Aberto oficialmente o Ano Jubilar dos 125 anos da Arquidiocese de Pouso Alegre

Na missa das 16h do domingo, 4 de agosto, presidida pelo arcebispo metropolitano dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss,R.,  na Catedral do Senhor Bom Jesus, ocorreu a abertura oficial do Ano Jubilar comemorativo dos 125 anos da Arquidiocese de Pouso Alegre.

Sacerdotes, fiéis de Pouso Alegre e de diversas paróquias participaram da missa.

Na homilia, o arcebispo ressaltou a importância da vivência do Evangelho, da comunhão eucarística e da criação de pontes para se viver o espírito fraterno na construção do caminho sinodal.

Síntese histórica da Arquidiocese

A nomeação do padre José Paulino de Andrade em 10 de maio de 1899 no ofício de visitador diocesano das paróquias do Sul de Minas pertencentes à diocese de São Paulo constituiu-se em marco importante para a criação da diocese de Pouso Alegre. Em 8 de setembro do mesmo ano, padre José Paulino instalou o Seminário Menor e o Ginásio Diocesano São José.

A nova circunscrição eclesiástica foi criada por meio do decreto pontifício Regio Latissime patens de 4 de agosto de 1900, tendo sido seu território desmembrado das então dioceses de São Paulo e Mariana. Na época, eram 107 as paróquias da nova circunscrição eclesiástica. No território diocesano habitavam por volta de aproximadamente 200 mil pessoas.

Seu primeiro bispo, nomeado no dia 17 de fevereiro de 1901, foi o então bispo de Vitória, dom João Batista Corrêa Nery. O segundo, dom Antônio Augusto de Assis, seguido de dom Otávio Chagas de Miranda, que, devido a diversa comorbidades, teve no bispo auxiliar, dom Oscar de Oliveira, seu braço direito.

Clique para ler o Decreto para Criação da Diocese de Pouso Alegre

Por meio da bula Qui tamquam Petrus, de 14 de abril de 1962, o Papa João XXIII elevou a Igreja Particular pouso alegrense à Arquidiocese. As dioceses da Campanha e de Guaxupé tornaram-se suas sufragâneas. A instalação canônica ocorreu no dia 23 de setembro de 1962 e seu quarto bispo, dom José d’Angelo Neto, tornou-se o primeiro arcebispo metropolitano. Dom João Bosco Óliver de Faria foi seu bispo auxiliar.

Clique para ler o Decreto para Criação da Arquidiocese de Pouso Alegre.

Seguiram-se os pastoreios dos arcebispos dom João Bergese e dom Ricardo Pedro Chaves Ponto Filho, O.Praem., que teve como bispo auxiliar dom José Francisco Rezende dias. O arcebispo dom José Luiz Magella Delgado, C.Ss.R., está à frente do rebanho arquidiocesano há dez anos.

 

Início da celebração

 

Assembleia no momento da Proclamação da Palavra

 

Dom Majella com os diáconos e sacerdotes participantes

 

Texto: Luiz Gonzaga da Rosa

Fotos: Fernanda Gomes - PASCOM Catedral

 


#Reflexão: 19º Domingo do Tempo Comum (11 de agosto)

A Igreja celebra o 19º domingo do Tempo comum, neste domingo (11). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: 1Rs 19,4-8
Salmo: 33(34),2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 9a)
2ª Leitura: Ef 4,30-5,2
Evangelho: Jo 6,41-51

Acesse aqui as leituras.

JESUS É O ALIMENTO DE VIDA ETERNA

Sabemos da grande importância que o alimento possui em nossa vida: sem ele, não se vive. Na Bíblia, a refeição também possui um significado importante e quase sempre está no centro dos principais momentos da fé judaica (como a Páscoa) e da vida cristã (a Eucaristia). Em torno da mesa, nos assentamos para compartilhar com as pessoas que amamos nossos dons e alegrias. Para nós hoje, tomar a refeição é muito mais do que um ato de sobrevivência, é um momento de compartilhar e cultivar a amizade e fortalecer os vínculos de amizade e de amor entre as pessoas.

Na primeira leitura deste domingo, Elias recebeu de Deus um alimento especial e sobrenatural. O pão e a água não somente saciaram a fome e a sede do profeta, mas proporcionaram energia e força para continuar sua jornada pelo deserto. Com alimento de Deus, Elias pode caminhar por quarenta dias e quarenta noites. Este alimento físico e espiritual de Elias nos lembra o maná que o próprio Deus deu ao seu povo para saciar as necessidades fundamentais durante o período do povo também no deserto. Para eles no deserto, o maná deveria ser recolhido diariamente; para Elias o alimento fortaleceu o profeta por quarenta dias e noites.

Estes dois alimentos revelam a assistência de Deus para com o seu povo. Não foram somente dons para saciar as necessidades do corpo, o maná do deserto e os alimentos tomados por Elias se transformaram em um sinal da providência de Deus que cuida e alimenta os seus filhos e filhas.

Jesus, no Evangelho de João que estamos lendo (capítulo 6), também fala de um alimento novo capaz de oferecer muito mais, algo que vai além da fome e sede do corpo.

A comida e a bebida doadas por Jesus são capazes de dar a vida eterna.

Recordando que tudo começou com o grande milagre da partilha dos pães e dos peixes. Diante de uma multidão afamada, Jesus ensina como produzir o “milagre” que está no alcance de todos, ou melhor, precisa contar com a participação de todos. Com a partilha do menino que apresentou seus cinco pães e dois peixes, toda multidão foi saciada e ainda sobraram doze cestos de pães. A partir da partilha daquela criança, todos foram motivados a partilhar também o que possuíam. O milagre da multiplicação somente aconteceu quando alguém partilhou o que tinha. Do pouco que o menino ofereceu confiando plenamente, Jesus saciou a todos. Não foi uma solução feita somente com uma forçada divisão dos bens, mas uma solução na fé (tudo foi apresentado e abençoado por Jesus). Divisão de bens sem a fé em Jesus pode continuar a produzir desigualdade e egoísmo de outras pessoas. Aquele menino partilhou porque acreditava em Jesus e somente assim, o milagre da partilha aconteceu.

A fé em Cristo foi o momento decisivo para o milagre acontecer. O maná no deserto foi oferecido por Deus de uma forma milagrosa; no milagre da multiplicação dos pães e peixes, Jesus nos ensina que podemos multiplicar este milagre, não esperando que tudo caia do céu, mas que brote de nossas mãos, através de nossa partilha e fé. Foi um milagre feito em parceria, onde entramos com os nossos dons através da partilha e Jesus com suas mãos, multiplica e todos ficam saciados.

Ninguém perde quando coloca nas mãos de Jesus, pelo contrário, todos se alimentam, ficam saciados e ainda sobra.

