#Reflexão: 1º Domingo do Advento (01 de dezembro)

A Igreja celebra o 1º domingo do Advento, neste domingo (01). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Jr 33,14-16
Salmo: 24(25),4bc-5ab.8-9.10.14 (R. 1b)
2ª Leitura: 1Ts 3,12-4,2
Evangelho: Lc 21,25-28.34-36

Acesse aqui as leituras.

Vinda de Jesus: dia de alegria e libertação

            Com este Domingo, a Igreja começa o tempo do Advento que tem como principal função nos preparar para encontrarmos com Jesus. O Senhor está próximo e quer nos encontrar, assim, devemos nos preparar para este momento especial em nossa vida.

 O tempo do Advento procura nos ajudar a refletir e a meditar sobre dois momentos especiais na vida de Jesus e em nossa vida: O NATAL quando Ele veio a este mundo como uma criança (um olhar para o passado) e a PRÓXIMA VINDA de Cristo sobre as nuvens (um olhar para o futuro).

Assim, hoje começamos uma peregrinação que nos conduzirá àquela noite especial e única do Natal. Aquilo que encontraremos naquela noite, escapa a nossa lógica humana e normalidade: simplicidade, uma família sem casa, um lugar entre animais, sem nenhuma festa. Aos olhos humanos, uma realidade sem Deus e mais um pobre que nasceu na miséria e sem valor. Mas é aqui que está a grandeza de Deus. Aquele que é maior que as estrelas do céu se esconde em uma simples e humilde criança. O Natal é algo que devemos nos esvaziar de nossa lógica, razão, riqueza, grandeza e prepotência para ser capaz de se ajoelhar diante Daquele que aparenta ser nada, mas é o tudo em nossa vida e na nossa história. O Natal é uma resposta especial de Deus a nossa realidade humana.

Mas, o Evangelho de Lucas que lemos hoje não fala daquela primeira vez que Jesus veio, mas de sua próxima vinda de forma solene e especial. As palavras que ouvimos de Jesus foram pronunciadas dentro do Templo de Jerusalém e foram as últimas de Jesus como homem livre que ensinava na Casa do Senhor. Jesus sabia muito bem o que lhe aguardava um pouco depois: seria preso, julgado injustamente, humilhado, condenado e morto. A cruz é outro momento da vida de Jesus que aparenta não ter lógica: um fim doloroso em uma morte horrível de Cruz. No calvário Jesus aparenta se encontrar muito longe de Deus, mas foi dessa forma que Ele escolheu terminar sua vida: vivendo plenamente a realidade humana, inclusive a morte.

A cruz foi uma escolha que Jesus abraçou para permanecer do início ao fim no mais profundo da nossa realidade humana.

Da mesma forma, que aceitou e escolheu enquanto Deus, nascer e ser colocado em uma manjedoura para assim, desta forma, Ele desprovido de tudo, começar um novo momento da história humana. O Natal e Cruz são realidades humanas que Jesus aceitou como condição para iniciar e terminar seu tempo neste mundo e dessa forma, dar uma resposta definitiva para as nossas fraquezas, pecados e misérias.

Hoje no Evangelho proclamado, Jesus procura orientar e ajudar os seus discípulos em relação àquilo que estava por vir. Nosso Senhor sabia que a sua morte em Cruz seria uma dura experiência para seus amigos e seguidores. Todos conheciam o poder de morte dos romanos, a força da mão de quem se encontrava no poder. A morte de Jesus poderia aparentar que mais uma vez o bem tinha sido derrotado e que o mal e o pecado é que imperavam sobre tudo e todos. As palavras de Jesus têm esta função: mostrar que a história, o presente e o futuro, tudo se encontra nas mãos de Deus. Somente Deus é que possui o poder supremo sobre tudo. A história não se encontra nas mãos do mal e daqueles que o servem, mas com Deus. Somente o Criador de tudo tem poder de abalar a natureza, a terra, os céus e os astros quando quer e quando se manifesta. Os homens e o mal, o máximo que podem é fazer, é causar danos ao ser humano e algumas destruições; só Deus move os céus!

Nosso Deus exorta através do profeta Jeremias que “virão dias nos quais eu realizarei as promessas... Naqueles dias, eu farei germinar a justiça na terra” (33,15). O dia da vinda de Jesus será um dia de alegria e felicidade para todos que escolheram o projeto de amor, justiça e verdade de Jesus. O Dia do Senhor é a resposta de Deus para a nossa história.

A Vinda de Cristo será sim um dia de terror e pavor, mas para aqueles que encontram-se longe de Deus e da sua justiça. A luz suprema de Cristo sobre as nuvens iluminará a vida e a história de todos e tudo se tornará claro e visível. Quem estiver em dia e procurando viver os ensinamentos de Jesus, brilharão como as estrelas, mas aqueles que estiverem nas trevas do pecado e longe daquilo que ensinou Jesus, não terão espaço neste novo momento da história.

Será um dia especial se nos encontrarmos preparados para encontrá-Lo. Por isso, devemos seguir as palavras do Senhor e permanecer em sua estrada, a mesma que Ele próprio começou um dia no Natal. Naquele dia de Luz na noite, a história que conhecemos teve um novo início. Todo o Antigo Testamento procura preparar para este momento da vinda do Messias. Nós nos encontramos no meio desta história que um dia encontrará não o nada e a destruição total, mas o próprio Senhor Jesus.

A nossa existência e realidade passarão por um novo recomeço, novamente com Jesus Cristo, não mais como criança, mas glorioso e poderoso. Os generais daquele tempo de Nosso Senhor usavam cavalos como símbolo de força e poder, Jesus virá sobre as nuvens do céu com sua glória.

Sabemos que os povos antigos do tempo de Jesus cultuavam como divindades os astros (sol, lua, estrelas...) e fenômenos da natureza (raios, trovões...). Tudo isto está nas mãos de Deus Criador: Ele governa e controla tudo. Tais reinos tiranos com seus astros divinos, tudo cairá diante de Jesus no final dos tempos. Nossa história não será mais deste tipo de governo e força, mas do Filho do Homem. Tudo já começou a acontecer no momento da morte de Jesus na cruz: “Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona. Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio” (Lc 23,44-45).

Jesus no Evangelho de Lucas nos exorta, no entanto, a permanecermos vigilantes e na espera, mas vigiar em oração. A oração purifica os nossos olhos para reconhecer os sinais dos tempos e nos ajuda a ler com a Luz de Deus todas as situações humanas. Temos que nos lembrar que cada escolha que fazemos em nossa vida possui uma repercussão sobre a nossa história e consequências para toda nossa vida. Não se deve escolher algo errado e sabendo que causará um mal, pensando que um dia que tudo estará certo e correto. Ninguém sabe nada sobre o amanhã e o futuro, por isso, hoje e sempre devemos estar preparados.

As palavras de Jesus no Templo falam do drama futuro para aqueles que não se encontrarem dentro do rebanho de Cristo, mas também nos mostram que o mundo não caminha para uma catástrofe e um terror para todos indiscriminadamente.

Profecias que não trazem esperança e libertação não vêm de Deus. O Dia do Senhor, ao contrário, será para aqueles que já O esperam hoje, um tempo de maturidade, plenitude, uma nova primavera para a humanidade e a história. A vinda de Cristo é um tempo de esperança e alegria, e não um flagelo e desgraça para o mundo. Tudo será transformado e serão eliminados tudo e todos que produzem o mal e ferem a vida humana. Um tempo de felicidade com Deus, por isso, uma alegria eterna.

