Ordenações Presbiterais na Arquidiocese de Pouso Alegre

A Arquidiocese de Pouso Alegre, em comunhão com todo o povo de Deus, anuncia com grande júbilo a ordenação presbiteral dos diáconos transitórios João Pedro Bastos Cardoso e Sílvio Massaro Taveira.

Diácono João Pedro Bastos Cardoso

Natural de Extrema – MG, será ordenado presbítero no dia 29 de novembro de 2025, às 9h30, no Santuário Arquidiocesano de Santa Rita, em sua cidade natal. Nascido em 30 de março de 1998, exerce atualmente seu ministério diaconal na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Santa Rita do Sapucaí. Foi ordenado diácono em 1º de fevereiro de 2025, na Paróquia São José Operário, em Pouso Alegre, tendo como lema: “A caridade de Cristo nos impele” (2Cor 5,14).

Diácono Sílvio Massaro Taveira

Natural de Ouro Fino – MG, será ordenado presbítero no dia 20 de dezembro de 2025, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, no distrito de Crisólia, em Ouro Fino. Nascido em 19 de abril de 1993, exerce atualmente seu ministério diaconal na Paróquia Senhor Bom Jesus, em Bueno Brandão. Também foi ordenado diácono em 1º de fevereiro de 2025, na Paróquia São José Operário, em Pouso Alegre, e escolheu como lema a passagem: “A caridade de Cristo nos impele” (2Cor 5,14).

As duas celebrações serão presididas pelo arcebispo metropolitano, Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., e representam um momento de profunda alegria e esperança para toda a Arquidiocese, que acolhe no seu presbitério dois novos sacerdotes para o serviço do Evangelho e do povo de Deus.


Retiro Espiritual do Clero de Pouso Alegre

Entre os dias 15 e 19 deste mês, Dom Majella e os padres da Arquidiocese de Pouso Alegre participaram de um retiro espiritual no Mosteiro de Itaici, localizado em Indaiatuba (SP).

Sob a orientação do Frei Jeferson Felipe Gomes da Silva Cruz, da Ordem de Santo Agostinho, esse período foi dedicado ao silêncio, à oração, convivência e à renovação do coração sacerdotal.

Com o tema "Presbíteros, peregrinos da esperança" e o lema "Enviou-me para proclamar um ano da graça do Senhor" (cf. Lc 4, 19), os padres foram convidados a trilhar um caminho espiritual com Jesus, começando em Nazaré da Galileia, passando por Jerusalém, seguindo para Betânia e finalizando o percurso de oração em Samaria.

Em sua mensagem de encerramento, Frei Jeferson fez uma reflexão sobre o "Retorno à Galiléia". "Nós, também, faremos o mesmo movimento. Concluída a semana de exercício espiritual voltamos para nossas paróquias, nossas atividades, nossa vida costumeira. A sensação pode ser parecida como aquela de Pedro na transfiguração: “é bom estarmos aqui. Vamos fazer tendas...” (cf. Lc 9, 33). No entanto, Pedro não “sabia o que dizia”. De fato, a experiência desses dias não pode ocupar o pico dos nossos desejos. Ela deve, antes, alimentar nosso labor. Neste sentido, vale a pena lembrar o que disse santo Agostinho comentando a postura de Pedro no episódio da transfiguração: “Desce, ó Pedro! Desejavas repousar sobre o monte; mas não, desce! Proclama a palavra, trabalha, suporta o cansaço, sofre os tormentos. A realização de teu desejo, ó Pedro, está reservada, mas para depois da morte. Agora o Senhor mesmo te diz: “Desce à terra para trabalhar, para servir, para ser desprezado, para ser crucificado”. Desceu a Vida para morrer; desceu o Pão para sofrer a fome; desceu a Via para cansar-se no caminho; desceu a Fonte para sofrer sede; e tu te recusas a trabalhar? Não busques teu interesse. Tem caridade, proclama a verdade: chegarás à eternidade, encontrarás a paz” (Sermão 78, 6)".

Que o Espírito Santo ilumine e fortaleça cada um em sua missão.

 

 


#Reflexão: 25° domingo do Tempo Comum (21 de Setembro)

A Igreja celebra o 25° domingo do Tempo Comum, neste domingo (21). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Am 8,4-7
Salmo: 112(113),1-2.4-6.7-8 (R. 1a.7b)
2ª Leitura: 1Tm 2,1-8
Evangelho: Lc 16,1-13 ou mais breve 16,10-13

Acesse aqui as leituras.

SER JUSTO SEMPRE E COM TODOS 

As leituras deste domingo nos questionam sobre as consequências do apego aos bens deste mundo, especificamente ao dinheiro e a riqueza em geral. Amós (1ª leitura) apresenta um quadro da situação do seu tempo que parece ser também do nosso tempo: a malandragem daqueles que já possuem muitos bens em conseguir cada vez mais riqueza. O profeta lista as estratégicas dos negociantes e vendedores em explorar os pobres. O povo simples comprava bens de subsistência (trigo e azeite), mas eram trapaceados de diversas formas: no valor, no peso e na medida. A conclusão é óbvia: a riqueza desses ricos negociantes jamais poderia ser abençoada. O profeta Amós alerta: eles não serão esquecidos por Deus e terão que prestar contas de seus atos.

