ENCONTRO DE ANIMAÇÃO PASTORAL DA PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA DE POUSO ALEGRE

De 14 a 16 de outubro, Poços de Caldas foi palco do Encontro de Animação Pastoral da Província Eclesiástica de Pouso Alegre, que reuniu as dioceses de Campanha e Guaxupé, além da Arquidiocese de Pouso Alegre.

O evento contou com a presença do arcebispo de Pouso Alegre, Dom José Luiz Majella Delgado, do bispo de Guaxupé, Dom José Lanza Neto, e do administrador diocesano da Campanha, Cônego Luzair Coelho de Abreu. Destinado a padres, religiosos e leigos que representaram as dioceses das regiões sul e sudoeste do estado, o encontro se concentra na dimensão pastoral da Igreja.

O tema principal do encontro é a transformação na organização e planejamento da Igreja Católica em nível global, um esforço iniciado pelo Papa Francisco e continuado pelo Papa Leão XIV. A sinodalidade, que promove uma experiência inovadora de escuta e participação de todos os fiéis, tem proporcionado muitos frutos ao redor do planeta.

O encontro contou com a assessoria do Padre Rodrigo Souza da Silva, secretário executivo do Regional Leste 2 da CNBB, que abrange todas as (arqui)dioceses de Minas Gerais. Durante sua fala, ele ressaltou a importância da escuta e do diálogo: "No caminho sinodal que a Igreja é convidada a trilhar, é fundamental ouvir e discernir antes de orientar". Além das conferências e discussões em grupo, os participantes também celebraram missas em paróquias locais, integrando-se à comunidade da cidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


#Reflexão: 29° domingo do Tempo Comum (19 de outubro)

A Igreja celebra o 29° domingo do Tempo Comum, neste domingo (19). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ex 17,8-13
Salmo: 120(121),1-2.3-4.5-6.7-8 (R. cf. 2)
2ª Leitura: 2Tm 3,14-4,2
Evangelho: Lc 18,1-8

Acesse aqui as leituras.

REZAR SEMPRE E CONSTANTEMENTE

Jesus no Evangelho deste domingo exorta sobre a necessidade da oração. Lucas inicia lembrando que Jesus insistia na necessidade de rezar sempre, “constantemente e não desanimar jamais”. As expressões traduzem algo como fundamental e essencial para nós discípulos. Não se trata de passar o dia e a noite em oração (nem os religiosos nos conventos conseguem isto), mas de uma atitude de comunhão e intimidade para com Deus que seja constante e perseverante, não porque Deus necessita disto, mas nós é que precisamos para “não desanimar” em nossa vida espiritual.

Contando uma parábola, Jesus parte de uma situação negativa e extrema entre uma viúva e um juiz para tirar uma lição para nós e nossa vida de oração. Na história, os personagens são imaginários e não representam necessariamente os cristãos (viúva injustiçada) e nem Deus (juiz iníquo). Mais uma vez, temos uma parábola que encontramos somente no terceiro Evangelho e com características próprias: duas pessoas em posição oposta; personagem que pensa (fala) consigo mesmo...

Tudo ocorre em uma cidade onde todos se conhecem. Jesus descreve inicialmente o juiz e o apresenta como alguém infiel a sua profissão e aos mínimos princípios humanitários. O juiz é descrito como injusto e nada se sabe sobre o seu modo de agir. Ele nega auxiliar a viúva somente porque não quer agir, é um profissional que não faz o que se deve e age somente quando há vantagens pessoais. De fato, naquele tempo, muitos se deixavam corromper e esperavam sempre tirar vantagens financeiras dos casos que julgavam. Na parábola, o juiz não via nenhuma vantagem pessoal, defender a viúva. Eram os corruptos da época que agiam somente por interesses pessoais. Por isso, por duas vezes, lemos que o juiz “não temia Deus e nem respeitava os homens”.

A viúva é retratada no seu modo de agir, nada se diz sobre sua pessoa, mas que é insistente na busca de justiça para uma situação de injustiça pessoal. A mulher não pede algo exagerado ou além da capacidade do juiz de realizar, solicita somente que ele cumpra o seu papel de mediador e que resolvesse sua situação contra um adversário. Sua ação é descrita como persistente e continuada, isto por um bom tempo.

Jesus prossegue a história nos apresentando o que pensou o juiz depois da insistente solicitação por justiça por parte da viúva. Ela não usa de injustiça, não apela com ameaças e não lhe oferece vantagens, ela não se iguala ao juiz. Pensando consigo, ele se mostra em toda sua arrogância e soberba. O juiz, em relação a Deus, ele não O teme, assim, não se trata de alguém que não crê em Deus, segundo Lucas, o juiz não O temia, pois se sentia como igual a Deus. Em relação aos homens, ele “não respeita”, isto é, age somente segundo suas vantagens e caprichos pessoais. Com este pensamento, o iníquo juiz vê todos os homens como inferiores e submissos a sua vontade. Ele avalia a sua influência sobre a vida dos outros como se fosse uma divindade e assim, não age segundo as leis, mas segundo seus desejos pessoais. Com este autorretrato de extrema arrogância, no extremo oposto, encontra-se uma mulher, viúva que não tinha nenhum poder (ainda por cima sofria injustiça de alguém). Mas, ela tinha uma preciosa “arma” para pressionar o juiz injusto: a insistência. Certamente, a mulher ao exigir que o juiz cumprisse sua obrigação e resolvesse o seu problema, cotidianamente, depois de certo tempo, o juiz se aborreceu. A mulher era a “consciência” do ofício de juiz que ele tinha perdido, ela funcionava como um alerta para aquilo que ele realmente deveria ser e fazer em sua profissão: cumprir a lei e auxiliar as pessoas em casos de injustiça. O aborrecimento que o juiz quer se livrar ao atender a viúva, na realidade, era a sua consciência que pesava. Ainda por cima, ela poderia manchar sua imagem de juiz e atrapalhar futuros serviços com outras pessoas, pois, ele era juiz da cidade e, certamente, era conhecido. O magistrado, por fim, decide agir como juiz não por nobres motivos (atender uma viúva injustiçada), mas para se livrar de um aborrecimento e por temor de um vexame que a mulher poderia cometer no futuro. Ele age para preservar sua situação, sua imagem e não ser prejudicado em suas vantagens. Entre os dois existe um abismo e se aproximam somente por obrigação da parte do juiz e por necessidade da parte da viúva.

