Clero de Pouso Alegre se reúne para encontro com o tema: ‘’Padres em uma Igreja Sinodal’’
No dia 27, o clero de Pouso Alegre teve a oportunidade de participar de um encontro enriquecedor, promovido pela Coordenação de Pastoral.
O Pe. Adriano São João, doutor em Teologia, conduziu o evento, abordando o tema "Padres em uma Igreja Sinodal" com base em obras significativas. Através da análise de obras como "Diário de um pároco de aldeia", de Georges Bernanos, "O curador ferido: o ministério na sociedade contemporânea", de Henri Nouwen, e a "Carta aos Párocos", do Papa Francisco, o assessor inspirou os presentes a superar desafios como tédio e solidão e aprimorar sua missão na Igreja.
Georges Bernanos, autor de "Diário de um pároco de aldeia", retrata a vida sacerdotal com sensibilidade e realismo, evidenciando as dificuldades e as alegrias do ministério pastoral. Através da história do padre protagonista, somos levados a refletir sobre a importância do serviço desinteressado à comunidade e a perseverança diante das adversidades. Bernanos nos mostra que, apesar das lutas internas e externas, o papel do padre é fundamental na construção da fé e na orientação espiritual dos fiéis.
Henri Nouwen, em "O curador ferido: o ministério na sociedade contemporânea", destaca a necessidade de os líderes religiosos cuidarem de si mesmos para poderem cuidar dos outros. O autor ressalta a importância do autocuidado, do acolhimento das fragilidades e da busca pela comunhão com Deus e com a comunidade. A obra de Nouwen serve como um lembrete poderoso para os ministros sobre a importância de equilibrar o serviço pastoral com o cuidado pessoal, a fim de desempenharem seu ministério de forma saudável e eficaz.
Por fim, a "Carta aos Párocos", do Papa Francisco, traz reflexões sobre a missão dos sacerdotes na Igreja atual. O Santo Padre destaca a importância do testemunho de vida, da proximidade com os fiéis e da abertura ao Espírito Santo para uma atuação pastoral frutuosa. As palavras do Papa Francisco ressoam como um chamado à autenticidade, à humildade e à coragem no exercício do ministério, inspirando os padres a serem verdadeiros pastores do rebanho de Cristo.
Em suma, o encontro promovido pelo Pe. Adriano São João foi uma oportunidade valiosa para os membros do clero de Pouso Alegre refletirem sobre sua missão e renovarem seu compromisso com a Igreja. Ao explorar as obras de Bernanos, Nouwen e as palavras do Papa Francisco, os participantes foram incentivados a buscar a excelência no serviço pastoral, a cultivar a espiritualidade e a promover a comunhão na comunidade eclesial. Que cada padre, diácono e seminarista presente possa se inspirar nessas reflexões e se fortalecer em sua vocação, para serem verdadeiros instrumentos de Deus na construção do Reino.
Texto e imagens: Padre Júlio César dos Santos Júnior.
#Reflexão: 22º Domingo do Tempo Comum (01 de setembro)
A Igreja celebra o 22º domingo do Tempo comum, neste domingo (01). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Dt 4,1-2.6-8
Salmo: 14(15),2-3ab.3cd-4ab.5 (R. 1a)
2ª Leitura: Tg 1,17-18.21b-22.27
Evangelho: Mc 7,1-8.14-15.21-23
JESUS TORNA PURO TODAS AS COISAS
Os textos bíblicos deste domingo nos ajudam a refletir sobre a nossa fé, mas principalmente sobre a nossa religião. O confronto entre Jesus e os representantes da religião oficial revela a distância entre eles, mas principalmente como eles viviam de modo totalmente diferente a mesma fé.
Retomamos, neste domingo, a caminhada proposta pelo Evangelho de Marcos. Foram 5 domingos refletindo o capítulo 6º de São João. O contexto anterior ao Evangelho deste final de semana de São Marcos nos mostra Jesus anunciando o Reino de Deus na Galileia, região que está no limite de Israel. A fama de Jesus logo se espalhou e chegou até a Cidade Santa, Jerusalém. As autoridades religiosas ficaram curiosas no início, mas logo a curiosidade se tornou ódio, pois o jovem pregador da Galileia se revelava diferente em princípios e na prática da religião oficial. Jesus foi acusado até de operar milagres em nome de divindades pagãs. Mas, nada abalou Jesus que continuava sua missão.
No Evangelho deste domingo, os fariseus e os escribas resolveram se deslocar da Cidade Santa e acompanhar Jesus na periferia da Terra Santa, Galileia, mas na intenção de flagrar algum erro ou desvio em relação à religião oficial, e eles acharam. Acusaram os discípulos de Jesus de não seguir as tradições dos antigos em relação à purificação das mãos (não se trata de questão de higiene, mas de ritual). Ao questionar os discípulos, eles estavam diretamente colocando em dúvida os ensinamentos do Mestre Jesus. Marcos dá alguns exemplos sobre costumes judaicos, pois seus leitores da época, possivelmente, não conheciam essas práticas religiosas.