No Evangelho de Lucas, o tema principal é também sobre a riqueza. Mais uma vez nos deparamos com uma história (parábola) que nos questiona sobre o uso dos bens deste mundo. O personagem principal desta parábola não é um sujeito com atitudes a serem imitadas como também ocorre em outras parábolas contadas por Jesus em Lucas como a do “amigo inoportuno” (11,5-8) e do “juiz iníquo” (18,1-8).

Neste domingo, Jesus conta a história de um rico proprietário que confia tudo na mão de um administrador. Tudo lhe pertence e o empregado é chamado a cuidar com justiça dos bens do seu senhor. Jesus diz que este rico proprietário ficou sabendo da malandragem do seu principal administrador, o patrão já tinha notícias suficientes para mandar embora e processá-lo, mas resolve ainda dar a ele a possibilidade de se justificar ou se defender. A situação era tão crítica contra o administrador que lhe vem antecipado que não mais poderá administrar os bens do seu senhor. Ele prevê que perderá tudo. 

O administrador desonesto se põe a pensar consigo mesmo buscando uma solução (“pensar consigo mesmo” próprio de Lucas, cf. Lc 15,17-19; 16,3;18,4; 20,13). Ele não procura estratégias para refaz o erro do passado, mas para garantir o seu futuro. Sabia que não teria chance para permanecer no emprego (ele no fundo admite que tinha sido desonesto), pois tinha se aproveitado indevidamente da confiança do seu senhor. O administrador sabe que teria somente duas atividades para seu futuro: trabalhar a terra ou mendigar. A primeira é uma atividade honesta e digna, mas que ele se justifica afirmando que não tem condições físicas para realizar (não era acostumado a este tipo de trabalho). Ele conhecia muito bem o esforço daqueles que labutavam para produzir o trigo e o azeite que ele roubava do seu patrão. A segunda solução seria para ele humilhante, pois não era nem pobre e nem doente para pedir esmolas (quem ajudaria um que teve tudo em suas mãos e usou injustamente?).

A solução pensada foi de aproveitar o pouco tempo que tinha ainda na casa do seu senhor (antes de se apresentar para prestar contas de tudo) para garantir um futuro nas mesmas condições em que se encontrava. Chama os devedores do seu patrão (são citados dois) e lhes propõe algo que seria benéfico para todos: fraudar os documentos de dívida. Ele pensou com as categorias daqueles que sempre estão envolvidos em corrupção e injustiça. Ao pedir para cada um reescrever suas dívidas, o administrador também compromete os devedores na fraude. A solução pensada era de envolver os credores do seu patrão de forma que ele pudesse pedir futuros favores ou até mesmo fazer ameaças. Pela quantidade de bens adquiridos, esses credores também eram pessoas ricas, talvez comerciantes e ele assim, teria alguma chance de pedir algo, algum favor para ele.

Segundo o costume da época, quem administrava bens de comércio, podia colocar algum valor a mais no valor final (emprestar com juros era proibido na Lei de Moisés: Ex 22,24; Lv 25,36s; Dt 15,7ss). Um comprador, ao contrair uma dívida com o patrão, o administrador acrescentava na fatura final algo que seria para ele. Assim, o “administrador infiel” da parábola estaria abrindo mão, em parte, daquilo que era o seu lucro pessoal (uma espécie de “atravessador” como nos dias atuais), mas os valores apresentados na parábola são exagerados (metade dos barris de azeite e 20% de trigo). Certamente, o administrador estava também prejudicando seu patrão, fraudando ainda mais além daquilo que estava fazendo de desonesto.

Temos, novamente, a palavra do Senhor da história (tudo indica ser o mesmo “senhor” dos vv. 3 e 5) que elogia não a forma de administrar do seu empregado (aqui chamado de “desonesto”), mas a esperteza e a estratégia para tentar garantir seu futuro. De fato, conclui o senhor na parábola, aqueles que são “filhos do mundo” são hábeis em explorar e roubar, esta é uma diferença para aqueles que são “filhos da luz”.

Fica claro no v.9 que, somente agora, Jesus diz algo. Em relação aos bens deste mundo, Ele aconselha a usá-los para fazer amigos. “Riqueza injusta” (originalmente é “mamona injusta”) significa tudo que está ligado ao dinheiro, Jesus convida a todos a usá-la para produzir amizade (fazer o bem) enquanto estivermos neste mundo. Deus dá chance até o momento em que teremos que prestar contas de nossa vida e do uso dos bens deste mundo. Na parábola de Jesus, o administrador usou do seu cargo para pensar em si somente; fraudando e diminuindo as dívidas ele criou condições de aliviar a dívida de outras pessoas.

O povo da Bíblia não vê a riqueza como uma maldição, mas como dom, uma graça de Deus. Ele concede a alguns mais bens e riquezas para que esses compartilhem com os mais necessitados. Assim, a riqueza não é para a pessoa, mas para que ela possa ajudar aqueles que na vida jamais terão condições de ter dignidade (os pobres, indigentes, idosos, viúvas...). O problema é que quem possui muito, sempre quer mais e jamais se recorda daqueles que nada têm. 

