Abertura do Ano Jubilar

No último domingo (29), em celebração à Sagrada Família, nossa Arquidiocese inaugurou o ano jubilar com uma Abertura Solene, atendendo ao chamado do Papa Francisco na Bula de Proclamação do Jubileu. A missa foi conduzida pelo Arcebispo dom José Luiz Majella Delgado, CSsR, com a participação de vários padres na Catedral Metropolitana do Senhor Bom Jesus, em Pouso Alegre. A cerimônia contou com a presença de um grande número de leigos, religiosas e consagrados.

Em 2025, durante o ano jubilar, celebraremos os 60 anos do encerramento do Concílio Vaticano II e os 1700 anos do Concílio de Niceia.

Dom Majella ressaltou que, em nossa Arquidiocese, ao longo deste ano jubilar, a Catedral Metropolitana, os Santuários diocesanos e a Basílica de Nossa Senhora do Carmo serão “lugares sagrados e espaços privilegiados para gerar esperança”. Ele solicitou que todas essas igrejas coloquem um distintivo jubilar na entrada para identificação e orientou que cada reitor utilize sua criatividade pastoral para cultivar o espírito do jubileu, adotando uma atitude acolhedora, disponível e generosa, além de formar equipes dedicadas ao acolhimento.

Que este Ano Santo nos inspire a vivenciar a Esperança em nossas vidas.

Fotos: Edilene Coutinho


#Reflexão: Solenidade da Epifania do Senhor (05 de janeiro)

A Igreja celebra a Solenidade da Epifania do Senhor, neste domingo (05). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 60,1-6
Salmo: 71(72),1-2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11)
2ª Leitura: Ef 3,2-3a.5-6
Evangelho: Mt 2,1-12

Acesse aqui as leituras.

FESTA DA EPIFANIA DO SENHOR

            A celebração deste domingo ainda está em profunda sintonia com o Natal de Nosso Senhor. A visita dos Magos do Oriente nos recorda que Jesus não veio a este mundo somente para alegrar a vida de uma família, ou de uma região ou mesmo de uma nação: Jesus pertence a toda humanidade.

Contemplando o nascimento de Jesus no Natal, nos deparamos com sinais muito mais humanos e simples do que sinais grandiosos e espetaculares. Mas, a vinda de Jesus a este mundo, se faz em modo de ser que é constante em toda a sua vida inteira: simplicidade, acolhida e serenidade; Nosso Senhor se mostrará em sua atividade pública como alguém desarmado de tudo aquilo que poderia representar algum sinal de violência e dos poderes deste mundo. Todo o seu poder, Ele sempre usou para fazer o bem (curar, abençoar, libertar...), jamais para intimidar, atacar ou ferir alguém. Por isso, no Natal, Deus se reveste de nossa pequenez para todos terem acesso a Ele.

            Mateus inicia dizendo: Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia. O local confirma a tradição do nascimento em Belém, ideia que será repetida mais vezes, isto para confirmar a forte ligação de Jesus com a tradição sobre o messias como descendente de Davi, rei ungido em Belém (1Sm 16,1-13).

Em seguida, Mateus introduz a história dos viajantes com eis que magos”, eles entram na história sem nenhuma ligação com Belém (Davi) e Herodes. Os “magos” eram bem aceitos nas cortes e muitos reis apreciavam suas previsões, por isso, eles não encontraram dificuldade em se aproximar de Herodes.

Os viajantes do Oriente, movidos pelo conhecimento que tinham do céu perceberam que havia uma “estrela diferente no firmamento”. Até onde descobriram, concluíram que valia a pena arriscar e deixar tudo para buscar o “dono” daquela estrela diferente. Aqueles homens do Oriente representam muito bem a nossa caminha de fé e busca de Deus. Eles saíram de longe, se orientaram com o que sabiam, se perderam na caminhada, foram a lugares errados em busca de respostas, mas não desistiram jamais. Abandonaram suas terras em busca de um rei e encontraram um menino; buscaram nos palácios e terminaram a jornada em um local simples (Mateus diz “casa”; Lucas, um local para animais); acharam que tudo estaria resolvido com as pessoas mais importantes da época, mas tudo só teve sentido quando se encontraram com a família de Nazaré.

A ciência que eles tinham os conduziu e os animou em uma longa jornada, mas ela não deu todas as respostas. Chegaram até Jerusalém, pensando que lá teriam uma explicação para tudo, mas obtiveram somente parte da solução. A ciência dos magos os levou até a cidade dos profetas e do Povo de Deus, mas somente conseguiram prosseguir a busca quando tiveram contato com a Palavra de Deus. O evangelista Mateus nos conta que de um lado a cidade ficou agitada e Herodes ficou com medo; e de outro lado, os magos se encheram de alegria. Os magos falaram a toda a cidade, agitaram a todos e trouxeram temores ao rei; Herodes fala com os magos a sós e em segredo. Os viajantes do Oriente foram um grande instrumento de revelação para os grandes de Jerusalém (Herodes e sacerdotes), mas aqueles homens preferiram ignorar tudo.

Todos os convocados por Herodes (sacerdotes e Escribas) se mostraram entendidos nas Escrituras, mas fechados em suas esperanças. Para os sacerdotes não havia necessidade de novidades e preferiram ficar com Herodes do que seguir os magos. Eles mesmos foram instrumentos de uma Nova Esperança, mas não abraçaram aquilo que leram e conheciam (a Palavra de Deus). Para os homens da religião e da Lei em Jerusalém, eles já tinham o Templo, as festas, os sacrifícios e suas tradições, eles não queriam saber da novidade do menino que atraía pessoas de terras distantes.

Na cidade, a “estrela guia” não pode ser mais vista. No palácio do rei, não havia espaço para os sinais de Deus. Nos lugares onde a prepotência daqueles que se sentem grande, Deus não pode ser visto. Onde há mentira, não brilha a luz de Deus. Mas, ao saírem da “cidade dos poderosos” daquela época (Herodes e os sacerdotes), a alegria dos magos retornou. Antes viam a estrela somente com seus conhecimentos, ao deixar a Cidade Santa, foram alimentados pela esperança da profecia da Palavra de Deus. Agora a viagem deles estava animada com um novo sentido: estavam no caminho certo e estavam próximos! Os magos (estrangeiros e vindos de terras pagãs) se aproximavam cada vez mais de Jesus; os sacerdotes e a religião oficial, cada vez mais distantes. Antes, a Cidade Santa, Jerusalém, era o centro e o ponto de chegada de todos os peregrinos; agora com Jesus, passa a ser somente instrumento e passagem que conduz ao verdadeiro sentido de toda jornada. Belém, a “menor das cidades” faz sombra a grande cidade do povo de Deus.

