Clero participa de Atualização Teológica

Nos dias 22 e 23 de outubro, o Clero da Arquidiocese de Pouso Alegre participou de um encontro de Atualização Teológica, organizado pela Pastoral Presbiteral Arquidiocesana.

 

 

O encontro de atualização aconteceu no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora e contou com a participação dos padres diocesanos e religiosos, diáconos e seminaristas estagiários. O arcebispo metropolitano, Dom José Luiz Majella Delgado, CSsR, também se fez presente.

O primeiro dia da Atualização  Teológica foi assessorado pelo Pe. Geraldo Luiz de Mori, SJ, professor da FAJE - Faculdade Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte (MG), que trabalhou o tema: “Pensar o ser humano à luz da fé cristã no contexto das mudanças antropológicas contemporâneas.” O segundo dia foi orientado pelo Pe. José Augusto da Silva, da Diocese de Guaxupé e professor da Faculdade Católica de Pouso Alegre, que desenvolveu a tematica: “O presbítero no contexto das antropologias contemporâneas.”

 

 

 

Texto e imagens: Pe. Júlio César dos Santos Júnior

 


#Reflexão: 30º Domingo do Tempo Comum (27 de outubro)

A Igreja celebra o 30º domingo do Tempo comum, neste domingo (27). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Jr 31,7-9
Salmo: 125(126),1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)
2ª Leitura: Hb 5,1-6
Evangelho: Mc 10,46-52

Acesse aqui as leituras.

ACREDITAR NA COMPAIXÃO DE DEUS

A passagem do Evangelho deste domingo assinala o último evento antes de Jesus chegar a Jerusalém. Ele estava fazendo o mesmo caminho dos peregrinos: saiam da Galileia percorriam o Jordão e, depois em Jericó, subiam para a Cidade Santa. Mas, Marcos nos diz que tudo iniciou no ponto mais extremo ao Norte, no limite das terras do povo de Deus: Cesareia de Felipe. Neste caminho, Jesus foi se revelando aos poucos e principalmente, procurando antecipar parte daquilo que aconteceria em Jerusalém. Nesta jornada de peregrinação, o povo que seguia Jesus estava mais interessado em sinais e prodígios, e os apóstolos, mais interessados em coisas terrenas: “quem era o maior entre eles” e “quem iria ficar a direita e a esquerda na glória de Jesus”.

Jericó encontra-se abaixo do nível do mar: um dos lugares mais baixos da terra. Nos Evangelhos, poucos são os casos em que os personagens possuem um nome. Na passagem de hoje, o cego chama-se Bartimeu e Marcos reforça: “filho de Timeu”. Ele era cego e mendigava ao longo da estrada. Naquele tempo de Jesus, qualquer doença era encarada como um castigo e a cegueira impedia a pessoa de realizar qualquer atividade, assim, uma pessoa sem enxergar, restava somente mendigar para sobreviver. 

Bartimeu sendo cego era considerado um pecador e era desprezo por todos. Mas naqueles dias em que Jesus estava passando por ali, era uma ocasião especial: estava próxima a Páscoa dos judeus, muitos estavam fazendo aquele mesmo caminho para chegar a Jerusalém. Havia o preceito de dar esmolas nesta festa judaica. Assim, o cego estava sentado enquanto a multidão caminhava para a Cidade Santa. Desprezado, sozinho e fora da cidade, ele encontrava-se à margem do caminho. Dos peregrinos, esperava qualquer moeda que alguém jogasse em seu manto colocado sobre suas pernas.

Os relatos de curas de cegos possuem uma importância singular nos Evangelhos. Incapazes de enxergar, eles têm que acreditar no que escutam (como no tempo do anúncio da Igreja). Ao redor de Jesus, a multidão esperava sempre “ver” prodígios e curas. Muitos até cobravam sinais antes de acreditar (como os fariseus). No entanto, o cego Bartimeu sem ver nada, manifesta uma fé imensa em Jesus, certamente, ouvindo aquilo que as pessoas falam do peregrino Mestre Jesus.

Ele não podia ver, mas demonstrava que estava sempre atendo ao que os outros falavam. Estando naquele lugar (à beira da estrada), certamente, tinha ouvido inúmeras histórias sobre “um tal Jesus”. Ninguém lhe dava importância, mas ele estava atento às conversas de todos. Bartimeu está sentado e todos caminhando; todos enxergam Jesus e ele nada vê; todos estão com Jesus e ele esquecido à beira da estrada. O cego estava sentado à beira do caminho o que impedia Jesus de vê-lo, mas ele não teve dúvidas quando percebeu que Jesus estava passando por ali. A fama de Jesus tinha chegado até ele não pela visão, mas pelos ouvidos (evangelização!).

Neste caminho, os discípulos não se mostraram em sintonia com a proposta de Jesus. Eles juntamente com o povo que buscava sinais, impediam os mais necessitados de se aproximarem de Cristo. Mas, com Bartimeu foi diferente. A multidão impedia Jesus de ver o cego, Ele já estava passando, por isto o cego começou a gritar (era cego, mas não mudo) e o faz de um modo forte para que todos percebessem. “Muitos o repreenderam” - nos diz Marcos - talvez pessoas do povo ou os discípulos. Terrível pensar que o sofrimento possa perturbar a Deus (Ermes Ronchi). Jesus já tinha feito tantos e todos os tipos de milagres, estas pessoas se sentiam no direito de “escolher” quem Jesus deveria dar atenção. Eles se comportavam como um obstáculo e intermediários, e não como ponte e caminho para que as pessoas chegassem até Jesus. 

Para romper a ignorância dos discípulos, Bartimeu grita mais forte duas vezes: “filho de Davi, tende compaixão de mim!” Ele reconhece que Jesus é da linhagem messiânica de Davi, mas apela para sua compaixão. Bartimeu não pediu “perdão por seus pecados”, o seu pedido foi de misericórdia e compaixão. Ele era cego, ninguém o via, mas implora que Deus o enxergasse. Diante dos gritos insistentes do cego, Jesus para sua caminhada e pede para que alguém chamasse aquele que gritava, provocando a multidão a se envolver na questão, mas de um modo novo e verdadeiramente humano e “eles o chamaram”. No meio da multidão, alguém se comporta do modo que Jesus deseja e traz até Cristo aquele que gritava. Esta pessoa se aproxima do cego e lhe diz três palavras de encorajamento: “coragem” (iniciativa determinada), “levanta-te” (depende de ti para começar a mudar) e “Ele te chama” (há um pedido que já é uma resposta).

