#Reflexão: 5º domingo do Tempo Comum (08 de fevereiro)
A Igreja celebra o 5º domingo do tempo comum neste domingo (08). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 58,7-10
Salmo: 111(112),4-5.6-7.8a.9 (R. 4a.3b)
2ª Leitura: 1Cor 2,1-5
Evangelho: Mt 5,13-16
CARIDADE QUE BRILHA E DÁ SABER AO MUNDO.
Domingo passado ouvidos os primeiros ensinamentos do grande Sermão da Montanha de Jesus. As Bem-aventuras não são somente conselhos para os discípulos e o povo, mas o próprio estilo de vida de Jesus. A vida de Nosso Senhor é a melhor forma de entendermos cada frase desta primeira instrução para todos que querem segui-Lo. No Evangelho deste domingo e nos próximos, Jesus continua instruindo a todos.
As duas comparações escolhidas por Jesus retratam situações que todos conheciam muito bem e reproduziam o cotidiano das pessoas dentro de casa e nas cidades. Mas, Jesus amplia o significado de cada símbolo. Ele diz que todos devem ser como o “sal” e como a “luz”, mas com uma missão que é universal, de fato, afirma Jesus: “... sal da terra” e “...luz do mundo”. Assim, Cristo parte daquilo que se conhecia, mas transpõe para uma ação que abrange todas as pessoas: O sal era usado basicamente dentro de casa, mas Jesus convida a dar sabor em toda a terra; a luz que iluminava as casas que juntas formavam uma cidade, Jesus convoca para iluminar toda a terra.
Naquele tempo, o SAL era o principal tempero para dar sabor aos alimentos e refeições. Jesus explica que é próprio da natureza do sal dar sabor em tudo onde ele é colocado. Não é uma escolha ou uma realidade casual, mas é algo da essência do sal dar um gosto especial aos pratos. O convite de Jesus é para que cada um viva aquilo que já faz parte de nossa natureza humana: somos e estamos presentes neste mundo para dar qualidade e sentido a tudo que nos rodeia, como o sal nos alimentos.
O sal não tem sentido em si mesmo, mas somente quando se dissolve misturado em uma comida. Sua existência encontra-se em transformar e dar sabor às refeições. No entanto, sabemos que tudo possui uma medida certa e correta para cada coisa. Na quantidade justa, o sal (como outros temperos) “transforma” os alimentos em pratos deliciosos.
Jesus, no entanto, lembra que não viver esta missão é como perder o sentido essencial da existência: para mais nada serve! Quem deixa de dar sabor à vida das pessoas, transforma-se em algo que não tem utilidade e valor: é despejado e jogado fora e será pisado como terra sem valor. Essas palavras de Jesus devem ter espantado a todos, pois nenhum sal que é realmente sal jamais deixará de perder sua propriedade de dar sabor aos alimentos.
A segunda comparação que Jesus utiliza assemelha-se a primeira, mas com algumas particularidades significativas. A LUZ da lamparina assinalada por Jesus era conhecida por todos. Nosso Senhor lembra que ela fazia parte da vida diária das famílias em suas casas e juntas criavam a claridade das cidades (certamente, não havia iluminação pública como conhecemos hoje). Mas, Jesus fala de uma “luz especial”, pois ela possui a capacidade e a missão de iluminar todo o mundo. As lâmpadas acesas ao entardecer nas casas iluminavam o ambiente, um pouco ao seu redor e se transformavam em um grande farol na noite como eram as cidades.
Da mesma forma que o sal, uma lâmpada para cumprir sua missão precisam viver iluminando os outros. De pouco serve o sal em um saco e escondido em um depósito, como também pouca utilidade possui uma lâmpada acesa, mas escondida debaixo de um “caixote” que era um pequeno recipiente usado para medir os grãos de alimento. Assim, colocar sua lâmpada debaixo deste caixa é procurar ajustá-la a sua medida e comodidade pessoal. Mas, Jesus lembra que é próprio da vocação da lâmpada iluminar tudo ao seu redor. Escondê-la para si é a mesma coisa que sufocar um dom que possui a capacidade de fazer o bem a tantas outras pessoas.
Segundo Jesus, há uma graduação na missão de ser luz. Ele orienta que a lâmpada deve, em primeiro lugar, brilhar em sua casa. A primeira missão daquele que é discípulo de Jesus é iluminar aqueles que estão mais próximos. Cada um deve ter a sua luz, não para si (não esconder debaixo de um caixote), mas para aqueles que estão na mesma casa. Pode acontecer que, aqueles que estão debaixo do mesmo teto não aceitem a luz (cada um se escondendo debaixo de seu “caixote” pessoal), mesmo assim, não se deve esconder a sua luz para os seus. Somente depois, cada um deve “brilhar diante dos homens”.
A luz das lâmpadas encanta os olhos e dá segurança àqueles que se encontram na escuridão da noite. Jesus convoca a todos a viverem a vocação de cada um, encantando os olhos das pessoas. Mas, é fundamental recordar que não é a pessoa que deve brilhar, mas a lâmpada de sua fé. Devemos ser como velas acesas que na noite, nem são notadas, mas somente suas chamas acesas. Jesus fala de “boas obras” que devem apontar para Deus. Iluminar conforme Jesus nos ensina com “boas obras” é uma forma de conduzir as pessoas ao louvor a Deus. Da mesma forma que a luz de uma lâmpada se destaca na escuridão da noite, do mesmo jeito o nosso testemunho deve levar às pessoas a perceber a presença de Deus em suas vidas.
Não somos chamados a buscar visibilidade, mas sim a identidade de quem somos chamados a ser. A vela não se preocupa em iluminar: ela simplesmente queima e, ao queimar, ilumina. A identidade não pode permanecer oculta, mesmo que não faça nada para se fazer ver. Ninguém dá o que não tem: o que você é fala mais alto do que o que você diz. Nós, na realidade, não somos luz, mas uma lâmpada que, quando acesa, emite luz. Assim, emitimos luz somente quando iluminados por Cristo, pelo fogo do seu amor. Jesus, colocado no candelabro da Cruz para iluminar o mundo, nos pede que sejamos também como Ele luz no mundo (Ermes Ronchi).
O profeta Isaías na primeira leitura nos lembra do grande efeito positivo em nossas próprias vidas quando fazemos o bem aos outros. O alimento repartido, a acolhida daqueles que estão desabrigados e sem o que vestir se transformam em luz da aurora na vida de quem vive dessa forma. A justiça feita aos outros aproxima a pessoa de Deus e Ele vem sempre ao seu encontro. O coração que produz boas obras sempre será mais facilmente escutado por Deus. Isaías recorda ainda que para haver a luz é necessário, em primeiro lugar, fazer caridade (acolher os sem-teto, vestir aqueles que não têm nada...) e alerta da necessidade de também limpar (cancelar) de nossas vidas tudo aquilo que é fonte de trevas e escuridão. A graça da luz de Deus depende também de nós, de nossas ações e de nossas prioridades. Algo semelhante, nós ouvimos de Paulo na 2a leitura, ele encontrou pessoas o que tinham “luzes próprias” (cheias de si mesmas e orgulhosas de seus dons), mas ele procurou mostrar e dar sabor a vida de todos com aquilo que ele possuía de mais precioso: Jesus Cristo. Nada escondeu ou submeteu a sua medida e razão. Paulo anunciou Jesus crucificado! A luz daquelas pessoas orgulhosas em um momento cessou de brilhar, mas a luz de Jesus continuou contagiando os corações de todos.
