Arquidiocese de Pouso Alegre realiza sua primeira Cúria Fest

Na segunda-feira, dia 30, aconteceu a primeira edição da Cúria Fest de nossa Arquidiocese. O evento, organizado pela Cúria Metropolitana, reuniu diversos colaboradores das paróquias, como secretários, cozinheiras, sacristãos, zeladores, entre outros. Dom Majella esteve presente, acompanhado de alguns padres e diácono.

Participantes do Primeiro Cúria Fest

O encontro teve início com uma oração, seguida por um momento de alongamento e relaxamento, e uma palestra do psicólogo Édio Kessler, que abordou o tema do autocuidado. Após o almoço, o pároco do Santuário de Santa Rita, de Extrema, padre Mauro Ricardo, conduziu uma dinâmica de autoconhecimento. A médica Priscila também fez uma palestra sobre Felicidade e Paz. Durante todo o evento, foram realizados sorteios de brindes para os colaboradores.

Sob as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida e do padroeiro da arquidiocese, São Sebastião

A primeira Cúria Fest foi um momento muito enriquecedor, promovendo comunhão, confraternização e aprendizado entre todos os participantes.

Além das palestras e dinâmicas, o evento contou com momentos de interação entre os participantes, que puderam compartilhar entre si suas experiências e vivências nas paróquias. A troca de ideias e a construção de novos laços fortaleceram ainda mais a unidade entre os colaboradores da Arquidiocese.

Dom Majella fala com os participantes do evento

Ao final da festa, o ecônomo da Arquidiocese, padre Elton Cândido, expressou sua gratidão pela presença de todos e ressaltou a importância do trabalho em equipe na missão da Igreja. Ele incentivou os participantes a continuarem se dedicando ao serviço pastoral, lembrando que cada um desempenha um papel fundamental na evangelização e no cuidado com a comunidade.

Os feedbacks recebidos foram extremamente positivos, e muitos já manifestaram o desejo de que a Cúria Fest se torne um evento anual.

Assim, a primeira Cúria Fest não foi apenas um dia de celebração, mas um marco na história da Arquidiocese, promovendo um ambiente de acolhimento e valorização do trabalho de cada um dentro da missão da Igreja. A expectativa é que este evento inspire outras iniciativas que promovam a união e o fortalecimento da comunidade de fé.

Confira  AQUI  outras informações do evento com dezenas de fotos.

Texto: Pe. Julio Cesar dos Santos Júnior

Fotos: Face da arquidiocese, Pe. Julio Cesar e Lucimara Di Carmo


Dom Majella realiza Visita pastoral à Paróquia São Cristóvão em Pouso Alegre

A Paróquia São Cristóvão, criada em 1994, localiza-se no bairro urbano homônimo, tendo como pároco o padre Clemildes Francisco de Paiva e vigário o padre Heraldo José dos Reis. A visita foi realizada de 27 a 29 de setembro pelo arcebispo metropolitano dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R..

Fachada frontal da matriz de São Cristóvão

Diversas atividades constaram do importante evento, destacando-se visitas a comunidades, celebrações de missas, reunião com os sacerdotes, Conselho Paroquial de Pastoral (CPP) e Conselho Econômico, além de encontro com catequistas e catequisandos.

No primeiro dia, Dom Majella foi acolhido pelos padres com o almoço na casa paroquial. Seguiram-se visitas à unidade de saúde, ao 20º Batalhão da Polícia Militar e ao comércio de flores da comunidade São Benedito.

As comunidades Nossa Senhora do Rosário, bairro Colina Verde, Santa Terezinha, bairro Jatobá, e Mãe Rainha, bairro Morumbi, receberam nesse dia a visita de dom Majella.  Na última comunidade o arcebispo presidiu a Eucaristia e participou de momentos de confraternização.

Dom Majella na comunidade Nossa Senhora Aparecida - Bairro Limeira

No segundo dia, o arcebispo visitou o Corpo de Bombeiros de Pouso Alegre e almoçou com os candidatos ao diaconato permanente da paróquia. Esteve ainda na fábrica Rocca e nas comunidades São Judas Tadeu, Santo Expedito e Santa Cruz. À noite, presidiu missa na comunidade São Benedito, no bairro Maçaranduba. Após a Eucaristia ocorreu a confraternização dos participantes.

Um delicioso café e conversa com a equipe da pastoral catequética marcaram o início das atividades do terceiro dia da visita. Em seguida, dom Majella participou do almoço com a equipe gestora da paróquia.

À tarde, foram realizadas reuniões com coordenadores de comunidades urbanas e rurais, pastorais, movimentos e ministérios. Seguiram-se visitas às comunidades São João Paulo II, Nossa Senhora da Luz, no bairro Limeirinha, e comunidade Menino Jesus de Praga, bairro Fazendinha, onde o arcebispo presidiu a Eucaristia.

Dom Majella com representantes de comunidades, pastorais e movimentos

No terceiro dia, a primeira atividade foi a visita às comunidades Imaculada Conceição, no bairro dos Ferreiras, e Nossa Senhora Aparecida, bairro Algodão, onde houve celebração de missa, seguida de almoço. No período da tarde foi a vez das comunidades Nossa Senhora das Graças, bairro Califórnia, e Santo Expedito.

A Visita Pastoral encerrou no domingo na Matriz de São Cristóvão com a Santa Missa, que teve a participação dos fiéis de todas as comunidades de nossa paróquia.

A imagem destacada é da missa de encerramento da visita.

Clique AQUI e confira outras informações e veja dezenas de fotos da Visita Pastoral.

Texto: Luiz Gonzaga da Rosa

Fotos: facebook.com/paroquiasaocristovaopa


#Reflexão: 26º Domingo do Tempo Comum (29 de setembro)

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A Igreja celebra o 26º domingo do Tempo comum, neste domingo (29). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Nm 11,25-29 ou Ap 12,7-12a
Salmo: 18(19),8.10.12-13.14 (R. 8a,9b)
2ª Leitura: Tg 5,1-6
Evangelho: Mc 9,38-43.45.47-48

Acesse aqui as leituras.

RADICALIDADE EM FAZER O BEM SEMPRE

Domingo passado ouvimos de Jesus uma afirmação desconcertante: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e servo de todos” (Mc 9,35). Acolher e servir, gestos profundamente ligados a Cristo que somos chamados a assumir como nossa marca e identidade como discípulos de Jesus. Novamente, nesta celebração dominical Ele nos surpreende mostrando que o modo de pensar do mundo não é o mesmo do Mestre Jesus.