Bartimeu demonstra já se tornar outra pessoa somente pelo fato de alguém lhe referir as palavras de Jesus. Antes, já tinha “gritado” para ser ouvido. Agora, ele “não deixa”, mas “joga fora seu manto” que era a única coisa que possuía e servia para pedir esmolas e se proteger do tempo; ele não teve dúvidas e cheio de confiança, crê e confia que tudo será diferente e a sua vida vai ser transformada, não está apegado a nada nem ao mínimo (diferente do jovem rico, de dois domingos passados, que possuía muita riqueza). Depois, ele “não se levanta”, mas “dá um salto”, fazendo algo extremamente decisivo e confiante, nem espera a ajuda de alguém, pois era cego, mas não era paralítico. Por fim, vai até Jesus. Com limites profundos (cegueira) caminha firme decisivo como discípulo ideal que Jesus desejava. São impressionantes os gestos de profunda confiança e fé, sem “ver” nada acontecer em sua vida, ele deixa tudo e caminha para Jesus; nenhum milagre tinha acontecido ainda, mas o cego abandona o pouco que tinha e deposita toda sua vida e confiança em alguém que ele somente ouvir falar.

No encontro com o Mestre, Jesus lhe faz a mesma pergunta que fez aos apóstolos que estavam interessados em reservar posições de poder ao lado de Jesus: “Que queres que eu te faça?” Diante da pergunta de Jesus, apresenta sua necessidade fundamental. Ele introduz com palavras de alguém que se sente discípulo: “Rabôni” (“meu Senhor”) e o seu pedido: “que eu recupere a vista”. Ele pede aquilo que lhe poderia devolver dignidade. Os dois discípulos pediam para participar de “glórias” deste mundo; Bartimeu pede a luz, pede para “ver”. Dois tipos de cegueiras (pelo poder e pela doença), mas somente Bartimeu teve sua cura.

Jeremias na primeira leitura, escreve em um período de reconstrução e volta do exílio, retrata um tempo onde as necessidades mais fundamentais do ser humano serão atendidas por Deus, entre elas a cegueira. Jesus cumpre esta profecia. Por fim, Jesus atende ao pedido de Bartimeu, mas com uma ênfase fundamental: “tua fé te salvou”. Ele sim, possuía uma fé especial que Jesus procurava em meio aos discípulos e na multidão. Bartimeu, ao se ver curado da cegueira, resolve se tornar discípulo de Jesus, “seguindo pelo mesmo caminho”. Para Bartimeu, a fé chegou até ele através das histórias e até testemunhos de outras pessoas que lhe narravam sobre Jesus. Agora, ele mesmo poderá testemunhar aos outros aquele que lhe devolveu a luz e a vista.

Esta deve ser a nossa missão através de nosso testemunho, de nossa humanidade na prática da compaixão, de nossas palavras e de nossa vida anunciar e fé em Jesus de Nazaré como sugere a 2ª leitura, onde o autor sagrado depois de ter afirmado que Jesus é o Sumo sacerdote, diz que há aqueles que devem ser sacerdote, devem ser “ponte de ligação” a Deus; tais devem se reconhecer necessitados da compaixão divina, mas também ajudar tantos outros a se aproximarem de Cristo e da sua misericórdia.

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Diácono Valter é ordenado presbítero em Tocos do Moji

O clero da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG) ganhou mais um presbítero. Na manhã do último sábado, 19, o diácono Valter Virgínio Pereira foi ordenado padre pelo arcebispo metropolitano Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R.. A Celebração Eucarística foi realizada na Igreja Nossa Senhora de Fátima, no Distrito Fernandes, em Tocos do Moji (MG).

A cerimônia contou com a presença de 30 padres do clero arquidiocesano, dois diáconos, seminaristas do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, religiosas, familiares, amigos e fiéis de diversas paróquias por onde o neossacerdote já trabalhou.

O lema escolhido para a sua ordenação presbiteral foi extraído do Evangelho de São João: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi...” (Jo 15,16a).

Durante a homilia, Dom Majella falou sobre os momentos de alegrias e graças que a Igreja Particular de Pouso Alegre vive, citando a realização do primeiro sínodo arquidiocesano, que caminha para a sua conclusão, o jubileu dos 125 anos de criação da diocese e do Seminário Arquidiocesano, por onde o diácono passou.

“Tudo isso deve despertar em cada um de nós sentimentos de esperança e sentirmos chamados a colaborarmos na missão de sermos peregrinos da esperança”, disse o metropolita.

O arcebispo também destacou o lema escolhido para a ordenação, falou sobre a importância de o sacerdote estar no meio do povo, conhecendo e cuidando das feridas do povo, bem como dos desafios e das alegrias no exercício do ministério sacerdotal e, por fim, reforçou a importância da oração e do cuidado com a vida espiritual do sacerdote.

Ao final da Celebração a comunidade prestou suas homenagens ao neossacerdote que também proferiu suas primeiras palavras aos presentes manifestando sua alegria e gratidão.

A primeira Missa presidida pelo padre Valter aconteceu em 20 de outubro, às 10 horas, na Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida, em Tocos do Moji.

Confira algumas fotos da ordenação

Biografia

Valter Virgínio Pereira nasceu em Pouso Alegre, em 30 de junho de 1981. Filho de Sebastião Donizete Pereira e Benedita Maria Nogueira Pereira, entrou no seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora no ano de 2015.

Exerceu seus trabalhos pastorais, aos finais de semana, nas paróquias São Cristóvão - Pouso Alegre (2016), Nossa Senhora de Fátima - Pouso Alegre (2017), São Benedito - Itajubá (2018), São Francisco e Santa Clara - Pouso Alegre (2019), Santo Antônio - Ouro Fino (2020) e Santo Antônio – Piranguçu (2022). Também desenvolveu atividades pastorais junto a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados – Apac (2019).

Concluídos os estudos filosóficos e teológicos no ano de 2022, foi designado para exercer o estágio pastoral em Pouso Alegre, na Paróquia São Cristóvão, em 2023. Após a ordenação diaconal, em 03 de fevereiro deste ano, foi transferido para a Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Borda da Mata, onde reside e exerce seu ministério.

Confira mais imagens da ordenação

 

Texto: Éder Couto, com colaboração do padre Júlio César dos Santos Júnior.

Imagens: Edilene Coutinho/Pascom Arquidiocesana


Formadores do Seminário Arquidiocesano participam de Assembleia da OSIB do Regional Leste 2

Os padres Francisco José e Samuel Gâmbaro, formadores do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, em Pouso Alegre (MG), participaram entre os dias 14 e 17 de outubro, na cidade de Patos de Minas (MG), da 44ª assembleia ordinária da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB) do Regional Leste 2 da CNBB.