Tanto o sal como também a luz possuem algo em especial, eles dão sentido, sabor e iluminam se consumindo. O sal se dissolve completamente nos alimentos e a chama que produz a luz consome o óleo da lâmpada. No fundo, o sal que devemos ser, nada mais é que o próprio Jesus que dá sabor a nossa vida; a luz que devemos ser na vida de tantos, é o próprio Jesus que dá sentido a nossa existência. Ser sal e ser luz não devem ser uma simples ação ou uma atividade corriqueira, mas o próprio modo de vida de Jesus.
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Arquidiocese ganha dois novos diáconos
Na manhã do sábado, 31 de janeiro, com a participação de um grande número de seminaristas, diáconos e sacerdotes, a catedral do Senhor Bom Jesus em Pouso Alegre ficou lotada de cristãos leigos e leigas e religiosos na missa em que foram ordenados diáconos pelo arcebispo de Pouso Alegre, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., os seminaristas Leonardo Henrique Couto Tosta e Lucas Lázaro Carvalho Simões.
“Eu, porém, estou no meio de vós como quem está servindo” (Lc 22,27),esse o lema da ordenação dos novos clérigos.
Abrilhantou a celebração com belas músicas, entre as quais algumas do padre José Fernandes de Oliveira, scj, o conhecido padre Zezinho, o coral São Sebastião e São Roque da paróquia homônima da cidade de Bom Repouso.
Na homilia, o pastor arquidiocesano, entre diversas considerações, dirigindo-se aos ordenandos e à assembleia, afirmou que a segunda leitura escolhida pelos dois seminaristas “revela a igreja como uma comunidade de serviço, fala-se na escolha de sete homens cheias do Espírito Santo, cuja missão é o serviço das mesas. Serviço! Essa foi a missão daqueles homens. Na verdade, esses sete aparecem em outros episódios mais ligados ao serviço da Palavra do que ao serviço das mesas. A comunidade cristã é uma realidade que tem no centro da sua dinâmica o serviço, seja o serviço da Palavra seja o serviço na assistência dos irmãos mais pobres. É impensável uma comunidade cristã em que não esteja bem viva essa dimensão diaconal.”
Destacou também que “Jesus é o diácono por excelência” e que a ordenação diaconal não se trata de um privilégio, que confere maior dignidade a quem dela é investido, e sim dons, que devem ser postos ao serviço da comunidade.
No final da celebração os novos diáconos agradeceram a Deus pelo chamado, a dom Majella pela confiança, ao clero, familiares e a todos os participantes da missa, que foram convidados a um almoço festivo na quadra do santuário Sagrado Coração de Maria.
A partir de fevereiro, o diácono Leonardo Henrique exercerá a diaconia na paróquia Senhor Bom Jesus de Bueno Brandão e o diácono Lucas Lázaro no ofício de vigário na paróquia São José de Paraisópolis.


Assista aqui ao vídeo com a íntegra da celebração
Texto: Luiz Gonzaga da Rosa
Fotos: Pascom arquidiocesana
#Reflexão: 4º domingo do Tempo Comum (01 de fevereiro)
A Igreja celebra o 4º domingo do tempo comum neste domingo (01). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Sf 2,3;3,12-13
Salmo: 145(146),7.8-9a.9bc-10 (R. Mt 5,3)
2ª Leitura: 1Cor 1,26-31
Evangelho: Mt 5,1-12a
OS BEM-AVENTURADOS DE DEUS
O evangelista Mateus nos informa nos versículos que antecedem as Bem-aventuranças que Jesus ensinava em todos os lugares (sinagoga, aldeias, praças, casas, ao longo do mar etc.). No esquema do Evangelho de Mateus, as Bem-aventuranças são o início do primeiro discurso e o principal conteúdo que definem a vida de Jesus e dos seus discípulos. Em Mateus são cinco grandes discursos de Jesus: Sermão da Montanha (Mt 5-7); discurso missionário (Mt 10); discurso em parábolas (Mt 13); discurso sobre a Igreja (Mt 18) e o discurso escatológico (Mt 24).
O Evangelho deste domingo inicia lembrando alguns fatos importantes. Jesus vê a grande multidão que O acompanhava. Nada passa despercebido a Cristo e o seu olhar vai além das necessidades físicas e espirituais (curas e exorcismos) que aquelas pessoas procuravam. Assim, Ele quis também deixar um plano de vida para todos: discípulos e multidão. Estas palavras que vão além da simples consolação de Deus para alguns males que afligem todas as pessoas.
Neste primeiro discurso (Mt 5-7), iniciando com as Bem-aventuranças, primeiro Jesus ensina a todos, em seguida, Ele vai demonstrar na prática o que disse a todos.
A realidade humana possui desafios e limites que, muitas vezes, nós temos muito mais perguntas do que respostas. São dramas humanos que ferem o nosso modo natural de viver; quase sempre, nós nem sempre conseguimos encontrar um significado. Simplesmente não temos respostas. Por isto, Mateus nos diz que Jesus convidou todas as pessoas para subirem com Ele no monte, procurar um lugar mais alto. As montanhas, em todas as religiões da antiguidade, sempre foram lugares onde o fiel se distancia do cotidiano e entra, mais facilmente, em comunhão com o divino, hoje são as nossas igrejas continuam oferecendo esta atmosfera da presença especial de Deus entre nós, são os nossos “montes” no meio da cidade.
Mateus antes de entrar propriamente na lista dos bem-aventurados observa que os discípulos se aproximaram de Jesus, pois não basta estar no lugar de proximidade com Deus, era necessário sentar-se aos pés de Jesus e abrir-se (ouvidos e o coração) para escutá-Lo, pois Ele é Mestre e Senhor. Os ensinamentos de Cristo são palavras que atingem em primeiro lugar os discípulos, mas são um ensinamento para toda a multidão, isto é, pra todos nós.
O conteúdo das Bem-aventuranças não é um projeto de vida ou uma realidade para poucos ou para aqueles que conseguem atingir um estágio de perfeição após inúmeros esforços e batalhas, mas são ensinamentos para o nosso dia-a-dia:
Jesus do alto da montanha ensina sobre a nossa dura e difícil realidade. Não são fórmulas mágicas e nem impossíveis, mas um convite a fazer a experiência de Deus inclusive e dentro da mais pura realidade humana: não é uma recompensa para poucos escolhidos, mas para pessoas comuns e da vida feita de fatos do corriqueiro da existência humana, enfim, um plano de vida para seus discípulos.
