupam com o bem comum, todos são obedientes. Estão sempre prontos pra servir: com os “rins cingidos” (roupa amarrada na cintura como um trabalhador ou missionário) e “lâmpadas acesas” (não dormem jamais!). Interessante que o dono da casa, ao chegar de viagem, bate na porta mesmo sendo o senhor da casa. Deus não rompe nosso coração e nem quebra nada em nós; não quer se impor, mas ser acolhido; não intimida, mas espera ser atendido. O senhor da casa é o primeiro a servir seus servos, por isto, todos os servos são aplicados e felizes. É fácil perceber que tal senhor é o próprio Jesus que de diversos modos procurou servir a todos, até o final de sua vida. O Lava pés não foi um ato isolado, mas o mais significativo de uma vida servindo e lavando os pés de todos. Para Jesus, a vida de serviço é a fonte de felicidade e o melhor modo de estar preparado para quando Ele vier.
Nesta história, estranhamento, o senhor da casa “bate à porta”, pois está de volta. Se ele é o dono da casa, não precisaria “bater à porta”. Aqueles que batem a nossa porta são os pobres e necessitados, nosso Senhor vem constantemente até nós e onde nós nos encontramos, naqueles que necessitam de nossa caridade, de dia e de noite.
Para aqueles que estão apegados aos seus bens, quem se aproxima se apresenta como ladrão e “rouba” suas coisas, diferentemente dos servos que estão sempre a serviço, não são donos, mas compartilham o que possuem. Mas, nosso Senhor afirma que virá uma próxima vez, de forma definitiva ao nosso encontro. Para muitos, Jesus chegará como ladrão; para os discípulos, Cristo se manifestará como servo e nos servirá. Assim, precisamos esperar o Senhor não “olhando para o céu”, mas atentos ao que acontece ao nosso redor, em relação aos nossos irmãos e irmãs. É necessário sempre acolher e servir aquele que bate a nossa porta, pois em cada pessoa, Jesus está presente.
As palavras de Jesus sobre a riqueza e a parábola anterior foram tão expressivas que Pedro achou que não seriam somente para eles, os discípulos. Jesus não responde a pergunta de Pedro, mas lhe propõe outra parábola para que ele refletisse ainda mais.
O ambiente é o mesmo: patrão e servos, mas desta vez, aparece um administrador. Alguém que tinha uma responsabilidade de coordenar o serviço de todos. Sua função não era algo para ser tomado como uma forma de exploração e opressão, mas com um peso de coordenar o bem comum de todos. Um servo com maior responsabilidade. Quem ocupava aquele cargo de administrador – segundo Jesus – deveria sempre se recordar do seu senhor e se inspirar nele. O administrador foi colocado em um cargo de responsabilidade e deveria tudo realizar sempre com este princípio fundamental: tudo que tenho e possuo, me foi dado em confiança!
Quem possui um peso de responsabilidade sobre outros deveria sempre se lembrar que tudo é um dom e tudo deve ser exercido como um serviço. Quanto mais poder alguém recebe, mais e melhor deve servir. Para Jesus, quem administra não deixa de ser servo e sempre deve se lembrar que Cristo é o melhor exemplo que temos de quem foi administrador e servo em plenitude.
Mas, a segunda parábola possui também um exemplo daquilo que é muito comum acontecer quando alguém recebe o cargo de administrador. Muitos se comportam não como servo, mas como um mercenário. O patrão, segundo Jesus, reconhece o bom serviço dos servos e, inclusive, se coloca a serviço deles; o mercenário está interessado em somente obter lucros e vantagens. Sua posição de superioridade em relação aos outros, ele encara como uma vantagem para explorar e maltratar seus companheiros de serviço. Pobre administrador! O pouco que ele consegue obter de alegria (comendo e bebendo), logo se transforma em tristeza aos olhos do seu patrão. O péssimo administrador não percebe que se comportando de um modo que nem seu patrão se comporta, ele nada ganha, mas perde tudo.
Assim, Pedro e os discípulos deveriam entender que a posição que ocupavam dentro do projeto de Jesus (Igreja), eles não deveriam ter como um privilégio para ganhar vantagens diante do povo, mas como serviço especial que deveriam colocar em prática com mais cuidado e obediência. No Reino de Deus que nos foi dado através de Jesus, o tesouro maior que se pode conseguir não se consegue senão em uma vida de serviço e doação. O despojamento dos bens deste mundo não é uma perda, mas uma forma de acumular tesouros junto de Deus, mas o meio fundamental é uma vida de serviço, em outras palavras, viver como Jesus viveu.