Os homens do Oriente perceberam que os sinais de Deus, possuíam um sentido próprio e uma grandeza particular independente daqueles homens do poder. Não deviam mais buscar entres os grandes, mas que deveriam se guiar pelas próprias indicações de Deus que estavam longe da prepotência, da mentira e da falsa sabedoria humana. Herodes usa da religião e de seus representantes não para fazer o bem, mas para proveito próprio. Os envia como se fossem seus representantes (quis usar os magos como usou a religião da época), usa de mentiras para continuar produzindo morte e medo.

Mas, finalmente, em Belém tudo se revestiu de significado e sentido. Não encontraram nada espantoso ou espetacular, mas somente uma família com um recém-nascido. Os três presentes são simples e significativos: ouro para os reis e para Deus, incenso para divindade e perfume para um grande homem. Os magos tinham se transformado em homens que se guiavam não mais pelas certezas humanas, mas pela fé que tem a sua raiz na Palavra de Deus. Para o mundo era somente uma criança em seus primeiros momentos, para Herodes uma ameaça, mas para os magos era o próprio Deus que rege tudo e todos. Assim, se ajoelharam e o adoraram. O mais importante não foram os presentes (apesar de serem significativos), mas a constante busca e a força de vontade de procurar sempre, mesmo errando e com incertezas. Na caminhada que fizeram tudo foi ganhando sentido e os sinais foram tornando a viagem mais segura e certa. Sem o amadurecimento nos erros, eles não teriam percebido que tudo estava tão fácil de ser encontrado.

Os homens do Oriente representam todas as pessoas de fé que em todos os tempos buscam se encontrar com Jesus e dar uma resposta ao sentido de suas vidas. Os magos buscaram e foram movidos por seus desejos, curiosidades e impulsos. Erraram o caminho algumas vezes: os sinais de Deus estão ao nosso lado, ao nosso redor e nas pessoas que convivemos. São grandes sinais, mas nas pequenas coisas. Toda salvação e todas as promessas tiveram significado quando encontram o Menino Deus, não no palácio do rei (procuram um rei, encontram um menino); procuram na cidade mais importante, mas a resposta estava em um local simples; não O encontram no Templo de Jerusalém, mas em uma família; procuram entre os maiores, e encontram uma mãe com seu filho; procuram junto a um assassínio de criança (Herodes), mas encontram tudo realizado em um recém-nascido numa manjedoura.

Importante lembrar que os magos eram pessoas fora do ambiente religioso da época; pessoas que buscavam a Deus, mas fora da religião oficial; eram estrangeiros (pagãos), por isso, estavam fora das promessas (como também os pastores), mas foram eles que acolheram o novo que estava surgindo.

Deus se fez conhecer nos pequenos e nos grandes; aos judeus e aos pagãos; aos simples e ignorantes, mas também aos estudiosos magos do Oriente; aos impuros e excluídos, mas também aos homens da religião; se fez conhecer aos que estão próximos e vizinhos, mas também aqueles que moravam distantes, no Oriente. No Natal renovamos nossa fé que Deus está com a gente (“Deus conosco”), mas também é um Deus pequeno entre nós.

Isaías na primeira leitura já tinha profetizado e dado a dica mais importante: levantar a cabeça e olhar para o céu. Assim, não somente o povo de Deus no AT, mas também os magos do Oriente colocaram em prática essas palavras. Dessa forma, a fé cristã jamais deve esquecer que sua missão é levar Jesus para todas as pessoas em todos os povos, concretizando as Palavras de São Paulo na segunda leitura. Ele nos lembra da alegria da mensagem de Deus que deve ser universal, pois todos os povos estrangeiros - em Jesus e no Batismo - se tornam membros do mesmo corpo que é a Igreja e herdeiros das mesmas promessas de Cristo.

Mateus faz questão de lembrar que Jesus, o recém-nascido, estava com sua mãe: acharam o menino com Maria, sua mãe” (v.11a). Em seus braços, o Eterno Rei recebe adoração e veneração. Maria é o amparo mais profundo para Jesus e ao mesmo tempo o trono onde o Messias é reconhecido. O destino da mãe e do filho estão selados para sempre!

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Cônego Paulo Monteiro é homenageado com monumento em Silvianópolis

Por iniciativa do poder público de Silvianópolis/MG, no último domingo foi inaugurado o monumento em homenagem ao reverendíssimo Cônego Paulo Hermógenes do Rego Monteiro, presbítero ordenado pela Arquidiocese de Olinda e Recife. Atuando em Pouso Alegre, ele desenvolveu por 30 anos seu ministério sacerdotal na Paróquia Sant’Ana, que abrangia os municípios de Silvianópolis, São João da Mata e Espírito Santo do Dourado, entre as décadas de 1930 e 1960.

O atual pároco de Sant'Ana, Cônego Benedito Ramon Pinto Ferreira, abençoou a praça onde o monumento foi instalado e agradeceu a homenagem em nome de toda a Arquidiocese, com a presença de ex-alunos do colégio Santa Águeda por ele fundado e administrado, junto às irmãs da Providência de GAP.

 

Durante a cerimônia, ex alunos partilharam diversas histórias do Cônego Paulo Monteiro, inclusive o prefeito, Homero Brasil.

 

Quem foi Cônego Paulo Monteiro?

Cônego Paulo, natural de Mamanguape/PB, filho de Pedro Felix do Rego e Maria Sacramento do Rego Monteiro. Foi ordenado sacerdote em 30 de novembro de 1924 e chegou ao Sul de Minas em 1931, tomando posse em Silvianópolis em 16 de janeiro. Foi irmão do também padre José João do Rego Monteiro, que também atuou na arquidiocese de Pouso Alegre.

Em Silvianópolis, fundou a extinta Escola Paroquial São José (1945) e a Escola e Orfanato Santa Águeda (1951), onde atualmente funciona uma escola municipal.

Em Espírito Santo do Dourado, foi o fundador da Igreja dedicada a Nossa Senhora Aparecida, e em São João da Mata, da Igreja Matriz.

Recebeu o título de cônego honorário em 11/08/1950 e foi nomeado Vigário Forâneo em 20/01/1959. Cônego Paulo faleceu em Niterói em 13/02/1987, aos 89 anos.

Além do monumento, Padre Monteiro foi homenageado de outras formas nas cidades onde atuou: em Silvianópolis, dá nome à rua onde fundou a escola; em São João da Mata, empresta seu nome a uma escola; e, em Espírito Santo do Dourado, a praça da Igreja Matriz também leva seu nome.

Fotos: Prefeitura de Silvianópolis

Texto: Giuliano Cabral do Espírito Santo Beraldo com informações da Paróquia e Secretaria de Cultura Municipal


Sagrada Família de Nazaré

A Sagrada Família de Nazaré nos convida a refletir sobre a família de Jesus e, por extensão, sobre nossas próprias famílias e todas as famílias cristãs.

Durante o Natal, vivenciamos o momento em que o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14), revelando a essência de Deus e sua vontade para nós, que se traduz em amor infinito, misericórdia, justiça e paz (Jo 14,9).