Do alto da montanha, Jesus apresenta um projeto de felicidade para todos nós. Segundo Nosso Senhor, ser “bem-aventurado” é ser feliz, é ter descoberto uma presença especial de Deus mesmo estando em situações tão diversas que costumamos até afirmar que Ele está ausente. O discípulo é chamado a fazer experiência da presença de Deus até mesmo em situações limites e desafiantes. Por isto, Jesus rompe com a mentalidade de sua época que via na riqueza, na vida sem problemas, sem crises e sem sofrimentos como única forma de sentir a providência divina. No Seu tempo, era proclamado feliz quem era rico e vivia na opulência dos bens.
As Bem-aventuranças não são uma forma de resignação (consolação) para aqueles que estão no sofrimento e na dor. Deus Nosso Pai não quer ninguém vivendo no sofrimento e na dor.
Ele sempre se faz presente com graças e bênçãos para nos ajudar em todas as situações; nos sustenta e nos anima a vencer tudo que nos atinge. Deus nos quer filhos felizes e saudáveis. As Bem-aventuranças são algo mais profundo e com um sentido muito mais amplo do que uma consolação diante das adversidades da vida.
Jesus tinha convidado alguns a segui-Lo como discípulos se colocando atrás Dele (vimos isto no Evangelho de Domingo passado), hoje Ele nos ensina (e compartilha conosco) o seu projeto de vida pessoal: seguir Jesus é seguir sua forma de viver com todos os seus desafios. A melhor forma de entender as Bem-aventuranças é observar como o próprio Senhor Jesus colocou tudo isto em prática. Não são receitas só para os discípulos, mas é o próprio modo de vida de Jesus.
Em cada Bem-aventuranças, nós temos como palavra principal o termo: “Felizes”. Deus não nos quer tristes e pessoas amarguradas com os desafios da vida, mas cheios de felicidades. Jesus inicia afirmando que são “felizes aqueles que são pobres”. Não é uma pobreza onde falta qualidade de vida e condições mínimas de dignidade. Jesus convida todos a terem uma vida se alegrando com o básico e o fundamental para sua existência. Jesus não viveu na miséria e nem na indigência, mas sempre teve o necessário para prosseguir sua missão. Por isto, Jesus afirma: “pobres em espírito”, pois Ele mesmo podendo ter tudo do bom e do melhor, escolheu viver na simplicidade e com o necessário somente. Para Jesus: o necessário é o suficiente!
O mesmo princípio, nós podemos observar para as outras Bem-aventuranças: "Felizes os mansos" , são aqueles que como Jesus escolheu o caminho da paz ao invés da violência, pois esses terão o reconhecimento de todos como herança (herdarão a terra); felizes os que lamentam e sofrem por dores que não são suas como Jesus que se emocionou com o sofrimento da viúva de Naim (Lc 7,11-17) ou a morte do amigo Lázaro (Jo 11,35); para esses que sofrem, Deus será o consolo. Felizes aqueles que desejam e sentem necessidade da verdadeira justiça da mesma forma que precisam se alimentar para viver (“fome e sede”), esses serão um dia saciados. Felizes aqueles que agem como Deus: com misericórdia e não com violência diante do mal, esses encontrarão a Misericórdia de Deus. Felizes são aqueles que têm seus corações cheios do amor de Deus, pois sempre encontrarão Deus em todas as pessoas e lugares (“verão a Deus”). Felizes aqueles que têm a paz como bandeira de suas vidas, paz que é a plenitude da presença de Deus, esses são os verdadeiros filhos de Deus. Felizes aqueles que lutam, não com armas que produzem mais morte, mas pela justiça que é muito mais que simples aplicação de leis, mas justiça que promove o ser humano em sua integridade, esses, apesar de todos os sofrimentos, dores e humilhações estão no mesmo caminho percorrido por Jesus.
A pobreza espiritual deve ser a condição primeira para o discípulo e a justiça o modo de vida daqueles que seguem Jesus, estes dois caminhos já são realidades onde o Reino de Deus se atualiza neste mundo, pois “deles é o Reino dos Céus”. Domingo passado ouvimos as primeiras palavras de Jesus convidando todos a conversão, pois o “reino de Deus está próximo”. A pobreza de vida e a luta pela justiça é que fazem acontecer o Reino de Deus segundo Jesus.
As Bem-aventuranças ainda soam para nós como algo estranho e distante, como se fossem para uma outra realidade humana, mas é exatamente aqui que erramos. Elas não estabelecem novos mandamentos, mas prolongam a bela notícia que Deus presenteia vida a quem produz amor; se alguém se encarrega da felicidade de outros, Deus Pai se encarregará da sua felicidade. As Bem-aventuranças nos ensinam que o mundo precisa de pessoas que moldem suas vidas ao modo de vida de Jesus, pois o mundo pertence a quem o torna cada dia melhor com seu testemunho de amor.
A simplicidade e a humildade (como nos lembra a 1ª leitura) já são condições naturais onde a pessoa pode experimentar o amor e a consolação de Deus que não é nosso “patrão”, mas Pai de todos nós. Mas, felizes são aqueles que escolhem o caminho de Jesus, vivendo como estranhos aos olhos e aos valores deste mundo, mas completamente abertos ao projeto de felicidade de Deus. Paulo exorta as pessoas de sua comunidade a se tornarem estranhos e até desprezíveis olhos do mundo vivendo na simplicidade e sem vaidades humanas. As Bem-aventuranças ensinadas por Jesus, no fundo, é um projeto de felicidade que podemos experimentar até mesmo quando sentimos que tudo aparenta conspirar contra nossa vida, mas se o fazemos como uma escolha sendo discípulo de Jesus, tudo tem um sentido mais profundo e divino, pois Deus é a nossa maior herança e o nosso mais belo consolo.
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Missionários mineiros participam da pós-graduação em Missiologia promovida pelo Centro Cultural Missionário, em Brasília
O Centro Cultural Missionário (CCM) iniciou, em Brasília, uma nova turma da especialização em Missiologia. Em sua quarta edição, o curso oferece formação para pessoas que desejam atuar na evangelização a partir de suas realidades missionárias, articulando projetos, promovendo a cooperação missionária e a missão ad gentes, além de contribuir para a formação de novos missionários.
Minas Gerais está representada nesta edição da especialização por participantes de diversas dioceses e arquidioceses do Regional Leste 2. A seguir, eles partilham suas motivações para integrar esse processo formativo.
Da esquerda para direita: Fábio Machado, Sem. Aleisson Rodrigues, Pe. Edilson, Fernanda Aline, Pe. Evandro e representando nossa Arquidiocese de Pouso Alegre: Pe. Rafael Silveira
“Minha motivação para cursar a pós-graduação em Missiologia nasce da vivência pastoral e, de modo especial, da experiência com a Infância e Adolescência Missionária, onde aprendi que a missão se constrói desde cedo, com espiritualidade, solidariedade e compromisso. Diante dos desafios atuais da evangelização, sinto a necessidade de uma formação sólida que qualifique minha atuação missionária e fortaleça o trabalho com crianças, adolescentes e comunidades. Espero que esta especialização me capacite a servir com maior discernimento, sensibilidade social e fidelidade ao Evangelho, contribuindo para uma Igreja cada vez mais missionária, próxima do povo e geradora de esperança.”
