Representantes da CAL participam de encontro pelo Regional Leste 2

A Comissão de Liturgia do Regional Leste 2 da CNBB, que tem como bispo referencial dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., promove desde segunda-feira, 23 de setembro, o Encontro Regional anual para Coordenadores(as) (Arqui)diocesanos e Assessores das Comissões Litúrgicas, que acontece na Casa de Retiros São José em Belo Horizonte (MG). Pela arquidiocese de Pouso Alegre participam o padre Vanildo de Paiva e a Giovana, ambos da CAL.
Com a presença de aproximadamente 60 pessoas vindas de diversas (Arqui)Dioceses dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, o encontro aborda o tema “Liturgia e Piedade Popular - caminhos e tarefas para a pastoral litúrgica a partir da SC” e conta com a assessoria do Pe. Francisco Inácio Vieira Junior, salesiano, mestre em Liturgia pelo Pontifício Ateneu Santo Anselmo.
De acordo com Dom Majella, o encontro contribuirá para o amadurecimento litúrgico.
“Além do fortalecimento da caminhada de Padres, diáconos, seminaristas, leigos e religiosos, pois o encontro provoca diversas reflexões”, contou o Bispo.
Durante a tarde houve uma visita a Catedral Nossa Senhora da Boa Viagem, onde foi possível demonstrar a vivência da fé em um lugar de passagem e o santuário de adoração perpétua. A visita foi acompanhada pelo pároco da Catedral, Pe. Marcelo Vilva, SSS.
A programação do evento tem previsão de se estender até o dia 26 de setembro, quinta-feira.
Comissão para a Liturgia divulga carta sobre Comunhão às pessoas celíacas
A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), levando em consideração a condição crônica na qual se encontram cristãos católicos permanentemente intolerantes ao glúten em sua alimentação, divulgou uma carta na qual orienta os bispos, sacerdotes, diáconos e a todo o Povo de Deus sobre o uso do pão e o vinho para a Comunhão Eucarística.
O texto é assinado pelo bispo de Paranaguá (RS), dom Edmar Peron, e informa que os fiéis que tiverem extrema intolerância ao glúten, de tal forma que até mesmo uma pouca quantidade é capaz de causar-lhes graves sequelas, podem comungar apenas sob a espécie do vinho. Nesse caso, a Comissão orienta o celíaco para que adquira um pequeno cálice exclusivo, próprio para uso litúrgico e apresente sua situação ao sacerdote que, ao presidir a missa colocará o cálice sobre o altar para que o vinho seja consagrado na Celebração Eucarística.
Na carta, a Comissão chama atenção para o fato da importância que os bispos, presbíteros, diáconos e ministros extraordinários da comunhão eucarística devem dar à doença e aos cuidados que ela exige, entre eles, a atenção para que o cálice para o uso do celíaco não tenha contato com partículas com glúten ou materiais que possam ter tido esse tipo de contato, a fim de garantir a comunhão eucarística segura dessas pessoas.
Ainda na ocasião, a Comissão orienta os sacerdotes para que sequer realizem no cálice o rito da immixtio, isto é, o gesto no qual se coloca uma fração da hóstia no cálice. “Desejamos com isso favorecer aquilo que nos recorda o Papa Francisco em seu discurso de 11 de junho de 2016: ‘a comunidade cristã está chamada a trabalhar para que cada batizado possa fazer a experiência de Cristo nos sacramentos’”, diz um trecho da carta.
Condição autoimune
A doença celíaca é uma condição autoimune, desencadeada pelo consumo do glúten presente no trigo, na aveia, na cevada, no centeio e em todos os derivados destes cereais. Ela pode se manifestar em qualquer fase da vida, afetando todo o corpo e, se não tratada, pode trazer consequências graves para a saúde das pessoas celíacas. Há formas dessa doença em que a pessoa é afetada até mesmo pela presença de traços de glúten ou até pelo simples contato com ele. Segundo as estatísticas, a cada 400 pessoas, uma é celíaca.
Dom Majella participa da primeira reunião da Comissão para a Liturgia da CNBB
O arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., é um dos bispos membros da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se reuniu pela primeira vez para definir as ações e atividades do próximo quadriênio nesta terça-feira (10), em Brasília (DF). Dom Majella é o bispo referência para a Liturgia no Regional Leste 2.
Segundo o bispo de Paranaguá (PR), dom Edmar Peron, presidente da Comissão, os bispos estão analisando e pensando projetos para o quadriênio (2019 a 2023). Uma das sugestões, de acordo com ele, é a de organizar um grupo para que se possa pensar sobre o sínodo da Amazônia, convocado pelo Papa Francisco e que tem como foco identificar novos caminhos para a evangelização dos povos indígenas.