O juiz faz o certo com motivações erradas. O que lhe foi pedido era simples e fácil, mas como se tratava de uma viúva e sem nenhum benefício em vista, a arrogância pessoal somente lhe trouxe aborrecimento e a mulher se transforma em sua consciência pública. Fazer o certo com motivações corretas e justas seria mais fácil e até mais vantajoso para o juiz, pois lhe traria prestígio entre as pessoas, mesmo que não tivesse vantagens financeiras.

Partindo desta história, Jesus procura transportar tudo para uma história positiva, de relacionamento fecundo entre Deus e o fiel que reza sempre. Com palavras firmes, Jesus parte das palavras do juiz injusto que, mesmo não querendo, faz algo por causa da insistência da mulher. Pois bem, Deus não age e nem se comporta do mesmo jeito. Ele escuta seus filhos e filhas em suas constantes orações (dia e noite); não deixa ninguém esperando e faz justiça bem depressa. Isto porque Deus é sempre misericordioso para com cada pessoa, conhece nossas necessidades e está pronto a nos ajudar. Mas, por que nem sempre isto acontece em nossa vida? Por que temos a sensação que algumas de nossas orações não são atendidas por Deus?

É necessário recordar que tudo está sendo usado para mostrar a necessidade da oração, mas o que é realmente rezar para Jesus? Não oramos a Deus para convencê-Lo sobre nossos problemas, nem para exigir que atenda nossos pedidos, nem para conseguir mudar Sua vontade e Ele, assim, se conformar aos nossos pedidos. Deus não é como o juiz na parábola: interesseiro, injusto e vê somente proveitos pessoais. Deus nos conhece, sabe de todas as nossas necessidades e realmente aquilo que precisamos, quando e como precisamos.

Devemos rezar sempre para mantermos sempre um canal de comunicação aberto para Deus. Diante de um problema, nós vemos o momento e o seu drama diário, Deus vê com profundidade toda nossa história. Deus sempre está pronto a nos ajudar, mas sempre nas circunstâncias que Ele achar melhor. Mesmo que não nos conceda exatamente aquilo que pedimos, somente nosso Deus é capaz de perceber o que é melhor para cada um de nós. Precisamos rezar sempre para adequarmos nossos corações à vontade e à providência de Deus para que, no momento certo e na circunstância justa, Ele possa nos ajudar sempre. 

A oração constante nos ajuda a moldar nossa vida ao amor de Deus, mas também ao tempo de Deus. Os santos aprenderam a não pedir a Deus por suas necessidades, mas a se colocar diante de Deus para cumprir sua vontade. Precisamos ser pessoas de oração que ampliem sua relação com Deus saindo do campo somente pessoal e quase egoísta (somente meus problemas). Moisés (na primeira leitura) tinha descoberto que o seu modo de oração e intimidade com Deus influenciava todo seu povo. Enquanto intercedia por todos, tudo transcorria positivamente, mas quando desanimava, até mesmo pelo cansaço, tudo acontecia ao contrário

A Palavra de Deus (cf. segunda leitura) é um precioso instrumento para nos ajudar a entender a vontade de Deus bem como nos ajuda em nossa comunhão para com Ele. A oração para Jesus é como a paixão que une um casal: mesmo distante fisicamente, cada um se sente sintonizado no amor e no carinho da outra pessoa. Nosso Deus e Pai quer sempre o nosso bem, mas precisamos aprender a nos conformar a esse bem e aceitar sua vontade no tempo e no modo que Ele conhece e acha melhor para cada um de nós. 

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Setor Paraíso realiza peregrinação até o Santuário de Nossa Senhora Aparecida em Brasópolis

No último sábado, dia 11 de outubro, véspera da Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, fiéis do Setor Paraíso se reuniram em um bonito gesto de fé e devoção para realizar uma peregrinação até o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Brasópolis (MG). A caminhada foi marcada por orações, cânticos e um profundo clima de espiritualidade.

A concentração aconteceu às 8h da manhã, na Igreja São Caetano, de onde os peregrinos partiram em caminhada rumo ao Santuário. O trajeto, com duração aproximada de 50 minutos, foi percorrido em clima de comunhão e alegria, expressando o amor e a confiança dos fiéis na Mãe Aparecida.

O momento se insere dentro do Ano Jubilar da Esperança, proclamado pela Igreja para o Jubileu de 2025. Nesse tempo especial de graça, os cristãos são convidados a atravessar a Porta Santa como sinal de conversão e renovação espiritual. Esse gesto simboliza a entrada em uma nova vida em Cristo e oferece aos fiéis a oportunidade de reconciliação com Deus e de receber a indulgência plenária, mediante a confissão, comunhão e oração pelas intenções do Papa.

A Santa Missa foi celebrada em frente ao Santuário, presidida pelo Padre Edson Aparecido da Silva, pároco da Matriz de Nossa Senhora das Dores, de Gonçalves, e concelebrada pelos padres do Setor Paraíso. Durante a celebração, um dos momentos mais emocionantes foi a coroação da imagem de Nossa Senhora Aparecida, realizada pelos sacerdotes, em um gesto de carinho e devoção à Padroeira do Brasil.

Encerrando o encontro, os fiéis participaram de uma confraternização, com a partilha dos alimentos levados por cada participante — um gesto simples, mas repleto de comunhão e gratidão.

A peregrinação foi um testemunho vivo da fé mariana e da esperança que move o povo de Deus, reforçando o desejo de todos de continuar caminhando sob o olhar e a proteção amorosa de Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Rainha do Brasil.

 

Confira alguns momentos:

Texto: Lidiane Brito.

Fotos: Aracy Vilela.


#Reflexão: Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida (12 de outubro)

A Igreja celebra neste domingo a Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida (12). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Est 5,1b-2;7,2b-3
Salmo: 44(45),11-12a.12b-13.14-15a.15b-16 (R. 11.12a)
2ª Leitura: Ap 12,1.5.13a.15-16a
Evangelho: Jo 2,1-11 (Bodas de Caná)

Acesse aqui as leituras.