Fernanda Aline – Diocese de Januária
“Minha primeira motivação em cursar a especialização em Missiologia é em razão de ter uma formação específica e sistemática de missiologia, por ser padre e membro de instituto de carisma missionário e, segundo, para trabalhar na formação das comunidades, lideranças e agentes de pastoral na vocação e ação missionária, por ser a Igreja, na sua natureza, missionária (cf. AG 2).”
Pe. Edilson P. L. Farias – Diocese de Teófilo Otoni
“A formação missionária que acontece no Centro Cultural Missionário, em Brasília, é um verdadeiro espaço de encontro, cultura e aprofundamento da fé, onde pessoas de diferentes realidades se reúnem movidas pelo mesmo desejo: compreender cada vez mais a missão de Jesus Cristo. Inspirada no próprio Deus, que em seu amor envia o Filho ao mundo, essa formação acolhe a herança missionária deixada à Igreja e a atualiza para os desafios do nosso tempo, ajudando-nos a ler a realidade com olhar evangelizador. Mais do que transmitir conteúdos, o Centro Cultural Missionário promove uma experiência viva de comunhão, reflexão e partilha, fortalecendo em cada participante a identidade e o compromisso de ser discípulo missionário no hoje da história.”
Pe. Evandro de Pádua – Diocese de Caratinga
“O curso de pós-graduação em Missiologia, nesta etapa da minha formação inicial, oferecerá uma base teórica sobre a missão, tendo em vista a prática missionária junto ao Povo de Deus. Dessa forma, em sintonia com a Igreja, cuja natureza é missionária (AG, n. 2), proponho-me a viver todas as atividades em chave missionária.”
Seminarista Aleisson Rodrigues Amaral – Diocese de Araçuaí
“Como assessor arquidiocesano do COMIDI e da IAM na Arquidiocese de Pouso Alegre, vejo como importante o presente curso para um crescimento pessoal sobre o assunto e para poder auxiliar melhor as paróquias e comunidades de nossa Arquidiocese, atendendo às necessidades da Igreja, pois a missão ultrapassa o espaço geográfico. Acredito que essa pós-graduação em Missiologia é um fator importante para aqueles e aquelas que contribuem com a Missão de Deus na sociedade e na vida eclesial, cooperando na construção do Reino de justiça, paz e amor.”
Pe. Rafael Silveira Pires Xavier – Arquidiocese de Pouso Alegre
“No Grupo de Oração Nossa Senhora Aparecida há um desejo enorme de ir para ‘águas mais profundas’ (Lc 5,4), e coube a mim responder com ‘sim’ ao chamado de representá-lo nessa formação. O nosso foco é evangelizar as famílias. Em comunhão com nosso pároco, Monsenhor Pedro Godim Ferreira, evangelizaremos no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Divinópolis, com a ousadia própria de quem se deixa conduzir por Deus. Faremos um projeto missionário a partir do conhecimento adquirido aqui. A formação no Centro Cultural Missionário é uma experiência única, tanto na convivência com missionários de todo o país quanto pela sabedoria dos professores e pela qualidade técnica da faculdade. Sem dúvida, é um ampliar de horizontes.”
Fábio Machado – Diocese de Divinópolis
Fonte: Regional Leste 2
Arquidiocese de Pouso Alegre promove formação da Campanha da Fraternidade
Mais de 70 representantes das paróquias da Arquidiocese de Pouso Alegre se reuniram durante este sábado (24) no Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre para uma formação sobre a Campanha da Fraternidade 2026 que traz como tema a “Fraternidade e Moradia” e lema “E Ele veio morar entre nós!” Jo 1,14.
A formação foi ministrada pelo diácono permanente Alex Silva e é mais uma iniciativa da Arquidiocese de Pouso Alegre através da Comissão Vida Plena para todos. O evento contou ainda com a participação Assessor da Comissão, Pe. Felipe Mateus, do coordenador de Pastoral Arquidiocesano, Pe. Tiago Vilela da Silva, além da participação de outros dois diáconos permanentes: Anísio Salvador, que abriu o evento com a leitura do Evangelho e Fábio Roberto Menegon, que deu a bênção final da formação.
De acordo com André Martins, do Colegiado Vida Plena e Laicato, responsável pela abertura e organização desta formação, esta foi uma oportunidade de intensificar as atividades quaresmais e um auxílio para mantermo-nos fiéis ao chamado de Deus. “A Campanha da Fraternidade começa hoje e não tem data para terminar”, destaca.
“A Campanha da Fraternidade tem sido atacada de forma muito recorrente”, ponderou Pe. Tiago e solicitou gentilmente aos presentes que se motivassem a realizar duas ações ao retornarem para suas paróquias: “ser multiplicador desta formação em suas comunidades e mobilizarem os demais paroquianos a participarem dos editais da Arquidiocese que contemplam projetos voltados às demandas tratadas na Campanha da Fraternidade”.
Com embasamento todo feito na Palavra de Deus, o diácono Alex conduziu os presentes a uma reflexão que possibilitou um mergulho profundo no ato de enxergar a necessidade do outro e se comprometer com a sua causa. “Amar, conhecer, adorar a Deus é estar a serviço. Não adianta falar da fraternidade se eu não for solidário com o meu próximo”, enfatiza.
“O amor não é passivo, mas via ao encontro do outro, ser próximo não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar”, pondera diácono Alex. Além da parte espiritual, ele trouxe também dados reais da atual situação habitacional em nosso País.
Alex ainda destacou que somos todos convidados a aceitar esta chamada, sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar as periferias que precisam de luz do Evangelho. "É o próprio Deus quem, nesta Quaresma e nesta Campanha da Fraternidade, nos convoca à conversão, à ação solidária e ao compromisso cristão coma fraternidade e moradia digna em nosso país, inspirados no agir de Jesus”, salienta.
Outras abordagens foram destacadas como o agir pessoal e educativo; agir comunitário, sociopolítico; agir eclesial profético e uma profunda meditação sobre o agir divino foi conduzida de forma a envolver todos os presentes e chamar todos à importante responsabilidade de estar sempre mais próximo de Jesus e viver conforme seus ensinamentos.
Já o Pe. Felipe Mateus chamou a todos para o compromisso de despertar para o agir e a conversão da mentalidade. “O pobre não é uma ideia, é pessoa. Precisamos que cada um assuma a sua responsabilidade diante das necessidades dos nossos irmãos”, destaca.
Ao final um momento de partilha foi proposto e os presentes tiveram a oportunidade de compartilhar os trabalhos que desenvolvem junto às suas paróquias e comunidades.