O evento, promovido anualmente pelo regional, busca oferecer uma oportunidade valiosa de interação e aprofundamento para os presbíteros que atuam como formadores nos seminários do Estado de Minas Gerais.

A condução das atividades ficou a cargo do Frei Jeferson Felipe Cruz, da Ordem dos Agostinianos. O tema central desta edição da Assembleia da OSIB foi "Espiritualidade Missionária: do encontro à missão", e o lema "Ide e fazei discípulos" (Mt 28,19).

Durante os quatro dias de encontro, os presentes tiveram a oportunidade de participar de palestras, partilhas e momentos de oração, todos voltados para fortalecer a espiritualidade missionária e a formação dos futuros sacerdotes.

 

 

As oficinas abordaram temas como a importância da formação integral dos seminaristas, a vivência da espiritualidade no cotidiano e estratégias para uma pastoral mais atuante.

As discussões também incluíram o papel do formador na preparação dos jovens para os desafios do mundo contemporâneo, destacando a necessidade de uma abordagem que una fé e compromisso social.

Além disso, momentos de partilha e oração em grupo proporcionaram aos presbíteros o fortalecimento dos laços e a construção de uma rede de apoio mútuo.

Espera-se que a Assembleia não apenas enriqueça a formação dos participantes, mas também reverberem em suas comunidades, inspirando uma evangelização mais profunda e eficaz.

A expectativa é que, concluído o encontro, os formadores ao regressarem às suas dioceses com novas ideias e motivação renovada, continuem a missão de formar discípulos de Cristo, prontos para o serviço na Igreja e na sociedade.

 

 

Texto: Padre Júlio César dos Santos Júnior e Éder Couto.

Imagens: Diocese de Governador Valadares.


Arquidiocese de Pouso Alegre sedia Encontro Provincial de Animação Pastoral

Entre os dias 14 e 16 de outubro, aconteceu em Pouso Alegre (MG) o Encontro Provincial de Animação Pastoral da Província Eclesiástica de Pouso Alegre, que reúne as dioceses da Campanha e Guaxupé e a Arquidiocese de Pouso Alegre, anfitriã do evento.

Participaram do encontro o arcebispo Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., os bispos Dom Pedro Cunha Cruz e Dom José Lanza Neto, padres responsáveis pela assessoria pastoral, secretárias e coordenadores diocesanos de pastoral.

A assessoria do encontro ficou a cargo do Padre Douglas Alves Fontes, secretário-executivo do Regional Leste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e membro do clero da Arquidiocese de Niterói (RJ).

Palestras e momentos de partilhas fizeram parte da programação, com o objetivo de aprofundar a formação dos participantes, fornecendo ferramentas e recursos para que possam desempenhar suas funções de maneira mais eficaz. A temática do Jubileu 2025, “Peregrinos da Esperança”, também foi abordada no encontro.

Além de fortalecer os laços entre as dioceses da Província, os organizadores esperam que o encontro inspire novas iniciativas que possam ser implementadas em cada localidade, promovendo uma Igreja mais próxima da comunidade e mais atuante nas questões contemporâneas.

O evento se apresenta como uma oportunidade ímpar para o fortalecimento da missão evangelizadora da Igreja na região sul de Minas Gerais.

 

Santa Missa

Dentro da programação do encontro, no dia 15 de outubro, foi celebrada a Santa Missa na Catedral Metropolitana de Pouso Alegre, com a presença dos três bispos da Província Eclesiástica.

A Eucaristia teve a participação dos padres coordenadores de pastoral e de áreas específicas como liturgia, catequese e pastoral presbiteral, além de representantes de santuários e das secretárias de pastoral de cada diocese.

Durante a Celebração Eucarística, dom Majella abordou temas centrais da evangelização e da missão da Igreja, além de incentivar a participação ativa de bispos, padres e leigos na vida pastoral.

 

Texto: Padre Júlio César dos Santos Júnior e Éder Couto

Imagens: Diocese da Campanha e Diocese de Guaxupé (Encontro) e Pascom Catedral Pouso Alegre (Missa)

 


#Reflexão: 29º Domingo do Tempo Comum (20 de outubro)

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A Igreja celebra o 29º domingo do Tempo comum, neste domingo (20). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 53,10-11
Salmo: 32(33),4-5.18-19.20.22 (R. 22)
2ª Leitura:Hb 4,14-16 ou mais breve 10, 42-45
Evangelho: Mc 10,35-45

Acesse aqui as leituras.

 

SERVIR A TODOS E SEMPRE

            O Evangelho deste domingo mostra, pela terceira vez, a imensa distância que existia entre Jesus e os seus apóstolos. Logo após o primeiro anúncio, Pedro tentou convencer Jesus a abandonar seu discurso sobre sofrimento, humilhação e morte; Jesus repreendeu chamando-o de Satanás (Mc 8,27-33). Depois do segundo anúncio sobre o seu destino final em Jerusalém (Mc 9,30-37), os discípulos – logo em seguida – começaram a discutir quem era o maior entre eles (não Jesus, mas entre eles), Jesus com paciência apresenta o anúncio sobre ser servo e último entre todos. Neste domingo, a situação não foi diferente.

Antes do texto da cena que ouvimos no Evangelho, Jesus faz o terceiro anúncio ao seu grupo do seu fim em Jerusalém. O ambiente no grupo dos apóstolos estava péssimo (Mc 10,32-34). Marcos inicia dizendo que todos estavam subindo [de Jericó] para Jerusalém, Jesus caminhava à frente dos apóstolos, eles estavam assustados e a multidão com medo: o grupo não caminhava mais junto. Nosso Senhor já tinha desistido de “converter” a multidão que o seguia sobre o seu novo projeto de Reino de Deus que tem seu início na entrega total em Jerusalém, Jesus percebeu que o povo queria ver sinais, era sedento de curas e milagres e não de sua palavra e da sua pessoa, assim restava a Jesus tentar preparar os apóstolos, mas eles não se mostravam sintonizados com o Mestre.