NOSSA SENHORA APARECIDA

  O primeiro chamado de Maria foi de ser mãe, mãe do Salvador. Deus a fez especial, única e a mais santa. Para ser a mãe de Deus era necessário que fosse, não a mais divina, não! Mas, que fosse a mais humana entre os homens e as mulheres.

A jovem Maria tinha que ser a melhor criatura, “cheia de graça” para poder gerar sem o pior da realidade humana que é o pecado. Ela é sem pecado, para que a graça de Deus fosse plena nela, e assim gerar na mais profunda realidade humana e divina, o Salvador Jesus;

Maria é a mais digna e perfeita criatura – ela sem ser Deus – foi o único ser que trouxe em seu ventre, Deus, que gerou todo o universo. Dentro de Maria, nos nove meses, o Salvador foi formado na sua segunda natureza: a realidade humana. Assim, era necessário que o Redentor da humanidade tivesse o melhor entre todas as mulheres e os homens da terra;

Mas, se tudo foi grandioso em seu significado; tudo se mostrou simples e humilde em sua realização. Maria não se encheu de si, não viveu em um palácio e nem pediu um tratamento especial. Continuou sendo a simples e humilde jovem de Nazaré juntamente com seu justo marido, São José. 

Os dias e os meses transcorreram normais e singelos como de qualquer outra família nas terras da Galileia. Deus escolheu uma simples família para poder experimentar o sentido profundo que deve acontecer em todas as famílias: cada pessoa deve ser o maior tesouro e a maior riqueza um para o outro. Tudo é transitório (tudo passa), somente as pessoas devem permanecer para sempre ao nosso lado e depois em nossos corações e lembranças.

Segundo a Sagrada Escritura, a vocação de Maria como mãe de Deus não se encerrou com a maioridade do filho Jesus. Ela também fez a caminhada como discípula e aprendeu a entrar na lógica do filho que ensinou com Palavras e com a sua vida que o sentido único de nossa existência é doar-se completamente ao próximo. O sentido perfeito do amor, nunca é sozinho, exclusivo e egoísta, mas somente tem sentido quando é doado, esvaziado em uma entrega constante e sem limites.

Uma sociedade que alimenta o egoísmo como forma de ser feliz, terá tudo, menos a felicidades. Jesus foi plenamente feliz, pois viveu até o fim, partilhando e doando o melhor de si para os outros.

Mas a vocação de Maria tem um novo recomeço aos pés da Cruz. Lá onde aparentemente tudo de ruim acontecia; onde o mal parecia triunfar, Jesus em um último gesto, ainda se preocupando com a humanidade. Já tinha deixado uma vida de exemplo e testemunho que o amor é a única solução para sermos felizes neste mundo, mas um amor que faz o bem e que se doa completamente; já tinha deixa ensinamentos e mostrado um caminho que todos devemos percorrer, seguindo-O como Mestre e Pastor.

No alto da cruz, em meio a dores e sofrimento, entrega o que ainda tinha consigo, que tinha levado até o último momento: suas palavras são de perdão para todos e, depois, faz uma última entrega. Algumas pessoas acompanharam o Mestre Jesus naquele momento: Mulheres, amigo e sua mãe. “Vendo sua mãe”, assim introduz São João para nos apresentar a última entrega de Cristo. Nosso Senhor não tem um olhar de revolta ou de ódio, mas vê sua mãe... certamente, foi o primeiro rosto que viu ao vir a este mundo. 

Ao lado da mãe de Jesus esteva o seu discípulo amado. Os dois já unidos diante da entrega do Salvador; juntos enfrentavam os momentos de sofrimento de Jesus. Jesus pensa nos dois e sela uma nova realidade entre sua mãe e seu discípulo, o mais estimado. Há uma ordem e ao mesmo tempo um pedido: Que a Mãe, também Mulher das dores e sofrimentos, acolhesse seus discípulos, como filhos: “eis aí teu filho”; A mesma ordem é dada ao discípulo: “eis aí a tua mãe”. Nasce aos pés da cruz, como ordem de Jesus, uma nova família.

Maria, a mãe de Cristo, tornasse a Mãe de todos os discípulos de Jesus. Ela que foi uma presença constante na vida do Mestre, deverá ser mãe também de todos que aceitassem Jesus.

Nossa Senhora como chamamos, não interferiu na missão de Jesus, mas certamente, foi uma presença importante, serena e confiante de que tudo é da vontade de Deus.

Maria foi a primeira a nos ensinar em como devemos viver nossa vocação: 

  1. Estar sempre em sintonia com Deus seja na Palavra ou na oração;
  2. Ouvir e sentir a voz de Deus que nos fala de tantos modos: na Bíblia, nas orações, em cada pessoa, em nossas celebrações... Ouvir e confiar;
  3. Por fim, se colocar no serviço, cumprindo a missão;

A mãe de Jesus é a mais presente, sem ser o principal; silenciosa, fala de Jesus nos pequenos gestos de mãe e depois, de discípula. Escuta e faz a vontade do Pai.

Ester na 1ª leitura é a rainha que também quer o bem do seu povo; Maria é a rainha do céu como nos diz a 2ª leitura, cercada de todas as forças deste mundo, mas que se preocupa com o bem de todos, até mesmo da simples falta de vinho em um casamento.

Ela é a mãe que continua presente em sua Igreja que caminha na história cumprindo a missão de levar Jesus a todos os povos. É a mãe que se apresenta com as feições de cada povo em todos os tempos, como se fez sentir presente para os humildes pescadores do Vale do Paraíba que no seu cotidiano, experimentaram os milagres de Deus.

Em Aparecida tudo começou com os pequenos, com os simples e os pobres para se tornar uma presença constante na vida de todos os brasileiros de fé católica. Uma mãe que continua zelando pelos discípulos de Jesus, cumprindo sua vocação e missão de Mãe de todos que buscam testemunhar o amor e misericórdia de Deus. Que a Mãe Aparecida nos ajude em nossa missão de discípulos de Jesus, cumprindo nossa vocação de filhos e filhas de Deus que somos desde o nosso batismo, mas também de semeadores da paz e da misericórdia que nos ensinou nosso Mestre Jesus.