Deus escolheu se revelar aos homens por meio de uma família humana. Ao nascer em um lar, Ele sublinha a relevância de um ambiente cristão na formação integral do ser humano, explorando todas as suas potencialidades e dimensões.

O Messias decidiu iniciar sua missão de salvação dentro de uma família simples, onde o lar se tornou a primeira realidade humana a ser santificada pela presença de Jesus.

A Sagrada Família é apresentada pela Igreja como um modelo exemplar para todas as famílias cristãs, pois em seu âmago Deus é sempre a prioridade, ocupando o primeiro lugar em todas as decisões. A família, antes de qualquer outra realidade, é uma rica escola de virtudes humanas e teologais, além de ser o primeiro espaço de encontro com Deus.

Por essa razão, a família é chamada de "Igreja doméstica", onde as crianças têm a oportunidade de aprender os princípios fundamentais da fé através das experiências cotidianas, e onde os cônjuges buscam sua santificação e a plena realização de sua vocação matrimonial.

Como a célula-mãe da sociedade, a família é a base para a aprendizagem e vivência de virtudes sociais, sendo o lugar onde se cultivam a obediência, a fraternidade e o senso de responsabilidade. Quando a família prospera, toda a sociedade se beneficia.

O Evangelho de Mateus (2,13-15.19-23) narra a experiência de refugiados vivida pela Sagrada Família, refletindo uma realidade que ainda afeta muitas famílias nos dias de hoje. Muitas delas são forçadas a deixar suas casas, suas terras e seus lares, fugindo da fome, da guerra e de outros perigos, em busca de segurança e de uma vida digna.

Ao se tornar homem, Jesus, junto de sua família, vivenciou as dores, sofrimentos, dramas e esperanças que acompanham a vida familiar. A Sagrada Família nos ensina a importância da união familiar em tempos de crise e instabilidade, incentivando um amor que se aprofunda, promovendo diálogo e colaboração entre pais e filhos para resolver os desafios que surgem.

Dessa forma, ao assumir a humanidade, Jesus compartilhou todas as alegrias e dificuldades da vida familiar, buscando continuamente fortalecer a vivência da fé em família, por meio da oração e da escuta atenta e amorosa da Palavra de Deus.

 

Fonte: Portal A12 Redação


#Reflexão: Festa da Sagrada Família Jesus Maria e José (29 de dezembro)

A Igreja celebra a Festa da Sagrada Família Jesus Maria e José, neste domingo (29). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Eclo 3,3-7.14-17a
Salmo: 127(128),1-2.3.4-5 (R. cf.1)
2ª Leitura: Cl 3,12-21
Evangelho: Lc 2,41-52

Acesse aqui as leituras.

CELEBRAÇÃO DA SAGRADA FAMÍLIA

Celebramos no final no meio desta semana o Natal de Jesus. Mais do que o nascimento de uma pessoa é a encarnação do Verbo, filho de Deus Pai que se estabeleceu para sempre na humanidade e dentro de nossa realidade. São João nos diz que a Palavra de Deus armou sua tenda entre nós, se fazendo um de nós, para depois, permanecer em nós e entre nós. A encarnação não foi um gesto bonito ou fantástico de Deus, mas algo que mais tem a aparência de nossa realidade do que um esplendor divino. Meditamos que um local de animais pode se tornar um palácio ou um templo se tem Jesus como centro, mas um palácio ou uma casa sem Jesus, não é nada.

Bastou tão pouco para a promessa do Salvador se realizasse: um local de animais e duas pessoas enamoradas. E ao redor daquele casal, todos os desafios e problemas de nossa realidade e de tantas famílias estavam presentes.

A Sagrada Família não teve um início de vida diferente como de muitas outras famílias: desafios, riscos, medos, insegurança, perseguição, falta de comodidade, imposição de leis dos poderosos etc. A Família de Nazaré não viveu uma fantasia. Maria e José não encenaram uma realidade, mas viveram intensamente todos os momentos, todos os riscos e todas as ausências. Jesus não se encarnou em uma realidade ideal e perfeita de conto de fadas. Não! A encarnação de Jesus foi na mais pura e real realidade humana!

Deus escolheu viver intensamente todas as realidades humanas, principalmente as mais desafiantes. Assim, aprendemos que a ausência de estabilidade e seguranças humanas não significa ausência de Deus. No entanto, vemos que a Sagrada Família nunca ficou desamparada e sem rumo. O Criador escolheu muito bem duas pessoas que se amavam profundamente e que estavam vivendo uma profunda experiência de amor, doação e sonhos como qualquer outro casal. O verbo para se fazer carne passou por esta relação tão preciosa a nós que é a relação de amor em uma família.

Naquela época que Jesus nasceu, Deus não escolheu o melhor momento político e histórico para iniciar seu projeto de salvação no mundo, ou a noite ideal, nem uma estação do ano mais adequada e nem uma melhor realidade material para que seu Filho viesse ao mundo (uma casa, um berço, roupas, apoio familiar...). Ainda. O Natal que celebramos, vemos uma total ausência de segurança e comodidade, uma total ausência de tudo. No entanto, aprendemos que Maria e José, tudo que afrontaram, somente conseguiram enfrentar porque estavam juntos!

O texto de Eclesiástico (1ª leitura) retrata bem a grande importância que a família possuía para o povo de Deus. Não era vista como uma instituição social ou meramente convencional, ou ainda resultado somente da vontade ou modalidade humana, a família é uma instituição preciosa. A Igreja chama corretamente de “Instituição Divina”, muito mais do que algo conforme a conveniência e os desejos humanos.

Segundo o escritor sagrado, a relação interna entre pais e filhos é a melhor experiência que alguém pode fazer do amor, da misericórdia, caridade, compreensão, enfim, de tudo que é fundamental para a sua felicidade. A primeira experiência de Deus que alguém faz é através de seus pais com o dom da vida, expressão do dom maior da criação de Deus. O povo de Deus sabia e cultivava essa importância como fundamental e sacra: Deus Pai abençoa os filhos através de seus pais e vice-versa. Honrar os pais já é cumular tesouros para a vida, o filho tem uma bênção que se prolonga e prospera por toda vida. São riquezas que não se confundem com dinheiro, ouro ou qualquer coisa material que expressa valor, são tesouros que enriquecem a existência humana.

No Evangelho temos não um retrato de uma família isenta de dificuldades e problemas, mas quase a mesma realidade de tantas famílias. Nada foi fácil para todos, seja para entender, como também para cumprir a vontade divina. Deus Pai poderia isentar seu Filho Jesus (com seus pais) de toda amargura e sofrimento, mas se assim o fizesse, deixaria de ser Encarnação na realidade humana.

Os dramas de uma família podem acontecer com inúmeros desafios externos que o mundo se encarrega de apresentar. Mas, também há desafios e dificuldades internas, dentro de nossos lares que em muitos casos, fazem parte do processo normal de caminhada dos filhos e dos pais, como vemos no Evangelho deste domingo da Sagrada Família.