Texto e fotos: Cristiane Reis
Papa reconhece virtudes heroicas de Mãezinha do Carmelo
O Papa Leão XIV autorizou, nesta quinta-feira, 22 de janeiro, a promulgação de novos decretos do Dicastério para as Causas dos Santos, durante audiência concedida ao cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério. Os atos aprovados pelo Pontífice dizem respeito ao reconhecimento de um milagre, de um martírio e das virtudes heroicas de diversos Servos e Servas de Deus, etapas decisivas no caminho rumo à beatificação ou à declaração de venerabilidade. Entre os decretos promulgados está o reconhecimento das virtudes heroicas da Serva de Deus brasileira irmã Maria Imaculada da Santíssima Trindade, conhecida como “Mãezinha do Carmelo ”, que passa a receber o título de Venerável.
Uma vida consagrada a Deus no coração do Brasil
Nascida em 12 de janeiro de 1909, em Maria da Fé (MG), Maria Giselda Villela viveu desde cedo uma profunda experiência de fé, marcada pelo desejo de total consagração a Deus. Ao professar os votos como religiosa, assumiu o nome de irmã Maria Imaculada da Santíssima Trindade e destacou-se por uma espiritualidade centrada no mistério trinitário e por uma vida de oração intensa, vivida com fidelidade silenciosa e perseverante. Sua vocação encontrou expressão plena na fundação do Carmelo da Sagrada Família, em Pouso Alegre, onde contribuiu decisivamente para o enraizamento da vida carmelitana na Igreja particular e para a difusão de um testemunho contemplativo profundamente unido à realidade e às necessidades do povo.
A Venerável Maria Imaculada da Santíssima Trindade faleceu em 20 de janeiro de 1988, em Pouso Alegre, deixando como herança espiritual uma comunidade marcada pela fidelidade ao carisma carmelitano, pela centralidade da oração e pela confiança filial na ação de Deus. O decreto promulgado reconhece que a Serva de Deus viveu de modo heroico as virtudes cristãs — fé, esperança e caridade — bem como as virtudes humanas, de forma constante e exemplar. Para a beatificação, será necessário o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido após sua morte.
Fonte: Vatican News
Imagens: Carmelo Sagrada Família - Pouso Alegre (MG)
Semana Vocacional 2026: Um Tempo de Graça e Reflexão na Paróquia Nossa Senhora das Dores
De 13 a 18 de janeiro, a Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Gonçalves (MG), celebrou a Semana Vocacional 2026 com grande alegria. Este período especial foi dedicado à graça, à escuta e ao discernimento, proporcionando aos fiéis momentos significativos de reflexão e união, com a participação dos Seminaristas e Padres do Seminário Arquidiocesano de Nossa Senhora Auxiliadora.
Durante a semana, a paróquia promoveu visitas às famílias e aos doentes, além de momentos de oração e partilha, fortalecendo a fé da comunidade e despertando os corações para o chamado de Deus. Cada atividade foi cuidadosamente planejada para tocar e renovar a vida dos participantes pelo Espírito Santo.
O encerramento da Semana Vocacional ocorreu em 18 de janeiro, em uma celebração eucarística que emocionou a todos os presentes. A cerimônia, realizada às 11 horas da manhã, contou com a presença dos seminaristas que participaram das missões, além do Padre Fabiano e do Padre Edson, nosso pároco.
A comunidade agradeceu a Deus por cada vocação e por cada gesto de entrega, oração e serviço vivenciado ao longo dessa semana abençoada. Que o Senhor continue chamando e fortalecendo muitos corações para o serviço na Sua Igreja.
A Semana Vocacional 2026 foi, sem dúvida, um momento de profunda espiritualidade e renovação para todos os participantes.
Fonte: Paróquia Nossa Senhora das Dores - Gonçalves (MG)
#Reflexão: 3º domingo do Tempo Comum (25 de janeiro)
A Igreja celebra o 3º domingo do tempo comum neste domingo (25). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 8,23b-9,3 ou At 9,1-22
Salmo: 26(27),1.4.13-14 (R. 1a.1c)
2ª Leitura: 1Cor 1,10-13.17
Evangelho: Mt 4,12-23
JESUS, LUZ DO MUNDO, ESCOLHE SEUS OS DISCÍPULOS
Jesus depois do Batismo de João e da consagração recebida de Deus Pai, inicia definitivamente a sua missão. Foi o momento de deixar pra traz: terra, casa, familiares, parentes, amigos e partir sem nada do mundo e pleno de Deus. Mais do que motivações humanas e históricas, Jesus procurou responder ao chamado de Deus Pai, mesmo diante de sinais evidentes de perigo e desafios: João tinha sido preso. A perseguição e a prisão de João, o precursor, em nada alterou a decisão de Jesus de começar o Reino de Deus neste mundo.
Livre de tudo e de todos, Jesus anuncia a Boa Nova do Reino, próximo de Cafarnaum, ao redor do lago de Genezaré (chamado de “Mar da Galileia”). A região da Galileia não era uma região de boa fama naquele tempo e a cidade de Nazaré, totalmente desconhecida na história do AT. Galileia era considerada terra de pagãos mesmo ainda sendo território do povo de Deus. Os judeus piedosos (fariseus) lá de Jerusalém na Judeia desprezavam ainda mais as terras de Zabulon e Neftali, pois eram consideradas “periferia” da terra de Israel, território de gente impura e pecadora. Na primeira leitura, Isaías menciona aquela região de “terra da escuridão”, mas que um dia terá uma presença de alegria e luz de Deus.
Jesus decidiu iniciar sua missão naquela terra sem esperança, marginalizada por séculos e ultrajada pelos religiosos de Jerusalém. A luz anunciada por Isaías precisava iluminar lá onde as trevas e o desprezo humano eram mais fortes e onde a ausência de esperança era mais sentida. O lugar de prestígio e fama era a cidade Santa de Jerusalém onde encontravam-se: o Templo sagrado, os religiosos e os sacerdotes que representavam o que de mais santo e puro se conhecia. Jesus inicia pelos últimos, os impuros e tidos como pecadores da periferia da terra do povo de Deus.
O anúncio inicial de Jesus retoma a pregação de João Batista: “convertei-vos, pois o reino dos céus está próximo” (Mt 3,2.17). Na terra marcada por rejeição, de gente marginalizada e humilhada por uma história triste do passado, era necessário deixar tudo isto para traz e abraçar o “novo” da Boa Nova trazido por Jesus, um novo Reino não mais humano e terrível, mas o “Reino dos céus”. Os reis e os impérios costumavam impor com a força e a espada a sua presença, não havia liberdade e nem adesão, mas submissão; Jesus propõe a conversão e a penitência como meio de acesso. A Luz de Deus e o seu reino só podem existir em um coração livre e purificado das sombras do pecado. É um reino novo, sem limites e sem um território, sem definições étnicas e sem preconceito; um reino onde a arma principal são a fé e a esperança. Um tempo novo, um reino novo que acontece não em um lugar ou tempo, mas dentro de cada pessoa.