O Evangelho deste domingo retrata os apóstolos como um grupo fechado e ciumento. João conta a Jesus que tinha encontrado um que não era do grupo, mas que fazia o bem expulsando demônios e que eles tentaram impedi-lo que continuasse a fazer isto. O fato demonstra que eles tinham esquematizado tudo e se sentiam detentores de Jesus e até de seu nome; que Ele não poderia ser invocado por ninguém que não fosse do grupo dos apóstolos. Estavam profundamente enganados!

Tudo indica que eles queriam preservar o nome do grupo, da instituição que faziam parte (“os escolhidos de Jesus”). Nem deram valor àquilo que aquela pessoa tinha feito: alguém tinha sido curado de um mal. O doente podia ter esperado a instituição chegar e ela teria resolvido a situação. É quase como se dissessem: Os doentes não são um problema nosso, primeiro devem ser as regras e as normas, os doentes podem esperar quando a instituição puder atender. Mas, se esqueceram que Jesus é um homem sem fronteiras e que o mais importante são as pessoas!

Mas, os apóstolos ignoravam que o grande poder que Jesus estava ensinando não se encontrava na instituição dos apóstolos e nem na posse do poder de invocar o nome de Jesus, mas no serviço à vida, fazer o bem, promover a pessoa humana. Quem ajuda o mundo a florir fazendo o bem, quem é amigo e promove a vida, este também é dos nossos. Não podemos ser donos do bem que nos foi doado por Cristo. A verdadeira característica do cristão deve ser o serviço ao próximo e a construção de um mundo melhor. Ademais, o Reino de Deus é muito maior do que imaginamos. Ele se encontra-se no bem que fazemos e não nas regras que criamos.

 Devem existir, certamente, pessoas que seguem Jesus e que estão muito próximas Dele mesmo sem saber, porque fazem o bem, são caridosas e justas em tudo que fazem. Por isso, nós que nos definimos como seguidores e discípulos de Jesus devemos fazer o mesmo ou muito mais ainda que estas pessoas.

Na 1ª leitura temos o exemplo de Moisés. Para ajudá-lo a conduzir o povo, Deus decidiu “repartir” com 70 anciãos o espírito de animava Moisés em sua liderança. Dois não estavam no “lugar combinado”, mas receberam do mesmo jeito a força do alto. Para alguns, o “local do encontro” era fundamental. Para Moisés, o que vale é a vontade de Deus. Bom seria que todo o povo tivesse o mesmo espírito, conclui Moisés.

Jesus, no Evangelho, acrescenta às suas palavras uma exortação sobre o escândalo a começar dos pequenos (crianças) e os mais fracos da comunidade. Jamais devem ser induzidos ao pecado por parte daqueles que são discípulos de Jesus. A expressão usada por Jesus é forte: melhor seria desaparecer. O escândalo que corrompem inocentes é um pecado que fere profundamente a Deus, principalmente, feito usando o nome de Jesus.

Por isso, diante desta possibilidade de escandalizar, Jesus exorta a uma ação radical e profunda: desenraizar e cortar tudo que produz pecado em nossa vida. Romper radicalmente com o mal. Para tanto, Jesus usa expressões radicais: “cortar a mão” (representa nossas ações); “cortar os pés” (mudar nossos caminhos) e “arrancar o olho” (desviar radicalmente nossos olhares). Se é preciso ser radical, devemos ser radicais conosco mesmos, devemos brigar contra os nossos erros e pecados e não contra as pessoas, principalmente, aquelas que também estão fazendo o bem. Temos que cortar o que é errado em nós e dentro de nós e não nos outros.

Sabemos que não é a “mutilação” de partes do corpo que o Senhor nos pede, mas o corte decisivo e radical com o mal e o pecado. Não dar a culpa pelo erro e pecado aos outros, o mal está dentro de nós: naquilo que vemos, o que fazemos com as nossas mãos, por onde caminhamos, enfim, em nossos corações. Por isso, é preciso uma mudança radical de vida e de comportamento diante daquilo (ou de pessoas) que nos arrastam para o pecado. Não é o mundo ou os outros que têm que mudar: somos nós!

Em seguida Jesus nos dá um exemplo. A mesma mão que produz pecado deve ser usada para fazer o bem, como dar um copo d’água a alguém; usar os pés para ir ao encontro do próximo, enfim, fazer sempre o bem. As coisas grandes de Deus começam com simples ações feitas de coração e sempre procurando semear o bem. O Reino de Deus inaugurado por Jesus é muito maior que as instituições, pois começa com gestos simples e com aquilo que temos em nossas casas (como um copo d’água), no nosso dia a dia, na prática do bem.

Assim, quem dá um “gole de vida” pertence a Deus. Isto coloca-nos a todos, com serenidade e alegria, ao lado de tantos homens e mulheres, crentes ou não crentes, que, no entanto, se preocupam com a vida e são apaixonados por ela, que são capazes de inventar milagres para trazer um sorriso ao rosto de alguém. O Evangelho nos chama a “ficar ao lado deles, sonhando com a vida juntos” (Ermes Ronchi).

Para Jesus, tudo já é de Deus com um abraço, acolhida dos pequenos (marginalizados, crianças, doentes...) e um com um copo de água distribuído. Assim, certamente, temos inúmeros “irmãos de coração” na caridade que ajudam o Reino acontecer sem serem “irmãos de fé”.

Por isso, São Tiago chama atenção dos cristãos de sua comunidade que o pecado não é somente algo que atinge a Deus, mas também as injustiças sociais, os roubos, a corrupção, salários injustos, exploração... produzem riquezas malditas que não trazem nem o bem e nem a felicidade. Se o mundo pensa e vive assim, nós que cremos em Deus e em Jesus devemos dar o exemplo do contrário e viver do jeito que Jesus ensinou.

Assim, ao invés de sermos ciumentos porque existem pessoas que estão fazendo o bem em nome de Jesus, nós que acreditamos no Senhor, devemos viver a caridade e a fé com muito mais intensidade, pois tudo que fazemos, deve ser realizado por Jesus e para Jesus. Devemos ter um “espírito de competição” em fazer o bem e servir sempre o próximo. As pessoas devem nos identificar como seguidores de Jesus através do amor que vivemos, da paz que semeamos, da justiça que construímos. Ademais, sabemos muito bem, de que pouco adianta sustentar e impor a nossa fé e religião aos outros se damos péssimos exemplos em relação a vivência do amor, do respeito, da caridade, da justiça e da paz. Devemos passar do hostil “quem não é conosco é contra nós " para as palavras de Jesus: “quem não é contra nós está consoco". O mundo precisa de pessoas que vivam os ensinamentos de Jesus, muito mais de pessoas que briguem por causa de um grupo, uma sigla ou uma religião.