No Evangelho de Marcos de hoje surgem dois personagens que juntos com Pedro estavam mais próximos de Jesus. Tiago e João (“filhos do trovão” Mc 3,17) se aproximam do Mestre e pedem algo que tinham segurança de conseguir: “Queremos.... que faça por nós... o que vamos te pedir!” No Pai Nosso, Jesus ensina “faça a sua vontade [de Deus]”, mas os dois apóstolos prediletos (juntamente com Pedro) queriam que a vontade deles é que fosse saciada. Há indícios de parentesco entre a mãe dos dois irmãos e a mãe de Jesus (cf. Mc 15,40; Mt 27,56; Jo 19,25), assim se sentiam no direito de pedir algo (um privilégio) para “o clã”.

Não entenderam nada nem de Jesus, nem sua amizade e muito menos de sua proposta de vida. Procuraram  “dar um jeitinho” apelando em nome da amizade estreita (e parentesco) que sentiam da parte de Jesus para com eles, tinham projetos pessoais que o resto do grupo não fazia parte. Triste situação do grupo escolhido por Jesus!

Com muita paciência, Jesus procura saber o que eles desejavam: “sentar-se um a direita ou à esquerda em sua glória”, este era o desejo dos filhos de Zebedeu. Imaginavam um futuro com Jesus em um reino como os outros deste mundo: cheio de glórias humanas e grandiosidade. Os dois não tinham dado a mínima importância àquilo que Jesus – por bem três vezes – tinha anunciado. Desejam estar ao lado quando Jesus estivesse “na glória”, certamente, não era a mesma glória que Jesus pensava para Ele próprio, por isso, o Mestre Jesus ironiza afirmando que não sabiam o que estavam pedindo. Ao serem perguntados sobre “beber o cálice” de Jesus (comprometimento total) e ser “batizados no batismo” que Jesus iria receber (renascimento pela morte), Tiago e João repetem prontamente, mas certamente sem ter a mínima ideia do que estavam falando. Jesus, em parte entra no nível de compreensão deles e esclarece que, de fato iriam fazer o mesmo caminho (Tiago foi martirizado no início da missão dos apóstolos, cf. At 12,2). Em relação ao pedido estranho, Jesus esclarece que será concedido “àqueles a quem está destinado”: à direita e a esquerda de Jesus na cruz foram colocados dois ladrões.

 Mas, a história ganha uma dramaticidade maior dentro do grupo, pois os outros dez apóstolos ficam irritados com Tiago e João, porque no fundo eles estavam também planejando fazer a mesma coisa. Dão a entender que era um desejo de todos os apóstolos: reservar lugares na “glória” de Jesus em um reino terreno.

Jesus “chama-os a si”, eles já estavam ao Seu redor, mas o Mestre quis estreitar ainda mais a ligação com todos antes de tentar corrigi-los; queria falar com mais intimidade e profundidade. Primeiro, Jesus alerta partindo daquilo que eles conheciam como “glória e poder” do mundo, mas que eram construídos na base do domínio e da opressão. Os reinos deste mundo somente se mantêm se usam força e superioridade. Para existir um “superior”, necessariamente, todos os outros devem ser colocados em uma posição de inferioridade. Só existe um “grande” quando todos estão oprimidos debaixo de seu poder. Mas, o Mestre Jesus determina com firmeza: “Mas, entre vós não deve ser assim!” Como em todos os outros casos, Jesus propõe seu esquema de vida como modelo. Não quer ninguém ao seu lado fazendo algo por obrigação ou constrangido a viver algo que não deseja; Ele propõe o caminho, a escolha deve ser pessoal: “Quem quiser...”.

Jesus propõe um projeto de vida totalmente contrário ao pensamento do grupo. Para ser grande neste mundo, o caminho tem como base a opressão e o domínio, mas Jesus propõe o serviço. É preciso ser “servidor” como Jesus vivia entre eles e com o povo. Para ser o primeiro, o caminho que Jesus propõe é ser escravo/servo de todos. Para ser grande, o caminho no fundo era fazer e viver como Ele mesmo vivia. Jesus não condena as paixões, mas propõe que tudo isto seja canalizado (convertido) em outra direção: a serviço de todos. Deus que na sua realidade divina é onipotente, na sua revelação entre nós é servo de todos.

Em Jerusalém, todos se assustaram quando o Mestre Jesus se coloca aos pés deles no Lava-pés. Imaginavam que na cidade do poder religioso e do poder civil dos romanos, Jesus iria se impor sobre todos com poder e majestade, mas estranhamente se coloca por terra como um servo que lava os pés de seus senhores. Na primeira leitura, Isaías nos propõe a imagem do servo que através de dores, sacrifícios e depois de tormentos, ganha luz perene. É um servo justo que justificará muitos. O autor da carta aos Hebreus propõe Jesus como um sacerdote eterno e grande que conquistou a todos tomando sobre si nossas fraquezas.

Sobre o serviço ao próximo, Jesus ainda aprofunda com seu grupo: O Filho do Homem não veio para ser servido, mas servir. Deus não é uma divindade que quer ser servida, mas se coloca como servidor de todos e nós devemos fazer o mesmo. Em relação a nós, Jesus revela um Deus que é Pai e Servidor de todos, não somos nós que devemos ser “servos” para Deus, mas servos de Deus e para Deus através de nossos irmãos e irmãs. Os dois apóstolos sonhavam com um trono de glórias humanas, o autor da carta aos Hebreus nos fala do trono da graça e da misericórdia. Assim, Jesus nos ensina a servir a Deus no próximo começando pelos mais necessitados: amar a Deus, amando o próximo; servir a Deus, servindo aqueles que mais precisam de ajuda.

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#Reflexão: 28º Domingo do Tempo Comum (13 de outubro)

A Igreja celebra o 28º domingo do Tempo comum, neste domingo (13). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Sb 7,7-11
Salmo: 89(90),12-13.14-15.16-17 (R. cf. 14)
2ª Leitura: Hb 4,12-13 ou mais breve 10,17-27
Evangelho: Mc 10,17-30

Acesse aqui as leituras.

JESUS É O NOSSO MAIOR TESOURO E SABEDORIA

Domingo passado, ouvimos Jesus nos ensinar que Deus tem um projeto de felicidade para cada pessoa, que passa, necessariamente, pela doação completa e total do homem e da mulher. O matrimônio é uma entrega total de cada um para se tornarem não dois vivendo juntos, mas “uma só carne”. Uma doação onde não se perde algo, mas se ganha outra pessoa que dá sentido e completeza a existência do homem e da mulher quando eles se casam. O sentido profundo da felicidade é a entrega total, para muitos isso acontece no matrimônio; outros são chamados a uma vida de entrega ao projeto de Deus onde todos fazem parte.

Jesus continua o seu caminho ensinando e oferecendo possibilidades de encontro para todas as pessoas. Todos têm acesso livre e fácil a Jesus. Neste domingo, Marcos nos conta de mais um encontro especial.