Nos dois casos anteriores: Maná (domingo passado) e Elias (1ª leitura de hoje), somente com a intervenção de Deus, todos ficaram saciados. Com Jesus não é diferente, pois Ele e o Pai são um só. A relação entre Jesus e Deus é expressa em uma linguagem humana bem conhecida: da paternidade. Os homens podem dar aquilo que está em sua natureza limitada, somente Deus é capaz de dar alimentos capazes de não somente saciar as necessidades humanas, mas de dar a vida eterna. Jesus aproveita o milagre da partilha dos pães e dos peixes para falar de Si próprio e do dom maior que iria oferecer: um alimento capaz de dar a vida eterna.

Mas, o povo entendeu tudo ao contrário. Eles queriam Jesus somente como rei, isto é, alguém poderoso como os reis daquele e deste mundo. Alguém que eles poderiam recorrer sempre que precisassem de alimento. A relação que procuravam construir com Jesus era algo somente no nível humano e conforme as necessidades do corpo. Jesus procura aprofundar tudo que Ele tinha feito. Veem Jesus como alguém somente para as necessidades humanas ou para as dificuldades deste mundo. Um rei pode dar somente coisas deste mundo e nada mais.

Nosso Senhor veio oferecer algo que dura em eterno.

Ao ouvir Jesus falar de sua relação com Deus Pai e que veio do céu, a multidão começou a murmurar. Queriam fazer Jesus como rei deles e assim, conseguir pão em abundância. A relação que criaram com Jesus foi somente segundo o pensamento e a necessidade que possuíam. Eles acreditavam em Cristo somente como alguém para ser monarca, mas não igual a Deus. Eles acreditavam naquilo que viam e conheciam de Jesus (filho de José e Maria), consideravam Cristo como alguém capaz somente de ser rei para dar pão quando precisassem, mas quando Jesus convidou a todos a ir além das aparências e necessidades humanas, todos começaram a murmurar, pois era necessário acreditar realmente em Jesus como Ele é e não como eles queriam que Jesus fosse (um rei que enche a barriga de todos de pão e de peixe).

Acreditar em Jesus é a condição básica e fundamental para tudo acontecer na vida de uma pessoa. O milagre dos pães e dos peixes somente aconteceu quando alguém acreditou em Jesus como alguém que iria fazer algo por todos. Fé não é algo que nós “criamos” com nossos critérios para se aproximar de Jesus, mas acreditar Nele que é capaz de tudo, mesmo quando nada está conforme nós desejamos.

Acreditar em Jesus é a condição para obter as graças para superarmos todas as adversidades e desafios no mundo que enfrentamos. A fé em Cristo não transforma o mundo como eu desejo, mas me ajuda a enfrentar o mundo com seus desafios e problemas.

Aquelas pessoas criaram uma fé em Jesus ao modo delas: um rei para saciar a todos de pão e nada mais. Sentiam que já tinham elevado Jesus a uma condição sublime: como rei, no entanto, o Mestre Jesus se apresenta como alguém do céu, que veio de Deus, para aquelas pessoas isso foi demais. É precisamente a humanidade de Jesus que escandaliza, a sua carne e o seu sangue: o seu frágil corpo de criatura declara-o terreno, não descido do céu. Além disso, aqueles judeus têm um conhecimento preciso de Jesus, pela realidade dos fatos: é filho do carpinteiro de Nazaré, a sua mãe também é bastante conhecida, portanto Jesus vem simplesmente desta pequena aldeia da Galileia, não do céu (Enzo Bianchi).

Mas, Jesus convida todos a deixarem este modelo pessoal de fé e mergulhar em seu amor e em sua misericórdia, pois Jesus jamais decepciona. Assim, crucial é acreditar em Jesus como Deus, pois Ele é o caminho e o destino do mundo. Novamente, tudo tem sua força e misericórdia no coração de Deus Pai com Jesus.

Neste caminho de fé apresentado por Jesus, Ele começa a preparar todos para o maior dom deixado neste mundo para aqueles que creem nele: a Eucaristia. Este dom divino é capaz de alimentar espiritualmente todos, pois é o próprio Jesus presente nele.

Todos os alimentos dados (inclusive o maná) foram limitados, apesar de serem especiais; a Eucaristia será diferente, pois ela é capaz de dar vida Eterna. Não se trata de um alimento qualquer, mas o próprio Senhor Jesus presente no pão e no vinho consagrados.

Assim, não acreditar na presença de Jesus na Eucaristia é não acreditar no próprio Senhor Jesus. Ele não diz algo vago ou simbólico, mas algo decisivo e profundo: Ele é o pão vivo que dá a vida eterna! A Eucaristia, assim, é o próprio Jesus presente em nosso meio; um alimento que nutre muito mais do que o corpo, ele fortalece e inunda a alma de graças especiais capazes de dar vida eterna a quem dele se aproximar.

Paulo convida a comunidade dos cristãos de Éfeso a uma vida plena de alegria, não obstantes os sofrimentos e desafios, perseguições e desavenças, pois ele sabe que aquele que recebe Jesus em seu coração não pode se sentir triste e desamparado, pois o próprio Senhor Jesus se torna parte da pessoa que passa ser morada de Deus. A Eucaristia é a força para superarmos nossos pecados e já obtermos aquilo que é promessa decisiva feita por Jesus: a Vida Eterna.

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Logos e ethos: o divino com raízes humanas

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A Bíblia, longe de ser uma obra miraculosamente enviada do céu à Terra como um livro alado lançado por Deus das alturas na direção das mãos humanas, é uma mensagem sobre o divino elaborada a partir do chão, portadora de profundas raízes fincadas no solo concreto da história. Apesar de seu conteúdo privilegiar aquilo que é transcendente, ele é dito e escrito de modo imanente, ou seja, embora a Sagrada Escritura seja um texto teológico, inspirado por Deus para anunciar as maravilhas que Ele mesmo realizou em favor do seu povo (cf. Sl 40,5) por meio de Jesus Cristo, a forma como essa proclamação ocorre é humana. A revelação divina foi percebida e registrada segundo a compreensão de pessoa e de mundo dos povos que participaram do enredo bíblico, de sorte que é fundamental  ler as passagens usando os óculos do ambiente cultural em que foram produzidas, situando honestamente seus personagens, linguagem e costumes para alcançar uma adequada compreensão da mensagem que os livros carregam, e a certeza de que Deus se mostrou na história humana.

Essa abordagem da Sagrada Escritura segundo a cultura dos povos bíblicos é o passo propedêutico para toda e qualquer interpretação sobre uma referida perícope: antes de buscar o que o texto quer dizer, faz-se pertinente observar o que de fato ele diz; e para bem compreender o que o texto transmite é necessário lê-lo à luz da cultura que subsidiou sua redação. A leitura da Bíblia em seu contexto originário evita que ela seja usada como pretexto para fins que nunca estiveram presentes na consciência e na experiência teológicas dos hagiógrafos e das comunidades que a redigiram. Há que se observar, portanto, a íntima relação existente entre o Logos divino e o ethos humano no que diz respeito à formação dos textos sagrados! Compreendido como o conjunto de características e costumes que formam a identidade de um povo, o ethos – ἦθος, termo de origem grega que pode ser traduzido como cultura – influencia a forma como o Logos – Λόγος, termo igualmente grego que significa verbo e é utilizado para se referir a Jesus (cf. Jo 1,14) – é dito.