Será um tempo que devemos nos preparar hoje, por isso, Jesus também alerta os seus discípulos para não se relaxar em relação ao cotidiano da vida: “Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso do comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe de improviso” (v.21,23). Devemos estar com Deus sempre! E cada acontecimento na natureza e na humanidade deve ser visto como um sinal e um alerta se já estamos prontos, pois ninguém sabe quando estará diante de Deus.

O Dia da Vinda de Cristo será um dia pleno para a humanidade, pois tudo será transformado para que Jesus possa reinar plenamente em nossa realidade.

Assim, o convite de Cristo é para nos prepararmos para encontrá-Lo em pé, com o olhar para o alto, com sorriso no rosto, com os olhos e as mãos livres, pois está próxima a libertação plena do mal e de todo o sofrimento. Vale a exortação de São Paulo que nos ajuda a nos prepararmos para este dia de festa com o Cristo glorioso: “Que o Senhor vos faça crescer e avantajar na caridade mútua e para com todos os homens, como é o nosso amor para convosco”. Amar a Deus e ao próximo é a melhor forma de hoje nos prepararmos para receber o Senhor no Natal e sempre em nossa vida até quando estivermos em sua presença ou Ele mesmo vir e nosso encontro.

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Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

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No próximo domingo (24), a Igreja realizará a celebração da Solenidade de Jesus Rei do Universo. O texto abaixo nos auxilia a entender melhor a importância dessa grandiosa festividade.

Em 325, realizou-se o primeiro Concílio Ecumênico na cidade de Niceia, localizada na Ásia Menor. Durante esse importante evento, foi reafirmada a divindade de Cristo em resposta às heresias promovidas por Ário: “Cristo é Deus, Luz da luz, Deus verdadeiro do Deus verdadeiro”. Em 1925, o Papa Pio XI declarou que a melhor forma de combater as injustiças é reconhecer a soberania de Cristo.

A celebração original de Cristo Rei ocorria no último domingo de outubro, mas, com a Reforma de 1969, sua data foi transferida para o último domingo do Ano Litúrgico. Isso evidencia que Jesus Cristo, o Rei, é o objetivo de nossa jornada terrestre. Os textos bíblicos são renovados a cada três anos (Ano A, B e C) para que possamos entender plenamente a figura de Jesus.

Na Encíclica do Papa Pio XI, a festividade de Cristo Rei foi estabelecida, convocando todos a permitir que Cristo reine em nossas mentes e a agir com total submissão, permanecendo firmes nas verdades reveladas e na Doutrina de Cristo.

Cristo é o Rei, e precisamos estar em Sua Vontade, seguindo as leis e preceitos divinos. É fundamental deixar que Ele reine em nossos corações, amando a Deus acima de tudo e nos unindo somente a Ele.

A Solenidade nos convoca a um novo começo, um novo caminho para os fiéis e para aqueles que buscam e aceitam uma vida renovada em Cristo, que nos recebe com Sua infinita misericórdia. Que possamos nos aproximar de Cristo não com resistência, mas com alegria, amor e santidade. Que nossas vidas estejam em conformidade com as leis do Reino divino, para que possamos colher frutos abundantes e felizes. Reconhecidos por Cristo como bons e fiéis servos, tornamo-nos participantes com Ele no Reino celestial de Sua eterna felicidade e glória.

A Solenidade de Cristo Rei nos lembra da importância de vivermos em comunhão com o Senhor, buscando a transformação de nossas vidas à luz de Seus ensinamentos. Essa festividade não é apenas uma celebração, mas um convite à reflexão sobre como podemos ser verdadeiros representantes do Reino de Deus em nosso cotidiano.

Ao reconhecermos Cristo como Rei, somos chamados a ser agentes de mudança em nosso ambiente, promovendo a justiça, a paz e o amor. Através de nossas ações e testemunhos, devemos refletir a presença de Cristo em nossas vidas, sendo luz para aqueles que nos cercam. A unidade entre os membros da Igreja é fundamental para que possamos avançar juntos nessa missão, fortalecendo-nos mutuamente na fé.

É um momento propício para reavaliar nossas prioridades e reorientar nossos corações. A Solenidade de Cristo Rei nos convida a deixar de lado as distrações do mundo e a centrar nossa atenção no que realmente importa: o amor a Deus e ao próximo. Ao vivermos essa verdade, contribuímos para a construção do Reino de Deus aqui na Terra.

Portanto, ao celebrarmos Cristo Rei, que possamos renovar nosso compromisso de seguir Seus passos, permitindo que Sua vontade guie nossas decisões e ações. Que cada um de nós se torne um instrumento de Sua paz e amor, levando esperança e alegria a todos que encontramos em nossa jornada. Que a realeza de Cristo se manifeste em nós, fazendo de nossas vidas um testemunho vivo de Sua graça e misericórdia.

Fonte: https://santo.cancaonova.com/santo/solenidade-de-cristo-rei-universo/

Imagem: CNBB


#Reflexão: Solenidade de Cristo Rei do Universo (24 de novembro)

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A Igreja celebra a Solenidade de Cristo Rei do Universo, neste domingo (24). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Dn 7,13-14
Salmo: 92(93),1ab.1c-2.5 (R. 1a)
2ª Leitura: Ap 1,5-8
Evangelho: Jo 18,33b-37

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SOLENIDADE DE CRISTO REI DO UNIVERSO

            Jesus nunca apreciou nenhum título que estivesse liga às estruturas deste mundo. Até mesmo a designação de “Messias”, Ele não gostava, pois estava cheia de ideias semelhantes aos reinos que se conheciam no mudo. No entanto, Jesus Cristo é realmente um rei, mas um rei diferente, que está muito além de qualquer concepção conhecida. Ele proclamou e pediu que fosse anunciado o “Reino de Deus”, onde Ele reina para sempre sobre todo o universo.

A celebração deste Domingo conclui a caminhada litúrgica da Igreja deste ano, momento oportuno de também nos lembrarmos de nossa jornada neste mundo. Tudo que nós conhecemos e todo o universo ao nosso redor encontra-se em uma grande viagem onde um grande encontro nos espera. A existência humana e tudo que existe possuem Jesus Cristo como centro, por isto, Nosso Senhor não é “mais um” rei (como tantos de nossa história), mas o Rei único do Universo.

O profeta Daniel (1a leitura) já tinha profetizado este momento onde tudo que é terreno será subjugado definitivamente por Aquele que virá com as nuvens. Vir do céu é vir de Deus. Os reis conhecidos não fizeram nada mais que lutar para manter-se no poder que era colocado ao seu único e excluso interesse. Reis se tornam grandes, ricos e famosos subjugando seus súditos e matando seus críticos e opositores. Aquele que vem com as nuvens é “Filho do Homem”, este é um modo bíblico de falar que o Reino dos Céus terá como centro o homem e a mulher, um reino humano e não bestial como o próprio Daniel compara os impérios que todos conheciam no tempo do profeta. Como o “Filho do Homem” vem de Deus, Ele terá todo o poder acima de qualquer reino terreno, pois é um poder eterno, que jamais terá fim e nunca será destruído. De fato, Daniel tem razão, reinos e mais reinos já se sucederam neste mundo, se impuseram, repetiram os mesmos erros que outro, e desapareceram.

            Jesus sempre utilizava a expressão “Filho do Homem” para representar a Si mesmo e a sua missão. Mas, as pessoas e até mesmo os discípulos - antes de sua paixão e ressurreição - imaginavam que Jesus iria instaurar mais um reino nesta terra, um reino conforme foi criado pelo grande rei Davi.