A crítica feita contra Jesus revela a imensa distância que existia entre Jesus e aqueles que defendiam a religião oficial. Nosso Senhor não pertencia a nenhum grupo judeu, não era da linhagem sacerdotal, não estava pregando em Jerusalém e nem no Templo; Jesus estava longe dessas estruturas religiosas que, infelizmente, tinham se esquecido do essencial em uma religião: a misericórdia e as pessoas.
O Mestre Jesus não classificava quem se aproximava Dele como puro ou impuro, pecador ou santo, pobre ou rico, religioso ou pagão; Ele acolhia “pessoas” e lhes oferecia o melhor que podia dar: seu perdão, curas, bênçãos, palavras de vida ou simplesmente abraçava a todos. Cristo, verbo encarnado, queria semear a presença de Deus no coração das pessoas. Jesus acreditava que o contato com o Amor de Deus faria a transformação necessária nos corações das pessoas.
Na missão de Jesus, a pessoa humana ocupava o centro de tudo e por isso, Ele rompia barreiras que tinham sido criadas para separar, excluir e humilhar homens e mulheres. Jesus é o “Deus próximo” mencionado na primeira leitura, Deus que se deixa tocar e abraçar, Deus capaz de transformar a vida das pessoas.
Os religiosos vindos de Jerusalém representavam a religião oficial e se sentiam na autoridade de questionar Jesus em relação às tradições que, para eles, eram fundamentais. Ao responder a eles, Jesus demonstra sua tristeza, pois estavam preocupados com costumes criados por homens e não por Deus.
A religião judaica no tempo de Jesus tinha se tornado um peso para quem quisesse realmente praticá-la. Eram mais de 600 preceitos, normas e proibições que o fiel deveria saber e praticar; somando-se a isto, deveria praticar inúmeros costumes e tradições, como aqueles mencionados no Evangelho relacionados a rituais de purificação. Uma religião feita de vários detalhes que era quase impossível para alguém seguir. Eles acreditavam que bastava a prática destes preceitos para que o fiel se sentisse justificado (santo) diante de Deus.
O judaísmo daquela época tinha se perdido em rituais perfeccionistas que somente traziam angústia e frustrações às pessoas, pois bastava o esquecimento de um simples detalhe para que o judeu se sentisse excluído ou em pecado. Uma religião onde as pessoas não contavam tanto, mas sim, as normas e os costumes.
Jesus se encontrava completamente distante desse mundo religioso dos escribas, sacerdotes e fariseus com seus rituais e costumes. Sem abandonar a religião judaica, o Mestre Jesus procurou concentrar-se nas pessoas que eram marginalizadas e desprezadas pelos representantes da religião oficial. Nosso Senhor não foi um rebelde ou revolucionário, alguém que quis desfazer da religião, mas procurou viver tudo aquilo que era importante e fundamental no judaísmo, mas deixou de lado costumes que atrapalhavam se aproximar das pessoas. Citando o profeta Isaias, Jesus chama aquele grupo de hipócrita: louvam a Deus somente com palavras e não com o coração.
De fato, “coisas” e alimentos não são nem puros ou impuros e não são capazes de deixar alguém em pecado, pois este mal existe é no coração das pessoas e não em objetos e coisas. Voltando-se para os discípulos (não fala mais aos escribas e fariseus, pois sabia que seria inútil), Jesus decreta tudo como puro e explica que nada exterior (tocado ou ingerido) pode tornar uma pessoa impura ou pecadora. De fato, tudo é obra de Deus e são simples criaturas que não têm o poder de tornar alguém indigno diante de Deus. Para Jesus o que mancha alguém de pecado é aquilo que sai do coração e da mente das pessoas. Os pecados – e Jesus cita alguns no Evangelho – esses sim saem de dentro das pessoas e as tornam impuras e pecadoras. Observando a lista apresentada por Jesus se nota que são pecados que acontecem no interior do ser humano e que atingem o próximo. Maldades que ferem e destroem o relacionamento com o próximo e não tanto contra Deus.
Percebe-se que Jesus não obrigava seus discípulos a seguir costumes e tradições que foram criados pelos homens e não são da vontade de Deus. O Mestre Jesus era uma pessoa livre e seguro sobre o essencial em relação a Deus e ao próximo, seus discípulos escolheram segui-Lo, mesmo sendo algo questionado pelos representantes oficiais da religião da época.
Assim, Jesus ensina uma nova religião onde não existe mais desculpas de algo externo que torna impuro ou pecaminoso, mas uma religião onde tudo nasce de dentro de cada pessoa. A maldade no coração das pessoas é que estraga tudo inclusive a própria religião. As leis e os Mandamentos (1ª leitura) devem nos ajudar a praticar e a viver o amor de Deus, sem excluir ninguém e amando a todos.
Na religião de Jesus, cada pessoa ocupa o centro de tudo e tem como lugar privilegiado o coração de cada um, lugar do encontro com Deus bem como lugar a ser curado dos pecados. O coração é o centro da pessoa e também dali é que nascem os bons propósitos; dentro de cada pessoa nascem as boas intenções da verdadeira religião que vai de encontro e acode a todas as pessoas, principalmente, aquelas que são as mais vulneráveis.