“Filho, por que você nos deixou ansiosos?” É a história de uma família que alterna dias serenos e tranquilos com dias dramáticos, como acontece em todas as famílias, principalmente com filhos adolescentes. Mas é preciso saber aproveitar bem as crises, através do diálogo sem ressentimentos e sem acusações. Filho, por quê? O interesse de Maria não visa a censura, não acusa, não julga, não se deprime porque o filho a fez sofrer, mas procura compreender e acolher uma diversidade difícil.

Mais do que repreender o filho, Maria quer entender, porque sempre há uma explicação, e talvez muito mais bonita e simples do que se temia. Um diálogo sem ressentimentos e sem acusações: diante dos pais, que estão ali e se amam – as duas coisas que importam para os filhos – está um menino que escuta e responde. O diálogo é uma coisa ótima, até cansativa: se as coisas são difíceis de dizer, não dizê-las torna-se ainda mais difícil.

“Vocês não sabiam que eu devo cuidar dos negócios de meu pai?” Os nossos filhos não são nossos, pertencem ao Senhor, ao mundo, à sua vocação, aos seus sonhos. Uma criança não pode e não deve estruturar a sua vida de acordo com os pais. É como parar a roda da criação.

“Mas eles não entenderam” e ainda assim nenhum drama ou chantagem emocional, nenhum encerramento do diálogo. Uma criança nem sempre é compreensível, mas sempre pode ser abraçada. “E eles desceram juntos para Nazaré”. Começam de novo, mesmo que nem tudo esteja claro; perseveram no eco de uma crise, meditando e guardando gestos, palavras e perguntas em seus corações até que um dia se desfaça o fio de ouro que iluminará e amarrará tudo.

Jesus saiu com eles, voltou para casa e foi submisso a eles. Há incompreensão, há uma dor que pesa no coração, mas Jesus volta com aqueles que não o compreendem. E Ele cresce dentro daquela família santa, mas não perfeita; santa e limitada. São santos, são profetas, mas não se entendem. E nós ficamos surpresos que às vezes não nos entendemos em nossas casas? Todos imperfeitos em diferentes aspectos, mas todos capazes de crescer. Jesus deixa os mestres da Lei e vai com José e Maria, mestres da vida: ao templo Deus, Jesus prefere o lar, lugar do primeiro e mais importante ensinamento, onde as crianças aprendem a arte de ser felizes: a arte de amar. Ali Deus se encarna, nos toca; faz isso no rosto, nos gestos, no olhar de todos que se amam. É Ele quem dá alegria a quem produz amor (Ermes Ronchi).

Aprendemos com a Palavra de Deus que o Matrimônio é tão sagrado quanto o sacerdócio. A família é o lugar onde se aprende o primeiro e o mais belo nome de Deus: que Deus é amor. Na família é que se ensina a arte de viver; a arte de doar e receber amor.

Se em uma família falta este amor profundo que é capaz de superar tudo e todos os obstáculos, se falta a convicção que realmente Deus é conosco... a família sempre viverá uma profunda ausência que nenhuma coisa material será capaz de preencher. Os casais podem ter muitas coisas deste mundo, mas nada será maior que Deus e o seu amor entre eles.

Não existe família perfeita, sem problemas, sem desafios, sem medos e receios diante dos obstáculos... Nem a família de Nazaré tinha tudo sob controle; nem estavam sempre seguros sobre o que tinham que fazer. Deus não aliviou os desafios (com um passe de mágica), mas procurou indicar sempre a melhor saída e estrada a ser percorrida.

Um dos males dentro de uma família é a sensação que eles estão vivendo sob o mesmo teto, mas não estão juntos; não vivem o mesmo sonho; o amor em gestos e palavras não existe mais... Em muitos casos, as famílias têm muitas coisas materiais, mas vazias de coisas espirituais. São pessoas estranhas que só trocam algumas coisas entre si: alimento, serviços, intimidade etc. Nunca deixe que as pessoas que você ama se sintam sozinhas em sua casa!

Feliz Natal e Feliz Ano Novo!

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Diácono Dioni Acássio é ordenado presbítero em Santa Rita de Caldas

Na manhã deste sábado, 21 de dezembro, o diácono Dioni Acássio da Silva foi ordenado presbítero pela benção consecratória do arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, dom José Luiz Majella Delgado, CSsR, com a presença da comunidade local, de padres, diáconos, seminaristas e religiosos da Arquidiocese e das dioceses sufragâneas, em missa realizada no Santuário de Santa Rita de Cássia, na cidade sul-mineira de Santa Rita de Caldas, cidade natal do neo-sacerdote e terra do servo de Deus Monsenhor Alderigi Maria Torriani, ao qual foi recordado pelo arcebispo em sua homilia.

O lema escolhido pelo agora neo-presbítero está no evangelho de Lucas: Em atenção à tua palavra, vou lançar as redes (Lc 5,5).

"O Diacono Dioni encontra [nas] palavras de Jesus a âncora para seu ministério sacerdotal. Aquilo que vai dar segurança, firmeza no seu ministério sacerdotal. [...] A partir desse momento, em diante, seu ministério sacerdotal, não se explica a não ser na concretização de sua relação com Jesus, isto é o que o define. O que irá fazer, tudo, será determinado a partir da sua relação com Jesus em função disso e expressão disso, por força do entregar a Jesus, que se faz presente dentro da sua vida, revelando-se como Salvador e chamando a viver com Ele", orienta Dom Majella, em sua homilia.

O rito de ordenação prosseguiu conforme o Pontifical Romano prescreve com a:

  1. Eleição do candidato, tendo o arcebispo consultado o clero, na pessoa do Padre Francisco José da Silva, formador do Seminário Arquidiocesano;
  2.  Homilia;
  3. Propósito do eleito;
  4. Ladainha, invocando a intercessão dos santos sobre o candidato ao presbiterato;
  5. Imposição das mãos e prece de ordenação, pedindo ao Espírito Santo que conceda ao novo padre os dons necessários ao ministério;
  6.  O revestimento das vestes sacerdotais, com auxílio de seus padrinhos de ordenação pertencentes ao clero arquidiocesano;
  7.  A unção das mãos com o óleo do Crisma
  8.  A entrega da patena e do cálice.

Ao término da celebração, o padre Dioni agradeceu ao arcebispo, aos padres da arquidiocese em especial os que passaram em sua caminhada de discernimento vocacional. "Expresso minha gratidão ao Deus da vida, nosso Criador e responsável pelo sublime chamado a sua messe. Chamado esse que fui discernindo ao longo destes anos e que hoje lanço as redes de minha vida a sua palavra.[...] Ainda em seus agradecimentos, Dioni recordou de sua mãe, Natália, que faria aniversário no dia de sua ordenação: Quis a providência divina, que este dia de minha ordenação, fosse celebrado no dia do aniversário natalício daquela que me trouxe a vida e que hoje celebra junto comigo e junto de Deus esse grande momento. Mãe te amo muito."