Comissão reunida na sede da CNBB, em Brasília. Foto: Daniel Flores
Dom Carlos Verzeletti, bispo de Castanhal (PA) e membro da Comissão avalia que o sínodo, convocado pelo papa, envolve traços e elementos que possibilitam uma visão sobre a liturgia e a inculturação. “Daí está o propósito de se criar um grupo de estudo que comece a aprofundar essa questão tão importante para a nossa igreja”, salientou.
Cabe aqui lembrar que o Sínodo para Amazônia foi uma resposta do Papa Francisco à realidade da Pan-Amazônia. Seu objetivo além de identificar novos caminhos para a evangelização, especialmente dos povos indígenas, também é o de lançar um olhar para a Floresta Amazônica, pulmão de grande importância para nosso planeta.
Outro ponto de destaque na reunião é a questão do acesso das pessoas celíacas à Comunhão Eucarística. A Comissão pretende, neste quadriênio, elaborar orientações a fim de garantir a comunhão eucarística segura das pessoas celíacas, uma condição autoimune, desencadeada pelo consumo do glúten presente no trigo, na aveia, na cevada, no centeio e derivados.
Dom Edmar Peron explica que a Comissão quer elaborar algumas orientações a fim de sanar algumas dúvidas que ainda pairam como é o caso da questão do vinho. “Tem a questão do vinho para a missa, qualquer vinho vale? Há vinícolas que estão produzindo um bom vinho para a missa e querem um reconhecimento eclesial. Como isso vai se dar? Então, estamos conversando sobre como podemos de fato dar continuidade a essa reflexão e encaminhamentos”, diz.
Ainda nessa semana, durante os dias 11 e 12, o grupo se prepara para receber os bispos referenciais de liturgia dos regionais da CNBB, na sede da entidade em Brasília (DF). Esse é inclusive um dos pontos de destaque na reunião da Comissão. Dom José Luiz Majella, arcebispo de Pouso Alegre (MG) e membro da Comissão, diz que a intenção é também preparar o encontro com os referenciais para que tudo ocorra como o planejado.
Além disso, o arcebispo garante que os membros estão “levantando alguns pontos, principalmente os relativos a caminhada da liturgia que a Comissão vem sempre buscando ou que é procurada para pedir esclarecimentos”. Então, de acordo com ele, essa primeira reunião é o momento de “criar projetos para que a Comissão possa desencadeá-los no decorrer dos próximos quatro anos”, finaliza.
Na ocasião, os assessores da Comissão – padre Thiago Faccini, do Setor Espaço Litúrgico; o jesuíta, irmão Fernando Vieira, do Setor de Música Litúrgica e o padre Leonardo Pinheiro, da Pastoral Litúrgica – também tiveram a oportunidade de apresentar aos bispos suas propostas e sugestões para o quadriênio.
Seminário arquidiocesano celebra 120 anos de fundação
Terminou nesta segunda-feira (9) as festividades de 120 anos do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, com a presença dos bispos da Província Eclesiástica e também de todo o clero arquidiocesano. No sábado (7), os familiares dos seminaristas, e no domingo (9), os benfeitores, já puderam celebrar esta data importante.

Participaram hoje cerca de 80 padres, religiosos, seminaristas e leigos. Os bispos de Campanha e Guaxupé, dom Pedro Cunha e dom José Lanza Neto, respectivamente, participaram das comemorações. O arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., participou e celebrou dos três dias.
Lançamento do Projeto Formativo
Na primeira parte da manhã, foi realizado o lançamento do Projeto Formativo, que quer ser um programa para o itinerário educativo dos candidatos ao sacerdócio ministerial, elaborado a partir das fontes bíblicas e magisteriais, na esteira da nova Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis, elaborada para a Congregação para o Clero e promulgada pelo Papa Francisco em 8 de dezembro de 2016.
"Cada Igreja particular é chamada a debruçar-se sobre esse documento do magistério e elaborar guias consolidados para o seu itinerário formativo, pois o dom da vocação ao presbiterado, conferida por Deus ao coração de alguns homens, exige da Igreja propor-lhes um sério caminho de formação. Com isso, o Projeto Formativo quer ser uma bússola segura para conduzir a vida e a missão do Seminário, a fim de continuar formando os futuros presbíteros, segundo o Coração de Deus", afirmou o reitor, padre Ivan Paulo Moreira.
Ainda segundo o reitor, esse Projeto Formativo é uma construção em mutirão, a partir da riqueza da multiplicidade de vivências e perspectivas eclesiais, de modo a torná-lo englobante e participativo.