O grupo dos apóstolos precisava de uma profunda conversão a Jesus, pois confundiam: seguir Jesus com “fazer parte do grupo”. Estar mais próximo do Mestre Jesus não deveria ser visto como um privilégio de poucos, mas uma grande missão de conduzir muitos outros à fonte do Amor Perfeito que é Deus. Não fechar os caminhos à comunhão com Deus, mas abrir portas e construir pontes até Jesus.

Faça o download da reflexão em pdf.


Clero da Arquidiocese de Pouso Alegre se reúne para retiro anual

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Entre os dias 09 a 12 e 16 a 19 de setembro, foi realizado em Campos do Jordão o Retiro Anual do Clero da nossa Arquidiocese. Os Exercícios Espirituais foram divididos em duas turmas e conduzidos pelo Padre Rogério Paula Barroso, SJ. Foi um momento de profunda oração e encontro com o Senhor. Agradecemos a Deus por esta experiência especial vivida pelo nosso Clero.
Que fortaleceu a união entre os sacerdotes e renovou o compromisso com o serviço à comunidade. As reflexões, momentos de silêncio e partilhas foram fundamentais para o crescimento espiritual de cada um. Que possamos levar os frutos desse retiro para nossas paróquias e continuar a missão de levar a Palavra de Deus a todos os fiéis. Que a nossa Arquidiocese seja constantemente abençoada e guiada pelo Espírito Santo. Que possamos sempre buscar a santidade e a fidelidade ao chamado do Senhor. Que este retiro seja apenas o início de muitas outras experiências de encontro com Deus em nossa caminhada pastoral. Que a nossa fé seja fortalecida e que possamos ser instrumentos de paz e amor para todos que encontrarmos em nosso caminho.

Confira Algumas fotos:

Primeira turma do Retiro - 9 a 12 de setembro

 

Segunda Turma do Retiro - 16 a 19 de setembro
Dom Majella na Santa Missa de Encerramento do Retiro da Segunda Turma

Texto e Imagens: Pe. Julio Cesar dos Santos Júnior


Instituição do Ministério do Catequista na Arquidiocese

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O Ministério de Catequista fortalece o compromisso missionário dos leigos. A criação deste ministério laical específico, conforme a vontade do Papa Francisco, representa mais um avanço para a renovação da catequese, após a publicação do Diretório para a Catequese de 2020, e para seu efetivo trabalho na nova evangelização.

Na manhã de domingo, 15 de setembro de 2024, às 9h, na Catedral Metropolitana do Senhor Bom Jesus, os catequistas receberam o Ministério de Catequista durante a celebração presidida pelo Arcebispo, Dom José Luiz Majella Delgado.

Diversos catequistas das diferentes paróquias participaram desta instituição.

A formação é um aspecto central, para o qual o Catecismo da Igreja Católica é uma ferramenta essencial. A diocese deve garantir que os futuros catequistas tenham uma preparação sólida em aspectos bíblicos, teológicos, pastorais e pedagógicos, para serem comunicadores fiéis da verdade da fé, e que já tenham experiência na catequese. Por isso, a referência ao bispo é fundamental. É desejo do Papa que a instituição do Ministério de Catequista contribua para a formação de uma comunidade de catequistas que cresça juntamente com a comunidade cristã.
Os catequistas que receberam o Ministério de Catequista se comprometeram a dedicar-se ao serviço da evangelização e educação na fé, trabalhando em estreita colaboração com os sacerdotes e lideranças pastorais de suas paróquias. Eles são chamados a ser testemunhas vivas do Evangelho, levando a mensagem de Cristo a todos aqueles que encontrarem em seu caminho.

Além disso, a instituição do Ministério de Catequista visa também valorizar e reconhecer o trabalho desses fiéis leigos, que muitas vezes atuam de forma voluntária e dedicada na transmissão da fé. A Igreja reconhece a importância desses missionários leigos e busca fortalecer sua formação e acompanhamento para que possam desempenhar seu papel de maneira cada vez mais eficaz.

Assim, a instituição do Ministério de Catequista representa um passo importante na renovação da catequese e na promoção de uma evangelização mais autêntica e incisiva, que alcance os corações e as mentes das pessoas, levando-as a um encontro pessoal e transformador com Jesus Cristo. Que os novos catequistas possam ser luz e sal neste mundo, testemunhando a alegria de ser discípulo de Cristo e convidando outros a seguirem o mesmo caminho de amor e verdade.

Texto: Pe. Julio César dos Santos Júnior

Imagens: Edilene - Pascom Arquidiocesana


O divino sendo dito pelo humano

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Sendo a Bíblia uma obra coautoral do divino em parceria com o humano, é imprescindível considerar não só a mensagem sobrenatural que os textos sagrados carregam, mas também a cultura a partir da qual foram produzidos. Desse modo, as línguas em que os livros bíblicos foram escritos (Hebraico, Aramaico e Grego) carregam especificidades que não devem ser ignoradas por quem deseja compreender melhor os sentidos de uma passagem da Escritura. Considerando a língua como uma convenção social, ou seja, como um combinado que é produzido coletivamente por um grupo específico e que não se universaliza naturalmente, é preciso entender as particularidades que caracterizam a língua dos povos bíblicos e que, por conseguinte, revelam a compreensão de mundo que eles possuíam e o modo como transmitiram escrita e oralmente a revelação divina. Da mesma forma que o Português falado no Brasil apresenta termos inexistentes noutras culturas, como a palavra saudade que exprime um modo de afetividade própria dos que vivem nesse país, as línguas bíblicas possuem estruturação morfossintática e verbetes muito característicos.