Sendo assim, se o modo de viver dos povos bíblicos incidiu na acolhida e no registro da manifestação da Palavra Eterna na história, um olhar atento para a cultura semita e helênica pode evidenciar significados cada vez mais compreensíveis e profundos para os textos bíblicos. Semitas são todos os povos do Oriente, entre eles hebreus e árabes, cuja origem remete a Sem, um dos três filhos de Noé, que, mostrando-se temente a Deus, povoou a Terra após o dilúvio (cf. Gn 9,18) e deu origem às gerações das quais nasceu Abraão (cf. Gn 11,10-26). Tanto o Primeiro quanto o Segundo Testamento foram compostos sob a influência da cultura semita, marcadamente: clânica e patriarcal, formada por  clãs (grupos familiares) cujos membros mantinham laços de consanguinidade e eram governados pela figura masculina; teocêntrica e hierarquizada, estruturada segundo valores religiosos sobrenaturais e dividida em classes sociais com posições e privilégios dissonantes; rural e guerreira, baseada economicamente na agropecuária de subsistência e na disputa pela conquista e posse de territórios.

Dois exemplos de semitismo que justificam a relevância de se conhecer a cultura dos povos bíblicos em vista de uma justa compreensão da mensagem que uma perícope carrega são os binômios leite-mel e coração-rins, para citar apenas alguns. Na passagem de Ex 33,3, quando Moisés recebeu a ordem para levantar acampamento da planície do Monte Sinai em direção à Canaã, o hagiógrafo colocou na boca de Deus as seguintes palavras: “sobe para a terra onde corre leite e mel”. Conhecendo o aspecto rural do semitismo é possível entender que o território prometido para Israel não se trata de um local mágico em que os rios são feitos de leite e mel, mas de um espaço geográfico propício à criação de gado leiteiro e à agricultura, já que o mel explorado pelo semitas não provinha da apicultura (criação de abelhas), mas da plantação de tâmaras. Já no discurso sobre a idolatria do reino de Judá, o profeta Jeremias escreveu que Deus disse: “Eu, o Senhor, examino o coração e experimento os rins” (Jr 17,10); diferentemente da cultura ocidental em que o coração é sede dos sentimentos e o cérebro é referência para o pensamento, no semitismo o coração é sede dos pensamentos e os rins são identificados com os sentimentos. Assim, de acordo com o relato profético, Deus examina os pensamentos e prova os sentimentos.

Em relação ao Segundo Testamento, o semitismo pode ser percebido em Mt 19,24, quando, ao usar a expressão “passar um camelo pelo buraco de uma agulha”, possivelmente Jesus tenha falado de uma porta estreita existente na muralha da cidade de Jerusalém, chamada agulha, pela qual só se passava a pé, já que foi construída para evitar as invasões de tropas estrangeiras. Da mesma forma, quando Jesus anunciou a tripla negação de Pedro antes que o galo cantasse, em Mt 26,34, Ele não se referiu necessariamente ao animal, mas ao levita que era chamado de galo, porque assim como o galo convida o dia para amanhecer com seu canto, o levita era responsável por tocar a trombeta na madrugada, convocando o povo de Israel para a oração matutina no Templo. Além do semitismo presente nos dois Testamentos, faz-se importante conhecer o ethos helênico que também emoldura os escritos neotestamentários.

O helenismo é um fenômeno cultural que ocorreu a partir do século IV a.C., quando o rei da Macedônia, Alexandre Magno (356-323 a.C.), conquistou diferentes territórios no Ocidente e no Oriente, disseminando neles a cultura grega e provocando um intercâmbio de costumes entre os povos que habitavam a região do Mar Mediterrâneo. Ao avançarem sobre o império macedônio, entre os século III e I a.C., os romanos se apropriaram da estrutura cosmopolita criada pelo helenismo, inclusive no que respeita à universalização do idioma grego, para ampliarem sua dominação sobre os povos semitas; isso explica porque os livros do Segundo Testamento foram escritos em língua grega. O ethos  helênico, portanto, reflete o modo greco-romano de compreender a realidade e, nesse sentido, os textos neotestamentários estão carregados de helenismos. Na perícope sobre a libertação do possesso de Gerasa, o demônio que atormenta o homem se denomina “legião” (Lc 8,30) quando é interrogado por Jesus; o evangelista Lucas, ao chamar o espírito mau de legião, faz uma clara referência à perversidade praticada pelos legionários em relação aos judeus, isto é, pelos soldados do exército romano.

Os casos de semitismo e helenismo citados atestam que o processo de formação da Bíblia é análogo à germinação de uma planta: embora cresça verticalmente, ela está muito bem enraizada na horizontalidade; todavia fale das coisas do céu com o intuito de transmitir o Logos redentor, isto é, a Palavra feita carne para a salvação do mundo – Jesus, os textos inspirados por Deus nasceram a partir do ethos humano, atravessados pela história com suas nuances culturais, religiosas, geográficas, políticas e econômicas. Ignorar as raízes humanas que embasaram o trabalho redacional e os objetivos dos hagiógrafos é empobrecer a semântica da Palavra que é sempre “viva, eficaz e mais cortante que qualquer espada de dois gumes” (Hb 4,12).


#Reflexão: 18º Domingo do Tempo Comum (04 de agosto)

A Igreja celebra o 18º domingo do Tempo comum, neste domingo (04). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ex 16,2-4.12-15
Salmo: 77(78),3.4bc.23-24.25.54 (R. 24b)
2ª Leitura: Ef 4,17.20-24
Evangelho: Jo 6,24-35

Acesse aqui as leituras.

JESUS VERDADEIRO PÃO DO CÉU

O milagre da partilha dos pães e dos peixes foi um evento que marcou, decididamente, a vida dos primeiros cristãos e das primeiras comunidades como vimos no Evangelho de domingo passado. Não foi somente mais um prodígio de Jesus, mas nele encontra-se um grande ensinamento para os discípulos de Cristo. Nosso Senhor não precisava mostrar - mais uma vez - que tinha poder e era capaz de realizar tal milagre. Na realidade, Ele nos dá a receita para “reproduzirmos” o mesmo milagre entre nós através da partilha dos dons que Deus nos dá. Mas tudo precisa passar “pelas mãos do Mestre”, isto para expressar a comunhão de tarefas: nós entramos com a partilha do que temos e Jesus abençoa e multiplica.

Não se trata de uma simples “divisão de bens”, mas de caridade e fé em Jesus.

Partilhamos o que temos porque confiamos em Deus e queremos amar o próximo a começar por aqueles que mais precisam de nossos dons e sofrem a ausência dos bens necessários para uma vida digna. Dessa forma, o caminho para matar a fome entre nós passa pela fé em Jesus e por nossas mãos que devem aprender a compartilhar o que é graça e dom de Deus em nossa vida.