Padre Francisco entrega o Projeto Formativo para dom Majella
"Tudo começou com a chegada de nosso quarto arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., em agosto de 2014, o qual, desde os seus primeiros encontros com a equipe formadora, já salientou a importância da atualização dos guias e estatutos vigentes na formação dos futuros presbíteros. Já em 2016, em reunião do Conselho de Ordens e Ministérios da Arquidiocese, houve a aprovação da constituição de um Conselho de Formação que se incubisse da preparação do projeto. O ano de 2017 foi dedicado ao estudo e à discussão do Projeto Formativo pelo Conselho de Formação. Em 2018, ocupou-se da redação do Projeto. Já neste ano de 2019, aconteceram a aprovação do texto atual do Projeto Formativo pelo Conselho de Ordens e Ministérios e a sua apresentação na festa dos 120 anos de fundação do Seminário", explicou padre Ivan.
Fizeram parte da comissão responsável pela elaboração do novo Projeto Formativo: o arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R.; os padre formadores, padre Ivan Paulo Moreira, padre Francisco José da Silva e padre Lucas da Silva Crispim; o padre Adriano São João; a psicóloga Leidilene Pereira; o professor Giovanni Marques Santos; e um seminarista de cada etapa formativa, Rafael Silveira Pires Xavier (Etapa Configurativa), Gabriel Henrique Rodrigues (Etapa Discipular) e Gustavo Eustáquio dos Santos (Etapa Propedêutica).
"Gratidão é a palavra mais expressiva neste momento. Agradeço aos membros do Conselho de Formação por esse ardoroso e satisfatório trabalho. Desejo que este instrumento possa ajudar cada formando a continuar se encantando com Cristo Bom Pastor, tornando-se seu discípulo e configurando-se a Ele", finalizou o reitor.
Ao final desta apresentação, o arcebispo, em nome de toda a arquidiocese, presentou o Seminário com um cálice, já que, segundo ele, "a vida do Seminário deve girar em torno da Eucaristia".
Santa Missa

Após esse momento de apresentação e homenagens, todos participaram da Santa Missa, celebrada na Capela do Seminário pelo arcebispo metropolitano e concelebrada pelos bispos e padres ali presentes.
Em sua homilia, dom Majella, ressaltou seu agradecimento à casa formativa e também a todos os padres que ali se formaram.
"Obrigado pelo testemunho de perseverança na dedicação pastoral; obrigado por celebrar diariamente a Eucaristia e acolher com misericórdia no sacramento da Reconciliação, sem rigorismos nem laxismos; obrigdo por ungir e anunciar a todos, com ardor, o Evangelho de Jesus Cristo; obrigado por procurarem reforçar os vínculos de fraternidade e amizade no presbitério e comigo, vosso bispo. Além da fraternidade sacerdotal, obrigado por estarem disponíveis para ir ao encontro do povo de Deus. Não podemos mais ficar fixados apenas na sede da paróquia. Temos necessidade, como pastores, de ir ao encontro dos fiéis", disse dom Majella.
Ele reforçou duas vezes: "O padre deve ser presença e não visitante na comunidade".
A partir da passagem bíblica das Bodas de Caná (Jo 2,1-11) utilizada na celebração, o arcebispo disse que o ensinamento que pode ser colhido nesta festa jubilar é: "o jovem vocacionado que vive nesta casa se não despossuir e entrar na presença de Deus para entender o que significa fazer o que Jesus mandar, não conseguirá saborear o vinho bom, capaz de reavivar o espírito. Cada seminarista é o protagonista da própria formação e é chamado a um caminho de constante crescimento no âmbito humano, espiritual, intelectual e pastora".
Conhecer a história do Seminário Arquidiocesano, segundo dom Majella, é responder aos fiéis o que a Igreja espera de seus seminaristas, já que eles, no futuro, serão os sacerdotes que estarão à frente das comunidades.
"Sim, este Seminário é um dom extraordinário do amor de Deus. É o fruto da graça de Deus. É um marco no Sul de Minas. Foi um pequeno grupo de 11 crianças que iniciaram esta história de 120 anos. Dentro todas as circunstâncias que marcaram a fundação deste Seminário, assinalamos que ele nasceu sob o signo da fé, tendo como padroeira Nossa Senhora Auxiliadora. Ao longo desses anos esta casa de formação vem procurando formar homens a serviço da evangelização. Favorece e assegura um processo formativo, no acompanhamento vocacional, conduz aqueles que foram chamados a decifrar e a percorrer o dinamismo próprio da vocação, o seu desenvolvimento gradual e concreto nas fases do procurar Jesus, do segui-Lo e do permanecer com Ele", ressaltou.