Jesus afirma que o Reino de Deus por Ele anunciado “está próximo”, ao alcance de todos, não em Jerusalém e no Santuário Santo da cidade que estavam longe de todos da Galileia, mas no coração de cada um. Conversão é mudança interna, nos princípios e nos valores; é mudar de direção, mais do que deixar “pecados” é direcionar sua vida para Deus.
Um tempo novo com novos valores como, em seguida, Mateus nos apresenta com o chamado dos primeiros discípulos. Tal pensamento deve ser permanente entre nós: o Reino de Deus está sempre perto. Não pertence a uma pessoa, mas está próximo de todos; ninguém tem posse, mas permanece ao alcance de todos em todos os tempos, pois ele tem seu início e morada em cada coração que busca a Deus.
A missão era grande e Jesus sabia que deveria ser eternizada na história humana. Ele daria o pontapé inicial, mas tudo deveria continuar presente na realidade de todos os homens e mulheres. Segundo o evangelista Mateus, Jesus já no início de sua evangelização procurou definir o seu grupo de discípulos. Ele pessoalmente chamou cada um que livremente fez o que Ele, Jesus, já havia feito: eles deixaram tudo e todos para escolher viver ao lado do Mestre e Senhor Jesus.
O chamado foi feito a pescadores, irmãos e gente simples. Jesus vai ao encontro (caminha) e vê, é o modo novo do agir de Deus cheio de misericórdia. Os dois primeiros discípulos, Pedro e André, deixam o seu ofício e instrumentos de trabalho (barcos e redes) para seguir Jesus com uma nova promessa onde suas habilidades seriam remodeladas segundo a proposta do Reino dos Céus: passariam a ser pescadores de pessoas. Para isso, era necessário se colocar atrás do Mestre e reaprender a arte de pescar.
A segunda dupla de irmãos, Tiago e João, também era de pescadores e os dois trabalhavam com seu pai; o anúncio foi semelhante e a resposta igual aquela de Pedro e André: deixaram as redes, as barcas e o pai. Eram mais jovens que os primeiros, tinham ainda o privilégio da presença e do exemplo do pai que trabalhava e normalmente ensinava o ofício aos filhos. O convite de Jesus foi, no entanto, mais forte e a resposta mais exigente ao ponto de deixarem pra traz os sonhos da profissão, o convívio da família e até a presença do pai. Zebedeu pai tinha sido mestre de Tiago e João seus filhos, agora Jesus se apresenta como novo Mestre em uma nova missão.
Intrigante estes primeiros passos de Jesus e com os discípulos. Eles tinham tudo já arranjado e definido em suas vidas: barcos, redes, profissão, pai e até empregados (pequena cooperativa de pescadores) e Jesus não lhes oferece nada a mais e maior que eles tinham; Jesus não ofereceu nada deste mundo (riqueza, prestígio, poder...), e eles, mesmo assim, deixaram tudo. Segundo Mateus, Jesus não tinha feito nada ainda (milagres, sermões, prodígios...), no entanto, os primeiros quatro discípulos encontraram no Mestre Jesus algo que tocou suas vidas e seus sentimentos mais profundos para trocarem tudo somente por uma convivência e um proposta de repensar o que faziam, pois, “de fato eram pescadores”.
O Reino de Deus se inicia com um duplo convite de Jesus: mudança interna (penitência e conversão) e atitudes externas (abandonar família para constituir nova família com novo Mestre). O primeiro pedido é algo que toca as convicções e os princípios; o segundo, redireciona as atitudes e a ação. Jesus não pediu àqueles homens algo impossível e difícil, mas convidou-os para que colocassem seus dons (eram pescadores) a serviço do Reino de Deus (pescadores de pessoas); foram chamados a aprender a nova arte de viver um projeto novo não mais limitado a uma profissão, ao convívio familiar e a uma terra, mas sem limites e fronteiras. Deixam pra atrás a gostosa convivência familiar com os pais e a respeitada profissão de pescadores para responder ao chamado de Jesus. A missão era muito grande e desafiante que exigiu uma adesão total e a tempo pleno. Os fariseus tinham discípulos por um tempo, Jesus por toda a vida.
Muito tinha que ser feito, muitos lugares eles deveriam percorrer, muitos ouvidos e corações precisavam receber o convite para participar deste novo Reino não mais humano, mas divino e eterno. Jesus percorreu aldeias, sinagogas, vilas e casas anunciando o início de um novo tempo de Luz na humanidade. Esta é a marca do Reino de Deus: ir ao encontro das pessoas, oferecer projeto de vida, de liberdade, de respeito e de vida nova. Os discípulos deveriam primeiro aprender a caminhar com o Mestre para depois continuar a Sua missão. Ser discípulo é a nossa primeira e fundamental identidade: somos cristãos, pois seguimos o Mestre Jesus. Nosso Senhor nos deu a dica, ao escolher discípulos, que a missão deve ser assumida por todos e cada um deve seguir e aceitar Jesus como Mestre em sua vida. Começou com os apóstolos, mas não se limitou a eles.
O Reino dos Céus acontece principalmente nos corações das pessoas, mas foi também da vontade de Jesus que esse Reino tivesse sua maior presença e expressão em sua Igreja. Que mesmo com seus defeitos e limites, ela tem a missão de perpetuar na história a presença de Deus, ser a fonte principal e maior do amor de Deus. Na segunda leitura, Paulo chama atenção que Jesus e o seu anúncio de salvação, sua morte e ressurreição, é que devem ser o centro da vida da Igreja. Paulo exortou a comunidade de Corinto sobre o pecado da divisão interna, as “panelinhas” em torno de pessoas e relembrou a todos aqueles cristãos que, em Deus, não há conflito, divisão ou competição, mas harmonia e paz. O anúncio do Reino de Deus com essas qualidades lembradas por Paulo e tantas outras, precisa acontecer primeiro dentro de nossas comunidades para depois se tornar o sinal mais visível para todos que somente a luz de Jesus tem poder de dissipar do coração e da história humana as trevas do ódio e do pecado.
Os apóstolos deixaram tudo e colocaram seus dons de pescadores a serviço do Reino.
Deveriam mudar de vida (conversão) para serem pontes que conduzem as pessoas a Deus e ao seu reino. Eles teceram novas redes e assumiram novos barcos com suas palavras e principalmente com seus testemunhos, esses são os novos instrumentos do Reino de Deus que todos nós devemos usar para que novas pessoas possam também fazer parte do Reino que Jesus iniciou neste mundo.
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#Reflexão: 2º domingo do Tempo Comum (18 de janeiro)
A Igreja celebra o 2º domingo do tempo comum neste domingo (18). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 49,3.5-6
Salmo: 39(40),2.4ab.7-8a.8b-9.10 (R. 8a.9a)
2ª Leitura: 1Cor 1,1-3
Evangelho: Jo 1,29-34
JESUS, CORDEIRO DE DEUS, QUE VEM AO NOSSO ENCONTRO
A última celebração do tempo litúrgico ligada ao Natal do Senhor foi a solenidade do Batismo do Senhor que celebramos domingo passado. Para marcar o início de sua missão e vida pública, Jesus se deixou batizar por João nas águas do rio Jordão. Nosso Senhor não precisava de nenhum rito de penitência e nem havia pecado para receber o batismo de João Batista, mas naquele ritual provisório, tornou-se público e teve início o tempo novo e uma nova realidade de Deus em meio ao seu povo. No Batismo de Jesus temos a revelação daquilo que acontece em nosso Batismo: nos tornamos filhos e filhas de Deus que se apresenta também como Nosso Pai.