O convite de Jesus para seus discípulos é procurar ser honesto já nas pequenas coisas para merecer as grandes. Tudo neste mundo é algo “pequeno” em relação aquilo que vamos receber: ser honesto como “filhos da luz” é garantir o melhor prêmio que será dado ao empregado bom e honesto. Aquele que usa mal as riquezas deste mundo transforma tudo em uma “divindade” que quer sempre mais sacrifício e ofertas, mas jamais conseguirá dar algum bem eterno e justo. “Mamona” (riqueza), assim, assume a imagem de uma divindade e todos que estão ligados a ela é como se servissem a um deus, mas um falso deus. A riqueza jamais deverá se tornar “fim” e receber das pessoas toda atenção (adoração), mas ela mesma ser instrumento para caridade e a solidariedade. 

Ao final, Jesus é categórico e claro: não se pode servir a dois senhores, pois sempre um ficará em segundo plano. Não tem como estar em parte com o dinheiro e em parte com Deus; não tem como colocar como prioridade principal as riquezas deste mundo e Deus ao mesmo tempo. 

O versículo que segue ao Evangelho diz que “os fariseus que gostavam do dinheiro, escutavam tudo isso, e zombavam de Jesus” (Lc 16,14). Inicialmente, a parábola e os conselhos foram dirigidos aos discípulos (16,1), mas a verdadeira intenção de Cristo era também tocar o coração corrompido dos fariseus. 

Como se percebe, nesta parábola, Jesus parte talvez de algo que era conhecido e praticado normalmente em seu tempo, inclusive a habilidade daqueles que servem a “Mamona” (riqueza) e procuram sempre o melhor para si, mas através da injustiça e da desonestidade. Nosso Senhor esclarece que tal administrador é desonesto e representa os filhos deste mundo que servem a riqueza (Mamona) como se adora e se está a serviço de uma divindade. Precisamos caminhar como filhos e filhas da luz, usar das riquezas deste mundo para “fazer amizade” (bem aos outros) e servir somente Aquele que é capaz de nos dar bens neste mundo que estão acima dos bens materiais e que se estendem até a eternidade após nossa vida. 

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#Reflexão: Festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de Setembro)

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A Igreja celebra a festa da exaltação da Santa Cruz, neste domingo (14). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Nm 21,4b-9
Salmo: 77(78),1-2.34-35.36-37.38 (R. cf. 7c)
2ª Leitura: Fl 2,6-11
Evangelho: Jo 3,13-17 ou mais breve 15,1-10

Acesse aqui as leituras.

FESTA DA EXALTAÇÃO DA CRUZ

            Neste final de semana, dia 14 de setembro, a Igreja recorda a “Cruz de Cristo” e celebra sua exaltação. Aparentemente, é algo estranho, pois sofrimento e dor são coisas que não nos agradam. As pessoas querem desesperadamente fugir de qualquer coisa que traga renúncia e sacrifício; diante da dor e do sofrimento, as pessoas, no fundo, não querem respostas e explicações, mas somente não sofrer mais e nem sentir dor.

Muitas religiões modernas preferem pregar o sucesso nesta vida, prometem vitórias, milagres em abundância, a superação dos sofrimentos, cura de doenças, grandeza e riqueza para esta vida, enfim, pregam um Deus do milagre e do poder sobre tudo e todos. Renúncias, sacrifícios, penitências soam nos dias atuais como “coisas do passado”. Diante de certos discursos sobre dor e sofrimento, humilhação e morte, são muitos que procuram repetir o comportamento de Pedro que procura persuadir Jesus quando ele anunciou como seria o seu fim, após sofrimento e humilhação: “Deus não permita que isto aconteça” (Mt 16,22).

A Cruz ainda assusta a humanidade, pois ela é ainda atual. Jesus ao se encarnar na realidade humana, Ele quis assumir todos os aspectos da nossa humanidade: as coisas boas como o aconchego de uma família, a beleza de ter um pai e uma mãe, amizade, partilha de dons etc.; mas, Jesus abraçou também tudo o que há de mais triste em nossa realidade: dor, sofrimento, humilhações, decepções, injustiça e por fim, a morte. Ninguém ficou fora do amor de Deus derramado sobre a humanidade no sangue de Cristo versado sobre a Cruz.

            A festa de hoje não quer exaltar a dor e nem o sofrimento, muito menos a aparente derrota de Cristo por parte do império romano, pois tudo isto que é ruim, Deus não quer para ninguém, nem planejou para Jesus e nem deseja para nenhum de seus filhos e filhas; mas, tudo isto de negativo da humanidade, também precisava de uma resposta e da luz divina por parte de Jesus.

No Evangelho deste domingo, temos o diálogo de Jesus com Nicodemos. Ele era um fariseu que procura Jesus de noite. Na conversa, Cristo ilumina sua vida propondo uma luz que vem do céu: Deus tem um amor imenso pela humanidade. Jesus recorda o símbolo da serpente que Moisés levantou no deserto. Ele fez a serpente segundo a vontade de Deus para livrar os hebreus da morte. Segundo o texto sagrado, o povo tinha se cansado do maná e também reclamava pela falta de água. Mesmo com tantos sinais da presença divina, o povo se pôs contra Moisés e Deus. Naquele tempo como hoje, quando falta fé e confiança, os sinais não bastam e nem a providência divina é suficiente: as pessoas recebem muito, mas querem sempre mais! Por causa do pecado de todos, muitos morreram por causa da picada das serpentes. Assim, aquele objeto feito por Moisés de metal e levantado em uma haste foi capaz de salvar os hebreus da morte: bastava olhar, pedir e acreditar. Um ídolo a serviço da salvação de todos. Jesus afirma que quando o Filho do Homem for exaltado fará muito mais: proporcionará a salvação para toda a humanidade. No deserto foi uma serpente de bronze que foi canal de cura da morte para o povo, Jesus na cruz é o novo instrumento de salvação para a humanidade.