Dom Majella também lembrou que esse ano jubilar, com a presença dos setores pastorais da Arquidiocese, reforçou a necessidade de se rezar pelas vocações sacerdotais.
"Que a presença dos setores pastorais celebrando ao longo do ano este acontecimento jubilar tenha despertado nas comunidades o compromisso de rezarem pelas vocações, abraçando assim uma causa comum: cada paróquia uma nova vocação".
Seminário e Correios lançam selo comemorativo pelos 120 anos de existência da Casa Formativa
Neste último sábado (07), o Seminário Arquidiocesano iniciou oficialmente as celebrações de seu jubileu de 120 anos de sua fundação. Com a presença dos familiares dos Seminaristas das diversas etapas configurativas, os Correios, padres formadores e também do Arcebispo Metropolitano Dom José Luiz Majella Delgado, lançaram em cerimônia o selo comemorativo dos 120 anos desta Casa Formativa.
Na ocasião, o Arcebispo Metropolitano, ressaltou a importância do selo como elemento histórico e agora com o selo do Seminário, como um propagador vocacional e institucional. Ao término da cerimônia, o Arcebispo celebrou a Santa Missa e o encontro foi encerrado com um jantar aos familiares dos seminaristas.


De dentista a padre: Aos 88 anos, padre José Carlos continua com sua vida de silêncio e oração

Padre José Carlos é o primeiro, sentado, da direita para a esquerda
Primeiro filho de sete irmãos, José Carlos Cavalcanti Ribeiro desde pequeno descobriu no trabalho da comunidade sua realização. “Desde pequeno eu era coroinha aqui em Santa Rita do Sapucaí, então cuidava das coisas da igreja, ajudando as missas, participando das rezas, naquela época eram terços à noite. Eu era vicentino também”. Fruto do exemplo dos pais, o senhor Amando Sérgio Ribeiro e Maria Lourdes Cavalcanti Ribeiro.
Mas não deixava de ser e fazer coisas de criança, como algumas “peraltices”. Quando Cônego Carvalhinho soube de que o jovem José Carlos queria ir para o seminário, assustou-se. “Ele dizia que eu era muito turbulento, fazia coisas que não devia. Eu subia na torre e lá de cima ficava jogando grão de café nas pessoas, e às vezes eu era suspenso de coroinha”.
Hoje, com 88 anos de vida, mas próximo de celebrar mais um aniversário (ele nasceu no dia 28 de setembro de 1930), e 40 anos de vida presbiteral (24/05/1979), padre José Carlos Cavalcanti Ribeiro passa os seus dias na casa de sua irmã, em Santa Rita do Sapucaí, onde cuida de sua saúde. Numa alegria e numa simpatia próprias de alguém realizado e feliz, ele contou um pouco de sua história vocacional, inclusive sua vivência com São João Paulo II.
Sua entrada no seminário
Nascido em Borda da Mata, foi ainda pequeno para Santa Rita do Sapucaí. Sua família era muito religiosa, sendo marcante a presença do Cônego Carvalhinho e Dom Octávio junto à sua família. “Cônego Carvalhinho, certa vez, foi conversar com meu pai sobre meu interesse em ir para o seminário. Papai mandou me chamar e perguntou se eu gostaria de ir para o seminário. De imediato eu respondi que queria ir. Papai se assustou um pouco. Ele pediu que fosse falar com minha mãe. Ela começou a chorar”, lembra.
Entrou para o seminário no ano de 1942. Na época, o prédio que acolhia os seminaristas ficava onde, hoje, funciona o Colégio Estadual. O bispo era Dom Octávio Chagas de Miranda. José Carlos ficou no seminário por 4 anos. “Mas um certo tempo eu resolvi repensar as coisas e comigo levei uma turma. Éramos 11 seminaristas. Na época tinha 14 anos. O seminário passo por uma crise financeira muito grande. Chegamos à conclusão de que para ser padre a gente não precisava leva a vida que a gente levava ali”, conta.
Mas sua saída não foi fácil. Ele precisou convencer seu diretor espiritual, padre monsenhor Aristeu Lopes, de quem lembra com muito carinho. “Ele era um grande diretor espiritual. Ele não queria que eu saísse do seminário, de jeito nenhum. Foi com muito custo, conversando com ele, daí ele me autorizou. Eu sempre dizia: eu só saio com sua licença. Eu era muito aberto ao meu diretor espiritual”.
E sua saída provocou espanto em Dom Octávio e em seu pai. “Comuniquei meu pai, que mandou me buscar. Fiquei sabendo que meu pai chorou muito. Ele sempre ia lá (no seminário), era uma ideia dele ter um filho padre. Soube que meu pai chorou apenas depois do falecimento dele. Dom Octávio ficou sabendo depois, quando os seminaristas do quarto ano não voltaram mais”.