Não sabemos o nome desta pessoa, mas ele representa um tipo de fiel que deseja construir com Jesus um projeto de vida. Ele é exuberante de desejos, de sonhos, eufórico: corre (quer chegar primeiro), se ajoelha (gesto público de profunda veneração), não espera e já propõe o seu pedido, introduz com um elogio que soou exagerado a Jesus e se expõe, sem rodeios, seu pedido pessoal. Ele tem todos os indícios de se tratar de um jovem.

Jesus corrige o seu elogio, orientando que não quer nada de títulos e glórias pessoais, mas somente Deus merece tudo. Ele não conhecia tudo de Jesus, era cedo para chamá-Lo de “bom”. Um pouco daquilo que acontece quando se abraça uma fé com muita euforia. Queria saber o que devia fazer para ganhar a vida eterna. Ele tinha tantas coisas, mas sentia ainda que lhe faltava algo para assegurar a vida eterna. Pensava que a vida eterna seria algo a ser conquistado, comprado ou adquirido com um esforço pessoal.

O jovem eufórico estava enganado: vida eterna para Jesus é dom, não conquista; é graça e não prêmio para os melhores.

Jesus, respondendo ao seu pedido, lhe propõe um projeto simples e comum a todos: os Mandamentos de Deus. Neles já temos todas as condições para alcançar a vida eterna. Interessante que Nosso Senhor recorda aqueles Mandamentos voltados ao convívio com o próximo: não matar, não roubar, ser fiel, ser contra a falsidade etc., e não menciona os mandamentos ligados a Deus: amar a Deus sobre todas as coisas, guardar seu Santo Nome e o seu dia santo. Jesus faz questão de recordar e reforçar esses Preceitos, pois percebe que se trata de alguém de fé. Jesus inverte a ordem dos Mandamentos deixando “honrar os pais” por último e com uma mudança significativa, resumindo o último Mandamento em “não fraudar”.

Ao retomar o diálogo, o rapaz (corrigindo-se) diz somente “mestre” e esclarece que tudo isto, já realiza desde a mais tenra idade. Mas, ele sente que os Mandamentos não lhe satisfaziam completamente: havia uma ânsia profunda que os Preceitos Divinos não conseguiam preencher. Era uma pessoa com um projeto de vida “aparentemente” ideal: uma vida garantida no plano material (era rico) e fiel cumpridor das leis de Deus.

Marcos nos narra a bonita atitude de Jesus: “fixou o olhar, amou-o e disse-lhe”. Jesus quis expressar já com o seu olhar, o seu amor por aquela pessoa. Foi um olhar especial de alguém que quer oferecer tudo de bom. Jesus amou interiormente aquela pessoa através do olhar! Depois lhe propôs algo que nasce do mais profundo desejo de amor. O Mestre Jesus lhe apresenta um plano de vida e de liberdade. Um projeto de felicidade concentrando-se naquilo que é principal e fundamental, única coisa capaz de preencher o vazio existencial daquele rapaz.

O comum e o habitual de um fiel (seguir os Mandamentos fiel) não eram suficientes para preencher um profundo sentido na vida daquele rapaz. Somente algo maior, seria capaz de responder às questões existenciais. Somente Jesus seria capaz de realizar isso. Assim, propõe o seguimento radical. Segui-Lo como discípulo é tornar Nosso Senhor o único tesouro da vida, pois nada neste mundo pode ser maior. Ele não promete e nunca se ocupa de nos ajudar em acumular riquezas humanas, pois Ele é o nosso maior tesouro. Aquela pessoa estava encantada com a pessoa de Jesus, mas se espanta quando Ele apresenta suas prioridades. Jesus não exige nada para ele - como para os discípulos - além daquilo que Ele mesmo já vivia (não tinha nada deste mundo). O “bom Mestre” que o rapaz mencionou no início, foi finalmente revelado.

Jesus conhecendo profundamente (através do seu olhar e amando-o) lhe esclarece que uma coisa lhe falta: Seguir radicalmente Jesus. Mas para isto era preciso se desligar daquilo que lhe provocava o vazio existencial profundo: sua riqueza. Nosso Senhor lhe propõe: “vai” (retorna a sua realidade onde está), “vende tudo” (assim, não terá tentação de retomar o que pertence), “doa aos pobres” (assim, completa os Mandamentos citados com a caridade, doando pelo menos o mínimo àqueles que nada têm), e “terás um tesouro no céu” (caridade é uma riqueza neste mundo e tesouro no céu, aquilo que nos ajuda ter sentido já nesta vida), por fim, “vem e segue-Me”.

Jesus lhe propõe algo que seria a solução de sua angústia interior, a verdadeira sabedoria (1a leitura) que lhe concede o tesouro mais precioso que já garante o caminho para a eternidade, desejo expresso na primeira pergunta. A caridade era uma “riqueza” que jovem não tinha, pois o que tinha (ele era rico) era somente pra ele. O rapaz tinha tudo de que precisava neste mundo, mas sua riqueza não lhe preenchia o coração, pois faltavam os pobres e Jesus.

Doar algo para o próximo. Somente somos felizes quando conseguimos fazer o outro feliz, principalmente, os mais necessitados. Jesus nos ensina que não somos grande por aquilo que temos, mas por aquilo que sabemos doar (Ermes Ronchi).

O apego à riqueza tinha se tornado uma doença na vida daquela pessoa e nem o fiel cumprimento dos Mandamentos (como ele mesmo afirma) lhe trazia paz interior. No final da proposta de Jesus, o rapaz descobre que o “Bom Mestre” se revelou exigente demais para ele. Jesus não lhe propôs a pobreza, mas a verdadeira riqueza; não lhe pediu para ficar sem nada, mas para abandonar aquilo que “aparentemente” lhe dava tudo, mas que na realidade somente aumentava o seu vazio interior. Jesus lhe ofereceu um “remédio” para sua doença interior e o verdadeiro tesouro que ele deveria acumular: a caridade e se tornar seu discípulo. Tudo foi realizado com um olhar penetrante de amor e carinho, mas a resposta do rapaz foi decepcionante.

Para expressar a triste reação do jovem, Marcos usa uma expressão que significa “escurecer o tempo” e ele se foi (como Jesus no início tinha sugerido), mas retirou-se triste. Tudo tinha se apagado na vida dele, pois a sua doença foi revelada, mas ele preferiu permanecer no seu mundo que estava sendo corroído por suas posses. Ele vai embora triste. Ao final, o “Mestre” não se mostrou tão “bom” como ele queria. Marcos acrescenta o detalhe que “ele, de fato, possui muitos bens”.