O menino ofereceu o pão como doação e partilha, não vendeu e não trocou, ele doou porque acreditava em Jesus. A questão levantada pelos discípulos girava em torno do dinheiro; a criança soluciona com a sua fé na partilha.

Assim, vamos refletir hoje e nos próximos domingos o grande discurso e o ensinamento sobre a Eucaristia em São João (todo capítulo Jo 6). Do milagre da partilha dos pães e peixes, Jesus ensina sobre o grande milagre do Pão partilhado na Eucaristia.

No final do Evangelho de domingo passado, João nos diz que diante da multidão exultante e saciada, Jesus resolve se retirar, pois queriam proclamá-Lo rei. Tudo que Ele tinha ensinado e os gestos realizados desencadearam algo que Jesus não queria jamais: ser rei de coisas materiais. O Evangelho deste domingo, Jesus não se deixa iludir pelas palavras do povo. Ele se antecipa e revela a intenção de todos que buscam somente coisas materiais. As pessoas não tinham entendido o gesto do menino e de Jesus que, para situações básicas e humanas, o caminho é a partilha a partir da fé em Cristo.

O Evangelho menciona que Jesus e os discípulos atravessaram o mar, foram para outra margem. Mas, o povo também foi para o “outro lado”, mas com os mesmos pensamentos anteriores. No diálogo entre Jesus e a multidão fica claro que as pessoas não tinham entendido o “sinal” que Jesus tinha produzido. Moisés foi instrumento de Deus para saciar o povo que estava no deserto, Jesus é muito maior que ele. Moisés não podia dar nada para o povo, mas tão somente ser intercessor de suas necessidades como se vê na 1ª leitura. Jesus, diferentemente, realiza tudo por suas mãos. Moisés não é fonte do milagre, mas Jesus sim! O povo queria proclamar Jesus rei não por aquilo que Ele é, mas somente pelo bem material que Ele produziu. Uma fé interesseira e totalmente frágil.

Quando Jesus respondendo à multidão, afirma que todos O procuravam não pelos “sinais”, mas por algo material: “porque comestes pão e ficastes satisfeitos”. Mesmo sendo algo bem concreto (pão e peixe em abundância), tudo que foi realizado deveria ser tomado como um “sinal”: que representa algo, que vai além do que os sentidos percebem.

Um “sinal” representa uma realidade maior e mais profunda e somente quando se tem fé é que a pessoa percebe a grandeza de tudo que acontece ao seu redor, pois tudo nos conduz a Deus.

No debate entre Jesus e a multidão, a verdade aparece tanto em relação ao povo quanto a Jesus. As pessoas que discutiam com Jesus se mostraram completamente distante da Sua proposta e se percebe até mesmo que não O conheciam realmente.

O povo pergunta o que deveriam “fazer” para realizar as obras de Deus. A questão que Jesus vai aprofundar é que o fundamental não é “fazer”, mas “crer” naquele que Deus enviou. É preciso superar a mentalidade de “fazer” algo para comprar alguma coisa de Deus; é necessário passar a “crer”, que tudo mais acontece. Em seguida pedem novos sinais não obstante terem acabado de participar do grande milagre da partilha dos pães e dos peixes. Um povo insaciável não mais por pães e peixes, mas por “sinais” (milagres, prodígios), como o povo no deserto que mesmo vendo imensos sinais ainda não confiava que Deus era capaz de saciar a fome de todos. Aquelas pessoas tinham acabado de experimentar um exemplo do que significa “acreditar”: é o que fez aquela criança que colocou nas mãos de Jesus seus cinco pães e dois peixes. Mesmo com tamanho sinal de Jesus, no entanto, pedem outro sinal para acreditar Nele.

Quando falta a fé (acreditar), nenhum sinal é suficiente!

Para a multidão, o máximo que conseguiam atribuir a Cristo era de ser um rei que multiplica pães e nada mais. Jesus está acima de tudo isto e até mesmo de Moisés. Mas, eles queriam somente um rei e não um Redentor; alguém com poderes deste mundo (rei) e não alguém que fosse capaz de dar a vida eterna.

A atitude daquelas pessoas no tempo de Jesus ainda é muito comum em muitos que professam uma fé em Cristo: Acreditam enquanto tudo está bem, enquanto se sentem protegidos, até o momento em que conseguem ter algum lucro. Um Deus que resolve problemas, que produz riquezas, que enfrenta e resolve os nossos desafios. Um Deus que está a serviço e serve a todos nas coisas materiais. A multidão que seguia Jesus esperava, uma vez sendo proclamado rei, que Ele iria dar para sempre pão e peixe em abundância. Não queriam saber de “sinais” (refletir e buscar um sentido profundo nas coisas), mas de coisas bem concretas: pão e peixe em abundância.

Jesus nos ensina que Deus não pede, é Ele mesmo que se Deus dá a nós. Ele não exige, Ele se oferece. Deus não reivindica nada, ele dá tudo (Ermes Ronchi). Mas o que exatamente o Deus de Jesus dá? “Ele não pode dar nada menos do que Ele mesmo. Mas dando-nos a Si Mesmo, Ele nos dá tudo” (Santa Caterina de Sena).

Mas, os bens deste mundo saciam a nossa fome momentos de nosso dia e não podem oferecer mais nada. Jesus é o verdadeiro pão que desce do céu, verdadeiro pão que dá vida ao mundo. Assim, deve-se acreditar em Jesus porque Ele é capaz de salvar a todos e não somente porque possui poder de produzir milagres. A verdadeira fé não precisa de milagres, ela produz milagres como a do menino que confiou plenamente em Jesus e ofereceu sem reservas os cinco pães e os dois peixes. A criança ofereceu seus bens confiando que não estava perdendo, mas que Jesus iria também ajudá-lo, é a fé que produz milagres, pois não somente aquele menino saciou sua fome, mas também toda a multidão foi alimentada; ofereceu porque acreditou e o milagre aconteceu.

Jesus é o Pão do Céu! E quem se alimenta Dele, se nutre de uma vida que vai além das coisas materiais. Ganha uma vida nova e se transforma em pessoas novas (2ª leitura). A Eucaristia é a profunda união onde nos deixamos transformar pelo mesmo amor que libertou o povo no deserto, libertou e salvou toda humanidade. Jesus é o pão especial que devemos multiplicar no dia a dia com a nossa fé e com a nossa partilha.

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Pouso Alegre recebe visita das relíquias de Santa Teresinha

Entre os dias 01 e 04 de agosto, a cidade de Pouso Alegre recebe as relíquias de primeiro grau de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. O município, sede da Arquidiocese, é uma das 70 cidades brasileiras por onde passará os restos mortais da Santa das Rosas.

Esta é a segunda vez que as relíquias visitam a cidade, sendo a primeira em 1997, quando se celebrou o centenário de morte de Teresa.  Neste ano, a ocasião da visita se deve as celebrações do Centenário de Canonização ocorrido em 17 de maio de 1925 pelo Papa Pio XI e os 150 anos de seu nascimento (02 de janeiro de 1873).