Tiago, na 2ª leitura, faz uma crítica semelhante ao Evangelho quando diz que é fundamental que não sejamos somente ouvintes da Palavra, meros escutadores da Boa Nova. A religião verdadeira que Deus espera de todos nós, é aquela em que a Palavra escutada se transforma em gestos concretos e em caridade. Tiago cita algumas pessoas necessitadas do seu tempo que precisavam de ajuda como os órfãos e as viúvas, hoje temos outras realidades humanas que também precisam experimentar o amor de Deus através de nossos gestos cristãos. Precisamos cada vez mais de uma religião do encontro sem preconceitos e vivendo intensamente o amor, esta é a religião que devemos viver sempre!
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Dom Majella realiza visita pastoral à Paróquia São João, em Pouso Alegre
Seguindo as normas do direito canônico, a visita pastoral visa proporcionar ao bispo a oportunidade de se aproximar mais da comunidade, permitindo-lhe conhecer diretamente sua realidade e vivência paroquial. Na Paróquia São João, essa visita ocorreu de 22 a 25 de agosto.
Segundo Dom Majella, essa experiência se desdobra em três etapas distintas:
- Interação com a Sociedade Local: O bispo inicia sua visita conhecendo a realidade da comunidade ao percorrer comércios e instituições locais, a fim de entender melhor o contexto e as necessidades da população.
- Revisão de Documentação Paroquial: O bispo visita a secretaria paroquial para verificar os registros dos livros de tombo, casamentos, batizados e crismas, assegurando que todos os documentos estejam em ordem e atualizados.
- Interação com Lideranças da Paróquia: Por fim, o bispo se encontra com as lideranças da paróquia, incluindo representantes da juventude, crianças, pastorais e comunidades. Nesse momento, ele tem a oportunidade de ouvir os conselhos dos Conselhos de Pastoral e Administrativo, promovendo um diálogo construtivo e colaborativo para o desenvolvimento das atividades paroquiais.
“Venho contemplar a caminhada da comunidade. São João é uma paróquia que vive uma interação de comunhão das comunidades. E isso me alegra, porque eu já tenho conhecimento da Paróquia São João, mas agora estou conhecendo as pessoas, participando junto, traz um ar de família e é isso que eu vim selar”, pondera Dom Majella.
O bispo visitou todos os cinco setores da paróquia, mergulhando na história de cada uma das 15 comunidades, cuja narrativa foi compartilhada através dos registros de memória viva dos próprios paroquianos. Durante sua visita, conheceu alguns dos comércios mais antigos do bairro, abençoou e transmitiu seu carisma a todos os colaboradores. Além disso, teve a oportunidade de visitar os artesãos locais e se encantou com os produtos por eles criados.
O bispo visitou três instituições de ensino, onde foi calorosamente recebido com carinho e atenção. Em um ambiente alegre e descontraído, ele incentivou as crianças a participar de um bate-papo informal e enriquecedor. Dom Majella aproveitou a oportunidade para compartilhar uma mensagem especial: “O pedido que faço a vocês é que amem sua família. Não deixem de conversar com seus pais sobre tudo, tanto as coisas boas quanto as dificuldades. Contar como foi seu dia é uma forma de demonstrar seu amor e valorizar sua família”, destacou ele.
Durante sua visita aos estabelecimentos de saúde no bairro, Dom Majella ressaltou: “Ajam em nome da ciência sob o agir de Deus, confortem os doentes e não se esqueçam de cuidar dos pobres “. Com o mesmo espírito de serviço, o bispo também visitou alguns doentes residentes na área, oferecendo-lhes seu cuidado e bênção.
O encontro com a catequese foi repleto de animação, homenagens e euforia por parte da comunidade. Nosso pastor acolheu todos com carinho e cortesia, e registrou sua visita em todos os lugares por onde passou, atendendo a todas as solicitações para selfies.
Com os jovens, o ambiente foi igualmente vibrante. O carisma de Dom Majella facilitou um diálogo aberto e sincero, no qual ele compartilhou a trajetória de sua vocação, que, segundo ele, se desenvolveu ao longo do tempo. “Nada de extraordinário aconteceu; apenas ingressei no seminário e permiti que a ação de Deus se manifestasse em minha vida”, ressaltou Dom Majella. Ele incentivou os jovens a buscar a unidade com a comunidade, tendo Jesus como o centro de suas vidas.
Dom Majella reuniu-se com os Conselhos Paroquial Pastoral (CPP) e Paroquial para Assuntos Econômicos (CPAE), onde revisou os livros de registro na secretaria paroquial. Além disso, participou de um encontro com a Pastoral da Família, ouvindo os testemunhos de diversos casais que compartilharam suas experiências de fé.