Assim, a cruz de Cristo carrega consigo todos os pecados da humanidade, mas também todas as dores e sofrimentos que fazem parte da nossa realidade: para os pecados o perdão, para os sofrimentos o alívio. Nada na vida de Jesus lhe foi imposto até mesmo a morte horrível na cruz; tudo foi assumido e aceito por Nosso Senhor. Ele poderia se livrar de tudo isto, caminhar tranquilo por este mundo até uma morte serena na velhice, mas Ele quis carregar tudo isto de negativo, pensando em nós: morreu na cruz por nós.

Eis a resposta que Cristo dá com sua cruz: que ninguém ficou fora do seu amor. Todos foram carregados com sua cruz que Ele suportou e enfrentou até o extremo da realidade humana. A estrada que conhecemos de cruzes por causa de tantas injustiças, ou por erros de nossa parte, ou ainda por consequência de nossa natureza humana, esse caminho que parecia pertencer somente e exclusivamente a nós, Jesus também percorrer.

A cruz nos assusta ainda hoje, pois nela não vemos nada de divino de Jesus Cristo, mas o nosso próprio retrato e tantos sofrimentos. Foi o gesto extremo daquele que não quis somente ser solidário com os que sofrem, mas percorrer a mesma estrada para iluminar esse aspecto de nossa vida que aparentava inacessível e quase sem Deus. Jesus aceitou também sofrer e carregar sua cruz pensando também naqueles que são desprezados neste mundo porque são doentes, porque sofrem ou são considerados um peso para os outros.

A morte era vista com um triste fim e resultado de um castigo; muitos viam esse destino como uma fatalidade em que tudo encontrava um trágico destino. Jesus ao abraçar a cruz, morrer por nós e depois ressuscitar, nos mostra que nem o sofrimento e nem a morte, podem ser superados abraçando tudo com o amor de Deus: a morte deixou de ser fim e passou a ser somente um meio, uma ponte que liga nossa frágil vida deste mundo com a verdadeira e plena vida do outro lado. A morte foi vencida (não é mais um castigo) e foi derrotada, pois deixou de ser amargura para a realidade humana e uma “porta que fecha” para a nossa caminhada no mundo, com Cristo ela passa a ser uma “porta que se abre” e nos liga com Deus na eternidade.

A cruz sem a ressurreição é uma dor sem fim; a ressurreição sem a cruz é somente um sonho. A ressurreição, a força do amor divino, dá um novo sentido a todo sofrimento, dor e injustiça (representado na cruz) que enfrentamos nesta vida. Por isso, a cruz não é sinal do sofrimento de Deus e nosso, mas da sua imensa misericórdia. Na cruz levantada em alto, Deus sela definitivamente seu amor. É a exaltação de Jesus que deixou tudo de grande e divino para se fazer homem e por nós todos, escolheu morrer na cruz (2ª leitura).

Jesus convida os seus discípulos a fazerem o mesmo: renunciar a si mesmo, tomar cada um sua cruz e segui-Lo. A cruz para Cristo é doação e entrega total de alguém que escolhe seguir Jesus e também se doar até o fim pela humanidade.

Os primeiros cristãos nunca esconderam o fato da morte em cruz de Jesus Cristo. Mesmo sabendo do embaraço que era anunciar alguém que tinha sofrido a pior condenação que o Estado romano impunha ao pior criminoso, todos faziam o que Paulo expressou muito bem em sua carta: “A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que estão sendo salvos, para nós, ela é poder de Deus” (1Cor 1,18), ainda: “Os judeus pedem sinais e os gregos procuram a sabedoria, nós, porém pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos” (1,22-23) e ainda: “Pois resolvi nada saber entre vós a não ser Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado” (1Cor 2,2).

Os cristãos no tempo da perseguição dos romanos não usavam o símbolo da cruz para se lembrar de Jesus, mas outros símbolos (âncora, peixe, pães...). Segundo a história, a mãe de Constantino que era cristã encontrou um pedaço da cruz de Cristo que teria sido preservado no local da crucificação em Jerusalém e o conduziu a Roma. Com a permissão do imperador aos cristãos para o livre culto do cristianismo, a cruz passou a ser o sinal que identificava uma igreja cristã. Esse fato histórico, celebramos na festa de hoje.

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Alterações no Clero Arquidiocesano - Setembro de 2025

A chancelaria arquidiocesana anunciou novas alterações no clero, que envolvem mudanças de funções e nomeações de padres para novas missões pastorais.

  1. O padre Adilson da Rocha, que até então exercia a função de Reitor e Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Borda da Mata, foi designado para assumir como Vigário Paroquial da Paróquia Santa Rita de Cássia, em Santa Rita do Sapucaí.
  2. O padre Francisco José da Silva, que atualmente é formador do Seminário Arquidiocesano e Vigário da Paróquia São Geraldo, em Pouso Alegre, continuará no serviço de formação do Seminário. Além disso, deixa a função de vigário do São Geraldo e assume agora a missão de Reitor e Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Borda da Mata.