O relicário que é em madeira e acrílico, foi doado pelo povo brasileiro. Em seu interior, existe uma caixa de prata com o fêmur da perna direita e ossos do pé.

Foto tirada pela jornalista Cledina Reis, na visita da Relíquia de Santa Teresinha do Menino Jesus, passou em Pouso Alegre MG em 1997. Na imagem, nota-se Dom Ricardo Pedro. Fonte: Redes sociais

A escolha desta parte do corpo da santa se deve a uma de suas falas em que gostaria de percorrer todo o mundo para anunciar o amor de Deus:

Quereria percorrer a terra, pregar o teu nome, implantar no solo infiel a tua cruz gloriosa, mas, ó meu Bem-amado!, uma missão só não me bastaria. Quereria, ao mesmo tempo, anunciar o Evangelho nas cinco partes do mundo, e até nas ilhas mais longínquas.” 

Segundo o padre Jésus Andrade Guimarães, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima de Pouso Alegre, a visita da relíquia de Santa Terezinha, em comemoração ao centenário de canonização “é para nós uma grande graça. É muito especial receber as relíquias, dado o amor dos fiéis por Santa Terezinha, dado valor na Igreja, proclamada inclusive como Doutora e que nos ensina a uma vida de oração, principalmente pelo pequeno caminho, pequena via, nas pequenas coisas a amar a Deus e amar o irmão. Ela é para nós uma mestra, uma doutora e sua presença através das relíquias, enche de bençãos o coração de todos e imploramos que do céu caia uma chuva de rosas que abençoe toda nossa cidade de Pouso Alegre.”

 

Confira a programação completa da visita das Relíquias de Santa Teresinha do Menino Jesus:

Tríduo em preparação a chegada das Relíquias – de 29 a 31 de julho na Capela Santa Terezinha (Paróquia do Imaculado Coração de Maria)

15h – Terço Mariano e Novena das Rosas

16h – Missa

DIA 01 DE AGOSTO – QUINTA FEIRA

As relíquias sairão do Carmelo da cidade de Três Pontas (Diocese da Campanha)

16h – Acolhida das Relíquias no estacionamento do Supermercado Central no bairro Paineiras (ao lado do Batalhão do Corpo de Bombeiros), seguida de carreata até a Capela Santa Terezinha (Paróquia do Imaculado Coração de Maria)

17h – Terço Mariano

18h – Missa de Acolhida das relíquias presidida pelo padre Luiz Francisco Marvulo Martins, CMF

20h – Procissão em direção a Catedral Metropolitana

DIA 02 DE AGOSTO – SEXTA FEIRA

8h – Santa Missa na Catedral Metropolitana presidida pelo Padre Vanildo de Paiva.

10h – Terço Mariano na Catedral Metropolitana

12h15 - Santa Missa na Catedral Metropolitana presidida pelo Cônego Wilson Mario de Morais

13h30 – Procissão com as relíquias até a Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora de Fátima

14h – Recitação dos Mistérios Gozosos na Matriz de Fátima

15h – Santa Missa na Matriz de Fátima presidida pelo padre Jésus Andrade Guimarães

17h – Recitação dos Mistérios Dolorosos na Matriz de Fátima

18h30 – Recitação dos Mistérios Luminosos na Matriz de Fátima

19h15 – Santa Missa na Matriz de Fátima presidida pelo padre Jésus Andrade Guimarães

21h – Procissão com as relíquias até o Carmelo Sagrada Família com recitação dos Mistérios Gloriosos

DIA 03 DE AGOSTO – SÁBADO

7h - Terço Mariano no Carmelo Sagrada Família com participação do Movimento Restauradores do Coração de Maria

8h - Santa Missa no Carmelo Sagrada Família com participação da Paróquia Nossa Senhora do Carmo (Borda da Mata)

10h - Santa Missa no Carmelo Sagrada Família com participação das Paróquia da cidade de Itajubá

12h - Santa Missa com participação dos enfermos

14h - Santa Missa no Carmelo Sagrada Família com participação das Paróquias São Francisco de Paula (Poço Fundo) e Nossa Senhora de Lourdes (Maria da Fé)

16h - Santa Missa no Carmelo Sagrada Família com participação das Paróquias da cidade de Santa Rita do Sapucaí

18h - Santa Missa no Carmelo Sagrada Família com participação da Comunidade Imaculada Conceição

20h - Santa Missa no Carmelo Sagrada Família com participação da Pastoral Universitária

22h - Vígilia de Oração com a participação do Cenáculo Caminhando com Maria

0h - Vígilia de Oração com a participação dos Terços dos Homens

02h - Vígilia de Oração com a participação da Comunidade Javé Nissi

8h – Missa Solene presidida pelo Arcebispo dom José Luiz Majella Delgado, CSsR com a profissão temporária da Irmã Maria de Jesus. Após a Missa, envio das relíquias para a cidade de Passos/MG (Diocese de Guaxupé).

Quem foi Santa Terezinha?

 

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Pintura de Henry Wingate(2014)

Santa Terezinha nasceu em Alençon, França, no dia 2 de janeiro de 1873, e morreu no dia 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos. Mas ela viveu tão intensamente esses 24 anos que parece que viveu muito mais. A forma intensa que ela viveu foi uma intensa vida de oração.

Santa Teresinha nasceu em uma família com ótimas condições financeiras e temente a Deus. Seus pais, Luis e Zélia, que agora são santos, recentemente canonizados pela Igreja, tiveram oito filhos, antes da caçula Teresinha. Quatro de seus irmãos morreram com pouca idade, restaram quatro irmãs de Teresa que também se tornaram freiras (Maria, Paulina, Leônia e Celina). Terezinha também sentiu um forte desejo de abraçar a vida religiosa e com apenas 15 anos obteve a autorização do Papa Leão XIII para entrar no mosteiro das carmelitas, em Lisieux.

Depois da morte de sua mãe, Terezinha ficava por diversos momentos bem triste e chorava muito. Aos dez anos, ela fez uma experiência forte com Nossa Senhora e mudou completamente a sua vida. Ela viu a imagem de Nossa Senhora como nunca havia visto antes, uma alegria tomou conta de seu ser e todas as suas penas foram entregues a Mãe de Deus. Após essa visão, Santa Terezinha diz: “a Santíssima Virgem sorriu para mim, foi por causa das orações que eu tive a graça do sorriso da Rainha do Céu” (História de uma alma).

Terezinha teve uma importante experiência com o Menino Jesus, no Natal de 1883, quando tinha apenas 13 anos de idade. Ela viu Jesus como o doador de uma total conversão. Depois disso, a sua vida foi transformada e ela começou a dar grandes passos na vida espiritual. Esse fato foi tão importante na vida da santa, que ela adotou o nome de Terezinha do Menino Jesus.