José Henrique Gonçalves Siqueira, coordenador do CPP, expressou a alegria de participar da visita pastoral em nossa Paróquia São João Batista: “Imensa alegria participar da visita pastoral em nossa Paróquia São João Batista. Dom Majella, com profundo carisma de Pastor, a serviço de todos demonstrou aos fiéis da Paróquia que vale a pena perseverar na caminhada de fé, mesmo entre todos os obstáculos. Ele nos deixou claro, para que nós possamos seguir em frente e colocarmos o Cristo no centro de nossas vidas. Que o Espírito Santo possa conduzi-lo sempre. Um grande abraço ao nosso pastor”
Nosso vigário paroquial, Pe. José Luiz Faria Júnior, refletiu: “Como o próprio arcebispo disse na abertura da sua Visita Pastoral em nossa Paróquia São João Batista, ela ‘é um tempo de graça e missão’. É isso que presenciamos nesses dias em que ele esteve conosco. Ele conheceu mais de perto a realidade dos fiéis, das comunidades, pastorais, movimentos e ministérios, sempre incentivando a vivência da fé e o fortalecimento da comunhão. Pôde também conhecer e dialogar com algumas instituições presentes no território da paróquia, na área da educação, saúde e comércio. Que esta visita de nosso pastor Dom Majella nos anime na missão de evangelizar e servir ao Reino de Deus”.
O pároco, Pe. Edson Aparecido da Silva, destacou que a visita pastoral foi um momento de união, diversidade e de revelação da realidade da paróquia em suas dimensões religiosa e social. “A metodologia proposta pelos leigos que estiveram à frente da organização da visita pastoral foi propor ao bispo uma linha do tempo, onde pode ter contato com os moradores antigos do bairro e depois a memória viva de cada setor de comunidades e pastorais visitados. Destaco a presença dele no setor industrial, no setor da educação, onde conheceu as três dimensões existentes no bairro: educação infantil, Ensinos Fundamental e Médio. No âmbito da saúde, nosso pastor percorreu as unidades do bairro e teve contato com as agentes que visitam os moradores: um testemunho profético que mostrou a realidade mais simples e pobre da nossa comunidade”, explica.
Outro aspecto significativo da visita, conforme destacou Pe. Edson, foram os encontros com lideranças, jovens, famílias, catequese, pastorais e apostolado. “Foram momentos de reacender a chama do espírito comunitário. A visita pastoral é o encontro entre irmãos comprometidos com a evangelização. As reuniões técnicas do Conselho, CPP e as demais reuniões formais, demonstramos que somos uma paróquia que tem problemas, limites, mas temos um grupo de leigos consciente que reflete a dimensão pastoral” salienta Pe Edson.
Em sua despedida, Dom Majella expressou sua gratidão pelas experiências compartilhadas. . “Agradeço a todas as experiências lindas que pude aqui viver. A fé que vocês cultivam é grande. Uma fé corajosa que enfrenta muitos desafios. O que nos fortalece é a palavra de Deus. Que sejamos a voz de Deus por onde passarmos. Não tenhamos medo, porque levamos esse mistério no nosso coração”, concluiu.
Quem organiza a visita pastoral
O coordenador de Pastoral da Arquidiocese realiza uma visita prévia às paróquias para avaliar a realidade de cada comunidade. Ele se encontra com o Conselho Pastoral Paroquial (CPP) e o pároco, coletando dados estatísticos, pastorais, habitacionais e econômicos da paróquia.
Seis meses antes da visita pastoral, o bispo realiza uma reunião com as paróquias que receberão a visita, a fim de preparar o encontro de forma mais detalhada.
A escolha da paróquia que receberá a visita
Em nossa Arquidiocese, as visitas pastorais têm sido realizadas desde 2016. Compostas por 70 paróquias distribuídas em 50 municípios, a Arquidiocese abrange mais de 1.230 comunidades, tanto urbanas quanto rurais, organizadas em setores.
Em 2020, as visitas pastorais foram interrompidas devido à pandemia, mas foram retomadas em 2024, com a Paróquia de São João sendo a primeira a receber a visita.
Segundo Dom Majella, resta apenas o Setor Mandu para ser visitado. Para este ano, estão previstas as visitas às paróquias de São José do Pantano e São Cristóvão, enquanto as visitas às demais paróquias estão agendadas para 2025 em diante.
Confira alguns momentos desta visita:
Texto: Cristiane Reis da Silva Costa revisado por Lidiane brito.
Imagens: Paroquianos e parceiros da Paróquia São João.
Colégio São José sedia Concentração Arquidiocesana do Apostolado da Oração
No último domingo, 25 de agosto, o Colégio São José em Pouso Alegre sediou a Concentração Arquidiocesana do Apostolado da Oração – Rede Mundial de Oração do Papa.
O evento foi um dia dedicado à oração, à formação e à convivência fraterna entre zeladoras e zeladores de toda a arquidiocese. Contou com a cooperação da equipe arquidiocesana formada pelas zeladoras Fátima Renó (coordenadora), Rosana Rennó (secretária) e Francisca Rennó Moreira (coordenadora emérita), além do Diretor Espiritual padre Francisco Carlos, e a colaboração de vários outros membros da paróquia.