Essas mudanças integram a dinâmica pastoral da Arquidiocese, fortalecendo a caminhada missionária das comunidades e reafirmando o compromisso do clero com o serviço ao povo de Deus.


Comissão Vida Plena participa do 31º Grito dos Excluídos e Excluídas, em Pouso Alegre

A Comissão Vida Plena da Arquidiocese de Pouso Alegre organizou, juntamente com movimentos sociais e sindicais, o Grito dos Excluídos e Excluídas 2025 realizado no dia 7 de setembro, no Centro de Pouso Alegre (MG). O evento, que está em sua 31ª edição nacional, aconteceu na Praça Senador José Bento, em frente à Catedral Metropolitana.

Com o lemaCuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”, o movimento abordou o contexto global de crises climáticas e sociais, reforçou a defesa intransigente da democracia e a importância do cuidado com o meio ambiente. O objetivo da manifestação popular é dar voz aos marginalizados e denunciar injustiças sociais.

Este ano os envolvidos na organização do Grito coletaram votos para o Plebiscito Popular que acontece em todo o país. A iniciativa realiza uma consulta em âmbito nacional sobre a redução da jornada de trabalho, o fim da escala 6x1 e o imposto para os super-ricos.

O Grito

O Grito dos Excluídos e Excluídas é um movimento social que ocorre anualmente no Brasil, desde 1995, como uma manifestação popular no dia em que o país comemora a sua Independência. Entre as motivações que levaram à escolha do dia 7 de setembro para a realização do Grito estão a de fazer um contraponto ao Grito da Independência.

Nesse sentido o Grito tem como objetivo levar às ruas e praças, os gritos ocultos e sufocados, silenciosos e silenciados, que emergem dos campos, porões e periferias da sociedade. O primeiro foi realizado em 1995 a partir da Campanha da Fraternidade “Fraternidade e Excluídos” e lema “Eras tu, Senhor?

A organização do evento fica por conta dos movimentos sociais, Igrejas, sindicatos, pastorais sociais e demais agentes que lutam por justiça social. É um movimento em que toda a sociedade é convidada a participar.

 

Reportagem: Éder Couto, com informações de Carlos Antônio de Souza/Comissão Vida Plena

Imagens: Comissão Vida Plena/Arquidiocese de Pouso Alegre e Reprodução do Cartaz do 31º Grito dos Excluídos e Excluídas

 


Paróquia São José Operário de Pouso Alegre recebe Visita Pastoral

Entre os dias 04 e 07 de setembro de 2025, a Paróquia São José Operário, em Pouso Alegre, viveu dias de intensa espiritualidade e comunhão durante a Visita Pastoral de Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano.

Durante quatro dias, Dom Majella esteve próximo das comunidades, visitou instituições sociais, educacionais e empresariais, além de presidir momentos de oração e celebrações que reuniram grande número de fiéis.

  1. Na quinta (04), o arcebispo conheceu de perto a vida paroquial, visitando a Secretaria e o Arquivo Paroquial, além da Faculdade Católica de Pouso Alegre, comércios locais, a Escola Antonio Mariosa, a APAE e o Serviço de Acolhimento Institucional à Criança e Adolescente (SAICA). À noite, presidiu a Santa Missa no Instituto Filippo Smaldone, com a presença de diversas comunidades paroquiais.
  2. Na sexta-feira (05), Dom Majella esteve no Fórum, conheceu a Praça de Esportes do Rosão, o posto de saúde localizado nas proximidades e a CIMED, encerrando o dia com a Eucaristia na Capela de São Pedro e São Paulo, seguida de confraternização com os membros das comunidades São Pedro e São Paulo, Imaculada Conceição e Nossa Senhora das Graças
  3. O sábado (06) foi marcado por visita a comércios, encontros com catequizandos, catequistas e jovens, além de visita e bênção em estabelecimentos locais. A tarde, realizou visita na Comunidade Santa Teresinha, onde pode conhecer a realidade da comunidade e rezar com eles a Oração de Vésperas. À noite, houve Missa na Igreja Matriz e encontro com confraternização com a juventude no Centro Pastoral.
  4. No domingo (07), dia de encerramento, o arcebispo celebrou a Santa Missa pela manhã na Matriz e, à tarde, reuniu-se com os conselhos paroquiais. A visita foi concluída com a Missa solene na Igreja Matriz, celebrada às 19h, em clima de alegria e gratidão.

A Visita Pastoral foi um tempo de bênçãos para a Paróquia São José Operário, que pôde renovar sua caminhada de fé e sentir de perto a presença e a escuta de seu pastor.

Fotos da Paróquia São José Operário e Luan Santos

Texto: Giuliano Beraldo


Encontro com Coordenadores dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão reúne setores da Arquidiocese em Pouso Alegre

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No dia 06 de setembro, a Arquidiocese de Pouso Alegre promoveu um importante encontro com os coordenadores dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão (MESC), realizado na Cúria Metropolitana.

Estiveram presentes representantes dos setores Mogi, Paraíso, Sapucaí e Extremo Sul, fortalecendo a comunhão entre as diversas regiões da Arquidiocese.