O seu lema de vida a partir do momento que entrou no Carmelo foi rezar pela conversão dos pecadores e por todos os sacerdotes. Porém, trazia em seu coração o grande desejo de ser missionária e anunciar aos quatro cantos do mundo a boa nova do Evangelho. Até que entendeu que deveria rezar do carmelo pela missão de toda a Igreja, devido à impossibilidade de sair em missão. Logo após a sua morte, o Papa Pio XI a declarou padroeira das missões.

As carmelitas de hoje seguem o mesmo carisma de Santa Terezinha do Menino Jesus e, do Mosteiro, rezam pela conversão dos pecadores e por toda a Igreja. Elas rezam e trabalham pela salvação das almas. Elas são madrinhas de oração dos sacerdotes, religiosos e seminaristas, intercedem junto à Deus por todas as vocações.

Santa Terezinha falece aos 24 anos de idade e diz em suas últimas palavras: “Oh Amo-O. Deus meu… amo-Vos!”. Após a morte de Terezinha, foram publicados os inúmeros escritos deixados por ela, que se tornaram conhecidos mundialmente. Dessa forma, cumpriu-se o seu desejo de que se espalhe pelo mundo chuva de rosas, de milagres e graças por todo o mundo. Sua beatificação aconteceu em 1923, sendo canonizada pelo Papa Pio XI em 1925, que a chamava de “uma palavra de Deus”. O Papa João Paulo II a proclamou doutora da Igreja, no dia 19 de outubro de 1997.

 

 

Créditos

Redação: Giuliano Cabral do Espírito Santo Beraldo

Foto de capa: Santuário de Lisieux

Informações: Padre Jésus Andrade Guimarães, Paróquias do Imaculado Coração de Maria, Bom Jesus, Nossa Senhora de Fátima e Carmelo

História de Santa Teresinha: Site da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil


#Reflexão: 17º Domingo do Tempo Comum (28 de julho)

A Igreja celebra o 17º domingo do Tempo comum, neste domingo (28). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: 2Rs 4,42-44
Salmo: 144(145),10-11.15-16.17-18 (R. cf.16)
2ª Leitura: Ef 4,1-6
Evangelho: Jo 6,1-15

Acesse aqui as leituras.

JESUS ENSINA O DOM DA PARTILHA

O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes marcou, decididamente, a vida dos primeiros cristãos. Ele é retratado nos quatro Evangelhos em seis passagens. Segundo os evangelistas, ao saciar a fome da multidão, Jesus quis envolver e comprometer os apóstolos antes, durante e depois do milagre.

Olhando a história do povo de Deus, saciar das pessoas sempre foi um sinal significativo da providência divina, principalmente quando tudo acontece com uma forte ação do próprio Deus. Foi assim com Moisés no deserto com o Maná e também Eliseu conforme se lê na primeira leitura, assim sem a graça e a providência de Deus, nada pode acontecer. Jesus, dessa forma, está na mesma linha dos grandes profetas, mas Ele é superior a esses grandes homens de Deus, por isto nos Evangelhos, Jesus amplia e envolve os seus discípulos neste milagre.

Domingo passado, Jesus se preocupava com a situação de cansaço dos discípulos, hoje Ele se antecipa sobre a questão da fome do povo provocando e ajudando os apóstolos a encontrar uma solução. Assim, conforme se vê no Evangelho de São João, Jesus subiu ao monte e sentou-se, gestos que recordam os grandes mestres do AT.

A multidão que estava lá buscava milagres e curas, Jesus tem um olhar mais profundo. Segundo o evangelista João, ninguém lhe diz nada e nem apresenta o problema da fome de todos, mas Ele percebe e se antecipa. O povo, certamente, acostumado com a situação de extrema pobreza estava habituado com a miséria e provavelmente, passar fome e todos os tipos de privações.

Mas, Jesus pensava diferente e toma a iniciativa apresentando o problema aos seus apóstolos: “Onde compraremos pão para saciar a todos?” A pergunta tinha a intenção de provocar a reação dos apóstolos. João diz que Jesus sabia o que iria fazer, mas os seus discípulos teriam que ser envolvidos no problema e na solução.

Jesus viu a fome da humanidade, uma fome de pão material, mas que começa com uma fome espiritual.

As respostas dos apóstolos retratam a ideia comum naquela época e ainda hoje: “não há recursos para tantas pessoas”; “cada um tem que se arranjar como pode”. Jesus poderia imediatamente produzir o milagre e saciar a multidão, mas a questão da fome no mundo, não há necessidade de “milagres especiais”, pois é uma situação que está ao alcance da humanidade.

Jesus intervém e opera milagres onde os recursos humanos nada podem fazer, como os milagres de cura; mas sanar a fome das pessoas, isto está ao nosso alcance.

Para Felipe a solução está no dinheiro. A fome da multidão, segundo ele, somente seria resolvida com dinheiro, exatamente como pensam muitos: acumular riqueza para depois ajudar os outros. Ter primeiro e depois pensar nas necessidades das outras pessoas. Muitos pensam que é necessário tornar a nação rica, para que a população usufrua da riqueza. Mas, o que se vê é que quem é rico, pensa em manter sua riqueza ou acumular mais. Eles ficam cada vez mais ricos e a riqueza não chega até aqueles que nada tem. Sabemos que o problema da fome no mundo não é a falta de dinheiro (se desperdiça bilhões em coisas inúteis ou que produzem mais morte), mas é a falta de algo que brota de um coração que experimenta o amor de Deus: a partilha.

Intervém na conversa entre Jesus e Felipe, outro apóstolo, André, que apresenta uma criança com pães caseiros e dois peixes. Muito significativo o fato de uma criança apresentar uma solução para o problema. Ela poderia continuar na lógica da maioria (dos adultos) e ficar com os seus pães, mas aquela criança quis partilhar.

Os pães eram de cevada, feitos com os primeiros grãos de trigo que eram oferecidos a Deus como ação de graças pela colheita. A oferta a Deus que é repassada aos pobres.

Este milagre de matar a fome das pessoas depende radicalmente da partilha. A fome no mundo não será resolvida se a partilha não acontecer, não de nossas riquezas, mas dos “cinco pães e dois peixes” de cada um. A criança não ficou com receio de colocar em risco o pouco que possuía, pois confiava em Jesus.

Mas, não basta promover uma partilha. No Evangelho tudo inicia com a intervenção de Jesus; depois a proposta dos apóstolos; a iniciativa da criança e; por fim, tudo novamente retorna a Jesus. Ele é quem ilumina a ação, as pessoas participam com a partilha, mas é Ele quem abençoa e devolve para que seja distribuído a todos. Não foi somente o ato de partilhar que provocou o milagre da multiplicação dos alimentos, mas uma partilha na fé e na confiança em Jesus. O “fermento” da fé multiplicou os pães.

Somente juntos (nós e Jesus) é que podemos resolver este mal da humanidade. As pessoas entram com a partilha, Jesus abençoa e devolve para todos, pois Ele não é dono dos pães, mas passagem de alguns para todos. Nosso Senhor não precisa e nem está interessado em nada que nos pertence, mas somente de nossa fé e de nossa partilha (no Evangelho, Jesus pega, abençoa e devolve).