Terminada as festividades do Natal de Jesus, iniciamos o Tempo Comum na Igreja e este ano, vamos caminhar refletindo em nossas celebrações dominicais o Evangelho de São Mateus. No entanto, na celebração deste domingo, temos uma passagem do quarto Evangelho, logo após o Batismo de Jesus em que, João evangelista, recorda o momento posterior ao Batismo quando Jesus vem ao encontro de João Batista. No 4º Evangelho não temos o momento propriamente do Batismo de Jesus.
Na passagem do Evangelho deste domingo quem fala e dá testemunho é somente João Batista. Jesus Cristo é reconhecido e indicado por João como alguém muito especial e profundamente diferente de tudo que se esperava. O Batista não chama Jesus pelo seu nome como tantos outros qualificativos que são usados para se referir a alguém importante e ao Messias como: rei, filho de Davi, Filho de Deus etc. João aponta e testemunha Jesus como sendo “Cordeiro de Deus”.
“Cordeiro” de Deus foi um dos últimos títulos do NT atribuído a Cristo Jesus. Temos 1 vez em Marcos (14,12); 1 vez em Atos (8,32); 1 vez em 1Cor 5,7; 1 vez 1Pd 1,19; 2 vezes em João (1,29. 36) e 31 vezes no Apocalipse.
Jesus vem ao encontro do Batista não com uma fera ou um animal feroz que se impõe e causa medo (como nos grandes impérios da antiguidade), mas como um animal conhecido por todos, pois era usado no Templo durante os sacrifícios, mas João evangelista parece ligar Jesus ao cordeiro usado na libertação do povo de Deus quando ainda todos estavam no Egito (Ex 12,3ss). Jesus vai se encontrar com João (como o faz com cada pessoa), desarmado, que não tira a vida de ninguém, mas que se oferece por todos (como cordeiro); não causa medo, mas é dócil por natureza; que não espanta, mas encanta com sua bondade; que não se impõe, mas se propõe como caminho e pede somente que Ele seja acolhido. O “Cordeiro de Deus vem” e traz muito mais do que perdão, traz a si mesmo. No 4º Evangelho, João Batista demonstra que tinha intuído que Jesus, realmente, não se enquadrava em nenhum esquema de messias e de salvador do seu tempo. Jesus foi algo que nem o Batista mesmo esperava.
Jesus, o Cordeiro, identificado com o animal sacrificial, introduz algo que subverte e revoluciona a face de Deus: não pede mais sacrifícios aos homens, mas sacrifica a si mesmo; Ele não exige a vida de ninguém, Ele oferece a sua; Um Deus que não quebra ninguém, Ele quebra a si mesmo; um Messias que não toma nada, mas dá tudo para suas criaturas (Ermes Ronchi).
João Batista continua seu testemunho dizendo que Jesus é alguém muito superior a ele, pois Sua história é maior que a dele (de João Batista). Sua existência coincide com a própria existência de tudo. Jesus é alguém que rompe a compreensão de tudo que conhecemos, pois, sua missão é muito mais do que algo limitado àquele tempo e àquelas pessoas. De fato, na primeira leitura, Isaías fala da missão do “servo escolhido” que deve ir além de Israel: a salvação que deverá realizar deve chegar até os confins do mundo. O profeta diz que é alguém formado por Deus desde sempre para ser luz do mundo.
No momento do Batismo de Jesus, João tinha tido a revelação de quem realmente era Cristo Jesus. Era alguém tão superior como realidade que o Batista afirma duas vezes “eu não o conhecia”. Talvez eles tivessem se encontrado na adolescência e ou na juventude, mas tudo que João sabia sobre Jesus eram coisas simples e sem valor; no Batismo, o céu se abriu e também a mente de João se iluminou em relação a grandeza daquele que ele batizava.
A confirmação vinda do céu (Espírito Santo em forma de pomba e a voz de Deus) foi uma revelação que João jamais conseguiria descobrir: Jesus era alguém muito maior e muito mais importante do que ele imaginava. No 4º Evangelho é João Batista que vê e dá testemunho do que acontece no Batismo de Jesus. Dessa forma, João Batista é muito mais do que aquele que simplesmente batizou Jesus nas águas do Jordão; ele é aquele que primeiro recebeu a revelação do céu e depois fez questão de anunciar apontando Jesus com o Cordeiro de Deus entre nós. O Batista diz: “Aquele que me enviou”. João é instrumento de Deus e cumpri muito bom sua missão de anunciar a chegada do Messias. Na segunda leitura, Paulo também se sente chamado para uma missão.
Diante de Jesus que vem ao seu encontro, João reconhece a diferença até mesmo em relação ao batismo que realizava. O seu era um rito de penitência para os pecados que todos reconheciam e buscavam mudar de vida. João decreta que o Batismo de Cristo é muito mais profundo e salvífico.
João Batista quando aponta e testemunha que Jesus é o Cordeiro de Deus, ele também afirma que Ele “tira o pecado do mundo”. Jesus, como Cordeiro de Deus que se deixa imolar por todos nós (conforme recordamos e celebramos na Semana Santa), cancelou tudo aquilo que impedia nosso acesso a Deus. O sacrifício da Cruz nos libertou do “Pecado” principal (observe que está no singular!) que nos impedia de nos tornarmos filhos e filhas de Deus e de herdarmos o céu como morada (no Batismo, isto tudo nos vem garantido). Por isto, João acrescenta que o Batismo de Cristo Jesus não será o mesmo que o seu, mas “no Espírito Santo”: celebrado uma única só vez e de forma definitiva. Com o Batismo, o cristão passa a ser morada da Trindade e “marcado” pelo Espírito Santo como “propriedade de Deus”.
O Batismo de penitência de João em vista da chegada do messias, encerrou-se com o fim da sua missão. Cumpriu a sua função que era preparar as pessoas, através de um rito penitencial, para acolher o verdadeiro Salvador com o definitivo Batismo conforme a vontade de Deus. Assim, podemos dizer que o Batismo de João limpava o externo, o Batismo de Jesus penetra e transforma dentro de cada pessoa.
O “Pecado” que nos impedia de termos acesso a filiação divina, foi cancelo pelo sangue do Cordeiro, mas permanece a realidade de conversão e de penitência para os nossos pecados individuais que constantemente cometemos. Jesus vence o pecado e nos liberta da morte não da morte física, mas da morte eterna. A Salvação nos foi garantida por Jesus com a sua Paixão, Morte e Ressurreição e tudo recebemos como promessa e dom no dia do nosso Batismo, mas tudo isto precisa ser conservado e cultivado durante a nossa existência neste mundo. É um dom que precisa ser aceito e desenvolvido em uma vida de santidade e constante conversão. Por isto, precisamos ainda de muita penitência e arrependimento, como no tempo de João Batista, para que possamos cada vez nos apresentarmos com mais dignidade diante de Deus.