O encontro teve como principais pontos a avaliação do último encontro de formação, a fim de colher frutos e aprendizagens, e também o planejamento do próximo ano pastoral, buscando oferecer melhores condições para o serviço e a missão dos MESC em suas comunidades.

Outro momento especial foi a reflexão sobre o Ano Eucarístico da Diocese, que convida todo o povo de Deus a aprofundar a centralidade da Eucaristia na vida cristã, fortalecendo a espiritualidade e a missão de cada ministro que serve à mesa da Palavra e do Pão da Vida.

A reunião foi marcada por espírito de comunhão, partilha e corresponsabilidade pastoral, reforçando a importância do ministério e da formação contínua dos MESC na caminhada da Igreja.


Euangelion cristão: ironia histórica, novidade semântica, alegria definitiva

Extraído do léxico pagão, no qual era utilizado para designar proclamações militares e políticas, ora vinculadas ao resultado de guerras ora ligadas ao nascimento ou coroação dos imperadores, o termo euangelion foi ironicamente ressignificado pela literatura cristã. Essa ironia se deve ao fato de que a palavra evangelho, usada no mundo grego-romano para falar de estruturas contrárias ao Reino de Deus, como os massacres bélicos e a perpetuação do poder exploratório imperial, passou a denominar o Cristo. Dessa forma, é preciso ter em mente que as comunidades que escreveram o Segundo Testamento da Bíblia cristã, à luz da catequese que receberam dos apóstolos, não compreendiam o euangelion como um gênero literário ou como o conjunto de livros que narram a vida e o ministério messiânico de Jesus, mas como o próprio Filho de Deus, a Boa Notícia do Pai para a humanidade.

O cristianismo nascente, portanto, usou a palavra evangelho no Segundo Testamento sob a luz de uma tríplice significância: euangelion queria dizer, simultânea e inseparavelmente, uma pessoa, o conteúdo de uma mensagem e uma prática discipular-missionária. A primeira dimensão contida no termo evangelho é essencialmente cristológica; ao exortar sua comunidade à conversão, Marcos usa o termo euangelion para falar de Jesus: “completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no evangelho” (Mc 1,15). O evangelho no qual os convertidos devem crer é, essencialmente, Jesus: “se, pois, com tua boca confessares que Jesus é Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. É crendo no coração que se alcança a justiça, e é confessando com a boca que se consegue a salvação” (Rm 10,9-10). A grande profissão de fé da comunidade cristã é na pessoa de Cristo, e dela decorre a crença naquilo que ele fez e ensinou.

A segunda dimensão semântica de euangelion é catequética, uma vez que da vida de Jesus, expressa através de suas palavras e ações, ditas e realizadas em favor da salvação do mundo, os cristãos deduzem aquilo que é chamado de querigma. Do grego, κήρυγμα quer dizer proclamação e é uma palavra utilizada pelos cristãos para falar do anúncio central da fé em Jesus, sendo ao mesmo tempo uma verdade fundante e fundamental para quem crê no Filho de Deus: “irmãos, quero lembrar-vos o evangelho que vos anunciei e que recebestes, e no qual estais firmes. De fato, eu vos transmiti, antes de tudo, o que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e, ao terceiro dia, foi ressuscitado, segundo as Escrituras” (1Cor 15,1.3-4). Da pessoa de Jesus nasce o conteúdo da fé, sua morte e ressurreição, que é a grande novidade do cristianismo, anunciada através da evangelização apostólica: “ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado” (Mc 16,15-16).

O terceiro significado do euangelion cristão é missionário, pois o termo  constitui o nome de uma ação pastoral, ou seja, do ato de anunciar o querigma a todas as gentes, conforme atestam passagens dos escritos paulinos: “com Tito enviamos o irmão que é elogiado em todas as igrejas, por seu serviço no evangelho” (2Cor 8,18); “também a ti, leal companheiro, peço que as ajudes (Evódia e Síntique), pois elas lutaram comigo na causa do evangelho, junto com Clemente e meus outros colaboradores, cujos nomes estão inscritos no livro da vida” (Fl 4,3). Como se pode notar, o euangelion faz referência, também, à atividade missionária dos discípulos de Jesus, que tinham a função primordial nas primeiras décadas do cristianismo, período marcado por um forte apelo expansionista, de levar o querigma cristão para além da Palestina, até os confins da terra: “ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado” (Mt 28,19-20).

O uso da palavra euangelion, ressignificada pelos cristãos a partir da cultura greco-romana, ironiza a ideia de que a morte do inimigo na guerra e a ascensão de um governante pagão ao poder possam ser boas notícias. De acordo com a nova semântica atribuída pelos seguidores de Jesus ao termo evangelho, somente a vida, a mensagem e a missão do Cristo, Filho do Deus vivo (cf. Mt 16,16), é verdadeiramente uma boa notícia, capaz de encher o coração humano de plena e duradoura alegria. De fato, o euangelion é sempre uma comunicação alvissareira: ao receber a notícia do resultado de uma batalha em que fora vitorioso, o povo de uma cidade grega exultava de alegria; ao acolher a notícia do nascimento ou da coroação de um imperador, os romanos se enchiam de alegria. Essa alegria era sempre passageira: a tensão pelo início de uma nova batalha e os entraves próprios de uma governança política ambiciosa, colocavam em risco o contentamento das boas novas propagadas entre os gentios.