Íntegra da Missa de Ordenação Presbiteral:

Primeira Missa e primeira paróquia

A primeira Missa do novo presbítero acontece no dia 22 de dezembro às 19h no Santuário de Santa Rita de Cássia, em Santa Rita de Caldas.

Já a sua primeira paróquia no exercício ministerial será a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Pouso Alegre, na função de vigário paroquial, colaborando com o pároco, padre Jésus Andrade Guimarães. Nesta paróquia ele exerceu todo seu ministério diaconal.

Sobre o padre

Nasceu em Santa Rita de Caldas (MG) em 23 de julho de 1988. 2° filho de João Menino da Silva e Natália da Silva (in memorian). Entrou no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora em Pouso Alegre em 01 de fevereiro de 2015. Exerceu seus trabalhos pastorais aos finais de semana em diversas Paróquias de nossa Arquidiocese, a saber:

São Cristóvão - Pouso Alegre (2016);
Nossa Senhora da Conceição - Conceição dos Ouros (2017);
Nossa Senhora do Carmo - Borda da Mata (2018);
Santo Antônio - Ouro Fino (2022).

Colaborou também, nos trabalhos do Serviço de Animação Vocacional Arquidiocesano (2019-2021).  Concluídos seus estudos filosóficos (2018) e teológicos (2022), foi designado para exercer seu Estágio Pastoral em Sapucaí Mirim, na Paróquia Sant'Ana em 2023. Após sua Ordenação Diaconal (03/02/2024), foi transferido para a Paróquia Nossa Senhora do Fátima, em Pouso Alegre, onde reside e exercia seu ministério diaconal e que, com decreto de transferências do clero publicado em 20 de dezembro de 2024, permanecerá na função de vigário paroquial.

Texto: Giuliano Cabral do Espírito Santo Beraldo e instagram da Arquidiocese

Imagens: Coisas do Interior e Maria Júlia Ataíde/Pascom Fátima.

 

 

 


Arcebispo metropolitano publica alterações no clero arquidiocesano

O arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, dom José Luiz Majella Delgado, CSsR., publicou o documento de Transferências do Clero Arquidiocesano para o ano de 2025. Entre as alterações, estão os padres que concluíram o tempo prescrito da função pastoral na paróquia, como também, mediante as necessidades pastorais e crescimento espiritual dos padres e comunidades paroquiais,  de acordo com o Código de Direito Canônico, no Canon 1748: “Se o bem das almas ou a necessidade ou a utilidade da Igreja exigirem que o pároco seja transferido da sua paróquia, que rege com fruto, para outra paróquia ou para outro ofício, o Bispo proponha-lhe por escrito a transferência e aconselhe-o a que aceda por amor de Deus e das almas."

No documento, constam a transferências dos padres nas paróquias que compõe a Arquidiocese de Pouso Alegre, em especial, a nomeação dos padres ordenados neste mês de Dezembro, Padre Tainan (ordenado em 07 de dezembro de 2024) e Padre Dioni Acássio (em 21 de dezembro de 2024), a nomeação dos candidatos ao diaconato com ordenação marcada para 01 de fevereiro de 2025, Silvio Massaro e João Pedro Bastos Cardoso e a nomeação dos seminaristas para o estágio pastoral.

Ainda no documento, o Arcebispo decreta que os padres, os futuros diáconos e seminaristas estagiários sejam dirigidos aos seus novos ofícios até o dia 10 de fevereiro de 2025, com a Missa de Apresentação em sua referida Igreja Matriz em 16 de fevereiro, sendo as datas de Posse Canônica marcadas posteriormente. Haverá, no dia 04 de fevereiro às 9h30, um encontro celebrativo com os novos párocos na capela do residencial Monsenhor Júlio Perlatto para profissão de fé, renovação dos compromissos sacerdotais e leitura da ata de posse para efeitos jurídicos

Clique neste link para ler, na íntegra o Documento de Transferências do Clero Arquidiocesano.

 

Texto: Giuliano Beraldo

Foto: Dom Majella assina documento de posse de Vigário Judicial em agosto de 2016 na Capela São José do Palácio Arquiepiscopal


#Reflexão: 4º Domingo do Advento (22 de dezembro)

A Igreja celebra o 4º domingo do Advento, neste domingo (22). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Mq 5,1-4a
Salmo: 79(80),2ac.3b.15-16.18-19 (R. 4)
2ª Leitura: Hb 10,5-10
Evangelho: Lc 1,39-45

Acesse aqui as leituras.

MARIA, A MÃE DO MEU SENHOR!

Estamos próximos de celebrar o Natal. E como é próprio desse tempo, pensando nos momentos que pretendemos passar juntos com os nossos familiares. No Evangelho também fala de viagens, encontros e alegrias.

Lucas no Evangelho deste domingo relata o momento que sucedeu ao anúncio do anjo Gabriel a Maria. Ela foi correndo à casa de Isabel. Gabriel lhe tinha anunciado outra obra de Deus que estava a caminho: sua parenta, apesar da idade avançada e esterilidade, estava grávida. A jovem Maria foi às pressas oferecer alguma ajuda e ser solidária a uma mãe tão especial que estava no sexto mês de gestação. Maria há uma fé que se transforma em movimento, em corrida. Ela acredita no anjo Gabriel e acredita pra valer! Acredita que será mãe do salvador, por isso, acredita também que sua prima Isabel está grávida, assim, corre já com a alegria da notícia.

Ao se encontrar com Isabel, a saudação de Maria confirma tudo que Isabel teve que acreditar: o seu filho é especial aos olhos de Deus. Mas, também o salto significativo que é acreditar que Maria trazia em seu ventre o Salvador. Duas mulheres de fé sem prova, fé sem sinal, mas, fé profunda em Deus. Espetacular o que nos diz o evangelista Lucas: a gestação de uma simples criança movimenta o relógio de Deus e faz as principais pessoas do seu projeto se colocarem em caminho e partilhar já na saudação, a presença de Deus.

A solidariedade torna-se o sinal mais forte da graça do Criador em Maria. Ela que foi revelada pelo anjo como sendo alguém especial diante de Deus (“cheia de graça”, “o Senhor está contigo”, “obtiveste graça junto de Deus”...) se coloca a serviço e presente na vida de Isabel. Lucas, mais uma vez, ressalta a grandeza dos pequenos e coloca no centro da história os marginalizados: uma jovem menina da periferia da Galileia e uma idosa grávida nas montanhas de Judá. Os homens deixam de ser o centro de tudo: Zacarias, sacerdote e homem da bênção, torna-se mudo pela falta de fé; José que nada diz, descobre que deve somente se colocar ao lado de Maria e do projeto de Deus.