Somente após a ressurreição e com o dom do Espírito Santo, os discípulos e apóstolos compreenderam que tudo era diferente. Lembra-nos o autor do Apocalipse (2ª leitura) que Jesus Cristo é a testemunha fiel (do projeto de Deus) e com sua ressurreição dos mortos se constituiu soberano rei da terra. Os reis lutaram e venceram outros reis; Jesus lutou e venceu o maior inimigo da humanidade: a morte. Mas, sua missão não terminou com a Sua Ascensão aos céus, Ele virá uma próxima vez e se manifestará com as nuvens para instaurar seu Reino Definitivo sobre o mundo. Todos irão vê-Lo (justo e inimigos). Jesus Cristo, dessa forma, é o centro da existência humana, Nele compreendemos todo o passado, o presente e o futuro.

 Compreendemos melhor a realeza especial de Jesus Cristo no Evangelho deste domingo, proposto por São João. A cena se passa após a prisão de Jesus em Jerusalém. O local era o palácio onde a autoridade romana exercia o seu poder de juiz e rei. Pilatos era prefeito da Judeia e devia obediência ao rei da Síria. Foi uma figura de segundo plano no cenário romano e para o povo judeu.

João retrata a cena mostrando Pilatos preocupado e interessado por Jesus. Dois reis, mas em posição e realidade diversas. Pilatos era um homem cercado pelo poder romano, mas temeroso diante de Jesus. Sua pergunta retrata muito mais o seu medo em relação à realeza de Jesus do que em relação ao motivo principal que levou os religiosos judeus a entregá-Lo. O administrador romano foi direto: “Tu és rei dos Judeus?”. Jesus poderia simplesmente dizer não, mas procurou responder com outra questão. Jesus responde com uma pergunta: o pensamento é seu ou dos outros? Como se lhe dissesse: “olha para dentro de ti, Pilatos. Você é um homem livre ou é manipulado”. Duas eram as ideias possível sobre Jesus como rei: Os judeus acreditavam na vinda de um novo “messias” (palavra que significa “ungido” e estava ligada ao rei Davi) que iria resgatar o reino de Israel; e a outra ideia era de um rei nos moldes conhecidos pelos romanos com um exército e armas para conquistar e se impor.

No interrogatório entre eles, Pilatos informa que Ele estava ali por causa dos chefes dos sacerdotes, os verdadeiros culpados de tudo. Jesus, então, procura esclarecer o que Ele entende como reino e realeza. Ele possui um reino que não é deste mundo, isto é, a origem dele não se compara a nenhum outro reino. Jesus é sim rei e o seu reino é PARA este mundo, mas não se limita a um determinado tempo da história.

 Jesus faz um discurso que, certamente, Pilatos não entendeu e nem tinha a menor ideia do significado das palavras. O prefeito romano estava acostumado a ver reis e vassalos, exércitos e armas, fortalezas e castelos, mas Jesus se apresenta com um rei diferente.

De fato, Nosso Senhor não precisa de exército, pois não precisa se proteger e nem proteger bens deste mundo; Não precisa de soldados para se defender, pois Ele mesmo fará tudo por seus seguidores; Ele não precisa de poder e nem da força desta terra para fugir da morte, pois com Sua morte salvará a todos. Pilatos um homem temeroso diante de alguém que foi apresentado a ele como rei; Jesus um homem livre e destemido, pois não tinha medo de perder nada, pois estava pronto a doar tudo. Dois homens com poderes diferentes: para os reinos e corações deste mundo o essencial é vencer, para o Reino de Jesus o mais importante é servir. Jesus nunca contratou mercenários nem alistou exércitos, nunca entrou nos palácios dos poderosos, exceto como prisioneiro (Ermes Ronchi).

 O prefeito Pilatos, então conclui que Jesus era rei e mais uma vez isto não é negado, mas Nosso Senhor que procura aprofundar e esclarecer que justamente para isto é que Ele veio a este mundo, tendo como principal missão “testemunhar a verdade”. Mais um conceito (ou palavras) que, possivelmente, Pilatos não entendeu.

A verdade para Jesus não estava ligada a “não-mentira”, em sempre falar o que é correto, mas de testemunhá-la. A verdade sobre quem é realmente nosso Deus e como Nosso Pai nos vê. O Reino de Jesus tem como centro o verdadeiro rosto de Deus Pai e a verdadeira imagem de todos nós como filhos e filhas.

Sua missão nesta terra é testemunhar estes dois princípios que devem ser a marca principal do Reino de Deus que um dia será pleno neste mundo. Jesus é sim um Rei que já governa a história, mas em nada se identifica com qualquer outro reino que está associado a coisas materiais e passageiras. O Reino de Jesus tem como lugar privilegiado o coração humano, pois transformando cada pessoa, Jesus sabe que conseguirá transformar todo o mundo e reinar por toda a eternidade.

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Dom Majella realiza Visita pastoral à Paróquia São Geraldo em Inconfidentes

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Entre os dias 7 e 10 de novembro, Dom José Luiz Majella Delgado realizou uma visita pastoral à Paróquia São Geraldo, localizada em Inconfidentes (MG).

Durante sua estadia, Dom Majella teve a oportunidade de interagir com o pároco Cônego Cláudio Antônio, os leigos e a liderança da paróquia. Além de celebrar missas e conduzir orações, ele visitou doentes, escolas, o Instituto Federal do Sul de Minas, diversas fábricas, lojas e várias comunidades paroquiais. O bispo também se reuniu com as lideranças da paróquia e o conselho econômico.

Durante as reuniões, foram discutidos os projetos em andamento e as necessidades da Comunidade Paroquial. Dom Majella incentivou a participação ativa dos leigos nas atividades da paróquia e ressaltou a importância da evangelização e do trabalho em equipe para o fortalecimento da fé entre os fiéis.

Além disso, o bispo aproveitou a oportunidade para ouvir as preocupações dos paroquianos e dar orientações sobre como enfrentar os desafios atuais, ressaltando a importância da união e do apoio mútuo. Ele também destacou a relevância da formação contínua para os líderes e a necessidade de promover iniciativas que envolvam os jovens, a fim de garantir o futuro da paróquia.

Ao final da visita, Dom José Luiz Majella Delgado expressou sua gratidão pelo acolhimento e pela dedicação de todos os envolvidos na paróquia, reforçando seu compromisso em continuar apoiando as atividades da comunidade e incentivando o crescimento espiritual de cada um. A visita foi uma oportunidade enriquecedora, tanto para o bispo quanto para o pároco e os paroquianos, fortalecendo os laços de amizade e fé entre todos.

 

Fonte e imagens: Pascom - Paróquia São Geraldo - Inconfidentes


#Reflexão: 33º Domingo do Tempo Comum (17 de novembro)

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A Igreja celebra o 33º domingo do Tempo comum, neste domingo (17). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Dn 12,1-3
Salmo: 15(16),5.8.9-10.11 (R. 1a)
2ª Leitura: Hb 10,11-14.18
Evangelho: Mc 13,24-32

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TUDO PASSARÁ, MENOS AS PALAVRAS DE JESUS

Estamos concluindo o ano litúrgico da Igreja: próximo domingo, celebraremos a solenidade de Cristo Rei. Mais um tempo litúrgico da Igreja que se conclui e daqui uns dias, mais um ano que se encerra. Por isto, somos convidados a recordarmos o que Jesus falou sobre o final dos tempos.

As imagens que encontramos em algumas páginas da Bíblia que contam a história do “juízo final” revelam que será um momento com grandes sinais. Costuma-se utilizar a palavra “apocalipse” para indicar esse momento da história, mas tal termo é mal compreendido. “Apocalipse” significa “tirar o véu”, isto é, uma “revelação”. O cinema criou a ideia que tal palavra está associada a catástrofes e destruição, mas na realidade é um tempo novo que se aproxima que passará por grandes transformações. Será um tempo de alegria para aqueles que são de Deus.