A proposta de Jesus não espantou somente o rapaz, mas também os discípulos (como nos Evangelhos dos domingos anteriores). Duas vezes, nos vem comunicado que eles ficaram assombrados e admirados, mas Jesus insistiu sobre o tema e para mostrar sua gravidade, usa o exemplo do camelo passar pelo fundo de uma agulha. Somente Deus deve ser a nossa riqueza! Por Ele, devemos deixar tudo de material em segundo plano e nos concentrarmos naquilo que nos dá o verdadeiro sentido para nossa existência: o próximo através da caridade e do seguimento de Jesus. Pedro se lança com uma afirmação, mas revelando certa angustia pelas palavras exigentes de Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”.

Quando se tem Jesus no centro da vida como opção principal, a nossa relação familiar vai além de nossos parentes, todos se tornam uma só família.

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VI Seminário Bens Culturais da Igreja destaca a importância e conservação dos dos arquivos eclesiásticos

Nos dias 1º e 2 de outubro de 2024, a Comissão para os Bens Culturais da Igreja da CNBB Regional Leste 2 realizou, na Casa Santíssima Trindade, em Belo Horizonte-MG, o VI Seminário para Bens Culturais da Igreja. Com o tema “Arquivos Eclesiásticos: Função Sociocultural e Pastoral”, o evento reúne presbíteros e leigos das (Arqui)Dioceses do Regional Leste 2.

O seminário constou de palestras, mesas-redondas e minicursos, promovendo a troca de experiências e o aprofundamento no tema proposto. Dom Geovane Luís da Silva, presidente da Comissão para os Bens Culturais da Igreja da CNBB – Regional Leste 2, destacou que o objetivo do encontro é refletir sobre o valor desses arquivos e sua importância para a Igreja e para a sociedade. Segundo ele, o seminário busca fortalecer o trabalho com os bens culturais, incentivando a criação de comissões em outras províncias eclesiásticas.

Celebração da Eucaristia

Padre Rutiero Carvalho, secretário da comissão, ressaltou que este seminário marca a retomada dos trabalhos e proporciona uma importante oportunidade formativa para as (Arqui)Dioceses do regional. Ele destacou a relevância dos arquivos eclesiásticos para a preservação da memória e para o trabalho pastoral.

Monsenhor Luiz Antônio dos Reis Costa, da Arquidiocese de Mariana, lembrou que os arquivos eclesiásticos guardam documentos que remontam ao século XVIII e são fundamentais tanto para a Igreja quanto para a sociedade. Ele também destacou a importância da modernização desses arquivos e da sua acessibilidade para pesquisadores.

Padre Júlio César dos Santos Júnior e Maria Cristina Souza Faria representantes do Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Pouso Alegre.

Padre Júlio César dos Santos Júnior e Maria Cristina Souza Faria representaram o Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Pouso Alegre.

O VI Seminário de Bens Culturais da Igreja, que teve debates e formações voltados à gestão e preservação dos arquivos eclesiásticos,  encerrou-se nesta quarta-feira, 2 de outubro,

Fonte: CNBB Leste 2

Texto: enviado pelo Pe. Júlio César dos Santos Júnior e adaptado por Luiz Gonzaga da Rosa

Fotos: Pe. Júlio César e site do Regional Leste 2 da CNBB

 


#Reflexão: 27º Domingo do Tempo Comum (06 de outubro)

A Igreja celebra o 27º domingo do Tempo comum, neste domingo (06). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Gn 2,18-24
Salmo: 127(128),1-2.3.4-5.6 (R. cf. 5)
2ª Leitura: Hb 2,9-11 ou mais breve 10,2-12
Evangelho: Mc 10,2-16

Acesse aqui as leituras.

MATRIMÔNIO, UNIÃO ABENÇOADA POR DEUS

            No evangelho deste domingo, um grupo de opositores (fariseus) tenta pegar Jesus com um problema ligado ao matrimônio. O evangelista Marcos assinala que a questão apresentada não tinha intenção de aprofundar o tema, mas em testar Jesus. Dependendo da resposta, eles imaginavam destruir Sua doutrina e Sua mensagem.

A pergunta colocada pelos fariseus revela que a prática de “repudiar” (mandar embora) a mulher era comum. De fato, se sabe que naquele tempo, o divórcio acontecia somente por iniciativa do homem que, por qualquer motivo, podia se separar da mulher. Jesus responde à pergunta com outra pergunta. Sabendo da origem de tal permissão, Nosso Senhor foi mais preciso: “O que Moisés vos ordenou?”

De fato, desde o tempo de Moisés, o marido podia repudiar sua mulher com uma carta (um documento). Jesus procura analisar e aprofundar tal costume afirmando que Moisés “inventou” tal documento como uma forma de ajudar as mulheres. Se uma esposa fosse repudiada por seu marido e se casasse com outro homem, cometeria adultério segundo as leis judaicas, assim, diante da “dureza do coração” do povo, Moisés “ordenou” que fosse feita tal carta para que as mulheres se casarem novamente. No entanto, Jesus afirma que tudo isto nunca foi da vontade de Deus, mas por causa da “dureza do coração” dos judeus.

A questão apresentada era se era lícito (se estava conforme a Lei) ou não mandar embora a mulher, Jesus resolve aprofundar a questão e também atualizá-la. Ele afirma que “desde o início da criação” o projeto de Deus para o ser humano não tinha nada daquilo que os homens passaram a fazer. Jesus continua dizendo que Deus criou o homem e a mulher com identidades e realidades distintas, mas que necessitam se completar mutuamente.

Segundo Jesus, o matrimônio tem sua origem na vontade original de Deus para o homem e a mulher, assim, está na natureza dos dois a união entre ambos para um dar sentido e completeza ao outro. E Jesus resgata para os fariseus a passagem bíblica da criação que diz: “serão uma só carne”. A visão que Jesus tem do matrimônio é algo completo e profundo tanto para o homem quanto para a mulher e Jesus (por duas vezes) afirma e reafirma: “Uma só carne, não duas, mas uma só carne”!

A primeira leitura deste domingo apresenta o texto que Jesus citou e se encontra nas primeiras páginas da Bíblia sobre a criação do mundo no livro do Gênesis. O autor sagrado não quer nos ensinar “detalhes científicos” ou biológicos sobre a constituição do homem e da mulher, mas de descrever sua relação com Deus e entre nós mesmos.