Sua vida fora do seminário
Voltando para Santa Rita do Sapucaí, precisou escolher o que iria fazer. “Meu pai me deu 15 dias para decidir o que ser na vida. Dentro de 15 dias eu disse que queria trabalhar ele no consultório dele. Meu pai era dentista.
Depois

Formado em Odontologia
terminei o ginásio (hoje curso ensino fundamental) e estudei um ano em Pouso Alegre. Depois fui para Belo Horizonte e me formei em Odontologia, tendo também concluído o mestrado e doutorado em Odontologia. Trabalhei na área por muitos anos. Meu ideal era ajuda meu pai, sobretudo na área de odontopediatria. Meu pai não se dava bem com as crianças e eu assumi”, recorda com um sorriso.
Mas os planos de Deus eram outros para a vida do agora doutor José Carlos. Quando morava na capital mineira, sua vida de Igreja não ficou esquecida, muito pelo contrário, se fortaleceu ainda mais. Lá ele atuava como congregado mariano e vicentino. E por estar no mundo universitário, tinha muito contato com professores e profissionais de outras áreas, principalmente do direito.
“Estando em Belo Horizonte eu estava junto com dom João Rezende Costa, dom Serafim Fernandes de Araújo e dom Arnaldo Ribeiro. Frequentava o seminário de vez em quando. Dom Arnaldo achava que eu tinha vocação e me perguntava se eu não pensava em ser padre. Sempre fazia o contato entre dom João e profissionais do direito, como promotores. Havia uma missa aos domingos na (igreja Nossa Senhora da) Boa Viagem, às 11h. Como eu estava ligado aos professores de universidade, levávamos os professores nessas missas, sempre celebradas por dom João”, conta.
Seu retorno para o seminário
E os planos de Deus se confirmaram. José Carlos retorna para o seminário com 46 anos de idade. Mas pouco ficou por lá, já que os estudos de teologia tinham sido feitos ainda enquanto leigo, junto com os irmãos da Congregação do Santíssimo Sacramento que estudavam para ser padres.
“Por 25 anos participei dos adoradores perpétuos da Boa Viagem. Eles me chamaram para fazer o curso com eles. Dom João sabia disso. Certa vez ele me perguntou se eu nunca tinha pensado em ser padre. Eu disse: ‘eu quero ser padre´”, afirmou.
E a ordenação foi marcada ali, na agenda de bolso do bispo.

Ordenação diaconal, em Belo Horizonte
“Então ele pegou a agenda e marcou minha ordenação de imediato. ‘Quer ser ordenado quando?’, perguntou o bispo. Pedi que fosse num dia de Nossa Senhora. ‘Mas quando?’, insistiu. Eu disse 15 de agosto. ‘Está muito longe’, respondeu ele. Marquei para o dia 11 de fevereiro minha ordenação diaconal, dia de Nossa Senhora de Lourdes, e 24 de maio minha ordenação presbiteral, dia de Nossa Senhora Auxiliadora”, se lembra com um sorriso no rosto.
Sua ordenação ocorreu no colégio Santa Marcelina, em Belo Horizonte. O lema escolhido por ele na sua ordenação foi a passagem do evangelista Lucas (1,46) “Minha alma glorifica o Senhor”. Seu pai já havia falecido, mas toda a família o acompanhou nesta decisão com muita alegria. Depois de ordenado, passou algumas semanas no Brasil, mas logo depois já embarcou para Roma para iniciar seus estudos em espiritualidade, no colégio Teresiano.
Sua convivência com João Paulo II
Em Roma ele passou a residir no Colégio Pio Brasileiro. Lá também morava dom Lucas Moreira Neves, de quem ficou muito amigo. Dom Lucas trabalhava com Karol Woityla no Vaticano. Eleito papa, João Paulo II o convidou (dom Lucas) para trabalhar na secretaria da Congregação para os Bispos.
“Toda noite dom Lucas e eu saíamos para rezar o terço na praça de São Pedro. Ele me convidou para trabalhar no Vaticano, na Congregação para os Bispos. Eu tinha um carro lá. Eu viajava com dom Lucas para todo lado. Dom Lucas nunca usou o carro do Vaticano, sempre usava o meu. Ele me dava os tickets de gasolina lá do Vaticano. No dia que vim embora entreguei um envelope para ele com todos os tickets que ele tinha me repassado. Falei: ‘Ninguém pôs gasolina no meu carro a não ser eu mesmo’”, ri.