O contexto das páginas que possuem este jeito de contar os fatos futuros é quase sempre o mesmo. Diante de um mal que se apresenta como uma grande força, a esperança e a fé revelam que Deus é sempre maior. As forças humanas maléficas podem ser grandes em relação aos mais fracos e as pessoas que creem, mas Deus é sempre maior. O Mal (diabo, satanás) tem condição de provocar muitos danos aos seguidores de Cristo, mas Deus é maior que tudo e todos.

O livro do Apocalipse, que relata estes tempos do fim da história, não tem a intenção de falar somente de tragédias, mas revelar (= apocalipse) o destino da jornada final da humanidade.

Jesus procura mostrar que tudo tem um fim, mesmo as grandes forças deste mundo (humanas e do universo como o sol e a lua), tudo é finito e terá uma finalização, não é o fim de tudo, mas a conclusão de toda história. Não será a vitória do mal que destruirá tudo, mas de Deus que tomará posse definitivamente de tudo e de todos, assim “vamos de início em início, através de inícios sempre novos” (Gregório de Nissa) até a plenitude de tudo com Deus.

Na primeira leitura, o texto do livro de Daniel recorda que serão tempos de desolação e tristeza, mas o mensageiro enviado do céu (anjo Miguel), protetor do povo de Deus, vai reunir aqueles que são fieis (aqueles que estão escritos no livro da vida que está no céu). Após passarem por este mundo, no dia do grande julgamento final, todos vão ressuscitar: uns para a vida eterna, outros para a condenação.

Aqueles que são de Deus, brilharão como as estrelas no céu. O fim de tudo não será na escuridão ou vazio, mas de novas luzes como estrelas que serão os justos, aqueles “que tiverem ensinado a muitos os caminhos da virtude”.

Jesus no Evangelho de Marcos segue a mesma tradição com mais detalhes sobre o final dos tempos. Os inimigos do povo da época (os romanos) adoravam o sol, a lua e as estrelas com festas e prestavam cultos a essas divindades. No Evangelho deste domingo, Jesus fala de profundas mudanças no sol e na luz. Sua principal utilidade (iluminar) será cancelada. Estes astros cairão do céu, uma forma de dizer que esses tiranos que cultuam os astros, um dia serão derrubados (derrotados) e em seu lugar surgirá o Filho do Homem. Esta figura comum em vários textos do AT significa a “humanidade”, mas no livro de Ezequiel adquire um significado especial: representa toda a humanidade que está ao lado de Deus. No livro de Daniel, a expressão “Filho do Homem” é utilizada em oposição aos reinos tiranos da história que são representados pelo profeta por animais ferozes e desumanos (leão, urso, leopardo e besta fera), mas Daniel vê que um dia surgirá um reino que vem do céu, um reino profundamente humano.

No Evangelho de Marcos deste domingo, o Filho do Homem virá sobre as nuvens com grande poder. Os outros “impérios tiranos” desaparecerão e somente o Reino pleno de Deus para a humanidade vai prevalecer. Para preparar este tempo favorável do Filho do Homem, Deus enviará para toda a terra, anjos com a missão de reunir todos aqueles que forem escolhidos por Deus. Neste texto, os anjos não são somente os seres espirituais que conhecemos, mas também pessoas (mensageiros neste mundo) que irão cumprir esta mesma missão.

Nosso Senhor recorda alguns sinais de quando este tempo estará próximo. Primeiro, Ele lembra que a figueira é a última planta que dá sinais da proximidade do verão. Conforme uma figueira se modificava, sabia-se que a próxima estação estava para chegar. O exemplo que Jesus nos dá é um convite a sermos sensíveis e capazes de perceber os sinais ao nosso redor da proximidade do tempo do Reino do Filho do Homem.

Segundo Jesus, o Reino de Deus aconteceu a partir das coisas simples e pequenas como nas parábolas que Ele contou sobre o Reino dos Céus. A conclusão da história também deve ser esperada com expectativa e ao mesmo tempo com muita alegria como o anúncio do verão que se aproxima e o inverno que é deixado pra trás. As coisas belas de Deus não devem ser procuradas como uma forma de conquista, mas esperadas com alegria que aconteçam em nós e no mundo.

Por isso, Jesus sempre está próximo e devemos ter a ânsia de encontrá-Lo, à nossa porta e em cada pessoa que encontramos. Ele está próximo, não vem como um dedo apontado, mas como um abraço, um humilde brotar de vida (Ermes Ronchi).

O mundo pode ter o seu caminho e achar que está fora do projeto de Deus, mas não é assim. Nós todos estamos dentro de um grande projeto de plenitude do bem que Deus sempre planejou para todos nós. A história não está sem rumo e sem destino, mas tudo está caminhando para um grande final onde o bem vai prevalecer para sempre e o mal com todas as suas representações e raízes será eliminado para sempre. Nós cristãos somos a geração nova que nasce de Cristo com sua morte e ressurreição. Tudo vai passar, mas não as palavras de Jesus. Até o final dos tempos, aqueles que forem dignos farão parte deste novo momento da história que o Apocalipse chama de “Nova Jerusalém”. Povos e reinos tiranos desaparecerão da terra (“astros que caem”), mas o Reino dos Céus que possui a nova geração de Cristo, jamais será vendido, pois é sustentado por Deus.

Tragédias e catástrofes que sempre tivemos, infelizmente ainda nos acompanharão até que aconteça o Reino Definitivo planejado por Deus. O mal somente reforça a grande necessidade que temos de nos aproximarmos cada vez mais do bem e daquilo que Deus quer de melhor para nós. Para nós cristãos, o final dos tempos será um momento de encontro, da plena luz do amor de Deus e realização definitiva do projeto de Deus planejado desde o início para a humanidade. Por fim, Jesus alerta que “esta geração” não passará sem ver tudo se realizar.

Passam o sol e a lua, que são o relógio do universo; a terra vai desmoronar, mas não as palavras de Cristo Jesus que são um sol que nunca se porá no horizonte da história e no coração do homem (Ermes Ronchi). A geração dos filhos e filhas de Deus gerados pela fé e pelo Batismo serão as testemunhas e verão as palavras de Jesus se realizarem.

As perguntas que normalmente fazemos: quando será tudo isto? Quando o mundo, de fato, vai atingir o seu ponto máximo para a manifestação do Filho do Homem? Jesus nos alerta que ninguém sabe: nem os anjos, nem Ele mesmo (Jesus) teve esta missão de revelar, somente Deus Pai sabe. Isto não é um motivo de tristeza, mas de renovar nossa confiança em Deus, pois certamente acontecerá.

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#Reflexão: 32º Domingo do Tempo Comum (10 de novembro)

A Igreja celebra o 32º domingo do Tempo comum, neste domingo (10). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: 1Rs 17,10-16
Salmo: 145(146),7.8-9a.9bc-10 (R. 1)
2ª Leitura: Hb 9,24-28
Evangelho: Mc 12,38-44

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DOAR-SE DE CORAÇÃO E COM FÉ

            Jesus, finalmente, chegou a Jerusalém. Em nossas últimas celebrações, fizemos juntos o caminho que conduzia os peregrinos da Galileia (Norte) até a Cidade Santa, Jerusalém (Sul). Hoje Jesus se encontra no Templo e lá ocorreram alguns confrontos com as autoridades religiosas: ele expulsou os vendedores de animais do Templo; diversos grupos dirigentes da religião judaica se revezaram para debater com Jesus, mas foram desmascarados em suas intenções e perderam no discutir com Jesus, pois mostrou o verdadeiro sentido das Escrituras. Depois de denunciar a errada doutrina que viviam ao modo deles, mas não de Deus, hoje Jesus também denunciam o modo como eles viviam (Alberto Maggi). O Evangelho deste domingo nos relata o momento em que Jesus se colocou em um lugar do Templo para ensinar à multidão e depois para observar as pessoas.