Assim que chegou naquela casa dos profetas, Maria se comportou como o próprio anjo Gabriel fez com ela: “Tendo entrado na casa de Zacarias, cumprimentou Isabel”. Maria, anjo de um anúncio feliz, que o filho no ventre da mãe Isabel percebe imediatamente, como uma música, um chamado à dança, uma tristeza que acaba para sempre: “a criança ele pulou de alegria”. O Santo já não está no templo, está ali, no ventre de uma mulher, “doce carne feita céu” (M. Marcolini). Na dança dos ventres, na carne de duas mulheres, a humanidade e a divindade agora se entrelaçam. Na Bíblia, quando os homens são frágeis, ou corruptos, ou completamente ausentes, as mulheres entram em cena (R. Virgili) (Ermes Ronchi).

O evangelista nos diz que Maria entrou na “casa de Zacarias”, mas o “dono da casa” não é cumprimentado e nem participa de tudo que está acontecendo (lembrando que ele ainda estava mudo). Bastaram as palavras de Maria para que sua parenta tivesse mais um sinal da grandeza de Deus. João que estava ainda em formação no ventre de Isabel, exulta de alegria com a voz da Mãe do Salvador. Lucas nos diz que a idosa senhora grávida “ficou cheia do Espírito Santo”. A voz de Maria transmite o que há de melhor de Deus: o Espírito Santo. Maria que é “cheia de graça”, distribui graça por onde passa e com quem ela se encontra.

Isabel não responde a saudação com o costumeiro “shalom”, ela exulta e com um grito expressa sua imensa alegria por toda presença de Deus em sua vida. Novamente, conhecemos algo a mais em Maria através de Isabel. Ela anuncia a proximidade que existe entre Maria e seu filho Jesus: são benditos de Deus, mas cada um em sua realidade. Maria é “bendita entre todas as mulheres”: não há ninguém neste mundo tão especial quanto ela conforme o próprio anjo Gabriel já tinha revelado; Jesus é bendito por excelência, pois é o próprio Salvador do mundo presente em nossa história. A segunda exclamação de Isabel completa a união especial desejada por Deus entre Maria e Jesus: “ela é mãe do meu Senhor”; não é mais “uma mãe” que inicia sua gestação bem como não é mais “uma criança” que vem ao mundo: ambos são especiais para a história humana.

Não se trata de uma visita corriqueira e comum, mas de alguém que inunda com a graça do Espírito Santo através de sua voz e já traz consigo, em seu ventre, o Salvador da humanidade. A visita é de grandíssima importância e rompeu o tempo e se perpetua na história da nossa fé cristã.

Bendita és tu entre as mulheres”. A bênção se estende a todas as mulheres, a todas as filhas de Eva, a todas as mães do mundo, a toda a humanidade feminina. A primeira das muitas bem-aventuranças do Evangelho ressoa e envolve a fé de Maria como um manto de alegria. As palavras de Isabel provocam uma explosão de elogios e de espanto: magnificat. Os dois primeiros profetas do Novo Testamento são duas mães com vidas novas, que saltam de seus ventres. O Natal é a crença sagrada de que o homem tem Deus no sangue; que dentro da batida humilde e teimosa do meu coração bate outro coração que - como nas gestantes - bate logo abaixo do meu. E ele apoia isso. E nunca mais desliga (Ermes Ronchi).

Duas mulheres com corações que batem em sintonia com Deus. Sensíveis à graça e prontas para dar cumprimento à vontade de Deus. Trazem no ventre muito mais que duas crianças que são sempre alegria para qualquer família: elas estavam gerando a esperança de todo povo de Deus. Juntas louvam o presente em suas vidas e cantam o futuro da humanidade. Elas reconhecem a grandeza de Deus que, através da fragilidade de ambas, constrói projetos para todos os povos. Maria e Isabel se descobrem especiais dentro de algo que irá além das duas famílias, daquele povo, daquele tempo.

Tudo tem seu início e cumprimento, graças à fé de Maria, conforme diz Isabel. O “sim” confiante da jovem de Nazaré desencadeou o projeto de Deus que escolheu um modo tão próprio de nossa realidade humana para vir ao mundo: em uma família e como uma criança.

Natal é tempo de preparações especiais, mas tudo perde o seu verdadeiro brilho e encanto quando a fé em Deus fica esquecida e abandonada. As duas mães exultam de alegria pela presença de Deus em suas vidas que gera novas vidas. Nosso Deus é portador de alegria e verdadeira felicidade, mas é necessário ter sensibilidade para descobrir sua grandeza e presença como Isabel que se enche de alegria com uma simples saudação.

Maria e Isabel são sinais da vontade de Deus que escolhe seus próprios caminhos, quase sempre priorizando os humildes, os esquemas mais simples, os lugares longe da agitação do mundo e sempre sem fazer barulho ou escândalo. No Natal fica evidente que Deus quer entrar na vida de todos através do encanto de uma criança recém-nascida, sendo Ele mesmo a luz na vida e nos corações das pessoas, sem provocar medo e morte.

Todos que participam do Natal de Jesus (Maria, José, Isabel, Zacarias, os profetas do Templo...) se revelam pessoas sensíveis ao plano de Deus, mas que aprenderam a ter confiança plenamente em Suas Palavras. Zacarias não acreditou inicialmente nas palavras do anjo e recebeu um pequeno castigo de uma mudez temporária; Maria se coloca diante de Gabriel: “faça segundo a tua palavra”; José nada diz, mas escuta e confia nas palavras do anjo que lhe revela em sonho o que tinha que fazer; e Isabel que percebe já na voz de Maria, a presença do próprio Verbo de Deus no mundo.

Miqueias (1ª leitura) profetiza sobre Belém, pequena vila da grande Jerusalém, ela terá um hospede que iria mudar toda história, e isto aconteceu. No Natal de Jesus, Ele é a luz, Ele é o maior presente que nada quer para si, mas se doa totalmente aos outros. É uma entrega que rompe todos os sacrifícios e sofrimentos (como nos lembra a 2ª leitura) para perpetuar o amor em forma de doação desde o presépio até a cruz.                                     

De Maria e Isabel aprendemos também a arte do encontro: o correr de Maria é acolhido por uma bênção. Um vento de bênção deve abrir todo diálogo que queira ser criativo. Aos que compartilham minha estrada e minha casa, aos que me trazem um mistério, aos que me trazem um abraço, aos que tanto me deram na vida, repetirei as primeiras palavras de Isabel: que você seja abençoado (Ermes Ronchi).