A concentração reuniu mais de setecentas pessoas e contou com a visita do nosso arcebispo Dom José Luiz Majela. As palestras foram ministradas pelo Diretor Nacional da Rede Mundial de Oração do Papa, padre Eliomar Ribeiro S.J., que abordou a história centenária do Apostolado da Oração e os fundamentos de sua espiritualidade, incluindo os “nove passos do caminho de coração”. Esses passos são diretrizes para aprofundar a vida espiritual e fortalecer o compromisso com a oração pelas preocupações do Papa.
O Apostolado da Oração, conhecido no Brasil pelo uso de uma fita vermelha, é um serviço de oração pelos interessados do Papa que começou em 1844 na França, dentro da Companhia de Jesus. Neste mês de agosto, a intenção de oração do Papa é para que “os líderes políticos estejam ao serviço do seu povo, trabalhando pelo desenvolvimento humano integral e pelo bem comum, cuidando daqueles que perderam o emprego e dando prioridade aos mais pobres.
Confira alguns momentos deste dia:
Texto: Lidiane Brito.
Imagens: Edilene Coutinho – Pastoral da Comunicação.
Setor Sapucaí realiza a 13ª Romaria das Comunidades
No domingo, 26 de agosto de 2024, na cidade de Santa Rita do Sapucaí foi realizada a 13ª Romaria das Comunidades do Setor Sapucaí. O evento começou às 14h na quadra do Colégio Tecnológico Delfim Moreira, com uma reflexão sobre as eleições e a CF 2024, conduzida por Rita Bittencourt, membro da Comissão Vida Plena.
Depois da reflexão, os participantes iniciaram uma caminhada em direção ao Santuário de Santa Rita de Cássia. Lá aconteceu a celebração eucarística, que foi presidida pelo Pe. Leandro Edeval, coordenador do setor.

O evento terminou com um lanche no salão Dom João Borges, onde todos puderam se confraternizar e celebrar o sucesso da ocasião. O ambiente descontraído permitiu que os participantes trocassem experiências e fortalecessem laços, encerrando a atividade de forma agradável e memorável.
Confira alguns momentos deste dia:
Texto: Lidiane Brito.
Imagens: Emanuelle Melo – Pastoral da Comunicação.
#Reflexão: 21º Domingo do Tempo Comum (25 de agosto)
A Igreja celebra o 21º domingo do Tempo comum, neste domingo (25). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Js 24,1-2a.15-17.18b
Salmo: 33(34),2-3.16-17.18-19.20-21.22-23 (R. 9a)
2ª Leitura: Ef 5,21-32
Evangelho: Jo 6,60-69
JESUS, SÓ TU TENS PALAVRA DE VIDA ETERNA
Não é fácil seguir Jesus procurando cumprir a sua vontade e palavras. O Evangelho deste 21º domingo do Tempo Comum encerra a sequência de quatro domingo sobre o discurso do Pão da vida. Tudo iniciou com o milagre da partilha que Jesus promoveu a partir da doação de cinco pães e dois peixes. Depois que todos ficaram saciados, a multidão queria proclamá-Lo rei, pois assim eles teriam assegurado todas as necessidades materiais de que precisavam. Mas, Jesus rompe com esta lógica de somente buscar as coisas deste mundo. Ele se retira sozinho e deixa a multidão.
Domingo passado, a liturgia deu espaço a grande celebração da Assunção de Maria ao céu em corpo e alma. Um fato para a vida de Maria e esperança para todos nós que – segundo a promessa de Jesus – um dia também nós iremos fazer parte. Dessa forma, não tivemos oportunidade de ver o terceiro texto sobre Jesus como verdadeiro Pão descido do céu. É a passagem que encontramos em Jo 6,51-58.
Este terceiro texto sobre a Eucaristia é o momento central do discurso de Jesus e por isso, mais exigente e polêmico para aqueles que estavam ouvindo Jesus. Depois de provocar a fé de todos ao afirmar que Ele é o Pão descido do céu capaz de dar a vida eterna, Jesus afirma com determinação que é necessário comer de sua carne e beber do seu sangue para se ter a vida eterna. Para não ter dúvida, Cristo ainda reforça que sua carne é verdadeira comida e seu sangue é verdadeira bebida. Expressões e palavras que espantaram a todos. Para o judeu, o sangue era algo quase sagrado e se acreditava que nele estava a vida, por isso, não se podia nem tocar nele, quanto mais, “beber” o sangue de uma pessoa.
Jesus falava não do ato físico de comer sua carne e beber o seu sangue. Para o evangelista São João e a sua comunidade, Cristo Jesus não era somente uma pessoa, mas uma única realidade com Deus Pai (“Eu e o Pai somos um” – Jo 10,30). Assim, as palavras de Jesus se concretizaram em dois momentos de sua vida: na Última Ceia e na Cruz. Na Quinta-feira Santa, Jesus criou a Eucaristia onde diz claramente sobre o Seu Corpo que Ele dá a todos como alimento e o Seu Sangue como bebida; nas espécies do pão e do vinho, Nosso Senhor nos deixou a forma de recebê-Lo plenamente em nós.
A Eucaristia, como afirma o próprio Jesus, é a atualização até o final dos tempos do seu Sacrifício Salvífico da Cruz. Assim, a Santa Comunhão é o próprio Cristo que se perpetua em nosso meio e que quer nos transformar de dentro para fora.