 As palavras de Cristo são um grande alerta: “guardai-vos dos escribas”, isto é, “estejam atentos”, “em alerta” para não fazer a mesma coisa. Interessante que este alerta é sempre em relação aos religiosos da época e não contra os pecadores. Os escribas eram os responsáveis pelo ensino e interpretação das Escrituras no Templo. Estudavam e conheciam muito bem a Palavra de Deus e, por isto, se sentiam diferentes (privilegiados) em relação a todas as pessoas comuns e simples do povo.

O elenco de particularidades apresentado por Jesus revela como os escribas se comportavam: vestiam-se de modo a serem notados por todas as pessoas, exigiam que fossem tratados diferentemente em relação ao povo e revindicavam privilégios por causa de sua especial função de intérprete das Escrituras e da Lei de Deus. O sumo sacerdote (ele e o seu grupo também são criticado por Jesus bem como os fariseus) possuía em suas vestes sacerdotais pequenos sinos nas bordas para que todos notassem quando ele caminhava solenemente para cumprir sua função no Templo (cf. Ex 28,35). Os escribas exigiam privilégios em todos os lugares: pelas ruas, no mercado, nas festas (banquetes), nas sinagogas (lugar de oração) etc. Jesus critica e condena tais comportamentos, pois eram pessoas que estavam “aproveitando” do sagrado, da religião e até da Palavra de Deus para obterem privilégios e vantagens pessoais.

Jesus faz uma denúncia séria: os escribas se aproveitavam dos mais fracos, o Evangelho deste domingo menciona as viúvas. Estes falsos religiosos tinham criado uma forma de explorar as viúvas que necessitavam de assistência em relação às leis judaicas (eles eram também os profissionais nesta área), bem como da própria assistência do Templo. Por fim, segundo Jesus, até mesmo a oração que eles faziam (longas e em locais visíveis) era tudo um teatro para que fossem admirados por todas as pessoas.

Os sacerdotes, escribas e fariseus tinham transformado a religião e o templo em algo para interesse somente deles, exploravam as pessoas em proveito próprio e usavam os costumes religiosos para manipular o povo. Uma religião de aparências, roupas, rituais, costumes, longe daquilo que é a vontade de Deus.

Marcos nos conta que após o alerta ao povo sobre os escribas, Jesus foi se assentar em um local estratégico no Templo. Nesta área do lugar sagrado era onde as pessoas podiam depositar suas ofertas, era em uma parte do Templo em que as mulheres podiam permanecer. Sabe-se que lá havia 13 “caixas do tesouro” (“gazofilácio” em grego) sendo que 12 eram descriminadas e destinadas aos ofícios do Templo (para a lenha dos sacrifícios, óleo, limpeza, levitas etc.), as ofertas eram moedas do próprio Templo (não podia ser moedas romanas ou estrangeiras) que deveriam ser entreguem ao funcionário (ou levitas ou sacerdotes) que, por sua vez, colocava nos locais escolhidas pelo oferente. Segundo alguns estudos, esses cofres para o tesouro do Templo eram de bronze e o formato seria de um chifre (“shofar”). Na décima terceira caixa do tesouro do Templo, a própria pessoa podia colocar diretamente sua oferta, mas esse cofre não tinha uma discriminação sobre o destino das doações.

Pois bem, Jesus se colocou próximo exatamente desse último cofre do Templo. E começou a observar todos que lá se dirigiam para depositar suas moedas. Muitos faziam questão de fazer resoar as moedas quando estas caíam dentro do depósito do Templo, talvez daí o alerta de Jesus: “não tocar a trombeta quando deres esmola” (Mt 6,2). Após notar o “show” que promoviam os mais ricos com suas moedas, Jesus também percebeu uma viúva que lá deixou sua doação ao Templo. Ela, possivelmente, escolheu o último depósito de moedas, pois sua contribuição era muito pequena e se fosse feita em outros cofres, talvez tivesse sido questionada pela mísera quantia, já nesta última, ela mesmo, sem ser notada, poderia fazer sua oferta sem nenhum constrangimento.

As viúvas naquele tempo de Jesus viviam uma situação de quase desespero se não tivessem família (filhos para cuidar delas). Sem amparo familiar, deveriam viver de doações, esmolas ou até mesmo prostituição, pois não podiam trabalhar e se fossem mais idosas, não arranjariam novo matrimônio. Com sua vestimenta se sabia que se tratava de uma viúva, alguém pobre e simples. Jesus observou que também ela, em sua realidade de pobreza, sem ser notada por ninguém, também quis fazer sua oferta a Deus no Templo.

Ela depositou duas moedinhas que correspondiam a um “quadrante” que era a moeda de menor valor entre as moedas romanas (com um quadrante compravam-se alguns pães somente). Era tudo que tinha, poderia ter ficado com uma pelo menos, mas quis, silenciosamente e longe de todos os olhares doar “tudo que tinha”. Lembrando que as leis judaicas comandavam de assistir as viúvas (juntamente com os órfãos e os estrangeiros, cf. Dt 10,18; 24,17; 27,19 etc.) e não o contrário: elas é que estavam contribuindo para a manutenção da estrutura do templo.

A cena que passou despercebida por todos, foi notada por Jesus. Nosso Senhor, um pouco antes, tinha alertado para observar os escribas, mas de um modo crítico e ao elencar o modo de se comportarem, expôs seus erros e por isto, não deveriam ser imitados. Em relação a pobre viúva, Jesus faz o mesmo: convoca seus discípulos, revela aquilo que foi feito sem ser percebida e a coloca como exemplo para todos. Mais uma vez, Jesus “chama os discípulos a si”, eles tão perto de Cristo, mas longe de seus ensinamentos. A viúva tinha feito tudo em silêncio, simplicidade e segredo e tudo permaneceu oculto para todos, menos para Jesus.

A viúva prosseguiu seu caminho, mas seu gesto tornou-se um exemplo para os discípulos de Jesus. Ela talvez não conhecia Jesus, possivelmente nem tinha ouvido suas pregações, ela não fazia parte do grupo de discípulos, muito menos era da classe dos sacerdotes, nem conhecia provavelmente muita coisa das Escrituras, mas foi a pessoa que mais realizou algo expressivo para Jesus, pois fez tudo com verdadeira devoção e toda fé que possuía. Este é o verdadeiro discípulo que Jesus deseja ao seu lado.

Jesus não quis valorizar o “ato religioso” de doar algo ao Templo, pois esse tinha se tornado uma instituição que explorava os mais pobres. Jesus procurou chamar a atenção sobre a generosidade silenciosa daquela pessoa invisível para todos. Doou muito mais com o coração do que o valor que as moedinhas significavam. Discreta e generosa em doar sua vida a Deus, qualidades que valem muito mais que dinheiro e atos religiosos vazios e exibionistas.

A passagem da viúva que doa toda sua vida é a última pessoa valorizada com exemplo a ser seguido pelos discípulos. Depois disso, inicia-se em Marcos os textos da paixão de Jesus.

Na primeira leitura, temos o exemplo da viúva visitada pelo profeta Elias. Ela encontrava-se próximo do desespero, pois a farinha e o óleo estavam para acabar, ainda por cima, a região em que habitava com seu filho estava enfrentando uma grande seca. Não obstante tudo isto, a viúva deposita toda sua confiança em Deus e acode o profeta faminto. A sua fé não foi em vão, pois a sua confiança em Deus transformou em providência e a viúva e seu filho puderam enfrentar a carestia daqueles dias.