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#Reflexão: Festa do batismo do Senhor (11 de janeiro)
A Igreja celebra a Festa do batismo do Senhor neste domingo (11). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 42,1-4.6-7
Salmo: 28(29),1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R. 11b)
2ª Leitura: At 10,34-38
Evangelho: Mt 3,13-17
FESTA DO BATISMO DE JESUS
Concluindo as celebrações do tempo do Natal, a Igreja celebra hoje a festa do Batismo de Jesus. Uma solenidade marcante na vida de Jesus e também para a nossa vida cristã.
O Batismo de Nosso Senhor ficou na memória dos primeiros discípulos de Jesus e se perpetuou em sua Igreja como o momento que teve início a missão de Jesus. Não foi um rito a mais na vida de Jesus, mas aquele que desencadeou oficialmente o projeto de redenção planejado por Deus. Os três primeiros evangelistas relembram aquele momento marcante como uma verdadeira consagração e confirmação dos céus: definitivamente, o que Jesus estava por iniciar tinha as bênçãos de Deus, não era uma iniciativa isolada e pessoal, mas uma ação divina. O Evangelista São João testemunha que João batizou Jesus no Jordão.
Na primeira leitura, Isaías já tinha profetizado esse momento em seu escrito. O messias, como servo de Deus, é o eleito e tem toda afeição e força de Deus para evangelizar. Consagrado por Deus, age conforme a vontade de Deus com especial atenção aos fracos, doentes e enfraquecidos, não rompe o que está fragilizado, mas cura e resgata as pessoas: abre os olhos aos cegos e liberta os cativos das prisões e aqueles que vivem nas trevas. Segundo Isaías, o ungido do Senhor é alguém convocado, tem a proteção e a presença de Deus para implantar vida no mundo. Jesus é esse servo que vem chamado no dia do seu Batismo de Filho Amado.
A relação entre Jesus e o Pai se manifesta publicamente e visível a todos. Os testemunhos nos Evangelhos narram a presença do Espírito Santo em forma de pomba e a voz que veio dos céus. Pedro (na segunda leitura) relembra o testemunho daqueles que estiveram presentes e afirma que a salvação planejada por Deus a todos os povos teve início no dia do Batismo realizado por João Batista.
O evangelista Mateus dedicou mais palavras para retratar aquele momento especial na vida do Messias Jesus e da Igreja. João Batista teve a missão de preparar a chegada do Messias e além da pregação de jejuns e penitência, convidava a todos para acolher o Enviado de Deus com um coração novo e purificado. Ele convidava a todos a um gesto externo e público de arrependimento e mudança de vida com o rito de Batismo nas águas do Jordão. Não temos nenhum testemunho de como ele batizava, mas sabemos que os judeus tinham o costume de uma espécie de “banho ritual”. Era um rito de purificação antes de algumas funções religiosas, um rito que o judeu repetia com frequência e quando se sentia impuro ou em pecado.
Segundo Mateus, Jesus se colocou em fila como os outros e talvez sem ser reconhecido por ninguém. O gesto é expressivo, pois Aquele que é Santo se iguala aos pecados, se submete a realidade deles, portando a graça da salvação. Era mais um entre muitos. Mas não o foi para João Batista, pois ele conheceu Jesus e sabia que o rito de penitência e arrependimento dos pecados não era adequado ao Messias Jesus uma vez que Ele é Santo Filho de Deus, por isso, protesta antes de batizar Jesus, mas João foi convencido a prosseguir com o Batismo. Jesus e o Pai com o Espírito Santo planejaram aquele momento para todos nós.
O mais importante no Batismo de Jesus realizado por João Batista não foi o rito em si, nem a forma que o Batismo foi realizado. Mateus salta a formalidade do rito e relata o que aconteceu após Jesus ser batizado. Os Céus se abriram, o Espírito Santo em forma de pomba desceu sobre Jesus e uma voz se fez ouvir do alto. O rito em si era simples, mas não as graças de Deus e tudo que se manifestou em Jesus e sobre Ele.
Jesus é confirmado em sua missão de salvador com palavras especiais. É chamado de “meu Filho”: é o Primogênito de Deus presente no mundo e tem sua relação marcada pela forma mais profunda de relação entre as pessoas: comunhão filial. O Pai O chama de Filho não adotivo ou escolhido, mas “meu Filho”. Ao Filho de Deus vem associada uma qualidade especial que revela a maior definição de Deus: Ele é amado. Jesus é Filho de Deus amado. Tudo é realizado no amor. Deus é amor, Jesus é o Amado de Deus Pai. Essa manifestação profunda de quem é Jesus (Filho e Amado) não é circunstancial ou momentânea, mas perene. Deus Pai está com Ele e O acompanha é o que podemos entender com a expressão “... ponho minha afeição”. Em Deus, tudo é perfeito e completo. A afeição de Deus não é um gesto passageiro, mas uma consagração por toda a vida.
O Batismo de Jesus definiu publicamente aquilo que Nosso Senhor sempre foi com Deus, mas era necessário que isso ficasse testemunhado na vida dos discípulos. Se o Batismo de João Batista era um simples rito penitencial, para os cristãos, o Batismo que marca a vida inicial de todos reproduz na vida de cada um a mesma consagração de amor e predileção de Deus.
Em Jesus, Filho primogênito e Amado de Deus Pai, todos nós também recebemos as mesmas graças da filiação e do amor de Deus Pai. O Batismo nos torna filhos e filhas de Deus por adoção e recebemos a mesma atenção e carinho de Deus Pai.
Assim, para nós cristãos, o Batismo jamais pode ser tomado como um rito a ser repetido por mero costume ou envolto em superstições e temores, mas um gesto profundo de fé e um desejo de caminhar sempre em comunhão com Deus. Ao ser batizada, a pessoa recebe as graças de filiação divina, torna-se especial aos olhos de Deus, mas são graças que precisam ser cultivadas e alimentadas por toda a vida. Amor e afeição são gestos que devem ser diários e perenes em nossa vida, como são sempre da parte de Deus.
O Batismo de Jesus marcou o início da missão de redenção deste mundo. A luz e as graças de Deus foram definitivamente enraizadas na história humana, mas ainda há muito que realizar para que todos possam usufruir do amor de Deus. Por isso, o Batismo também deve ser o início da nossa missão como cristãos neste mundo. A evangelização precisa continuar, hoje, através de nossa vida de fé e testemunho do amor de Deus. Jesus precisa continuar sua missão de anunciar a Boa Nova do amor e afeição de Deus em nós e através de cada cristão. Com o Batismo no Jordão, Jesus iniciou publicamente sua missão de anunciar o amor de Deus a todos; e nós, como estamos com a nossa missão de semeadores do amor de Deus que um dia recebemos em nosso batismo?
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