O Hebraico (עברית, Ivrit) e o Aramaico são línguas irmãs que participam do tronco semita ou cananeu, isto é, originaram-se na Palestina, entre os povos afro-asiáticos que viveram há pelo menos quatro milênios. Desde os tempos mais remotos, os judeus utilizam a língua hebraica especialmente para o culto religioso no Templo de Jerusalém por se tratar da “Língua Sagrada” (לשון הקודש, Lashon Hakodesh), falada por Deus e utilizada por Ele para criar o mundo e se comunicar com o ser humano. O Aramaico, originado no reino de Aram (descendente de Sem, o filho primogênito de Noé), atual Síria, entre os séculos XI e VIII a.C., passou a ser usado como língua franca, isto é, para a comunicação cotidiana voltada à economia e à política, pelos judeus depois do Exílio Babilônico (586-538 a.C.). Dessa forma, ao longo da história do Judaísmo, o Hebraico se consolidou como uma língua litúrgica, cujo uso restringiu-se às orações e às elites, de sorte que foi utilizado na redação de praticamente todos os livros do Primeiro Testamento; popularizado entre as camadas menos favorecidas da sociedade judaica, o Aramaico se ramificou em diferentes dialetos que permanecem vivos até hoje e foi usado na escrita de algumas passagens bíblicas como Gn 31,47; Esd 4,8 – 6,18;7,12-26; Dn 2,4b – 7,28 e Jr 10,11; dentre outras.

Embora atualmente o Aramaico utilizado no Oriente Médio seja escrito com o alfabeto siríaco, nos tempos bíblicos ele foi redigido com as mesmas letras do alfabeto hebraico, também chamado de Alef-Beit, por isso o conhecimento do Hebraico é fundamental para o próprio entendimento do Aramaico. Os textos bíblicos foram anotados pelos escribas segundos as normas da Escrita Ashurita (כְּתָב אַשּׁוּרִי, Ktav Ashurit), a forma clássica do Hebraico na qual o alfabeto é composto por 22 consoantes; esses notários tementes a Deus e especializados na caligrafia e nas técnicas da língua hebraica foram responsáveis por garantir a perfeição das figuras de cada letra. Exclusivamente consonantal e lida da direita para a esquerda, a língua hebraica possui um alfabeto formado por letras cujos formatos carregam sentidos que, ao serem combinados, conferem uma profunda semântica espiritual aos textos bíblicos. Na Cabalá judaica (קַבָּלָה, Qabbalah), que nada mais é do que a tradição mística do povo de Israel, cada letra com sua composição visual é associada a um conceito e possuiu um valor numérico (calculado pela ciência chamada de Guematria), além de outros aspectos.

Por exemplo, o livro de Gênesis começa com o versículo “No princípio”, que em hebraico se diz Bereshit, cuja letra inicial é beit (בּ) com valor numérico 2 e significado místico de casa. Dessa forma, não por acaso, a primeira letra da Bíblia é a segunda letra do alfabeto hebraico, justamente porque ela representa o propósito da criação que é forjar o mundo natural como uma morada para Deus, identificado com a letra alef (ﬡ): sendo a primeira do alfabeto e correspondendo ao número 1, alef é o símbolo místico de Deus criador; assim, alef (1) precede beit (2) e beit (criação) é posterior à alef (Criador). Como se nota, a língua hebraica possui uma arquitetura teológica especial e a compreensão da semântica espiritual que subjaz às letras e às palavras amplia o sentido das Escrituras. Os próprios números que aparecem nos textos bíblicos constituem outra exemplificação disso: longe de representarem quantidades exatas e cronologicamente fixadas, os números estão carregados de sentidos teológicos, como por exemplo os números 1 (Deus), 2 (sobra), 3 (plenitude), 4 (preparação), 5 (lei), 6 (imperfeição), 7 (perfeição), 8 (perfeição reforçada), 9 (incompletude), 10 (completude), 12 (eleição) etc. Outro exemplo de peculiaridade do Hebraico é a inexistência de superlativo, por isso usam-se expressões duplicadas ou no plural, como “Santo dos santos” (=santíssimo) e “Deus dos deuses” (=diviníssimo).

Como o Hebraico só possui consoantes, a pronúncia correta das palavras depende do aprendizado oral: a convivência com os antigos oferecia ao ouvinte o conteúdo fonético da língua. Para conservar inalterada a tradição linguística oral que proporciona a leitura correta dos textos bíblicos em Hebraico, escribas medievais chamados de massoretas, entre os séculos VI e X d.C., tanto na Babilônia quanto na Palestina, produziram o que se convencionou chamar de Texto Massorético: cópias hebraicas da Sagrada Escritura com a inserção de sinais gráficos que representam as vogais (por exemplo: ַ  patá - a / ֵֵֵֵ  tsêre - e / ֶ  sêgol - é). Nos textos originais do hebraico o nome de Deus aparece escrito como um tetragrama (יהוה, YHWH) que é impronunciável pelos judeus por uma questão de respeito e por isso é substituído na leitura pela palavra Adonai (אֲדֹנָי), que significa “meu Senhor”. Com base no uso da palavra aleluia (הַלְּלוּיָהּ, halleluyah, cf. Sl 105,1) pela própria Escritura, cujo significado é “louvai a Jah” (halelu-Yah), os judeus identificaram o nome de Deus com Javé (Yahweh). Ao vocalizar o tetragrama no século VI d.C., alguns rabinos fundiram-no com as vogais do termo Adonai, cuja letra inicial é muda e se pronuncia como “e”, surgindo o nome Jeová (Yehowah). Vale ressaltar que os cristãos católicos conservam a antiga tradução do nome de Deus, Javé, em concordância com a tradição primitiva de Israel, ao passo que os protestantes aderiram à tradução medieval, Jeová, a partir do século XVI.

Se o Primeiro Testamento foi escrito em Hebraico e Aramaico, os livros neotestamentários foram redigidos em Grego, língua de origem indo-europeia que se dividiu em diferentes dialetos ao longo da história. O grego bíblico, também chamado de Grego Koiné (comum), é uma mistura do grego ático (usado pelos filósofos clássicos em Atenas e divulgado pelo imperador macedônio Alexandre Magno durante suas conquistas territoriais no século IV a.C.) com elementos estrangeiros. O dialeto Koiné se tornou língua franca nos domínios do Império Macedônico, incluindo a região da Palestina, permanecendo como tal até o início do século III d.C., quando foi substituído pelo Latim, língua oficial do Império Romano. O Grego Koiné do Segundo Testamento, portanto, é uma versão hebraicizada da língua comercial utilizada entre os séculos IV a.C. e II d.C, já que assimilou expressões judaicas como maranatha (“vem, Senhor”, cf. 1 Cor 16,22), abba (“papai”, cf. Mc 14,36), amém (“assim seja”, cf. Mt 6,13), aleluia (“louvai a Javé”, cf. Ap 19,1), hosana (“salva-nos”, cf. Jo 12,13) etc. No que diz respeito às peculiaridades do Grego, é interessante saber que há palavras polissêmicas em relação às quais é difícil encontrar uma tradução: no tríplice questionamento de Jesus a Pedro (cf. Jo 21,15-19), por exemplo, a tradução portuguesa coloca a palavra genérica “amor” na boca de ambos; no texto original grego, Jesus pergunta utilizando o termo ágape (αγάπη), que significa amor sem limites, e Pedro responde com a palavra philia (φιλíα), que designa amizade. Logo, a homogeneização das várias expressões de amor da cultura grega pela língua portuguesa impede o leitor de compreender que Jesus esperava de Pedro um amor elevado, sacrificial, vivido até às últimas consequências, enquanto ele foi capaz de oferecer apenas um sentimento de bem querer, de fraternidade.