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Celebrações marcam 125 anos da Arquidiocese de Pouso Alegre
A Arquidiocese de Pouso Alegre viveu dois dias intensos de fé, memória e comunhão. No domingo (03/08) e na segunda-feira (04/08), fiéis, clero e autoridades religiosas celebraram o Jubileu dos 125 anos de criação da Arquidiocese.
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03 de agosto
![Pode ser uma imagem de texto que diz ".9T] ARQUIDIOCESE DE POUSO POUSOALEGRE-MG ALEGRE MG Documento Conclusivo do Primeiro Sinodo Arquidiocesano de PousoAlegre Pouso legre 2022/ 2022/2024 2024"](https://scontent.fppy1-1.fna.fbcdn.net/v/t39.30808-6/528597493_1167946385374173_4823255623462812105_n.jpg?_nc_cat=108&ccb=1-7&_nc_sid=833d8c&_nc_ohc=iMv4p3ggTeIQ7kNvwFD4EbG&_nc_oc=AdkHKS6mNxfhTAXM6tLlPHJl-xYVPGE-oVoOrfFdPH6ejFww3zGeCNhLSuC3ByGf4kA&_nc_zt=23&_nc_ht=scontent.fppy1-1.fna&_nc_gid=kc0vYia_rPYudb_BvQjTpw&oh=00_AfUDh-F7RbAM-ed1gNwlps-PYspUcaCqey8yHt08VYqDuA&oe=689AD629)
As comemorações tiveram início no domingo, 3 de agosto, com uma tarde de louvor às 14h, reunindo fiéis, movimentos, pastorais, conselhos e ministros das diversas paróquias da Arquidiocese. Às 16h, foi realizada a Celebração Eucarística presidida por Dom José Luiz Majella Delgado, arcebispo metropolitano, na Catedral Metropolitana, com a presença de grande número de fiéis.
Durante a celebração, Dom Majella fez a entrega simbólica do documento conclusivo do Primeiro Sínodo Arquidiocesano, encerrado recentemente. O momento reafirmou o compromisso com a escuta, a participação e a comunhão que têm guiado a vida da Igreja local. O arcebispo recordou que, em novembro, será aberto o Ano Eucarístico Arquidiocesano, tempo de aprofundamento da fé e da vivência em torno da Eucaristia.
[O Ano Jubilar] não é apenas um evento no calendário, mas um profunto chamado espiritual a renovar nossa confiança em Deus, a repensar a nossa fé e a redescobrir o Evangelho como Boa Nova, não como uma lei rígida. Aqui estamos para redobrar o ardor missionário para anunciar o Evengelho da vida. A Igreja tem que ser presença viva do Evangelho, assim como Jesus Cristo foi presença viva do Pai e do seu reino, reforça Dom Majella na homilia
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04 de agosto

Na segunda-feira, 4 de agosto, foi celebrado o 8º dia da novena em honra ao Senhor Bom Jesus, padroeiro da cidade de Pouso Alegre, com grande participação dos fiéis. A Celebração Eucarística foi novamente presidida por Dom Majella e concelebrada por diversos padres do clero arquidiocesano, com a presença dos diáconos, especialmente os permanentes ordenados em 02 de agosto, em comunhão com as comunidades da região. O momento foi marcado pela celebração do Dia do Aniversário de Criação da Diocese, criada oficialmente em 04 de agosto de 1900, e foi vivido com espírito de gratidão e renovação missionária.
Essas celebrações reforçam a história de uma Igreja viva, missionária e aberta à ação do Espírito Santo. Unidos em oração e ação de graças, o povo de Deus segue firme na missão de evangelizar, cultivar a fé e construir a comunhão, sob a proteção do Senhor Bom Jesus e o olhar materno da Igreja.
A Igreja é viva, ela é viva porque Cristo é vivo, porque verdadeiramente Cristo ressuscitou. [...] Reconhecemos que somos uma igreja viva, que busca um estilo que procura comunhão em todos os niveis. Ser comunhão é pressuposto para fomentar a comunhão. O jubileu significa fazer festa, alegria. Não apenas uma alegria interior, mas uma alegria que se manifesta também exteriormente. No jubileu fazemos memória da presença de Deus em nossa Diocese e festejamos a comunhão com todos que celebram e vivem a fé no Cristo Ressuscitado, destaca o arcebispo, em sua homilia.
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Texto: Giuliano Beraldo
Imagens: Pastoral de Comunicação da Catedral