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O divino nos limites geofísicos humanos

Translator

 

A consciência geofísica dos povos bíblicos é bastante limitada em relação às descobertas astronômicas que o ser humano realizou a partir do Renascimento Científico nos séculos XV e XVI, quando matemáticos, geógrafos, astrônomos, físicos e geômetras empreenderam estudos revolucionários no campo da ciência natural. Sendo assim, a mensagem salvífica, embora não seja prejudicada no seu genuíno interesse de transmitir à humanidade o convite para que ela participe plenamente da comunhão com Deus, encontra-se emoldurada pelos limites do pensamento geocêntrico e terraplanista. Após a formulação científica do sistema heliocêntrico de Nicolau Copérnico (1473-1543), da comprovação de que os planetas realizam o movimento elíptico em torno do sol por Johannes Kepler (1571-1630), da descoberta das leis de física mecânica desenvolvidas por Isaac Newton (1643-1727) e da elaboração da teoria da relatividade de Albert Einstein (1879-1955), a cosmovisão astronômica que serviu de base para a expressão teológica da comunicação bíblica foi posta em cheque.

Entender que os hagiógrafos impregnaram os textos bíblicos com os mais diferentes aspectos culturais, inclusive geográficos e físicos, sabendo que muitos deles foram superados pelo avanço da ciência natural, é reconhecer que Deus respeitou os limites da consciência humana no processo de formação da Bíblia. Longe de causarem prejuízo à salvação humana, os limites geocêntrico e terraplanista da antiguidade demonstram que Deus, na sua insondável sabedoria, permitiu que o homem exercesse sua liberdade e autonomia científico-cultural, contribuindo para a compilação da mensagem divina com suas capacidades e dentro de seus horizontes de conhecimento. Mediante esse espírito de confiança na sabedoria divina que falou metafisicamente ao homem através dos limites de sua cultura para fazer-se entender, de forma que Deus restringiu voluntariamente a grandeza de sua mensagem sobrenatural à imperfeita naturalidade da comunicação humana, é imprescindível entender a cosmovisão geocêntrica e terraplanista que perpassa a construção dos textos revelados.

Cientificamente canonizada nos escritos do astrônomo e geógrafo grego Cláudio Ptolomeu (100-168 d.C.), de maneira evidente na sua obra Almagesto, a teoria geocêntrica nasceu do interesse filosófico de entender e explicar o movimento dos planetas e dos corpos celestes. A ideia de que a terra se encontra imóvel no centro do sistema cósmico, de sorte que os astros orbitam em torno dela, remonta a tradições mitológicas arcaicas e se fundamenta nas reflexões de Aristóteles (384-322 a.C.), Eudoxo de Cnido (390-340), Aristarco de Samos (310-230 a.C.) e Hiparco de Niceia (190-120 a.C.), dentre outros. O geocentrismo, portanto, é uma hipótese que esteve presente em inúmeras narrativas sobre o universo desde a origem da humanidade, tanto religiosas quanto científicas, aparecendo em diferentes povos e épocas. Nesse contexto, os povos bíblicos testemunharam que a Terra ocupava o centro do universo por acreditar que ela é a morada de Deus (cf. Sl 68,16s) e a casa de sua obra-prima, o ser humano.

Embora a Bíblia não seja um compêndio científico, a linguagem astronômica que ela utiliza para falar da realidade teológica, isto é, da experiência do povo de Israel com Deus, revela uma compreensão geocêntrica do cosmos: “a Terra está firme e jamais se abalará” (Sl 93,1), como se estivesse fixada no centro do universo; e “o sol se levanta, o sol se põe e se apressa para voltar a seu lugar, onde renasce” (Ecl 1,5), movimentando-se ao redor do planeta. Justamente por conceber estática e centralmente o posicionamento da Terra no universo, os povos bíblicos também acreditavam que o mundo fosse plano, sem que, como isso, a Bíblia defenda ou sirva de base para o terraplanismo: os textos revelados não afirmam explicitamente que o mundo é plano porque esse tipo de especulação científica escapa a sua finalidade teológica; porém, as narrativas bíblicas do Segundo, mas, sobretudo, do Primeiro Testamento permitem uma aproximação da cosmovisão astronômica das civilizações antigas, dentre as quais se encontram os povos que colaboraram na composição da Sagrada Escritura.

De acordo com o que é possível apreender das narrativas bíblicas, os povos antigos acreditavam que a Terra fosse um disco, provavelmente com quatro extremidades (cf. Jó 38,13; Mc 13,27), sobre o qual repousariam todos os elementos da criação (cf. Sl 115,16): ventos, húmus, árvores, montanhas, animais, seres humanos e as águas que estão debaixo do firmamento (cf. Gn 1,6). Erguendo-se por cima deste disco, a abóbada celeste (cf. Jó 22,14; Am 9,6), também chamada de firmamento ou céu, é como uma esfera que envolve os astros e estrelas – “estende o céu como toldo, arma-o como tenda para morar” (Is 40,22), ao longo da qual existem comportas (cf. Gn 7,11) que são abertas para que as águas que estão acima do firmamento (cf. Gn 1,7) se derramem sobre a terra provocando as chuvas. Por sobre as águas do firmamento estão os céus nos quais Deus tem sua morada eterna e de onde governa toda a criação: “Ele se assenta no seu trono, acima da cúpula da terra” (Is 40,22). A Terra é sustentada por colunas (cf. Jó 38,6; Sl 75,4) que estão fixadas no abismo (cf. Hb 1,10), também chamado de sheol ou hades (cf. Sl 139,8; Prov 30,16), que é o submundo de trevas e de morte onde Deus não habita: “quando Ele estabeleceu os céus, lá estava eu; quando traçou o horizonte sobre a superfície do abismo” (Prov 8,27).

Como se pode deduzir da descrição feita, a constituição geofísica do imaginário bíblico influencia também a concepção equivocada do céu e do inferno como lugares físicos: o primeiro nas alturas, e o segundo nas profundezas da Terra. O fato é que céu e inferno são estados espirituais e não físicos: o céu nada mais é do que a eternização do estado espiritual de plena união da alma humana com Deus, em que prevalece o total amor, cuja gênese se encontra na vida terrena (através da fé e das boas obras) e se estende pelos séculos sem fim; de igual forma, o inferno é a eternização do estado espiritual de plena ruptura da alma humana com Deus, no qual os sofrimentos e tormentos, representados pelo simbolismo do fogo que desassossega e aterroriza, se dão porque a alma sabe que é amada e desejada por Deus, mas escolheu livremente viver como se Ele não existisse. Assim, a recuperação da consciência geofísica dos povos bíblicos colabora para a compreensão cultural e teológica de muitos textos da Sagrada Escritura, e, também, para o esclarecimento de concepções teológicas fundamentais à fé cristã.

Imagem de svecaleksandr249 por Pixabay


#Reflexão: 3º Domingo do Advento (15 de dezembro)

A Igreja celebra o 3º domingo do Advento, neste domingo (15). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Sf 3,14-18a
Salmo: Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R. 6)
2ª Leitura: Fl 4,4-7
Evangelho: Lc 3,10-18

Acesse aqui as leituras.