Durante o século I d.C., enquanto o Hebraico se fortaleceu como língua exclusivamente litúrgica e o Aramaico como língua para a comunicação informal e cotidiana, sendo o idioma falado por Jesus durante suas pregações, por exemplo, o Grego se consolidou como língua universal, política e comercial, servindo para que os autores neotestamentários escrevessem os livros sobre a pessoa e a missão de Cristo. Dessa forma, aproximar-se do modo como o divino foi dito pelo humano, investigando as particularidades dos idiomas bíblicos, é reconhecer na fé que a língua dos sábios traz cura (cf. Pr 12,18) porque antes que quaisquer palavras fossem ditas por eles, o Senhor já as conhecia (cf. Sl 139,4) e as utilizou para a salvação do mundo.

Imagem de svecaleksandr249 por Pixabay


#Reflexão: 25º Domingo do Tempo Comum (22 de setembro)

A Igreja celebra o 25º domingo do Tempo comum, neste domingo (22). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Sb 2,12.17-20
Salmo: 53(54),3-4.5.6.8 (R. 6b)
2ª Leitura: Tg 3,16-4,3
Evangelho: Mc 9,30-37

Acesse aqui as leituras.

ÚLTIMO E SERVO DE TODOS

O Evangelho deste domingo, novamente, nos apresenta Jesus em caminho. Nosso Senhor apreciava ensinar os discípulos enquanto caminhava, curava e acolhia as pessoas. Jesus sempre à frente e os discípulos atrás, seguindo os passos do Mestre. Mas, em muitas situações, a impressão que se tem é que Jesus e os discípulos estavam na mesma estrada, mas percorrendo caminhos diferentes.

Não foi fácil para Jesus ensinar seus discípulos sobre os valores e o que esperava a todos em Jerusalém, principalmente, como seria o Seu próprio fim.

Na 2ª parte do Evangelho de Marcos, após a profissão de fé de Pedro e o primeiro anúncio da Paixão, Jesus passa a investir o seu tempo e o seu ensinamento mais com os apóstolos, pois o povo não tinha compreendido quem Ele era e qual era a sua missão.

Durante este percurso, os discípulos escutavam, mas não entendiam a profundidade das palavras de Cristo. Estavam com Ele, mas não vivendo como discípulos: cada um tinha seus próprios projetos. A falta de entendimento, o temor e o silêncio dos discípulos revelavam o abismo que ainda existia entre eles e o Mestre.

Jesus revela sua paciência e grandeza quando percebe que todos estavam construindo projetos pessoais e seguindo a lógica deste mundo, mesmo estando ao lado Dele. Podemos imaginar a tristeza de Jesus em relação aos seus discípulos, pois mesmo sendo tão claro, eles não estavam dando ouvidos a tudo o que Ele ensinava. Eles ouviam e acolhiam em suas mentes e coração, somente o que lhes interessava e não aquilo que Jesus ensinava.

Não basta estar junto com Jesus e até segui-Lo através de nossos movimentos, pastorais, grupos e Igreja. O discípulo é aquele que escuta e aprofunda a palavra que lhe é oferecida. Muitos ainda são como os apóstolos: fazem parte do rebanho do Senhor, mas nutrem projetos e sonhos pessoais onde, muitas vezes, Deus é somente um instrumento ou um meio para se chegar até os seus próprios objetivos.

Percebendo a distância entre o que Ele ensinava e o que os apóstolos discutiam, Jesus resolveu, em um momento oportuno e dentro de uma casa, esclarecer as coisas. Jesus ofereceu aos apóstolos mais uma oportunidade para falarem, mas todos optaram pelo silêncio. Marcos nos diz que os apóstolos estavam discutindo entre eles quem seria o “maior”. Certamente, eles perceberam o grande poder que Jesus demonstrava e eles imaginavam um imenso reino que o Mestre Jesus iria criar, assim, já começavam a discutir cargos neste “império”. Mas, “Jesus se senta e chama os apóstolos”, queria falar um jeito mais direito e profundo. “Jesus chama dos Doze”, uma forma de trazer todos para bem perto Dele e assim, abandonassem seus projetos pessoais e sonhos sem sentido para Deus.

Para sentirem realmente o aconchego daquele que tem seu destino nas mãos de Deus

O anseio de ser o primeiro e o maior em relação aos outros é uma tentação para os discípulos. Todos nós apreciamos estar no centro das atenções, receber elogios e destacar-se em relação aos outros. Jesus não podendo “trazer” os apóstolos para a sua forma de ver as coisas, Ele “entra” na lógica deles, não para concordar com o modo deles pensarem, mas para ensinar como ser grande conforme seus ensinamentos e aos olhos de Deus.

Mais uma vez, Jesus propõe, tudo é apresentado como uma proposta: “Se alguém quiser...” (como no domingo passado), nada é imposto, mas ofertado como graça e dom, cada um precisa aceitar, abraçar e colocar em prática.

Jesus não impõe, mas propõe como projeto de vida conforme a lógica e o modo de viver Dele próprio. Não ensina aos discípulos algo distante e difícil, mas aquilo que Ele próprio vivia.

A lógica do mundo é ser o primeiro, estar sozinho e acima de todos; A lógica e o modo de vida de Jesus vão em outra direção: para ser o primeiro, é necessário ser o último de todos e servo de todos. Quem são os “últimos”? Naquele tempo, os grandes eram os ricos, os poderosos e os cultos; já os últimos eram os pobres, os doentes, os desprezados e os estrangeiros. É exatamente lá entre os últimos da sociedade que sempre Jesus esteve e convida os discípulos a estar. Mas, Jesus frisa claramente: Não basta estar “somente” no último lugar com os pobres, é necessário ainda ser servo de todos. “Servir os últimos” é o caminho para servir a todos que mais precisam experimentar a misericórdia de Deus.