E com o papa, o contato era praticamente toda sexta-feira.
“Seis horas da tarde o papa João Paulo II ia lá na Congregação para os Bispos. Ele ia conversar com dom Lucas assuntos particulares e eu ficava numa anti-sala conversando sempre com seu secretário. Ele me contava muita coisa, inclusive coisas muito engraçadas do João Paulo II”, lembrou, mas que ficarão guardadas com ele.
João Paulo II era uma pessoa agradável e simples, segundo padre José Carlos.
“O que mais me marcou foi a santidade, a devoção a Nossa Senhora e também a facilidade que ele tinha de conversar com os jovens. Isso desde aquele tempo. Em todo lugar ele era admirado. O gesto de beijar o chão em cada país que chegava, queria dizer que ele estava homenageando as pessoas que nasceram naquela terra e que gostaria que que aquelas pessoas que ali moravam fossem tão cristãs como ele sempre foi”, falou.

Em um de seus momentos com João Paulo II
Com muita admiração e saudade continuou: “Conviver com um papa é muito bom. Ele abraçava, perguntava da faculdade onde eu estava estudando, tinha interesse pelas coisas da gente. A tese dele foi sobre São João da Cruz e por isso frequentou um pouco o Colégio Teresiano. Por isso ficou muito ligado lá e sempre me perguntava sobre o Colégio onde eu estudava. Tinha convivência com o papa fora do trabalho também. Muitas vezes dom Lucas e eu íamos almoçar com ele no Palácio Apostólico”.
Foram quase dois anos em Roma, de muito estudo e muito trabalho. Mas era preciso retornar às terras tupiniquins.
“Poderia ter ficado lá, mas não quis. Primeiro, porque tinha compromisso com a Faculdade em Belo Horizonte. Segundo, porque dom Lucas estava preparando para me fazer bispo, principalmente pelo serviço que eu fazia lá na Congregação para os bispos, mas nunca aceitei. Toda vez que dom Lucas ia à Belo Horizonte, sempre ia no Palácio de dom João Rezende. Ele sempre me perguntava se eu já tinha resolvido aceitar ser bispo, mas sempre neguei”, confessou.
Seu retorno
Em 1980 padre José Carlo volta para a capital mineira. Chegou como formador para o seminário, mas ficou por lá pouco tempo. Depois foi designado para vigário paroquial da Paróquia da Pampulha. O que nunca lhe tiraram foram as aulas da Universidade Federal de Minas Gerais.
Após sua aposentadoria, por volta do ano de 1997, ele retorna para Pouso Alegre, onde passa a viver a vida monástica, numa Ermida construída por ele.
“Dom João Bergese não queria que eu morasse na Ermida, mas depois ele se convenceu de que o silêncio era necessário. Ele queria que eu morasse com ele no Palácio. Mas ele se convenceu. Tanto que ele levava os padres toda última sexta-feira de cada mês para passar o dia na Ermida, onde passávamos o dia rezando. Começávamos o dia com a Lectio Divina e durante o dia rezávamos os evangelhos dos próximos finais de semana, ajudando os padres a preparar suas homilias. Dom João Bergese incentivava os padres a passarem o dia lá”, revela.
Sobre o silêncio num mundo tão “barulhento”, padre José Carlos é enfático: “O silenciar-se é ouvir Deus. Me retiro várias horas por dia para rezar”.
E finaliza com uma mensagem: “Ser padre vale a pena. Hoje vejo os padres mais preparados, sobretudo na espiritualidade. Melhorou muito. Vale a pena ser padre. E muito mais, a gente ser escolhido para ser padre. Vale a pena. Mesmo aqui continuo com minha vida de orações e missas”.
CNBB lança campanha de sensibilização e informação sobre o Sínodo para a Amazônia
A partir deste domingo, 1º de setembro, “Dia Mundial de oração pelo Cuidado da Criação” até o dia 5, “Dia da Amazônia”, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vai desenvolver, em parceria com a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), um conjunto de iniciativas de comunicação cujo objetivo é sensibilizar a Igreja e a sociedade sobre a importância do Sínodo para a Amazônia. As ações se desdobrarão no período que antecede e durante a realização da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica.
Integram a campanha, um conjunto de ações – vídeo depoimento de bispos e lideranças da Igreja, vídeos Voz da Amazônia, entre outros. O material produzido em parceria com a Comissão Episcopal Especial para a Amazônia e a Rede Eclesial Pan-Amazônica, a REPAM-Brasil, vai estar disponível nos sites e nas redes sociais da CNBB e da REPAM-Brasil. As TVs de inspiração católicas também foram convidadas a produzir conteúdo próprio e a disseminar os conteúdos produzidos sobre o Sínodo pela Repam, especialmente a série Voz da Amazônia.