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#Reflexão: 27° domingo do Tempo Comum (5 de outubro)

A Igreja celebra o 27° domingo do Tempo Comum, neste domingo (5). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Hab 1,2-3.2,2-4
Salmo: 94(95),1-2.6-7.8-9 (R. 8)
2ª Leitura: 2Tm 1,6-8.13-14
Evangelho: Lc 17,5-10

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            FÉ AUTÊNTICA E HUMILDE PARA SERVIR SEMPRE

             As leituras e Jesus, neste domingo, nos ajudam a mergulhar com mais profundidade na questão da fé, grande dom de Deus, mas sem a nossa participação e a nossa contribuição, ela pode fazer muito pouco.

O profeta Habacuc (1ª leitura) apresenta a Deus uma grande lamentação e várias perguntas. Os desafios e os problemas que o povo estava enfrentando eram grandes e o rei estava indiferente a tudo, preocupado em construir seu palácio. Sensível aos problemas da sua gente, Habacuc pergunta, desesperadamente, porque seu povo estava passando por tanta dor, sofrimento e nenhuma solução se apresentava ao horizonte, principalmente da parte de Deus. O profeta não questiona a autoridade de Deus, mas sente o peso da realidade ao seu redor. A resposta de Deus é um chamado a acreditar Nele, pois Deus não abandona jamais seu povo.

Fé em Deus também é o apelo que Paulo (2ª leitura) faz ao seu afilhado na fé: Timóteo. Na prisão e pressentindo o seu final, o apóstolo convida: a não se deixar abalar por nada, a renovar sua confiança, a não abandonar o que recebeu e não esquecer os princípios de sua fé em Cristo Jesus.

Há um paralelo entre o exemplo de fé do profeta Habacuc e Paulo. O primeiro questiona Deus diante dos problemas do seu povo, não se opõe a Ele, mas sente o peso e a responsabilidade de realizar algo para ajudar seu povo. Paulo apesar de se encontrar em uma situação de sofrimento e aparente desespero (está na prisão), procura animar seu afilhado na fé (Timóteo) a permanecer firma na fé, nos ensinamentos e principalmente no testemunho de Jesus Cristo.

Sabemos que “fé” é um dom de Deus. Ele é quem distribui a todos como Bom Agricultor que sai para semear a boa semente em todo lugar. Tudo parte de Deus, inicia-se com Ele, mas a fé precisa ser acercada de outras virtudes que cada pessoa deve acrescentar. A resposta e a adesão de cada pessoa a fé que lhe foi confiada é que produz em cada um, os bons frutos desejados, como nos diz Jesus: “Tua fé de curou!” (cf. Mt 8,13; 9,22.29; 15,28; Mc 5,34; 10,52; Lc 7,50; 8,48; 17,19; 18,42).

No Evangelho deste domingo temos uma passagem que é consequência de um difícil ensinamento de Jesus. No texto anterior ao que ouvimos no Evangelho, Jesus ensina sobre a necessidade de perdoar sempre, incondicionalmente, mesmo quando o teu irmão pecar contra ti sete vezes ao dia (“sete” é um número que significa perfeição, completeza) e se ele se arrepender e pedir perdão, você deve perdoá-lo sem colocar condições ou limites. Após este ensinamento, os apóstolos pediram a Jesus: “aumenta-nos a fé”. Eles perceberam que precisariam de uma “fé grande” para poder colocar em prática os ensinamentos do Mestre. Eles não pedem que lhes fosse dada fé, mas aumentar a que já possuíam. Como os apóstolos, também nós, teimamos em aceitar este tipo de perdão incondicional. Mas, a resposta de Jesus é muito mais profunda e ampla.

Jesus não dá o que Lhe foi pedido pelos apóstolos, mas apresenta algumas questões sobre a profundidade da fé com uma pequena parábola do grão de mostarda. Se todos tivessem fé do tamanho do grão de mostarda poderiam fazer grandes coisas. Não se deve entender aqui: “fazer grandes prodígios” algo como “um grande show ou espetáculo” como transportar uma árvore de lugar, isto nem Jesus e nem os apóstolos fizeram, o sentido é outro. O termo original que é traduzido em português como “amoreira” está ligado a uma árvore que possuía raízes profundas e muito difícil de ser arrancada do solo. Segundo Jesus não é necessária uma “grande fé”, mas uma “fé autêntica” que, por si só, já é capaz de arrancar “grandes árvores” com suas raízes profundas que se encontram em nossos corações. O principal obstáculo para perdoar incondicionalmente os outros são os grandes obstáculos (árvores com profundas raízes) que plantamos em nossos corações. Dessa forma, Jesus esclarece que basta ter uma fé verdadeira, pois mesmo que seja pequena como um grão de mostarda já será capaz de fazer grandes coisas, principalmente, eliminar tudo que atrapalha a graça do perdão de Deus em nós e de nós para os outros.

Jesus propõe com um “jogo” interessante com duas ideias que são opostas: menor grão como fé x arrancar uma grande árvore com suas raízes. A força não está em uma fé poderosa e mágica que, por si só, seria capaz de realizar grande prodígios, mas uma fé que reconhece que é em Deus, que encontramos toda força de que precisamos, assim, é preciso saber obedecer a Deus e se colocar como servos que obedecem, dia e noite, seu Senhor. É Deus que em nós e através de nós que vai arrancar árvores com suas raízes e transportá-las para longe.

Assim, acreditar (ter fé) não é conhecer doutrinas e estar agregado a uma instituição, mas confiar em Deus. Muitos possuem a fé original semeada por Deus, mas não somam a ela a confiança e a fidelidade. Ninguém confia em coisas, mas em pessoas! Confiar é depositar nossas seguranças e certezas não em nossos princípios e valores, mas em Deus. Tal confiança e entrega devem ser traduzidas no seguimento de suas Palavras (Jesus é o “Verbo” de Deus) e pronto para cumprir Sua vontade. Para Jesus é fundamental e inseparável: fé e confiança.

O Evangelho prossegue com Jesus apresentando algumas perguntas que retratam aquilo que todos conheciam muito bem: relação entre um servo e o seu patrão. Aqui Jesus não quer confirmar que tudo deve ser assim, mas esta era a realidade que conheciam e viam como algo comum.