E Jesus dá um exemplo do que Ele estava falando. Toma e abraça uma criança, com um gesto de profunda união (o abraço une duas pessoas como se fossem uma só) e disse que quem acolhe uma criança em seu nome, também acolhe a Ele e a Deus Pai. Para Jesus, servir os últimos e acolher com um abraço são uma só coisa. Os discípulos pensavam em “maior”, Jesus apresenta um “menor” (criança) como caminho.

A acolhida e o serviço aos últimos são o caminho mais rápido para se chegar a Jesus. Quem acolhe o próximo, a começar por aqueles que são os últimos, está acolhendo Nosso Senhor em pessoa. A nossa fé deve nos ajudar a aprofundar estes dois princípios para se chegar a Jesus: o serviço ao próximo e a acolhida.

“Últimos de todos e servo de todos”. Sobressai o “todos”: ser o último sem deixar ninguém pra trás, sem esquecer alguém entre os últimos, sem predileção; e servo de todos sem escolher e sem colocar limites. Não estar somente entre os últimos, mas estar para servir, oferecer algo a mais entre aqueles que não têm mais esperança. A humildade não é somente “ser” alguém simples, mas servir entre os simples.

Sabemos que o egoísmo e o individualismo são os principais valores do mundo de hoje. Proclama-se que cada um tem o direito de ser feliz, mas sozinho e individualmente; o próximo e os mais necessitados (os últimos) são vistos como um peso, perturbam a paz e o sossego dos outros.

Na 2ª leitura, Tiago alerta que o ciúme (desejo obcecado de posse) está no centro de conflitos e maldades humanas; as guerras são paixões humanas levadas ao extremo que chegam a cancelar o outro e o torna um inimigo a ser combatido. A verdadeira sabedoria diante de Deus se consegue com a concórdia, com a misericórdia, sem parcialidade e fingimento. A paz somente se consegue semeando a paz. Jesus propõe a solução para nós e para a humanidade: o serviço àqueles que são os últimos de nossa sociedade. Assim, o melhor caminho para experimentarmos o amor de Deus é através da caridade e da acolhida do próximo a começar por aqueles que mais precisam de nossa ajuda e de nosso amor.

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#Reflexão: 24º Domingo do Tempo Comum (15 de setembro)

A Igreja celebra o 24º domingo do Tempo comum, neste domingo (15). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 50,5-9a
Salmo: 114(115),1-2.3-4.5-6.8-9 (R. 9)
2ª Leitura: Tg 2,14-18 ou Lc 2,33-35
Evangelho: Mc 8,27-35

Acesse aqui as leituras.

E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU?

O Evangelho deste domingo, novamente, descreve Jesus presente em um território fora de Israel. Ele estava a caminho de Cesareia de Felipe que era a sede do governador daquela região romana. Jesus e os discípulos estavam juntos havia algum tempo. Nosso Senhor quis saber qual era a ideia que as pessoas estavam tendo dele. Jesus e os apóstolos não caminhavam mais sozinhos e certamente uma multidão acompanhava a todos. Vimos nos Evangelhos anteriores que mesmo em regiões estrangeiras, a fama de Jesus já tinha chegado até eles e as pessoas também pediam que Ele operasse curas (como no domingo passado). Até mesmo os de Jerusalém se sentiam incomodados com Jesus e tinham dado a sua opinião sobre Ele (opera tudo por Belzebu).

Os apóstolos tinham tido também uma experiência em evangelização e provavelmente colheram a opinião que as pessoas tinham de Jesus. A resposta dos apóstolos foi resumida em três personagens: “João Batista”, ele tinha realizado tão bem sua missão que a sua fama se misturava com a de Jesus, alguns até acreditavam que o precursor tinha ressurgido. Jesus seria alguém austero e radical como João Batista e o que compararam analisando as mensagens e pregações de Jesus. “Elias” foi o maior dos profetas do AT e muitos achavam que alguém como Elias tinha aparecido com grandes prodígios (análise das ações de Jesus) e havia uma profecia que afirmava que este profeta retornaria antes da vinda do messias; “um dos profetas” a resposta menos segura sobre quem era Jesus: muitos viam como “mais um profeta”.

As respostas colhidas e partilhadas pelos discípulos fazem eco a histórias do passado. As pessoas encontram o “novo” que Jesus estava oferecendo, mas elas não entenderam assim: leram tudo com um olhar ainda ligado ao passado e não ao presente. “Messias” para o povo era alguém do futuro (viria um dia), os outros lembrados pelo povo são pessoas do passado.

Fundamental para realmente conhecer Jesus é conviver com Ele.

A segunda pergunta de Jesus foi direta e provocativa em relação ao seu grupo de discípulos. Eles já estavam com seu Mestre havia um bom tempo e tinham condições de dar uma resposta mais profunda. Assim, Pedro, em nome do grupo, tinha descoberto (lhe foi revelado) algo novo e original: “Tu és o Cristo” (“Cristo” em grego = “messias”). Até este momento no evangelho de Marcos ninguém tinha se expressado tão claramente sobre quem era Jesus. Ele, então, pediu que guardassem silêncio, pois toda a população tinha uma grande esperança sobre o Messias, mas como alguém voltado à questão política, como um revolucionário ou um guerreiro. Por outro lado, abertamente Jesus anunciava como Ele seria “Messias”: seria rejeitado, entregue à morte e ressuscitaria.

Jesus retoma a imagem apresentada pelo profeta Isaías que lemos na primeira leitura. Cristo será Messias sim, mas como “servo do Senhor”. Isaías descreve o Messias como alguém que enfrenta sofrimentos e todos os tipos de humilhações, mas principalmente alguém profundamente confiante em Deus. O “Servo Sofredor” representa tudo aquilo que é específico e profundamente humano: dor, sofrimento, desolação, amargura e por fim, a morte. No Evangelho de Marcos, Jesus diz que além das humilhações e morte, Ele ressuscitará no terceiro dia.

Pedro ao ouvir tudo isto, se espanta e tenta fazer com que Jesus mudasse seu discurso. Nosso Senhor tinha falado com seus discípulos, mas Pedro “puxou” Jesus em um lugar a parte e quis “ensinar” como Ele deveria ser Messias. O pobre Pedro que afirmou com tanta segurança que Jesus “é o Messias”, no fundo, ainda estava com a ideia de um Messias aos moldes deste mundo, um enviado para fazer guerra e instaurar um reino deste mundo para este mundo. O discípulo se revela distante do Mestre. Pedro não queria seguir alguém que assinalava o seu final como “perdedor”, assim, o apóstolo procura Lhe indicar outros caminhos e um outro destino.