São João no Evangelho deste domingo nos apresenta a grande decepção que Jesus teve com o abandono de praticamente todos que o procuraram somente buscando obter coisas materiais. O evangelista nos diz que a multidão de 5.000 homens resolveu ir embora e até mesmo discípulos acharam que aquelas palavras “eram duras demais”. A decepção não veio dos fariseus ou opositores judeus, mas entre os seus próprios discípulos, que O seguiam de um tempo e de vários lugares.
O Mestre que seguiam mostrou a necessidade de uma profunda comunhão. Uma ligação que traz na base o essencial para todos: carne e sangue. Era preciso assumir Jesus em sua totalidade e profundidade, um pacto de vida onde Jesus doa-se completamente, mas era necessário que todos o assumissem completamente (sua carne e seu sangue). Mas, as pessoas queriam somente alguém para lhes fornecer alimento para este mundo e para esta realidade, não algo tão exigente.
Na 1ª leitura, vemos Josué que provoca o povo de Deus após as conquistas na Terra Prometida. É um texto no final do livro de Josué, depois que, praticamente, tinham realizado todas as batalhas para tomar posse da Terra Prometida, mas não poderiam se limitar a essas coisas materiais. O líder do povo de Deus que substitui muito bem Moisés, precisava ouvir de todos, qual deus todos queriam servir. Não somente acreditar, mas servir; não somente esperar de Deus, mas se colocar como servo, sem exigir, obedecendo sempre. Antes de esperar a resposta do povo, Josué deixa claro que ele e sua família iriam servir a Deus, depois o mesmo diz o povo.
Jesus no Evangelho pede um gesto semelhante e profundo. Não uma fé cega que não se sabe no que crê, mas uma fé profunda que coloca a confiança em Jesus.
Josué lembra a grandeza de Deus que ele quer servir. Jesus já tinha mostrado quem Ele era, bastava agora a fé incondicional de todos.
De fato, as palavras de Jesus exigem uma fé plena em sua pessoa, em quem Ele realmente é e não somente no que Ele é capaz de fazer. Uma fé em Deus somente na abundância das coisas é fácil; a fé verdadeira e necessária para a vida eterna deverá brotar não das cestas abundantes de pão e peixe, mas da Cruz onde Jesus se entrega completamente e derrama o seu sangue.
É bem provável que na comunidade de João, havia pessoas que não aceitavam a Eucaristia como o próprio Corpo e Sangue de Cristo Jesus. Talvez negassem a realidade humana e até mesmo o sacrifício da Cruz. Cristãos que tinham dificuldade em relação à carne doada por Jesus, pois viam nela uma realidade de pecado e fraqueza. Mas, o autor do quarto Evangelho confirma a fé da Igreja que a mesma carne doada e recebida na Eucaristia, foi também assumida na Encarnação do Verbo. Vida humana assumida em sua totalidade (não na aparência), vivida intensamente e entregue complemente para ser assumida por seus discípulos na Eucaristia.
Nunca ninguém tinha falado de Deus assim: um Deus que não derrama sangue, derrama o seu sangue; um Deus que vai morrer de amor, que se faz pequeno como um pedaço de pão e se torna alimento para o ser humano. A religião das práticas externas, dos ritos, das obrigações se foi, esta é a religião de ser um com Deus: eu nele, ele em mim (Ermes Ronchi). Um Deus, um Messias ao contrário que se faz fraco, frágil (Enzo Bianchi) e deixa ser atingido pela maldade humana e não reage com violência, mas com total amor. Um Deus que se rebaixa e se torna acessível a todos, desde os mais pequeninos para transformar a humanidade a partir de uma mesa onde o Pão e o Vinho, seu Corpo e seu Sangue são divididos e assumidos por todos.
Assumir uma profunda realidade de comunhão e entrega; de serviço a Deus e ao próximo. Realidades que devem traçar a identidade do cristão no mundo de hoje, como Paulo lembrou sua comunidade na 2ª leitura onde o marido deve amar sua esposa como Cristo amou sua igreja; e as mulheres viver numa profunda entrega, união e comunhão com os seus maridos.
João retrata que o discurso de Jesus foi um momento decisivo para perceber quem realmente queria segui-Lo plenamente e não por motivos materiais. O grupo se reduziu aos doze discípulos. No entanto, eles mesmos foram questionados por Jesus se não queriam também ir embora. Jesus não iria abrir mão de nada do que disse. Não iria “dar um jeitinho” e mudar algo que falou sobre o comprometimento a toda sua vida e ensinamento para ficar, pelo menos, com os seus apóstolos. A resposta de Pedro deve ser sempre a nossa: “Somente tu tens palavra de vida eterna!”.
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Província Eclesiástica de Pouso Alegre lança cartilha de orientação política


O período eleitoral exige de nós um compromisso sério de discernimento. É fundamental ter critérios sólidos para fazer uma escolha consciente, visando o bem comum.