CONVERSÃO, OBRAS DE JUSTIÇA E CARIDADE

O Natal que estamos para celebrar traz sempre consigo uma atmosfera de alegria e paz. Mesmo vivendo um tempo com tanto barulho, insegurança e diversos temores, o Natal nos convida a nos alegrarmos, pois Deus se fez e continua a se fazer presente em nossa história. No Natal recordamos que Deus se reveste de uma realidade que nós não estamos acostumados a perceber. A misericórdia de Deus o conduziu até a nossa miséria, não em sua grandeza e onipotência, mas em uma criança. Nos deparamos com uma cena que nos espanta, pois Aquele que é tudo quis se aproximar de nós com quase nada (o que há de grande no presépio onde Jesus nasceu?). Um filho é a imagem daquilo que temos de mais belo e humano. Deus escolheu fazer parte de nossa realidade, dentro de nossa história e vida humana.

O modo de Deus agir, sempre vai além, nos surpreende continuamente, rompe o nosso esquema e o nosso modo limitado e mesquinho de ver o mundo, os outros e nós mesmos. Deus não “se contentou” em nos amar e nos perdoar, Ele quis ir além. Misericórdia em Deus é abraçar e envolver o pecador para fazê-lo sentir o Seu coração bater próximo do coração de cada pessoa.

Na primeira leitura temos a Palavra de Deus expressa com termos que nos dão a ideia de um Deus que está em festa e em plena alegria: “Solta gritos de alegria!”, “Solta gritos de júbilo!”, “Alegra-te e rejubila-te!”, “transporta alegria por ti!, “exulta de alegria a teu respeito!”. Não obstante os temores pelos quais o povo passava (em terra estrangeira e escravo), Deus usa palavras de esperança e encorajamento: “O Senhor revogou tua sentença”, “afastou teu inimigo”, “não temas!” e, por duas vezes enfatiza: “O Senhor está no meio de ti!” São palavras que descrevem nosso Deus como que envolvendo, protegendo e carregando o seu povo em seus braços.

Neste terceiro domingo do Advento, também chamado de “Domingo da Alegria” (Gaudete), as duas leituras falam de alegria e louvor a Deus, mas a carta de São Paulo aos Filipenses chama atenção, pois foi escrita quando o autor estava na prisão e mesmo próximo de uma execução, Paulo nos convida ao louvor e a celebrar com alegria em todos os momentos de nossa vida: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo! Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças”.

No Evangelho de Lucas temos a figura de João Batista. Ele pregava longe da cidade e do Templo, mas multidões iam ouvi-lo no deserto, muitos procuravam mudar de vida e questionam João. Eram pessoas que não frequentavam o templo, pessoas comuns, publicanos (cobradores de impostos) e soldados. Eles vão até aquele homem do deserto com uma única pergunta que não estava ligada a teologia e nem a doutrina, mas que vai diretamente ao coração da vida: o que devemos fazer? Porque a vida não pode ser só trabalhar, comer, dormir e depois voltar a trabalhar (Ermes Ronchi).

As palavras do precursor Batista eram fortes e decisivas contra aqueles que, mesmo estando em pecado, não queriam abandonar o pecado. Mas muitos procuravam saber o que era necessário realizar em suas vidas para abandonar o pecado. A pregação de João Batista tocava e questionava a todos. O evangelista Lucas menciona três grupos de pessoas que perguntam a João o que deveriam fazer.

Ao povo, João Batista reforça a necessidade da caridade. Não ordena que multiplicassem orações e realizassem exercícios extremos de penitência, mas que deveriam pensar no próximo. Naquela época, o povo possuía, praticamente, o extremo necessário, mas havia muitos que estavam desprovidos até do mínimo para ter dignidade (roupa) e para a sobrevivência (se alimentar). João conhecia bem o povo simples que o escutava, por isto, não pede gestos extremos, mas a partilha. Ele não aconselhou que deveriam dar a roupa que possuíam, mas somente quem possuía duas roupas (túnicas), ele que nem sequer tinha roupas (usava peles de camelo). Quem tinha um pouco mais, foi chamado a partilhar pensando não naquilo que iria perder (a segunda túnica), mas naquela pessoa que nada possuía. O mesmo sugere sobre o alimento: pensar naquele que não tinha nem o necessário para sobreviver, lembrando que João Batista se alimentava de quase nada (mel e gafanhotos).

Os publicanos eram responsáveis em cobrar os impostos e taxas. Quem assumia este trabalho, deveria cobrar das pessoas os valores devidos e repassar aos romanos. O conselho que João Batista dá aos cobradores de impostos nos leva a entender que muitos exploravam e extorquiam muito além do justo valor, por isto, afirma João que o caminho era ser justo e não fazer nada além daquilo que tinha sido combinado.

Os soldados tinham a função de manter a ordem, mas muitos aproveitavam do poder que possuíam e maltratavam e defraudavam as pessoas. Um típico caso de abuso de poder. João, novamente, insiste que deveriam cumprir o dever de forma honesta e correta, bem como, se contentar com o salário devido.

Em todos os casos, João Batista não aconselha as pessoas a abandonarem seus serviços, mas a serem um sinal de justiça e honestidade. De fato, em todos os ambientes que hoje identificamos como de “pecadores”, precisamos de pessoas que testemunhem aquilo que é justo e correto. O mundo somente irá mudar quando os bons e justos começarem a testemunha decisivamente onde vivem, os valores do Evangelho de Jesus.

Paulo espera que os membros da sua comunidade sejam conhecidos pela bondade que cada um deve mostrar para as pessoas. É o que João Batista aconselha as pessoas: que a caridade seja a luz na vida daqueles que têm fé e que esta luz brilhe neste mundo onde nós nos encontrarmos.

Lucas no Evangelho deste domingo completa dizendo que, o modo como João Batista conduzia sua missão era algo tão diferente e inovador que as pessoas começaram a pensar que talvez ele fosse o Messias. João não tinha medo de anunciar a Boa Notícia da vinda do Messias, de pregar a penitência como caminho de preparação para a chegada do Salvador, mas ele também tinha palavras contra os tiranos e injustos de seu tempo. Por isto, a multidão acreditava que ele talvez fosse o Messias esperado por todos.

João não é um relaxado ou liberal, pois não cobra práticas religiosas rigorosas, mas procura mostrar que para sermos especiais aos olhos de Deus precisamos começar dando um sentido diferente e especial para as coisas simples da vida, aquilo que realizamos diariamente, onde vivemos, trabalhamos, estudamos e com quem convivemos.

Muito belo é o gesto do Batista que se revela como alguém a serviço de Deus e que, em relação ao Messias, não era ninguém. Ele era somente a voz, Jesus é a Palavra. A voz desaparece, mas a Palavra de Deus permanece. Diante de Jesus, João Batista se coloca como alguém que não serve nem como um servo que arruma as sandálias do seu Mestre. Até seu batismo é limitado (de penitência), por isso é de água e precisa ser repetido, mas o Batismo de Jesus é único e definitivo como fogo que queima e deixa sua marca.

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