Dom Walmor Oliveira. Foto: Daniel Flores/CNBB
O arcebispo de Belo Horizonte e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo explica que Conferência decidiu apoiar iniciativas de comunicação que sensibilizem a Igreja e a sociedade para a proposta do sínodo. “A Conferência deve acompanhar a partir de agora o caminho sinodal com uma programação e um planejamento de comunicação para abrir mais o coração da nossa própria Igreja e também repercutir estas informações no coração da sociedade”.
Dom Walmor ressalta ainda que a intenção da Igreja não é apenas realizar um evento, mas dar passos novos, o que incentiva a entidade a se envolver nas ações que superem ou tratam de forma adequada os vários ruídos que se têm apresentado em relação ao Sínodo, bem como as suas incompreensões.
Segundo presidente da CNBB desejo é que haja “uma repercussão muito boa e importante de tudo aquilo que se trata e se tratará durante o Sínodo e daquilo que virá na exortação pós-sinodal.
No primeiro vídeo da série, o bispo de Rio Grande e presidente da Comissão para a Vida e a Família da CNBB, dom Ricardo Hoepers, fala da Amazônia como um dom de Deus.
“Que todos nós possamos participar. Vamos nos envolver com essa grande reflexão e também com o nosso modo de ser. Pensar a Amazônia e pensar no homem de maneira integral. É pensar o dom que Deus nos deu. É pensar no quanto que somos gratos por este dom que recebemos que é a Amazônia”, destaca.
A Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica vai ser realizada de 6 a 27 de outubro de 2019, no Vaticano, em Roma. Para encontrar o nosso material basta procurar na ferramenta de buscas da rede social por: CNBB Nacional ou pelas hastags #euapoioosínodo #euapoioopapa #sinodoamazonico
Comissão jubilar lança programação para os 120 anos da arquidiocese
A comissão responsável por motivar e organizar o jubileu arquidiocesano oficializou nesta semana a programação oficial para a celebração dos 120 anos da Arquidiocese de Pouso Alegre. O calendário foi divulgado durante a última reunião de atualização do clero (27).
Com o tema "120 anos de evangelização e missão como Igreja diocesana. Tempo de misericórdia e memória de todos" e o lema "Eu vos darei futuro e esperança"(Jr 29,11), algumas atividades serão propostas às paróquias e comunidades. Os materiais de apoio e oração serão elaborados pela comissão e enviados às paróquias.
FEVEREIRO
02 (domingo), às 10h: Concentração dos religiosos e religiosas na Catedral Metropolitana de Pouso Alegre;
JUNHO
05 (sexta-feira), às 20h: Noite cultural e lançamento oficila do selo comemorativo no Teatro do Inatel, em Santa Rita do Sapucaí (informações detalhadas em breve);
JULHO
04 (sábado), 09h: Romaria arquidiocesana ao Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida;
NOVEMBRO
16 a 20: Semana Eucarística (na igreja Matriz de cada paróquia);
21 (sábado): Concentração paroquial com os catequizandos;
22 (domingo), às 10h: Missa de encerramento do jubileu na Catedral Metropolitana de Pouso Alegre e lançamento do Sínodo Arquidiocesano. E às 19h, em cada paróquia, missa de encerramento do jubileu arquidiocesano;
Arcebispo visita fazenda de café em Silvianópolis
Durante visita pastoral à Paróquia Sant'Ana na última semana, o arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre, Dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., visitou a fazenda do senhor Armando Trivelato, na qual concedeu bênção ao café colhido e a todos os trabalhadores das Fazendas Integradas de Café Gourmet.
Em sua homilia, Dom Majella, dirigindo-se aos funcionários, destacou a importância de agradecermos ao senhor pelos dons recebidos.
"Nós queremos agradecer a Deus o fruto da terra, o fruto desta terra. Mas este fruto chega até nós, através de suas mãos, as mãos de cada um. Como é bom agradecermos a Deus o que somos e o que temos [...] Deus fala pelos sinais da natureza. Aí a terra não precisa temer, porque sempre Deus estará comunicando com a terra, através dos sinais da natureza, que faz a terra dar o fruto necessário. [...] Como é bom agradecermos ao Senhor. Se hoje temos o resultado de uma lavoura, de uma plantação, de uma colheita, é porque durante todo esse tempo do trabalho, Deus foi comunicando a essa plantação de café. Deus foi fazendo uma comunicação. E você, como cooperado, você como agricultor, você foi a comunicação de Deus; a terra produziu fruto e você colheu. Aqui compreendemos que ao olharmos para esta saca de café, com estes grãos, nós demos milhares de grãos aqui, mas em cada grão temos um pouco de cada um. E é esse pouco de cada um que vai chegar a mesa que nem sabemos de quem, onde as pessoas irão degustar este café", afirmou.