O texto inicia lembrando a relação entre Deus e o homem (Adão), ele é um ser criado e está estreitamente ligado a Deus. A relação com o seu criador é especial, pois o homem não é “mais uma criatura” que habitava o paraíso, mas o único ser capaz de estabelecer relação e reciprocidade (relação de troca) de amor e afeto com Deus. O autor antes do texto de hoje no livro do Gênesis afirma que somos imagem e semelhança de Deus.

Assim, o homem em relação a Deus possui uma relação não de iguais ou de mesma natureza, mas de Criador e criatura. A relação não poderia ser de iguais. Deus, após criar os animais (ação divina) dá o direito dos homens de nomear tudo (máximo que o homem pode fazer), no entanto, ao fazê-lo, fica claro que entre o homem criado e os animais, Adão tem superioridade e não igualdade. Assim, ao criar a mulher da mesma natureza de Adão (imagem da costela retirada do homem), ela possui a mesma realidade: não é superior como o Criador, mas também não é inferior como as demais criaturas nomeadas pelo homem e criadas por Deus.

Mas, apesar do homem ser tão sublime como criatura e estar em comunhão com Deus, o autor bíblico diz que o Criador observou que não era bom o homem ficar sozinho. Ele havia uma relação perfeita com Deus, mas sempre na condição inferior como criatura e por isto, faltava ao primeiro homem alguém que lhe fosse igual em relação e natureza. Assim, em uma ação conjunta, Criador e criatura buscam uma solução para a solidão de Adão. O problema da “falta de uma companheira” para o homem Adão criado, nasce de um diálogo de Deus Consigo mesmo. Há uma espécie de debate interno de Deus para achar uma solução para o homem. Assim, Deus cria os animais e os coloca todos diante do homem e ele recebe a missão de dar um nome. Nomear é exercer um domínio e posse, algo que o homem é chamado a fazer e Deus respeita o que ele faz.

Diz o escritor sagrado que o homem não encontrou nenhuma “ajuda que lhe fosse adequada”. De fato, o homem criado por Deus é superior a todas as criaturas e essas não poderiam oferecer a ele nada que o completasse em sua própria natureza como pessoa humana. O homem pode construir uma relação bonita como um animal, mas esse não pode realizar aquilo que somente a mulher que é semelhante a ele, tem condições de realizar.

Deus executa uma ação que revela a grandeza e a profundidade da mulher na vida do homem. Deus poderia simplesmente criar mais uma criatura como fez com outros animais. Mas, desta vez fez diferente. Para deixar claro, a grande importância da mulher na vida do homem, o Criador tira algo do lado do homem (costumamos chamar de costela) e com a parte retirada de Adão, Deus “constrói” a mulher. O homem foi “moldado” da terra para revelar sua origem e condição neste mundo; a mulher é “construída” como parte do próprio homem. Os dois possuem a mesma natureza e estão profundamente ligados entre si.

Ao tirar algo do homem (“costela”), o texto sagrado dá a entender que no homem “lhe falta” algo. Deus poderia ter criado a mulher de algo diferente de Adão, mas lhe retirou uma parte. O casamento – como diz o texto sagrado – é o momento em que essa realidade original (desde a criação do mundo) é recuperada. O homem e a mulher, finalmente, se complementam. Sozinhos, são duas realidades que não são completas. Ambos precisam do matrimônio que é muito mais do que união de corpos, o casamento é se tornar uma “nova pessoa”: as duas partes se completam com a bênção de Deus.

Assim, temos as primeiras palavras do homem dirigidas à mulher. Ele se reconhece na mulher com tudo o que ele é e possui: alguém igual a ele mesmo (“ossos dos meus ossos”). Ele pensa em algo que lhe pertence (“...porque foi tomada do homem”), mas isso é corrigido em seguida: “o homem deixará a casa de seus pais e se unirá a sua mulher”. O homem deverá deixar sua família para construir outra família. E Deus sela esta relação para sempre com a frase que é retomada por Jesus: “E os dois serão uma só carne”. Para encerrar a questão do debate apresentado a Jesus, Ele acrescenta às palavras do Gênesis: “Aquilo que Deus uniu, homem nenhum pode separar”. Este é o projeto de sempre para o homem e a mulher: unir-se para se completar. Assim, o pecado da separação do casal não é somente transgredir normas, mas transgredir o sonho de Deus (Ermes Ronchi).

Ainda completando a teologia sobre o homem e a mulher no livro do Gênesis, o pecado que o casal, posteriormente comete, foi de romper esta relação original (entre si e com Deus). Pecam porque eles não queriam mais ficar na relação entre criatura e o Criador (Deus), eles queriam ser iguais a Deus. Se deixam enganar pela serpente (animal rasteiro e numa escala visivelmente inferior ao casal) que mentindo promete que seriam iguais a Deus Criador, mas o que acontece? Tornam-se iguais aos demais animais: sem nada e nus.

A ação de Jesus no mundo é se igualar a realidade da criatura, inclusive no sofrimento, mas para salvar a todos (2ª leitura), por isso, Ele sempre foi questionado e procurou colocar a pessoa humana no centro de toda Sua ação e de Deus e aqui, ao defender o Matrimônio não faz o contrário. Para Jesus, o divórcio não faz parte do projeto de felicidade para o homem. Matrimônio não é um “estar juntos por um tempo” ou “dividir e morar debaixo do mesmo teto”, mas se transformar em nova pessoa: “uma só carne”. Ambos passam a viver uma única e mesma realidade aos olhos de Deus depois que o homem e a mulher recebem o Matrimônio.

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O divino na complexidade humana

Translator

 

Os textos bíblicos são frutos de um complexo processo redacional que envolveu diferentes autores e destinatários, situados em épocas e contextos específicos, com interesses e estilos literários peculiares. Sendo assim, aproximar-se desses elementos pré-textuais que influenciaram a construção do conteúdo de um livro, ao mesmo tempo em que auxiliam na sua compreensão,  é fundamental para uma interpretação profunda e pertinente da mensagem revelada por Deus ao ser humano. O estudo bíblico requer do teólogo uma postura investigativa de curiosidade histórico-cultural que possibilita sua aproximação do ambiente geográfico, econômico, político, moral e religioso que dá sentido para o enredo de cada passagem. Essa postura investigativa permite, inclusive, que o leitor da Sagrada Escritura estabeleça as convergências e divergências entre a realidade originária do texto e os desafios contemporâneos para os quais ele se destina como luz, uma vez que a palavra de Deus é atual, “é para sempre, ela está firmada no céu” (Sl 119,89).