A cena construída por Jesus com perguntas mostra um servo que é aplicado ao seu ofício. Ele trabalha o dia todo no campo e quando retorna à casa do seu patrão, ele ainda realiza outras atividades (prepara a mesa para seu senhor). Trabalhar para o seu patrão é estar disponível sempre e, em todos os momentos, estar preocupado em atender as necessidades do seu senhor. Jesus pergunta se tal servo faz algo de extraordinário. Certamente, todos devem ter confirmado que não fez mais que a obrigação. Estar atendo às necessidades do seu senhor e da sua propriedade era a única realidade que o servo deveria ter em sua vida. Não é um favor que o servo faz, mas sua obrigação e dever para continuar naquela casa.

            Jesus, partindo deste quadro conhecido por todos (servo e senhor), aplica também à realidade de todos os seus apóstolos e discípulos. Cada um depois de ter trabalhado no campo (no mundo) e na casa do seu senhor (na comunidade ou Igreja) deve dizer a si próprio: somos meros servos e iguais a todos os outros: inúteis aos olhos do mundo. Não é o senhor quem diz ao servo, mas cada um deve dizer para si mesmo. Deus não considera nenhum como um “escravo”, mas cada um deve se colocar como um servo diante de Deus sem pretensões, exigências ou troca de favores.

Com esta história, Jesus também critica a mentalidade do seu tempo, principalmente entre os fariseus que pensavam adquirir algum direito diante de Deus ao cumprir as leis e os Mandamentos. Nós não fazemos nada mais que nossa obrigação e dever, pois são para o nosso bem. Todos nós estamos em profunda dependência em relação a Deus, assim, ninguém deve pensar em um dia se apresentar diante de Deus com alguma pretensão ou exigência, exatamente como Jesus afirma através de suas perguntas sobre o servo ao final do seu dia de serviço.

“Servo” na boca e na vida de Jesus não significa alguém que é escravo ou insignificante para Deus (assim, pensavam muitos na época de Cristo). Mas, é expressão do total serviço, sem pretensões, feito na gratuidade (sem pagamento, senão seria um empregado). Jesus se coloca como servo de todos e convida todos a serem servos uns dos outros. Ele lava os pés dos discípulos (no Evangelho de João) e pede que todos façam o mesmo. Cada um que se coloca como servo no amor e na misericórdia uns dos outros é servo como Jesus mesmo foi servo. Mesmo que aos olhos do mundo seja um “servo inútil”, mas para Deus será expressão do mesmo Jesus que foi o maior Servo do amor de Deus. Na parábola deste domingo, o servo não foi inútil, pois cumpriu com prontidão todas as suas tarefas, mas ele deve dizer a si mesmo (“em seu coração”): não fiz nada mais que minha obrigação, pois diante de Deus, nada somos (“inúteis”), fugindo assim, à tentação de se vangloriar diante de Deus.

Percebemos segundo as palavras de Jesus que fé é confiar plenamente nas mãos de Deus, viver uma vida de serviço sempre e, acima de tudo, com um coração humilde e desprendido de tudo e de todos, para incondicionalmente confiar plenamente em Deus e no Seu amor, Jesus.

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Euangelion no cristianismo: um novo gênero literário

O desenvolvimento semântico da palavra evangelho ocorreu a partir de três fases culturais consecutivas, historicamente situadas entre o aparecimento do império de Roma, em 27 a.C., e o século II. Originado no contexto político e militar grego-romano, ao encontrar-se com o cristianismo nascente, o termo euangelion passou a designar a pessoa de Jesus, sua mensagem e a missão catequética de seus apóstolos, até consolidar-se, mais tarde, como o título dos livros que narram a vida do Filho de Deus que se fez homem para a salvação do mundo (cf. Jo 13,17). Sendo assim, as três etapas de formação do sentido cristão de evangelho podem ser definidas como estágio gentílico, estágio cristocêntrico e estágio literário.

No estágio gentílico pré-cristão, euangelion diz respeito tanto aos bons resultados obtidos por um determinado povo durante guerras quanto ao nascimento de um imperador. Para testemunhar o uso político-militar do termo evangelho, dentre outras fontes históricas, pode-se recuperar um antiquíssimo documento do império romano, datado de 9 a.C. e chamado de Inscrição do Calendário de Priene (cf. DITTENBERGER, Wilhelm. Orientis Graci Inscriptiones Selectae, n. 458. 1903-1905). Assinado por Paulus Fabius Maximus (46 a.C.-14 d.C.), procônsul romano da província da Ásia, e encontrado na cidade grega de Priene, na antiga região da Jônia (Ásia Menor), atual Turquia, o documento esculpido em pedras é um édito no qual se afirma que o nascimento de Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus (63 a.C.-14 d.C.), primeiro imperador de Roma, é um evangelho, uma boa notícia, o início de um novo reino.

Ao reconhecer César Augusto como o salvador divino que fora enviado pela “Providência que ordena todas as coisas para beneficiar a humanidade, terminando as guerras e estabelecendo todas as coisas com dignidade” (cf. DEROUX, Carl. Studies in Latin Literature and Roman History XII. Bruxelas: Éditions Latomus, 2005. Volume 287.), o procônsul determinou que o dia do nascimento do imperador deveria ser considerado pelos romanos o anúncio da boa nova de um tempo inédito: “...visto que o dia do nascimento do deus [o imperador Augusto] foi o princípio do euangelion” (ηρξεν δε τω κοσμω των δι αυτον ευανγελιων η γενεθλιος ημερα του θεου). Esse estágio gentílico de origem do termo evangelho, usado para se referir ao natal (dies natalis) do governante político que é simultaneamente uma divindade messiânica, oferece a moldura para o surgimento da fase cristocêntrica.