O conjunto Fazendas Integradas surgiu no ano de 1999, inicialmente na cidade de Silvianópolis e no ano de 2011 passou a ter sede também na cidade de Campanha (MG). A empresa rural conta atualmente com 121 funcionários, sendo 60% do sexo masculino e 40% feminino, providos das cidades de Silvianópolis, Cordislândia, Campanha, Careaçu e Heliodora. O trabalho começa no mês de maio com início da colheita e se encerra no mês de setembro. Padre Heraldo José dos Reis, pároco da Paróquia Sant’Ana participa todo ano destes dois momentos, concedendo-lhes a benção.
Voluntários da Fazenda da Esperança falam sobre os trabalhos realizados ao clero
Na última reunião de atualização do clero, dia 28 de agosto, dois representantes da Fazenda da Esperança puderam partilhar um pouco da vivência e trabalhos e realizados nessas comunidades. Na Arquidiocese de Pouso Alegre já existe uma unidade que acolhe 22 homens, localizada no bairro do Cervo em Pouso Alegre, e uma outra unidade para mulheres que vem se estruturando em Santa Rita do Sapucaí. A Fazenda da Esperança é como se intitulam as comunidades terapêuticas que abrigam jovens dependentes químicos. Ela está localizada em 22 países, com 130 unidades, e atua em diversos campos sociais, mas o principal é direcionado aos que desejam se ver livre das drogas e do álcool.
• Conheça a história da Fazenda da Esperança

O sucesso da Fazenda da Esperança, se deve ao programa de recuperação, o qual se baseia em processos pedagógicos que elevam a autoestima e resgatam a dignidade dos seus acolhidos, que em 2017 assistiu em média três mil jovens e suas famílias. Esse programa de recuperação é baseado em um tripé que consiste basicamente no trabalho, na espiritualidade e na convivência. Tanto que todos os acolhidos vivem numa irmandade que de tão unida é capaz de devolver aos acolhidos o real sentido da vida, do amor a si e ao próximo, bem como da importância da comunhão. Além disso, a Fazenda da Esperança também trabalha junto à família, pois ela é uma das peças fundamentais para o sucesso da recuperação do jovem acolhido, através do Grupo Esperança Viva (GEV). O objetivo da ação é estruturar a família, mas mesmo quando ela não atende a esse convite – que não tem caráter obrigatório - o tratamento continua e o jovem recuperado tem a oportunidade de amar a sua gente como ela é.
"A importância desse trabalho com os jovens e com toda a sociedade e sua familia. Temos esse problema dentro de casa e nao sabemos como lhe dar com esse problema. Fazemos a acolhida dessa pessoa que enfrenta o problema e também trabalhamos com a família, para que a familia interaja na recuperação da pessoa, pois a familia está doente também e não sabe como lhe dar com essa situação", explicou um dos responsáveis pela unidade Pouso Alegre, Jamil Alves de Souza.
Paulo Sérgio Vicentin é voluntário da instituição há três anos. Segundo ele, essa é a oportundiade de praticar o amor que o Evangelho tanto ensina, pede e cobra.
"A palavra é confiança. Por traz de cada ser humano existe um ser Divino. Eu me apaixonei por esse projeto porque em cada ser humano que está lá eu vejo Jesus abandonado. Na igreja, muitas vezes, falamos muito de deus, mas pouco faz. Lá a gente tem a graça de fazer, de ter uma ação, uma atitude de amor. Na Fazenda da Esperança não existe dinheiro que nos segura, apenas amor. Isso serve para cada voluntário, vivemos da Providência de Deus. Não é fácil, a gente convive com pessoas que na sociedade são complicadas, por causa das dificuldades que tiveram que viver em certos tipos de problema e não conseguiram conviver com esses problemas. A droga e o álcool são apenas a 'cereja do bolo'. No meu coração é um presente de Deus conviver nesse projeto, onde vivo o amor. A Fazenda da Esperança é um ato de amor", emocionou-se.
Como resultado, a Fazenda da Esperança é responsável pela recuperação de centenas de milhares de pessoas, que em sua grande maioria se voluntariam para ajudar outros que necessitem de ajuda. Em 2007, durante uma visita a sede em Guaratinguetá-SP, o então Papa Bento XVI destacou a importância e a missão das Fazendas da Esperança: Levar a esperança, que é Jesus Cristo, ao maior número de pessoas possível.