A pobre viúva no Templo sem se fazer notar pelas pessoas, mas com uma confiança e profunda capacidade de doar tudo, é assinalada como um discípulo ideal que Jesus procurava no Templo. O texto de hoje inicia com dois grupos de pessoas: os escribas exibicionistas e exploradores da fé e aqueles que jogavam grande quantidade de moedas no cofre de bronze para serem notados, mas são desprezados por Jesus; no entanto, com a viúva foi diferente.

Não é a soma e o dinheiro em si o mais importante para Deus, nem o fato de ser uma oferta dada ao Templo, mas a profunda confiança e fé em Deus que a levava a “doar toda sua vida” (melhor tradução para o final do Evangelho).

Jesus procura sempre insistir sobre qualidades fundamentais para alguém ser discípulo e a viúva deu o seu testemunho: fé profunda, tudo feito no silêncio, simplicidade, confiança total ao ponto de doar tudo se fosse necessário e tudo realizado a partir do coração. 

 

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O divino no espaço humano

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Sendo Deus, por essência, um espírito puro (cf. Jo 4,24) que não possui em si matéria nem depende daquilo que é material, uma vez que não está condicionado pelas categorias de espaço e de tempo próprias do universo criado, a Bíblia narra o evento extraordinário da revelação divina que ocorreu dentro das limitações físicas e temporais da humanidade. Ele se encontra na origem de tudo o que é natural e temporal, conforme assegura a narrativa teológica de Gênesis 1–2, sem com isso ser material ou limitar-se à história porque Nele “não há variação nem sombra de mudança” (Tg 1,17). Eterno, o Criador preexiste em relação a tudo o que foi criado e não conhece princípio, meio e fim, de forma que Ele é “Aquele que é” (Ex 3,14) e chamou à existência todas as coisas e o próprio ser humano do nada (ex nihilo). Transcendendo o mundo e a história, Deus é o único capaz de criar, ou seja, de fazer existir a partir do nada uma natureza diferente da sua: sendo incorpóreo, criou a matéria; sendo atemporal, criou o tempo; sendo imutável, criou o que é passível de mudança; sendo eterno, criou o provisório; sendo infinito, criou o finito; sendo necessário, criou o contingente. Foi Ele quem fez o tempo e o espaço: “eles hão de passar, mas vós [Senhor] permaneceis; tal como um vestido, eles se vão gastando [...]. Vós, porém, sois sempre o mesmo e os vossos anos não tem fim” (Sl 102,27-28).

Entender, portanto, a geografia que emoldura a história da salvação, protagonizada por Deus e narrada na Sagrada Escritura, é importante para que os textos bíblicos sejam lidos e interpretados dentro dos espaços que explicam os contextos e alargam as mensagens que transmitem. O macrocenário geográfico em que surgiu e no qual se desenvolveu o povo de Deus é a região chamada de Crescente Fértil, que se estende do Egito, no extremo norte da África, ao Golfo Pérsico, no continente asiático. Esse local, cuja representação cartográfica lembra a silhueta de uma lua, abundante em água e favorável à agricultura e à pecuária, foi o ambiente favorável para a sedentarização dos grupos nômades primitivos e, consequentemente, para o aparecimento das primeiras civilizações humanas. No centro do Crescente Fértil, banhada pelos rios Eufrates e Tigre, encontra-se a Mesopotâmia (do grego, Μεσοποταμία, significa “entre rios”): nela se desenvolveram povos como os sumérios, os babilônios (amoritas e caldeus), os acádios e os assírios. É válido lembrar que Abraão era natural da cidade babilônica de Ur (cf. Gn 11,28), no atual Iraque, e foi chamado por Deus para deixar sua terra e migrar para Canaã (cf. Gn 12,1), uma faixa de terra que fica entre a Mesopotâmia e o Egito, na porção oeste do Crescente Fértil.

Canaã é o primeiro título dado à região que atualmente compreende países como Israel, Jordânia e Síria (cf. Nm 34,1-15), na qual desenvolveram-se povos arcaicos como fenícios, persas e hebreus. Sendo o nome de um dos filhos de Cam e, portanto, um dos netos de Noé (cf. Gn 9,22), Canaã passou a designar os territórios onde viveram os descendentes de Sem, outro filho de Noé (cf. 9,18). Os hebreus, descendentes de Sem e, portanto, semitas, povoaram o território de Canaã a partir da migração de Abraão (cf. Gn 11,10-32); foram designados como hebreus, segundo o significado do verbo ivrim (do hebraico, עברים quer dizer atravessar), todos os filhos de Héber (cf. Gn 10,21) que atravessaram o rio Eufrates, de forma que hebreu é uma designação dada pelos mesopotâmicos àqueles que viviam em Canaã (cf. Gn 10,30). O povo de Deus, assim, desenvolveu-se em torno, mas especialmente à oeste, do rio Jordão que, com cerca de 200 km de extensão, nasce no monte Hérmon (entre a Síria e o Líbano), passa pelo lago de Genesaré (cf. Nm 34,11 / Js 13,27, mais tarde chamado de mar da Galileia, o lago tinha o nome de Kinneret - כִּנֶּרֶת - porque seu formato lembra uma harpa, que no hebraico se diz kinnor - נֶבֶל) e deságua no mar Morto (cf. Nm 34,12).

No Primeiro Testamento, a terra de Canaã recebeu o nome do bisneto de Abraão, Israel. Filho de Isaac, Jacó recebeu de Deus o nome de Israel (cf. Gn 35,10, יִשְׂרָאֵל), que passou a designar não só o povo, formado por 12 tribos, com o qual o Senhor fez uma aliança, mas também o território em que viviam. Durante o período monárquico, após a morte do rei Salomão (cf. Cr 9,29-31) e a divisão do território dos hebreus em duas partes (cf. 1Rs 12), o norte foi chamado de reino de Israel, com sede na cidade de Samaria, e o sul se tornou o reino de Judá, cuja capital era Jerusalém. Com a dominação dos hebreus pelos romanos a partir de 63 a.C., sob a liderança do general Pompeu (106-48 a.C.), toda a região no entorno do rio Jordão foi chamada de Palestina, que deriva do termo Philistia (usado pelos gregos para designar, desde o século XII a.C., a faixa de terra que fica entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo). Para viabilizar o controle dessa região periférica do Império que Roma formou a partir de 27 a.C., colonizando vastos territórios ao longo de toda a costa do mar Mediterrâneo, os romanos dividiram a Palestina em regiões administrativas que foram colocadas sob a autoridade de reis e procuradores.

No Segundo Testamento, portanto, as terras palestinenses à oeste do rio Jordão estavam divididas em Galileia (próxima ao lago de Genesaré ou de Tiberíades, em torno do qual ficam as cidades de Nazaré, Caná, Tiberíades, Genesaré, Naim, Cafarnaum, Corazin e Betsaida), Samaria (onde ficam Sicar e Cesareia Marítima), Judeia (próxima ao mar Morto, onde ficam Belém, Jerusalém, Betânia, Emaús e Jericó) e Idumeia; à leste, o território foi separado em Província Síria (onde ficam Tiro e Damasco), Traconites (onde fica Cesareia de Felipe), Decápolis (onde ficam as cidades de Gadara e Gerasa), Pereia e Nabateia. No que diz respeito à vida de Jesus, é interessante ressaltar que os fatos narrados pelos evangelistas aconteceram, em sua grande maioria, no corredor oeste da Palestina, entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo: Cristo, o homem de Nazaré (cf. Lc 4,14-16), passou sua vida peregrinando da Galileia (norte da Palestina), atravessando a Samaria, em direção à Judeia (sul da Palestina) (cf. Lc 9,51-56), e vice-versa. Seu ministério, vivido publicamente nos três anos anteriores a sua morte e ressurreição, consistiu em caminhar em volta do mar da Galileia, que na verdade é um lago de água doce com cerca de 20 km de extensão, também chamado de mar de Tiberíades (cf. Jo 6,1), pregando e realizando milagres para estabelecer entre os homens o Reino de Deus (cf. Mt 4,17).