O advento do cristianismo fez com que a palavra euangelion fosse ressignificada pelos seguidores de Jesus, a partir de uma ótica radicalmente diferente daquela que era adotada pelos gentios. Essa novidade semântica pode ser observada, por exemplo, no uso que a comunidade que escreveu o primeiro relato canônico da vida e da obra de Cristo fez do termo. No livro bíblico redigido, entre 65 e 70 d.C., provavelmente na região da Galileia, pelo grupo que foi catequizado por São Marcos, a grande preocupação dos cristãos foi anunciar e comprovar que Jesus é o único salvador, porque Ele é o Filho de Deus. Se os romanos atribuíam ao imperador o título messiânico e a natureza divinal que só podem pertencer ao Cristo, segundo o cristianismo, a comunidade marcana não exitou em anunciar logo no início de sua narrativa que o verdadeiro evangelho é Jesus: “o início do evangelho de Jesus Cristo, o Filho de Deus” (Ἀρχὴ τοῦ εὐαγγελίου Ἰησοῦ Χριστοῦ Υἱοῦ Θεοῦ).

Na passagem do entendimento de evangelho como a boa nova do nascimento do imperador para a compreensão cristocêntrica da novidade alvissareira da chegada do Reino de Deus com Jesus, está a grande ironia histórica de reinterpretação da palavra euangelion. Inaugurando um sentido essencialmente teológico para o evangelho, através do qual a humanidade inteira, e não somente os romanos, é convidada a reconhecer no Cristo, na sua mensagem salvífica e na sua missão redentora a Boa Nova, os cristãos proclamam o “evangelho que Deus já havia prometido por meio de seus profetas nas Sagradas Escrituras, a respeito de seu Filho, nascido da descendência de Davi segundo a carne, proclamado Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de Santidade, mediante a ressurreição dos mortos, Jesus Cristo nosso Senhor” (Rm 1,2-4). Se durante a segunda metade do século I euangelion era sinônimo de Jesus, a partir do século II os autores cristãos passaram a usar o termo para se referir aos livros que contam a Boa Nova. Trata-se do estágio literário!

De acordo com a tradição, Flávio Justino (103-164), conhecido como Justino Mártir, um proeminente teólogo da Igreja cristã primitiva, teria sido o primeiro escritor a referir-se aos livros que narram a vida, a mensagem e a obra de Jesus como evangelhos. Intelectual de grande envergadura filosófica, Justino se converteu ao cristianismo por volta de 132, sendo decapitado no final de sua trajetória terrena, juntamente com seis de seus discípulos, por professar a fé em Cristo, que, até então, era tida como ilícita pelo império. Em sua mais importante obra, chamada Primeira Apologia, escrita entre 147 e 161, endereçada ao imperador Titus Aelius Hadrianus Antoninus Pius (86-161) e a seus filhos, e destinada a defender os cristãos das acusações e perseguições imperiais, Justino fala das memórias escritas pelos apóstolos e as identifica como evangelhos.

No capítulo 66 da Primeira Apologia, ao discursar sobre a teologia da Eucaristia celebrada pelos cristãos, São Justino diz o seguinte: “este alimento se chama entre nós Eucaristia [...]. Foi isso que os Apóstolos nas Memórias por eles escritas, que se chamam Evangelhos, nos transmitiram que assim foi mandado a eles, quando Jesus, tomando o cálice e dando graças, disse: ‘este é o meu sangue’, e só participou isso a eles” (cf. Apologias de Justino Mártir. Trad. Paulo Matheus Souza. Repositório Cristão: 2022). A menção do santo aos livros a respeito da vida e da missão de Cristo sob o título de evangelhos revela uma prática que deveria ocorrer entre os cristãos desde, pelo menos, o início do século II. Dessa maneira, a palavra euangelion encontrou seu último e definitivo significado na função didática de nomear a produção textual das comunidades primevas que, a fim de testemunhar perpetuamente a memória dos ditos e feitos de Jesus, produziram um novo gênero literário narrativo para compor as Escrituras Sagradas.

Como se pode notar, o percurso de desenvolvimento semântico do termo evangelho ocorre segundo uma dinâmica pedagogicamente organizada por Deus: a história forneceu o substrato linguístico (o signo), Cristo conduziu a palavra ao seu sentido mais profundo (o significado) e a Igreja canonizou o seu uso para falar dos livros que carregam a Palavra de Deus (o significante). Em cada uma dos estágios, o termo euangelion adquiriu novas e cada vez mais amplas conotações, para que fosse capaz de carregar aquela Boa Nova absurdamente tremenda, segundo a qual “Deus não nos destinou para a ira, e sim para possuirmos a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele morreu por nós, para que, acordados ou dormindo, vivamos com ele” (1Ts 5,9-10).

Imagem de digitlchic por Pixabay

 


Pastoral Familiar realiza encontro de formação em Pouso Alegre

Aconteceram nos dias 27 e 28 de setembro, os 4 primeiros módulos da segunda fase do INAPAF, formação para agentes da Pastoral Familiar. A formação foi no Santuário Imaculado Coração de Maria em Pouso Alegre.
Participaram 25 casais, agentes da Pastoral Familiar de nossa Arquidiocese.
Ministraram estes módulos: Bianca Galo e Alexandre Galo, membros do Núcleo de Formação e Espiritualidade do Regional Leste 2 da CNBB; e Francini Batista e Laércio Guedes, coordenadores Arquidiocesesanos da Pastoral Familiar de Pouso Alegre.
Esteve ainda presente, o assessor eclesiástico da Pastoral Familiar arquidiocesana, Cônego Mauro Morais.
Um fim de semana com muito aprendizado.

 

Texto e fotos: Francini Sales Silva Batista


Arquidiocese representada no 14º MUTICOM

De 25 a 28 de setembro, aconteceu na capital amazonense o 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom 2025), com o tema “Comunicação e Ecologia Integral: transformação e sustentabilidade justa”.

A Arquidiocese de Pouso Alegre marcou presença neste importante encontro nacional por meio de dois representantes: os padres: Anderson Ribeiro e Júlio César.

A delegação do Regional Leste 2 também conta com outros 10 agentes e representantes da Pascom, que se unem para refletir, compartilhar experiências e buscar novos caminhos para a comunicação eclesial nas dioceses de Minas Gerais.

 

O evento está sendo realizado no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus.

A metodologia adotada é inspirada nos rios amazônicos, com grupos temáticos (“rios”) onde se discutirá comunicação popular, espiritualidade ecológica, ativismo digital, jornalismo ambiental, entre outros temas.

Ao final do encontro espera‑se que o encontro gere um documento coletivo, que será útil para subsidiar ações em paróquias e dioceses após o evento.