O milagre da confiança em Jesus e da partilha cria uma nova forma de viver dos discípulos. Aquilo que é necessário (simbolizado no pão), nunca vai faltar para aqueles que sabem doar. Um milagre que acontece nas mãos daqueles que partilham. O pouco alimento partilhado foi misteriosamente suficiente (e sobrou) para todos. O pão e o peixe passam pelas mãos de todos e ao mesmo tempo ficam em cada mão que sabe doar.

O pão egoisticamente mantido com poucos, produz a fome de muitos. Se sabe que no mundo, há pão (necessário para a vida) para toda a humanidade, mas nunca será suficiente para a cobiça de poucos (Gandhi).

Importante o convite de Paulo na segunda leitura que completa o Evangelho: estar unidos formando uma só fé e Igreja. Juntos é que conseguiremos combater todos os males que estão ao nosso alcance e nós temos que resolver.

A fé é a resposta profunda de nossa adesão a Deus; a partilha é o sinal mais visível de nosso amor a Deus presente em cada pessoa, rosto do Criador. Jesus nos propõe a partilha daquilo que temos para os nossos irmãos, com a mesma fé e a esperança de uma criança que não teme ficar desamparada ou sem nada. Nosso Senhor sempre viveu partilhando tudo que tinha com todos e solicita aos apóstolos para que aprendam a fazer o mesmo. Quando o pão deixa de ser “meu” e é partilhado e se torna “nosso”, o milagre se repete sempre: um milagre feito em parceria entre Deus e humanidade (é o pedido na oração no Pai Nosso).

O gesto da partilha foi um dos sinais que mais marcou a vida de Jesus, por isto, a Eucaristia é o sinal perene da partilha de Deus que nos deu a salvação.

Por fim, o Evangelho termina falando da abundância que acontece quando se partilha com Jesus: todos saciados e foram recolhidos pães para que outros também fossem saciados. A partilha com Deus também abre o nosso coração para o próximo.

Mas, no final de tudo, o povo não entendeu o sinal daquele milagre. Queriam fazer Jesus rei para terem sempre pão e peixe em abundância. Um Jesus para coisas materiais. Por isso, Ele se retira, sozinho e deixa todos com seus desejos. O povo não enxergou que o milagre para o problema da fome está sempre na partilha.

Senhor, nos ajude a sermos discípulos da partilha da nossa fé e dos nossos bens!

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Paróquia Nossa Senhora Aparecida em Tocos do Moji (MG) recebe Visita Pastoral de Dom Majella

Entre os dias 18 e 21 de julho, dom José Luiz Majella Delgado, CSsR, arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, realizou Visita Pastoral na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Tocos do Moji (MG), com o objetivo de ter um contato mais próximo com o povo e o padre, conhecendo a realidade pastoral da paróquia.

A Visita Pastoral, teve início no dia 18 de julho, às 10 horas, com a acolhida do arcebispo e um breve momento de oração, na Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida com a presença do Apostolado da Oração. Na tarde deste dia, aconteceu a visita a algumas pessoas enfermas e um encontro com as autoridades do município. Também conheceu o local denominado "Porteira do Céu" que faz parte do percurso do Caminho da Fé. No fim da tarde, dom Majella participou, na Igreja Matriz, de um momento de oração com os Movimentos Marianos da paróquia e presidiu a Celebração da Eucaristia. Em seguida assistiu a apresentação da oficina de canto do CRAS, Coral "Nosso Canto".

Na manhã do dia 19 de julho, aconteceu o encontro do arcebispo com os funcionários da paróquia e mais alguns enfermos foram visitados.  No fim da manhã, dom Majella visitou uma lavoura de morangos.  Após o almoço, aconteceu uma caminhada ecológica de oração com as crianças e adolescentes.  O início da tarde ficou reservado para o arcebispo consultar os livros do Arquivo Paroquial, fazendo neles os registros de sua visita pastoral. Logo em seguida, o arcebispo se dirigiu ao Distrito dos Fernandes, onde visitou um Barracão de Morango e uma Fábrica de Móveis e presidiu a Celebração da Eucaristia na Igreja de Nossa Senhora de Fátima. Em seguida, aconteceu um momento de confraternização.

Na manhã do sábado, dia 20 de julho, depois da reunião com o Conselho Paroquial para Assuntos Econômicos - CPAE, as comunidades São Pedro (Bairro Cachoeira) e Santa Luzia (Bairro Santa Luzia) receberam a visita do arcebispo. Logo após o almoço, dom Majella reuniu-se com o Conselho Paroquial Pastoral - CPP. À tarde, as comunidades Nossa Senhora Aparecida (Bairro Copa do Moji) e Santa Luzia (Bairro Barro Branco) receberam a visita do arcebispo. Em seguida, dom Majella se dirigiu para o Distrito Sertão da Bernardina, onde celebrou a Eucaristia na Igreja de Nossa Senhora Aparecida e participou da confraternização preparada pela comunidade.

No domingo, dia 21 de julho, logo de manhã, dom Majella presidiu a Celebração Eucarística na comunidade São Francisco de Assis (Bairro Capinzal). Ainda na parte da manhã, às 10 horas, a Visita Pastoral foi encerrada com a Celebração Eucarística na Igreja Matriz, com a participação de todas as comunidades, pastorais, movimento e ministérios. A Banda Municiapal Lira Tocosmojiense homenageou dom Majella com apresentações musicais.

Segundo o padre Eduardo Rodrigues da Silva, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida:

“Esperamos, como frutos da Visita Pastoral, a confirmação da nossa fé, a nossa comunhão com toda a Igreja, o espírito de unidade, o fortalecimento da esperança e do desejo de caminharmos juntos, de uma forma sinodal, com ultimamente temos falado tanto, para que nos sintamos um verdadeira família dos filhos de Deus."

Veja alguns momentos da Visita Pastoral de dom Majella fotografados por Júlia Mara, da Pastoral da Comunicação - PASCOM da Paróquia Nossa Senhora Aparecida.

Acolhida na Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida

Visita às Autoridade Municipais

Momento de Oração com os Movimentos Marianos

Missa de Abertura e Homenagem de Boas Vindas

Visita aos Produtores de Morango

Caminha Ecológica de Oração com as Crianças

Encontro com o Grupo da Terceira Idade

Visita a Fábrica de Móveis

Missa e Confraternização na Comunidade Nossa Senhora de Fátima no Distrito dos Fernandes

Visita a Comunidade São Pedro da Cachoeira

Visita a Comunidade Santa Luzia

Reunião com o Conselho Paroquial para Assuntos Econômicos - CPAE

Visita a "Porteira do Céu" no Caminho da Fé

Visita a Comunidade Santa Luzia do Barro Branco

Visita a Comunidade Nossa Senhora Aparecida da Copa

Missa e Confraternização na Comunidade Nossa Senhora Aparecida no Distrito Sertão da Bernardina

Missa e Confraternização na Comunidade São Francisco do Capinzal

Reunião com o Conselho Paroquial de Pastoral - CPP

Missa de Encerramento na Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida

Encerramento da Visita Pastoral - Homenagem da Banda Municipal Lira Tocosmojiense

Texto: Padre José Luiz Faria Junior

Imagens: Júlia Mara - PASCOM – Paróquia Tocos do Moji


Arquidiocese promove IV Encontro Arquidiocesano de Liturgia

Aconteceu nos dias 19, 20 e 21 de julho, o IV Encontro Arquidiocesano de Liturgia, com o tema "Liturgia e Missão", promovido pela Comissão Arquidiocesana de Liturgia - CAL.