Ao contrário disso, o euangelion cristão constituiu uma mensagem capaz de oferecer à humanidade toda uma alegria perene, pois “o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5,22-23). O atravessamento do coração humano pelo anúncio missionário da mensagem querigmática da existência de Jesus e do seu amor incomensurável produz uma alegria sem par, levando o euangelion à condição irrevogável de boa nova: “de fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). O sentido pleno do evangelho como uma notícia feliz foi alcançado no cristianismo, dada a incapacidade da cultura pagã de realizar uma proclamação à altura daquele anúncio registrado por Lucas: “eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo, pois hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!” (Lc 2,10-11).

A pessoa, a mensagem e a missão de Jesus convergem para a formação do definitivo euangelion da alegria. Completo em sua essência cristológica, catequética e missionária, o evangelho cristão é um convite para o encontro com a alegria que não tem fim. Ao testemunhar o início da manifestação pública do messianismo de Jesus, João Batista reconheceu na pessoa do seu primo o evangelho da alegria: “esta é a minha alegria e ela ficou completa” (Jo 3,29). O próprio anúncio que Jesus faz da sua mensagem de amor é o evangelho da alegria: “como o Pai me ama assim também eu vos amo. Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa” (Jo 15,9.11). O carcereiro que se converteu durante a prisão de Paulo em Filipos experimentou o evangelho de Jesus, pois “entregou-se, com a família, à alegria de ter acreditado em Deus” (At 16,34). Assim, ao ironizar o sentido pagão de euangelion, o cristianismo nascente fez surgir uma profunda semântica para o termo evangelho, identificando-o com Jesus, com o seu querigma e com a sua missão, cujo fim é o cumprimento daquela promessa do Senhor morto e ressuscitado: “o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria” (Jo 16,22).

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#Reflexão: 23° domingo do Tempo Comum (07 de Setembro)

A Igreja celebra o 23° domingo do Tempo Comum, neste domingo (07). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Sb 9,13-18
Salmo: 89(90),3-4.5-6.12-13.14.17 (R. 1)
2ª Leitura: Fm 9b-10.12-17
Evangelho: Lc 14,25-33

Acesse aqui as leituras.

EXIGÊNCIAS PARA SEGUIR JESUS COMO DISCÍPULO

Domingo passado Jesus estava na casa de um fariseu ilustre e lá procurou ensinar a todos convidados como se comportar em relação aos primeiros lugares na comunidade e na sociedade. Prosseguindo sua estrada, Jesus procura ensinar agora a multidão que O acompanhava .

Lucas nos informa que junto com o pequeno grupo de discípulos, uma multidão tinha se formado. Estavam próximos, mas para Jesus ainda não eram discípulos; buscavam algo junto a Ele (curas e milagres), mas não estavam interessados em fazer parte do mesmo grupo de discípulos. Jesus conhecia aquelas pessoas que O seguiam, por isto, lhes apresenta a condição para deixarem de “ser multidão” e de se tornarem “discípulos”; deixarem se serem espectadores e passarem a compor o mesmo grupo de escolhidos de Jesus; mas, deveriam abandonar a mentalidade de “receber algo” de Jesus (prodígios e milagres) para aprender a doar-se completamente. As palavras de Cristo são profundas e exigentes.

A primeira exigência de Jesus é chocante. Usando um recurso dos grandes mestre, Jesus propõe uma ideia que chama atenção de todos para em seguida explicar seu significado. A frase começa com uma proposta e não uma imposição: “Se alguém vier...” Não há obrigação, mas se alguém decide ir até Jesus, é chamado a fazer uma escolha radical, mas por outro lado, profundamente benéfica. A multidão seguia Jesus, mas cada um com suas necessidades e exigências pessoais; Cristo apresenta suas condições para que todos possam realmente receber muito mais que um benefício físico (cura) ou uma diverção (ver um milagre). Prossegue Jesus dizendo “Se alguém vier a mim e não odiar seu pai... sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Não tem como não se surpreender com a condição fundamental “odiar”, colocada por Jesus. 

Lucas procura preservar a força da “expressão semita” (jeito do povo da Bíblia pensar: radical e sem meio termo). Este modo de pensar e de afirmar encontramos nos profetas e nos textos da Lei que proclamam que Deus deve receber todo o amor e não parte dele. Em outro trecho de Lucas, Jesus mesmo diz que não se pode servir a dois senhores: ou odiará um e amará outro, ou há de aderir a um e desprezará outro (cf. Lc 16,13). Mateus, ao retratar a mesma citação, faz uma adaptação que nos ajuda a entender melhor a expressão em Lucas. Diz o primeiro evangelista: “Quem ama seu pai e mãe, mais do que a mim, não é digno de mim...” (Mt 10,37). Na lista de Lucas são seis tipos de pessoas (pai, mãe, filhos...) + a vida: sete é o número. Para ser discípulo de Jesus é precisa abandonar de forma radical todos e a própria vida para segui-Lo. 