Aproximar-se, desta forma, dos elementos geográficos que emolduram a revelação divina é importante para que as passagens bíblicas, tanto as do Primeiro quanto as do Segundo Testamento, ganhem fundamentação imagética. Manter diante dos olhos, como uma lupa que amplia os detalhes de uma perícope, os traços cartográficos que ilustram a ação de Deus na história humana é relevante para que as referências geográficas presentes na Sagrada Escritura, tais como nomes de regiões, cidades, rios e lagos, façam sentido ao leitor. É certo, no entanto, que apesar de conter e se apropriar de elementos geográficos para narrar uma experiência de fé, a Bíblia não é um compêndio de Geografia, portando limites e até erros no que se refere a localizações e coordenadas espaciais; e, não raras vezes, os hagiógrafos usaram conhecimentos geográficos para anunciar mensagens teológicas, de sorte que nem sempre, numa narrativa evangélica, por exemplo, a citação de uma determinada região é histórica, podendo ser um recurso catequético para transmitir uma verdade de fé a partir do significado daquele local para a cultura judaico-cristã ou para a história universal.

Imagem de svecaleksandr249 por Pixabay


Novena de Natal 2024

Já se encontra à disposição das paróquias, comunidades e dos fiéis o subsídio da Novena de Natal 2024, fruto do trabalho da Comissão Arquidiocesana de Formação Permanente, coordenada pelo padre Rafael Gouvêa.

Na apresentação dos roteiros, o Coordenador Arquidiocesano de Pastoral, padre Edson Aparecido da Silva, afirma:

“A Novena de Natal em Família já faz parte de nossa caminhada rumo a Belém, onde veremos as maravilhas que Deus realiza no meio de seu povo. Ela é uma ajuda para as pessoas, famílias e comunidades experimentarem a verdadeira alegria do Natal. O tempo de preparação para o Natal é, de modo especial, um tempo de encontros, de amizade, de fraterna e alegre celebração da vida e da fé. Com muita fé, alegria e esperança a Coordenação Arquidiocesana de Pastoral da Arquidiocese de Pouso Alegre, apresenta a Novena com um rico roteiro para ser celebrado no Tempo Litúrgico do Advento”.

Padre Edson acrescenta:

“A novena é um convite para cada pessoa, família e comunidade eclesial, para que, vigilantes na oração e vivendo a esperança, aguardem a vinda do Cristo Salvador, que prometeu estar conosco e voltar um dia para dar plenitude à criação. Através dessa Novena, cuidadosamente preparada, sua comunidade irá mergulhar no Coração Misericordioso do Menino Jesus e irá se preparar para viver santamente esse Natal, preparando nossas comunidades para o Jubileu da Redenção, sob o tema: ‘Peregrinos da Esperança’”.

A Secretaria de Pastoral da Arquidiocese disponibiliza as músicas para os encontros neste link: secretariadodepastoralpa.blogspot.com

Texto: Luiz Gonzaga da Rosa

Colaboração: Lucimara Di Carmo


#Reflexão: Solenidade de Todos os Santos (03 de novembro)

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A Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos, neste domingo (03). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ap 7,2-4.9-14
Salmo: 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)
2ª Leitura: 1Jo 3,1-3
Evangelho: Mt 5,1-12a

Acesse aqui as leituras.

FESTA DE TODOS OS SANTOS

          A celebração de Todos os Santos encontra-se em nosso calendário no dia 1ª de novembro, mas dada a importância e riqueza desta festa litúrgica, celebrando no domingo mais próximo. É uma celebração que tem a intenção de recorda a todos nós que a santidade é o caminho certo que nos garante a eternidade com Deus, mas ela não é algo que podemos medir e calcular;

Santidade é algo que somente Deus pode avaliar. A Igreja reconhece inúmeros santos e santas, pois suas virtudes merecem ser recordadas pelo testemunho que deram da fé; mas, a Igreja também reconhece que, certamente, inúmeros cristãos estão também no céu, gozando das mesmas alegrias, mesmo sem serem reconhecidos ou recordados por todos. Assim, celebramos todos esses santos e santas, conhecido ou não por todos nós.

Os santos são pessoas que viveram neste mundo um projeto de vida que marcou a esperança e a fé de muitas outras pessoas. Homens e mulheres que conseguiram conformar suas vidas aos ensinamentos do Mestre Jesus. São nossos irmãos que já participam da eternidade com Deus, mas também são exemplo que todo cristão deve também praticar e viver: é possível sim viver as palavras de Jesus!

O livro do Apocalipse nos apresenta - entre outras coisas - como é o céu e todos que lá se encontram. É um lugar onde todos vivem tudo em plenitude: a alegria, a felicidade, é uma festa sem fim, pois lá encontram-se todos que conseguiram viver as palavras de Jesus. A leitura de hoje deste último livro da Bíblia recorda, no entanto, que no céu onde Deus está, é um lugar de todos que neste mundo deram suas vidas pela causa de Jesus; é o lugar da glória dos mártires que derramaram sangue na luta espiritual pela implantação do Reino de Deus.

O céu é um lugar que se conquista pela doação total nesta vida. Neste mundo, muitas coisas são adquiridas por indicação ou influência de outras pessoas, o paraíso com Deus é o prêmio para aqueles que se entregaram totalmente ao projeto de amor de Jesus. No Apocalipse, os eleitos são pessoas bem definidas, marcadas pelo Batismo (assinaladas na fronte) e definidas pelo martírio de vida ao ponto de morrer por Jesus.

Mas, como nós hoje podemos garantir este lugar na festa dos santos no céu? A receita e o caminho são os mesmos que Jesus viveu e ensinou: As bem-aventuranças do Evangelho.

Muitos na história já usaram esta lista de conselhos para justificar a miséria e a indigência, dizendo que é isto que Deus quer. Jesus jamais quis dizer isso quando ensinou os seus discípulos. A pobreza para Jesus é ter o necessário e o suficiente para viver; a miséria é falta de dignidade e humanidade, Deus jamais deseja isso para nós, seus filhos e filhas!

Há na Bíblia e na história da Igreja muitos que fizeram uma escolha voluntária por uma vida sem ter nada de posse consigo. Tudo o que eles tiveram foi somente o necessário para viver e o que avançava em suas vidas, compartilharam com o próximo. Uma pobreza radical por escolha para servir melhor e mais os irmãos.

Mas, a indigência e a miséria impostas a tantos irmãos e irmãs nossos, isto não é da vontade de Deus. A riqueza de alguns, carrega o sofrimento de tantos que não têm nem o mínimo para viver.

As bem-aventuranças são um projeto de vida que Jesus nos deixou para a nossa salvação. Por isso, Jesus revolucionou o conceito daquele tempo, pois imaginavam que santidade e bênçãos estavam somente com aqueles que tinha riquezas, poder, abundância de comida e bebida.

São santos para Jesus quem encontra-se com aquilo que é mínimo para a vida, mas também quem se solidariza e luta pelos irmãos e irmãos que nada possuem (são os “pobres em espírito”; quem chora e quem é misericordioso), quem luta por nobres valor para todos (paz, concórdia) e quem tem sede de justiça. O Reino pertence aos pobres porque o Rei se fez pobre. “Bem-aventurados os que choram” é a bem-aventurança mais paradoxal: lágrimas e felicidade misturadas, mas não porque Deus ama a dor, mas na dor ele está contigo (Ermes Ronchi). As bem-aventuranças são um estado de espírito, mas também de vida e de atitudes.