O encontro aconteceu nas dependências do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora e foi orientado pelo Frei Luís Felipe Marques, Mestre e Doutor em Teologia Sacramental, assessor da Comissão Episcopal para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, que refletiu sobre a relação entre Liturgia e Missão, inspirado no lema bíblico "Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16,15).  Também ajudou na assessoria do encontro, Marlene Maia Silva, Mestre em Catequética e com grande experiência na área da formação.

Os 45 participantes, vindos das diversas paróquias da Arquidiocese, chegaram ao Seminário no final da tarde da sexta-feira, dia 19 de julho. A abertura do encontro aconteceu às 18 horas com a oração do Oficio Divino.

Por volta das 8 horas do sábado, dia 20 de julho, iniciou-se o encontro com a reflexão sobre o tema: “A mistagogia litúrgica em relação com a liturgia missionária”. Ao longo do dia aconteceram varias atividades: roda de conversa, fila do povo e vivências sobre as orações de bênçãos. Aconteceu ainda uma partilha do Conselho Missionário Diocesano - COMIDI, sobre as experiências missionarias realizadas, sua estrutura e organização.

As atividades do domingo, dia 21 de julho, tiveram início com a Celebração Eucarística, às 7 horas. Na parte da manhã foi realizada uma experiência missionária com visitas às casas das famílias do bairro. A tarde foi dedicada a troca de experiências e partilhas entre os participantes. A conclusão do encontro se deu às 15 horas.

Texto: Padre José Luiz Faria Junior

Imagens: Padre Marcos Roberto da Silva


Pastoral Familiar realiza Encontro sobre Catequese Pré Matrimonial

Na tarde de hoje, 20 de julho, aconteceu um encontro sobre a Catequese Pré Matrimonial, com a participação de representantes das paróquias da Arquidiocese de Pouso Alegre.

O encontro teve início às 13 horas, na Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Pouso Alegre (MG) e contou com a presença de mais de duzentos e cinquenta catequistas das diversas paróquias da Arquidiocese de Pouso Alegre. E encerrou-se com a Celebração Eucarística, às 17 horas, no Santuário do Imaculado Coração de Maria.

A assessoria do encontro, promovido pela Coordenação Arquidiocesana da Pastoral Familiar, foi do casal André e Karina Parreira, da Diocese de São João Del Rei, que são os autores do material quer vem sendo utilizado para a realização da Catequese Matrimonial.

A implantação do novo formato da Catequese Matrimonial nas paróquias da Arquidiocese já vem sendo realizada há três anos. A grande maioria das paróquias já aderiu a essa nova forma de preparação dos noivos para a Celebração do Matrimônio. Sendo assim, o encontro marcou a conclusão dessa fase e ofereceu a oportunidade para que os catequistas tivessem contato com os autores do material, podendo tirar dúvidas sobre as temáticas apresentadas e conhecer as motivações que levaram o casal a escrever o livro, seguindo as orientações do Papa Francisco e dos Documentos da Igreja sobre a vida conjugal.

Os participantes tiveram a oportunidade de trocar experiências e partilhar sobre o novo formato da Catequese Matrimonial, bem como, ouvir o testemunho de casais envolvidos no processo catequético.

O encontro contou com a presença do Côn. Wilson Mário de Morais, Vigário Geral da Arquidiocese, que em nome do arcebispo Dom José Luiz Majella, acolheu a todos e agradeceu a dedicação e o emprenho na realização da Catequese Matrimonial nas paróquias da Arquidiocese de Pouso Alegre. Estiveram também presentes o Côn. Mauro Morais, Assessor da Pastoral Familiar na Arquidiocese, Pe. Edson Aparecido da Silva, Coordenador Arquidiocesano de Pastoral, Pe. Luiz Francisco Marvulo Martins - CMF, e Pe. Benedito Ferreira da Costa.

Texto: Padre José Luiz Faria Junior

Imagens: Lidiane Schmidt

 


V Formação para Conselhos Diocesanos e Equipes de Terceira Etapa do ECC acontece em Pouso Alegre

Aconteceu nos dias 12 e 13 de julho, na Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Pouso Alegre (MG) a V Formação para Conselhos Diocesanos e Equipes de Terceira Etapa da Província Eclesiástica de Pouso Alegre do Encontro de Casais com Cristo (ECC).

O Encontro de Formação foi organizado pelo casal Ronaldo e Noely, responsáveis pelo ECC na Arquidiocesano de Pouso Alegre e pelo Padre João Luiz Ferreira Peçanha, diretor espiritual do ECC na Arquidiocese de Pouso Alegre. Participaram do encontro casais diocesanos e casais setoriais do ECC das Dioceses de Campanha e Guaxupé e da Arquidiocese de Pouso Alegre.

A Formação iniciou-se na sexta-feira, dia 12 de julho, às 18 horas e encerrou-se às 21 horas, retornando no sábado, logo de manhã, com a Celebração Eucarística no Santuário do Imaculado Coração de Maria. Ele se estendeu durante todo o dia, com várias palestras ministradas pelos diretores espirituais do ECC, do Regional Leste2, da Província Eclesiástica de Pouso Alegre. O casal Carlos e Lia, Casal Regional Leste 2 do ECC, também foi palestrante. Além das palestras, aconteceram momentos de espiritualidade e círculos de estudos.

Essa Formação da Província acontece uma vez por ano em uma cidade das dioceses da Província. Pela primeira vez ela aconteceu em uma cidade da Arquidiocese de Pouso Alegre.

Segundo os organizadores do Encontro:

"O objetivo dessa formação é proporcionar aos casais diocesanos e setoriais e casais das equipes dirigentes de terceira etapa do ECC da nossa Província, uma troca de experiências, um aprofundamento nos estudos do Documento Nacional, que contém as normas para o ECC em suas 3 etapas.  Foi um momento para buscarmos comunhão e força para continuarmos firmes em nosso propósito de evangelizar as famílias através do nosso trabalho com casais."

As equipes de trabalho da Formação foram, em sua maioria, compostas por casais da Paróquia São Francisco e Santa Clara onde o ECC está implantado em Pouso Alegre. Foram 25 casais encontristas que receberam a formação e 26 casais que trabalharam na realização desse Encontro, que também contou com a participação de 7 padres.

Texto: Padre José Luiz Faria Junior

Imagens: ECC Pouso Alegre