O encontro contou, também, com momentos de espiritualidade, apresentações culturais e oficinas para agentes da comunicação de todo o Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Realizada Assembleia ordinária e eletiva do CNLB Arquidiocese de Pouso Alegre

No sábado, 27, no Centro Pastoral dom José d’Ângelo Neto da paróquia Nossa Senhora de Fátima, realizou-se a assembleia do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) Arquidiocese de Pouso Alegre, que teve como um dos objetivos a eleição dos membros da presidência e do colegiado da entidade.

Painel com síntese histórica e publicações da caminhada

Após a acolhida feita pela presidente, senhora Dalva Rangel da Veiga Neri, todos participaram de um rico momento de oração, conduzida pela senhora Maria Cristina de Souza Faria.

Seguiu-se a leitura e aprovação do Regimento Interno, conduzidos pelo secretário geral do organismo no Leste 2 da CNBB, Leonardo Henrique de Souza Moura, e, na sequência, o 2º secretário do CNLB – Nacional, Eder Dartagnan Guimarães, desenvolveu o tema sobre os cristãos leigos e leigas na Igreja.

Leonardo assessora os trabalhos de apresentação e aprovação do Regimento Interno
Eder conclui a apresentação sobre cristãos Leigos e Leigas na Igreja

No período da tarde, ocorreu o processo eletivo, que elegeu a seguinte presidência para o quadriênio 27/9/25 – 26/9/29:

- Presidente: André Ferreira Martins

- Vice-presidente: Euclides Nascimento

- Secretária: Maria Cristina de Souza Faria

- Secretária adjunta: Márcia Cristina da Cruz

- Tesoureira: Dalva Rangel da Veiga Neri

- Tesoureira adjunta: Rosemeyre Grego

Foi apresentado um interessante memorial com o resgate histórico da caminhada do CNLB na arquidiocese desde sua criação no episcopado de dom José d’Ângelo Neto, passando pelo de dom João Bergese até o pastoreio de dom José Luiz Majella Delgado.

Seguiu-se a eleição do colegiado, composto por dois representantes de cada setor pastoral da arquidiocese. Apenas o setor Dourado escolherá seus representantes posteriormente.

Após a palavra do presidente eleito, a assembleia foi encerrada com um belo momento de oração e confraternização entre os participantes.

Na imagem destacada, os membros da nova Presidência e do Colegiado

Texto e fotos: Luiz Gonzaga da Rosa


#Reflexão: 26° domingo do Tempo Comum (28 de Setembro)

A Igreja celebra o 26° domingo do Tempo Comum, neste domingo (28). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Am 6,1a.4-7
Salmo: 145(146),7.8-9a.9bc-10 (R. 1)
2ª Leitura: 1Tm 6,11-16
Evangelho: Lc 16,19-31

Acesse aqui as leituras.

LÁZARO E O RICO SEM NOME

A parábola deste domingo é provocante e profundamente questionadora. É importante dizer, primeiramente que Jesus não tem intenção de alimentar nenhuma rivalidade entre ricos e pobres, mas alertar a todos sobre como conduzir a vida neste mundo: nossa eternidade começa no hoje de nossa vida, com as pessoas que convivemos, como vivemos e como conduzimos nossa história.

Jesus conta a parábola tendo em mente os fariseus que se manifestaram logo após a parábola de domingo passado conforme o próprio Lucas assinala: “Os fariseus amigos do dinheiro ouviram tudo isso e zombavam dele” (Lc 16,14). No entanto, este ensinamento serve para todos os discípulos. Os fariseus eram os religiosos da época que se sentiam já salvos segundo o modo como praticavam a religião deles. Eles eram mestres da lei e das Escrituras, mas pobres na relação com o próximo. Jesus tenta sacudi-los contando a parábola deste domingo.

Já no início da parábola temos os dois personagens principais que são descritos com muita particularidade. São tão diferentes em vida e aparentemente tão distantes, apesar de estarem tão próximos. O primeiro personagem é “um homem rico”, ele não tem nome, mas possui uma vida que, talvez, era o sonho de todos. Esse sujeito se vestia com as melhores roupas para época, segundo texto original eram de dois tipos: a púrpura era uma cor que se conseguia com pigmentos caríssimos que eram trazidos de muito longe, só os mais ricos usavam tecidos com esta cor e em um período da história somente os imperadores tinham direito de usá-la; o linho era um tecido importado do Egito. O texto dá a entender que essas eram as suas roupas diárias. Era uma pessoa que se dava ao luxo de banquetear todos os dias. Este modo de vida tinha se tornado sua identidade, não tinha nome, desconhecido de todos, não conhecia ninguém inclusive Deus. Nada se diz sobre a origem de sua riqueza ou se era um pecador, mas que o seu tempo era usado somente para proveito próprio e para as suas extravagantes necessidades pessoais. O seu mundo era vivido com intensidade dentro de sua casa em festas diárias. Ele era o centro de tudo. Nada se diz de sua família (filhos e esposa) e outras pessoas (empregados amigos).

Jesus prossegue com a parábola dizendo que também naquele lugar havia um homem, este possuía um nome: Lázaro. Nas parábolas de Jesus, normalmente, os personagens não possuem um nome (um pai e dois filhos, pescador, agricultor, dona de casa etc.), mas esta parábola é a única que sabemos o nome de um personagem. Lázaro é descrito como pobre, mas mais do que isto, era um doente que estava na porta da casa do rico. Este pobre doente nada pede, mas procurava matar a fome com o resto que caia da mesa do rico e era jogado fora. Ele nada exigia, mas somente o mínimo para sobreviver; não cobrava grandes soluções, mas apenas o resto desperdiçado da mesa do rico: bolinhas de pão usadas para limpar a boca que eram jogadas aos cães. E assim levava sua vida tendo somente o consolo dos cães que lhe lambiam as feridas. A sua única riqueza, no entanto, era ter um nome: “Lázaro” (“Deus ajuda” em hebraico).