Jesus “arrasta” e recoloca Pedro junto ao grupo dos discípulos e diz palavras fortes sobre a sua atitude que servem para nós também: “Vá para atrás de mim”. Esta expressão: “atrás de mim” foi usada por Jesus quando chamou os discípulos (Mc 1,17). De fato, o discípulo deve vir depois do seu Mestre e não se colocar à sua frente. Pedro queria ensinar o seu Mestre Jesus e não o contrário. Por isto, Jesus condena o seu comportamento e exorta-o a voltar ao seu lugar. O primeiro apóstolo escuta de Jesus uma palavra forte, Ele o chama de “Satanás” que é o maior opositor de Jesus que tenta se colocar à sua frente e atrapalhar o projeto de Deus. Aqueles que se comportam como Satanás (querem se colocar à frente de Deus) e não como discípulos (que seguem Mestre) são aqueles que pensam como o mundo pensa. Lembremos no episódio das tentações que Jesus sofreu no deserto, Satanás se coloca à sua frente procurando dizer o que Ele deveria fazer.

Pedro dá um passo decisivo em relação a Jesus, mas ainda traz consigo seu olhar para o Messias que todos os judeus esperavam e não o messias que Jesus se tornaria. Pedro quis lhe propor algo a seu modo e não ao modo de Cristo. O apóstolo pescador acerta quem é Jesus, mas erra profundamente em como Ele iria cumprir sua missão.Como Pedro, ainda hoje há muitas pessoas que querem condicionar a ação de Deus e até dizer o que Ele tem que fazer.

Jesus nos convida a sermos discípulos, nos colocarmos atrás Dele que é o Nosso Mestre e seguir Seus passos, devemos estar com os ouvidos atentos e sempre em alerta para ouvir sua voz.

Jesus, após repreender Pedro diante dos outros discípulos, convocando a multidão, apresenta as mesmas condições a todos. Aquelas pessoas já tinham escutado a definição de Messias que o próprio Jesus tinha a pouco apresentado e convida a todos a segui-Lo (“vir atrás de Mim”), mas Ele coloca as condições fundamentais. Tudo é apresentado como uma condição onde cada um tem que assumir livremente: “se alguém quer vir após mim...”. Chama nossa atenção que Jesus não fala apresentando como uma obrigação ou fazendo alguma ameaça, cada um é livre: “se alguém quer...”. A segunda condição é um convite decisivo: “renunciar a si mesmo”. É deixar de colocar a si próprio no centro de tudo, abrir-se para as propostas e a missão que Deus apresentar; abraçar os projetos de Deus em detrimento aos sonhos pessoais. “Tomar a cruz” é assumir tudo com compromisso e responsabilidade como é a cruz de Cristo, sinal do seu extremo amor por toda a humanidade. A cruz não é somente sinal das dores e dos sofrimentos enfrentados por Jesus (isto tudo faz parte da nossa história enquanto estivermos neste mundo), mas de sua missão assumida até o fim em total doação.

Por fim e depois de fazer os dois passos anterior, “segui-Lo”, se colocando, atrás de Jesus. As palavras de Cristo no final do Evangelho de hoje completam a identidade do discípulo de Jesus, onde o ponto principal recai sobre “entregar a vida” por causa de Jesus e do seu Evangelho, este é o modo de ganhar a verdadeira vida que Deus quer nos dar.

Para descobrir como Jesus é realmente é preciso se colocar atrás Dele; não como um subalterno, mas como discípulo; seguir seus passos e assumir sua mensagem.

Nós cristão devemos ser hoje estes novos discípulos de Jesus começando dentro de nossas comunidades e em nossas celebrações como Tiago tem exortado nas segundas leituras de nossas missas dominicais (são 5 textos neste mês). Diante das necessidades de nossos irmãos, somos chamados a demonstrar a nossa fé com gestos concretos (em obras, com diz São Tiago), pois fé que não nos conduza a viver a caridade para os nossos irmãos, não é a fé que Jesus ensinou a buscar.

Fé sem caridade, não é fé verdadeira, mas uma simples “simpatia para com Jesus e seus princípios”.

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#Reflexão: 23º Domingo do Tempo Comum (08 de setembro)

A Igreja celebra o 23º domingo do Tempo comum, neste domingo (08). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 35,4-7a ou Rm 8,28-30
Salmo: 145(146),7.8-9a.9bc-10 (R. 1.2a)
2ª Leitura: Tg 2,1-5 ou mais breve 1,18-23
Evangelho: Mc 7,31-37

Acesse aqui as leituras.

JESUS CURA E RESGATA AS PESSOAS

Jesus sempre esteve aberto para acolher todas as pessoas, principalmente aquelas que eram excluídas e abandonadas pela sociedade e pela religião de sua época. Ele procurou percorrer todos os lugares: as terras de Israel e também regiões de outros povos (início do Evangelho deste domingo). Em todos os lugares, Nosso Senhor abraçou, tocou e curou do mesmo modo, pois para Ele o que importava era a pessoa e não a sua posição social (rico ou pobre) ou a sua religião (santo ou pecador).

Por isto Isaías fala na primeira leitura de uma “vingança” de Deus que não tem violência, ódio e nem mortes, mas uma profunda revolta contra a situação da época onde os mais necessitados estavam abandonados e sofrendo. Deus promete uma reviravolta contra aquele sistema que excluía os últimos, por isto, promete um tempo onde os doentes serão curados e acolhidos (até o deserto terá abundantes águas). Esta promessa se realiza com Jesus.

Em sintonia que esta promessa, mas principalmente com a atitude de Jesus que sempre teve grande atenção para com os pobres, Tiago na segunda leitura chama atenção da sua comunidade sobre o desprezo para com os mais simples e humildes. A divisão interna na comunidade entre tratar melhor os ricos e a indiferença para com os pobres, refletia ainda a mentalidade do mundo e em nada estava em sintonia com o exemplo e os ensinamentos de Jesus que sempre acolhia a todos, mas preferiu escolher os mais simples e pobres.

Entre os pobres que acorriam a Jesus, os doentes sempre tiveram especial atenção. Sabemos o que significa a nossa capacidade de ouvir e de falar. São dons que nos ajudam na comunicação com as pessoas e com o mundo. Marcos no Evangelho deste domingo nos conta que um dia Jesus se encontrou com uma pessoa que não possuía estas duas capacidades: não ouvia e falava com dificuldade. A cura que o evangelista narra, ganha uma importância muito significativa, pois Jesus procede de um modo único e especial para efetuar mais este milagre.