Os santos são pessoas idênticas a todos nós, com os mesmos e talvez problemas piores, mas que conseguiram conformar suas vidas a de Jesus, tornando-se testemunhas do próprio Senhor.

A santidade é condição fundamental para entrar no céu. Sabemos que é um percurso nada fácil, mas podemos sempre contar com o próprio sustento de Cristo que nos chama a perfeição, mas também nos dá os instrumentos de graças e de edificação espiritual.

São muitos os santos conhecidos, mas muito mais são aqueles que não são lembrados por todos nós. São pessoas que lutaram e morreram por nobres valores: paz, concórdia, justiça e que normalmente não ocuparam as páginas dos jornais e nem são famosos. Se são desconhecidos e nem lembrados por nós, são conhecidos e amados por Deus.

Jesus decreta estas pessoas (os pobres, pacíficos, justos...) como modelos que devemos procurar viver, não porque são os melhores; como se o pobre fosse melhor do que o rico; ou o humilde melhor do que o prepotente; o pacífico melhor do que o violento. Deus ama igualmente a todos como um pai ama todos os filhos. No entanto, Jesus esteve muito mais perto destas pessoas e foram os seus prediletos, porque sempre foram esquecidos pelos outros irmãos daquele tempo como ainda hoje acontece.

Ser santo é viver uma vida conforme aquilo que Jesus viveu e ensinou, mas é impossível viver uma santidade deixando de viver o mesmo e verdadeiro amor de Jesus para com os irmãos, a começar dos mais necessitados.

 

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#Reflexão: Comemoração de todos os fieis defuntos (02 novembro)

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A Igreja celebra a comemoração de todos os fieis defuntos, neste sábado (02). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Jó 19,1.23-27a
Salmo: 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)
2ª Leitura: 1Cor 15,20-24a.25-28
Evangelho: Lc 12,35-40

CELEBRAÇÃO DE FINADOS

A celebração de Finados possui uma liturgia com possibilidade de escolher leituras do Antigo Testamento, do Novo Testamento e Evangelhos que trazem como reflexão a morte como drama que compõe a nossa existência, mas em confronto com a nossa fé na Vida Eterna que nos prometeu.

Assim, a liturgia de hoje não tem lágrimas, porque o que comemoramos não é a morte, mas a ressurreição. A celebração de hoje tem um olhar que nos coloca à frente, no futuro; ela, na verdade, não fala sobre o fim, mas sobre a vida. Ouvimos no Evangelho (Jo 11,17-27) um lamento, muito semelhante a tantos de nossos lamentos: “Se o Senhor estivesse aqui meu irmão não teria morrido”. Marta tem fé em Jesus, mas ainda tinha uma visão que se encerrava para esta vida e para este mundo. Se Deus existe – muitos afirmam - por que tantas mortes de inocentes?... Em vez disso, Deus está aqui, sim! Sempre! Mas não para nos isentar do futuro comum a todos (a morte), mas para nos dar um sentido de como devemos viver o nosso presente (Ermes Ronchi).

A ferida da perda de alguém nos atinge profundamente porque são pessoas que amamos. Talvez seja precisamente por esta razão que entre os Evangelhos de hoje, Jesus diz explicitamente: “E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nada daquilo que ele me deu, mas o ressuscite no último dia” (Jo 6,40). Nada se perderá porque tudo está nas mãos de Jesus e mesmo que uma ausência e uma falta nos pesem, nos dá força saber que esta ausência e esta falta têm os dias contados.

Tudo o que amamos nunca se acaba no nada porque Deus é Amor pleno e total. Jesus, triunfou sobre cada morte, sobre cada ausência, sobre cada dor e amargura. Diante da morte de alguém que amamos é saudável dizer: “estou com saudades”, mas também saber que não será para sempre.

É bom recordar que existe uma ligação misteriosa que nos une a todos e que se chama “comunhão dos santos”. Assim, podemos chorar pelas pessoas que já se foram, porque as amamos muito e não porque não há mais nada a fazer.

A ideia da morte é um grande exercício de realidade para todos neste mundo. No entanto, para o cristão, o pensamento da morte não é apenas a experiência de colidir com a verdade de que a nossa vida tem um limite, uma barreira que a encerra. Desde que Jesus entrou na história, já não estamos perdidos, mas sim dominados por um bem que não nos abandona, sobretudo quando terminam os nossos dias neste mundo.

Jesus enfrentou a morte por nós e a venceu também por nós. Ele abriu uma estrada para que também pudéssemos atravessar e não ficar no meio do caminho, na escuridão e de um vazio sem esperança.

É por isso que hoje celebramos não apenas uma memória daqueles já falecidos que continuamos amando, mas celebramos nossa esperança de que nada e ninguém que amamos se perdeu. A ressurreição é a nova luz que nos ajuda a iluminar as trevas da morte.

Não nascemos para a morte, nascemos para a vida, e o nosso destino é a vida e não a morte. E se a morte existe é apenas porque é uma passagem. Jesus transformou o que antes era apenas uma parede em uma porta. É assim que devemos acolher a morte: não como um muro que um dia iremos bater, mas como uma passagem a ultrapassar. A experiência do encontro com Cristo é exatamente esta passagem.

Jesus nunca prometeu que seus amigos não morreriam. Para Ele, o maior bem não é uma vida longa, uma sobrevivência infinita; o essencial não é “não morrer”, mas sim, viver uma vida de ressuscitado. A eternidade já entrou em nós muito antes de acontecer: entra com a vida de fé (“quem Nele crê, tem a vida eterna” - Jo 3,36), entra com os gestos diários de amor. O Senhor nos ensina a ter mais medo de uma vida errada (no pecado) do que da morte; temer mais uma vida vazia de amor e de pessoas.

São Paulo nos apresenta a sua fé dizendo: “quem nos separará do amor de Cristo? Nem anjos nem demônios, nem vida nem morte, nada jamais poderá nos separar do amor” (Rm 8,35-37). Se Deus é amor, Ele vai nos vingar na nossa morte com a Ressurreição, pois Deus tem um Amor de Pai que nunca se separará de nós. O nome de Jesus significa “Deus salva”; “salvar” significa conservar. Aqueles que estão com Jesus nesta vida, jamais se perderão após terminarem sua jornada neste mundo.

A “memória dos mortos” (Finados) torna-se então, antes de tudo, reconhecimento de uma dívida que temos. Tudo o que nos beneficia hoje foi preparado por outros que nos precederam, e o que vivemos foi sempre vivido com outros dos quais alguns, poucos ou muitos, já morreram (Enzo Bianchi). Assim, a vida vai progredindo onde todos participam, cabe a nós cristãos, deixar o melhor de nós para outros que virão e têm o mesmo direito de usufruir o melhor das pessoas e deste mundo.

            Uma oração pelos nossos irmãos falecidos, seria de pedir que desfrutem da luz do “rosto de Deus”. Um rosto de Pai que acolhe a cada um, acima de tudo, porque somos filhos e filhas. Não por nossos méritos ou erros; ou nossas vitórias ou pecados. Deus não é uma resposta à nossa necessidade de explicações, mas é uma explicação à nossa necessidade de felicidade; Ele é tudo para o meu espírito e para todo o meu ser.

Movidos pelo nosso amor e ainda querendo o bem por aqueles que já foram a frente de nós, rezamos por eles. A missa é a maior oferta de bem para aqueles que já partiram, pois se ainda necessitam de algo para obterem a convivência eterna com Deus, nossos pedidos vão ajudar. Aqueles que já estão com Deus, eles é que intercedem por nós para perseveremos em nosso caminho de amor deixado por Jesus.

Nossa experiência afirma que tudo vai da vida à morte. A fé cristã declara, pelo contrário, que a existência neste mundo passa da morte para a vida.

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