Com isso em mente, a Província Eclesiástica de Pouso Alegre (Arquidiocese de Pouso Alegre, Diocese da Campanha e Diocese de Guaxupé) apresenta a Cartilha de orientação política, um recurso valioso para auxiliar no discernimento político individual e comunitário.
Explore a Cartilha, leia, ore, estude, tanto sozinho quanto em grupo, e compartilhe com seus contatos
Para ter acesso clique aqui
Encontro com representantes dos Comipas acontecerá em setembro
‘Ide, convidai a todos para o banquete’ (Mt 23, 9)
Ao escutar o convite de Jesus Cristo neste trecho do Evangelho que guiará o mês missionário deste ano de 2024, o Conselho Missionário Arquidiocesano (Comidi) organizará um Encontro com os representantes dos Conselhos Missionários Paroquiais para um momento de formação e experiência missionária que ocorrerá no dia 15 de setembro (Domingo), na Paróquia São Sebastião, no Bairro Cidade Jardim, em Pouso Alegre, das 7h30min às 16h.
Conselho Missionário Arquidiocesano (COMIDI)
Diáconos serão ordenados presbíteros
A nossa Arquidiocese está feliz com a ordenação presbiteral dos diáconos Dioni Acácio da Silva, Tainan Francisco de Paula e Valter Virgínio Pereira. E já pede orações pelos futuros padres.
A ordenação do diácono Valter acontecerá no dia 19 de outubro de 2024, às 9h30, na Igreja Nossa Senhora de Fátima - Distrito Fernandes - Tocos do Moji (MG).
A ordenação do diácono Tainan será no dia 07 de dezembro de 2024, às 9h30, na Igreja Matriz Nossa Senhora de Fátima - Santa Rita do Sapucaí (MG).
A ordenação do diácono Dioni será no dia 21 de dezembro de 2024, às 9h30, no Santuário Arquidiocesano de Santa Rita de Cássia- Santa Rita de Caldas (MG).
Vamos rezar por eles e pelas vocações.
#Reflexão: Solenidade da Assunção de Nossa Senhora (18 de agosto)
A Igreja celebra a Solenidade da Assunção de Maria, neste domingo (18). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Ap 11,19a;12,1-6a.10ab
Salmo: 44(45),10bc.11.12ab.16 (R. 10b)
2ª Leitura: 1Cor 15,20-27a
Evangelho: Lc 1,39-56
FESTA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA
O que é específico do cristianismo é a esperança da ressurreição, a certeza de que a morte não tem a última palavra sobre a humanidade e de toda a criação, como nos diz São Paulo: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que morreram” (1Cor 15,20); Ele é “o primogênito entre os que morreram” (Cl 1,18), foi Ele quem nos abriu o caminho e agora nos espera no Reino. Contudo, devemos reconhecer a nossa enorme dificuldade em aderir a esta realidade, da qual cada Eucaristia é um memorial. Em outras palavras, acreditamos realmente na vida eterna que nos espera após a nossa morte?
A festa da Assunção da Virgem Maria, da sua passagem deste mundo para o Pai, está no centro desta questão. Na tentativa de lhe responder, a Igreja indivisa compreendeu desde os primeiros séculos que em Maria, mãe do Ressuscitado, mulher que consentiu em si mesma o “maravilhoso intercâmbio” entre Deus e a humanidade, meta que espera cada ser humano, nela tudo foi antecipado: a assunção de tudo o que é humano e de cada ser humano na vida de Deus, para sempre: “Deus, tudo em todos” (1Cor 15,28). E assim, a grande Tradição da Igreja foi gradualmente proclamando Maria para além da morte, naquela outra dimensão da existência que só sabemos chamar de “céu”: Maria é a terra do céu, é as primícias e imagem da santa Igreja nos céus!
Afirmar isto sobre Maria não exige a realização de investigações complexas sobre o acontecimento da sua morte. Pelo contrário, para quem tem “um coração capaz de escutar” (cf. 1 Reis 3,9), basta ir ao início da história de Maria: o encontro entre Isabel e Maria, celebrado por esta última com o canto do Magnificat (Evangelho desta solenidade). É um texto de profundidade inesgotável que nos diz algo muito simples e fundamental: a vida eterna para cada um de nós começa aqui e agora, na medida da nossa capacidade de amar e ser amado, um amor que manifesta a verdade de nossa fé e nossa esperança.
Depois do anúncio da encarnação recebida do anjo, ao qual ela respondeu: “Aqui estou, sou a serva do Senhor, cumpra-se em mim a sua Palavra” (Lc 1,38), sem qualquer hesitação Maria que já carregava Jesus no ventre, vai ao encontro da sua prima Isabel; ela é animada pelo desejo de estar próxima de uma mulher idosa e que era estéril, mas a prima estava grávida, pela misericórdia de Deus, para quem nada é impossível (cf. Lc 1,37; Gn 18,14). O amor da jovem virgem de Nazaré enche a idosa Isabel do Espírito Santo, isto é, de amor, que reconhece prontamente a origem desta circulação de amor na fé de Maria: “Bem-aventurada aquela que acreditou que as palavras do Senhor são cumpridas!” (Lc 1,42).