No domingo passado, ouvimos Jesus dizer que dar refeição para amigos, irmãos, parentes e vizinhos ricos, a pessoa já recebeu sua recompensa neste mundo, mas não de Deus. É preciso ir além, fazer algo movido pela bondade e caridade sem esperar nada em troca e sem nenhum interesse, este é o discípulo que Jesus esperada daquele que deseja segui-Lo.

Na celebração de hoje, o termo “odiar” é comumente traduzido no Evangelho de Lucas por “amar menos” (ou “ser capaz de rejeitar”), seguindo, assim, a forma do Evangelho de Mateus: “Se alguém vier a mim e não ama menos seu pai...”. Parece traduzir melhor o que Jesus pretendia dizer, pois sabemos que Nosso Senhor não era contra a família. Ele viveu com os seus até iniciar sua vida pública; Maria, sua mãe, conviveu com Jesus e até O acompanhou como discípula. Quando perguntado sobre os Mandamentos, lembrou o quarto Mandamento (honrar os pais) como condição básica para a se salvar. 

Assim, o exemplo de Jesus é a melhor explicação para entendermos esta expressão desafiante. Para cumprir sua missão, Ele deixou de uma forma radical tudo que tinha (sua terra e sua casa) e todas as pessoas próximas (parentes e amigos). Os Evangelhos relatam que os parentes quando vieram de sua terra para levá-Lo para sua cidade, Jesus estabeleceu um novo marco familiar em sua vida: são seus parentes (mãe, irmãos, irmãs) quem “ouve a Palavra de Deus e a põem em pratica” (Lc 8,19). 

Em seguida, Jesus propõe a segunda condição, desta vez, para todos que aceitarem a primeira condição. Jesus afirma que é preciso: “Tomar a cruz e segui-Lo”. Cruz do compromisso vivido ao extremo até ao ponto de “desprezar a própria vida” para que todos tenham vida. A cruz nas palavras do Jesus é aquela que Ele abraçou e conduziu até o final de sua caminhada neste mundo. Sinal do amor extremo e total para salvação do mundo. Neste sentido, a cruz não tem nada a ver com sofrimento e dores (isto a vida se encarrega de nos dar). Sofrem pessoas de fé e quem não tem fé e nem religião. Não foram o sofrimento e a dor que salvaram o mundo, mas o amor vivido em sua máxima expressão.

Duas condições fundamentais para seguir Jesus: amor maior e total a Cristo ao ponto de doar sua vida! Mas, para isto Jesus alerta que nada deve ser feito como algo somente para um momento da vida e sem convicção. É preciso medir suas consequências e meditar suas exigências. Por isto, Jesus conta duas parábolas que retratam a prudência e a seriedade para com as coisas da vida (construir uma torre e partir para uma guerra). Seguir Jesus vivendo as condições que Ele mesmo vivia, requer a mesma consciência e seriedade, mas de modo radical e total. 

Jesus acrescenta a terceira exigências para “ser seu discípulo” (frase que repete três vezes ao final de cada condição): “Renunciar a tudo que lhe pertence”. O discípulo que Jesus deseja “atrás de si” (isto é, seguindo seus passos) é aquele que ama com toda intensidade o seu Mestre ao ponto de deixar todos e tudo em segundo plano; ser discípulo de Cristo é assumir seus passos e fazer a mesma caminhada vivendo o amor para com todos (e não somente para os familiares mais próximos), uma existência plenamente aberta para a promoção da vida de todos e não somente seus anseios pessoas; uma vida de total doação e serviço que tem como sinal maior a própria cruz deixada por Cristo. 

As exigências são duras e profundas, mas para amar o próximo precisamos primeiro fazer a experiência do verdadeiro amor que é Jesus. Para receber o melhor, precisamos ser capazes que doar tudo primeiro. Para viver intensamente nossa vida, precisamos ser capazes que doá-la ao serviço do bem e da vida de todos. As exigências de Jesus nada mais são que o próprio estilo de vida que Ele mesmo viveu.

São grandes mistérios que somente quem consegue fazer a experiência do amor de Deus consegue entender. O amor de Deus não é egoísta e discriminatório. Jesus é a fonte do amor e quem descobre esta água vida não se fecha em si ou somente com algumas pessoas, mas semeia amor na vida de todos com quem convive. Fazer a experiência de abraçar Jesus com todo seu amor, ao final, torna-se também fonte de amor para as outras pessoas. A pessoa que faz a experiência de amar Jesus em primeiro lugar e com toda sua vida, passa necessariamente para todos os outros o mesmo amor: familiares, amigos e todas as pessoas com quem tiver contato.

A lógica de Deus e do seu amor não segue os mesmos passos e caminhos que conhecemos (1a leitura). Somos capazes que medir e afirmar sobre muitas coisas até mesmo muito distante de nós (universo), mas a experiência do amor conforme Jesus viveu e nos ensinou, somente Ele completa a nossa existência, pois mais do que satisfazer o nosso conhecimento, dá sentido a nossa vida. É preciso romper com a lógica do mundo como Paulo na 2a leitura convida seu amigo Filêmon a fazer com o seu “filho na fé” (Onésimo). Não tratá-lo com um escravo fugitivo, mas como um irmão na fé. Se o universo pode ser desbravado com o nosso conhecimento, somente o verdadeiro amor que tem sua origem em Deus pode dar sentido a tudo e a todas as coisas. Vivemos para amar intensamente Deus e nossos irmãos!

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