Todo texto é, na verdade, um instrumento de fala por meio do qual alguém emite uma mensagem para um receptor num dado ambiente, por isso é relevante privilegiar no estudo de uma perícope bíblica a busca pela autoria, pelos destinatários e pelo contexto. Em primeira instância, é o próprio Deus quem pronuncia seu “Eu sou Aquele que é” (Ex 3,14) em todos os versos da Escritura, tratando de se revelar em cada palavra. Como não produziu a Bíblia solitariamente, Deus falou através de homens e mulheres ao longo da história, apropriando-se da linguagem e da cultura humana para se fazer entender por seus interlocutores. Assim, os escritores bíblicos, isto é, os hagiógrafos, são sujeitos individuais e/ou comunitários que possuem fisionomias que devem ser decifradas pela hermenêutica bíblica. O texto está impregnado de características próprias da personalidade de quem o escreveu e/ou das características da comunidade que o redigiu. É prudente usar a expressão “e/ou” porque muitos textos bíblicos não foram compostos por um autor(a), como os títulos sugerem; a grande maioria dos livros revelados, embora nasça da catequese de um patriarca, profeta ou apóstolo, trata-se de um conjunto de obras escritas comunitariamente, observando a primazia cristã da vida eclesial sobre a vida pessoal.

Mesmo havendo fragmentos autenticamente redigidos por Moisés no Pentateuco e cartas integralmente atribuídas a Paulo no Segundo Testamento, por exemplo, há que se considerar a existência de camadas redacionais na maior parte dos textos bíblicos. Essas camadas redacionais sugerem que a versão final de um livro é consequência de inúmeras revisões que comunidades realizaram da catequese que receberam por parte de alguma figura importante da história do povo de Deus. A título de ilustração, o livro de Isaías, embora se origine na pregação do profeta enquanto sujeito histórico que catequizou no Templo de Jerusalém por quarenta anos, a partir de 740 a.C., é formado por três partes que revelam autores diferentes, mostrando que pelo menos três comunidades reinterpretaram, em contextos específicos, num período que se estende por 500 anos, os ensinamentos de Isaías: os capítulos 1-39 compõem o Proto-Isaías (o primeiro livro, chamado “das denúncias”), escrito antes do cativeiro da babilônia (587-538 a.C.); os capítulos 40-55 formam o Deutero-Isaías (o segundo livro, chamado “da consolação”), redigido durante o exílio; e os capítulos 56-66 são o Trito-Isaías (o terceiro livro, chamado “da esperança”), produzido após o cativeiro.

Além disso, há livros pseudepígrafos na Bíblia, ou seja, livros cuja autoria foi atribuída a uma figura notável para que o texto tivesse maior aceitação e circulação entre o povo: o evangelho de Mateus, por exemplo, comumente atribuído ao apóstolo que foi chamado por Jesus enquanto trabalhava na coletoria de impostos (cf. Mt 9,9), originou-se da catequese desse homem, mas não pode ter sido escrito por ele; sendo cobrador, Mateus não tinha os conhecimentos necessários para redigir um texto com tantas citações do Primeiro Testamento e tamanha propriedade no que diz respeito à Lei mosaica, uma vez que trabalhava diariamente com números e não com as letras. Dessa maneira, a hipótese é que o evangelho tenha sido escrito por um rabino convertido ao cristianismo que, para atingir seu público, isto é, a comunidade judaica, publicou o texto em nome do apóstolo que o cativou com seu testemunho e pregação (cf. Mt 13,52).

Entender quem escreveu o texto e quais são seus leitores originários é fundamental para que a mensagem, antes de ser atualizada, seja compreendida em seu contexto primitivo. Para exemplificar isso, tomem-se os evangelhos: a teologia de Marcos deixa claro que ele escreveu, entre os anos 60-70, para uma comunidade de cristãos romanos a fim de convencê-los que Jesus é o Cristo (cf. Mc 1,1), por isso a confissão de que “verdadeiramente este homem era filho de Deus” (Mc 15,39) é posta na boca de um centurião que era chefe do exército de Roma; a mensagem de Mateus é endereçada, entre os anos 70-80, a cristãos vindos do Judaísmo, por isso o autor apresenta Jesus como o novo e definitivo Moisés, que possui raízes semitas (cf. Mt 1) e entrega ao povo mandamentos inéditos, as bem-aventuranças (cf. Mt 5,3-11); a catequese de Lucas é destinada aos pagãos, entre os anos 70-80, uma vez que ele era gentio e anunciava que a salvação em Cristo é universal, é para o pobre (cf. Lc 2,8), para o romano (cf. Lc 7,1-10), para as mulheres (cf. Lc 8,1-3), para os samaritanos (cf. 10,29-37) etc; já a pregação de João visava atingir, entre os anos 90-100, os cristãos gregos que, educados segundo a filosofia clássica, precisavam corrigir desvios doutrinários e identificar Jesus com a sabedoria que tanto buscavam racionalmente, mas que só encontrariam na pessoa e na obra do Filho de Deus encarnado (cf. Jo 1,14).

Essa complexidade de elementos (autoria, destinatários, época e interesse) que pré-textualizam o gênero literário chamado evangelho, encontra-se em todos os demais livros bíblicos, fazendo surgir diferentes tipologias textuais. Como uma grande biblioteca, a Sagrada Escritura possui livros narrativos (cf. Gn e At), legislativos (cf. Lv e Dt), poéticos (cf. Sl), dramatúrgicos (cf. Est e Tb), sapienciais (cf. Sb e Prov), apocalípticos (cf. Dn e Ap), cronológicos (cf. Nm), proféticos (cf. Am e Os), epistolares (cf. Rm e Pd) enfim. A existência de múltiplos gêneros de textos na Bíblia é mais uma evidência de que a revelação de Deus se deu no emaranhado cultural do ser humano, de forma que identificar a classificação literária de um texto é importante para extrair sua intencionalidade e assimilar, como profundidade, sua teologia. Todos os elementos pré-textuais apresentados são para a revelação aquilo que a encarnação é para o Filho de Deus: assim como a Palavra Eterna do Pai assumiu a totalidade da natureza humana, com exceção do pecado, a mensagem divina assimilou a complexidade comunicativa do homem, aceitando ser transmitida por autores diversos, para destinatários específicos, em contextos e tempos diferentes, através de múltiplas tipologias literárias, sem, com isso, perder sua universalidade (cf. Sl 119,89) e sua unidade que é garantida pela verdade da Palavra (cf. Sl 119,160).

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