Dois extremos que conviviam tão próximos. O rico, certamente, entrava e saia de sua casa, mas não enxergava o pobre Lázaro. Para o rico sem nome, o pobre doente era como se não existisse, um animal. Vidas tão distantes, mas que tiveram o mesmo destino comum: a morte. Em vida, um se encontrava na melhor situação e o outro no extremo oposto. Após a morte, Lázaro é levado ao céu por anjos, máxima honra que um judeu poderia ter: estar ao lado de Abraão depois da morte. Jesus dá a entender que nem passou pela mansão dos mortos, o “Hades”. Já o rico sem nome é somente “sepultado”, nada mais. 

Jesus continua a parábola narrando às situações opostas em que se encontravam depois desta vida. Novamente, aquele que era rico em vida, após a morte se encontrava em uma realidade de extremo sofrimento. Envolvido pela dor, ele levanta os olhos e suplica a Abraão. Em muitos casos, para aqueles que estão neste mundo vivendo uma vida longe de tudo e todos, o único remédio para abrir os olhos é o sofrimento. Em um lugar inferior (inferno?), ele vê Abraão e Lázaro. Neste momento da parábola, descobrimos que o ex-rico sem nome era um religioso, pois conhecia Abraão e também Lázaro. Antes em vida não tinha visto Lázaro e somente o enxerga após sentir “na pele” o que o próprio Lázaro viveu em vida; quando estava vivo tinha seus olhos para as coisas materiais, agora “levanta seus olhos” como um gesto de prece. O rico no lugar de tormentos se põe a mendigar; pede como um fiel piedoso: “Pai Abraão, compadece-se de mim...!”. Mas, para ele já era muito tarde: nada podia ser modificado. Antes o rico opulento era orgulho, agora mendiga “migalhas” para si: uma gota d’água. No entanto, na continua pedindo, mas manda Abraão fazer algo: “manda Lázaro molhar...”.

O rico sem nome, em vida, tinha criado uma grande distância entre ele e o pobre Lázaro, não obstante que ele estava à porta de sua casa. Essa distância se tornou um abismo na eternidade. Ele teve a chance de mudar de vida, de abrir seus olhos, de dividir um pouco de tudo que tinha, mas tudo foi usado de modo egoísta. Sabemos que todos nós temos direito ao necessário para a nossa vida, mas aquilo que é excesso (riqueza) é algo que pertence (um direito) aos pobres. 

O ex-rico sem nome no lugar de tormento tenta mudar algo, exigir alguma coisa, implorar pelo mínimo, mas nada se pode mudar quando a “jogo da vida” termina. O nosso destino sobre o nosso futuro é jogado enquanto temos tempo e possibilidade nesta vida. O rico miserável não tinha percebido que Lázaro não era um peso, um problema, um “descuido” de Deus, mas a sua possibilidade de salvação colocada por Deus próximo ele. Na língua original, Jesus diz que Lázaro “tinha sido colocado a porta do rico” (por quem? Por Deus?). Ao desprezar e ao ser indiferente para com Lázaro, ele rejeitou a sua própria salvação. O seu pecado foi não ter feito o mínimo de bem para um miserável.

Abraão chama o rico atormentado no lugar de tormentos de “filho”, mas esclarece que ele teve oportunidade de mudar tudo em vida e que naquela situação em que se encontrava, nem Abraão, depois de sua morte, pode mudar algo. Ele nada pode fazer estando no céu em relação àqueles que estão no inferno. O destino do rico sem nome foi traçado em vida e nada pode ser modificado.

Na profundeza do abismo, o rico mendicante se lembra de seus familiares e percebe que terão o mesmo destino que ele. Implora que Abraão faça algo para que eles não tenham o mesmo destino. Mas, para aqueles que estão em vida - esclarece Abraão - tudo pode ser diferente e eles já possuem os meios para se salvarem. Lembra Pai Abraão: “Eles têm Moisés e os profetas”. “Moisés” representa para os judeus a Lei de Deus, ao dizer isto, Jesus (é Ele quem está contado a parábola) alerta que seguir os Mandamentos de Deus é estar na estrada de salvação; “os profetas” são aqueles que emprestam suas vozes para Deus alertar o povo sobre as falhas em relação à vontade divina como Amós na primeira leitura que retrata uma realidade idêntica do rico na parábola. É fundamental, assim conhecer a Lei, mas também escutar os profetas. 

Mas, o rico conhece muito bem seus irmãos ainda vivos e sabe que eles têm a mesma vida que ele tinha: não dão importância nem a lei e muito menos à voz dos profetas. Vivem de forma egoísta e completamente indiferentes em relação ao próximo, principalmente aos mais necessitados. Tanto a Lei (torah) e os profetas afirmam e denunciam sobre a necessidade de acudir os pobres e necessitados. Ao final da parábola, Abraão (Jesus) afirma que se alguém não dá valor aos Mandamentos (Moisés) e àqueles que procuram atualizá-los (os profetas), nem mesmo um milagre (alguém retornar da morte) vai tocar seus corações. 

O “inferno” não são os sofrimentos como os desta vida, mas uma eternidade sem ninguém. Viver egoistamente neste mundo sem se importar com o próximo e com Deus é uma amostra daquilo que será a eternidade. As dores neste mundo atingem o corpo e fazem mal àqueles que estão vivendo no sofrimento, mas o verdadeiro inferno será uma eternidade no vazio, sem ninguém, sem uma gota de alívio para um sofrimento que atinge a alma da pessoa

Jesus alerta com esta parábola sobre o risco das pessoas que se fecham em suas riquezas e não mais enxergam a necessidade do próximo. As barreiras levantadas que impedem enxergar os miseráveis deste mundo acabam que encerrando as pessoas em um egoísmo que conduz a uma eternidade sem ninguém. A salvação se conquista obervando as Leis e ouvido os profetas, mas principalmente colocando em prática tudo através de nossa caridade. Para Jesus, os necessitados e os pobres são Sacramento de salvação como Ele mesmo diz: “Estive com fome e me destes de comer...”. O rico sem nome na parábola não foi para o inferno porque era rico, mas porque perdeu a capacidade de ver o próximo e de fazer algo para ajudar os mais necessitados. A salvação estava muito próxima dele, na soleira de sua porta, mas ele fechado em seu mundo de prazeres e desperdício não conseguia mais ver ninguém. A riqueza para ele se tornou um bem somente para este mundo, mas um mal para sua eternidade

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