O início do Evangelho informa que Jesus encontrava-se na Decápole (significa “dez cidades”) que era uma região habitada por pessoas que falavam a língua grega (diferente da língua de Jesus) e era terra de gente que não tinha a mesma religião de Jesus e dos judeus, por isto, eram considerados como “impuros” (pagãos). Um judeu ou um fariseu jamais percorreria aquelas estradas e nunca pisaria naquelas terras de gente “indigna”.

Jesus, como de costume, nunca seguiu estas diferenças criadas pela sociedade e pela religião da época.

Estando em território de “impuros”, Jesus se depara com um grupo de pessoas que estava trazendo um doente surdo que fala com dificuldade. Uma pessoa presa no silêncio de seu mundo. Não ouvia nada e ninguém, mas seus amigos tinham ouvido falar de Jesus. A fama de Jesus tinha se espalhado pela região e todos vinham até Ele, por isto, certamente os amigos do doente já tinham ouvido e talvez até visto Jesus fazer alguma coisa, mas aquele doente – impossibilitado por não ouvir e nem falar – nada poderia fazer, somente confiar em seus amigos.

Eles pedem para que Jesus lhe “impusesse a mão”, mas Ele faz muito mais do que isso: quis oferecer àquele homem uma experiência pessoal, próxima e cheia de intimidade, algo que vai além de um simples gesto costumeiro de impor as mãos.

Jesus, diante do pedido dos amigos, realiza gestos novos para operar a cura. A primeira atitude de Jesus foi ficar sozinho com o doente surdo, longe da multidão que estava ao seu redor (não queria dar nenhum “showzinho” para ninguém). Até aquele momento, os amigos tinham feito tudo pelo doente, mas era necessário que ele mesmo tivesse um encontro pessoal com Jesus. Nosso Senhor “toma a parte” aquela pessoa, gesto frequente de Jesus para com os seus discípulos (em Mc ocorre seis vezes com os discípulos + uma vez com este doente). À parte, o Mestre lhe dedica especial atenção. Diante daquela pessoa, Jesus toca os ouvidos do doente com os seus dedos e depois toca a Sua própria língua para em seguida, com sua saliva, tocar a língua do surdo-mudo.

Assim, Jesus dá ao doente algo que é Dele.

Acreditava-se naquele tempo que a saliva tinha algo de medicinal, mas Jesus quis oferecer aquela pessoa marginalizada pela deficiência, algo que lhe era próprio e pessoal. Aquele surdo, além das limitações físicas, ainda sofria a exclusão por parte dos judeus que também o consideravam com um “pecador”, Jesus rompe todas estas barreiras e procura expressar com gestos profundamente humanos e íntimos, Sua proximidade e o Seu amor para com aquele doente.

Jesus – após tocar os ouvidos e a língua – completa com um gemido. Não um grito de potência, mas um som muito próprio daquele que sofre. Olhando em direção ao céu diz: “Éfata!” que significa: “abre-te!” Era uma palavra da língua familiar de Jesus, assim, trata aquele estrangeiro como alguém de sua casa (Ermes Ronchi). O comando dado por Jesus para operar o milagre é realizado com um suspiro, como um sopro divino.

O modo singular realizado por Jesus para curar, vai além de “mais um milagre”. Diante da pessoa com sérias deficiências e marginalizada de tantos modos (estrangeiro e doente), Jesus procura expressar a sua maior aproximação e intimidade. Não quer somente “curar mais um doente”, mas quase que “recriar” a pessoa.

Os gestos lembram Deus na criação que molda com a mão o barro e sopra sobre o boneco para criar o homem-Adão.

No Evangelho de Marcos, após o rito operado por Jesus, o doente tem os ouvidos abertos e a prisão da língua é desfeita, podendo assim, falar corretamente. O encontro com Jesus deve realizar em nós o mesmo resultado: abrir nossos ouvidos para a Palavra de Deus e anunciar a Boa Nova do Evangelho.

O Batismo que todos nós recebemos deve efetuar em nós, o mesmo efeito: predispor-nos para escutar a Palavra de Deus e anunciá-la.

Jesus é a realização das promessas de Deus, mas não somente aquele que realiza milagres e grandes prodígios como este que São Marcos nos narra. Acima de tudo, ele busca promover e resgatar as pessoas, tirando-as da situação de exclusão e marginalização onde elas se encontram. A lista de doentes que serão curados, conforme as palavras de Isaías na primeira leitura, são os últimos e os esquecidos em todas as sociedades, que também nós devemos ajudar. Jesus vai ao encontro de todos que estavam em terras de Israel ou em terras estrangeiras e ofereceu a todos a possibilidade de um encontro íntimo e profundo. Hoje, nós é que devemos assumir esta missão de conduzir todos ao encontro com Jesus para que Ele nos cure de nossa surdez e liberte nossas línguas para anunciar o seu projeto de vida e libertação que Ele veio inaugurar neste mundo.

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Paróquia São José, no Distrito do Pantano, recebe visita pastoral de Dom Majella

A Paróquia São José localizada no Distrito de São José do Pantano, em Pouso Alegre (MG), recebeu de 29 de agosto a 1º de setembro a visita pastoral de Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano de Pouso Alegre.

Durante o período em que esteve na paróquia, o metropolita visitou as comunidades urbanas e rurais, presidiu Missas, visitou enfermos, se reuniu com os padres, com os membros do Conselho Pastoral Paroquial (CPP) e do Conselho Econômico e com catequistas e catequisandos.

Dom Majella também visitou a Escola Estadual Professora Mariana Pereira Fernandes, a Cooperativa dos Morangueiros Pantanense (Coompa) e às lavouras de morango na comunidade São Pedro e São Paulo.

A Santa Missa de abertura do visita pastoral e acolhida à Dom Majella aconteceu na comunidade São Sebastião do Pantaninho, no dia 29 de agosto e a de encerramento foi realizada na Matriz de São José do Pantano, na noite de 1º de setembro.

Todos os dias, após a celebração da Missa foi realizado um momento de confraternização dos fiéis com seu pastor.

A Paróquia São José foi criada em 2012 e abrange os Distritos São José do Pantano, em Pouso Alegre, Sertãozinho, em Borda da Mata e Pantano dos Rosas, pertencente ao município de Estiva. A Matriz paroquial está localizada na Avenida Doutor Vinícius Meyer, n. 200, no distrito pouso alegrense.

 

Texto: Éder Couto

Imagens: Divulgação/Paróquia São José – Distrito do Pantano