Maria responde a esta aclamação entoando o Magnificat, isto é, lendo na sua vida as maravilhas operadas nela por Deus, as grandes obras de salvação resumidas e recapituladas no fragmento da sua existência; a sua exultação sabe abrir-se ao “ainda não” daquela justiça que só será completa no Reino, quando finalmente os famintos serão saciados de bens e os últimos serão os primeiros... Tudo isto está enraizado em algo muito concreto. Maria reconhece sobre ela o olhar amoroso de Deus: “Deus olhou para a humildade, para a pequenez da sua serva” (Lc 1,48), com aquele amor que só pede para ser acolhido. Não seria, talvez, este amor também capaz de nos chamar a todos de volta à vida sem fim, para transfigurar os nossos corpos de miséria em corpos de glória (Fl 3, 21)?
Sim, a fé de Maria e o seu amor, um amor que atua concretamente pelos outros porque foi vivido concretamente nela mesma, dizem melhor do que muitas palavras a sua capacidade de vida plena, aquela vida que não se esgota aqui na terra. Este tornar-se carne do amor de Deus e esta entrada de toda carne no espaço de Deus é o que devemos lembrar quando cantamos o Magnificat. É isto que devemos viver e esperar todos os dias, para nós e para todos.
Tanto para a Igreja do Oriente como para a Igreja do Ocidente cristão, a “Assunção de Maria” (ou “Dormição de Maria”) é um sinal das “realidades últimas”. Um sinal da plenitude que anseiam os nossos limites: nela sentimos a glorificação que espera todo o mundo no fim dos tempos, quando “Deus será tudo em todos” (1Cor 15,28). É a porção da humanidade já redimida, figura daquela “terra prometida” à qual somos chamados, uma faixa de terra transplantada para o céu, como diz um hino da Igreja Ortodoxa Sérvia que canta Maria como “terra do céu”, mas uma terra redimida, semelhante a Cristo, transfigurada graças às energias do Santo Espírito, uma terra agora em Deus para sempre, antecipação do nosso destino comum. (Tradução de Enzo Bianchi, 2021).
“Virgem, anel de ouro do tempo e da eternidade, você traz nossa carne para o céu e Deus em nossa carne (D. M. Turoldo). Anel de ouro, onde o tempo e a eternidade se fundem, onde as fronteiras se cruzam: a carne da mulher no paraíso, a carne de Deus na terra. A assunção de Maria hoje canta o canto do valor do corpo. Deus não desperdiça as suas maravilhas e o corpo humano, que é tecido de maravilhas, terá – ao ser transfigurado – o mesmo destino da alma, e Deus ocupará o coração e o corpo e “[Cristo] será tudo em todos” (Cl 3,11). Este corpo, tão frágil, tão sublime, tão querido, tão doloroso, sacramento de amor e por vezes de violência, no qual sentimos a densidade da alegria, no qual sofremos a profundidade da dor, vai se tornar, no último dia, porta aberta, limiar escancarado à comunhão, transparência cristalina, sacramento do encontro perfeito. Maria é a irmã que seguiu em frente, o destino dela é o nosso, e já agora. “Vi uma mulher vestida de sol, que estava grávida e chorava de dores de parto” (Ap 12,2).
Linda imagem da Igreja, da humanidade, de Maria, de mim que sou um coraçãozinho ainda vestido de sombras. O que revela a nossa vocação comum: estar na vida, ser doadores de vida. Sendo criaturas solares, gerando vida e lutando contra o mal, o grande dragão vermelho que devora a luz, que come os frutos da vida. Tenha um coração de luz, envie apenas sinais de vida ao seu redor, e nunca desista. Porque o futuro do mundo não está grávido de morte, mas de vida. O Evangelho diz que “Maria partiu rapidamente para a montanha”. Ela é a mulher do caminho feito com pressa, porque o amor está sempre com pressa, não suporta atrasos; vai, levada pelo futuro que ganha carne e calor dentro dela. Uma mulher em caminho, que é sempre figura de uma busca interior, de um caminho para um mundo novo no caminho de Deus e nas esperanças do coração. Mulher a caminho dos outros: Maria nunca está sozinha no Evangelho, nunca arranjou para si um espaço, por pequeno que fosse, para reservar para si. Ele vai continuamente ao encontro dos outros, criatura de comunhão, ponto de encontro. Mulher que viaja de casa em casa, que sai da sua casa de Nazaré e vai até Isabel, ao casal de esposos de Caná, a Cafarnaum, à cenáculo de Jerusalém, como se a sua casa se tivesse ampliado, como se o seu coração estivesse se multiplicado. Mulher viajando com alegria, alegria e medo juntos, alegria que vira abraço e depois música ao encontrar Isabel. Porque a alegria, tal como a paz, tal como o amor, só pode ser experimentada ao ser partilhada.
A Assunção é a celebração da nossa “migração” (viagem) comum da vida aqui para a vida eterna. Somos uma humanidade dolorosa, mas comovente; humanidade ferida, caída, mas avançando; humanidade que conhece bem a traição, mas que não desiste, que ama o céu e a terra com a mesma intensidade. (Tradução de Ermes Ronchi, 2021).
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